Oi pessoal!
Acabei de voltar de Itaimbézinho, o canyon rio-grandense... show de bola! xD Deitei na beirada do precipício!!!
Maaaas, voltei, e estou aqui, com novo capítulo.
Ah... o 09 não saiu... só um pouquinho... podem voltar a rezar :D para ter cap na semana que vem!
Renan: A Tonks é amada pelo povo! Admito! ergue os braços em sinal de rendição Ela vai ter toda a atenção merecida no 09! Juro!
Mel Black Potter: Calma tia... Lobisomens comem criancinhas... eu não! xD Respira e leia... Quanto à Tonks... eu também adoro ela, poxa! Mas tudo será explicado. Ah, e quanto ao Drácula... vamos ver se o Rufus descobre como revivê-lo né? Tipo, o maior vampiro do século, lááááá na Romênia... não deve ser fácil!
Ah, amei escrever esse cap... bem, ele saiu em cinco horas e meia... Ah, sem mais delongas, espero que gostem! (apesar de não ser bem esse o meu estilo)...
P.S. : AMEI escrever as lembranças... eu chorava de rir na cadeira imaginando as cenas... Bjão!
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Um Uivo na Noite
CAPÍTULO OITAVO – O encontro – Sonhos e realidades
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Where will I meet my fate? – Onde eu encontrarei minha fé?
Baby, I'm a man and I was born to hate – Baby, eu sou um homem e eu nasci para odiar
And when will I meet my end? – E quando eu encontrarei meu fim?
In a better time you could be my friend – Em um tempo melhor você poderia ter sido meu amigo
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Os dentes caninos de Lestat afundaram no pescoço de Jhonny, deixando correr dois pequenos filetes de sangue. O garoto pareceu despertar em agonia. Seus olhos castanhos se tornaram vermelhos. Suas mãos, que tentavam empurrar o vampiro sobre si pelos ombros, mudaram de cor, as unhas cresceram. Uma aura de horror se espalhou pela câmara subterrânea, fazendo todos pararem de lutar.
Um sorriso maldoso tomou conta de Lestat, que ainda mordia Jhonny. No silêncio se comprovou a mistura entre duas raças malditas. Lestat tinha sob os braços um monstro.
O silêncio horrorizado se manteve por alguns segundos. Remo não conseguia se mover. O chão parecia ter fugido de seus pés.
-Maldição! – praguejou Logan, tentando se levantar.
Uma mão apertou o ombro de Remo com muita força. Ao olhar quem era, Remo viu Greyback abrir um enorme sorriso cheio de maldade e dentes amarelos.
Aquele monstro amaldiçoara a ele, em sua infância, e agora destruía a vida de seu filho.
Algo no seu íntimo despertou, cheio de raiva e dor. Em uma fração de segundo, Remo havia erguido a varinha e lançado o lobisomem para longe, com um violento deslocamento de ar. Seus companheiros voltaram a atacar, aproveitando a distração dos vampiros que restavam. Remo se voltou para Lestat, mas não foi preciso atacá-lo.
O vampiro havia sido lançado para o alto com força. Jhonny havia se levantado. Seus olhos vermelhos estavam tomados de uma loucura assassina; ele estava arqueado como se fosse um cão encurralado. Seu olhar furioso correu de Lestat, intimidado, para Remo, à sua frente.
-Temos que tirá-lo daqui antes que ele nos mate! – gritou Bruce.
-Contenha Lestat. – falou Remo, quando Jhonny avançou.
Não quis usar varinha – não teve coragem. O corpo magro o empurrou com uma força extraordinária contra a parede, o rosto deformado a centímetros do seu, rosnando. E constatou, preocupado, que Jhonny ainda se transformava. O rosto semi-humano alongou-se, tornou-se uma face lupina, o focinho arreganhado mostrando as presas; ainda assim, o híbrido não havia assumido a forma real de um lobo; era uma criatura estranha, longa, peluda e esquelética. O pior: estava assustado, com dor, e faminto.
Ainda prensado, Remo forçou-se a usar um feitiço de imobilidade na fera; nada ocorreu. Tentou novamente. Não houve efeito.
"Se é um pouco vampiro... deve curar-se sozinho... por favor, se cure." Pensou, antes de lançar um feitiço redutor.
O híbrido cambaleou, ganindo. Remo aproveitou a oportunidade e abraçou-o por trás, prendendo seus braços. A fera esperneou furiosamente. Para surpresa do lobisomem mais velho, um campo de energia se formou entre os dois e Remo se forçou a soltá-lo, sentindo-se tonto. Quando Jhonny avançou novamente, de um salto, um feitiço vermelho atingiu-o, derrubando-o.
