Capítulo 9

Rin saiu a tropeções do banheiro, arrastou-se até a cama e rezou para que aquele fosse o último ataque de náuseas matutinas. A uma da tarde o menino, ao que parece, tinha o horário tão mudado como o dela. Deitava-se às cinco e meia da manhã, dormia até o meio dia e depois vomitava até as tripas durante a hora seguinte «Que maneira de começar o dia», pensou, deitando de costas.

Tampou o ventre, fechou os olhos e mentalmente suplicou ao bebê que voltasse a dormir. Parecia que, desde o momento em que descobriu que estava grávida, todos os sintomas começaram a aparecer.

O telefone soou, mas deixou que atendesse a secretária eletrônica. De todas as formas, não poderia formular uma frase com um mínimo de coerência.

Ao ouvir a voz de Sesshoumaru, ficou desperta imediatamente.

— Rin, liga-me. Não posso suportar. Passou muito tempo. Preciso de você.

«Preciso de você. Nada de amo você, não posso viver sem você... ». Fechou os olhos, incapaz ainda de se enfrentar com ele. Ainda tentava assimilar a ideia de que finalmente estava grávida. Do filho de Sesshoumaru. Sabia o que ocorreria quando ele soubesse. A afastaria como todas as demais mulheres de sua vida. Sua fobia ao compromisso fazia parte de sua rejeição à paternidade. Ainda assim, se sentiria obrigado e ela não o queria assim. Queria sua total entrega.

Não faz sentido que deixe para mais tarde, pensou, levantando inesperadamente. O movimento foi um erro. Veio outra onda de náuseas que apaziguou bebendo o copo de água que estava na mesinha. Depois sustentou a cabeça entre as mãos, pensando em Sesshoumaru. Iria lhe dizer. Hoje.

Sesshoumaru estava contente porque já era fim de semana e não estava de plantão. Sua atenção aos pacientes tinha deixado bastante a desejar durante aquela semana.

Precisava estar só, ainda que aquela tranquilidade conseguisse deixá-lo louco. Encontrava-se esparramado sobre o sofá, bebendo uma caneca de café. Finalmente desligou a TV e suspirou. Nem sequer queria levantar essa manhã. Ter que enfrentar um novo dia sem Rin lhe corroia as entranhas. A escutando pelo rádio a cada noite desde que se foi de sua casa.

Só em ouvir sua voz se tranquilizava. Perguntou se ela estaria passando tão mau como ele. O telefone soou e pôde ouvir sua voz deixando uma mensagem na secretária eletrônica. Sesshoumaru deu um salto para o telefone e atendeu.

— Rin — perguntou ansioso. — Olá, doutor. Como está? — apesar de seu tom alegre, Rin fechou os olhos pelo prazer de voltar a escutar sua voz. Sesshoumaru deixou escapar um suspiro de alívio. — Fatal. Tenho saudades, Rin.

— Eu também tenho saudades — disse Rin, com um nó na garganta. — Então deixa que a veja. Sinto-me como uma criança que lhe tiraram o doce.

Rin esboçou um sorriso. — O mesmo digo.

Desde que voltou de San Diego, nunca haviam estado separados durante tanto tempo, e mesmo assim ligavam ao menos duas vezes na semana.

— Podemos encontrar uma solução, sei que podemos. Fala comigo.

Rin incomodou-se com a determinação com que o disse. A única maneira de soSesshoumaruionar era que mudasse de ideia com respeito aos filhos.

— Pode ser que não goste do que tenho que dizer a você.

— Carinho, seja o que for, tem que ter uma solução. Não posso perdê-la.

— No Plum's Café, em uma hora, de acordo?

Sesshoumaru deu um olhar rápido ao relógio da lareira.

— Ali estarei — afirmou.

Parecia tão ansioso por vê-la... Rin teve vontade de chorar.

— Muito bem. Até depois.

Sesshoumaru desligou e se dirigiu ao seu quarto para tocar-se. Parou um momento no meio do caminho. Rin parecia preocupada, cansada, pensou. E assustada.

Rin cruzava a esquina enquanto saía à rua onde estava a cafeteria, quando viu Sesshoumaru abraçar outra mulher. Uma mulher pequena e loira. Parou rápido. Acelerou-lhe o coração sentindo como a ira e o ciúme a invadia ao ver como sorria, dizia algo que não pôde captar, tocava-a na bochecha. Deu um passo, porque não queria passar ignorar o que viu, mas depois decidiu que não valia a pena montar uma cena diante de toda a cidade. Voltou-se.

