N/A: Ei, agora foi mais rápido, hein? Por favor, REVIEWS depois de ler, mesmo que sejam ruins, não importa. E sempre adoro sugestões, é assim que posso escrever melhor para vocês e alcançar as suas expectativas, ok?

Snape segurou a borda do túmulo de mármore com força. [...]

O que vou fazer?, pensou o bruxo angustiado.[...]

Agora ela me odeia, despreza... Será que um dia irá me perdoar por tudo que fiz? Não se eu continuar com Voldemort... Não posso mais levar essa vida. Minha lealdade não está com Voldemort, nem com Dumbledore... mas com Lily.

CAPÍTULO 9: O COFRE

Dumbledore sentou-se em um tronco caído no fundo da propriedade de Muriel Weasley. Harry queria perguntar o que estava fazendo ali, mas esperou que o diretor começasse a falar.

- Nós temos um contratempo. Com a espada de Gryffindor, quero dizer – ele apoiou a cabeça na sua mão enrugada.

- O que aconteceu com ela? – Harry perguntou alarmado.

- Queria evitar que mais pessoas soubessem da existência das Horcruxes de Tom Riddle. Contudo, creio que a espada escolheu o grifinório errado.

- O que quer dizer?

- Seu pai é quem precisa destruir o medalhão. Quando arriscou a vida para salvar sua mãe, a espada o escolheu. Só ele pode manipulá-la.

Por alguns minutos, somente o barulho dos passarinhos cantando e o som abafado da casa podiam ser escutados.

- O diário de Riddle tentou me matar quando fui destruí-lo, o medalhão tentará fazer o mesmo com meu pai. – o garoto passou a mão pelo cabelo, aflito.

- Harry, - disse Dumbledore com um vinco na testa – toda guerra tem riscos, para ganhar precisará arriscar aquilo que ama. James é um adulto, membro da Ordem e auror, ele tem tudo para sobreviver, além do mais, Xenofílio o trouxe por um único motivo: lutar.

O rosto do garoto ficou sombrio.

- Se tem que ser assim.

O diretor enfiou a mão dentro das vestes e de lá retirou a bolsinha de Lily.

- É bom que chame se pai para vir aqui e busque a Horcrux.

- Por quê? – perguntou Harry, confuso – Não sabemos como se abre o medalhão.

Os olhos azuis enigmáticos o sondaram.

- Tenho uma ideia do que pode funcionar.

- O que é? – Harry se aproximou ávido para revelar o mistério que tanto o frustrara.

- Harry, o medalhão é um tesouro de Salazar Slytherin, o que isso te lembra?

- Serpentes – respondeu imediatamente.- e verde.

- Ignore o verde. O que serpentes te lembram?

Harry teve que pensar um pouco, queria responder 'Malfoy', mas algo lhe dizia que essa não era a resposta que o diretor procurava.

- Linguagem das cobras! Espera... você quer que eu fale com o medalhão?

- Sim, como falou para a entrada da Câmara Secreta anos atrás.

- E se não funcionar?

- Então, nada irá acontecer.

OOOOOOOOOOOOOOOOO

Lily passou pelo corredor e estacou.

A porta do quarto de Xenofílio estava entreaberta.

A ruiva olhou para os lados discretamente. Não havia ninguém ali, todos estavam na sala. A curiosidade venceu e ela entrou no quarto trancando a porta atrás de si.

O lugar estava escuro e cheirava muito mal.

- Lumus! – uma luz fraca banhou o ambiente.

Primeiramente, não percebeu nada de mais, tudo estava uma bagunça. Mas então, notou algo bizarro: há um canto Xenofílio encostara uma caixa cheia de pedrinhas. O chão estava manchado de preto, como se houvesse explodido algo no quarto; resto de pedras se espalhavam pelo assoalho.

O que ele faz com essas pedras?, pensou Lily, intrigada.

Um baú saia por debaixo da cama, provavelmente empurrado as pressas, algumas folhas escapavam pela tampa mal fechada.

Ela se aproximou e puxou o baú para si, com os dedos trêmulos de animação retirou a tampa. Lá dentro havia uma quantidade incontável de pergaminhos, alguns parecendo ter mais de mil anos e outros com cheiro de tinta fresca. Lily pegou um dos pergaminhos antigos e tentou lê-lo. As letras estavam quase apagadas pelo tempo, o idioma era um inglês arcaico, mas ainda sim compreensível.

É necessário que se abra o cadáver... depositar perto do coração...

Lily largou a folha tremendo. Aquilo soava como magia das trevas.

Não havia dúvidas, dentro daquele baú estava o segredo de Xenofílio.

OOOOOOOOOOOOOOOOO

James seguiu o filho, intrigado. Harry mantinha o rosto impassível.

- Você está bem? – perguntou o maroto.

- Estou ótimo – resmungou o garoto.

- Você não pa...

- Ah, que ótimo, – disse uma voz enérgica – vocês chegaram. – Dumbledore levantou do tronco e se aproximou. – Preciso falar com você.

James franziu a sobrancelha. Sempre que escutara o diretor dizer 'Preciso falar com você' era porque tinha se metido em grandes encrencas em Hogwarts.

- Hum... por quê? – indagou desconcertado.

- Harry, o medalhão.

James observou o filho retirar o objeto do bolso, ele o entregou a Dumbledore, seu rosto estampava um certo nojo, como se o medalhão estivesse contaminado.

- É melhor que se sente em algum lugar – aconselhou o diretor – Essa história é longa e nosso tempo é curto.

Os olhos de Dumbledore brilharam quando começou a contar tudo que sabia. O maroto não interrompeu, mas seu rosto ficava mais e mais obscuro a cada palavra dita. Quando o diretor terminou, James virou-se para Harry.

- Você sabia?

- Sim. Só não esperava que você tivesse que destruir o medalhão.

- Posso vê-lo? – Dumbledore lhe entregou o objeto. James prendeu a respiração quando envolveu os dedos no ouro frio. Um arrepio desceu por sua espinha quando sentiu que aquilo pulsava.

- Isso... parece vivo.

- Isso é porque uma parte da alma do homem que estamos tentando matar está ai dentro – falou Harry encarando o pai.

- Quando tenho que destruir isso?

- Agora seria uma boa hora.

- É só perfurar com a espada. – disse Dumbledore – Harry terá que abrir o medalhão, e então, você, James, terá que ser rápido. Aquilo que está dentro desse objeto tentará matar você.

- Ele vai testá-lo – disse Harry olhando para o pai com preocupação – Vai usar suas fraquezas contra você, e matá-lo.

Dumbledore começou a lançar feitiços em volta deles, formando um grande círculo de proteção.

- Não podemos correr o risco que nos vejam ou escutem.