Logan e Lyan, um apoiado pelo outro, haviam defendido-o. Bruce e Darkness haviam conseguido empurrar Greyback e Lestat para fora do buraco e o tinham fechado temporariamente.
-Vamos! – Bruce ofegou, puxando um pequeno bastão de dentro da capa, um portal.
Darkness conjurou cordas douradas que ataram as mãos de Jhonny uma à outra, e os pés um ao outro. Eram cordas feitas de um material luminoso, que fez o híbrido uivar de dor. Remo se sentiu contrariado.
-Ajudem a segurar! – arquejou Darkness. Hudson e Remo seguraram o híbrido, que, caído, tentava escapar. Não era um humano; era uma besta selvagem.
-Aqui... – Bruce se aproximou com o portal.
Apertou-o contra a cabeça lupina de Jhonny, e todos o tocaram. O bastão iluminou-se com um brilho azulado, e, no momento em que Greyback e Lestat entravam novamente pelo buraco, eles sumiram.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Caíram todos em um lugar iluminado, ofegantes e cansados. Jhonny não se movia, jazia caído amarrado, ganindo baixinho.
-Que lugar é esse? – perguntou Hudson, nervoso.
Estavam dentro de uma grande caverna, na qual o ar cheirava a magia e a flores silvestres. O lugar tinha iluminação própria – era claro como se o próprio sol o iluminasse – embora não se visse de onde vinha a luz. O chão era coberto por uma relva macia; havia árvores nas duas extremidades da caverna, indo até o teto, avermelhado. A caverna, embora fosse relativamente estreita se comparada à sua extensão, não parecia ter início e nem fim; continuava para cima e para baixo, seguindo um riacho de água cristalina. Era um lugar lindo e agradável; apenas o ato de respirar aquele ar parecia diminuir a dor das feridas de quem ali estivesse.
-É a toca de Godric e Ravena, se é que vocês acreditam nesse lugar. – respondeu Bruce. Ele olhou para Remo. – Não consegui pensar em lugar mais seguro.
E, realmente, Remo não conseguia pensar em lugar mais ideal para eles se esconderem. Pouquíssimas pessoas o conheciam. O lugar era ilocalizável, porém acessível através de uma entrada secreta na floresta. Ao que se sabia, Godric Griffyndor e Ravena Ravenclaw haviam criado um "ninho de amor" no interior da floresta, longe de tudo e de todos, onde podiam se reservar do resto do mundo. Somente pessoas que conhecessem o sentimento do amor teriam acesso ao lugar – o que explicava sua segurança. Godric e Ravena teriam encantado o lugar com antiguíssimos feitiços arcaicos, e a mágica permanecia ali até atualmente. Quem tinha um bom coração sentia-se perfeitamente bem ali; as pessoas cheias de idéias ruins, porém, passavam mal naquele lugar, sendo tomadas de culpa.
Ah, aquele lugar lhe trazia ótimas lembranças...
-Não gostei daqui. – resmungou Logan. – Pacífico demais.
-Nós precisamos ir. – falou Darkness. – Antes que o restante dos aliados pense que fomos capturados e tente invadir a base de Greyback também.
-Alguém precisa cuidar do garoto. – falou Lyan.
-Eu fico. – Remo deu de ombros.
Isso era mais do que justo.
-Certo. – Bruce concordou. – O que vai fazer depois?
-Vou esperar até ele voltar ao normal e vou levá-lo para a sede da Ordem da Fênix. Ele estará seguro lá.
-Mantenha-nos informados. – mandou Logan.
Remo fez um gesto positivo com a cabeça.
-Quantos portais mais você tem? – perguntou Lyan, perplexo, quando Bruce retirou uma esmeralda debaixo da capa.
-Esse é o último. – sorriu Bruce. – É para a mansão de Vicent. Até mais ver, Remo.
Com um aceno de cabeça, eles sumiram. Remo suspirou e se voltou para a criatura exausta caída ao seu lado. Estava aliviado.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Remo se voltou para Jhonny e apontou-lhe a varinha.
-Homorfus.
O garoto-monstro se contorceu e ganiu; e, depois de alguns segundos, os ganidos se tornaram gritos, e a criatura havia voltado para a forma humana. Era novamente um rapaz, que, ferido demais para permanecer acordado, perdeu os sentidos. Remo cancelou o feitiço que atava os pés e as mãos do garoto e o deitou de maneira decente. Conjurou-lhe uma capa.
