Avisos
I– As personagens do universo Potteriano da honorável JK Rowling não me pertencem. Eu sei que vocês sabem, é só pra esclarecer as coisas mesmo.
II–Essa fic tem conteúdo yaoi, que é o relacionamento amoroso entre dois homens. Se você não gosta, então pare sua leitura por aqui. Não vou aceitar bem críticas a esse respeito
III- E contém SPOILERS de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Depois não digam que eu não avisei ¬¬
As horas passaram como o vento que soprava do lado de fora do castelo. Remus estava abraçado a Nicholas quando a banda começou a tocar uma música lenta para os casais. Os dois começaram involuntariamente a mexerem-se para um lado e para outro vagarosamente. Quando viram, estavam dançando lentamente no ritmo da canção.
- Sabe, Nich... - Remus começou com um sorriso maldoso no rosto.
- Hm...
- Eu queria saber por que você gosta de mim.
- Por que isso agora?
- Só queria saber...
- Porque você é sensível, inteligente, gentil, delicado porém masculino. Você é fascinante, Remus.
- Nossa, eu sou tudo isso mesmo? - Remus enlaçava o pescoço de Nicholas com os dois braços, recostando seu rosto entre o pescoço e o ombro do outro. E como ele queria que aquele corpo que abraçava fosse o de Sirius...
- É e muito mais...
- Você vai esquecer disso algum dia?
- Nunca.
- Nunca mesmo?
- Eu amo você, Remus. Amor a gente nunca esquece.
- E o que faria com que nós nos separássemos?
- Se você não quiser ficar comigo... você não quer?
- Não estou falando disso. Falo de um algo mais que poderia fazer com que nos afastássemos.
- Se você se apaixonar por outra pessoa...
- Sem colocar outra pessoa no meio.
- Remus, eu só não ficaria com você se você fosse um lobisomem, um vampiro ou um trasgo e isso você não é.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Por que?
- Porque você está há um tempão no meu pescoço e ainda não tentou beber o meu sangue. E também não se parece com um vampiro. Você sabe como vampiros são. Não são doces como você.
- Eu não sou doce, Nich.
- É sim.
- Você não me conhece mesmo...
- Isso foi uma pergunta?
- Não, foi uma constatação.
- O que deu em você para dizer essas coisas agora?
- Porque você não ficaria com alguém como eu.
- Remus, isso é sério.
- Eu sei.
- Remus... - Nicholas afastou Remus para olhá-lo nos olhos e perceber que aquilo não era uma brincadeira. - Você é um lobisomem?
- Não, eu sou um vampiro. - Remus riu afetadamente, se afastando completamente de Nicholas.
Nicholas se deteve por um tempo que pareceu uma eternidade. Ficou parado olhando para Remus, que sorria docemente.
- Eu estou falando sério.
- Eu também. - Remus disse, divertindo-se com aquilo.
- Remus, eu amo você. - Nicholas tocou o rosto de Remus com as costas de uma das mãos. - Não brinque assim comigo.
- Eu não estou brincando. E você não pode me amar. É fútil e preconceituoso demais pra isso.
- Você é mesmo um vampiro? - o garoto perguntou sem chão.
- Você não me ouviu, Nicholas? Você me beijou, ficou comigo quase a noite toda e adivinhe só... eu não sou completamente humano. Pelo menos, não o tempo todo.
Nicholas limpava a boca com a manga comprida das vestes. Seu olhar para Remus era um misto de ódio e nojo.
- Você me fez beijar ... isso! - Nicholas olhava com ódio para Remus, que se divertia com a cena, mantendo um sorriso zombeteiro nos lábios.
- Eu sou um lobisomem, Nich. E não fui eu quem te agarrou. Foi o contrário, eu apenas retribuí, uma coisa que você queria tanto. Eu devo dizer que foi divertido.
- Você é insano, Remus. - disse o garoto incrédulo.
- Vai me prender em um campo de concentração?
- É o que você e todos da sua laia merecem!
- Grite mais alto e anuncie para todos nesse salão! Vai! Assuma que você beijou um lobisomem. - apesar de estarem discutindo, os demais casais não prestavam atenção a eles tanto por estarem entretidos em outras coisas quanto porque a música estava bem alta. - E que você gostou!
- Eu não poderia gostar do beijo de uma criatura! Você é nojento, Remus! Você me enganou!
- Eu disse desde o começo que você não me conhecia.
