Ele só esperava que ser honesto com ela não fizesse que a perdesse para sempre.

Gina despertou quinze minutos depois da hora de abrir sua loja. Enquanto se separava de Harry, o braço dele se apertou ao redor dela só um segundo antes que ele despertasse.

Os profundos olhos verdes se abriram, logo entortaram contra a luz brilhante do sol da manhã que entrava pelas janelas.

- Que horas são? - perguntou sua voz profunda e rouca.

- São quinze para as dez.

Ele esfregou sua mão sobre seu rosto e gemeu.

Gina reprimiu um sorriso por isso.

- Não é madrugador?

- Não. - disse ele bruscamente, rodando sobre suas costas. Ele ficou com um braço sobre seus olhos para proteger-se da luz.

Gina teve que suspirar na imagem que ele apresentou jazendo nu em sua cama. As mantas estavam retorcidas sobre seu corpo, mal cobrindo aquelas longas e masculinas pernas. Seu peito estava completamente nu, exibindo os músculos de seu abdômen, peitorais, e braços. Suas escuras costeletas adicionavam uma masculinidade quase mortal a seu rosto, que era coroado por seu comprido cabelo caprichoso.

Santo céu, ele era espetacular.

Ele moveu o braço mais acima do rosto para olhá-la com um olho.

- Só dormimos durante quatro horas, por que está acordada?

Ela colocou seu chambre rosado sem levantar-se da cama.

- Tenho que trabalhar.

Ele estendeu sua mão para afundá-la profundamente no cabelo dela.

- Alguma vez tem um dia livre?

- Só se fizer planos com a Tabitha adiantado para que ela ou alguém de seu pessoal venha e me cubra. E certamente fecho os domingos. Mais que isso, não.

Ela beijou sua mão, logo se separou de seu braço. Ele o deixou cair de novo na cama sem fazer nenhum comentário.

Levantando-se, ela o deixou na cama e foi tomar banho.

Harry jazeu silenciosamente enquanto escutava a água caindo no outro quarto. Seu corpo inteiro lhe doía pelos esforços da noite passada, mas a dor era por ter desfrutado e não vinha nem das costas, o peito ou os braços por ter sido atacado com garras. Ele tinha tido muita diversão com Gina ontem à noite e a diversão era algo que faltava profundamente em sua vida.

Ele fez uma careta ante o resplendor da luz da manhã. Ele realmente odiava as manhãs.

Forçando-se a levantar-se, colocou suas calças e fechou seu zíper, mas deixou o botão desabotoado quando se dirigiu à cozinha. Gina gostava de comer duas torradas com geléia pela manhã.

Enquanto o pão torrava, ele cortou sua bergamota para ela e a orvalhou com uma colherada de açúcar, logo lhe serviu um copo de suco de laranja.

Ele punha a geléia sobre a torrada quando ela saiu do banheiro e parou para olhá-lo fixamente.

- O que? - perguntou perplexo pela profunda expressão no rosto dela.

- É esse seu café da manhã?

Harry fez uma careta.

- Não. Eu ia fritar um pouco de bacon para mim.

- Então como sabia que eu gostava de comer isto?

Harry fez uma pausa enquanto se dava conta que o homem Harry não saberia o que o lobo Harry sabia. Limpando sua garganta, encolheu-se de ombros.

- Eu abri o refrigerador e vi a geléia e a bergamota. A maioria das pessoas só come isso no café da manhã então me imaginei que não te importaria.

Ela pareceu aceitá-lo enquanto tirava a toalha de seu cabelo e a punha sobre sua cadeira.

- Obrigado. - disse ela, lhe dando um beijo na bochecha.

Harry fechou seus olhos enquanto seu corpo se endurecia imediatamente. Sem pensá-lo tomou-a em seus braços para beijá-la com um beijo muito mais satisfatório. Ele arrastou seus lábios por seu pescoço enquanto lhe abria a frente de seu roupão e atraía seu corpo nu contra o dele.

Gina gemeu ao sentir seu fresco e duro corpo contra o seu. Ela deslizou sua mão sobre os músculos de suas costas e sentiu as cicatrizes que ele tinha ali. Seu queixo e bochecha barbudos raspavam delicadamente contra sua pele.

- Se continuar com isto, nunca conseguirei abrir minha loja.

- Mantenha fechada e fica comigo.

Ela tomou sua cabeça em suas mãos enquanto sua língua brincava com cuidado em sua garganta.

- Não posso.

Ele se afastou.

- Sei. Eu só o desejava. - Ele a liberou, logo atou o cinto de seu roupão - Tome seu café da manhã.

Gina se sentou em sua pequena mesa de estilo bistrô enquanto ele voltava para a cozinha para fazer seu bacon. Ela mordiscou uma das torradas e o olhou.

- Tem muita coragem para fritar bacon sem uma camisa. Não tem medo que isso te machuque?

Ele deu de ombros.

- Isso realmente não dói.

Ela franziu o cenho enquanto ela remontava várias cicatrizes com seu olhar.

- Como obteve tantas cicatrizes, Harry?

Harry se debateu em como lhe responder. Ela não estava pronta para a verdade... Que eram cicatrizes de batalhas, de quatrocentos anos de perseguição por parte dos Arcadianos quem pensavam que ele era um Assassino Katagaria. Em realidade, eles pensavam que qualquer macho Katagaria era um Assassino. Que tinha sido forçado a lutar contra sua própria manada para manter o seu irmão a salvo. Algumas delas eram por lobas com que tinha estado.

Algumas eram por chicotadas.

- Não tive uma vida fácil, Gina. - disse ele tranqüilamente enquanto punha o bacon em uma frigideira. Ele girou para olhá-la - Nunca tive nada pelo que não tivesse que pagar com sangue e osso. Até você.

Gina estava sentada ainda quando o verde olhar a transpassou. Havia algo em sua aberta expressão que lhe intrigava. Ele se mostrava sem ocultações, ela o sentia.

Deus, seria tão fácil amar a este homem. Não lhe pedia nada e era tão incrível dando. Esse momento se mostrava surrealista para ela. Ela nunca tinha conhecido a ninguém como ele.

Isto era muito fácil.

Essa inquieta voz no fundo de sua cabeça rondava desagradável, por sua cabeça. Nada era perfeito. Nada era tão fácil.

Tinha que ter mais dele que ela não via. O que, se não o havia?

E se ele realmente era tal como parecia? Ela não podia ver nenhum engano. Talvez fosse porque não havia nenhum.

- Obrigado por ontem à noite, Harry. - disse ela.

Ele inclinou sua cabeça a ela, logo voltou para seu bacon. Ele o tirou da frigideira e o colocou sobre um prato, apagou o fogo e levou seu prato à mesa.

- Quer uns? - perguntou.

Gina tomou duas crocantes tiras enquanto ele se servia um copo de suco. Havia algo tão íntimo sobre compartilhar o café da manhã com ele. Ela não sabia o que era, mas em cinco anos com o Dino, ela nunca tinha experimentado nada parecido a isto. Isto era maravilhoso.

Ela comeu rapidamente, logo se levantou.

- Pare. - disse Harry enquanto ela levantava com o que tinha usado - Se eu preparei eu limparei.

- Realmente é muito bom para ser verdade. - disse ela, beijando o topo de sua cabeça antes de lançar-se sobre seu guarda-roupa.

Harry tentou não olhá-la vestir-se, mas não podia deter-se. Excitou-se só de vê-la colocar sua roupa íntima e seu vestido.

Inclinando sua cabeça, deu-se conta que ela nunca levava calças. Sempre tinha vestidos soltos nos tons escuros da terra ou negro. Ela deslizou seus pés em um par de sapatos planos e escovou o cabelo. Então o atou naquele nó familiar.

Harry estava encantado por suas ações. Havia tantos detalhes complicados em sua rotina durante a manhã. Como na forma em que colocava a maquiagem e logo o pó. Os movimentos exatos ao colocar a máscara de cílios e o lápis labial.

Ele gostava de olhar o modo em que ela artisticamente se vestia e dava forma a seu cabelo.

Gina fez uma pausa quando encontrou os olhos dele no espelho.

- Algo está mau?

Ele sacudiu sua cabeça.

- Somente penso que estou contente de não ser mulher. Não posso imaginar colocando tudo isso a cada dia.

Ela riu dele e seu coração palpitou.

Assim que terminou, recolheu suas chaves e se dirigiu à porta.

- Você fecha? - perguntou-lhe ela.

Harry assentiu.

Soprou-lhe um beijo, logo o deixou sozinho em seu apartamento. Fora, ele podia ouvi-la chamando o lobo enquanto caminhava para sua loja.

Ele se abateu por isso. Ia ter que lhe dizer.

Quanto mais demorasse, mais difícil seria.

- Bem. Vou fazer.

Depois de tomar banho.

E vestir-se.

E limpar.

Uma hora mais tarde, enquanto Gina tirava o pó em sua loja, ela sentiu que lhe arrepiavam os cabelos da nuca.

Ela girou a espera de ver alguém atrás dela.

Não havia ninguém ali.

Ela esfregou seu pescoço e jogou uma olhada ao redor. De todos os modos o sentimento estava ali. Era quase maligno.

Como isso era estranho?

