Lion aparatou comigo em um corredor deserto de Hogwarts e após meus agradecimentos o elfo curvou-se e desapareceu.

Fiquei descalça para que durante meu trajeto até as masmorras não fizesse ruído algum. Segui pelos corredores e o silencio e a calmaria da noite fez com que eu me perdesse em meu pensamentos embaralhados, e tal distração fez com que eu me sobressaltasse quando alguém vindo sabe-se lá de onde tocou meu ombro esquerdo. Virei-me para ver de quem se tratava e para meu enorme desagrado era Dolores Umbridge...

- Sim? – Falei encarando a mulher a minha frente, que mais parecia uma sapa velha, gorda e com verdadeira adoração pelos diferentes tons de rosa.

- A senhorita poderia me dizer, por onde andou o dia todo? – Disse ela me lançando um daqueles falsos sorrisos que me davam náuseas.

Eu suspirei e contei até mil para evitar uma explosão.

- Com todo respeito... Eu achei que estivesse livre de tais interrogatórios que a meu ver são completamente inúteis! Vale lembrar que não sou um de seus alunos e também não sou uma professora, portanto onde ando ou deixo de andar não é da sua conta. – Falei calmamente e pude ver a fúria crescer nos olhos de Umbridge. – Agora se me der licença vou para os meus aposentos, estou realmente exausta. – Falei dando as costas a ela e pude ouvi-la bufar.

- Como se atreve sua, sua... – Esbravejou ela quando eu já estava um pouco distante.

- Boa noite! – Falei virando no corredor a direita.

Quando finalmente estava em meus aposentos comecei a rir sozinha apenas com a ideia de ter irritado profundamente Dolores Umbridge, isso fazia com que eu me sentisse no mínimo alegre. Talvez eu tivesse arranjado problemas com isso, mas e daí? O que ela poderia fazer contra mim?

Tomei um rápido banho e me preparei para dormir, apagando as luzes e a lareira do escritório e levei comigo para o quarto uma xícara de chá de maçã e um livro novo de poções. Tomei um gole do chá e depositei a xícara sobre o criado mudo ao lado da cama. Fiz com que as luzes e o fogo da lareira diminuíssem e me acomodei confortavelmente debaixo das pesadas cobertas.

Tomei meu chá enquanto folhava o livro em minhas mãos. Eu não conseguia ler, estava cansada demais para isso. Larguei a xícara e o livro sobre o criado mudo e me livrei de um dos travesseiros que me mantinha sentada, o quarto se tornou escuro e adormeci quase que instantaneamente.


Eu estava em Hogwarts, mas não era a Hogwarts atual e sim a dos tempos de escola de Lilian Evans.

Eu estava indo até o lago, então em um piscar de olhos eu já estava lá abaixada perto da água observando meu próprio reflexo, e foi quando ela apareceu trajando um vestido rosa e dourado.

Lily sorria para mim, e eu congelei naquele exato momento.

As imagens do que seria a morte dela vieram em minha mente e instantaneamente comecei a chorar.

Coloquei minhas mãos sobre meu rosto, e senti a mão dela em meus cabelos.

- Me perdoe Lily, me perdoe. – Falei entre soluços.

Pude sentir quando ela se abaixou e ficou ao meu lado. Era tão estranho, eu podia sentir o perfume dela.

Lily tirou minhas mãos do meu rosto me fazendo encara-la e então ouvi sua voz clara como o dia.

- Seja forte, concentre-se. Uma grande batalha está a caminho. – Disse ela tornando sua expressão seria. – Eu a perdoo, e estou feliz que você esteja ao lado de Harry. Ele precisa de você. – Lilian acariciou meu rosto e depois foi como se eu estivesse caindo em um abismo e a imagem de Lily se desfez.

E no momento seguinte eu despertei como se tivesse acabado de sair do fundo de um lago. O ar me faltava, eu parecia estar em chamas e suava muito. O quarto estava completamente escuro e eu demorei algum tempo para me recompor e só então percebi que alguém segurava minha mão. Fiquei estática e assustada por ter alguém em meu quarto, mas quando a lareira foi acesa e o rosto de Severo Snape surgiu bem ao meu lado, tudo foi substituído por uma grande gratidão e alivio por não estar sozinha na escuridão. Eu estava feliz por ser ele, feliz por ele ainda estar ali.

E por mais estranho que tudo aquilo fosse, Severo Snape fez com que eu me sentisse protegida.

- Eu a ouvi gritar. – Disse ele suavemente e com uma expressão indecifrável em seu rosto. Seu olhar expressava uma certa preocupação e a principio ele não me pareceu muito bem, estava com olheiras e pálido demais. Parecia diferente daquele Snape que eu costumava conhecer.

- Desculpe se o acordei Professor. – Falei um pouco sem graça. – Está se sentindo bem? – Falei fitando-o. Ele desviou o olhar e saiu de perto de mim de um jeito um tanto quanto grosseiro. E nesse exato momento ele já não era o mesmo de alguns segundos atrás. Ao que tudo indicava eu jamais veria Severo Snape agir com o mínimo de gentileza novamente. - Obrigada! – E mesmo que ele tivesse ignorado minha pergunta eu o agradeci.

- Pelo que? – Disse ele friamente, parando a poucos passos da porta e ainda sem me encarar.

