CAPÍTULO NOVE: TEMPO DE TERROR

Já em Hogwarts, a vida continuava. A escaramuça mal sucedida estava emplastrada nas manchetes do IProfeta Diário/I - o famoso James Potter sobrevivera de novo. Repórteres começavam a chamá-lo de "Imortal" e eram bem sabido que o Auror mantinha-se solidamente no segundo lugar na lista de alvos de Voldemort, perdendo apenas para Albus Dumbledore, o único homem que o Lord das Trevas temia enfrentar e sozinho tirara o mundo bruxo da beira do abismo há quatro anos. Com o passar dos anos, o pai de Harry era um espinho constante na garganta de Voldemort e agora parecia que se tornara um alvo mais uma vez. Mas enquanto as semanas passavam, até mesmo os mais mortais assassinos de Voldemort não conseguiram derrubá-lo. Houveram vários incidentes que chegaram perto de trincar os dentes de Harry (pontuados pelos comentários inevitáveis de Malfoy sobre como os dias de seus pais estavam contados), mas nada se realizou. Então Harry permanecia seguro em Hogwarts, lutando para fingir que tudo estava certo no mundo.

Sua primeira partida de quadribol - contra a Slytherin, anda por cima! - tornou isso ainda mais fácil de se conseguir. As habilidades naturais fenomenais de Harry o tornavam ainda melhor que o pai, que quase fora jogar profissionalmente e apesar de nenhum outro calouro ter entrado no time da casa, ele se tornara o Apanhador iniciante da Gryffindor. Sua primeira partida fora emocionante, a despeito das três costelas quebradas com que acabara após um encontro bem íntimo com um balaço bem mirado pouco antes de pegar o pomo. Outro balaço arrebentara a cabeça de Fred Weasley, pondo os dois Gryffindors na ala hospitalar enquanto seus companheiros de time celebravam, mas até mesmo isso não poderia tirar a alegria de ter se sobressaído contra a casa de Malfoy. O quadribol era, de muitos modos, a representação de Hogwarts na guerra lá fora. Agora, o bem (Gryffindor) e a justiça movera-se a frente do mal (Slytherin) pela primeira vez em anos. Talvez o mundo real não fosse tão preto-e-branco, mas também, eles ainda eram muito novos.

Mesmo Hogwarts, porém, não era imune às mudanças lá fora e a tragédia atingiu intimamente os calouros da Gryffindor em novembro. Momentos antes da entrega do correio matinal, o Professor Fletcher tirara um confuso Neville Longbottom do Salão Principal, contando ao garoto gentilmente que sua família estava ali para vê-lo. Instantes depois, com a chegada do iProfeta Diário/i de Hermione, eles descobriram o porquê.

bLONGBOTTOM CAPTURADO/b

Cedo na noite de ontem, uma equipe de Aurores, liderado pelo veterano Frank Longbottom, conduziu uma batida num local suspeito de ser ponto de encontro

de Comensais da Morte, em Londres. A suposta reunião mostrou-se ser uma

armadilha e seis trouxas foram mortos na batalha que se seguiu entre os cinco

Aurores e os Comensais da Morte, que as testemunhas relatam serem pelo menos

em doze.

Longbottom, um Auror desde 1976, conseguiu remover sua equipe - mas a um grande

custo seu. Quando atuando como retargada para Ernie Jordan, Virginia Wilson,

Sam Ackerley e Oscar Whitenack, Longbottom foi encurralado por vários Comensais

da Morte. Reslatos dizem que ele tentou usar sua varinha contra si mesmo, para

evitar a captura, mas foi detido antes de poder tirar a própria vida. Boatos

dizem que Longbottom foi levado para Azkaban, anteriormente a prisão bruxa e

agora o quartel-general d'Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

Não há muita esperando de resgate. Arabella Figg, a Chefe do Departamento de

Execução das Leis da Magia comenta que "Frank é um bom homem e um Auror

experiente. É claro que faremos tudo em nosso poder para libertá-lo... mas não

esperem milagres. Tudo que pode ser feito, será feito."