James abriu a bolsinha de Lily e retirou a espada de Gryffindor. De fato, ela não desapareceu, mas pareceu brilhar com animação. Harry colocou o medalhão sobre uma pedra, e se afastou com o diretor. O maroto levantou a espada, preparado.

- Varinhas a postos, Harry – aconselhou Dumbledore.

- É agora – disse o garoto –Abra – sibilou.

Os três escutaram um 'click' baixo e objeto se abriu. Instantaneamente, a brisa ficou mais gelada, os pássaros pararam de cantar, até o barulho da casa cessou. O céu se encobriu de nuvens escuras e espessas, lançando sombras sobre os bruxos. Mas, além disso, não aconteceu mais nada. No medalhão, aparentemente, não havia coisa alguma. Sem pedaços de almas, maldições ou ilusões. Era como qualquer outro objeto dourado e inocente.

- Pai – Harry sussurrou, o lugar estava tão silencioso que algo o fez abaixar a voz também – quebre isso logo.

- Mas, Harry, não tem nada aqui – rebateu James com o cenho franzido, começando a abaixar a espada.

- Não faça isso – Dumbledore falou – É um truque, destrua o med...

Um raio brilhou no céu, cegando-os momentaneamente, um trovão estrondoso ressonou por todo o jardim de Tia Muriel, e uma ventania como nunca haviam visto os empurrou para trás. A terra se revoltou formando uma grande nuvem de poeira, nenhum dos três podia ver qualquer coisa. Uma partícula entrou no olho de James.

- Argh! – gritou, instintivamente levando a mão aos olhos. A espada caiu e se perdeu no meio da nuvem – Merda!

- Sua paixão por Evans acabou por matá-la no final – disse uma voz aguda e fria. James congelou, conhecia aquela voz. Um ódio borbulhou pelo seu sangue - Sempre foi um garoto mimado, não é, Potter? Você simplesmente precisava tê-la, não viveria consigo mesmo se não consegui-se seu troféu...

- Ignore ele! – gritou Harry em algum lugar, algo explodiu e sua voz se silenciou. Não havia sinal de Dumbledore.

- Harry! – berrou James desesperado. Finalmente conseguiu abrir os olhos. Para seu horror percebeu que estava dentro de um funil de poeira, que girava com a violência de um tornado.

Bem a sua frente se encontrava um garoto bonito de aproximadamente dezoito anos, com os olhos vermelho sangue, suas pupilas sendo duas diminutas fendas verticais. Havia algo de errado com ele (além dos olhos, obviamente), ele não era sólido, algumas partes dele se dissolviam para voltar a se formar em instantes. No seu pescoço, se pendurando de alguma forma, estava o medalhão aberto.

- Tanta persistência, cobiça – continuou o fantasma de Voldemort – Ela tentou te afastar, várias e várias vezes. Mas o pequeno Potter simplesmente não pode aceitar. Será que não percebe que vocês não devem ficar juntos? Você a matou da primeira vez, não eu. Não entende? Se Lily Evans não tivesse te aceitado, vocês não teriam um filho perseguido pelo Ministério e por mim. Ela não teria um motivo para morrer. Não teria um motivo para temer. James Potter, você arruinou qualquer possibilidade daquela garota ser feliz, simplesmente porque você a queria. Mas que menino tão egoísta...

- Isso não é verdade! – berrou o maroto tremendo. Tentou procurar a espada. Lá estava ela, parada perto da parede do funil, prestes a ser sugada a qualquer momento. E bem atrás de Voldemort.

- Não é? Mas foi exatamente assim que tudo aconteceu. Você pode negar, Potter, mas não pode mentir para si mesmo – ele deu uma risada desprovida de humor – Você acha que Lily o ama, James Potter? Ou será que ela só aceitou ficar com você por medo que a machucasse? Todos sabem como você pode ser meio explosivo.

- Eununcaa machucaria. Nunca – ele não podia chorar. Era mentira, era mentira...

OOOOOOOOOOOOOOO

Harry levantou do chão, sua cabeça sangrava. Voldemort explodira o chão a seus pés, e ele tombara pra dentro da cratera. Com esforço conseguiu sair do buraco.

- Dumbledore! – gritou ao ver o diretor estirado no chão, com um troco de árvore sobre o corpo. Correu para ajudar o bruxo.

- Harry, minha varinha – gemeu Dumbledore, quase sem ar.

Com um feitiço de levitação o garoto afastou o troco e o velho bruxo se levantou com dificuldade.

- Accio varinha! – disse Harry e a varinha de Dumbledore voou para sua mão, por algum milagre não havia se partido no meio da confusão.

- Obrigado – disse o diretor ao pegar sua arma. – Harry, temos um problema – ele apontou para o funil, a ventania do lado de fora cessara. – Temos que tirar James dali.

- Pai! – Harry gritou avançando.

- Não há necessidade disso, pequeno Potter. – sibilou a voz de Voldemort. De repente toda a poeira se assentou.

Mas não foi Tom Riddle que o garoto viu, e sim James Potter, encarando-o com olhos vermelhos sangue e um sorriso terrível.

- Venha aqui, filhinho, venha morrer.

- NÃO! – gritou o garoto, horrorizado, erguendo a varinha.

- Vai me matar? – ele riu com sua voz aguda e cruel.

Harry sentiu como se o chão tivesse sido tirado de seus pés pela segunda vez, seu sangue corria gelado por todo seu corpo. Sua cicatriz ardia, e para seu espanto percebeu que podia escutar um eco da mente de James. Aparentemente, o fato de Voldemort estar possuindo-o conectava o garoto de alguma forma. Seu pai estava um pouco incoerente, pois sentia muita dor, Harry sabia como o processo era cruel, se lembrava muito bem do dia que o Lorde das Trevas o atacara no Ministério da Magia.

- James é tão fraco. Tão fácil de dominar. Tão covarde...

- Deixe meu pai em paz – pediu Harry com a voz entrecortada. – Isso é entre você e eu.

- Não, Harry – Dumbledore se postou na sua frente – Poupe sua força, eu cuido de Tom.

- Velho tolo! Acha que pode me vencer, que é melhor que eu! Tenho poderes muito maiores que o seu, sei feitiços que nunca sonharia em imaginar!

- Ah, já sonhei, sim, Tom. Só fui mais sagaz e não os usei.

A dor na cicatriz do garoto pareceu triplicar a medida que Voldemort se enfurecia mais. Os olhos verdes dele lacrimejaram. Ele tinha uma idéia ousada, que talvez desse certo.

Não se preocupe, pai. Vou salvá-lo custe o que custar.

Fechou as pálpebras com força, aproveitando o tempo que Dumbledore estava comprando. Só rezava para que o diretor não parasse de falar tão rápido, Voldemort tinha que estar distraído; e Harry sabia que não havia melhor homem para essa função.