Franziu o cenho, foi olhar às janelas. Não havia ninguém aí.

- Gina?

Ela gritou e se deu volta para encontrar ao Harry que vinha do quarto detrás.

Ele acelerou seus passos para chegar a seu lado.

- Está bem?

Gina riu nervosamente de sua infantilidade.

- Sinto muito. Não te ouvi vir pela porta de atrás. Somente me assustou.

- Está segura que isso é tudo?

- Sim. - disse ela, inspirando profundamente.

Harry estava vestido com suas calças negras e sua camisa. Ele devia ter deixado seu terno em seu apartamento. Distanciando-se dela, ele se mostrava estranho e parecia aborrecido consigo mesmo.

OH Deus, aqui vem...

- Tem que retornar a sua vida, né? - perguntou ela, tentando ser valente, enquanto por dentro, ela lutava para não chorar.

- Que vida? - Ele a olhou confuso por sua pergunta - De que falas?

- Esta não é a parte onde me diz que nos divertimos e rompe comigo?

Ele a olhou até mais confuso.

- É isso o que supõe que devo fazer?

- Bem, não. Penso, não sei. Não é a isso aonde se dirigia?

Ele sacudiu sua cabeça.

- Não. Eu somente ia dizer que... - A voz de Harry se arrastava quando ele olhou além dela, à porta.

Gina deu a volta para ver duas mulheres entrar na loja.

Harry se distanciou enquanto ela as saudava. Elas começaram a olhar, mas seus olhos voltavam para o Harry, quem se moveu para parar perto de seu balcão.

Gina se ocupou reorganizando o mostruário de colares. Ela podia confiar em que Harry queria falar com ela, mas quando aquelas duas clientes se foram, três mais entraram.

Harry olhou enquanto Gina mostrava sua mercadoria às mulheres. Ele realmente queria terminar com isto, embora o último que precisasse era uma audiência quando lhe dissesse que era um were-wolf.

Mais clientes entraram.

Ah, isto ficava mau.

Ele poderia usar seus poderes para fazer que as mulheres se fossem, mas não queria interferir em seu negócio.

- Vou esperar lá fora um momento. - lhe disse ele enquanto ela atendia por telefone uma cliente.

- Está bem? - perguntou ela.

- Bem. - disse ele - Estarei atrás.

Ele se dirigiu ao depósito, logo foi pela porta traseira que conduzia ao pátio.

Maldição.

- Está bem. - respirou ele. Ele teria muito tempo para falar com ela mais tarde. Ele somente queria terminar com isto o quanto antes.

- Harry.

Um tremor frio desceu por sua espinha enquanto ouvia a voz baixa e grave dentro de sua cabeça.

Ele ficou rígido e foi à porta para ver se via um sinal do que tinha feito com que seu corpo se gelasse. Vindo do Iberville estava um dos últimos animais que ele esperava ver.

Era Fury em forma humana.

Igual em altura ao Harry, Fury tinha o cabelo loiro comprido até os ombros e os olhos que eram uma sombra mais escura que turquesa. Ele levava seu cabelo recolhido em um rabo de cavalo e jeans azul apertado com uma camisa negra de manga longa.

O lobo se aproximou dele com um passo mortal e cuidadosamente moderado. Poder e força exalavam de cada molécula de seu corpo. Este era um dos poucos lobos com o que Harry nunca tinha procurado lutar.

Não, não é que ele pensasse que não podia com o Fury. Ele estava certo que poderia, mas Fury não era o tipo de lobo que lutava limpo. Era muito mais provável que arrancasse sua garganta enquanto dormia.

Havia um brilho divertido nos olhos do lobo quando parou ao lado de Harry e jogou uma olhada para onde Gina estava de pé dentro de sua loja.

- É descuidado, adelfos.

- Não somos irmãos, Fury. Que diabos faz aqui?

Sua risada se converteu em tortuosa, maligna.

- Queria te advertir que seu pai sabe que você e Rony estão vivos. Eu era um dos escolhidos para matá-los.

Harry ficou rígido.

- Relaxe. - disse Fury - Se te quisesse morto, eu teria atacado.

- Por que não quer?

- Devo-te uma, recorda?

Isso era verdade. Ele tinha salvado a vida do Fury quando o lobo se uniu pela primeira vez a sua manada.

- Esperou um longo tempo para pagar.

Ele deu de ombros.

- Sim, pois algumas coisas levam tempo.

- Não entendo por que rompe com a manada para me ajudar.

Um sorriso sinistro encurvou seus lábios.

- Porque mijaria no velho. Odeio-o, ele te odeia, então acredito que isso me faz seu novo melhor amigo.

Isto era uma novidade para o Harry.

- Por que o odeia?

- Tenho meus motivos e eles são todos meus e não para consumo público.

- Então por que ficaste na manada todos estes séculos?

- Outra vez, tenho meus motivos.

Sim, Fury era uma criatura estranha.

- Se eles alguma vez averiguarem que me disse isso, matarão-lhe.

O lobo deu de ombros despreocupadamente.

- Todos morreremos algum dia. - Fury levantou uma sobrancelha enquanto Gina ia se aproximando pelo canto, logo retornou porque mais clientes se aproximaram de sua pequena boutique. Ele sentiu algo no ar. Seus olhos se alargaram. - Está marcado.

Harry o agarrou pela garganta e o empurrou contra o edifício.

- Tranqüilo, Harry. - disse Fury. Não havia nenhum medo na besta. Só entretenimento e honestidade - Não farei mal a sua companheira, mas Stefan e os outros farão.

Harry não duvidava disso. Stefan entregaria ambos os testículos para ter a oportunidade de lhe fazer dano.

- Quais caçam?

- Eu, Stefan, Aloysius, e Petra.

Harry amaldiçoou. Cada um deles tinha um motivo pessoal que resolver com ele, sobre tudo Petra, quem o odiava porque ele a tinha evitado quando ela tentou unir-se com ele, e logo se colocou entre ela e Rony. Se eles alguma vez soubessem de Gina, matariam-na sem vacilação... Somente para feri-lo. E isso era se eles fossem amáveis. Os machos de sua manada fariam muito pior se a encontravam.

Sempre que um macho marcado rompia com a manada, a manada devolvia o golpe castigando a sua companheira.

Harry mataria a qualquer um que fizesse isso a Gina. Qualquer.

- Vai tirar sua mão de minha garganta agora ou tenho que te machucar primeiro?

Harry pensou, logo o liberou.

- Agradecido. - disse Fury enquanto arrumava sua camisa com um puxão. - Olhe... - disse Fury, seu tom terrivelmente sério. - Eu nunca tive um problema com você ou com o Rony, sabe isso. Francamente, vocês eram os dois únicos Strati que jamais pude suportar. Imagino que foi suficientemente difícil perder a Luna. Não necessitam esta merda só porque seu pai tem medo que vás apoderar-te de sua manada.

Harry amaldiçoou.

- Não poderia me importar menos a manada.

- Sei. Acredite ou não, odeio a injustiça tanto quanto você. A última coisa que quero é ver os dois únicos lobos decentes da manada mortos.

Essas foram palavras inesperadas. Mas por outro lado, Fury tinha se mantido a distância de outros na manada muito mais que o Harry o tinha feito. O lobo não confiou em ninguém. Não acreditou em ninguém.

Fury começada a afastar-se dele.

- Fury, espera.

Ele o olhou, com sua sobrancelha arqueada.

- Obrigado por avisar-me.

Fury inclinou sua cabeça.

Nesse momento, ele sentiu uma estranha afinidade com o lobo. Para não mencionar o fato que agora devia ao Fury, e Harry sempre pagava suas dívidas por completo.

- Por onde estará?

Fury deu de ombros.

- Não sei. Suponho que sou um lobo solitário. - Ele uivou baixo - Um clichê infernal, verdade?

O lobo realmente estava louco.

Harry olhou de novo a Gina pelas janelas de sua loja e um pensamento o golpeou.

- Posso confiar em ti, Fury?

- Não. - respondeu ele francamente - Sou um lobo e sempre vou fazer o que for melhor para mim. Por quê?

Harry vacilou, mas ao final, não tinha nenhuma outra opção exceto fazer um pacto com o lobo.

- Como preciso ajuda pelo próximo par de semanas. Não posso estar em dois lugares de uma vez.

- Hum. - Fury suspirou com incredulidade - Nunca pensei que viveria para ver o dia em que Harry Kattalakis Potter pedisse a outra alma vivente ajuda.

Ele não fez caso ao sarcasmo.

- Se me ajudar até que Gina esteja livre ou totalmente unida a mim, assegurarei-me que nunca tenha que caçar para outra manada jamais.

Fury não disse nada.

- Sei o quanto você gosta de estar sozinho, Fury. - disse Harry, sua voz traindo sua própria dor ao ter sido abandonado pela sua própria. - Você me ajuda na defesa e te jurarei irmandade.

Isto era algo que jamais se fazia as pressas. Tomar um juramento de lealdade de sangue era quase tão comprometedor como o acoplamento. Este era um juramento inquebrável. Fury não tinha ninguém mais sobre esta terra. Sua família estava toda morta e ele tinha vindo a eles como um jovem assustado e inexperiente.

