Disclaimer:

Os Vingadores são uma criação da Marvel Comics, no entanto as personagens Olívia Huscarl e Sophie Legrand nos pertencem.

Essa história está sendo produzida por duas pessoas, qualquer diferença estilística entre os capítulos não é mera coincidência.

Nos baseamos no filme "Avengers", já que os universos dos quadrinhos são variados e poderiam dificultar a compreensão.

Essa história também será publicada no site Nyah Fanfiction, com o mesmo nome de usuário. Não se trata de plágio!

Críticas e sugestões são sempre bem vindas, desde que pertinentes ao nosso propósito.

Tenham uma ótima leitura :)


X.

Sophie estava andando pelos corredores da S.H.I.E.L.D depois de ficar mais de uma hora em silêncio ao lado de Banner, depois disso seu rosto começou a congelar e suas costas a doer e os dois chegaram em um acordo de que era melhor entrar. Após isso, Banner foi para seu laboratório e ela foi perambular pelo lugar. Queria sair. Viu de longe Olívia vir em sua direção sorrindo.

- Como vai, doutora? – perguntou ao se encontrar a apenas alguns passos de distância.

- Presa. – resmungou, virando os olhos.

Olívia riu da cara de bunda que a médica fez. – Isso é fácil de resolver, basta sair.

- Na verdade não é tão simples, se eu pedisse autorização, Fury não concederia, se pegasse um paraquedas emprestado logo perceberiam e se pulasse desta altura, mesmo que caísse na água, eu morreria... E mesmo que sobrevivesse a queda tenho um péssimo senso de direção e não saberia para onde nadar. – sim, ela havia pensado em todas essas hipóteses, chegou até mesmo a calcular a velocidade que cairia e se seu corpo aguentaria a pressão durante a queda.

A garota das tatuagens, ao ver o desânimo de sua nova colega resolveu tentar amenizar a situação. – Se te serve de consolo, para mim também é um suplício estar aqui. Estou cheia de problemas lá fora e não posso fazer nada a não ser esperar o momento certo de agir. Isso me dá uma agonia e uma tristeza tão grandes que minha cabeça parece estar a ponto de explodir. – Era notável a melancolia em seus olhos, pelo que a médica pôde conhecer de Huscarl em tão pouco tempo, algo devia realmente a afligir.

- E se déssemos um jeito de sair daqui juntas? Sei lá, dar uma voltar, ver gente nova! – essa ideia veio à mente de Sophie de súbito, tinha visto do que Olívia era capaz na noite passada, logo, era claro que ela teria uma forma de tirá-las dali.

Pela expressão da nova integrante dos Vingadores a ideia lhe parecia ótima, embora isso se mesclasse a um ar surpreso por não esperar aquilo da médica, que aparentava ser séria demais para fazer esse tipo de "peraltice". – Quem diria, doutora Sophie Legrand querendo aprontar!

- Hum... Se não quiser é só falar. – fez um biquinho ao dizer, como se estivesse falando em seu idioma pátrio.

- É claro que quero! Vamos fazer o seguinte, nos arrumamos e daqui a uma hora nos encontramos na pista de pouso, certo?

- Combinado! – Sophie sorriu e saiu correndo animada, estava parecendo uma criança que faria uma traquinagem escondida dos pais. Deixou para trás uma Olívia que se se divertia com a improvável cena.


Passado o tempo marcado Sophie foi para a pista. Estava vestida com uma calça justa de um jeans escuro, uma blusa azul decotada e um sapato preto de salto alto, no rosto uma maquiagem leve apenas para acentuar seus belos traços. Viu Olívia chegar correndo, sem se intimidar pelo salto alto de suas botas e demonstrando ter um perfeito equilíbrio sobre elas, usava uma calça de couro e uma blusa vermelha que combinavam perfeitamente com seu estilo.

- Thor não vai se sentir enciumado por você estar tão bonita e saindo sem ele? – brincou a médica e segurou para não rir da expressão de zanga de Olívia.

- Thor não tem que se enciumar com nada que diga respeito a mim, afinal nem nos conhecemos direito. Agora o que precisamos é de um jeito para sair daqui antes que nos peguem.