— Rin!

Continuou caminhando e acelerou o passo para o carro. Sesshoumaru correu atrás dela, e justo quando ela colocava a chave na fechadura, ele a alcançou. — Por que estava indo? Não me ouviu chamar?

— Ouvi e vi. — olhou-o irritada, depois desviou a vista para a mulher e voltou a olhá-lo. — Sabia que o compromisso não era seu forte, Sesshoumaru, mas, isto deve ser um recorde. Mesmo para você.

— Que? — virou-se para olhar à loira e depois a ela. — Não entendeu carinho.

— Sério? Peço que venha pra gente conversar e o vejo com outra mulher.

Rin abriu a porta do carro, obrigando-o a se afastar, mas Sesshoumaru agarrou-a e puxou-a. Deu-se conta de que estavam chamando a atenção. Caminhou até seu carro, abriu a porta do passageiro e rosnou: — Entra. Com o cenho franzido, Rin sentou-se em seu carro.

— Esta com ciúme — disse Sesshoumaru, uma vez ligando o motor.

— Depois disso sim.

— Não tem nenhuma razão para estar com ciúme. E é você que quer se livrar de mim.

— Eu não queria.

Ele lançou um olhar ardente. — Então não o faça.

— Tem uma reputação com a qual estou bastante familiarizada, Sesshoumaru. Ouvi falar de cada uma de suas conquistas. O que acha que devo pensar se o vejo abraçando outra mulher?

Sesshoumaru virou para olhá-la. — Supõe-se que deve confiar em mim. Como fez durante quinze anos — a expressão de Rin se abrandou. — E essa era a mãe de um paciente. Estava me agradecendo por salvar a vida de seu filho.

Rin sentiu-se culpada.

— Um paciente?

— Sim — disse, aproximando dela. – Você é a única mulher que quero abraçar Rin.

O coração de Rin deu um salto e depois se afundou de novo ao recordar o que iria contar.

— Sinto muito. É que quando não nos vemos, mal posso pensar em outra coisa, senão que cometemos um engano.

— Não, maldita seja, não é assim — e depois a beijou.

E os dias frios de separação dissolveram-se no calor do momento. Ela se inclinou e ele a apertou contra seu corpo enquanto a beijava calorosamente. Seus lábios e sua língua se apossavam de sua boca, seduzindo-a, mostrando quanto sentia saudades, quanto precisava dela. Beijaram-se com ansiedade, tratando de aproximar-se o máximo possível, a mão dele se introduzindo debaixo de sua blusa, e a mão dela apalpando sua calça. Sesshoumaru emitiu um rosnado de frustração ao sentir sua carícia. Abruptamente, ele a pôs no assento e manobrou o carro, se unindo por fim ao tráfico. Conduziu o esportivo a toda velocidade. O Jaguar tomou as curvas como se fosse para uma corrida. Mudou de marcha, com a vista fixa na estrada, enquanto sua mão deslizava por debaixo de sua saia, abrindo-lhe as coxas.

— Sesshoumaru!

— Abra-se pra mim, carinho, preciso tocá-la.

A força de vontade de Rin se evaporou e abriu as pernas. Seus dedos deslizaram por debaixo da calcinha e entre as dobras da úmida carne. Rin conteve o fôlego, arqueando o quadril enquanto ele brincava com a intenção que não deixar lugar a dúvidas. Não importou. Não podia pensar em nada mais.

— Muda de marcha — ordenou. Ela obedeceu, sem querer que parasse, e quando ele se meteu pelo caminho de carvalho e estacionou finalmente na garagem, ela estava disposta a fazer amor ali mesmo imediatamente.

Quando se fechou a porta da garagem ficaram na mais completa escuridão, mas em poucos segundos ele abria a porta do passageiro e a tirava do carro para beijá-la de novo. Ao notar o frio aço nas pernas, Rin sentiu que a urgência a devorava. Sesshoumaru respondeu a sua demanda levantando sua saia. Enganchou o fino elástico da calcinha com os polegares e a tirou dela, rasgando-a. Antes que Rin pudesse reagir, a estendeu sobre o capô, introduziu as mãos abaixo das nádegas e levantou seu quadril. Olhou-a nos olhos, com um sorriso sexy, antes de saboreá-la.

— Sesshoumaru!

Mas ele a aprisionou entre seus braços e sua língua devorou seu sexo com avidez, penetrou em seu interior com determinação, torturando-a incansavelmente, fazendo com que ela se arqueasse sobre o frio metal.

