NOTAS INICIAIS: Olá mais uma vez, leitores lindões! (não importa quantos sejam ^^) Este capítulo aqui será uma experiência... bem, quando lerem saberão xD Até as notas finais!
GAROTAS TAMBÉM SÃO PERVERTIDAS
Extra II - Manhã
Quente. Era a única palavra que a mente de Misaki conseguia processar.
Despertou lentamente, assimilando aos poucos o local onde dormira. Reconheceu as paredes nuas, o chão imaculado, a fachada em vidro, mas foi só ao perceber o braço masculino a lhe envolver que ela compreendeu que estava no apartamento de Usui. Era ele a fonte do calor, afinal.
Tentou inutilmente desvencilhar-se; o único resultado foi um aperto maior. Ela já deveria saber que isto era óbvio. Desde que seu namoro atingiu a intimidade necessária para que dormissem juntos, ela descobriu um fato um tanto irritante ― mas também fofo, não poderia negar - sobre o garoto: seu despertar era lento e manhoso. Ele a tratava como um travesseiro, do qual não soltava até estar plenamente acordado. E como demorava! A morena, certa vez, chegou a ficar quase vinte minutos abraçada a ele, desperta enquanto ele dormia; e quando cansou-se de esperar, dormiu por mais quarenta minutos ― e ele não acordara!
Não compreendia como a pele do loiro era tão aquecida ― se a temperatura ambiente não estivesse próxima dos quinze graus, ela já estaria suando. Não remexeu-se mais, contudo, pois o calor e o acolhimento lhe eram confortáveis. Além disso, não pretendia acordá-lo, já que o rapaz ficava de péssimo humor quando o faziam. Comprimiu-se mais contra Takumi, cerrando as pálpebras para juntar-se ao sono com ele, mas enrijeceu ao sentir um volume enunciado a pressionar-lhe a base das costas.
Ele estava excitado?
Sua dúvida foi esclarecida rapidamente: a mão que antes apenas pousava sobre sua barriga agora a acariciava lenta e suavemente sobre o tecido; o rosto enterrou-se mais profundamente na curva entre seus ombros e pescoço; a respiração roçava-lhe como uma leve bruma, apesar de profunda. Havia, porém, algo diferente na lentidão de seus gestos: não pareciam ser deliberados, como quando ele a provocava, e sim instintivos.
Aproveitando-se da maior liberdade que os gestos do rapaz lhe proporcionaram, ela voltou-se em sua direção, curiosa. Ele já havia acordado e não lhe avisara? Estava pronta para lhe dar uma bronca quando vislumbrou seu rosto: os olhos ainda estavam fechados! Ao aproximar-se para confirmar se ele ainda dormia, foi surpreendida quando ele fechou seus braços em sua cintura, restringindo-a em uma posição um tanto desconfortável - deitada parcialmente sobre ele.
Consciente de que qualquer tentativa de soltar-se somente tornaria mais estreito o abraço, sussurrou-lhe o sobrenome algumas vezes, empenhando-se para acordá-lo sem brusquidez. Devido à sua infeliz localização, seus lábios estavam muito próximos dos dele ― próximos o suficiente para que quase roçassem sobre a boca do loiro. E, ainda desorientado na imensidão do sono, o corpo de Takumi apreendeu a situação de maneira errônea: venceu a distância entre ambos e selou seus lábios nos dela.
Assim como os carinhos anteriores, seu beijo era gentil e vagaroso ― e o fato agora era facilmente compreensível: ele ainda não despertara do inconsciente, ou o fizera apenas em parte. E Misaki comprovou que ele beijava bem até mesmo enquanto dormia; não tentou afastar-se desta vez, apenas deslocou seu quadril para alcançar algum conforto. Acabou por envolvê-lo com suas pernas, e deste modo sentiu a ereção a comprimir-se contra seu improvisado pijama. Seus hormônios dominaram-lhe neste momento.
E sua reação, que antes era compatível com o suave beijo que ele lhe dera, tornou-se mais veemente e ansiosa: moldou sua língua à dele, aprofundando o que havia se iniciado de maneira quase casta. O entusiasmo de sua resposta provavelmente acordou o rapaz, pois ele também passou a correspondê-la com uma cadenciada voracidade. Seus dedos longos rumaram às costas da garota, num ritmo ainda lento, mas com maior intensidade. E com os braços libertos, a morena pôde deslocar suas mãos para o cabelo basto e dourado de seu namorado.
