Lea sentiu-se imensamente triste ao ver como Theo a cabeça enterrada nas mãos, o cabelo desgrenhado, com seu irmão mais velho abraçando-o pelos ombros.

–Olá, Ferris.- ela cumprimentou o irmão do noivo.

O rapaz sorriu triste para ela, e Theo levantou a cabeça assim que ouviu sua voz. Ele estava mal; pálido, com olheiras.

Lea simplesmente chegou perto dele e o abraçou, sussurrando:

–Vai ficar tudo bem.

{...}

Cory estava estranhando, ele tinha ligado para Rachel no domingo e ela não o atendera de jeito nenhum. Mesmo assim, segunda, bem cedo, enviou uma mensagem para ela, na esperança de que o respondesse.

Assim que chegou ao escritório, foi à sala de Taylor, e ela já estava lá, muito bem arrumada, o cabelo castanho-avermelhado caindo ondulado ao lado do seu rosto, os belos olhos verdes encarando a tela do computador.

–Amor!- ela sorriu, levantando-se e indo abraça-lo.- Você deveria ter ido para os Hamptons comigo e meus pais. Foi ótimo.

–Hum... que bom.- ela retorquiu.

–Como foi seu final-de-semana? Tocou lá com sua banda?

–Sim, sim, foi muito bom. Hãn, Taylor. Eu preciso falar com você, é algo sério.

–Sabe, eu também preciso falar com você. - ela disse, fazer um ar misterioso.- Aliás, eu e meu pai. Vamos à sala dele?

Cory deixou-se guiar pela mão de Taylor até a sala de seu sogro, que também era seu chefe. Dono de um dos maiores escritórios de Nova York, Frank Walker era um homem de cinquenta e poucos anos, mas com um rosto jovial e um olhar sagaz, típico de um advogado que não deixava passar nada nos tribunais.

–Bom dia, Cory!- ele o cumprimentou, sorridente e lhe indicando uma cadeira.- Tenho ótimas notícias para você. Quero que assuma o caso do divórcio dos McDermont. Sozinho.

Cory ficou nervoso, pois nunca tinha assumido um caso daquele porte. Os McDermont estavam se separando, e era um dos casais mais ricos de Manhattan:

–Ah, eu... eu me sinto honrado com isso...

–Agora, espero que este tenha sido o empurrão que faltava para você pedir logo a Taylor em casamento.- Frank sorriu para a filha.

–Como assim?- indagou Cory.

–Ah, Cory.- disse Taylor, colocando sua mão sobre a dele.- Eu e meu pai estávamos conversando, e percebemos que eu e você precisamos dar o próximo passo na nossa relação. Sendo assim, nada melhor do que você assumir casos maiores.

Cory olhou-a espantado. Então, ela e seu sogro tinham decidido o futuro do namoro deles sem nem ao menos consultá-lo?

–Me desculpa, mas... o quê?! Como vocês decidem este tipo de coisa sem me consultarem?

–Que tipo de coisa? – Taylor perguntou.

–Isso! – Cory gesticulou, aflito.- Eu preciso pensar. Não posso aceitar outro caso novo assim, não posso te pedir em noivado assim, sob pressão. Com licença.- ele disse, retirando-se da sala.

A cabeça dele fervilhava. Estava atônito com a forma como Taylor e seu pai estavam tratando-o; se sentia um boneco, um brinquedinho que Frank comprava para fazer as vontades da filha. Todos os amigos de Cory em Harvard achavam-no muito sortudo por sair com Taylor Walker, mas só ele sabia como era a pressão de namorar uma garota extremamente rica e egocêntrica, ciumenta e que batia o pé sempre que queria algo. Mas, mesmo sabendo como era o gênio dela, Cory nunca teria pensado que ela e o pai fossem tão incisivos quanto ao fato de que estava na hora de eles casarem. Mas, ele tinha sido um ingênuo; claro que Taylor não desceria ao seu nível econômico, claro que ele teria que ganhar muito para bancá-lo.

Ele esfregou o rosto, irritado, triste, confuso. Precisava falar com Lea. Ela era o bálsamo da sua vida.