O garoto lhe deu pena. Tinha os pulsos e as canelas cortados por ter estado acorrentado. Uma de suas pernas havia sido rasgada do joelho ao tornozelo. Remo lembrou-se de Jaws sorrindo e dizendo "Acabei de o perder... mas consegui deixá-lo mancando.". Claro, ele havia brigado com muitos lobisomens antes de ser pego... Bite também deveria ter lhe ferido bastante antes de morrer.
Além de estar bastante magro, as olheiras profundas sob os olhos indicavam falta de sono e de alimentação. Ele estava febril. Remo fechou alguns ferimentos e enfaixou outros; não podia fazer muito mais.
Aparentemente ele iria dormir por horas, mas ainda não achava sensato levá-lo para o Largo. E se ele despertasse lá como monstro e ferisse alguém? Além do mais, queria conversar com ele sem ninguém para atrapalhar.
Cansado, Remo andou até o riacho e se ajoelhou na beira. Lavou as mãos, sujas de sangue e terra, e o rosto. Seu reflexo na água não era muito animador. Estava ganhando um senhor hematoma no rosto, onde fora chutado e depois socado. Suas costas doíam, principalmente onde Lestat lhe cravara as garras, para não falar da dor na barriga, onde fora esfaqueado. Com certeza também precisava dormir um pouco.
Voltou do riacho para o lado do garoto. Sentou-se na beira do barranco, escorando-se numa árvore. Uma sonolência pesada apossou-se dele. Olhou para Jhonny. Bem, o garoto não iria acordar tão cedo... e precisava realmente descansar. Fechou os olhos. E não demorou para dormir.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
-Ah, é um lugar incrível! – ela sorriu, olhando em volta. – Puramente mágico.
-Descobri isso aqui por acaso, quando estava caçando alguns vampiros com Rufus, no verão. E é extremamente seguro; quase ninguém o conhece.
-Ele passa uma sensação de... – ela sorriu e então o olhou com malícia.
-Espera – ele riu. – Vamos ver se os outros estão bem.
Caminharam por entre aquela espécie de bosque dentro da caverna, uma paz infinita fixando-se em seus espíritos. Haviam fugido às pressas; não tinham idéia de lugar seguro para irem, até Remo ter aquela idéia. Remo e Susan chegaram à clareira onde Lílian e Thiago estavam.
Thiago havia sido atingido por um feitiço bem desagradável na perna, e não conseguia andar. Lílian o ficara tratando, quando Remo e Susan saíram para observar a caverna. Bem... agora Lily parecia ter terminado o curativo na perna do auror estagiário e estava aos beijos e abraços com o marido.
Remo abriu um sorriso. Assobiou.
O casal se descolou, Thiago o olhou absolutamente indignado, enquanto Lílian baixou o rosto, rindo.
-Cara, faz três semanas que o trabalho e a Ordem não nos deixam trocar uns amassos, o lugar é lindo, me dá um desconto! – exclamou Thiago, revoltado.
-Calma, Bambi – o "Bambi" bufou como um touro furioso – só vim perguntar se vocês estão bem...
-Estávamos muito bem até meio minuto atrás.
-... e... onde está o Sirius?
De fato, o cachorro sumira.
-Quando Thiago descobriu a magia desse lugar, Sirius teve um chilique e disse que ia tentar se afogar. – contou Lílian.
Eles riram.
-Coitado, ele está carente.
Parecia impossível que o sempre irresistível Sirius Black estivesse com dificuldades para se envolver em relacionamentos duradouros... em outras palavras, ele não suportava ver um casal se "divertindo" que ficava chateado e saía caminhando.
-Não tem como ele cair em algum buraco por aí, ou outra coisa qualquer, tem? – perguntou Thiago.
-Só se ele for muito burro. – Remo deu de ombros. – Vamos sair daqui só amanhã, de qualquer jeito. O lugar é grande, então... divirtam-se.
-Vocês também. – sorriu Lílian, trocando uma piscadela com Susan.
Antes de Pontas puxá-la, feliz da vida.
Aquele lugar era... romântico, de certa forma, e incitava os casais a... se soltarem. Era o lugar perfeito para um casal de namorados.
-Gerônimoooo!
SPLASH!
-Ah legal! – resmungou Remo, encharcado, do lado de fora do riacho. A garota dos cabelos avermelhados pulara na água como se fosse um garotinho de dez anos, e agora ria abertamente.