E assim permaneceram por muitos minutos mais, roçando línguas e lábios sem nenhuma urgência ― nenhuma noção de tempo ou espaço. Separaram-se, no entanto, para recuperar o fôlego perdido. Misaki suspendeu-se sobre os próprios braços, e ao vê-lo encará-la pela primeira vez, compreendeu a situação na qual estava inserida: estava sentada sobre ele, vestindo somente uma camisa surrada que ele lhe emprestara para dormir (pois ela esquecera seu pijama). Contudo, não foi isto que fez com que ela corasse: acabava de acordar Usui num amasso louco pela manhã!
― Bom dia, Ayuzawa ― cumprimentou ele, ainda sonolento. Sua voz era arrastada e ele logo conteve um bocejo com as mãos. Como conseguia fazê-lo, mesmo após o que haviam feito? Ou seu sono ultrapassava as barreiras de sua excitação, ou, o que Misaki acreditava ser a resposta correta, era um pervertido mesmo enquanto dormia.
― Bom dia ― balbuciou num tom contido; as bochechas ainda ardiam, levemente róseas.
Após bagunçar seu já embaraçado cabelo, ele estirou os membros preguiçosamente; enfim assimilava mentalmente o que a visão apreendia de imediato. Fitou a namorada: sua posição, suas vestes, seu rubor. Sorriu genuinamente; ainda sentia os ecos da letargia da sonolência o bastante para que não pensasse em provocações.
― Podia me acordar assim todos os dias ― murmurou sem nenhuma malícia. No entanto, não foi desta forma que ela interpretou sua sentença:
― Você começou, idiota ― acusou ela, embora se sentisse responsável.
― E você respondeu,Misa-chan ― rebateu ele do mesmo modo, retomando ao habitual tom zombeteiro enquanto desapareciam os efeitos da indolência.
― Levante de uma vez, seu preguiçoso! ― reclamou ela, desconcertada porque ele tocara no ponto crucial. Ao vê-lo arquear as sobrancelhas, enfim percebeu que ainda estava em cima dele.
― Está pedindo para que eu te carregue no colo, desta vez? ― indagou ele, já completamente desperto e implicante. Com algum impulso, içou a si mesmo para sentar-se. Agora ambos estavam à mesma altura.
― Não mesmo ― negou ela, irritada. Takumi novamente cingiu-lhe com os braços, impedindo sua fuga, e isto a desconcertou. ― Não quero ser carregada por um alien estúpido que não deixa de ser pervertido nem durante o sono.
― Que cruel, Misa-chan ― lamentou ele, dissimulado. Sua boca causou cócegas sobre o ombro da morena, e arrepios sobre sua orelha: ― Seria difícil não sonhar com isso depois da noite passada.
Sua voz mais séria fez com que as memórias da noite anterior lhe ocorressem num lampejo: o avental e a lingerie, a conquista, o descontrole do rapaz. Levantou-se mecanicamente quando ele liberou-a do abraço, e ainda que um tanto constrangida, estava surpresa com a própria coragem que tivera anteriormente. O loiro afagou-lhe o topo da cabeça num gesto involuntário, antes de encaminhar-se ao banheiro. Ocupou-se com os travesseiros e lençóis sobre o estofado, ainda absorta em pensamentos, e não notou que Usui retornara até esbarrar-se de costas contra seu peito.
― Misa-chan distraída ― sussurrou em seu ouvido, divertido. ― Quer que eu descreva meu sonho para você?
Girou sobre os próprios pés para encará-lo ― seus fios rebeldes ao menos estavam apresentáveis agora; a água extinguiu-lhe os últimos resquícios de sono do rosto. E, como já ocorrera diversas vezes, ele havia alcançado sua linha de pensamento: Misaki havia se perguntado se ele realmente tivera um sonho erótico. O rapaz apenas lhe confirmara.
― Não é necessário ― proferiu ela, peremptória. ― É fácil imaginar o que se passa nessa sua mente perv... ― interrompeu-se, enrubescendo.