O garoto se concentrou no eco de James, e logo deixou de ouvir a brisa, as vozes... Tudo se resumia em seu pai.

Pai, sou eu, pode me escutar?

Harry sentiu um reconhecimento vindo da parte dele, juntamente com a surpresa e a dor que Voldemort lhe infringia. Mas a agonia era tanta que James simplesmente não ligou para ele.

Pai... lute, não desista. Vou tirar você daí.

Não adiantava, o maroto não conseguia se conectar.

Harry se encolheu, sua cabeça ia estourar, flashes de pensamentos corriam por de baixo de suas pálpebras como trailers desconexos.

Ele não podia acreditar que Dumbledore tinha a ousadia de falar assim! O velho senil devia se ajoelhar perante o Lorde das Trevas...

Sua maldição acertou Draco mais uma vez. Menino imprestável. Seu olhar caiu sobre Bellatrix, desacordada. Sua melhor tenente provara ser mais um fracasso. Aparentemente coisas de família. Genética imutável. Ele estava apreensivo e irritado. Como eles voltaram? Não podia acreditar que deixara a sangue-ruim escapar. Da próxima vez a mataria de primeira. Escória, verme...

Lily... eu te amo... Harry!... Marotos... Dor... Muita dor... Que coisa irritante!... Minha cabeça... Harry? Harry!...

Pai!, exclamou o garoto se focando na única torrente de pensamentos que lhe interessava, Te amo, pode me ouvir?

Sim... argh! Saco... te amo também, filho... Como você... Ai...

Lembre de coisas que você ama. Voldemort funciona como um dementador. Vá! Lute.

Demen...

Pense, só quero que fique ileso. Você precisa lutar... ahhhh!, Harry de repente abriu os olhos. Cortes perfuraram sua pele. Ele cambaleou e olhou para cima.

Voldemort estava se defendendo de um ataque de Dumbledore, mas pelo menos tivera tempo de acertar o garoto.

- Não o machuque! NÃO!- Harry gritou arrancando a varinha da mão do diretor. Ele e Riddle encaram o garoto, chocados. – É meu PAI! Não encoste nele!

- Harry, - Dumbledore falou visivelmente irritado. Não era uma coisa legal de se ver. – Entre salvar seu pai e você. Fico com você.

- Não...

Esses cortes realmente estão doendo., pensou o garoto contendo um gemido, ele estava perdendo muito sangue.

Você é louco?, gritou a voz de James em sua cabeça, seus pensamentos entrando em foco, NÃO! Harry saia daí, entregue a varinha. Deixe Dumbledore me matar. Vá!

Nunca. Vou tirar você daí, nem que morra tentando. Afinal, você se sacrificou por mim uma vez. E agora sou eu quem deve fazer isso. Eu te amo.

NÃO!

Voldemort tentou se mexer, atacar, matar, mas não podia mover um só músculo. James o estava bloqueando de alguma forma. Seu corpo parecia queimar, a dor era insuportável. Garoto idiota. Sua alma estava em chamas...

Com um grito agoniado, o bruxo saiu do corpo do pai de Harry. Sua forma pousou a sua frente com os olhos mais brilhantes que nunca. O medalhão balançava hipnoticamente em seu pescoço.

Foi rápido de mais, Voldemort quase não sentiu. James deu um salto, pegou a espada e a espetou no último tesouro de Slytherin. Talvez, o Lorde tivesse gritado, se não estivesse em tanto choque. Seu corpo explodiu em uma nuvem preta e desapareceu.

E então, James desmaiou.

OOOOOOOOOOOOOOOOO

O cabelo dela brilhava, ondulava e o encantava completamente. Que cor maravilhosa.

James estava ao pé da escadaria de mármore de Hogwarts, seus olhos admiravam a garota parada lá no topo. O lugar onde ela nascera para ficar.

Lily Evans.

Ele sorriu, causando um certo rubor na garota. Ela desceu calmamente, fazendo seu vestido curto ondular um pouco.

Que pernas lindas.

- Bom dia – James falou um pouco sem ar.

- Bom dia – ela olhava para as próprias mãos, corando ainda mais.

Lily cheirava tão bem... e mesmo vermelha, era simplesmente estonteante.

- Esse vai ser o melhor primeiro encontro da sua vida – James prometeu com o coração palpitando. Não podia entender como ela o afetava tanto.

Lily Evans riu um pouco.

- Mesmo, James?

- É... hum... vamos...

- Vamos... James... – seu rosto se contorceu, preocupada - Por favor...

Ele a encarou, perplexo. O que estava acontecendo?

- James! – ela começou a chorar.

- O que foi?

Isso não devia estar acontecendo. Seu corpo doía.

- James, acorda! Por favor!

Os olhos do maroto se abriram rapidamente. Acima dele, estava a mesma ruiva, só que alguns anos mais velha.

- Graças a Deus! – ela suspirou deitando-se em cima de seu torso.

- Você vai machucá-lo – repreendeu a voz de Harry, algum lugar por ali.

- Desculpe – disse a Lily se afastando como um raio.

James tentou se levantar, mas sua esposa o empurrou para baixo.

- Não tão rápido, Prongs – Sirius apareceu em seu campo de visão.

- Onde estou?

- No nosso quarto, querido – falou a ruiva, afagando sua cabeça – Como está se sentindo?

- Bem – mentiu. Ela o olhou feio – Estou bem. Como vim parar aqui?

- Você se acidentou enquanto treinava com Dumbledore e Harry no jardim. Parece que você bateu a cabeça em uma árvore. – Sirius falou, sentando-se na cama.

- Você apagou por três dias – comentou Harry se aproximando do pai, seu rosto estampava um olhar significativo. Nem Padfoot e Lily viram. Aparentemente James tinha que entender alguma coisa.

Então, o maroto se lembrou. A nuvem, a espada, o medalhão, Harry se machucando...

- ... muito imprudente, – dizia Lily parecendo repentinamente brava – podiam ter avisado. Quase morri de susto! Dumbledore entrou na casa carregando você e Harry, ambos desacordados! Meu filho estava sangrando. Dumbledore disse que foi culpa dele, um acidente.

- Não acredito que ele machucou Harry daquele jeito! – Sirius olhava para o afilhado, preocupado, sua voz tremia – Que tipo de feitiço é esse, afinal? Dumbledore está ficando senil, é isso que penso!

- Não. Não há nada de errado com ele, deveria ter me defendido – retrucou Harry um pouco pálido. Só agora James notara que o que seu filho vestia não era uma camiseta, e sim, um monte de bandagens, que pouco a pouco estavam se sujando de vermelho.

Lily se levantou e inspecionou o garoto.