Fury olhou à distância antes de assentir.

- Bem, Harry. Farei.

Harry soltou um lento suspiro enquanto apresentava sua mão ao Fury. Por qualquer razão, sentiu-se como se acabasse de fazer um pacto com Lúcifer.

Fury vacilou, logo estreitou sua mão.

- Então o que necessita que eu faça?

Harry viu que Gina se dirigia de novo para eles.

- Por agora, preciso que finja ser eu, como lobo. Estive me fazendo passar pelo mascote de Gina para protegê-la, e agora que estou em forma humana, realmente não poderia estar perto como lobo sem levantar suas suspeitas. - Sobre tudo ele não se atrevia a lhe dizer a verdade sobre ele até que encontrasse algum modo de tirar os caçadores de seu rastro.

Fury riu disto.

- Que condenada boa coisa que ambos tenhamos pele branca, não?

- Sim. Agora poderia tomar sua forma de lobo?

Fury parou fora da linha de visão de Gina e se transformou em lobo. Dois segundos mais tarde, ele levantava sua pata perto do pé de Harry.

- Faz, Fury, e vou castrar você.

Ele poderia ouvir Fury rindo em sua cabeça.

- OH. - Fury disse em sua cabeça. - A propósito, esqueci de te dizer que outros sabem que Rony está no Santuário.

Harry ficou gelado uma vez mais.

- O que?

- Sim. Seu pai lhes disse que não o atacassem enquanto os ursos estavam presentes. Mas ao minuto que esteja sozinho...

- Cuida de Gina.

- Que…

Harry se transportou imediatamente ao Santuário.

Fury ficou sentado na rua, completamente confuso sobre o que devia fazer.

- Harry?

Ele não respondeu.

Ah! Merda. Como lobo ele não tinha nenhum modo de dizer a Gina onde tinha ido Harry, e a última coisa que queria era tratar com uma fêmea humana angustiada que não podia encontrar a seu companheiro.

Isso não estava bem.

Voltando a forma humana, Fury rapidamente recolheu sua roupa da rua e se vestiu. A diferença de Harry, sua força era física, não mágica. Ele poderia dirigir a magia, mas nem de perto com tanta precisão como Harry. Se ele tentasse colocar sua roupa com seus poderes, teria a metade corretamente colocada e o resto, por aí. E não seria estranho que uma meia terminasse como uma camisa, então ele se apressou a vestir-se enquanto rezava para que ninguém o encontrasse com meio traseiro nu na esquina da rua.

Quando Gina deu a volta pela esquina, ele tinha tudo exceto seus sapatos.

Ela se deteve de repente quando o viu colocando sua bota.

- Uma pedra em meu sapato. - explicou sem convicção. A mentira tampouco era seu forte.

- Ambos os sapatos? - perguntou ela.

- Estranho, não?

Jogou-lhe um estranho olhar antes que explorasse o pátio detrás dele.

- Se buscas ao Harry, ele não está aqui.

- Conhece-o?

- Uh, sim.

Lançou-lhe um penetrante olhar.

- E você é?

- Fury.

- Fury?

- Sim, sei. Minha mamãe estava colocada com crack quando me pôs o nome.

Pela imagem de seu rosto ele poderia entender que provavelmente deveria manter sua boca fechada.

- Uh-huh. - disse Gina, dando um passo para afastar-se dele.

Fury deu um passo para frente. Ela estava se assustando agora, ele podia cheirá-lo.

- Sério, está bem. Não vou fazer dano. Harry me disse que te vigiasse até que ele retornasse.

- Aonde ele foi?

Fury se assustou com a pergunta. Condenados humanos com suas naturezas inquisitivas. Várias mentiras apareceram em sua cabeça, mas todas elas provavelmente conseguiriam colocar ao Harry em um problema então se decidiu a que era menos provável que a ofendesse.

- Ele foi urinar.

Sim, isto foi estúpido, ele se deu conta assim que seu rosto ficou vermelho.

- De onde vem?

Como poderia responder a isso. Se lhe dissesse que se transportou a si mesmo de Nebraska a Nova Orleans uma hora atrás ela teria saído para chamar os policiais.

Ele assinalou rua abaixo.

- Daquele lado.

Ela estava ainda mais nervosa que antes.

Fury lhe ofereceu um sorriso que esperava que não fosse muito sinistro. Não estava acostumado a tentar que as pessoas não lhe tivessem medo. Normalmente se deleitava fazendo que os humanos se molhassem de terror.

Isto era uma estranha mudança de pautas para ele.

- Sério, - disse ele - juro que sou certo.

- E eu deveria acreditar, por quê?

Ele fez uma pausa antes que lhe desse uma resposta que esperava que a calmaria.

- Sou o irmão de Harry e ele me daria patadas em minha bunda se te fizesse mal.

Gina olhou fixamente ao estranho extraordinariamente formoso homem diante dela. Apesar de suas palavras, havia um ar de sinistro perigo nele. Ele se parecia com pessoa que poderia cortar a garganta de alguém e logo rir disso.

- Não te parece com o Harry.

- Sei. - disse ele - Eu saí a nossa mãe e ele a nosso pai.

- Uh-huh.

Ele suspirou e deixou suas botas sobre a terra.

- Olhe, basicamente me cago nas aptidões sociais, ok? Somente finge que não estou aqui até que Harry retorne. Vigiarei-te, você me ignorará e o teremos bem. Soa bem para ti?

Ela não estava segura. Algo sobre ele a fazia querer correr para dentro e fechar a porta. Ela poderia confiar nele?

- Hei Gina? Pode me atender?

Ela olhou para a entrada de sua loja onde uma de suas clientes regulares estava parada com um vestido em suas mãos.

- Claro Teresa. Estarei ali. - disse ela, afastando-se do homem estranho diante dela.

Ele colocou suas botas, logo a seguiu.

- O que faz? - Perguntou ela enquanto ele a arrastava para dentro de sua loja.

- Te vigiando. Só não me faça caso.

Era difícil não fazer caso a alguém que era muito mais alto e horripilante que ela.

- Por quanto tempo Harry foi? — ela perguntou enquanto caminhava através de sua boutique.

- Não sei, ele deve ter tido que ir desesperadamente. Poderia ser uma coisa da bexiga. Não estou certo.

Ela ficou boquiaberta ante ele.

Ele a olhou extremamente incômodo.

- Simplesmente, vou calar-me agora e estarei aqui observando. Isso é no que sou melhor.

Ele o fez e ela teve que estar de acordo. Embora silencioso Fury era bastante intimidador. Ela tinha que lhe dar crédito ao homem, ele definitivamente conhecia seu forte.

Harry se materializou na Casa Peltier, fora da porta do Rony. Ele estava totalmente quieto, escutando.

Sentindo.

Não havia nenhuma perturbação. Nenhum aroma de alguém mais. Nenhuma sensação de sentimentos provando o plano dele ou do Rony.

Tudo parecia completamente normal.

Relaxado, empurrou para abrir a porta e encontrou ao Rony tal como Harry o tinha deixado. Sozinho em sua cama.

Harry entrou lentamente no quarto, só para assegurar-se que Rony estivesse bem.

Ele foi ao lado mais afastado da cama. Rony não se moveu ou suspirou. Sua garganta se oprimiu. Rony parecia não respirar.

- OH Deus, não. - disse ele, afogando-se no pânico.

Harry agarrou a seu irmão, quem imediatamente ladrou e grunhiu.

Ele apertou seu abraço sobre a pele do Rony.

- Maldito seja, bastardo! - grunhiu com ira - Morre sobre mim e juro que te arrancarei a garganta.

Rony o mordeu até que Harry o liberou. Seu irmão se recostou de novo na cama em seu estado comatoso.

- Rony, escuta. Pai sabe que estamos aqui e enviou um esquadrão atrás de nós. Vamos, me fale.

Ele não o fez. Rony simplesmente, ficou deitado aí, olhando fixamente ao vazio.

- Vamos, Rony, isto não é lindo para mim. Não sei o que fazer para te ajudar. E a senhorita Luna tampouco - Ele tentou fazer que Rony o olhasse - e eu sinto saudades.

Imóvel, seu irmão não lhe respondeu.

Harry quis matá-lo por sua obstinação.

E então sentiu uma estranha ondulação no ar ao redor dele. Jogou uma olhada sobre seu ombro para ver que Stefan estava de pé ali com um sorriso sarcástico em seu rosto.

Sem pensá-lo um segundo, Harry atacou.

Harry agarrou a Stefan pela cintura e os dois atravessaram a dura porta de carvalho, saindo no corredor.

Aimeé Peltier saltou para afastar-se deles e começou a gritar por ajuda enquanto Harry atirava ao Stefan ao piso e o esmurrava com força e com fúria.

Em vez de atacá-lo, Stefan trocou a sua forma de lobo e correu pelas escadas. Harry correu detrás dele. Mas antes que Stefan pudesse escapar deles, Wren, que em sua forma humana saltava para eles, agarrou ao lobo pelo pescoço e o arrastou de retorno ao corredor.

Stefan grunhiu, tentando morder ao Wren. O leopardo o sustentou com uma confiada força que deu ao Harry um descanso. Ele não tinha nem idéia que o jovem e tranqüilo Katagaria fosse tão forte.

