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Shojo to doragon
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Capítulo 9
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Ayame e os irmãos esperavam do lado de fora dos aposentos da rainha. Ela imaginava por que a garota estava demorando. Ao levá-la até a rainha, arriscara-se a despertar a ira do irmão. Havia poucas chances de que ela sobrevivesse, mas o risco era necessário, e a guerreira tinha concordado. Nunca conhecera um ser humano tão corajoso, que se dispusesse a enfrentar a rainha dragão. Kagome estava lidando sozinha com uma criatura que poderia tanto protegê-la quanto transformá-la em cinzas. E Ayame não tinha idéia do que a rainha faria.
De repente, todos ouviram o som inconfundível de ar aspirado para os pulmões. Entreolharam-se, quando uma bola de chamas voou para fora do aposento, bateu na parede e caiu no chão.
— Oh, deuses! Kagome!
Ayame e Miroku correram, enquanto Kagome rolava, tentando apagar a chama. Quando a alcançaram, a chama desaparecera.
Não. Aquilo não estava certo. Não tinha desaparecido. Entrara em Kagome. A pele absorvera a chama. Sem perceber que o fogo desaparecera, ela ainda gritava e rolava.
— Kagome! — Ayame segurou-a. — Está tudo bem!
Após alguns momentos, de se debater. Todos esperaram em silêncio.
—Não acabou ainda, meus amores — disse a rainha, de dentro de seus aposentos.
Kagome recomeçou a gritar, não de pânico, mas de dor.
— Tire isso de mim! — Ela arrancou a roupa e esfregou a pele do pescoço. — Tire isso de mim!
Ayame atingiu-a com um feitiço, fazendo-a desmaiar, e a observou com atenção.
— Que marcas são essas? — Miroku perguntou.
— Eu não sei. — Ayame passou a mão no pescoço de Kagome e sentiu algo sob a pele. Havia algo novo embutido na moça. Em segundos, as marcas adquiriram uma coloração castanha. — A Corrente de Beathag!
— Ela lhe deu? - Miroku exibiu um olhar assustado,
— Só deu isso para a humana por causa de Inuyasha.
Naoki bufou de desgosto.
— Bem, ela nunca gostou de você — Miroku murmurou.
— Lindos seios — Shippo, o mais novo dos irmãos, observou.
— Controle-se. — Ayame deu um tapa no irmão de tamanho avantajado. Gostava da guerreira. — Ajude-me a vesti-la. Temos que tirá-la daqui depressa, sem deixar que os outros a vejam. — A corte logo descobriria o presente da rainha.
Os cabelos de Kagome estavam mais escuros, e as mechas douradas, mais brilhantes. A pele era a de alguém que passara dias sob os sóis do deserto de Alsandair. Exceto por isso, ela sobrevivera.
Eles a vestiram depressa e a carregaram. Miroku pegou um braço, e Naoki o outro. Ayame murmurou um feitiço, e Kagome acordou, ainda gritando.
— Kagome! —Ela havia lançado também um feitiço de cura, para que a dor diminuísse. — Kagome!
Ela, por fim, parou de gritar e olhou em volta.
— Você está bem, Kagome? — Ayame perguntou.
Após alguns instantes, ela assentiu. Pelos deuses, a menina tinha muita força! Mais do que alguns dragões.
— Ficarei bem. Só preciso de um pouco de... — Ela viu Shippo. — Seu cabelo é azul.
— Eu sou um dragão azul — ele anunciou com orgulho. Ayame revirou os olhos. Shippo amava o cabelo azul.
— Outro irmão? — a guerreira perguntou.
A feiticeira apenas encolheu os ombros, enquanto eles subiam outro lance de escadas. No topo, encontraram Inuno.
— Então, ela sobreviveu?
— É o que parece, pai — respondeu Ayame, satisfeita. Kagome, ainda apoiada por Miroku e Naoki, fitou o velho dragão com olhos acusadores.
— Por que a rainha está acorrentada?
— Ela reclamou? —Inuno indagou, sorrindo.
Ayame e Naoki trocaram olhares mortificados enquanto Miroku e Shippo continham o riso.
— Não.
— Por que você se importa com o que se passa entre mim e minha companheira?
Kagome olhou pensativamente para ele antes de compreender.
— Oh, pelos deuses!
— Hora de partir! — Ayame começou a se mover. — Os sóis nascerão em breve.
— Sim. Todos vocês devem ir.
—Todos nós? — Ayame indagou. Já convencera os irmãos a ajudar Inuyasha, mas planejavam fazê-lo sem o conhecimento de Inuno. Porém, o pai parecia ter percebido o perigo de Bankotsu e Naraku vencerem aquela guerra.
— Sim. Vocês não podem permitir que seu irmão lute sozinho. Todos devem ir. Ficarei aqui com a rainha.
— Aposto que sim — Kagome murmurou.
Os irmãos trocaram olhares quando Inuno começou a empurrá-los para a saída.
— Vão. Agora. Vocês não têm muito tempo.
— Esperem!
Ayame viu a irmã mais nova, Shiori, correr na direção deles. Usava um lindo vestido, provavelmente presente de algum nobre que acreditara que ela era uma doce donzela antes de levá-la para a cama e descobrir o contrário.
