Oiiii! Fiquei tããão feliz com os comentários, eu não fazia idéia da falta que vocês faziam! :D Obrigada, de verdade! =)

Aí está mais um capítulo, espero que curtam! :D

Obrigada por todos os comentários, ADOROOOO! haha =), prometo que no próximo capítulo responderei!

Beijos, Pimentè.

31/05/09


Interesse?

Tiago seguiu McGonagall até o final do corredor, virando á direita e descendo as escadas. Todos os quadros pareciam dormir enquanto eles passavam; McGonagall silenciosa como um fantasma e ele, apesar de quieto, fazia barulho ao mancar. Sua perna doía tanto que era capaz de ver estrelas, mas recusou a ajuda que a Professora lhe ofereceu:

-Já estamos chegando –ele disse- Não é nada demais.

Ela não disse mais nada até que finalmente chegassem, porém, passou direto pela enfermaria. Tiago não perguntou aonde iam, já imaginava: ao ver a gárgula que protegia o escritório do Diretor, suspirou.

-Sapos de chocolate –McGonagall disse, fazendo com que a gárgula saltasse para o lado e os deixassem passar. Ao abrir a porta, Tiago encontrou o olhar zeloso do Diretor. Na sua frente se encontravam sentado, igualmente machucados, Almofadinhas e Snape.

O último parecia estar em estado de choque, muito parecido com um beijo do dementador: olhava assustado para todos os cantos, um pouco catatônico e, ao vê-lo entrar, seu olhar se transformou em desprezo.

-Bom dia, Sr. Potter –Dumbledore fez menção para que sentasse entre os dois.

Tiago andou devagar por causa da perna, olhou pela janela tentando obter algum sinal de uma cabeça ruiva correndo pelos terrenos do Castelo, mas desistiu ao lembrar-se que ela estava com a capa da invisibilidade.

Rezava para que Lílian o ajudasse, que fosse atrás de Remo e que o convencesse a voltar para o Castelo. Aluado acreditava que havia matado Snape, provavelmente a sua última lembrança humana foi a transformação em lobisomem e o momento em que partira para cima do sonserino.

Sabia que se ele voltasse, ainda havia uma chance de não ser expulso, porém, se fugisse, Dumbledore seria obrigado á lhe dar a expulsão. Remo precisava voltar e ele confiara á Lílian Evans essa missão. Estava arrependido disso, ele mesmo deveria ter ido atrás de Remo, afinal, Lílian não sabia nada do que estava acontecendo, muito menos da importância de trazer Remo de volta; por mais que ela não soubesse, Tiago conhecia muito bem o gênio da ruiva: se Aluado insistisse em não voltar, ela o deixaria ir embora. Lílian nunca obrigaria alguém á fazer algo que não quisesse, ela é boa demais para algo desse tipo. Porém, ele confiava na persuasão dela e era com essa pontinha de esperança que agora ele encarava o Diretor.

-Diretor –ele acenou com a cabeça; ele viu Sirius o olhar arrependido, com os olhos baixos, mas ele fingiu não ver.


-Como você me encontrou?

Lílian sorriu para Remo e balançou a cabeça.

-Tiago me pediu para vir atrás de você –disse e observou seus ferimentos- Mas não achei que você estaria machucado. O que aconteceu dessa vez?

Remo ignorou sua pergunta.

-Tiago a mandou aqui para me convencer á voltar, não é? –ele ironizou- Eu não posso voltar, vou ser expulso de qualquer jeito.

Lílian suspirou. Aquilo seria um pouco mais complicado do que ela havia imaginado; não esperava encontrá-lo naquele estado e, muito menos, na Casa dos Gritos.

Remo estava sentado em uma poltrona puída, comida pelas pragas e cheirando á mofo. Ela andou pelo lugar, observando as cortinas rasgadas e o chão de madeira fazia um barulho irritante, estava sendo destruído pelos cupins. O lugar era sombrio, apesar do sol já estar nascendo e clareando pouco á pouco o ambiente que, no momento, parecia muito familiar á Remo.

Ela parou na frente dele e tocou em seu ombro:

-Precisamos voltar Remo –sussurrou- Não sei o que aconteceu, mas ficar aqui não vai adiantar nada.

-Não.

-Você está machucado.

-Eu já agüentei situações piores –ele disse amargurado e Lílian não duvidou.

-Tiago está preocupado –Lílian sentou-se na sua frente e o encarou nos olhos- Muito preocupado.

Remo ainda não estava convencido e Lílian pensava seriamente em enfeitiçá-lo, mas logo tirou aquela idéia da cabeça.

-Ok –ela disse e Remo a olhou - Você vai fazer o quê, então? Ficar aqui para sempre?

Remo virou o rosto:

-Vou dar um jeito...