-Você fica uma gracinha molhado. Pena que a camiseta não é branca...
-Eu não lamento... a sua blusa É branca.
Eles sorriram, e apesar de a conhecer há anos, o sorriso dele ainda era ligeiramente tímido... hum, ela adorava isso. Ela se recostou na beira do riacho, esperando que ele entrasse na água. E ele pulou também.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Remo bateu na porta e entrou, sem esperar resposta. A casa nova de Lílian e Thiago era uma bela construção, modesta e simples, ao estilo de Lílian. É claro que Thiago dava uns toques próprios à decoração... como a meia furada presa na torradeira, as manchas de molho no tapete e algumas roupas espalhadas pela casa.
Sirius e Thiago estavam num serviço de última hora, então Remo viera tranqüilizar Lílian sobre o atraso do marido. E, claro, viera dar uma olhada naquele barrigão.
-Líly... – chamou, entrando.
Quase deu chilique. Lílian estava encolhida na sala, apoiada sobre o sofá, uma mão na barriga.
-Oi Remo... – ela sorriu, então fez uma careta. – Você ainda tem aquela lata velha sobre rodas?
Ok, respira. É ela que está tendo o filho, não eu. Pensa. (O PONTAS VAI DAR UM TRECO). Ok, maternidade.
-Não somos trouxas, Lily, não precisamos de carros para levar mulheres barrigudas ao hospital. – falou, adiantando-se para a ruiva que parecia arquejar.
Tentou ajudá-la a caminhar, mas a vagareza dela o deixou nervoso. Apanhou-a no colo, e apesar do tamanho, ela continuava bastante leve.
-Remo! – ela reclamou.
-Quê?!
-Relaxa, estou tendo um filho, não um enfarto.
Sorriu meio embasbacado.
-Ah, não seria melhor deixar um aviso...?
-Já colei um bilhete na geladeira... – ela riu. – Mas o problema era chegar até o Mungus.
Remo saiu da casa e aparatou com a ruiva.
A maternidade do St.Mungus estava quase vazia, havia um parto sendo feito naquele momento... entregou Lílian ao parteiro e respondeu um sonoro NÃO! quando lhe ofereceram a oportunidade de assistir ao parto, achando que ele fosse o pai.
Sentou num banquinho no corredor, ao lado da porta, batendo o pé neuroticamente. Não sabia se agradecia ou não pelo fato da sala ser imperturbalizada com um feitiço de silêncio... adoraria saber o que estava acontecendo.
Depois de uns dez minutos, Remo ouviu sons de coisas quebrando, gritos de mulheres assustadas e um tropel de passos que lembravam cavalos galopando, e Sirius e Thiago surgiram correndo desembestados pelo corredor. Não teria sido tão cômico se Thiago não tivesse esbarrado numa cesta de lixo e caído espetacularmente pelo chão, picando contra as paredes, de uma forma tão bizarra que Sirius até parou de correr para poder assistir.
Thiago se levantou e voltou a correr como se nada tivesse acontecido, os olhos esbugalhados, pálido, tremendo.
Remo preferiu ir com calma.
-Ah... você leu o bilhete na geladeira...?
Thiago lhe lançou um olhar transtornado.
-Sim. – respondeu Sirius.
-Não se preocupem, ela está bem. Bom, estava, até entrar...
Thiago gemeu.
-Pontas, relaxa.
-Não fecharam oito meses ainda. – falou Thiago, baixo.
Remo e Sirius se entreolharam, preocupados.
Bom... Thiago ficou andando de um lado ao outro do corredor, gemendo de vez em quando, resmungando, e olhando angustiosamente para a porta. Por sua vez, Remo e Sirius batiam os pés, um mais rápido que o outro, os queixos enterrados na mão, os olhos com um brilho quase insano.
Os três deram um pulo e se voltaram para a porta quando a mesma se abriu, repentinamente. Um bruxo vestido de branco – com as roupas, diga-se de passagem, sujas de sangue, mas isso apavorou os marotos apenas momentaneamente – surgiu, com uma criaturinha pequena e de penugens negras na cabeça, enrolada em cobertores, os olhos muito verdes bem abertos, sem sono.
Thiago abriu o maior sorrisão de pai que poderia e estendeu os braços para o bruxo, pedindo para pegar a criança. Antes porém, que o bruxo passasse o bebê ao pai, este ainda sorrindo despencou duro de costas no chão.
Sirius e Remo o olharam: desmaiado no chão, e idiotamente ainda sorrindo.