- Por estar aqui quando acordei. – Snape saiu sem dizer nenhuma palavra, o que já era de se esperar. Mas eu estava realmente grata por ele ter estado aqui esta noite, mesmo sendo um tremendo mal-humorado e muitas vezes um trasgo, ele tinha sido a luz que havia me tirado das trevas. Mesmo que apenas por essa noite.


Severo On.

Eu não fazia ideia e que horas eram, estava trancado em meu quarto do mesmo modo que passei o resto do dia após minha ida ao cemitério, com um copo de whisky de fogo e a caixa com algumas coisas de Lily ao meu lado.

Eu ainda estava me perguntando quem eram aqueles dois que haviam estado mais cedo no tumulo de Lily. Eles haviam deixado um buquê de Lirios, algo que nunca tinha acontecido em todos estes anos.

E quando eu estava quase adormecendo um grito me despertou. Eu saltei de onde estava deitado, peguei minha varinha e rapidamente sai dos meus aposentos. Quando o grito apareceu pela segunda vez percebi que vinha do escritório a frente do meu. Era Emily... Droga!

Entrei na porta a minha frente sem nenhuma dificuldade e me deparei com o escritório totalmente escuro.

- Lumus! – A ponta da minha varinha acendeu e iluminou parte do ambiente.

Aqui estava eu prestes a ficar frente a frente com aquela que havia me tirado o sono nos últimos dias.

Os olhos dela me assombravam, a voz dela me causava calafrios... Tudo nela era familiar demais.

Por ironia do que muitos chamam de destino eu estava aqui, a poucos passos da porta que me separava de Emily Levine.

Eu havia jurado para mim mesmo manter o máximo de distancia possível, mas com apenas um grito ela me trouxe até aqui.

Eu amaldiçoava Dumbledore por tê-la colocado em meu caminho e por se recusar a tira-la de perto de mim. Maldita seja a hora em que essa garota apareceu!

Eu estava pronto para voltar pelo mesmo caminho que havia vindo quando ela gritou novamente e sem pensar duas vezes eu invadi seu quarto. Logo depois eu desejei voltar atrás quando a encontrei naquele estado.

Emily estava quase ensopada, os cobertores cobriam apenas as pernas e ela estava inquieta.

Corri para seu lado e tentei despertá-la de todas as formas possíveis, mas tudo parecia inútil.

- Levine? – Toquei de leve em seu rosto, ela estava gelada. A essa altura eu estava preocupado e desesperado para acorda-la, mas ela não atendia ao meu chamado. - Emily? Droga Levine! Acorde, vamos! - Segurei sua mão para uma ultima tentativa, caso não desse certo eu chamaria por Dumbledore. E como houvesse levado algum tipo de choque ela sentou-se na cama.

Estava ofegante, minha varinha havia se apagado, mas mesmo na escuridão pude ver que seus olhos estavam... Violeta.

Eles pareciam brilhar na escuridão e eu não consegui parar de encara-la.

Mas afinal o que era aquilo?

Após algum tempo a respiração se normalizou, e ela me pareceu bem.

Ela se voltou para mim um pouco assustada e só quando ela puxou sua mão eu percebi que ainda a segurava.

Acenei a varinha e fiz com que a lareira ascendesse e quando ela iluminou tudo, os olhos de Emily eram de um verde azulado, como sempre fora. E agora ela estava sorrindo para mim. Por Merlin! Era loucura demais para uma noite só. Eu havia bebido demais, essa era a única explicação.

- Eu a ouvi gritar. – E em meio a tantos pensamentos e tanta confusão, isso foi tudo o que consegui dizer.

- Desculpe se o acordei Professor. – Disse ela suavemente. – Está se sentindo bem? – Ela ainda era gentil, mesmo quando eu havia invadido seu quarto no meio da noite. Eu evitei encara-la nos olhos e sai de perto dela o mais rápido que pude. Droga! Por que ela fazia isso? Era gentileza demais e isso me perturbava por me fazer lembrar de Lilian.

Ela jamais seria Lily, nem em mil anos, mas algo nela me chamava a atenção... Não era a aparência, era algo mais profundo.

Se eu fechasse meus olhos podia sentir Lilian ao meu lado. - Obrigada! – Ela me fez parar com apenas uma palavra.

Porque ela estava me agradecendo?

- Pelo que? – Perguntei friamente, eu não a encarei, mantive erguida as barreiras que me mantinham protegidos daquilo tudo. Vesti novamente a armadura que me mantinha seguro.

- Por estar aqui quando acordei. – Eu não respondi, apenas caminhei com uma enorme rapidez para meus aposentos, onde a presença daquela garota estava distante.

Tomei um gole da poção que me faria dormir, programei um despertador para as 6:00 horas e me deitei em minha cama, onde ao meu lado eu havia colocado uma foto de Lily. Adormeci instantaneamente e sem sonhos.

Apenas por esta noite Lilian e Emily se manteriam distantes dos meus pensamentos.


N/A

Olá!
Espero que este esteja bom, estou começando a achar não sou muito boa nisso ):
Usei a musica Only if for a night da banda Florence + The Machine como inspiração *-* (Sou apaixonada por essa banda)
Mil perdões pelos erros, Vic simplesmente sumiu do mapa D:
Obrigada pelas Reviews *-*
Capitulo novo em breve, se eu conseguir posto antes do natal \O/
Zilhões de beijos ;*