Harry se deteve, respirando entrecortadamente, enquanto Nicolette saía de seu quarto ao final do vestíbulo.

Aimeé correu para sua mãe enquanto Wren mantinha preso ao lobo que grunhia.

- O que é o que se passa aqui? - perguntou Nicolette.

Harry assinalou ao lobo.

- Ele estava no quarto do Rony.

Stefan trocou a sua forma humana, colocado em sua roupa, logo apartou ao Wren dele.

Wren apenas se afastou um passo e a imagem de seu rosto prometia um Armagedon se Stefan o tocava outra vez.

Aquele áspero olhar conseguiu tranqüilizar a Stefan e se afastou outro passo do leopardo.

- Eu não estava fazendo nada. Eu só comprovava se eles realmente estavam aqui. - Stefan curvou seu lábio para o Harry - Harry me atacou.

Stefan se voltou para o Nicolette com uma expressão que era quase receosa.

- Pensei que era contra as regras do Santuário atacar a alguém sem provocação.

Harry estreitou seus olhos enquanto começava a entender. Ele compreendeu muito tarde que tinha sido tudo preparado.

Stefan foi mais preparado que Harry, nisso terei que lhe dar o crédito.

- Harry? - Nicolette o olhou - O que ele diz é verdade? Atacou-o?

- Ele devia matar ao Rony. Você sabe que sim.

- Mas ele o atacou?

Harry ficou rígido enquanto olhava ao Stefan.

- Ele teria feito a não ser se fosse tivesse detido.

- Ele atacou primeiro, ou o fez você? - insistiu Nicolette.

A ira de Harry rompeu seu controle.

- O que é você? Uma advogada de merda?

- Cuida seu tom, Harry. - advertiu Nicolette severamente - Sou a lei suprema aqui e você sabe.

Harry se desculpou embora ficasse entupido por fazê-lo.

Wren lhe brindou um pormenorizado olhar que dizia que também gostaria de esquartejar ao Stefan. Seu corpo inteiro se retorcia por fazê-lo, mas ficou quieto.

Nicolette levantou seu queixo aceitando a desculpa de Harry.

- Agora me diga a verdade. Quem atacou primeiro?

Harry queria mentir, mas Nicolette o sentiria e isso só pioraria as coisas.

- Eu.

Ela fechou seus olhos como se isto lhe doesse. Quando os abriu, sua expressão dizia quanto lamentava o que estava a ponto de dizer.

- Então não tenho nenhuma opção exceto te mandar embora, Harry. Sinto muito.

Os olhos do Stefan brilharam.

Naquele momento, Harry os odiou a todos por igual. Assim que isto era o que conseguia. Ele era castigado por proteger a seu irmão.

Assim seja. Esta não seria a primeira vez que isto lhe passava. Ao menos Nicolette não o tinha açoitado como castigo.

- Bem... - disse com os dentes apertados.

Harry se dirigiu ao quarto do Rony para recolher a seu irmão, só para descobrir que Aimeé Peltier se precipitava a detê-lo. Ela fechou de repente a porta, logo correu para bloquear seu passo até a cama.

Ele tentou passar ao redor dela, mas ela não o deixou.

- Harry, me escute. Mamãe só está zangada. Dê-lhe tempo...

- Não, Aimeé. - disse Harry em um tom terrivelmente baixo, enquanto lutava por não descarregar sua ira nela - Eu conhecia as regras e as rompi. Sua mãe nunca me perdoará por isso e você sabe.

Aimeé levantou seus braços enquanto ele tentava passar por diante dela.

- Deixa Rony aqui. - insistiu ela - Você, eu e até mamãe sabemos o que Stefan está fazendo. Assegurarei-me que Rony nunca fique sozinho. Ficarei com ele eu mesma cada momento do dia e da noite. Ninguém lhe fará mal enquanto ele resida no Santuário.

Sua oferta o confundiu. Ele não entendia por que se preocuparia com o que lhes passasse.

- Por quê?

Seus olhos pálidos eram suaves e amáveis quando ela levantou a visão para ele e deixou cair seus braços a seus lados.

- Porque ninguém deveria ser machucado da maneira com que vocês foram. O que eles fizeram foi cruel e desnecessário. Esse foi um castigo humano, não um animal. Perdi a irmãos e sei diretamente a dor que vocês sentem em seu coração por Luna. Não deixarei morrer a Rony, juro.

Ela jogou uma olhada à mão dele onde seu sinal estava escondido, logo ela contemplou a porta detrás dele como se tivesse medo que alguém pudesse ouvi-la por acaso. Ela baixou sua voz.

- Agora tem a outra para proteger. A última coisa que precisa é ao Rony contigo neste estado. Vá e proteja-a. Pode me chamar em qualquer momento, dia ou noite, para averiguar sobre seu irmão.

Harry a tomou entre seus braços e a abraçou amavelmente.

- Obrigado, Aimeé.

Acariciou-lhe as costas.

- Até qualquer momento. Agora vá, e espero que de patadas a esse lobo de merda ali fora.

Ele riu com pouco entusiasmo antes de afastar-se dela e retornar ao vestíbulo.

Stefan arqueou uma sobrancelha provocativamente, aguilhoando-o para que Harry lhe fizesse mal.

Mas ele não era estúpido.

De acordo, Harry lhe faria mal, mas não o faria na propriedade de Nicolette.

Em troca, Harry deu a volta para a Nicolette para assegurar-se que Stefan entendia o que ele tinha intenção de fazer.

- Rony não rompeu nenhuma das regras. Está a salvo para ficar?

Nicolette assentiu e jogou um conhecedor olhar a Stefan, que amaldiçoou.

- Ele está sob nosso amparo e nos asseguraremos que não sofra nenhum dano.

Ver a cara do Stefan não teve preço. E isto lhe disse algo. Isto estava longe de terminar.

Vamos, te atreva...

Harry se dirigiu à escada.

- Isto não terminou. - grunhiu Stefan.

- Conheço o clichê. - disse Harry fatigosamente enquanto fazia uma pausa para olhar de novo ao lobo - Isto não terminará até que um de nós esteja morto. - Ele lançou um sorriso satisfeito e insultante ao Stefan. - E para que conste, esse não serei eu.

Stefan grunhiu baixo em sua garganta, mas sabiamente manteve sua distância.

Enquanto Harry ia até a porta da rua, Stefan tentou segui-lo, Wren o deteve.

- As regras do Santuário. - disse tranqüilamente - Harry tem uma vantagem e se tenta segui-lo, estará mancando... Permanentemente.

Harry tentava decidir o que deveria fazer. Uma parte dele estava aterrorizada de ir a qualquer lugar perto de Gina para não dirigir ao Stefan e a outros diretamente a ela. A outra parte estava aterrorizada de deixá-la sozinha.

Sobre tudo com o Fury ali.

Não havia nenhum modo de que ela pudesse defender-se contra qualquer um deles.

Ele se abateu enquanto recordava as cicatrizes no rosto e no pescoço de sua mãe, as que ela tinha recebido ao lutar com seu pai e seu tessera. Tesseras eram os pequenos grupos de lobos enviados como soldados ou exploradores. Eles, em geral, matavam a tudo com o que entrassem em contato.

E ele mataria a qualquer um que tocasse a sua Gina. Ninguém jamais lhe causaria dano. Inclusive se ela o abandonasse, ela ainda seria sua companheira, e ele passaria o resto de sua vida assegurando-se que ela tivesse tudo o que necessitasse.

Quanto ao Rony, ele estava a salvo sob o amparo dos ursos. Harry não tinha dúvida disto.

Mas Gina...

O que deveria fazer? Ele desejava poder tirar o sinal das mãos de ambos. De todos os momentos para encontrar uma companheira, este o pior deles.

Se ela fosse Katagaria, ele só teria que esperar que ela decidisse terminar sua união. Muito poucas fêmeas Katagaria abandonavam a seus companheiros. Se elas o fizessem, o macho permaneceria completamente impotente até que a fêmea morresse. A fêmea por outra parte seria livre de tomar tantos amantes quanto quisesse, mas nunca seria capaz de ter filhos com eles.

Isto era pelo que os machos tomavam muito a sério agradar a suas fêmeas e as cortejar durante o período de união de três semanas.

Embora seu conhecimento dos humanos fosse limitado, ele não acreditava que Gina aprovaria que ele aparecesse, de repente, nu em sua cama para logo oferecer a ele mesmo a sua eterna lealdade.

Isso poderia inclusive, assustá-la.

Não é que ele estivesse nem sequer pensando em unir-se com ela, de todas as maneiras. Ele não tinha nem idéia do tipo de meninos que produziriam. O que faria ela se dava a luz a um filhote?

Ao menos sua mãe humana tinha tido a suficiente decência de não matar os próprios filhotes. Ela os tinha deixado com seu pai e tinha desaparecido.

Mas por outro lado, sua mãe tinha sido uma Arcadiana. Ela sabia e entendia o que seu pai tinha sido. E odiava a seu pai por isso desde esse dia. Ela odiava a todos eles por isso.

Não é que nada disso importasse. Harry tinha que voltar e conseguir afastar a Fury de Gina. O lobo era imprevisível no melhor e terrivelmente preciso no pior dos casos.