Sirius riu.
-É, acho que vai ser injusto se pegarmos o garoto antes dele...
Nada que um feitiço de reanimação não desse conta.
-É um garoto – avisou o bruxo, quando Thiago se levantou, feliz, dessa vez firme.
Meio hospital ouviu o berro de alegria.
Dessa vez Thiago pegou o garoto no colo e invadiu o quarto, se deparando com uma Lílian pálida e cansada, mas sorridente, recostada em travesseiros.
Sirius e Remo, é claro, ficaram do lado de fora... trocaram um olhar e sacudiram as cabeças, sorrindo... ambos se sentindo pais também. Thiago, no entanto, nem imaginou que aquele poderia ser o típico momento "papai, mamãe e cria" e puxou-os para dentro logo em seguida. Remo não resistiu e puxou Lílian para um abraço, e deu-lhe um beijo na bochecha. Ela parecia extremamente feliz. Todos estavam.
"Ele tem os olhos da Lily... mas a mesma cara de destrambelhado do Pontas."
"Ei, cão! Ta dizendo que o MEU bebê é feio?!"
"Você acha que eu sou feio, Lil?"
"Não exatamente..."
"Aí Remo! Você vai poder cantar a cantiga do Lobo Mau pra ele!" (risos caninos)
"Claro, e você vai poder levá-lo na moto."
"Vocês dois, não tenham idéias."
"Ele vai ser o moleque mais novo a entrar para um time de quadribol!"
"Enfermeira, pode segurar o bebê? Não quero que ele veja eu estuporando meu marido, o padrinho e o tio..."
"Tio?"
"Owww, que fofo! Titio Remy!"
"Papi Thithi!"
"Faltou o cão..."
"DINDO!"
Sirius sorriu.
"Com muito orgulho."
"Aluado, engravida a Susan, aí o seu garoto vai poder fazer companhia a esse aqui em Hogwarts."
"Ah, se fosse tão simples..."
O bruxo responsável pelo parto se aproximou, achando graça na felicidade dos três homens e da mulher, e falou, em um tom grave e calmante.
-Sugiro que vocês deixem a mãe descansar agora, sabem, não foi um parto fácil...
-Então, nós vamos indo. – sorriu Sirius. – Arrumaremos a casa de vocês dois. Ops, três.
-Eu vou ficar. – Thiago falou, e então olhou para o parteiro. – Posso?
O bruxo respondeu que sim.
-Diremos ao Moody que você ganhou sua licença-paternidade.
Antes que Remo e Sirius saíssem do quarto, Remo se voltou para o casal. Thiago havia se sentado numa poltrona ao lado da cama.
-Qual o nome dele? – perguntou.
-Harry. – responderam Lílian e Thiago, juntos.
Remo e Sirius sorriram e saíram da sala.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
-Ah, é apenas uma questão de tempo... – respondeu Susan, sentada em seu colo, no quarto que Remo usava no "buraco" onde Sirius morava.
Lílian e Thiago haviam voltado para casa com Harry naquele final de tarde. E Remo admitia que estava ansioso para viver com Susan aquele mesmo momento, com um filho deles.
-Estou quase conseguindo reunir as evidências necessárias para incriminar meus pais. – falou a garota de cabelos avermelhados, abraçando-o. – Quando for de conhecimento público o que eles fazem, e quando eles estiverem sendo punidos por isso, poderemos finalmente casar, e ter filhos... e fazer tudo o que queremos.
-Dumbledore está preocupado... ele quer que Lílian e Pontas fiquem mais protegidos. Você sabe, Thiago é um auror perigoso para Voldemort... ele pode querer se vingar usando o Harry.
-Eu sei, Lílian também sente isso. Conversamos hoje de manhã, no hospital. Ah, você sabia que Alice e Frank também tiveram o filho ontem? O garoto tem a cara da Alice.
-Deve ter sido por isso que Frank faltou ao trabalho hoje... Moody resmungou algo sobre a "adolescência deturpada que não espera para fazer filhos"...
Ela riu.
-Acho até que já esperamos demais... – falou Remo, encostando o rosto no dela.
-Podemos esperar mais um pouco... – ela sorriu.
-Podemos praticar enquanto isso, não?
-Remo! Às vezes você consegue ser mais cachorro que o Sirius!
Ele a olhou, surpreso, e então riu.
-Aliás, ele deve estar morrendo de tédio, não, com a única companhia dele nesse lugar presa aqui em cima comigo...