- O quanto está doendo, querido?

- Não está doendo.

- Não minta pra mim.

- Nós temos que trocar seus curativos de novo.

- Mãe! – reclamou Harry. Lily encarou-o chorosa – Hum... que foi? Não quis ofender...

- Não é isso – ela limpou uma lágrima e se controlou - É só que... eu amo quando você diz isso!

- O quê? – Harry perguntou, confuso.

- Mãe. – respondeu a ruiva beijando a testa do filho – Você torna... tudo mais real quando me chama assim. E aí sei que não estou sonhando.

Os olhos de Harry e Lily se encontraram. Verde com verde. Ele ficou vidrado por alguns segundos.

- Nós podemos trocar meu curativo se você quiser, mãe. – ele falou abrindo um sorriso.

A porta do quarto se escancarou e Edgar Bones entrou.

- Ah, você está sangrando de novo – falou desanimado. O curandeiro olhou para o maroto na cama – Você acordou! Ótimo! Vou pedir para que Emelina traga algo para você comer.

- Não estou com fome – recusou James.

- Depois de três dias? – falou Bones – Você está sim. – e saiu do quarto.

Sirius levantou da cama.

- Nunca gostei muito desse cara.

- Ele é uma ótima pessoa – rebateu Lily que abraçava o ombro do filho – Esteve ajudando todo mundo sem parar. Não esqueça que ao mesmo tempo que está curando James e Harry; Edgar vem auxiliando Olivaras, que ainda está muito fraco, por sinal.

- Ok – falou o maroto – Talvez ele não seja tão ruim assim.

James riu um pouco, mas tinha algo que o incomodava muito.

- Preciso conversar com Lily – pediu o pai de Harry subitamente.

Um silêncio baixou no quarto, quando perceberam o tom de James.

- Vamos, Harry – Sirius o puxou – Tenho que mandar um patrono pra Remus de qualquer jeito. – ele saiu fechando a porta cuidadosamente.

A ruiva se sentou no colchão, seu rosto estampando preocupação.

- Eu fiz alguma coisa?

- Não – James se apressou em corrigi-la. Ele corou um pouco, seu rosto ficou um pouco tenso – É só que...

- Continue.

- Você acha que arruinei a sua vida?

Lily o observou, chocada.

- O que?

- Você se me ouviu. Só responda, pelo amor de Deus.

- James, que tipo de pergunta é essa? Claro que não!

Os olhos do maroto pinicavam, sabia que em alguns segundo perderia o controle. Não podia dar esse vexame. Ele pigarreou para disfarçar.

- Sabe... acho que estraguei tudo para você. – James simplesmente não podia esquecer as palavras de Voldemort e as verdades inevitáveis contidas nelas. – Se eu não gostasse tanto de você, não teria me casado, tido Harry e causado tanto sofrimento a você. Você nunca teria morrido.

- Você não sabe disso – Lily respondeu carinhosamente – James, se tem algo de que não me arrependo nunca, é de ter me casado com você. Morreria mil vezes por você e Harry.

- Essa não é a resposta que quero! Está tudo errado! Não quero que se machuque! Nunca!

- E que você propõe? – reagiu Lily se irritando – Divórcio? Você sabe que isso não vai consertar nada!

James silenciou com o coração a mil.

- Nunca disse nada de divórcio – sua voz tremia – Mas talvez funcione.

- Você não está realmente considerando isso! – a ruiva se levantou, indignada. – Pensei que me amasse. Aparentemente, não. Só porque algumas coisas não saíram como o planejado você recua?

- Algumas coisas não saíram como o planejado? Você morreu, pelo amor de Deus! Harry está ao ponto de ser assassinado. A cabeça dele vale dez mil galeões! Faço isso porque te amo como toda a minha alma! Acha que isso não dói em mim também?

- Isso não vai consertar nada! Nunca! Já está feito! Será que não entende que não me arrependo?

- Você não SABE! – gritou James sentando-se, seu corpo inteiro protestou, mas ele ignorou. Lily recuou um pouco – Não quero ser o causador da sua infelicidade! Não foi pra isso que me casei com você!

Lily se sentia um pouco tonta. Ela não estava ouvindo aquilo.

- Acho que você só quer uma desculpa para se separar de mim – concluiu a ruiva mais calmamente.

James apoiou a cabeça na parede, suspirando. Lágrimas silenciosas escorriam pela sua face. As palavras de Voldemort rodavam sua mente como moscas em um banquete de carniça.

- Não vamos no divorciar – falou com a voz mais firme possível – Mas quero que entenda uma coisa. Estou consciente da bagunça que fiz na sua vida, e você sempre terá o direito de ir embora. Quando quiser. Não quero que se sinta presa à mim. Não sou um cárcere, só estou apaixonado por você, e essa é a coisa mais perigosa que poderia ter feito a você.

- Obrigada pela sua permissão – disse Lily tentando conter o sarcasmo – Mas acho que não vou desistir de você. E se não está acreditando que te amo, não me importo de passar todos os dias da minha vida tentando te convencer.

A ruiva se aproximou e beijou os lábios de James suavemente.

- Agora, descanse. Emelina vai trazer alguma coisa pra você – ela recuou – Vou trocar as bandagens de Harry, por algum motivo seus cortes não estão curando com tanta rapidez – e então Lily saiu do quarto.

OOOOOOOOOOOOOOOOOO

O clima na casa estava tenso, aparentemente todos escutaram a briga dos Potter, e ninguém sabia bem como agir perto deles. Talvez fingir que nada tinha acontecido? Era o que Lily estava fazendo, pelo menos. A moça tinha mais coisas para pensar do que na loucura temporária no marido. Harry a cada dia que passava ficava mais e mais pálido, e a ruiva já não tinha idéia do que fazer. O garoto não parava de perder sangue, seus cortes saravam, só para abrirem novamente dali algumas horas. Ele tinha que tomar uma poção de reposição de sangue três vezes por dia, e o estoque de ingredientes de Tia Muriel já estava acabando.

Harry, uma semana depois, se encontrava deitado em uma cama de armar ao lado de Olivaras. Ao passo que o fabricante de varinha recuperava a saúde, ele perdia a dele. Mal tinha forças para levantar, pois cada vez que fazia isso uma tontura forte o atacava.

Dumbledore e Lily conversavam a poucos passos do garoto.

- Só existe uma pessoa que pode curar Harry. E você sabe quem é. – dizia o diretor.

- Não confio nele. Não vou deixar Snape encostar um só dedo no meu filho.

- Lily, seja racional, por favor. Severus trabalha para mim, e confio a minha vida a ele. Nunca ousaria machucar Harry.

- Talvez ele seja leal a você, mas não ao meu filho.