Sophie apontou para um avião sendo carregado com enormes caixas a alguns metros de onde estavam paradas, por estar escuro os homens que executavam a tarefa não as podiam ver. Sussurrando, a francesa explicou: - Enquanto estava esperando, ouvi aqueles homens falando que levariam aquela carga para um depósito secreto da S.H.I.E.L.D em Nova York. Eu não tenho experiência com essas coisas, já que você é a heroína, mas talvez pudéssemos dar um jeito de pegarmos uma carona sem que nos vejam.

- Se sou uma heroína você está me saindo uma boa espiã! – Olívia analisava o lugar para saber por onde poderiam ir sem serem pegas. – Escute Sophie, podemos passar por trás daqueles contêineres e esperar o momento que o homem que está fazendo o carregamento for buscar uma das caixas para que entremos e nos escondamos. Temos que fazer tudo rápido, mas silenciosamente.

- Certo! Então é melhor irmos, parece que as caixas já estão quase todas lá dentro.

As duas colocaram o plano em prática: na surdina, passo após passo, conseguiram chegar até a reta do avião. E assim que o agente da S.H.I.E.L.D virou-se de costas elas rapidamente entraram e se esconderam entre as caixas que estavam no fundo. O espaço era bastante reduzido e elas só couberam agachadas em posição fetal. Isso, no entanto, não importava, logo, logo estariam livres!


Sophie e Olívia se misturavam às pessoas que andavam pelas calçadas de Nova York, sair do avião tinha sido mais fácil que entrar! Sinal que a segurança da S.H.I.E.L.D não era excelente como Nick Fury gostava de se gabar. Beber para comemorar a noite junto à civilização que teriam foi a primeira ideia que veio as suas cabeças ao ver as luzes dos grandes prédios que faziam o papel de estrelas no céu da cidade. E, naquele momento, procuravam um pub. Legrand estava encantada com a metrópole, que nas vozes dos transeuntes e dos carros parecia ganhar vida. Pensou que ali seria um ótimo lugar para recomeçar depois de tudo acabado.

Entraram em um grande pub, atraindo olhares de vários homens que lá estavam. Seguras de si, sentaram em bancos no balcão e cada uma pediu uma caneca de chope, que se seguiu de outra e mais outra...

Já era alta madrugada quando deixaram o pub, saíram rindo da cantada ridícula que um homem destinou à Liv. Ambas tinham se divertido muito, aproveitando para esquecer os problemas que vinham enfrentando. Àquela hora as ruas, que antes estavam apinhadas de gente, se encontravam vazias. Dessa forma, dava para se ouvir até mesmo o eco dos saltos batendo no chão e da conversa animada entre as mulheres.

Subitamente, Olívia parou e parecia escutar algo que Sophie não podia. – O que foi Liv? – perguntou a médica, olhando ao redor para se certificar que tudo estava bem e vendo que o único ser vivo próximo era um gato que remexia em um latão de lixo.

- Sophie, é melhor você sair daqui. Ache um lugar seguro para se abrigar e não se preocupe que logo irei a sua procura. – Olívia falou em um tom sério e colocou-se em posição de luta, deixando a colega ainda mais confusa.

- Mas por quê? O que está acont... – Deu um grito ao ver um bando de homens armados pularem da sacada do prédio à frente delas. Assustou-se ainda mais ao ver Olívia indo até eles com a intenção de ataca-los. – Olívia, está louca?

-CORRA SOPHIE, AGORA!

A médica deu um pulo e saiu correndo o máximo que pôde. Lembrando-se da cena que tinha presenciado no dia anterior, em que Huscarl tinha curado a si própria, não teve dúvidas de que ela daria conta de enfrentar os bandidos que as seguiam e, nesse caso, ficar lá só iria atrapalhar a luta. Entrou em uma rua escura, onde imaginou ser difícil a encontrarem, mas logo se arrependeu dessa decisão.

- Você é uma presa muito gentil, belezura! Ficando longe de sua amiguinha será muito mais fácil tomarmos de você o que queremos e até um pouco mais.