- Você me seduziu!
- Você está louco! Agora some da minha frente!
- Black precisa saber disso!
- Ah, claro. Ele precisa. Oh, não, por favor, não diga nada a ele! - Remus não se reconhecia mas estava se divertindo maldosamente com aquilo.
- Ele vai saber. Você seduz pessoas de bem! Qual era o seu plano para mim? Queria me tornar um dos seus?!
- Ah, claro. - Remus ria. - Você parece bem apetitoso! - tentou morder o pescoço do garoto, ainda sem conseguir segurar o riso. Remus definitivamente não se reconhecia.
- Louco! Nojento! - Nicholas se desviava das investidas de Remus apavorado.
- Você não sabe de nada mesmo, Nich. Não me conhece e não sabe de nada sobre a minha natureza. Vire gente e pare de me encher!
- Gente! Gente é alguma coisa que você não sabe o que é! Você não é gente. Você não é um animal completo. Você é nada! - Nicholas falava cuspido.
- Não, você não sabe o que é ser gente de verdade, Nicholas. Não precisa desse pavor todo. Você é ignorante e talvez esse seja o seu maior defeito. Isso te leva a ser preconceituoso. Por que não tenta me conhecer primeiro antes de julgar?
- Eu não quero ficar nem mais um minuto perto de uma criatura desprezível como você. Dumbledore tem que saber disso e vai saber agora! Mas não antes de Black!
Remus riu.
- Sai da minha frente! Você me dá nojo. - Remus disse ainda sorrindo.
Nicholas saiu apressado em direção a Sirius, que os olhava de outro ponto do salão, enquanto dançava a música lenta com Alícia. O garoto conhecia a natureza impulsiva de Sirius e queria que fosse ele a dar uma boa lição em Remus porque sabia que, no fundo, Remus ainda o amava.
Remus olhava para Nicholas sorrindo divertido, cruzando os braços e encostando-se na parede mais próxima, sem ter o ângulo de visão comprometido. Viu quando o garoto se aproximou de Sirius e interrompeu a dança com Alícia. Nicholas puxou Sirius de lado, olhando de vez em quando para Remus e falando sem parar com Sirius, que olhava também para Remus.
Em pouco tempo, Nicholas conseguiu que Sirius deixasse Alícia esperando e o acompanhasse até Remus.
Sirius olhou para Remus a uma curta distância, olhou para Nicholas e virou os olhos, em um sinal que Remus conhecia bem. Em pouco tempo estavam os três juntos e Remus mantinha uma expressão divertida no rosto, contrastando com a de Nicholas e de Sirius, que estavam sérios, embora Remus soubesse que a expressão de Sirius era forçada.
- Remus, isso é verdade? - Sirius começou.
Nicholas aprovou o modo como Sirius pareceu rude ao perguntar aquilo a Remus. O garoto achou que Sirius daria um belo soco ou azararia Remus ao saber da verdade.
- Isso o quê, Black? - Remus provocou. Sabia que Sirius não gostava de ser chamado de Black.
- Você é um lobisomem? - Sirius perguntou com seriedade forçada, lutando internamente para não rir.
- Sou. - Remus disse fingindo seriedade agora. - Ah, Nicholas, eu disse a você para não revelar isso a ele!
- Ele nos enganou, nos seduziu, enquanto sempre foi essa criatura nojenta. - Nicholas disse venenoso.
- De criatura nojenta eu só vejo uma aqui. - Sirius disse sério. - E é você. - apontou para Nicholas. - Não acredito como você tem coragem de fazer isso. Primeiro que o segredo que ele contou foi pra você e você não tem o direito de espalhar por aí. Segundo que você beijou ele que eu vi e agora fala desse jeito? Onde está o cavalheirismo, seu almofadinha imprestável? – Sirius olhou para Remus – Eu não acredito que você beijou isso. – apontou para Nicholas denovo, incrédulo.
Nicholas arregalou os olhos e abriu a boca para dizer alguma coisa várias vezes mas não saía nada. Ele jurava que Sirius, no mínimo, daria um soco bem dado em Remus.
- Ah, vai virar gente antes de se aproximar dele denovo e pense muito bem antes de espalhar o segredo dele por aí porque eu te encontro onde quer que você vá tentar se esconder. - Sirius tirou a varinha do bolso e apontou para Nicholas mas antes que pudesse dizer o feitiço, o garoto já estava petrificado. Remus fora mais rápido.