-Pra falar a verdade não, ele está tão bobo e feliz quanto o Pontas, e só falta pedir uma licença-padrinho. Pediria, se existisse. Aposto que ele está tricotando umas meias de bebês agora mesmo.
Ela gargalhou.
Ok, imaginar Sirius Black com duas agulhas de tricô era realmente muito bizarro.
-Chega de enrolar... não foi pra pensar no Sirius tricotando que eu vim aqui... – ela se aprumou em seu colo, de frente para Remo.
Ele a beijou, e não esperou para se levantar e carregá-la até a cama.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Remo acordou sobressaltado. Aquelas eram boas lembranças... e, opa, constatou, olhando para o lado, dormira demais.
Alguém de olhos castanho-claro o encarava, sério.
Ainda um pouco atordoado pelos sonhos se aprumou, sentando-se direito. Encarou Jhonny. E foi como se olhasse no espelho... exceto pelos cabelos, e pelo rosto jovem.
O garoto continuava deitado, apenas o fitava, preocupado.
-Bom dia. – sorriu, meio sonolento.
Evidentemente Jhonny não esperava esse tratamento gentil. Se ergueu com dificuldade e sentou, observando o homem a sua frente fixamente. Quando pareceu se convencer de que ele não o atacaria, olhou em volta, brevemente, voltando os olhos preocupados para o homem logo em seguida.
-Que lugar é esse?
-É a toca de Godric Griffyndor e Ravena Ravenclaw, um lugar lendário, pouco conhecido, e seguro. Trouxemos você do esconderijo de Greyback diretamente para cá. Não se preocupe, está seguro.
Ao som do nome do lobisomem, Jhonny pareceu se lembrar dos últimos acontecimentos.
-Você... eu... – ele tentou falar, perdido. Então encarou Remo nos olhos e pareceu se recordar. – Eu lembro de você... esteve me seguindo, me derrubou antes daquele maldito me pegar... Greyback é o nome dele, é?
-Eu estava tentando tirá-lo daquela floresta, iria levá-lo para sua mãe.
-Quem é minha mãe? – perguntou Jhonny, desafiando-o.
Uma coisa era certa: Jhonny não herdara o gênio de Remo. Havia algo em seu olhar teimoso que fazia Remo lembrar de seu próprio pai.
-Sua mãe é Susan McKingon Hawkins, que teve um casamento bastante infeliz durante esses anos. – respondeu, com calma. – Depois do ataque à casa de vocês ela me procurou, pedindo ajuda. Desde então tenho procurado você.
-De onde você a conhece? – perguntou o garoto, no mesmo tom inflexível, o olhar duro. Era óbvio que ele não acreditaria na primeira resposta; passara por horrores demais nos últimos dias para acreditar em um estranho.
Remo sorriu.
-Desde os tempos de escola, em Hogwarts. Nos conhecemos muito bem. E... seus avós nos impediram de casar, e forçaram sua mãe a se casar com o Hawkins.
Jhonny o olhou longamente. Era impossível dizer o que ele pensava; ele fitou o chão por alguns momentos e então voltou a olhar para Remo, parecendo tranqüilizar-se. Suspirou, apertando o pulso direito com a mão.
-Quando aqueles lobisomens atacaram a casa, um deles me mordeu... e eu me tornei um deles também. E lá no esconderijo do... Greyback?... aquele vampiro louco me mordeu também. – ele pareceu confuso. Hesitou um pouco antes de perguntar, e Remo considerou aquilo uma pequena prova de confiança nele. – O que eu... sou? O que eu virei? Pensei que lobisomens não se afetassem com mordidas de vampiros.
-Antes de lhe explicar isso, você precisa entender o que aconteceu. – Remo suspirou, pensando em como iria contar o que precisava. – Durante esses últimos dias, você se tornou o centro de uma guerra. Você sabe quem é Lorde Voldemort, certamente? – o garoto assentiu. – Voldemort aliou-se aos vampiros e lobisomens. O líder dos lobisomens é Greyback, que o caçou com tanto empenho; e o líder dos vampiros é Lestat, que o mordeu há poucas horas.
-Então você é um servo de Greyback? – ele pareceu tenso, e seus olhos correram em volta, procurando alguma saída.
-Não. – apressou-se a dizer. – Nem todos os lobisomens e vampiros aceitaram se aliar. A maioria sim, no entanto, esperando que Voldemort lhes proporcionasse uma vida melhor do que a que tem levado até agora.