A jovem enrijeceu as costas e virou-se lentamente, deparando-se com três brutamontes encapuzados apontando para ela suas armas. – O que querem de mim? – apesar da situação sua voz não tremia. Foi dando pequenos passos para trás, sendo acompanhada pelos homens.

- Você sabe muito bem o que queremos, doutorinha, mas estamos dispostos a ver o que mais tem a nos oferecer. – falou o que parecia ser o líder.

Sophie parou de repente, sentindo o concreto de um muro chocar-se com suas costas. Os homens riram, tinham a encurralado e se aproximavam rapidamente para fazer dela o que bem entendessem. Em um ato reflexo, a médica colocou as mãos a frente de seu rosto, para protegê-lo e fechou os olhos com força. Esperou um, dez, trinta segundos e nada aconteceu. Abriu os olhos e, incrédula, viu os corpos dos três homens jazendo ao chão. Esfregou os olhos e piscou várias vezes, achando que o álcool havia subido à cabeça e que seu cérebro lhe pregava uma peça, mas não, era real. Então, deu se conta de uma coisa...

- Ai meu Deus! Eu também tenho poderes! – fitou suas mãos admirada e sorriu de orelha à orelha. Colocou as mãos na mesma posição que antes e esperou que delas saíssem um raio, ondas radioativas, tiros ou ao menos teias de aranha... Mas nada aconteceu. Fechou os olhos com força, tornou a abri-los e novamente nada. Então, ouviu uma risada vinda do começo da rua e colocou-se em posição de alerta, afinal poderia ser outro bandido e até que descobrisse como acionar seu "poder" estava desprotegida.

No entanto, quem se revelou no meio da escuridão não fora nenhum homem encapuzado ou que lhe apontasse uma arma, mas sim o agente que tinha a atacado há algumas semanas atrás pensando que ela fosse uma intrusa. Ele ria copiosamente, mal conseguia respirar. Levou alguns segundos para se recompor e soltou uma piadinha:

- Isso que dá ficar horas em um pub... Bebe muito e já vai achando que é uma super-heroína! – ele notou as maçãs do rosto de Sophie ficarem rosadas e ela abaixar o rosto, soltando um resmungo inaudível.

Barton se aproximou lentamente e com um toque suave no queixo fez com que ela o olhasse nos olhos. – Você está bem? – Perguntou em um sussurro, deixando-a ainda mais envergonhada. Ela entreabriu os lábios, mas as palavras estavam presas em sua garganta e seus olhos perdidos no dele... A atração entre os dois era forte demais, como se se tratasse de magnetismo. Clint aproximou ainda mais o rosto ao dela, até suas respirações se mesclarem e a viu fechar os olhos, como em um convite...

Pela segunda vez na noite, ela esperou: 1, 2, 3 segundos, mas ao chegar ao quarto ouviu um estrondo e sentiu que ele tinha se afastado de súbito. Ao abrir os olhos novamente deparou-se com o seguinte quadro: o homem que a salvou estava caído ao chão, parecendo estar desacordado e Olívia estava com os punhos erguidos e com uma expressão raivosa extremamente intimidadora.

- Meu Deus! O que foi isso, Olívia? – Sophie correu em direção ao seu salvador e colocou a cabeça dele em seu colo, com a intenção de examiná-lo. Olívia estava totalmente reticente, sem entender o que estava acontecendo ali.

- Mas que diabos você está fazendo, Sophie? Vai ajudar esse cara?

- Ele não é um inimigo! Ele me salvou! – falou levantando as pupilas dele para ver se ainda dava algum sinal de consciência.

- Vish... – Liv colocou a mão na nuca, ainda sem entender direito aquele contexto. Por bem ou por mal, talvez fosse melhor não entender...


Liv era uma pessoa de ação. Desde sua apresentação para os demais Vingadores, ela vinha se sentindo ansiosa para fazer algo logo. Conhecer aqueles que vira nos noticiários, combatendo monstros, salvando o mundo... De repente uma ideia absurda revelava-se real: era uma Vingadora. Fechou os punhos, sentindo o sangue correr mais rápido nas veias. Estava deitada, num quarto que lhe foi separado, olhando para o teto. "Não nasci pra ficar trancada." Queria poder agir, procurar pelo pai e pegar quem quer que tivesse feito isso, mas Fury deixou claro que ela deveria esperar mais um pouco.