Depois abriu suas coxas e introduziu dois dedos nela. Rin encontrou o paraíso instantaneamente e emitiu um grito que ecoou nas paredes da garagem. Ele continuou empurrando até que seu corpo se acalmou e então a desceu do carro e a arrastou até a casa.

— Não posso acreditar que fez isso com minha calcinha — disse ela, ainda tremendo.

— Sim, eu sei — grunhiu ele, beijando-a com ferocidade. — E também preciso tirar isso, já — acrescentou, antes de desabotoar a blusa, desabotoando o sutiã e segurarando seus seios com as palmas das mãos.

Ela se afastou dele, empurrando-o para trás.

— Você também.

Lutou com os botões de sua camisa enquanto os dois tiravam os sapatos. A blusa e o sutiã caíram no tapete, deixando um rastro sensual desde a garagem até a entrada. Impaciente Sesshoumaru empurrou-a contra a parede mais próxima. E voltou a beijá-la.

Não podia conter seu desespero. Precisava dela, não só seu corpo, a desejava tanto que não podia suportar a ideia de voltar a estar sem ela.

Nunca se sentiu mais perdido. Em seus braços dentro de seu corpo, queria provar que eram feitos um para o outro. Separado dela, estava vivendo menos, com ela, se sentia inteiro e humano. Olhando-a nos olhos, pôde ver seu futuro, a vida com a qual havia sonhado de menino. Um lugar ao qual chamar lar.

Não ia permitir que se fosse, nunca. Isso era o que seu beijo transmitiu enquanto tirava a camisa e a apertava contra a parede.

Baixou a saia, agarrou-lhe as nádegas com as mãos e pressionou-a contra ele com dureza, sussurrando que não podia esperar para estar dentro dela, a sentir que seu corpo o envolvia.

— Então precisamos de menos roupa — disse ela afastando sua saia com um puxão. Depois, abriu-lhe a calça apressadamente e sua mão fechou-se em torno de sua masculinidade. Ele gemeu em voz alta empurrando sua ereção contra sua palma enquanto acariciava os seios. Ela deslizou pela parede, arrastando a calça no movimento, e o envolvendo de novo, o colocando na boca. A mente de Sesshoumaru ficou em branco. Mal pôde permanecer em pé, teve que se apoiar com os dois braços na parede enquanto a cada toque de sua língua ia fazendo-o perder o controle. Sabia que estava gemendo como um louco, mas não podia evitar. — Rin, Rin, carinho.

Ela fez pouco caso de sua súplica e continuou com seu doce ataque. À beira do abismo, Sesshoumaru agarrou-a pelos braços e levantou-a. Lançou-se sobre ela devorando sua boca, seus seios. Começou a afastar-se da parede, levando-a com ele, para o quarto. As calças ficaram no caminho. Não deixaram de se tocar e beijar freneticamente, descobrindo novas sensações. Enquanto a encurralava contra um dos postes da cama, Sesshoumaru tirou um pequeno pacote da gaveta e o abriu.

Ao vê-lo. Rin sentiu uma pontada de culpa, que desapareceu quando ele submergiu um mamilo no calor de sua boca, e depois traçou um caminho de beijos por seu corpo, marcado na curva do quadril, no ventre, e quando a fez virar, nas nádegas e na esbelta coluna. Rin jogou a cabeça para trás e se agarrou ao poste ao sentir que seus dedos se afundavam entre as coxas. Tocou seu corpo como um experiente violinista que afina as cordas de seu violino.

— Sesshoumaru, por favor — suplicou, se apertando contra sua ereção.

Sesshoumaru não pôde conter um gemido de antecipação ao ver como ela se agachava ligeiramente, abrindo confiadamente o calor úmido de sua vulnerabilidade. Encheu-a por completo, profundamente. Agarrou-se a seus quadris e fechou os olhos. O sentimento de plenitude que o invadiu roubou seu fôlego e deu passo a uma paixão turbulenta. Retirou-se lentamente. Ela emitiu um gemido, quase um ronronado, e ele respondeu vibrando quando os delicados músculos se tencionaram, o envolvendo como uma luva. Rin sentiu que sua alma se partia em duas, dividida pela necessidade desesperada que sentia dele.

Sesshoumaru percebeu sua impaciência e sustentou-a com força, empurrando uma e outra vez, desejando que aquilo nunca terminasse. De repente afastou-se, provocando um grito de frustração que ele afogou com um beijo, enquanto a fazia virar e a levantava. Voltou a casa com um movimento suave e fluído, estendendo-a sobre a cama sem romper o ritmo sinuoso dos quadris. Dobrou ligeiramente a perna, reclinado sobre ela, sorriu ao ver seus formosos olhos, e a penetrou com firmeza.