-Certo... – Jhonny concordou. – E o que eu tenho haver com isso? Por que me seqüestraram, e me caçaram quando eu fugi?
-Porque você é único. – soltou Remo. – Você é um tipo raro. Jhonny, você sabe o que é hibridismo?
O garoto o encarou, mas não respondeu.
-Você é um híbrido verdadeiro, com sangue de vampiro vindo do lado materno, e sangue de licantropo derivado do seu lado paterno. Assim, você era sensível às duas espécies; foi por isso que a mordida do vampiro o afetou tanto quanto a do lobisomem. Você é o único híbrido verdadeiro puro dos últimos séculos. Greyback e Lestat estavam atrás dos poderes que esse hibridismo lhe ofereceu.
Jhonny não respondeu. O encarava muito quieto.
-Sangue de vampiro por parte de minha mãe... – ele falou, baixo.
-Sua avó era mestiça de vampiro com humano. Ela passou essas características à sua mãe.
-E sangue de licantropo...
Jhonny o olhou, e pareceu assustado por um momento. O tom de voz que usou, porém, foi firme ao sentenciar:
-Você é meu pai.
O coração de Remo falhou uma batida.
Confirmou com um aceno positivo de cabeça.
A isso seguiu-se vários minutos de silêncio de ambas as partes. Jhonny murmurou, então, quase febrilmente:
-Eu sempre soube que o Hawkins não era meu pai, até porque ele me odiava... e minha mãe falou de você. – ele voltou a fitá-lo. – Ela não falou nomes, mas contava histórias... Por que nunca quis me ver?
Remo não esperava essa pergunta. Pra falar a verdade, não imaginara aquele diálogo. E estava tudo acontecendo muito rápido.
-Porque eu não sabia da sua existência. – respondeu, preferindo abusar da sinceridade. – Depois que sua mãe casou, preferi me afastar. Não trocamos mais cartas, acho que ele não a deixava escrever.
-Ele a proibia de escrever. Proibia a mim também.
Eles trocaram um olhar por alguns momentos, e Remo não encontrou muito sentimentalismo nos olhos do garoto, mas sim uma aceitação quase fria.
Depois de algum tempo, Jhonny ajeitou-se novamente, e perguntou, com simplicidade:
-Então, eu sou um monstro?
-Não, não é. – respondeu, com firmeza, lembrando que ele próprio usara a palavra "aberração". – É um híbrido. Pra falar a verdade, não sabemos muito sobre isso, e sobre como vai ser sua vida daqui em diante. Provavelmente você vai ser afetado pela lua; vai sentir coisas que antes não sentia, coisas muito fortes, e vai ter que aprender a controlar isso. Você vai ter que se esforçar muito; mas acho que posso dizer que, para você, o pior já passou.
-Você parece saber muito a respeito. – comentou ele, analisando-o.
-Bem, sou lobisomem há mais de trinta anos. – deu de ombros.
-É muito tempo. – ele balançou a cabeça.
-Você nem imagina o quanto.
-Como você foi mordido?
Remo ficou aliviado. A conversa agora perdera a tensão; Jhonny perguntava aquilo por curiosidade, o que significava que agora confiava em Remo.
-Eu tinha nove anos, quando meu pai irritou Greyback por uma tolice, e ele, para se vingar, me mordeu.
Apesar da notícia trágica, Jhonny sorriu.
-Esse Greyback é um filho da puta mesmo.
Remo riu.
-Deve ser mesmo... se é que teve mãe.
O garoto riu também.
-Bom, pelo menos ele não me caçou por você tê-lo irritado, não é?
-Pra falar a verdade, eu o irrito muito... – coçou a cabeça, distraído. Deu um sorriso brejeiro. – Convenci metade do bando dele a traí-lo. Mas... ele não sabe sobre nosso parentesco. Ainda.
-Era... você, lutando com ele naquele túnel...? – ele franziu a testa. – Não lembro direito. Lembro apenas de ter ficado fulo quando virei... aquele monstro, e quis matar todo mundo.
-Era eu e alguns amigos, esses que estão participando da traição.
-Por isso que está todo arrebentado? Sua cabeça está redonda.
Remo tocou a parte do rosto onde fora chutado e percebeu que estava bastante inchado. Sua cabeça deveria estar parecendo uma bola mesmo.
-Eu apanhei um pouco.
-Um pouco...
-Ei, não me menospreze, eu bato mais do que apanho.
Ele riu.
-Quando vamos sair daqui? Eu imagino que você vá me deixar ver minha mãe.