- Acalme-se, Olívia – dissera. – Quem capturou Uther sabe o que está fazendo. Ainda não temos informações de quem foi, mas a lista dos suspeitos é generosa. O que você precisa saber é que são todos profissionais, sabem como agir. Não vão entrar em contato com você por um bom tempo, até que esteja tão abalada e desesperada que não ofereça resistência aos termos deles. Deixemos que eles acreditem que você não pode enfrentá-los. Confie na S.H.I.E.L.D.

Então ela confiara. Não conseguia deixar de pensar em como estaria o pai, mas sabia que preocupar-se não adiantaria. O que podia fazer era preparar-se e limpar a mente, repetir os encantamentos antes de dormir e imaginar todas as maneiras que poderia usar pra surrar os seqüestradores. Costumava pegar no sono antes de listar todas.

Mas nesse início de noite estava se sentindo sufocada. Ainda achava a estrutura do porta-aviões incrível, mas como não participava de praticamente nenhuma das inúmeras atividades desempenhada naquele lugar, ficou entediada. Não conseguira conversar de forma satisfatória com os demais heróis, apesar de haver uma centena de perguntas e comentários que queria fazer. Steve havia lutado na Segunda Guerra, Liv imaginava o que o pai diria quando ela lhe contasse os detalhes que o Capitão havia presenciado. E Thor... Thor havia estado com vikings, visto a história correr perante seus olhos, combatido gigantes. "E ele é filho de Odin! Odin existe!" Uma pequena parte dela sentia-se como uma adolescente que encontra um ídolo.

Farta de ver as nuvens passando pela janela, levantou-se e começou a perambular, quando encontrou a Dra. Sophie. Das pessoas a bordo, ela era a que Liv havia sentido maior simpatia.

- Como vai, Doutora?

- Presa – ela revirou os olhos. A cara dela não era das melhores. Liv riu.

- Isso é fácil de resolver, basta sair.

Sophie olhou pra ela e desatou a falar:

- Na verdade não é tão simples, se eu pedisse autorização Fury não concederia, se pegasse um pára-quedas emprestado logo perceberiam e se pulasse desta altura, mesmo que caísse na água, eu morreria... E mesmo que sobrevivesse a queda tenho um péssimo senso de direção e não saberia para onde nadar. – "Uau!".

- Se te serve de consolo, para mim também é um suplício estar aqui. Estou cheia de problemas lá fora e não posso fazer nada a não ser esperar o momento certo de agir. Isso me dá uma agonia e uma tristeza tão grandes que minha cabeça parece estar a ponto de explodir. – desabafou.

Uma faísca súbita surgiu nos olhos de Sophie:

- E se déssemos um jeito de sair daqui juntas? Sei lá, dar uma voltar, ver gente nova!

Liv sorriu. Não conhecia a médica a fundo e a primeira impressão que ela lhe passara não era exatamente a de alguém que gosta de quebrar regras.

- Quem diria, doutora Sophie Legrand querendo aprontar!

Sophie fez biquinho, animando-se cada vez mais com a ideia: - Hum... Se não quiser é só falar.

Como se ela fosse recusar: - É claro que quero! Vamos fazer o seguinte, nos arrumamos e daqui à uma hora nos encontramos na pista de pouso, certo?

- Combinado! – Sophie prontamente virou-se e foi tão rápido aprontar-se que quase saltitou.


Liv chegou à pista de pouso um pouco atrasada, correndo. Havia algumas roupas suas na agência, que haviam sido trazidas por funcionários. Colocara uma calça de couro preta justa e botas de salto. Junto com uma blusa vermelha, estava sensual. Alguns agentes chegaram a parar de fazer o que quer que estivessem fazendo para admirá-la. Não que Liv gostasse disso, mas se divertia com a cara abobalhada de homens que até então eram sisudos. Sophie também estava arrumada, sempre elegante. Os cabelos dela ventilavam suavemente.

- Thor não vai se sentir enciumado por você estar tão bonita e saindo sem ele?