Harry se transportou para dentro da loja dela, tomando cuidado em escolher um armário no quarto traseiro onde ele duvidava que ela estivesse. Não faria nada para assustá-la

Ele saiu e foi ao pátio traseiro onde encontrou ao Fury fora da porta em forma humana.

- O que está fazendo? - grunhiu Harry. Ele nunca tinha querido que Fury estivesse em sua forma humana perto dela.

- Indo?

Antes que Harry pudesse responder, Fury trocou a sua forma de lobo.

Gina entrou no pátio um segundo mais tarde.

Harry o amaldiçoou enquanto se obrigava a voltar invisível a roupa do Fury para impedir que ela a visse.

- Ah bom, retornou. - disse ela com um sorriso enquanto fechava a porta de sua loja. - Pensei que tinha caído lá dentro.

Harry franziu o cenho.

- Caído dentro do que?

- Seu irmão disse que tinha ido ao banheiro.

Ele agora estava mais confuso.

- Meu irmão?

- Fury. - Gina olhou ao redor. - Onde ele foi? Ele estava justo aqui, cuidando da porta de trás enquanto fechava durante uns minutos para almoçar.

- Vamos, Harry. - disse Fury em sua cabeça - Eu não pude pensar em nada melhor.

Ele olhou zangadamente a Fury.

- E por que estava em forma humana perto dela para começar, Fury? Deveria ser um lobo.

- Eu me assustei. Além disso, queria conhecê-la.

- Por quê?

O lobo recusou lhe responder.

- Você sabe, se não me tivesse convertido em humano, ela teria pensado que te escapou dela sem dizer adeus. Não podia lhe falar como lobo, não sem que lhe desse um ataque.

- Harry? - perguntou Gina - Está bem?

Harry entrecerrou ainda mais seus olhos.

- Fury teve que partir. - É melhor ficar longe como homem se quiser seguir respirando.

Fury grunhiu profundamente em sua garganta.

- OH. - Ela olhou para baixo e sorriu ao Fury - Aqui está meu doce. Estava preocupada com você.

Fury saltou para pôr suas patas contra seus seios e lhe lamber a cara.

- Já, pra baixo. - grunhiu Harry, fazendo retroceder ao lobo - Não faça isso.

- Não importa. - disse Gina generosamente.

Fury meneou sua cauda e riu malvadamente, logo tentou olhar para cima por debaixo do vestido de Gina.

Harry o agarrou rapidamente pelo pescoço.

- Para! - grunhiu mentalmente ao Fury - Ou te arrancarei a cabeça.

Gina lhes olhou com o cenho franzido.

- Você não gosta de meu lobo?

- Sim. - disse Harry, acariciando-o bruscamente na cabeça - Ele é meu novo melhor amigo.

- Sou seu único amigo, imbecil.

Harry apertou seus dedos na pele do lobo como uma advertência.

- Sabe que tem que ser firme com os lobos. Deixar-lhes saber quem manda.

- Seu pai?

Harry lhe deu uma palmada na cabeça ao Fury.

- Owww.

- Sim. - disse Gina. - Isto é o que meu pai diz sobre todos os caninos.

- Seu pai?

Ela assentiu.

- Ele é o Doutor Weasley, o principal perito na Luisiana sobre o cuidado dos cães. Ele é veterinário no Slidell. Deve ter visto sua publicidade. "Se quiser a seu mascote castre-o". Ele fez a campanha completa.

- A sério. - disse, sorrindo abertamente ao Fury - Talvez nós deveríamos fazer uma consulta.

- Sim, claro. Tenta e morrerá.

Harry apertou seus punhos enquanto tentava ocultar sua ira a Gina. Ele estava só a um passo de distância de afogar ao lobo diante dela.

Gina franziu o cenho enquanto ela brincava uma olhada ao Fury.

- Que estranho... - ela procurou sua pata traseira - Não recordo que tivesse uma mancha marrom ali.

Harry lançou uma maldição enquanto compreendia que Fury não era idêntico a ele. Maldição, ela era observadora.

- Talvez só não notou antes. - disse ele, tentando distraí-la.

- Talvez.

Gina lhes conduziu através do pátio traseiro. Abriu a porta de seu apartamento e deixou entrar o lobo. Ela fez uma pausa na entrada.

Harry apoiou sua mão contra o marco da porta em cima de sua cabeça e lhe sorriu.

- Está nervosa. - ele disse brandamente - Por quê?

- É que não estou segura do que faz aqui ainda.

- Estou falando contigo.

Ela riu disso.

- Sabe, precisamente não tenho um manual de etiqueta sobre o que fazer quando um homem magnífico passa por minha vida um dia, dá-me um colar caro pelo que estive morrendo, temos o melhor sexo de minha vida, e desaparece. Então aparece de novo assim que preciso um herói e pagando mais dinheiro do que esses peões provavelmente fazem em seis meses só para me dar uma mão. Leva-me a um grande restaurante e logo passa uma noite inteira fazendo que minha cabeça de voltas. Não sei aonde nos dirigimos

- Tenho que dizer é a primeira vez para mim, também. - Ele estendeu a mão e deixou que seus dedos roçassem a mecha de seu cabelo que descansava contra sua bochecha - O que posso dizer? É irresistível para mim. - suspirou ele.

Era difícil ficar normal e racional quando ele a olhava assim. Como se estivesse sedento pelo sabor dela.

- E agora está ainda mais nervosa. - Ele suspirou, logo deu um passo atrás.

- Sinto. - disse ela calmamente - Não é você. Sério. É só que não estou acostumada a que coisas como estas me aconteçam.

- Tampouco eu. - Baixou sua cabeça e a beijou. Ele saboreou seu sabor até que recordou que tinham uma coisa para resolver.

Abrindo os olhos, viu o Fury lhes olhar fixamente com muita curiosidade.

Ele odiava a esse lobo. A contra gosto, Harry se retirou.

- Por que não fecha a loja durante uma hora e come um verdadeiro almoço comigo?

Gina vacilou, logo assentiu. Almoçar com ele seria maravilhoso.

- Acredito que o farei. Tenho espaguetes no refrigerador. Nós poderíamos ir à loja que está a uma rua de distância e conseguir um bom vinho para acompanhá-los.

Ele pareceu bastante incômodo com sua sugestão enquanto explorava o pátio exterior. Procuraria a seu irmão?

- Isso seria agradável. - disse ele, mas sua linguagem corporal desdizia o tom despreocupado.

Pela primeira vez em sua vida, Gina teve uma idéia realmente radical. Ela olhou seu relógio. Eram quase duas e trinta e ninguém tinha entrado em sua loja durante há meia hora. As sextas-feiras pela tarde eram tradicionalmente lentas para ela...

- Sabe que? - disse ela antes de acovardar-se - Por que não fecho cedo?

Seu olhar ardeu com interesse.

- Pode fazer isso?

Ela assentiu.

- Me dê uns minutos para fazer o trabalho administrativo.

- Tome seu tempo. Sou todo teu.

O olhar em seus olhos lhe disse exatamente o que queria dizer isso.

Gina mordeu seu lábio ante seu convite. Quão freqüentemente uma mulher ouvia algo assim da boca de um homem que se mostrava como este?

Gina retornou a sua loja e rapidamente fez o arquivamento da caixa registradora. Ela fez seu trabalho administrativo enquanto Harry a contemplava através das estantes.

Era difícil concentrar-se em classificar talões de pagamento enquanto ele estava ali, distraindo-a. Estava dando as costas enquanto olhava as gavetas com anéis. Ele tinha o traseiro mais bonito que jamais vira em um homem. Pior, ela poderia ver seu rosto refletido no espelho.

E ele poderia ser seu...

Suspirando, ela se obrigou a encher um envelope de depósito bancário. Ele passou por trás enquanto ela colocava todo dinheiro dentro e fechava. Apoiando seus braços de cada lado dela, ele se inclinou e respirou em seu cabelo como se a saboreava.

- Tem idéia do que me faz Gina?

- Não. - respondeu ela francamente.

Harry estava de pé ali, seu coração palpitando grosseiramente. Seu corpo duro e dolorido.

Sua presença aqui era uma loucura. Ele havia limpado seu rastro antes de aparecer aqui, mas Stefan e outros eram tremendamente bons no que faziam.

Não passaria muito tempo antes que eles o encontrassem.

Certamente, enquanto Gina levasse seu sinal, levasse seu aroma, e inclusive se ele a abandonasse, eles provavelmente aproveitariam isso e apareceriam enquanto ele os procurasse.

Mais que isso, já que Gina não sabia ocultar-se.

Ele estava desesperado por seu sabor e ele sabia que ela não se negaria. Mas ele não podia tomá-la outra vez. Não a menos que ela entendesse o completo impacto dessa decisão.

E os perigos inerentes.

Ele não deveria estar aqui, na forma humana. Mas a diferença de Fury, sua encarnação mais forte era de humano. Era como podia proteger-se melhor.

Isto também o fazia inclusive mais vulnerável a ela.

Inclinando-se, ele roçou a pele exposta de seu pescoço com seus lábios.

- Desejo que seja minha. - ele respirou, inalando o aroma quente de sua pele.