- Prefere que Harry morra? Porque você sabe que é isso que vai acontecer se não deixar Severus ajudá-lo.

A ruiva se silenciou, aflita. Seu olhar caiu sobre o filho, que tinha olheiras pretas de baixo dos olhos e os lábios pálidos.

- Ele tem que tomar a poção de novo – suspirou – É o último frasco que temos. Preciso sair e encontrar mais ingredientes.

- Lily, não mude de assunto. Se você não permitir a ajuda de Snape, vou pedi-la mesmo sem o seu consentimento. Não vou arriscar a vida dele. Isso não é um jogo.

- Não acho que seja! – sibilou irritada – Ok, faça como achar melhor, mas se algo acontecer ao meu filho, você vai se arrepender.

A ruiva sabia que era uma ameaça inútil, o que poderia fazer contra Dumbledore, o bruxo mais poderoso de todos os tempos? Porém, ela gostaria que ele percebesse que morreria tentando.

- Como vai chamar Snape?

- Creio que a essa altura ele já desconfia que estou de volta. Meu quadro em Hogwarts deve estar vazio, e ele obviamente te viu na masmorra dos Malfoy, então não deve se surpreender com um patrono meu, não é?

- Provavelmente – retrucou Lily, azeda. – Vou sair para buscar ingredientes.

- Não vou te impedir de ir – avisou Dumbledore – porque sei que você iria mesmo sem minha permissão, mas, por favor, tome cuidado.

- Não diga a James que sai.

- Só se ele perguntar – complementou o diretor, ignorando os protestos da ruiva. – Volte em duas horas, ou vou concluir que te pegaram.

OOOOOOOOOOOOOOOO

Lily apareceu na rua de pedra do Beco Diagonal, quem a olhasse não reconheceria tão facilmente, afinal mudara alguns aspectos de sua aparência. Seus cabelos estavam curtos e castanhos, e seu rosto gordinho. Ela trocara a cor dos olhos para um azul discreto, ao invés dos verdes vivos que costumava ter, e escurecera um pouco a pele.

No todo, parecia uma bruxa comum, fazendo nada mais que o comum, em uma rua comum. Ou pelo menos, o mais normal que alguém conseguisse fazer em um lugar como o Beco Diagonal. Ela tinha certeza que Petúnia continuaria escandalizada com tudo aquilo.

Andou o mais tranqüilamente possível, tentando não aparentar medo. Aproveitou para analisar o estado do lugar. Quanta coisa havia mudado! A maioria das lojas estava lacrada com tábuas, cada uma por motivos diversos. Algumas estavam com marcas enegrecidas de fogo, outras com vidros quebrados e outras com que parecia ser sangue seco grudado nas paredes. Lily estremeceu internamente. Para todo lado, nos muros, havia fotos de Harry, oferecendo sua cabeça a prêmio.

Dez mil galeões, James dissera. Ele estava errado. Agora eram trinta mil.

As poucas pessoas na rua caminhavam com pressa. Elas lançavam olhares desconfiados a Lily, não era muito comum encontrar gente desacompanhada. Geralmente isso era sinônimo de Comensal da Morte.

Sem perder mais um minuto, a ruiva (agora morena), entrou no Boticário. A loja estava vazia, exceto pelo vendedor, um homem miúdo e muito feio. A moça passou a mão de leve pelo bolso da jaqueta para se certificar que o dinheiro que Molly Weasley lhe havia emprestado ainda estava ali. Ela se aproximou do balcão. Conhecia aquele velho, o nome dele era Benjamin Silvergrass. A primeira vez que o viu foi no ano em que entrou para Hogwarts. Ele estava tão mudado! Tão infeliz. Não era surpresa.

Benjamin olhou para ela, apreensivo, mas não a reconheceu.

- Precisa da minha ajuda, senhora?

- Bem, sim – respondeu Lily, que mudara a voz também, para soar mais aguda. Ela falou a lista de ingredientes.

- Só um momento – ele entrou por uma portinha detrás do balcão.

Lily esperou impaciente. Alguns minutos passaram e então ela escutou uma gargalhada cruel do lado de fora. Ela virou-se rapidamente para ver quem era, sua mão segurando a varinha preparada.

Bellatrix Lestrange.

A Comensal estava de costas para ela, conversando com algum outro seguidor, que a moça não reconheceu. Lily se escondeu atrás de uma prateleira, com o coração disparado.

Como ela iria sair agora? Não pegara a capa da invisibilidade de Harry!

- Pronto, senhora – falou Benjamin colocando uma sacola com os potes na bancada. Ele congelou, vendo Bellatrix do lado de fora – Cinco galões e três nuques – apressou-se em dizer – Pode deixar ai em cima, tenha um bom dia! – sussurrou entrando pela portinha de novo e sumindo de vista.

Lily foi lentamente até o balcão, olhando por cima do ombro e rezando para que Bellatrix não a visse através da vitrine. Deixou dinheiro e pegou a sacola. Ela voltou para trás da prateleira e vigiou a Comensal. O parceiro dela se afastou deixando-a sozinha.

A ruiva se lembrava de algo que a outra havia dito enquanto estava na Mansão Malfoy.

Mas por que o Lorde se importa tanto com essa taça? Até compreendo a espada, pertenceu à Godric Gryffindor e tem muito valor... Se o Lorde quisesse poderia forçar Gringotes a abrir um cofre para ele. Por que guardar os objetos no meu?

A espada estava com Dumbledore, mas por que Bellatrix pensava que ela estava em seu cofre? E que taça era essa que Voldemort queria tão bem protegida? Evidentemente, Lestrange estava ali para verificar se os objetos estavam em segurança.

Então, Lily teve uma idéia ousada, digna dos marotos.

A Comensal começou a andar na direção do banco, a ruiva saiu da loja e a seguiu deixando uma boa distância entre elas. Lily sacou a varinha discretamente, entrou em um beco, ainda podendo vigiar a bruxa.

- Accio!

-Ai! – exclamou Bellatrix levando a mão na cabeça.

A Comensal virou-se para achar seu agressor, mas não vendo ninguém, adentrou o banco. Havia dois bruxos postados ao lado das pesadas portas de Gringotes, segurando o que pareciam varas metálicas. Eles cumprimentaram Bellatrix, que os ignorou, e voltaram a suas posições.

Lily pegou os fios de cabelo de Lestrange e os guardou no bolso. Agora tinha que esperar. Olhou para o relógio de pulso, preocupada. Tinha uma hora para voltar. Esperava que desse tempo. Ela notou que os guardas do banco passavam aqueles instrumentos perto dos clientes, como um se aquilo fosse um detector. Do quê, ela não tinha idéia. Obviamente, eles não ousaram fazer isso quando Bellatrix entrou.