-Bláblá! –ele a olhou surpreso e Lílian levantou-se- "Dar um jeito" significa fugir? Poupe-me! Primeiro, fugir é quase tão impossível quanto invadir Hogwarts. Segundo, você realmente acha que o Ministério não possui meios de te encontrar? O menor uso de magia iria te delatar! Terceiro –ela o olhou convencida- Seus amigos nunca iriam deixar que você fizesse isso –ela sorriu- Isso me inclui.

Remo assumiu um tom escarlate, mas nada respondeu. Lílian sentou-se novamente na sua frente:

-Olha você não precisa me contar o que aconteceu –ela sorriu- Só precisamos que você volte ou coisas piores poderão acontecer...

-Pior do que alguém morrer por causa de mim? –Remo soltou aquela frase por impulso, calando-se ao ver o rosto estupefato de Lílian. Um silêncio sombrio surgiu e Lílian levantou-se devagar, andando lentamente pelo quarto. Sua mente trabalhava rápido, ela notou as lágrimas que havia nos olhos de Remo.

Por alguns minutos nada falaram até ela virar-se:

-Severo –disse finalmente entendendo. Remo assentiu e parecia não conseguir olhá-la. Lílian balançou a cabeça.

-Eu sou um monstro –Remo colocou a cabeça entre as mãos- Eu sabia que um dia isso ia acontecer, eu os avisei... Sair á noite comigo daquele jeito sempre foi um perigo.

Lílian não estava entendendo, mesmo assim deixou que ele falasse.

-Eu não posso voltar Lili –ele levantou o rosto marcado de lágrimas- Porque eu não vou conseguir encarar os olhos de Dumbledore.

Lílian o encarou com a expressão vazia e andou até ele:

-Remo, você não matou ninguém. Severo está na enfermaria, eu mesma ouvi McGonagall dizer.


Tiago não podia descrever a sensação de alívio que o invadiu ao ver Lílian e Remo entrando pela porta do escritório. Ele observou os ferimentos de Remo, que não estavam tão piores quanto os de Snape ou os dele, mas mesmo assim o deixaram preocupado.

-Aluado! –Sirius gritou aliviado e foi ajudar o amigo. Ele notou o olhar desconfiado de Lílian ao ouvir aquele apelido e suspirou cansado, pensando que aceitaria duas semanas de detenções em troca, se Lílian nada perguntasse sobre o que havia acontecido. Mas sabia que aquilo era impossível, então por enquanto concentrou-se em Dumbledore, que parecia refletir.

Em cinco minutos, Lílian e McGonagall retiraram-se e ele observou seus cabelos ruivos saírem pela mesma porta. Suspirou cansado e observou a cena; Remo estava parado ao lado de Sirius e ambos possuíam um ar mórbido; Snape havia se levantado assustado e correu para perto do Diretor; Dumbledore encarava Tiago com uma simpatia surpreendente e ele imaginava se o diretor já sabia, ou pelo menos imaginava o que havia acontecido.

Tiago sabia muito bem que, hoje, tudo seria diferente. Não se tratava apenas de mais uma traquinagem; tratava-se da vida de uma pessoa (por mais repugnante que ela significasse para Tiago). Sirius havia mandado Snape á morte, por pura infantilidade e, por sorte, Tiago havia conseguido salvá-lo. A questão era que Snape havia descoberto sobre Remo e fazê-lo ficar de bico fechado seria mais difícil do que foi para ajudá-lo, não havia dúvidas quanto a isso.

Dumbledores olhou os quatro garotos por cima dos óculos de meia-lua e cruzou as mãos:

-Quero saber o que aconteceu –sua vez era autoritária- Peço que não mintam para mim.

Pela primeira vez após aquele episódio, Tiago olhou para Sirius e uma sensação de concordância surgiu entre ambos.


Lílian passou o dia inteiro sem notícias sobre o que havia acontecido, suas amigas estranharam a impaciência dela, mas nada comentaram.

Apenas Amanda, após notar que Lílian olhava o quadro da mulher Gorda toda vez que alguém passava por ele, perguntou se estava tudo bem.

-Tudo ótimo –Lílian respondeu sorrindo- Só estou com fome. Á que horas é o jantar?

-As sete –Amanda ergueu a sobrancelha- Como todas as noites.

-Certo –Lílian levantou-se- Estou morrendo de fome, mas vou tomar um banho antes.

-Ok.

Lílian subiu as escadas rapidamente e trancou a porta ao passar, sem se importar se alguma garota poderia querer entrar no dormitório. Jogou-se na cama e procurou algo em seus pertences, finalmente achando o Mapa do Maroto. Apontou a varinha para o pergaminho, mas hesitou no último instante.