- Obrigado mas a briga era minha, lembra? - Remus sorriu.
- Não acredito que você beijou ele. Que nojo! - Sirius guardou a varinha, fazendo uma careta.
- Não foi o melhor beijo da minha vida mas como eu não tinha nada melhor pra fazer... - Remus brincou.
- Eu não teria a sua coragem. - Sirius tentou se livrar dos ciúmes que sentia. - Não faça isso com você mesmo, Remus. Você me deixou preocupado...
- Você estava olhando mesmo? - Remus perguntou com uma curiosidade e um ânimo crescentes. - Ah, não vem com essa. Era apenas diversão maldosa. - sorriu maroto.
- Estava sim. - Sirius admitiu um pouco envergonhado. - Mas quem é você e o que fez com Remus John Lupin?
- É o último dia, não é? Eu precisava fazer valer a pena.
- E valeu?
- Não tanto quanto eu gostaria... - Remus olhou Sirius penetrantemente.
- Eu... tenho que ir. - Sirius disse, evitando o olhar de Remus e se dirigindo para onde Alícia o esperava.
Remus ficou sozinho, olhou para os lados, para Nicholas petrificado e sorriu maldoso. Conjurou uma flor e colocou no bolso da frente das vestes do garoto e saiu para a mesa. Pegou um copo de uma bebida azul de aspecto convidativo, com canudinhos coloridos e enfeites prateados, que rodopiavam pelo copo e bebeu um pouco. Era doce porém era alcoólico, ele podia sentir o gosto de álcool misturado ao doce. Não era nada ruim. Com o copo na mão, foi se sentar em uma das cadeiras que estavam dispostas perto da mesa, onde as pessoas geralmente descansavam depois de terem dançado bastante, embora estivessem vazias agora, exceto por ele.
Olhava para Sirius, que dançava com Alícia e muitos pensamentos percorriam sua mente. Ele assistia em silêncio a cena que ele não queria enxergar: Sirius a beijava agora como um dia o havia beijado. Os dedos do moreno enroscando-se pelos cabelos sedosos da garota, que se deixava envolver completamente pelo beijo. Ele conhecia aquela sensação, ele conhecera o modo envolvente como Sirius tratava as pessoas com quem estava. Conhecia os sorrisos do moreno como a palma de suas mãos.
Esvaziou o conteúdo do copo e se levantou para pegar outro. Viu Sophie do outro lado da mesa, com um olhar de quem pergunta se está tudo bem, ao que ele respondeu fazendo um sinal com uma das mãos. A garota sorriu e se dirigiu para o outro lado do salão, sumindo por entre as pessoas. Olhou pelo caminho que a garota fez e encontrou Tiago dançando com Lílian. Aparentemente, eles estavam bem felizes pelas expressões de seus rostos colados. Remus ficou muito feliz por eles. Feliz como sempre ficava ao saber que Tiago estava feliz ao lado de Lílian, que havia se mostrado uma boa pessoa.
Pedro dançava com uma garota baixinha que Remus reconheceu ser da Sonserina, fato que causou certo estranhamento, já que Pedro sempre estivera presente nas traquinagens contra os sonserinos que Tiago e Sirius inventavam a torto e direito.
Remus comeu um doce que lhe pareceu apetitoso mas que se revelou ser doce demais. A mesa estava cheia deles e agora ele sabia o motivo. Pegou mais um copo da bebida azul, que já descia por sua garganta como água e caminhou para outro salão para não ter que ver Sirius em momentos íntimos com aquela garota odiosa.
- Você não parou de olhar pra ele. - Alícia abraçava Sirius, acompanhando seus passos na dança lenta.
- O quê? - a voz da garota fez com que Sirius voltasse dos seus devaneios.
- Você não parou de olhar para Lupin a noite toda.
- Não? Eu não percebi.
- Ele não sabe se cuidar sozinho, não é?
- Talvez.
- Ele é estranho, Sirius. O namorado dele veio até aqui para te dizer alguma coisa urgente que você não me contou até agora. Ele está te incomodando denovo? - Alícia soltou Sirius de seu abraço, tomando alguma distância dele para olhá-lo nos olhos.
- Ele não é estranho e também nunca me incomodou. Ele tem problemas algumas vezes e eu simplesmente o ajudo a resolvê-los. Algum problema com isso? - Sirius respondeu, sustentando o olhar da garota.