— É minha, Rin. Sempre o foi – sussurrou. — E sempre será.

— Sim — murmurou ela junto a seus lábios. — Sim. Sempre. Oh, Sesshoumaru.

Ondas de prazer os engoliram enquanto seus corpos fundiam-se e separavam ao uníssono, e através de seus olhos azul claro ela pôde ler nas profundidades de sua alma. Ofegou, tratando de respirar, rodeando-o com as pernas, ansiando pelo êxtase esplendido de sua união.

Observou como o prazer dele iluminava seus traços, como perdia o fôlego, sem deixar de olhar nos olhos enquanto se afundava nela uma vez mais, e a onda do clímax o elevava ao mais alto e rompia em seu interior.

— Rin, Rin.

— Eu sei carinho, eu sei.

Surpreendia-a cada vez que faziam amor. O poder e a força das sensações que se encadeava clamando pela libertação que só ele podiam dar.

Beijaram-se, abraçados e trêmulos, resistentes em voltar à realidade. Porque Rin sabia que teria que enfrentar seu problema, e revelar o segredo que guardava a salvo nas entranhas. Sesshoumaru relaxou preguiçosamente, sorrindo ao ouvir Rin buscando sua roupa por toda a casa. Abriu um olho quando entrou no quarto. Usava sua camisa e não podia parecer mais sexy. Ela lhe jogou a calça no rosto.

— Não tenho calcinha.

Ele sorriu de orelha a orelha. Estava tão linda, com os braços erguidos e a camisa aberta mostrando o vale entre seus seios e os suaves caracóis entre as coxas.

— Não disse a você que minha fantasia era deixá-la sem calcinha quando estivesse comigo?

— Que diferença pode ter se em seguida me tira?

— Então não as use nunca.

Ela lhe deu um olhar enquanto recolhia a saia do chão, franzindo o cenho ao ver o amassada que estava.

— Vou parecer uma prostituta se sair daqui assim.

— Não é verdade. Vai parecer uma mulher que foi amada apaixonadamente durante toda à tarde — disse, dando uns golpezinhos na cama. — Fica.

Ela não o olhou, negando com a cabeça enquanto examinava a blusa, que estava pouco mais ou menos igualmente amassada.

— Tenho que ir trabalhar antes do habitual para gravar algumas chamadas publicitárias para um novo patrocinador.

Tirando a camisa, pôs o sutiã e a blusa. Sesshoumaru notou que suas mãos tremiam ao subir a saia. E que evitava seu olhar. — Rin? — saiu da cama e pôs a calça.

— Sim? — subiu o zíper da saia, colocando a blusa por dentro.

Sesshoumaru recordou então como começou o dia, quando falaram por telefone. Aproximou-se dela e levantou o queixo para que o olhasse nos olhos.

— Diga-me o que sucede Rin. Noto que algo a incomoda.

Rin soube que o momento que temia tanto havia chegado.

— Supõe-se que ia ter a primeira inseminação nesta semana.

Sesshoumaru se tencionou. — E ao que parece não o fez — disse, em tom de interrogação.

Ela mexeu a cabeça. Sesshoumaru sentiu-se fatal sabendo o quanto ela desejava.

— Mudei de ideia. Incrível, não? — soltou uma gargalhada seca. — Após todo meu discurso, não pude fazer, não queria corre o risco de perdê-lo.

Sesshoumaru sentiu-se ao mesmo tempo triste e comovido.

— Quero uma vida contigo, Sesshoumaru, e se o fizesse, sei que o perderia.

— Não, carinho, não me perderia. Nada vai impedir que estejamos juntos. Só temos que encontrar uma solução.

— É o que espero — disse ela, afastando os olhos.

— Está escondendo algo, Rin — ela o olhou e a pena que viu em seus olhos surpreendeu. — Diga-me. Deus meu, parece que morreu alguém.

— Quando o médico entrou no consultório com o resultado das análises, já estava decidida. Ia embora para vir vê-lo. Então me deu os resultados e... — tomou ar e soltou: —... Era muito tarde. Já estou grávida.

Sesshoumaru olhou-a fixamente enquanto digeria as palavras.

— Grávida? Mas se não fez a inseminação...

— Vamos ter um filho, Sesshoumaru. O bebê é seu.