Lily já estava achando que Lestrange não voltaria mais, quando, finalmente a bruxa saiu de Gringotes. Ela estampava um olhar de satisfação. Os objetos não foram removidos. Isso era um bom sinal para a ruiva também.

Agora era a parte difícil do jogo.

- Accio! – murmurou rezando para que Bellatrix não percebesse.

Uma pequena coisa dourada, saiu lentamente do casaco da Comensal, mas ela caminhava com tanta pressa que não notou. A chave do cofre de Bellatrix Lestrange pousou na mão de Lily. Rapidamente, a ruiva produziu uma réplica, e com a varinha mandou a falsa para bolso da outra bruxa. No momento em que a cópia da chave pousou, a Comensal desaparatou.

Lily suspirou aliviada, não contendo um sorriso triunfante no rosto.

Quando ela percebesse, seria tarde demais.

OOOOOOOOOOOOOOOOO

Só quando Lily chegou na casa de Muriel, que se sentiu realmente segura. Mal abriu a porta e James avançou nela.

- Onde estava? Quer me matar do coração? Dumbledore disse que você foi comprar ingredientes. Onde? Não me diga que entrou no Beco Diagonal. Faz duas horas e meia que você saiu!

A ruiva (que voltara a ser ruiva) fechou a porta com cuidado. Todos os olhos na sala estavam sobre ela.

- Consegui a chave do cofre de Bellatrix Lestrange. – declarou.

Um silêncio baixou no ambiente, não havia uma só pessoa que não estivesse chocada.

- Você o que? – Sirius perguntou.

Ao lado dele estava, para a surpresa de Lily, Remus e uma moça gordinha de cabelos roxos que ela não conhecia.

- Você voltou! – exclamou feliz.

- Nem mude de assunto – repreendeu James – Você fala com eles mais tarde. A chave do cofre de Bellatrix? É sério? Como você fez isso.

Em poucas palavras a ruiva narrou sua pequena aventura.

- Não sei que taça é essa, mas é muito importante para Você-Sabe-Quem.

Dumbledore a encarou com os olhos brilhantes.

- Foi muito sagaz da sua parte, Lily. Onde está o cabelo dela? Vamos precisar escolher alguém para se disfarçar de Bellatrix.

- Eu posso ir – ofereceu a ruiva, entregando o punhadinho de fios ao diretor.

- Não, já fez o suficiente - repreendeu James.

- Eu vou – Marlene se levantou de onde estava.

- Nem pensar – falou Sirius fazendo-a se sentar de novo no sofá.

- Não vai conseguir me proibir. Vou e pronto.

- Então, está decidido! – exclamou Dumbledore ignorando os protestos de Black. – Depois de amanhã, Marlene vai até Gringotes. Temos tudo que precisamos.

James se recostou contra a parede, tinha a impressão que a taça que Lily falara era a mesma que Dumbledore dissera ser uma possível Horcrux. Só podia ser.

- Pretendo retomar Hogwarts antes do fim da semana – anunciou o diretor.

- Mas como? – perguntou Beijo Fenwick espantado – Não temos um plano.

- Ah, temos Severus Snape – respondeu Dumbledore calmamente – A única coisa que ele precisa fazer é abrir os portões para passarmos. Segundo Fred e Jorge Weasley, não há muito Comensais dentro do castelo, e creio que será fácil dominá-los.

- E se eles chamarem reforços? – contrapôs Carátaco Dearborn.

- Uma vez que eu esteja dentro da escola, não ousarão entrar mais.

James bufou.

- Você confia demais em Snape. E não sabe se irão recuar quando virem você.

- Não vou discutir sobre Snape. – retrucou Dumbledore parecendo impaciente – Quanto aos Comensais, sempre foi assim, e agora que voltei temerão ainda mais. Essa é a oportunidade para reconquistar Hogwarts e salvar os alunos. Quando teremos outra? Não podemos deixar essa chance escapar. É uma questão de tempo para que descubram que voltei e aumentem a segurança. E ai será quase impossível. Quando voltar a diretoria do colégio, planejo me revelar para o resto da população bruxa.

- Não acho que vão acreditar que é você – rebateu James – Afinal todo mundo pensa que é impossível voltar a vida.

- Só Dumbledore tem poder suficiente para tomar Hogwarts de Voldemort, não vão precisar de mais nenhuma prova – falou Lily.

- Com isso a população se sentirá estimulada a reagir – disse Remus – É disso que precisam, porque perderam a fé quanto Dumbledore morreu.

- Ao menos que tenham outra idéia. – instigou o diretor.

- Não – responderam.

- Então será do meu jeito.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Remus abraçou a ruiva.

- É bom revê-la.

- Estava com saudades, onde esteve?

- A família de Dora estava sendo perseguida pelos Comensais, precisei ajudá-los se esconder.

Lily franziu o cenho.

- Quem é Dora?

A moça gordinha de cabelos roxos se aproximou sorrindo animadamente.

- Prazer em conhecê-la!

A ruiva notou que Dora não era gordinha coisa nenhuma, ela estava grávida.

- O nome dela é Nymphadora Tonks – disse Remus passando o braço pelos ombros da moça.

A mãe de Harry lentamente começou a juntar as peças.

- Não me chame de Nymphadora! – reclamou a outra – É só Tonks. Sou a esposa de Remus.

- Oh, meu Merlin! – ofegou Lily, chocada – Você casou? Por que não disse antes?

- Também não acreditamos quando ele nos contou – falou James sorrindo .

- Vamos ter um Baby Moony! – exclamou Sirius afagando a barriga de Tonks.

- Parabéns! – falou Lily animada.

- Não falei nada antes, porque tive medo que me julgassem – explicou Lupin sem graça. – Vocês sabem da minha condição... e bom...

- Acho maravilhoso e você está sendo ridículo – a ruiva disse sorrindo.

- Isso é o que venho dizendo a ele desde que nos casamos. – Tonks balançou a cabeça em reprovação, mas logo voltou a sorrir. – Não sei ainda se é menino ou menina, vou esperar ver quando nascer.

- Isso vai ser uma cena agradável – disse Sirius com sarcasmo.

- Foi um prazer conhecê-la – repetiu Lily parecendo séria de repente – Tenho que preparar a poção de Harry, logo ele precisará tomá-la.

Ela se despediu e foi até o quarto onde o filho estava deitado. Ao abrir a porta se deparou com Ginny sentada ao lado dele. A garota estava pálida e cansada, era como se estivesse adoecendo com Harry.

- Dumbledore disse que Snape vai vir depois do toque de recolher em Hogwarts. – falou a jovem – Espero que ele saiba o que está fazendo.

- Eu também – Lily suspirou – Severus é um bruxo competente vai dar tudo certo. – ela passou a mão na cabeça da garota.