― Se consegue imaginar o que penso... ― Ele mal continha o sorriso ao colar sua testa à dela. ― …você é uma tarada também, Ayuzawa.
― Não me compare a um maníaco como você ― replicou ela, com o cenho franzido. Aquele idiota! Sua face ganhou cor não somente com a vergonha, mas também com a raiva. E enfureceu-se ainda mais quando, ao afastar-se, ele agradeceu por suas palavras. ― Não foi um elogio! ― explicitou ela, exasperada.
― É seu ponto de vista, presidente ― enunciou ele de forma branda, ao dirigir-se para a cozinha.
― Por que não pode agir como uma pessoa normal? ― insistiu ela, ainda que seu tom expressasse sua dificuldade em lidar com um alienígena um quarto inglês, filho ilegítimo de uma família rica e prestigiosa.
― Defina normal ― pediu ele, enquanto procurava por utensílios entre os armários.
― Pessoas normais não fazem ou dizem coisas estúpidas ― alegou ela, simplesmente.
― Mas isto não é ser normal ― refutou ele, simulando um tom infantilmente irritante. ― É ser chato.
A morena bufou, frustrada, e foi ao banheiro cuidar de sua higiene matinal. Temporariamente, havia desistido ― não havia alguém neste planeta que poderia enfurecê-la tanto quanto aquele pelo qual ela havia se apaixonado. Talvez fosse a maneira ― um tanto sádica, na verdade ― do mundo manter a si mesmo em equilíbrio ― balancear o amor e a raiva, o carinho e a provocação, os sentimentos opostos, enfim, em um mesmo indivíduo. A curiosidade que sentiu em relação aos sonhos dele, atiçada por sua pergunta inconveniente, ratificava seu raciocínio. Quando retornou à sala, esta dúvida nublava quaisquer outros pensamentos.
― Ei, Usui ― chamou-lhe, inquieta para saber mais sobre o namorado. ― Com o que você sonha?
― Essa é uma pergunta ambígua, presidente ― brincou ele, embora estivesse surpreso. Antes que ela retrucasse lhe dizendo que era óbvio que falava de imagens mentais durante o sono, e não desejos futuros, Takumi lhe respondeu: ― Às vezes sonho com minha infância. ― Mantinha as mãos e os olhos ocupados ao cortar os ingredientes para o café-da-manhã. ― Ou com o Maid-Latte, ou o Seika ― prosseguiu, despejando os pedaços fatiados sobre uma pequena panela. ― Algumas vezes uma gororoba branca me persegue. ― Riu quando ela ofegou, ultrajada. Voltou-se em sua direção, para fitá-la; parecia muito ansiosa reclinada sobre a bancada. Como ela era fofa. ― Mas frequentemente sonho com você, Ayuzawa.
Misaki ruborizou involuntariamente, mas apesar de embaraçada, estava sobretudo lisonjeada. Sentiu-se muito feliz ao tomar conhecimento do fato, não só porque ocupava-lhe a mente a ponto de sua presença ser predominante durante as aventuras inconscientes do rapaz, mas também porque Usui respondeu-lhe sem dificuldade. Recordou-se de quando tivera de socá-lo para que lhe contasse sobre seu passado devido à sua natureza introspectiva e alegrou-se ao ver que aos poucos mudara.
― E você, presidente? ― indagou-lhe, ao depositar sobre a bancada um recipiente já finalizado.
― Não costumo me lembrar dos meus sonhos ― murmurou ela ao levar, do mármore à madeira da pequena mesa de centro, o pote que continha uma deliciosa sobremesa preparada pelo loiro. Completou, já ajoelhada sobre as tábuas do piso: ― E todos eles são misturas sem nexo nenhum de tudo o que me aconteceu durante o dia.
― Devem ser muito interessantes ― comentou ele, enquanto trazia, em uma bandeja, o restante do que cozinhara. ― Não se lembra de nenhum deles? ― E lá estava a expressão de cachorro abandonado. Ela amaldiçoou-se por sua honestidade incoercível.