Liv franziu o cenho. Não entendia o porquê Sophie insistia em dizer tais coisas sobre ela e Thor. Assumia que havia olhado para ele uma ou duas vezes, talvez três, mas havia sido discreta. "Ou será que não?".

- Thor não tem que se enciumar com nada que diga respeito a mim, afinal nem nos conhecemos direito. Agora o que precisamos é de um jeito para sair daqui antes que nos peguem. – Olhou em volta e percebeu que deveria ter pensado num plano antes de sair.

- Enquanto estava esperando, ouvi aqueles homens falando que levariam aquela carga para um depósito secreto da S.H.I.E.L.D em Nova York. Eu não tenho experiência com essas coisas, já que você é a heroína, mas talvez pudéssemos dar um jeito de pegarmos uma carona sem que nos vejam.

Liv olhou para a médica com admiração. Ela a surpreendia cada vez mais:

- Se sou uma heroína você está me saindo uma boa espiã! – Bolou algo rapidamente. - Escute Sophie, podemos passar por trás daqueles contêineres e esperar o momento que o homem que está fazendo o carregamento for buscar uma das caixas para que entremos e nos esconder. Temos que fazer tudo rápido, mas silenciosamente.

- Certo! Então é melhor irmos, parece que as caixas já estão quase todas lá dentro. – Sophie tinha uma expressão de quem faz algo errado e gosta disso.

Liv sabia pisar leve, mas imaginava que Sophie não sabia ser assim silenciosa. Então, fez os ventos soprarem mais forte, uivando e fazendo o barulho de seus passos ser inaudível. Logo estavam dentro do avião, escondidas entre as cargas e entre sombras que Liv havia cuidadosamente criado para cobri-las. Nem mesmo um olhar treinado as enxergaria no meio da penumbra sobrenatural.


Como desde que chegara não havia tido a oportunidade de sair para curtir, Liv não tinha ideia de onde poderiam ir. Mas estavam em Nova Iorque e as ruas fervilhavam de pessoas, festas e bares a qualquer hora do dia ou da madrugada. As possibilidades de diversão eram inúmeras, variadas e incríveis. Sophie puxou o braço de Liv e entraram num pub, lotado de pessoas, com uma banda tocando rock.

- Ah, adoro essa música! – Liv começou a cantar a música junto com o vocalista, enquanto a médica buscava alguma coisa pra beber. Revezaram-se na tarefa de pegar mais uma e mais outra até que já estavam ébrias. Quando mais um homem veio tentar dar em cima de Liv, ela decidiu que já estava na hora de ir embora.

Andaram sem rumo, rindo e conversando de forma alegre. Liv estava feliz em poder relaxar e ficou satisfeita em ver que a doutora havia se descontraído e revelado um lado divertido e até irreverente. Discutiam sobre quem era mais atraente – algo que certamente nunca fariam em situações normais que não envolviam algumas canecas de cerveja. Um pequeno barulho fez Liv mudar o foco de atenção. Parou de caminhar e soube que havia algo errado. Silêncio demais, tranqüilidade demais. Mas ela havia ouvido um click, um pequeno estalo, inaudível para qualquer ouvido normal.

- O que foi, Liv? – Sophie havia caminhado um pouco mais além e agora olhava para ela com um ar de dúvida, levemente tensa. Liv sabia que não havia um segundo a perder.

- Sophie, é melhor você sair daqui. Ache um lugar seguro para se abrigar e não se preocupe que logo irei a sua procura. – Tentou não fazê-la assustar-se, mas sabia que se ela continuasse ali por mais alguns segundos poderia estar em grave perigo. Assim que terminou de dizer isso, vários cliques fizeram-se ouvir. Tarde demais.

Das sombras surgiram vários homens vestidos com uniformes pretos, armados. Liv contou cinco saindo de um beco, três surgiram de sacadas e outros dois ela não conseguiu adivinhar. A origem. Sophie havia gritado qualquer coisa, mas Liv já não era capaz de ouvi-la mais. Instintivamente colocou-se em posição de batalha e gritou para que a outra fugisse. Viu que ela havia virado e corrido a plenos pulmões, mas quando três dos homens viraram-se para tentar detê-la, suas armas explodiram direto em seus rostos. Liv já não via nada mais, apenas sentia o sangue correr furioso pelas veias, via os homens na sua frente e as palavras mágicas fluíam pela sua garganta em murmúrios ininteligíveis.