OOOOOOOOOOOOOOO

As estrelas apareceram no céu como purpurina. O ar estava anormalmente gelado, e a brisa farfalhava as folhas das árvores sombriamente. O movimento na casa cessou gradualmente assim que um por um os membros da Ordem da Fênix entravam em seus sacos de dormir e caiam no sono.

Dumbledore estava de pé tranquilamente no jardim escuro, com suas longas vestes ondulando hipnoticamente. Uma sombra apareceu perto do portão da propriedade, a medida que esta se aproximava, o diretor reconheceu a forma alta de Snape.

O bruxo parou a poucos metros de Dumbledore, seus olhos negros tinham um brilho próprio, encontrando seu espaço na escuridão.

- Você voltou mesmo – falou com toque de alívio.

- Bom, vê-lo de novo, Severus. Você parece bem.

- Onde está o garoto?

- Sempre direto – o diretor sorriu bondosamente, mas Snape estava espantado demais para retribuir. – Me acompanhe.

- Isso é surreal.

- Bem vindo ao mundo da magia.

Dando meia volta, Dumbledore entrou na casa. Os dois bruxos caminharam cuidadosamente, evitando pisar nas pessoas deitadas no chão. Silenciosamente, o diretor abriu a porta do quarto de Harry.

Uma única vela brilhava no aposento, criando sombras diversas pelas paredes. No lado oposto a porta estava o garoto, imóvel. Lily estava sentada ao seu lado afagando os cabelos do filho. Ela levantou a cabeça ao perceber a movimentação e congelou.

Snape encarou a mulher, tentando conter seu fascínio. Lily estava bem ali a sua frente, respirando.

- Vamos, Lily – disse Dumbledore baixinho.

Ela ficou de pé e sem um segundo olhar a Snape caminhou em direção a porta. Mas ele segurou seu braço delicadamente. A moça virou-se indignada.

- Ele vai ficar bem – prometeu Severus.

Por um segundo, os olhos verdes de Lily brilharam, como uma emoção que o bruxo não sabia definir, porém, logo desapareceu e a moça recuperou a postura fria de antes.

- É bom que fique mesmo. – com um movimento brusco ela saiu do quarto.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Ela não o viu ir embora, Snape não tentou se despedir. Seu coração ardia com culpa, ele lhe fizera um favor e Lily o tratara muito mal.

No dia seguinte, Harry estava surpreendentemente melhor, ao ponto de conseguir sentar-se na cama, mas isso não fazia a ruiva se sentir melhor. Tinha uma dívida com Severus.

Talvez as pessoas estivessem mais animadas com a recuperação de Harry, mas o clima estava tenso por conta da missão de Marlene no dia seguinte. Sirius estava insuportável, implicando com tudo e todos. A verdade era que ele estava morrendo de medo que McKinnon se machucasse e não conseguia convencê-la a desistir. Não tinha jeito. Ela iria e pronto.

Marlene se sentou em um banquinho de pedra que havia no jardim, ela estava assustada também, ninguém nunca roubara Gringotes e a probabilidade de que saísse com vida era quase nula. Ela jogou os longos cabelos negros para trás, era uma mania que tinha quando estava ansiosa; e fechou os olhos, respirando profundamente. Só voltou a abri-los quando sentiu seus lábios serem pressionados por outra boca. Sirius se afastou, sentando ao lado dela.

- Vou com você amanhã, James vai me emprestar a capa. Quero estar lá, para ter certeza de que você está bem

Marlene não se opôs, simplesmente sorriu.

- Você sabe que não sou uma donzela indefesa, mas admito que vou precisar de ajuda.

- Quem melhor que um maroto para fazer o serviço? – ele riu.

Era impressionante o quanto Sirius recupera da aparência anterior. É claro que agora já não era tão jovem, estava beirando os trinta e oito anos, mas ainda tinha o mesmo charme que causara tantos suspiros em Hogwarts. Marlene tinha que admitir que achava isso meio estranho. Quando Xenofílio recuperara seu corpo ela voltara a ter a mesma aparência de quando morrera. Ou seja, dezenove anos, mesmo tendo trinta e sete. Era só alguns meses mais nova que Sirius, e ele, porém, tinha o corpo de alguém na casa dos trinta e poucos.

Era como se estivesse saindo com um professor muito bonito.

Sirius estava mirando-a de um jeito estranho.

- Que foi? – ela perguntou.

- É... Só que... precisamos conversar.

- Pode falar, estamos sozinhos – incentivou curiosa.

- Isso não está bem do jeito que eu tinha planejado – confessou o maroto corando.

Marlene o encarou, interessada. Sirius nunca corava.

Nunca.

- Marlene, eu te amo, de verdade. Por todos esses anos não consegui tirar você da minha cabeça, porque para mim só existia você, e se você não estivesse aqui comigo, ninguém mais deveria ocupar esse lugar.

- Sirius, - a morena sorriu abertamente - eu amo você também, apesar de você ser meio difícil as vezes – ela riu.

- Marlene, já fui parar em Askaban por doze anos, sou um Black, politicamente incorreto, animago ilegal e um maroto. Mesmo assim, você quer se casar comigo?

OOOOOOOOOOOOOOOO

O hall de Gringotes era quase tão grande quanto o Salão Principal de Hogwarts. Centenas de duendes, com cara de poucos amigos, se espalhavam pelas enormes bancadas de mármore. Um silêncio temeroso baixou quando Bellatrix entrou, batendo seus saltos contra o piso polido.

- Quero entrar no meu cofre – exigiu para o primeiro duende que encontrou vago.

Os olhos de dele ficaram do tamanho de duas bolas de tênis.

- Claro, madame. Você está com a chave?

Sem dizer uma palavra a bruxa sacou o pequeno objeto dourado do bolso e entregou a ele. Este o analisou com o cuidado de quem já fazia isso anos.

- Muito bem – o duende virou-se na cadeira – Prego! – chamou.

Outro duende que estava parado ao lado de uma enorme porta levantou a cabeça.

- Merlin, vocês são todos iguais? – criticou Bellatrix.

Um brilho de raiva passou pelos olhos do pequeno ser.

- Não, Madame Lestrange. Prego irá conduzi-la ao cofre. – ele entregou a chave ao colega.

Empinando a cabeça Bellatrix seguiu o duende.

OOOOOOOOOOOOOOOO

Aqueles carrinhos sempre lhe deram enjôo, não que fosse admitir a alguém. Eles penetravam cada vez mais fundo no banco, causando uma onda de ansiedade em Marlene. Entrar fora fácil, e agora, como iria sair? O tempo da poção Polissuco estava esgotando.

Uma cachoeira caia sobre o trilho...

- Ah, merda! – murmurou a bruxa quando reconheceu aquilo.