— Desculpe, estou atrasada.
— O que você está fazendo aqui?
— Papai me pediu para vir. — Arrumou o longo cabelo vermelho antes de sorrir para Inuno.
— Papai me pediu para vir — Ayame imitou. A irmã fitou-a com desprezo, e ela quis chutar a princesinha do papai, mas a voz de Kagome a deteve.
— Exatamente quantos vocês são?
— Muitos — os irmãos responderam ao mesmo tempo.
Danelin vivera os primeiros nove anos de vida nas masmorras da Ilha de Garbhán e, desde os doze, lutava contra as tropas da ilha. Aprendera a nada temer, exceto a ira dos irmãos. Que guerreavam.
Até o dia em que o dragão negro pousara no meio do acampamento. Pela primeira vez, conhecera o significado do verdadeiro medo. Ao ver as garras negras tocando o chão, ao observar a cabeça com chifres virar-se devagar, olhando para as tropas ao redor, ao ouvi-lo rugir o nome de Kagome... E achou que nunca experimentaria tamanho medo outra vez.
Equivocara-se. Estar em pé na frente de um dragão em forma de homem, explicando que a amada dele partira, mas que logo voltaria, introduzira-o a um novo mundo de terror. O dragão estava nu diante dele e de Kouga, com os grandes braços cruzados sobre o peito imponente, as pernas musculosas afastadas e, mais preocupante, fumaça negra saindo das narinas.
Felizmente, as tropas já haviam partido. Porém, os sóis restavam nascendo, e ele devia levar Kouga para o vilarejo. Alguém precisava liderar, uma vez que, na verdade, não tinham idéia de quando Kagome voltaria, embora não pretendessem dizer isso ao dragão. Claro que agora percebiam que nunca deveriam ter dito nada a Inuyasha enquanto o corpo enorme bloqueava a saída, mantendo-se entre eles e a entrada da tenda.
— Então vocês a deixaram partir? Kouga ergueu a sobrancelha.
— Talvez você não tenha, de fato, conhecido Kagome. Ninguém a impede de fazer algo. Você simplesmente fica fora do caminho dela.
Danelin forçou-se. A não se acovardar quando o dragão rosnou em desagrado.
Inuyasha observou os dois humanos que o fitavam. Kouga estava aborrecido, e o garoto parecia prestes a começar a gritar a qualquer instante. Sabia que não deveria descontar sua raiva naqueles dois, mas eles estavam ali, e Kagome não.
A última coisa de que se lembrava era do belo corpo levantando da cama com promessas sussurradas de que retornaria logo. Despertara horas depois, com os sons das tropas deixando o acampamento. Percebera que a cama estava fria e que não havia sinal de sua mulher. Um sentimento que não o agradara.
Ao sair da cama, a maioria dos soldados havia partido. Encurralara Kouga e o garoto em uma das tendas, recusando-se a deixá-los sair. O fato de Kagome ter desaparecido com Ayame só aumentara sua raiva. Podia apenas imaginar onde tinham ido, mas se estivesse certo, faria sua irmã pagar.
—Ela não é nossa responsabilidade, dragão. Nem sua.
Precisava admitir que Kouga era muito mais corajoso do que pensara. O garoto, porém, parecia que não agüentaria muito tempo. Contudo, não terminara com eles. Logo, começaria a ameaçar partes do corpo, mas uma mão em seu ombro deteve-o.
— Aí estão vocês. — Kagome sorriu. — Tudo certo?
— Não, não está tudo certo. Onde diabos você esteve?
— Falaremos sobre isso mais tarde. Precisamos lutar agora. — Sinalizou para que Kouga e o rapaz saíssem. — Espero que você não os tenha aterrorizado.
— Kagome, o que está acontecendo? — Olhando-a, Inuyasha notou que havia algo diferente. Como a tenda ainda estava escura, não via claramente, mas sabia que alguma coisa mudara.
— Depois. Agora meu povo precisa de mim, Inuyasha. — Beijou-o de leve. — Confie em mim.
— Tente não ser morta, Kagome.
— Por que todos me dizem isso? — Ela riu. Inuyasha beijou-a profundamente até que ela se afastou.
— Nós... É melhor irmos. — Olhou para os lábios dele por um momento e, com um profundo suspiro, saiu da tenda.
Ele a seguiu, e se deparou com seus irmãos. Todos eles.
— Vocês demoraram — Naoki observou.
— O que exatamente estavam fazendo? — Miroku provocou.
— Irmão! —Shiori abriu as asas, bloqueando Ayame.
— Vamos! Vamos! Vamos! — Shippo sobrevoou o grupo. — Ou perderemos as melhores mortes!
Inuyasha encarou Kagome.
— Eles queriam ajudar. — Ela deu de ombros.
— Quando você acabar com seu irmão, nós discutiremos isso.
— Promessas... — Kagome brincou. Prendeu as espadas às costas, colocou as luvas de couro e amarrou os cabelos. Inuyasha transformou-se.
— Lady Kagome?
— Lorde Dragão?
— Chegou a hora de você tomar-se rainha. Kagome balançou a cabeça... E sorriu.
