Aoi Chi
Entre vidas
By Misako Ishida
Ele abriu a porta e ela adentrou ao recinto. Era o mesmo apartamento que ele havia lhe mostrado uns dias antes. O homem fechou a porta e caminhou lentamente até a garota. Dizer que estava confuso era pouco. Estava confuso, atordoado e não pensava com clareza.
Tanto que sua primeira reação fora levá-la para o apartamento sem questionamentos. Ela não quis levar nada com ela. Afirmou de forma rude e dolorosa que não queria mais nada que a lembrasse de como era sua vida.
E ele apenas concordara. E ali estavam eles. Tentava buscar uma explicação lógica e racional para o comportamento dela, mas por mais justificativas que seus pensamentos pudessem criar, nenhuma parecia convencê-lo. Preocupava-se com tudo isso. E se ela estivesse passando por algum tipo de estresse pós-traumático? E a simples menção a um possível trauma lhe fez imediatamente acionar seus instintos protetores, que nem sabia que existia.
E ali estavam. Dizia a si mesmo que poderia cuidar dela, vigiá-la e protegê-la se ela estivesse perto. E disposta a estar perto dele também. Fora ela quem se propôs a estar com ele. A se vender para ele na verdade. Mas para Yamato não havia diferenças. Para ele havia apenas ela perto dele, permitindo que ele a cuidasse. Deixando que lhe fizesse algo.
- Você deve querer descansar e ficar um tempo sozinha no seu apartamento. Eu vou deixar aqui na mesa a chave e a cópia da chave.
- Original e cópia?
- Sim. Por quê?
- Achei que você ficaria com a cópia. – disse sugestivamente.
Ele a olhou sério. – É o seu apartamento. Eu posso tocar a campainha.
A garota deu de ombros e ficou de costas para ele, indo até à janela que dava para o balcão. Tirou o casaco e o deixou em cima do sofá.
– Irei providenciar suprimentos para você e vou deixar um cartão para que você mesma possa comprar itens pessoais. Vou pedir para um motorista ficar a sua disposição para a hora que você quiser sair.
- Obrigada. – respondeu suavemente e se virou com um doce sorriso no rosto.
O coração de Yamato bateu acelerado e ele ficou um segundo embobalhado. Jamais a vira sorrir assim. Jamais a vira sem aquele olhar triste e a expressão fechada. Jamais a vira tão leve e radiante como ela estava ali naquele momento.
Ela realmente parecia ser uma garota de 17 anos, sem problemas, sem preocupações. Ela caminhou até ele e então o puxou pela camisa. O beijou de forma intensa. Provocante. Ligeiramente tirou o casaco do loiro e começou a desabotoar sua camisa.
Ele não estava pensando com nenhuma clareza. Apenas via o quanto seu corpo estava reagindo ao beijo dela. A forma como ela o provocava, a forma como estava tirando sua camisa. Ele estava excitado. Tentou se conter. Precisava ter controle sobre a situação e sobre si mesmo. Tinha que descobrir primeiro o que acontecia com a ruiva. Não dava para simplesmente se jogar nisso tudo.
Ela se afastou um momento e tirou a própria blusa. Yamato viu o sutiã vermelho que adornava a menina e escondia os seios fartos. A cintura bem marcada.
Sentiu sua excitação aumentar. E sua ereção ficava mais evidente. Não podia se deixar levar. Ela tornou a beijá-lo. E só conseguiu corresponder, enquanto acariciava as costas dela. Fechou os olhos e tentou resistir ao desejo. Era melhor afastá-la de uma vez. Mas então, ela sorriu. Ela sorriu.
Outro sorriso. Um encantador. Suave. Inocente. E tudo o que Yamato queria era ela. Era o sorriso dela.
'Foda-se!'