{...}

Ele ponderou muito, até tomar coragem e sair do escritório no meio do expediente para tentar falar com Lea.

Jenna teve um leve susto ao abrir a porta:

–Doutor Monteith? Digo, Cory?

–Olá, Jenna.- ele sorriu com o canto da boca.- A Lea está?

A asiática balançou a cabeça positivamente e deu passagem para ele entrar.

– Bom, aproveitando o ensejo da minha visita, te digo logo que entrei em contato com a imobiliária e eles querem fazer um acordo, pois um processo seria mais demorado. Nos próximos dias, nós podemos resolver isso, e você e a Lea vão poder procurar outro lugar.

–Ai, que alívio.- suspirou a asiática.

–Você... você parece meio abatida, Jenna.- reparou Cory.

–Oh, é que...bom, aconteceu uma coisa bem ruim...o pai do Theo sofreu um acidente gravíssimo, e está por um fio. Nós estamos muito abalados, sabe, todos os amigos...

–E Lea, obviamente.- Cory a interrompeu.

–É. Ela realmente não ficou bem, e Theo está tão desesperado... ela, inclusive, só voltou para casa há pouco tempo, para comer algo, tomar um banho e cochilar.

–Bom, se é assim, acho que...

–Cory, por favor, vá lá falar com ela.- Jenna segurou com delicadeza seu pulso.- Vocês precisam conversar.

Jenna levou-o ao quarto da amiga, abriu a porta e se retirou, para deixa-los conversar com privacidade.

Lea dormia serenamente, seu belo e longo cabelo espalhando-se sobre o travesseiro, um pequeno suspiro saindo de seus lábios durante o sono. Durante instantes, ele hesitou em chamá-la, ela parecia tão terna, tão em paz. Mas, então, ele se debruça ligeiramente sobre ela e fala baixinho o seu nome. Lea pisca várias vezes, até ter noção de que é o rosto de Cory que a fita bem de perto.

–Oi.- ela diz, abraçando-o pelo pescoço, de modo que ele acaba caindo de vez sobre a cama.

– Você tava tão linda dormindo.- ele disse, embevecido com os olhos castanhos dela embebendo os seus.- Mas eu queria tanto falar contigo.

–Eu também. –ela disse, aconchegando-se a ele. Cory cheirou seu cabelo recém- lavado, e abraçou-a pela cintura.

– Jenna já me contou o que aconteceu. É uma pena, digo, Theo deve estar muito mal.

–Sim, está. –Lea entrelaçou seus dedos nos dele.- Cory, você sabe... por enquanto...ai, como é difícil!

– Eu entendo, Lea. Imagino como seria se meu pai estivesse à beira da morte no hospital e minha noiva chegasse terminando tudo comigo.

–Eu te amo.- ela disse, ajeitando o corpo sobre o dele. Com os rostos muito próximos, com o cabelo dele caindo sobre Cory, ele puxou-a mais para si até que suas bocas se encontrassem num beijo lento, saboroso. Ele descia as mãos pelas suas costas e ela afundava seus dedos no cabelo dele, intensificando o beijo, o momento de paixão doce e dolorida que estavam vivendo.

– Taylor pediu para o pai dela me arranjar um grande caso. Eles quer que a gente case.

Lea olhou profundamente para Cory:

– Você quer se casar com ela?

– Não.- ele respondeu sem rodeios.- Mas este é meu emprego, Lea. Não posso desperdiçar um trabalho na Walker Advogados assim.

– E eu não posso largar o Theo de uma hora para outra assim, também.- ela recostou sua cabeça sobre o peito dele.

O que poderia resultar em briga para outros casais, para eles, que já tinham noção de que a história que estavam vivendo era mais do que complicada, era apenas mais um dos grandes obstáculos que teriam que enfrentar.

–Será que um dia não haverá mais ninguém se interpondo entre eu e você?- ela perguntou baixo, enquanto o beijava calidamente no rosto.

– Sim, Lea, eu sei que sim.- ele suspirou, trazendo a boca da artista para a sua novamente.