Tarde demais. O carrinho foi jogado para fora do trilho ao passar pelo feitiço. Prego, Marlene e Sirius caíram estatelados nas pedras. Uma buzina começou a tocar pelos túneis.

- Vocês são impostores! – gritou o duende irritado – Aqui! Aqui! Ajudem! – berrou.

- Não! Cale a Boca! – Sirius pôs a mão na boca dele.

Marlene guardou a capa da invisibilidade no bolso.

- Imperio! – imediatamente os olhos de Prego ficaram desfocados. – Abra o cofre, pegue a taça e a espada. Rápido!

O duende disparou na frente deles, seguindo as instruções da bruxa. Eles podiam escutar o barulho dos seguranças se aproximando. Marlene e Sirius correram atrás de Prego. Em menos de dois minutos chegaram ao lugar e não gostaram nada do que viram. Um dragão estava na frente do cofre, ele rugiu nervoso.

- Ah, meu Merlin, vamos morrer! – gritou a bruxa.

- Calma, – falou Sirius com o coração a mil – olhe.

Prego pegou dois pedaços de metal e batia um contra o outro, o dragão recuou, ele tinha as patas presas por correntes. O duende abriu o cofre e entrou. Marlene tirou a capa da invisibilidade do bolso e a passou por cima dela mesma e Sirius. O barulho dos seguranças aumentou, eles estavam muito próximos, em poucos minutos estariam ali.

Prego saiu do cofre carregando a taça e a espada. Marlene saiu de baixo da capa, pegou os objetos e entrou debaixo dela novamente.

- Tire a gente daqui sem que nos vejam.

O duende começou a andar pelo túnel, fazendo o caminho inverso, mas mal deram alguns passos e encontraram os guardas.

- Prego, – chamaram – onde estão os impostores?

O duende apontou para o dragão.

- Foram devorados. Alguém não alimentou o animal.

- Devorados? – perguntou um deles, pela postura podia-se deduzir que era o chefe. – A porta do cofre dos Lestrange está aberta!

- Eles lançaram uma Maldição Imperdoável em mim, – explicou Prego parecendo aflito – mas parou de funcionar quando foram devorados.

Alguns duendes comemoraram.

- Eles levaram alguma coisa?

- Não, senhor. Não deu tempo.

- Muito bem – consentiu o chefe. – Vamos voltar.

Marlene e Sirius contiveram um suspiro de alívio.

O trilho ao lado do que vieram, não tinha cachoeira, afinal, todos concluíam que não havia necessidade de segurança na volta, porque o inimigo nunca voltava vivo. Os duendes subiram em alguns carrinhos parados mais a frente, Prego pegou um para si e Marlene e Sirius subiram com ele. Em poucos minutos, os bruxos estavam fora do banco, eles aparataram logo em seguida. Só quando entraram na casa de Muriel de novo que ousaram falar.

Não podiam acreditar no que haviam feito. Sirius tirou a capa e gritou para as pessoas na sala.

- Adivinhem que roubou pela primeira vez Gringotes?

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Harry estava comemorando com todo mundo, rindo. Eles acharam mais uma Horcrux! Dumbledore, na hora em que Marlene entrou, pegou a taça e a guardou sabe-se onde. Iria esperar para poder falar com o diretor, tinham que planejar como destruir aquilo...

Sua cicatriz queimou, Harry fechou os olhos instintivamente. Não podia gritar. Abriu as pálpebras de novo tentando parecer tranqüilo, mas já não estava mais na sala de Muriel. Harry se encontrava parado em uma espécie de casebre. Bellatrix estava a poucos metros dele, pálida. Um pequeno duende estava ajoelhado a sua frente.

- Milorde, os invasores foram devorados pelo dragão de segurança...

- O que eles pegaram? – Lestrange falou em um tom lento e apreensivo.

- Um de nossos funcionários disse que não haviam roubado nada, mas...

- Mas? – rugiu Harry com a voz fria e impiedosa.

- Mas depois de alguns minutos ele pareceu despertar... como se estivesse sob uma Maldição Imperdoável. E... e... e... pegaram uma taça e uma espada do cofre.

Bellatrix gritou horrorizada, mas Voldemort permaneceu em silêncio.

Haviam descoberto seu segredo, isso era irrefutável.

- Quem? Diga duende imundo! – berrou a bruxa perdendo o controle.

- Uma moça de cabelos escuros, foi o que disse Prego, e... ele jura que é verdade, duvido muito, mas disse que Sirius Black estava com ela!

Voldemort recuou um passo, espantado. Um raio verde saiu de sua varinha e o duende caiu morto.

Como Black poderia ter descoberto isso? Isso tinha cheiro de Harry Potter.

Se ele sabe sobre a taça, talvez saiba das outras!

Teria que verificar por si mesmo. Onde iria primeiro? No lago ou na casa? Talvez Hogwarts fosse melhor, não. A casa era a melhor opção.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Harry abriu os olhos, preocupado. Hermione e Ron estavam ao seu lado observando-o, alertas. As outras pessoas na sala não haviam percebido nada.

- A outra horcrux está em Hogwarts, Você-Sabe-Quem vai primeiro na casa dos Gunt, mas o castelo pode ser que sua próxima parada.

- Ah, meu Deus – ofegou Hermione – Precisamos avisar Dumbledore imediatamente!

O trio se levantou e se aproximou do diretor, que conversava Emelina Vance.

- Professor... – falaram com urgência.

Ele os mirou com seus olhos azuis e imediatamente ficou em pé.

- O que aconteceu?

- Você-Sabe-Quem vai invadir Hogwarts – falou Harry, todos se silenciaram para escutar a conversa. – Hoje.

Os membros da Ordem ofegaram.

- Quanto tempo temos?

- Uma hora. Talvez uma hora e meia se tivermos sorte.

Dumbledore se voltou para os outros.

- Vocês sabem o que fazer. Chegou a hora.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

N/A: Ok, esse foi um capítulo muito frustrante para James.

Eu tinha dito que dois personagens iriam morrer. E vão. Mas resolvi cortar esse capítulo, porque essa fanfiction está chegando no final e queria prolongá-la um pouquinho.

Espero que tenham gostado bastante! Especialmente do pedido de casamento de Sirius :) A Marlene e o Padfoot não são perfeitos?

Fiquei muito feliz com as reviews que recebi e vou ficar aguardando os próximos comentários.

Para a fan que pediu o retorno de Remus, ai está! Aeeeee! (Não foi muito expressivo. Ainda)

Até o próximo capítulo...

Se preparem porque dependendo do tamanho que ele ficar, vai ser o último! Omg. Não quero parar de escrever essa fic, mas está chegando a hora.

=(

Beeeijos,

Aggie.