- Você sabe qual é o maior problema dele, Sirius? Isso, claro, além de estar sempre doente. - o tom de voz de Alícia começou a se endurecer.
- Eu sei.
- Então sabe que o maior problema dele é não ter você.
- Não que eu saiba.
- Estou falando muito sério, Sirius. Eu não ligo para o que ele sinta, eu ligo para o que ele representa para você.
- Ele é meu amigo, Alícia.
- Nós estamos juntos há um mês e meio e nunca conversamos a respeito dele.
- Não acho que seja necessário.
- Se está olhando para ele a noite toda, sabe que ele está bebendo horrores naquela mesa. Atitude lamentável como tudo o que ele é, mas sabe que deve ser por sua causa. Eu quero saber se isso é recíproco. - o olhar de Alícia parecia cortar o ar a sua volta.
- Dobre a sua língua antes de falar dele. Eu não te dei esse direito, não sei se percebeu. - Sirius sentia o sangue subir à cabeça.
- Eu pensei que você estaria orgulhoso por ter quebrado o coração dele mas estava errada. Eu pensei que você quisesse humilhá-lo.
- Pois é, pensou errado. Eu nunca faria algo assim. – "pensou errado" : essa era uma das expressões que Remus sempre usava quando irritado. Até essa mania ele pegara do lobisomem?
- Sirius, você ainda ama aquele infeliz? - Alícia estreitou os olhos, analisando cada reação de Sirius.
- Ele é meu amigo. Você é surda, garota?
- Como se atreve?!
- Sabe, eu não sei por que eu ainda estou com você se não suporto essa sua postura. Aliás, não sei por que você caiu na Corvinal. Você é Sonserina até as raízes dos cabelos.
- Vai me deixar por causa dessa sua amizade inexplicável? Sirius, pensa bem! Ele não é pra você. Não serve nem para seu amigo. Ele é lamentável e a escola toda concorda com isso.
- A minha escola toda não é a sua escola toda e mesmo que fosse, eu não ligo para o que eles pensam ou deixam de pensar.
- Você ama ele... - a frustração na expressão de Alícia deu uma certa alegria a Sirius.
- Chega. Você é surda. Olha só... termina o baile com a sua escola toda e eu termino com a minha, ok?
- Você não está me deixando, Black!
- Não estou. Eu já deixei.
- Você é sujo!
- Desculpe mas quem é suja aqui é você. Eu te azararia se não fosse uma garota.
- Cavalheirismo agora, Black?
- Aproveite a brecha e vá para o inferno.
Sirius saiu de perto da garota, que o olhava indignada. Ela nunca havia sido deixada para trás. Em todos os seus namoros, era sempre ela quem dava um fim ao relacionamento e dessa vez não seria diferente.
- Sirius Black, eu não admito que você vá assim! - Ela alcançou o garoto, que já empunhava sua varinha.
- Sai da minha frente ou vai se arrepender. - Sirius rosnou.
- Eu digo quando vamos terminar e não é agora!
- Você é louca!
- E você só pode ser gay pra me evitar!
- Eu prefiro ser gay a ficar com você denovo.
- Gay!
- Isso não me ofende.
Logo a garota empunhava a própria varinha, lançando um feitiço não-verbal contra Sirius, que se protegeu quase que no último instante.
- Você não sabe com quem está brincando, Black.
- Se dê algum valor e me deixa em paz.
- É justamente isso que eu vou fazer! - lançou outro feitiço não-verbal.
Sirius se desviou, vendo o feitiço bater na mesa, fazendo-a tremer um pouco antes de voltar ao seu lugar. Quando olhou devolta para a garota, ela já lançava outros feitiços contra ele como uma desvairada. Ele desviava ou usava o feitiço protego para se defender. Algumas pessoas caíram no chão, afetadas pelos feitiços que a garota lançava aleatoriamente. Ele não queria atacá-la mas não tinha outra escolha, lançou um feitiço não-verbal que fez a garota rodopiar alguns metros pelo salão, atingindo algumas pessoas pelo caminho. Quando a garota parou, soltava uma gosma amarelada e fedida pela boca.
A professora McGonnagal, que vira tudo, saiu ao encontro da garota, levando-a para a enfermaria, não sem antes ver se Sirius estava bem.