Gina não podia respirar enquanto ouvia o tom profundo, como um grunhido, de sua voz.

Ela se sentia como em uma espécie de estranho sonho. Como isto podia ser real? Ela se inclinou para trás contra o peito de Harry para poder levantar o olhar para ele.

O olhar sobre seu rosto a abrasou.

Uma risada brincalhona aliviou a intensidade de seu olhar.

- Tomamos as coisas muito rápidas, verdade?

Ela assentiu.

- Sinto-o por isso. Quando eu vejo algo que quero, tenho a má tendência de tomar primeiro e pensar mais tarde sobre se realmente deveria ter.

Ele afastou-se dela e se dirigiu à porta.

- Vamos. - disse ele, indicando a porta com sua cabeça - Acompanharei-te ao banco e conseguiremos o vinho.

Ela se deslizou de seu banco e o seguiu. Lá fora, havia um indício de frio no ar. E uma auréola de perigo ao redor de Harry. Ela tinha a sensação que ele prestava muita atenção às ruas que os circundavam. Cada vez que alguém se aproximava, ele o olhava atentamente como se esperasse que saltasse sobre eles.

Ela fez seu depósito e logo o deixou escolher o vinho depois que cruzaram a rua e entraram em uma loja sobre Canal Street. Quando ela tentou pagar, poderia ter jurado que lhe grunhiu como um animal.

- Eu o faço. - disse ele.

- Sabe, posso cuidar de mim mesma.

Ele riu disso enquanto tomava a garrafa de vinho do empregado.

- Sei. Desde onde venho a única coisa mais letal que um homem é uma mulher. Acredite, tenho um incrível respeito pelo que uma mulher muito zangada pode fazer.

Ele falava da comunidade outra vez? Por qualquer razão ela não acreditou.

- De onde vem?

- Nasci na Inglaterra.

Gina fez uma pausa ante isso, surpreendida. Mas por outro lado, Harry tinha o hábito de surpreendê-la constantemente.

- Sério?

- Aye, amor. - disse ele em um perfeito acento inglês - Nascido e criado.

Ela riu.

- Fala bem.

Ele abriu a porta da loja para ela sem comentários.

- Gracioso. - disse ela, entrando na loja. - Realmente nunca pensei que as inglesas fossem particularmente cruéis.

Ele bufou ante isto.

- Sim bem, você nunca conheceste a minha mãe. Ela faz que Atila o Huno se pareça com um coelhinho fofo.

Havia muita ira e dor em seu tom e em seu rosto quando disse isso. Sua mãe realmente não devia ter um verdadeiro instinto maternal.

- Alguma vez a vê?

Ele sacudiu sua cabeça.

- Ela esclareceu faz muito tempo que não estava interessada em ter nenhum tipo de relação comigo.

Gina enlaçou seu braço ao redor do dele e lhe deu um ligeiro apertão.

- Sinto muito.

Ele cobriu sua mão com a sua.

- Não o faça. Os de minha espécie não têm mães como...

Gina fez uma pausa na rua.

- Sua espécie?

Harry se deteve aí, petrificado pelo que lhe tinha escapado da boca. Maldição. Com a Gina era muito mais fácil falar que o que devesse ser. Ele estava acostumado a estar em guarda perto das pessoas.

- Lobos solitários. - disse, bobamente tomando emprestado o termo do Fury.

- Ahh, então você é um desses tipos machos "não preciso nenhum tipo de ternura".

Ele estava acostumado a ser, mas depois de passar um tempo com Gina...

O que sentia por esta mulher o assustava como a merda.

- Algo assim.

Gina assentiu enquanto retorna para sua loja.

- Assim são somente você e seu irmão, não?

- Sim. - disse ele, com sua garganta apertada enquanto recordava a sua irmã - Somos só nós. E você?

- Meus pais vivem no Kenner. Tenho uma irmã em Atlanta a que vejo duas ou três vezes por ano, e meu irmão trabalha para uma assinatura no distrito comercial.

- Esta unida a eles?

- OH sim. Mais unida do que quisesse às vezes. Eles ainda acreditam que deveriam dirigir minha vida.

Ele sorriu. Assim era com Luna estava acostumada a relatar as coisas a ele e a Rony. Isto trouxe uma dor agridoce a seu peito.

- Você deve ser a mais jovem.

- Sabe? Juro que minha mãe ainda me da carinho sempre que vou para casa.

Ele era incapaz de imaginar uma mãe tão carinhosa como essa. Devia ter sido agradável conhecer semelhante amor.

- Não recuse.

- A maior parte das vezes não faço. - Gina franziu o cenho para ele - Por que segue fazendo isso?

- Fazendo o que?

- Vigiando a rua como se tivesse medo de que alguém vá saltar sobre nós.

Harry esfregou a parte de atrás de seu pescoço com nervosismo. Ele tinha que dar seu crédito, ela era realmente observadora. Sobre tudo para uma humana.

Quão último podia lhe dizer era que realmente o que temia era isso.

Se Stefan ou outros alguma vez o detectavam...

Ele não queria pensar nas conseqüências.

- Suponho que não poderia te dizer que fechasse sua loja durante um par de semanas e fosse a alguma ilha exótica comigo, verdade?

Ela riu dele.

- Estaria bom.

Sim. Ela sabia pouco, ele era bastante sério. Uma parte dele estava tentada a seqüestrá-la, mas depois do que tinha passado entre seus pais, ele soube que era melhor não arriscar-se.

Quatrocentos anos mais tarde, sua mãe ainda estava emocionalmente ferida porque seu pai a tinha seqüestrado contra sua vontade. Ele não queria destruir a bondade de Gina. Sua risada aberta. Deus a ajudasse, ela confiava nas pessoas, e isto era tão estranho que ele faria algo para mantê-la assim.

Ela abriu a porta de seu jardim e o conduziu a seu apartamento onde Fury os esperava.

Precipitando-se para eles, Fury foi diretamente à virilha de Harry para atormentá-lo na maneira típica de um cão.

- Para. - gritou, apartando ao lobo.

- Ele gosta de você.

Gosta de me incomodar.

- Sim, notei.

Gina franziu o cenho enquanto se dirigia ao aparelho de som, que tocava a todo volume a velha canção dos Troggs, Wild Thing.

- Que estranho. - disse ela, apagando-o - Não deixei o rádio ligado.

Harry intensificou seu apertão sobre o pescoço do Fury.

- Isso dói, Harry. Deixe-me.

Ele o fez de muito má vontade.

- Que mais fez?

- Nada, sério. Só olhei um pouco de TV, examinei seus CDs... Ela tem realmente umas boas merdas... E fiz um pouco de café.

- Fury... Era claro que não te moveria!

- Disse vigia, que não implica movimento.

Ele se esticou para o Fury, quem se lançou para a Gina.

- Talvez tenha um fantasma. - disse Harry - Isto é Nova Orleans, depois de tudo.

- Não é gracioso. - disse ela.

Ela tomou o vinho que ele tinha e se dirigiu à pequena cozinha onde o pôs perto de sua cafeteira de duas taças. Ela tirou a jarra e a olhou.

- Que diabos esta acontecendo aqui?

- O que?

Ela encontrou o olhar fixo de Harry.

- Fez café esta manhã?

- Oops. - disse Fury. - Em certo modo o fiz. Eu provavelmente deveria havê-lo atirado uma vez que tinha terminado.

- Acredita?

- Seja agradável comigo, homem. Não tenho que ficar aqui.

- E realmente não tenho que te deixar viver, tampouco.

- Está bem? - perguntou Gina enquanto substituía a jarra.

Harry sorriu e obrigou a relaxar sua expressão.

- Estou bem.

- Este café é fresco. - Ela olhou para o Fury, logo sacudiu sua cabeça. - De maneira nenhuma. Isto é simplesmente estúpido.

- O que?

- Nada. Nem sequer o direi por medo de que me encerrem pelo resto de minha vida.

Ela pôs o vinho no congelador para que esfriasse enquanto abria os armários e tirava uma caçarola e uma panela.

Sem pensar, Harry foi à pequena despensa procurar o molho de espaguete. Por alguma razão, gostava de ajudá-la sobre tudo.

- Como sabia que estava ali? - perguntou.

Harry se encolheu. Maldição, ele não deveria ter sabido onde o guardava.

- Este me pareceu o lugar mais provável.

Ela apareceu aceitar isso.

Fury se levantou de um salto e o empurrou para o Gina. Harry tomou fôlego bruscamente quando seus corpos chocaram e sentiu suas curvas viçosas contra ele.

Ela levantou a visão, seus lábios separados por seu suspiro de surpresa.

- Sinto. - disse ele, seu coração palpitando - O cão me golpeou.

- Não sou um cão.

- Vai ser comida para cães se não parar.

- OH vamos, idiota. Ela é sua companheira. Segue adiante.

- Não posso obrigá-la. Acredite-me, é algo que não farei.

Para sua surpresa, Fury assentiu com sua cabeça e o olhou para cima.

- Sabe, acredito que somente por isso te respeito. É um bom lobo, Harry. Agora me dê sua camisa e me deixe sair.

- Para fazer que? - Harry estava tão atordoado que falou em voz alta.

- O que? - perguntou Gina.