Isso não é certo.

Ela mordeu o lábio inferior, lutando contra os seus princípios e sua curiosidade. Não achava certo invadir a privacidade dos outros, talvez Tiago não quisesse vê-la e, por mais que aquilo a deixasse indignada, as pessoas não eram obrigadas á lhe dar satisfações.

Decidiu esquecer o assunto, levantou-se e pegou a toalha para tomar banho.

Saiu do banho com uma toalha enrolada na cabeça, já vestida. Soltou um grito ao dar de cara com Tiago Potter sentado na sua cama, lendo um dos seus livros. Ele deu risada.

-Você é maluco? –ela perguntou irritada- Como você entrou aqui?

-Você já deve ter percebido que eu tenho meus métodos –ele sorriu e apontou para o Mapa do Maroto jogado na cama- Você devia ter mais cuidado, não pode deixar jogado desse jeito –ele fingiu um tom magoado.

-A porta está trancada –ela retrucou.

-Eu entrei, não entrei? –Tiago espreguiçou-se e se deitou na cama dela, com as mãos atrás da cabeça- Qualquer um pode fazer isso.

Lílian olhou para a direita e notou a janela aberta.

-Qualquer um que possua uma vassoura, você quer dizer –ela sorriu ao notar o olhar surpreso dele- Você deixou a janela aberta.

-Droga –resmungou- Eu esqueço que você é observadora.

-Por que você está aqui? –ela se apoiou na porta de braços cruzados. Tiago demorou alguns segundos para responder.

-Você quer que eu vá embora? –perguntou desafiante, ainda deitado na sua cama. Lílian revirou os olhos- Muitas garotas gostariam de ter Tiago Potter na cama...

-Ah que baixaria –Lílian riu- Eu não sou qualquer garota.

-Eu sei disso –ele sentou-se novamente- Eu vim ver como você estava.

-Estou querendo te matar –ela sorriu- Mas tirando isso, estou bem.

-Não te culpo –Tiago coçou a cabeça- Eu tive que resolver alguns problemas antes de vir falar com você.

Lílian permaneceu em silêncio, esperando que ele continuasse.

-Hum –ele olhou o quarto, parecia curioso- Eu nunca entrei aqui, sabia?

Lílian ergueu a sobrancelha.

Esse é o jeito dele de mudar de assunto?

Ela continuou parada, esperando que ele falasse algo de útil. Então Tiago fez algo que ela nunca imaginou que ele pudesse fazer: o garoto se levantou e andou lentamente na sua direção, até ficar bem próximo dela. Ele era bem mais alto, então segurou seu queixo e a fez olhar para ele. Lílian estava surpresa com aquela atitude, mas não o impediu. Com a outra mão, tocou em sua bochecha e fez carinho. Ele se aproximou lentamente, até seus narizes se tocarem: ele não riu em nenhum momento, seu rosto era sério, como se estivesse concentrado.

-O que você está fazendo? –ela sussurrou, sem saber o porquê.

-Te agradecendo –ele respondeu do mesmo jeito. Ela não sabia dizer quanto tempo ficaram naquela posição, apenas olhando-se.

-Obrigada –ele sussurrou.

-Pelo quê? –ela conseguia ver sua íris esverdeada.

-Por convencer Remo á voltar –ele abaixou o rosto e depositou um beijo na bochecha dela, porém continuou parado. Lílian não o afastou. Tiago sentiu o cheiro de sabonete dela, beijando devagar a curva do seu pescoço, ela sentiu um arrepio lhe subir a nuca.

Lílian sentiu as mãos de Tiago segurarem a sua cintura e a trazerem para mais perto, uma sensação de excitação lhe subiu à face, trazendo-a de volta para a realidade. Ela o afastou e de repente entendeu exatamente o que estava acontecendo. Irritada, o empurrou:

-Pode parar –disse e Tiago a olhou surpreso- Se você não queria falar sobre o que aconteceu hoje de manhã era só te dito!

-Como é?

-Não se faça de idiota, porque eu sei que você não é –ela andou até a porta e a abriu- Tchau, Tiago.

Após alguns segundos, Tiago saiu sem perguntas. Lílian bateu a porta, irritada consigo mesma.

Parabéns, Lílian Evans! Sua burra.

Sentou-se na sua cama, pensativa. Era óbvio o que havia acabado de acontecer: Tiago não queria que ela lhe fizesse perguntas sobre Remo, o Mapa e a capa da invisibilidade, então tentou tirar sua atenção.

Ele não se aproximou dela porque quis e sim porque era necessário. E ela havia quase caído na armadilha.

Uma sensação de humilhação a invadiu e ela se deitou de barriga para cima, pensando no que fazer, mas não foi preciso muito tempo para que se decidisse.