- Tem momentos em que o cavalheirismo não funciona, não é? - disse com uma careta ao ver a garota vomitar mais daquela coisa fedida. - Mas não deixe que ela estrague o seu baile. - Sorriu, virando-se para pegar o caminho mais curto até a enfermaria, deixando um Filch nervoso limpando a sujeira.
Com o passar das horas, algumas pessoas já haviam ido para suas camas e os salões estavam mais vazios. Apesar disso, a banda continuava tocando músicas agitadas, intercalando com músicas lentas nas quais os casais aproveitavam para se agarrarem um pouco mais.
Sirius procurou Remus pelo salão principal mas não o encontrou. Sentiu-se vazio ao pensar que talvez o amigo tivesse finalmente encontrado alguém com quem compartilhar aquelas últimas horas na escola em algum canto escuro do castelo. O Remus daquela noite não se parecia muito com o Remus com que ele estava acostumado a lidar. Sirius começou a pensar que talvez os comentários que Remus ouviu Nicholas fazer dias antes poderiam tê-lo mudado, endurecido por dentro. Esse Remus ele não conhecia.
O sorriso maldoso de Remus naquela noite havia sido preocupante. O Remus de antes não faria aquilo. Ou faria? Ele dissera estar se divertindo... mas o velho Remus se divertiria com aquilo? Não, não completamente.
O animago desistiu de sua procura, andando de um lado para outro, vendo Tiago e Lílian dançando animados. Sentou-se em uma cadeira antes de perceber que não havia bebido ou comido nada naquela noite e seu estômago começava a roncar. Foi até a mesa e procurou algo comestível nela mas estava um caos. Depois do feitiço de Alícia Abbot, algumas bebidas estavam caídas, manchando a toalha branca e os poucos doces que restavam estavam danificados.Tudo estava em estado de gororoba e ele resolveu ir a outro salão para ver se encontrava algo para comer.
Foi direto para a grande mesa no final do salão, pegou algo que mais parecia uma torrada com uma gosma laranjada em cima e uma bebida qualquer e sentou-se em uma cadeira. Aquele salão estava mais vazio que o outro. Comeu agradecido pelo sossego de estar longe do alcance de Alícia e já terminava sua bebida quando viu uma figura esguia do outro lado da mesa. Não podia ser Remus, podia? Observou por algum tempo para ter certeza de que era o lobisomem e depois caminhou até onde ele estava, sentando-se ao seu lado em silêncio.
Remus sentiu a aproximação e olhou para ver quem era. Seu pesadelo estava ali, a poucos centímetros de distância. Os dois ficaram em silêncio por um tempo considerável, ambos olhando para a frente.
- Noite difícil..? - Sirius tentou começar uma conversa.
Remus suspirou pesadamente, relaxando na cadeira.
- É...
- Ouvi dizer que você estava bebendo horrores... - Sirius pegou uma cadeira que estava ao seu lado e a colocou em sua frente para apoiar-se no encosto dela.
- Um pouco.
- O que você bebeu?
- Essa coisa azul aqui - Remus apontou para um copo que estava pela metade.
- E é bom?
- É gostosinho...
Sirius se levantou para pegar um copo do líquido azul.
- É, nada mau. - bebeu um gole. - Mas tem álcool.
- E desde quando você rejeita algo com álcool?
- Eu não, você.
- Hoje é o último dia. Hoje é diferente. É especial.
Sirius sorriu.
- E você? Noite difícil também? - Remus perguntou com algum interesse mas ainda olhando para frente.
- Se você chama de difícil ter que duelar para se livrar de uma garota louca, então sim... - bebeu outro gole grande.
- Nossa... você parecia estar se divertindo com ela.
- Ela não faz o meu tipo. - Sirius jamais revelaria o verdadeiro motivo de ter brigado com Alícia.
- Que pena... - Remus disse, sentindo-se melhor com a notícia.
- Não, ela não valia a pena. - Sirius não se importava muito com o acontecido. A verdade que pulsava em seu peito era que tudo o que ele queria naquela última noite era estar com Remus e agora ele estava.
- Você nunca gostou de ficar sozinho. Uma pena que tudo tenha acabado desse jeito justo na última noite aqui. Eu vou guardar boas lembranças. - Remus disse sonhador, bebendo outro gole.
- Eu não estou sozinho, estou com você.
Remus corou um pouco mais, terminando outro copo.
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- Você deveria parar de beber tanto assim.
- Isso não é tão forte. Eu estou bem. Você que deveria beber um pouco mais.