-Sairemos em breve... quando você estiver melhor.
-Pode ser agora? – ele baixou o rosto quando Remo o fitou. – Eu gostaria de sair de lugares estranhos... têm sido dias bem longos.
-Eu entendo. – Remo se levantou, e Jhonny voltou a olhá-lo. – O lugar aonde vou levá-lo é a base de um grupo de pessoas... uma equipe... que luta contra Voldemort. Sua mãe participava desse grupo no passado, e ela está lá agora. Todas as pessoas que estão lá são confiáveis, e lutam muito. É um lugar seguro. Já ouviu falar de Harry Potter? – ele pareceu surpreso e assentiu. – Ele mora lá também.
-Legal, vou poder pedir um autógrafo. – ele falou, com tédio.
-Não peça, ele não gosta. – Remo sorriu.
Estendeu a mão. Hesitando apenas por um segundo o garoto a apertou e aceitou a ajuda para levantar. Não conseguiu se firmar, estava fraco; de modo que Remo passou um braço dele sobre seus ombros para poder apoiá-lo. Havia algo de maravilhoso naquele contato; ainda parecia um pouco surreal a idéia de estar junto com o seu filho. Não conseguia imaginar alguém chamando-o de pai.
-Apenas... – murmurou Jhonny, apoiando-se nele. Ele silenciou por um momento, e quando Remo o olhou, ele baixou a cabeça e falou baixo, olhando para o chão: – apenas não espere beijos e abraços... acho que não me acostumei com a idéia ainda.
Era tudo o que precisava ouvir para sentir-se consolado com relação à sua insegurança.
-Tudo bem... não me parece algo simples também. – respondeu, com um sorriso manso.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
-Afinal, onde raios é a saída? – perguntou Jhonny, quando Remo começou a apóia-lo por um caminho entre as árvores que parecia não acabar mais.
-Logo ali em frente. – respondeu.
Dito e feito; poucos passos à frente Remo empurrou o que parecia um sólido arbusto contra a rocha; o arbusto dobrou-se para trás, revelando uma passagem na pedra. Ao atravessarem-na, perceberam-se no centro de uma floresta, com um arbusto espinhoso e um morro atrás de si.
-Não estou feliz agora. – falou Jhonny, olhando com desagrado para a floresta.
-Calma, apenas não podíamos aparatar lá dentro.
Remo tateou o bolso com a mão livre e pegou a varinha. Talvez alguns inimigos o esperassem à entrada do Largo.
-Já aparatou antes?
-Não. Me disseram que dá enjôo.
-Depende do que você come.
-Ah, então não estou preocupado. Faz dias que não como.
Remo sorriu. Garantiu que segurava o garoto com firmeza; não sabia o que esperar ao desaparatar. Bom, melhor não pensar nisso. Com o som de um chicote varando o ar, desapareceram.
E reapareceram diante de um largo vazio, entre duas casas sujas de números 11 e 13. Era noite escura; passara-se todo um dia.
-Já vi moradias mais bonitas. – comentou Jhonny, olhando para aquelas casas. Em seguida ele boquiabriu-se quando surgiu uma casa no largo, empurrando as vizinhas para os lados.
Remo não esperou; aguçou os ouvidos, mas não conseguia sentir nenhuma presença perto deles. Bateu na porta do Largo Grimmauld.
Harry abriu. Remo entrou trazendo o garoto sem dizer nada, e quando Harry fechou a porta atrás deles os dois trocaram um sorriso satisfeito. Jhonny não viu isso; ele olhava para Susan, no fim do corredor.
+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Como eu disse... amei escrevê-lo... Um grande problemão foi resolvido... o Jhonny é mó espírito de porco, e não tem nada haver com o Remo em termos de temperamento...
A música é novamente A Bad Dream, Keane... essa é minha parte favorita...
Eu realmente preciso escrever algo só dos Marotos... adoro escrevê-los... Quanto à frase da Lílian: "Você ainda tem aquela lata velha sobre rodas?" só será explicada em uma fic futura... "Meus Amigos em Minha Vida" ou algo do tipo... curiosos? HAHAHA!
(sim, aparentemente Remo tinha um carro...) (essa história é baseada em Cazuza, Beatles e Mamonas Assassinas... já imaginaram o que pode sair?)
Chega de propaganda!
No próximo capítulo, o final dos problemas... ou o início de novos?
(Estará Um Uivo chegando ao fim? NO WAY!)
Bjões pessoal, e até o próximo cap! (sem previsão)