- Nada. - disse ele, perguntando-se em que ponto dessa noite ela ia decidir que ele estava completamente louco.

- Confia em mim. - disse Fury - Usarei seu aroma para dirigir outros para longe daqui. Ao inferno, quando acabar com o Stefan, ele estará perseguindo sua cauda em círculos.

Harry estava impressionado. Essa era uma boa idéia.

- Posso confiar em ti para que não o traga aqui?

- Sim, pode.

Que resposta desacostumada para o Fury. Harry o olhou enquanto debatia se realmente podia confiar nele.

Ao final, ele não teve nenhuma outra opção.

Fury foi arranhar a porta.

- Deixarei sair. - disse Harry, dirigindo-se ao lobo.

- Obrigado. - disse Gina enquanto tirava o macarrão que tinham sobrado.

Harry seguiu ao lobo ao pátio traseiro. Tirou sua camisa, logo fez aparecer uma nova enquanto Fury se transformava em forma humana para pega-la.

- Ponha um pouco de roupa, Fury. Se não vou ficar cego.

- Cala-te. - replicou Fury - Não sou tão talentoso como você com meus poderes e não permaneço como humano o tempo suficiente para me preocupar. Somente quero-te dizer que seja cuidadoso. Ela parece uma mulher bastante agradável, para um ser humano. Seria uma maldita pena ver que algo lhe acontecesse.

- Sei.

Um carro se aproximava da porta.

Fury deu um passo nas sombras e desapareceu. Harry não se moveu enquanto olhava o carro aproximar-se. Era a artista que vivia em um dos apartamentos de acima.

Aliviado de que fora um carro amistoso, ele retornou para dentro para encontrar a Gina revolvendo o molho na panela.

Ele tinha que encontrar algum modo de conseguir que ela aceitasse partir com ele até que eles pudessem separar-se definitivamente.

Harry a olhou e sentiu algo muito peculiar. Em seu mundo ninguém cozinhou para ele. Ele comia a carne crua ou a comprava em forma humana, logo a cozinhava ele mesmo.

Ninguém jamais tinha feito o alimento para ele exceto quando ele pagava para fazê-lo. Isto era quase caseiro. Não é que ele entendesse quão caseiro era.

Talvez essa era a estranha sensação em seu estômago. Ele sentiu dentro o impulsionou de tocá-la inclusive quando não deveria.

- Gina? - perguntou, aproximando-se - Acredita no impossível?

Ela tirou uma terrina de salada de seu refrigerador.

- Impossível como?

- Não sei. Fadas? Duendes? Lobos que podem converter-se em humanos?

Ela riu.

- Ahh, o loup-garou. Não estará comprando lendas locais, verdade?

Ele deu de ombros enquanto seu coração se estremecia. Era muito esperar que ela fosse algo mais que uma humana típica.

- Embora - disse, fazendo com que seu coração se aliviasse - realmente tenho uma amiga que persegue vampiros de noite. Ela está louca, mas a amamos.

Maldição.

- Sim. - ele suspirou - Tabitha está um pouco louca, verdade?

Gina ficou quieta.

- Como a conhece...

- Todo mundo em Nova Orleans conhece a caçadora de vampiros local. - disse rapidamente - Tabitha Devereaux esteve por aí por muito tempo.

Gina riu.

- Terei que lhe dizer que é uma lenda. Isso a agradará até não poder.

Harry se voltou para ela.

- Mas quanto a você? Não acredita em coisas estranhas, verdade?

- Não realmente. A coisa mais horripilante que alguma vez vi é a minha contabilidade em abril.

Na aparência, ele riu disso, mas por dentro tremia. Ela nunca estaria aberta para seu mundo. À realidade de que, às vezes, a raça que passava pela rua não era realmente gente, absolutamente. Que eles eram o pior tipo de predadores.

Deixe-lhe ter suas ilusões. Seria cruel tirar-lhe. E com que objetivo? Para que ele pudesse lhe mostrar um mundo onde perpetuamente os dois seriam perseguidos?

Onde seus filhos seriam caçados?

Não, isto não seria justo para ela. Ele não necessitava uma companheira, e estava malditamente certo que não necessitava filhos.

- Está bem? - perguntou ela enquanto dispunha dois pratos.

- Sim, bem.

Ele só esperava que ambos estivessem bem até que o sinal desaparecesse de suas mãos.

Não tomou a Fury muito tempo encontrar ao Stefan e a outros que estavam em forma humana no Bourbon Street tentando recapturar o aroma de Harry.

Três deles estavam fora de um bar, cheirando a todos paroquianos que entravam e saíam.

Como sempre, surpreendeu-se pela beleza de sua raça, mas por outro lado, deveria ser esperado. Em seu mundo, o feio ou diferente rapidamente era reparado ou aniquilado... Em geral este último. Os animais não tinham nenhuma piedade por alguém ou algo.

Não sequer os animais que enganavam a si mesmos acreditando que eram em sua maior parte humanos. Ele tinha estado com os Arcadianos suficiente tempo para ver por si mesmo que quando diziam que eram humanos, eles enganavam a si mesmos.

Tal como as pessoas o faziam.

Não havia nada humano na humanidade. Ao final do dia, eles eram todos animais apenas com instintos de sobrevivência.

Era "o cão come ao cão". E Fury sabia mais sobre aquele princípio do que gostava de recordar.

Stefan se virou quando encontrou o aroma do Fury.

- Bem, bem... - disse Fury, lhe dando de presente um sorriso satisfeito - Estive de pé aqui o tempo suficiente para havê-los matado a todos antes que vocês sequer me sentissem. Está ficando velho, Stefan.

- Isso é um desafio?

Fury o percorreu com um olhar divertido. Ele tinha a total intenção de desafiar ao lobo mais velho e um dia matá-lo.

Agora entretanto, ele não estava de humor.

- Não me faça te machucar, Stefan. Pode fazer cambalhotas como um Alfa se quiser, mas sabemos quem sustenta sua corda.

Stefan o agarrou, mas Fury se liberou de suas garras.

- Não o faça, velho lobo. Não quero te envergonhar.

- O que quer Fury? - falou bruscamente Petra.

Fury lhe dirigiu um sorriso zombador rápido e direito. Do grupo, ela era a que odiava mais ao Harry. Durante anos a loba tinha querido ser sua companheira, e quando ele a tinha esnobado, ela tinha ido atrás do Rony. Ela tinha espreitado ao Harry para distração. Já que ele era o maior dos filhos do então líder, assumia-se naturalmente que seria Harry quem um dia herdasse a manada. Inclusive embora seu pai o odiasse, Harry era sem uma dúvida o mais forte de todos eles.

Só Fury sabia por que. Harry não era Katagaria e o resto deles era muito estúpido para compreendê-lo.

Ele o tinha cheirado no Harry no momento em que se encontraram. Aquele som vibrante que só vinha dos genes humanos. Um suposto coração humano. Mais que isso, o aroma vinha da maior parte da elite dos Arcadianos. Harry não era somente um Arcadiano. Ele não era só um Sentinela.

Ele era um Aristos. Uma classe estranha que tinha a capacidade de dirigir a magia sem esforço. No reino Arcadiano, os Aristos eram considerados deuses e eram protegidos com muito entusiasmo pelos were-wolves quem com muito gosto morreriam por eles.

Era pelo que ele, ele mesmo, odiava ao Harry.

Mas a paciência era uma virtude. Não só dos humanos, mas também sobre todos nos animais.

Petra cheirou, e logo franziu o cenho. Ela se aproximou até que enterrou seu nariz contra a camisa de Fury.

- Harry. - ela inalou - Você o pegou?

- Onde se esconde? - perguntou Stefan imediatamente.

Fury lhe lançou um olhar encoberto ao Stefan.

- São todos tão patéticos. Nenhum de vocês jamais aprendeu que a metade da diversão da matança é persegui-lo no terreno?

Petra inclinou sua cabeça.

- Isso quer dizer?

- Sei onde está Harry. Mas não é suficiente matar a seu inimigo. Primeiro fodes com sua cabeça.

Gina empurrou a salada ao redor de seu prato enquanto tentava não olhar para Harry. Havia algo irresistível nele. Também era desconcertante estar perto de alguém tão lindo e musculoso. Ao menos com o Dino, ele tinha sido mais magro que ela, mas ele não fazia exercício, e adorava dirigi-lo a sua maneira.

Não havia um grama de excesso de gordura em todo o corpo de Harry. Seu rosto ardeu enquanto recordava quão magnífico exibia-se nu.

- Está bem? - perguntou ele.

- Bem.

- Por que não come?

Ela deu de ombros.

- Suponho que não tenho fome depois de tudo.

Ele tomou o garfo de sua mão e envolveu os espaguetes ao redor, logo o sustentou para ela.

- Não sou um bebê, Harry.

- Sei. - seu ardente olhar a abrasou - Come para mim, Gina. - disse ele em um sob tom de mando - Não quero que passe fome. Não há nada bom em te privar de comida.

Pelo tom de sua voz, ela podia entender que ele falava da experiência.

- Passaste fome?

- Toma um bocado e te responderei.

- Não sou uma menina.

- Acredite, eu sei, - Ele meneou o garfo diante ela.