- Não quero ficar bêbado.
- Vai, Sirius, só mais um copo. Essa coisa é boa. - Remus sorriu, entregando outro copo para Sirius.
Sirius viu Remus se levantar para encher seu copo e percebeu que o amigo não estava tão embriagado. Conseguia perfeitamente caminhar sem problemas e se sentar calmamente ao seu lado.
- Por que não me conta por que está bebendo tanto?
- Eu já disse... é o último dia.
- O Remus Lupin que eu conheci não faria algo assim apenas por ser a última vez...
- Você tem razão. Eu nunca devia ter beijado aquele insolente. Eu estou arduamente arrependido.
- É, a noite não foi boa mesmo. E onde está a Branch? - Sirius bebeu um pouco mais.
- Ela finalmente conseguiu dançar com o garoto que ela ama. - sorriu, deixando o copo de lado.
- E por que você não tenta se divertir um pouco, Moony?
- Eu estou me divertindo, estou bebendo essa coisa gostosa e fingindo que eu não existo, como sempre.
- Para com isso! E vem... - Sirius se levantou e estendeu a mão na direção de Remus, que olhou para ele sem entender nada.
- Vamos pra onde?
- Vamos dançar. Vem, eu gosto dessa música. - Era uma música agitada que Remus conhecia também.
- Eu não posso. Eu não sei dançar...
- Eu também não mas eu te ensino... vem! - Sirius insistiu.
- Se não sabe dançar, como pode me ensinar? - Remus perguntou desafiador mas logo sentiu-se sendo puxado em direção ao lugar onde as pessoas estavam dançando animadamente.
Sirius começou a se mexer aos poucos, fazendo alguns passos elegantemente, o que Remus acompanhou com os olhos até que Sirius o segurasse pela cintura e o conduzisse. O lobisomem tentava acompanhar um pouco sem jeito no início, mas soltando o corpo cada vez mais à medida que o som se intensificava. Ficaram dançando um de frente para o outro e riam dos próprios passos.
- Isso é divertido - disse Remus corado pelo exercício, tentando acompanhar Sirius, que nessa altura já se soltara completamente.
- Muito melhor que ficar sentado bebendo, não é? - Sirius sorriu com a resposta afirmativa do outro.
Quando Remus já estava pegando o jeito da coisa, a música mudou de agitada para uma música lenta, romântica. O lobisomem parou e já ia para as cadeiras denovo quando Sirius tocou seu ombro sorrindo e fazendo um gesto teatral, convidando-o para a dança.
- Mas Sirius...
- Nada de mas... - Sirius pegou uma das mãos de Remus com a mão direita e, com a esquerda, envolveu sua cintura.
Remus olhou para Sirius profundamente, tentando adivinhar o que ele pretendia com aquilo mas não encontrou resposta. Começaram a se mover lentamente de acordo com a música, ainda com Remus olhando Sirius nos olhos ligeiramente confuso. Tudo o que ele queria era estar com Sirius, tudo o que queria era poder tocá-lo como fizeram por anos... e agora ele estava tão perto.
O lobisomem deixou a mão de Sirius para envolver seu pescoço com os braços, aproximando ainda mais os corpos.
- Eu tenho medo de como as coisas vão ser de agora em diante. - a voz de Remus era fraca mas Sirius podia ouví-lo perfeitamente porque o lobisomem estava praticamente sussurrando em seu ouvido.
- Eu também... principalmente, eu não sei como vai ser não poder ver você todos os dias. - Sirius envolveu a cintura de Remus com os dois braços em resposta.
- Sirius...
- Eu vou sentir sua falta, vou sentir falta do Tiago e do Pedro... e de tudo o que fazíamos aqui.
- Eu também... mas somos maiores de idade, podemos aparatar e assim podemos nos ver todos os dias.
- Isso é uma promessa?
Remus sentiu uma pontada no peito. Sirius havia feito uma promessa a ele e não havia cumprido.
- Pode ser. - sorriu, recostando a cabeça no vão entre o pescoço e o ombro de Sirius. - Você vai para a casa do Tiago?
- Vou sim... e você?
- Eu vou para a casa dos meus pais. E você vai ser mesmo auror?
- É o que eu quero.
- Isso é perigoso...
- Nem tanto quanto estar na Ordem e ser o relações pessoais de Dumbledore frente aos outros lobisomens.