Enquanto a cabeça dos três pegava fogo e eles corriam debilmente pra tentar apagá-lo, Liv corria para desviar da chuva de tiros que rompiam contra ela. Esticou uma das mãos e dela uma enorme carga de energia azulada voou em direção a dois dos inimigos. Eles foram atirados contra a parede de um prédio, que se quebrou. Eles não voltaram a levantar, mas Liv sabia que seria assim. Antes mesmo que esse ataque os acertasse, ela já desferia chutes contra o mais musculoso dos capangas. Mas não era uma luta comum: por onde seus pés passavam, chamas surgiam; quando pisava no chão, a terra tremia. Balas cortavam o ar perto de si, mas ninguém conseguia acertar um tiro quando não se via através do fogo e quando a terra cedia sob seus pés.

Com um último soco, o musculoso foi isolado, voando para muito longe dali, inconsciente. O restante dos agentes estava caído, tentando firmar-se sob a terra rachada em fendas profundas. Liv não estava com paciência para prolongar-se. Esticou umas das mãos e estava pronta para lançar uma última rajada de energia, quando recebeu um chute nas costas e caiu de quatro no chão, a tempo de receber uma coronhada na nuca e um outro chute, no rosto. Qualquer pessoa normal desmaiaria logo no primeiro golpe, mas Liv não era uma pessoa normal. Quando virou-se para cima, viu as miras das armas apontadas para si, dedos prestes a apertar os gatilhos.

Mais rápidas que um piscar de olhos, sombras caíram sobre todos, dissipando-se assim que os tiros das metralhadoras iluminaram o ar. Liv não estava mais no chão. Uma risada fez-se ouvir acima das cabeças dos homens:

- Isso foi fácil demais.

Liv, em pé em cima de um poste de luz, fechou um punho. Abaixo, a rua cedeu, engolindo em uma cratera os homens restantes. Liv limpou o sangue do rosto com as costas da mão. Não estava nem sequer ofegando.

Agora teria que procurar Sophie rapidamente. Dali de cima mesmo saiu pulando em silêncio, procurando por ela nas ruas próximas ali. Não deveria estar longe, afinal, desde que ela fugira até o fim da luta mal haviam se passado dois ou três minutos. Achá-la seria mais demorado do que derrotar aqueles caras. Enfim, escutou a voz dela, mas alarmou-se quando percebeu uma voz masculina por perto também. "Ah, não, Sophie! Droga, deixei escapar um, minha nossa...". Encontrou-a num beco escuro, apoiada contra a parede e à sua frente encontrava-se um homem alto. Pulou de cima do telhado, atingindo a cabeça do homem com um chute. Pousou no chão sem emitir um ruído sequer. O corpo do homem desmaiado caiu aos seus pés.

Olhou para Sophie, assustada, querendo perguntar se algo de ruim lhe havia acontecido, mas a voz ficou presa em sua garganta quando viu a médica de olhos fechados, boca entreaberta. Depois de alguns segundos assim, ela abriu os olhos e assustou-se:

- Meu Deus! O que foi isso, Olívia? – ajoelhou-se no chão e colocou a cabeça do homem em seu colo.

Liv não entendeu nada:

- Mas que diabos você está fazendo, Sophie? Vai ajudar esse cara? – por que ela faria isso com alguém que há pouco queria matá-la? Entretanto, assim que Liv baixou os olhos para ver o homem caído, entendeu o que tinha feito. Era Hawkeye, que por qualquer motivo que fosse, estava ali, naquele beco, com Sophie.

- Ele não é um inimigo! Ele me salvou!

Mas não era preciso que Sophie dissesse isso para que Liv soubesse o que estava acontecendo ali. A proximidade, o silêncio entre os dois...

- Vish... – não conseguiu pensar em nenhum desculpa, apenas sentiu uma enorme vontade de enfiar a cara na cratera que criara, escondendo-se da vergonha de interromper o momento. "Olivia Huscarl, você é mesmo um desastre!".


Merecemos reviews? *_*