― Tem um, sim ― disse num suspiro, pois não poderia negar-lhe se ele apelara para aquele tipo de subterfúgio. ― Antes da viagem que nós fizemos com a Sakura e aquele Kuuga, eu sonhei que você se declarou para mim. ― Um leve e sutil sorriso encobriu os lábios da morena, o que não passou despercebido pelo rapaz. ― Mas então o presidente Igarashi pôs uma miniatura sua numa gaiola e disse que te levaria embora, e logo a Miyazono-sensei apareceu, dizendo que era minha rival. Daí ela ficou nua de repente e...
Uma descomedida gargalhada masculina a interrompeu. Ao descrever seu sonho, Misaki gradativamente acelerava suas próprias palavras, talvez para transparecer o desespero que sentira no momento em que sonhara. Isto, acrescido ao recorte surrealista que ela narrava, eram hilários para Takumi, que não conseguiu reprimir o riso.
― Não ria do meu pesadelo, estúpido! ― vociferou ela, enfurecida. ― Parece uma criança quando ri desse jeito ― expôs, enfim, ao reconhecer que nada do que dissesse surtiria efeito.
― E você parece uma criança emburrada desse jeito, Ayuzawa ― revidou ele, ainda bem-humorado.
O café-da-manhã foi entremeado com risos, ofensas e réplicas, como de costume. Durante aquela manhã, não lembrariam mais uma vez sequer da competição, nem de nada alheio à eles naquele momento ― estavam apenas juntos, aproveitando a presença um do outro da maneira como sabiam: discutindo. E a discussão prosseguiu quando o loiro recordou-se de ouvi-la chamar pelo primeiro nome em seu sonho, assim como o fizera na noite anterior. Lamentou o fato de que ela só lhe chamava pelo nome da família, quando ele tinha um nome próprio para designá-lo.
― Também não ouço você me chamar pelo nome ― esquivou-se ela.
― Misaki - rumorejou ele, ao encarar-lhe os olhos amendoados. Sua voz era profunda; enchia de significado apenas um nome: o nome dela. Prosseguiu, mais divertido: ― Viu, não é nada difícil.
― É porque você é um alien que não respeita o espaço pessoal dos outros. ― Completamente enrubescida, ela não compreendia a intensidade de sua própria satisfação ao ouvi-lo pronunciar aquelas três sílabas.
― Acho que já invadi seu "espaço pessoal" muitas vezes, Misaki ― apontou ele, desta vez malicioso. Estendeu os dedos para tocar-lhe a face, e continuou, num tom brando: ― E da última vez você disse meu nome. Quero ouvir de novo.
Ela permaneceu quieta, mas não somente devido à timidez: não queria gaguejar o nome dele em sua frente e parecer patética. Queria expressar-se sem constrangimentos ― provar a si mesma que poderia encará-lo sem nenhuma restrição. Preparava-se mentalmente para dizê-lo, mas a sentença não ultrapassava sua garganta.
― Vamos lá, Misaki ― incentivou ele, tentando amenizar a situação ao notar o nervosismo da namorada. ― A pronúncia não é tão difícil.
― Ta... ku... Taku.. ― Merda!,praguejou mentalmente. ― Taku...mi.
E o loiro tomou-lhe os lábios, de maneira cálida e apaixonada. Beijou-lhe brandamente, completamente rendido por aquela mulher que tanto o fascinava. Quando Misaki puxou-lhe para que se aproximasse, deitou-a no chão enquanto acariciava sua a nuca e os fios castanhos ― e as mãos dela deixaram seu cabelo para pressionar-lhe as costas, num gesto que demonstrava seu desejo de mantê-lo em seus braços tanto quanto lhe fosse possível. Ao separarem-se, ele fitou-lhe com um explícito anseio, e ela o traduziu em palavras:
― Takumi ― repetiu, antes de beijá-lo novamente.
NOTAS FINAIS: Bom, e aí? Queria MUITO que eles passassem a se chamar pelo primeiro nome. (e que engraçado, uns dois dias depois de publicar esse capítulo no Nyah, li no MangaReader que a Fujiwara fez o mesmo. Estamos sintonizadas^^) Então, ficou menos "safadinho", mas não consegui - nem queria - inserir perversões quando eles iriam fazer algo tão fofo. Mas podem deixar, os próximos terão de sobra xD
Só para esclarecer: estou escrevendo estes avisos com muito atraso, porque notei que quase ninguém comenta T.T Espero que sirva de incentivo ^^