- Falando assim parece ser mais difícil do que é na verdade.
- Não sei por que você entrou para a Ordem, Remus.
- Eu quero ser útil e escolhi um lado nessa guerra. Acho que pelos mesmos motivos que você entrou.
- Comigo é diferente.
- E por quê? - Remus o olhou nos olhos novamente.
- Esquece, Moony... é só diferente. - Sirius sustentou o olhar do outro.
- Com você, tudo é diferente... - Remus murmurou, voltando a posição confortável entre o ombro e o pescoço de Sirius, sentindo o cheiro que ele tanto amava. Sirius só pôde ouvir por estar muito perto dele.
Era tão bom sentir o calor que emanava de Remus novamente... Sirius desejou que pudessem ficar daquele jeito para sempre.
- E isso é ruim?
Remus fechou os olhos e permaneceu assim, mergulhando na sensação do contato com o corpo maior e no perfume que vinha dele.
- Nem um pouco... - os olhos de Remus estavam nublados quando ele olhou novamente para os olhos de Sirius. Estava perdido denovo no calor do corpo maior.
Sirius mergulhava no âmbar dos olhos de Remus, sentindo-se enlouquecer pelo contato com a pele do amado. Era mais que atração, era algo muito mais forte que a paixão ou qualquer outra coisa para a qual existissem palavras para definir. Não houve resistência quando os lábios se tocaram apaixonadamente. O animago sentiu uma das mãos de Remus deslizar por suas costas enquanto a outra lhe acariciava a nuca gentilmente.
Remus teria ido ao chão se Sirius não o segurasse firme no abraço que ele tanto desejara. Sentia os efeitos do álcool agora mais que antes, em forma de uma leve tontura mas nada mais importava. Sirius o tocava, o acariciava como havia feito meses antes, meses antes de ter se tornado misteriosamente diferente. Mas aquela diferença não existia ali, não ali. Aquele era o Sirius por quem ele se apaixonara. Naquele momento, todas as perguntas que tinha, todas as acusações que tinha reservadas ao animago haviam cessado. Perdiam significado.
Com os anos de experiência, eles haviam aprendido a conduzir um beijo longo sem perder o fôlego, apenas a razão. As línguas se tocaram quando o beijo foi aprofundado com vontade, acariciavam-se no amor úmido e quente, a simetria perfeita. O arrepio tão conhecido de ambos percorreu suas espinhas e os fez estremecer por dentro. Era aquele calor que Sirius desejava, era daquilo que sentia falta, era por ele que todos os outros beijos que experimentara não tinham importância... era por aquilo que ele morreria mil vezes, era por aquilo que ele vivia, era para preservar aquilo que ele deveria... parar.
Sirius parou bruscamente, afastando-se de Remus, cujo corpo reclamou o fim do contato. Sem conseguir olhar nos olhos de Remus, a expressão de Sirius era de choque.
- Desculpa... me perdoa, Remus... eu não devia ter feito isso. - Sua respiração estava descompassada, sentia seu coração bater acelerado e o peso do beijo corroía seu autocontrole. Ele queria mais, queria ter Remus novamente mas só conseguia olhar para ele e se lembrar da profecia da professora Trelawney.
- Sirius... não tem o que desculpar. Eu também quis... - Remus tentava olhar nos olhos de Sirius, ainda sentindo o cheiro do outro em si. - Sirius... - Remus tocou o rosto de Sirius, que o olhou em um misto de confusão e culpa. - Tá tudo bem?
- Não está tudo bem... Eu não posso, Remus. Me perdoa... - Sirius saiu do salão, deixando um Remus semi-embriagado muito mais confuso que ele próprio.
- Sirius... - Remus ainda tentou chamar o outro. Só o que conseguia era repetir o nome daquele a quem tanto amava. Ele voltara a ser o Sirius misterioso que se distanciava. Parecia ter medo de algo... ou seria impressão causada pelo álcool? Ele sabia de uma única coisa: Sirius lhe devia explicações. Agora mais que nunca. E não passaria daquela noite.
O lobisomem ignorou alguns olhares curiosos de outros casais e foi atrás de Sirius.
Como prometido, capítulo dez em quinze minutos XD Espero que estejam gostando E, se estiverem, deixem reviews para que eu não me sinta falando sozinha, tá? #olhar do Gato de Botas do Shreck#
Beijos a todos e uma ótima semana! ;D