Ela sacudiu sua cabeça ante seu jogo sério, logo abriu sua boca.

Ele com cuidado colocou o garfo dentro para que ela pudesse fechar sua boca ao redor dele antes de deslizar o garfo para trás.

Gina mastigou enquanto ele girava o garfo em sua massa.

- Sim, passei fome. Meus pais não criavam ou não se preocupavam como os seus filhos. Assim que um macho é o suficientemente grande, eles o deixam e aprende... a sobreviver ou morrer.

O coração de Harry se retorceu enquanto recordava sua juventude. A dor e fome constante. Ele quase tinha morrido mais vezes que podia contar aquele primeiro ano sozinho. Até que alcançou a puberdade, ele tinha sido um filhote de lobo. Virtualmente da noite para o dia, ele tinha se transformado em humano. Seus poderes mágicos tinham sido novos para ele e ficou em forma humana quando precisava ser um lobo.

Não acostumado a ser humano, não podia rastrear ou matar uma presa. Tinha sido bombardeado com sentimentos e emoções desconhecidos que os lobos não tinham. O pior de tudo, seus sentidos estavam presos em sua forma humana. As pessoas podiam ver melhor na luz do dia, mas não podiam ouvir tão claramente, mover-se tão rapidamente, ou cheirar a seus inimigos ao redor deles. Não tinham a força física para lutar mano a mano contra outros predadores e animais por comida e amparo.

Tampouco podiam matar tão facilmente. Eles eram consumidos pela culpa, horrorizados pelo derramamento de sangue.

Mas como Darwin tinha escrito esta era a sobrevivência do mais apto, e então Harry tinha aprendido como sobreviver. Eventualmente. Ele tinha aprendido a receber golpes e mordidas sem render-se à agonia de suas feridas.

No final do primeiro ano de sua idade de adulto, tinha voltado para sua manada zangado e controlado. Um humano que sabia o que significada ser um lobo. Um humano que estava decidido a controlar a parte de si mesmo que aborrecia.

Também tinha retornado a casa com mais poder que qualquer um deles tinha ousado sonhar.

De todos os modos ele não teria feito isto se Rony não o tivesse salvado. Ao princípio, tinha sido Rony quem tinha matado para ambos para que pudessem comer. Rony foi quem o protegeu e cuidou em seu estado humano enquanto Harry tinha que aprender de novo até a mais simples das tarefas. Quando os outros o teriam abandonado, Rony tinha ficado a seu lado.

Isto era pelo que sempre protegeria a seu irmão, não importava o que custasse.

- Isso deve ter sido difícil. - disse Gina, devolvendo-o ao presente.

De retorno a ela.

Harry lhe deu de comer outro bocado.

- Acostuma-se a isso.

Ela o olhou como se entendesse o sentimento.

- É assombroso que possa te acostumar verdade?

- O que quer dizer?

- Só que às vezes deixamos que outras pessoas nos tratem mal porque queremos ser amados e aceitos tão desesperadamente que faríamos qualquer coisa por isso. Dói saber que não importa quanto o tente, quanto o queira, eles não podem te amar ou te aceitar como é. Então odeia todo o tempo que perdeu tentando agradá-los e te perguntando o que é tão horrível em ti que ao menos não podem fingir que lhe querem.

Ele viu a raiva ante suas palavras e o dano que brilhava tristemente em seus olhos âmbar.

- Dino é um idiota.

Gina alargou seus olhos ante o profundo e intenso grunhido de sua voz.

Harry deixou o garfo de lado e colocou sua mão sobre a bochecha dela. Ele estudou seu rosto e acariciou sua pele com seus dedos.

- É a mulher mais formosa que jamais tinha visto e não há nada em ti que alguma vez tentaria mudar.

Sentia-se tão bem ouvi-lo dizer isso, mas ela não se enganou sequer um minuto. Ela sempre seria a menininha rechonchuda que não queria colocar um traje de banho em público. A que fingia ter seus períodos nas festas para que ninguém fizesse brincadeiras de seu peso.

Quantas vezes tinha admirado às magras putitas entrando em sua loja, para provar os vestidos muito justos que ela vendia, mas que nunca podia usar?

Somente uma vez em sua vida, ela desejava poder levar um dos mais vergonhosos conjuntos da Tabitha e não ver que os olhos de um homem imediatamente se afastavam dela como se procurassem a alguém mais desejável.

- Segue falando assim, Harry, poderia me obrigar a te conservar.

- Se me segue olhando assim, eu só poderia te deixar pela força.

Ela tremeu ante suas palavras.

- É muito bom para ser verdade. Aí esta essa voz no fundo de minha cabeça que segue me dizendo que tenho que escapar antes que seja muito tarde. É um assassino em série, verdade?

Ele piscou, logo franziu o cenho.

- O que?

- É como o homem em "O silêncio dos inocentes". Você sabe esse que está fazendo um papel de mulher, um que é tão encantador para poder seduzir e seqüestrar a uma mulher por sua pele.

Em realidade ele parecia horrorizado por suas palavras, até ofendido. Que significavam que ele era inocente ou um grande ator.

- Vai lançar-me nua em um fosso e me afogar em loção de bebê, verdade?

Ele realmente riu disto.

- Vive em Nova Orleans, onde eles nem sequer podem cavar um tumulo. Então me diga onde vou encontrar essa fossa?

- Esta é uma fossa de superfície.

- Apenas prudente.

- Mas possível. - ela insistiu.

Ele sacudiu sua cabeça.

- Não te rende verdade?

- Olhe, sou realista e acabam de me arrancar o coração. Não quero estar envolvida com ninguém agora. Foste muito amável comigo e não sei por que. É só que coisas como esta não acontecem na vida real. O príncipe Encantado não vem ao resgate todo o tempo. A maior parte do tempo, ele está muito ocupado com a perfeita irritação depreciada e seus pequenos pés perfeitos de adolescente para sequer notar ao resto de nós.

Ela podia dizer que ele estava irritado.

Suspirando, ele tomou o copo.

Gina franziu o cenho enquanto tinha uma visão da palma da mão dele e as estranhas marcas ali. As marcas que não tinham estado ali ontem à noite ou ela as teria visto.

Seu coração deixou de pulsar.

Estendendo sua própria mão, ela tomou a dele na sua e a olhou fixamente.

Harry se amaldiçoou por dentro enquanto compreendia que tinha se esquecido de mascarar sua marca quando se transportou ao quarto e armazenagem. Parte dele queria liberar sua mão, outra parte não podia mover-se enquanto ela comparava suas palmas.

- Queimou-me?

- Não. - disse ele, ofendido que ela pensasse tal coisa.

Ela estava entrando em pânico. Ele podia cheirar seu medo.

- Não te fiz mal, Gina, juro.

Não lhe acreditou.

- Saia!

Ah, isto era mau. Ele não sabia como convencê-la. Ela se levantou e agarrou sua vassoura do canto.

- Fora! - gritou, batendo-a contra ele.

- Gina!

Ela não escutaria.

- Saia ou vou... Vou chamar à polícia!

Harry conteve uma maldição. Isto não ia do modo que necessitava. Mas talvez isto fosse do modo que deveria.

Ao menos não podia ser tentado por uma mulher que o odiava e acreditava que ele era insano.

Saindo pela porta, ele esteve de pé ali enquanto ouvia que a fechadura se fechar.

- Gina. - disse ele, olhando-a fixamente pela janela - Por favor, me deixe entrar.

Ela fechou as persianas sobre ele.

Harry apoiou sua cabeça contra o fresco da janela e deixou que a guerra dentro dele quebrasse seu controle. A parte de animal dele a queria, independentemente da razão.

A parte humana sabia que seria melhor deixá-la ir.

Infelizmente, quando as duas metades dele se enfrentavam assim, a maioria das vezes, o animal ganhava.

Isto era em geral para melhor.

Esta vez não seria. Suspirando, olhou ao redor para assegurar-se de estar sozinho e transformou-se em lobo. Ele somente esperava que Fury não voltasse como lobo e fizesse cair seu disfarce.

Gina poderia aceitar a um lobo em sua porta, mas dois... Era muito.


Capítulo com fim meio triste :(

Mila Pink: Pois é, parece que Gina finalmente vai saber a verdade sobre Harry. (Mesmo sendo do jeito errado)

Vamos ver como os dois se saem nisso. Obrigada pelo review! bjbj

YukiYuri: Aparentemente, estão falando de lançar dark hunters no Brasil *_* já lançaram a capa do Julian na internet. Parece que é um pouco diferente da original... Enfim, veremos. Obrigada pelo review!

Stephaniee s: Obrigada! É um prazer passar Dark Hunters para o mundo de Harry Potter, até porque são as duas séries que eu mais gosto no mundo. O Harry é realmente perfeito, e o ambiente de Nova Orleans me fascina. Obrigada por ler, e espero que continue acompanhando.

Lilian Jackson: rsrs, que bom! Eu simplesmente amo esse livro, ainda que não esteja na minha lista de favoritos. A história é envolvente e adoro essa mistura de deuses gregos, sexo, amor e animais. rsrsrsrs. Enfim, obrigada por acompanhar.

Lola: Obrigada pelo review! sim, vou continuar. Harry é viciante, rsrs.