Puxou-a para si e a beijou. Com paixão. Ela estava ali com ele e querendo ser dele. Era exatamente isso o que queria. Era somente isso que importava. Se ela queria ser comprada, ele a compraria. E daria tudo o que ela quisesse. Porque a amava e nada mais era tão importante para ele quanto vê-la feliz. Ela poderia estar se vendendo por dinheiro. Mas ele se venderia por amor. Valeria a pena. Ele a teria.
Yamato tirou o sutiã dela e abocanhou um dos seios, enquanto acariciava o outro. Escutava os doces gemidos dela ecoando em seu ouvido e sua fome aumentava. Sentiu-a abrindo seu zíper e depois a mão delicada que acariciava seu pênis.
Quando ele tirou a boca do seio dela, a menina se ajoelhou. Abaixou a calça e a cueca dele. E o colocou em sua boca. Yamato estava em delírio, se sentindo num paraíso. A boca quente e úmida dela o consumia e sentia todo prazer se concentrar em seu órgão. Era tudo tão intenso e tão sensual que ele a afastou. Não aguentaria muito tempo se ela continuasse ali.
Queria tê-la. Queria estar dentro dela. Levou-a para o sofá e tirou o resto das roupas de ambos. Ela estava sentada de frente para ele. O loiro abriu as pernas dela e a invadiu com a boca, ouvindo como os gemidos se intensificavam. Era ela deliciosa. Queria devorá-la. Experimentá-la toda.
Deitou-a no sofá e sentiu-se fascinado quando a penetrou. Estava tudo diferente. Ele se sentia diferente. O sexo era diferente. Estava tudo melhor. Completo. Gostoso. Leve. Compartilhado. Essa era a maior diferença. Não era porque ela queria dinheiro. Não era porque ela queria se esquecer dos problemas. Não era porque eles fingiam ter um relacionamento.
Era porque ela queria. Via isso nos olhos dela, na expressão dela, no sorriso que preenchia os lábios dela. Ela queria. E por ela querer, ele experimentou o melhor sexo que já tivera. Superava tudo o que vivera anteriormente, até mesmo com ela. Aquela era a nota máxima a ser superada.
Quando ele gozou, sentiu o forte agarre da ruiva. Caiu sobre ela, repousando a cabeça em seu ombro. Sentiu-a envolvendo a perna dela na dele, os entrelaçando. As mãos suaves passeavam por suas costas. Beijou o pescoço dela levemente e ficou onde estava enquanto esperava seu corpo se recuperar e a respiração voltar ao normal.
Estava quase adormecendo, quando ela lhe dirigiu a palavra.
- Estou com fome. – disse timidamente e de forma inocente.
Ele levantou um pouco a cabeça e diante dele estava um rosto ruborizado pelo sexo e uma expressão tão terna e suave que fazia com que Yamato pensasse que fosse outra pessoa. Mas não era. Era a mesma garota.
Poderia ficar ali a noite inteira admirando-a. – Pizza? – sugeriu para ela.
Ela concordou com um sorriso. Ela concordara com ele. Com um sorriso. Ele se levantou a contra gosto e foi pegar seu telefone. Enquanto fazia o pedido, a viu deitada no sofá. Ela estava tranquila, com os olhos fechados. Desligou e foi até ela.
Quando ela abriu os olhos, ele lhe estendeu a mão e ela a pegou. Ele a puxou para si, abraçando-a e beijando-a com carinho. Delicadamente. Suavemente. Se aquilo era um sonho, não queria acordar jamais. Queria permanecer dormindo só para sentir tudo o que estava sentindo.
Caminhou com ela nos braços até a cama. Tomou o corpo dela em beijos, dedicando tempo a cada espaço. Ela seria dele. Completamente dele. E ela o teria sempre aos seus pés, porque ele já era dela há muito. Beijou a boca de Sora e quis que o mundo parasse naquele momento.
- Dorme comigo. – ela pediu com um sussurro.
Ele a encarou enquanto acariciava seu rosto. Beijou a testa da garota. – Claro.
E então continuou a beijá-la. Pelo resto da noite. Porque agora ela era dele. E ele a queria.
CONTINUA...