Até hoje, ninguém escapou de Azkaban. Repetidos esforços do Ministério para

romper a segurança da ilha fracassaram, apesar de haver rumores de uma

organização secreta chamada "A Ordem da Fênix", que também tem trabalhado sem

cansar para este fim. Contudo, não há nada conhecido sobre esta "ordem" além

de seu nome que tem se aliado a certos membros do Ministério na luta contra

Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

A esposa de Frank Longbottom, Alice, também Auror, não pôde ser contatada para

comentar. O casal tem um filho, Neville, que entrou no seu primeiro ano de

educação na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Ele tem onze anos.

"Pobre Neville," Hermione suspirou.

"É," Ron respondeu, olhando para Harry, que piscou. De todos seus amigos, ele era quem melhor compreendia a desesperança da situação; Harry sabia que seu pai estivera lutando há anos para achar um modo de inavandir Azkaban, mas nunca tivera sucesso. Fazê-lo seria um milagre.

"Espero que Neville esteja bem," Harry finalmente respondera, desejando que houvesse mais a dizer, mas não havia.

Simplesmente não havia.

Neville faltou a aula da manhã e as da tarde também. De fato, ele voltara para o dormitório naquela noite, deixando Harry, Ron, Dean e Seamus se preocupando. Na manhã seguinte, descobriram que Neville fora embora com a mãe e a avó por alguns dias; levou dois dias para ele voltar a Hogwarts. Quando o fez, Neville, que sempre fora um garoto quieto (apesar de inegavelmente brilhante), tornara-se ainda mais quieto e definitivamente distraído. Ele começou a ficar esquecido e até desastrado às vezes (o que ele não era antes) e os calouros da Gryffindor tinham que se assegurar que desastres não seguissem Neville. Eles não se importavam, é claro, porque era para isso que serviam os amigos, mas quando uma semana passou, manter seu amigo fora de problemas ficou ainda mais difícil. Neville simplesmente parecia não ise importar/i. Poções, é claro, era o pior.

Tudo estava indo bem. Pensando melhor, Harry teria dito que as coisas estavam indo bem demais e algo estava para acontecer. Pelo menos desta vez, porém, Malfoy e seus paus-mandados não estavam caçoando dos Gryffindors (apesar de Harry ter certeza de que eles tinham algum outro motivo para iisso/i) e a aula quase acabara. Só alguns ingredientes a mais e terminariam-

Sem explicação, o caldeirão de Neville caiu no chão.

Desabou seria uma palavra mais adequada. Desabou e esparramou, por todo lugar. O líquido verde fervendo atingiu Harry, Ron (que felizmente protegeu Hermione de ser atingida), Dean e - é claro - o Professor Snape. Tinha que atingir o Professor Snape. Bem nas costas de seu robe de seda caro.

Previsivelmente, o mestre de Poções virou-se, seu rosto constrito com uma fúria mal contida. Imediatamente, seus olhos negros centraram-se em Neville que se encolheu diante da pressão daquele olhar sem remorsos. Os lábios de Snape formaram um rosnado antes que o vice-diretor pudesse se controlar e suas palavras saíram de uma maneira fracionada, que mal tentava esconder o desprezo que sentia pelo bruxo. Seus brilhavam enquanto ele falava:

"É pedir demais a você auto-controle, Longbottom? Não tem nenhum senso da situação?"

Neville parecia como se quisesse afundar no chão. "Sinto muito, professor," o garoto respondeu incerto. "Não estava prestando atenção..."

"É claro que não estava prestando atenção!" Snape disse com desprezo. "Não deveria esperar mais do que isso de sua família. Todos vocês parecem inéptos e incapazes."

Neville empalideceu. Hermione engasgou. E Ron xingou baixnho de um modo totalmente contrário ao que sua mãe o ensinara, enquanto que Harry não pôde evitar de encarar. Por um instante, poderia ter jurado que o desprezo no rosto de Snape fraquejar bem de leve quando o lábio inferior de Neville tremeu, mas o mestre de Poções manteve seus olhos odiosos no rapaz, desafiando-o a contradizer o vice-diretor da escola mais antiga de bruxaria. É claro que dado a montanha-russa emocional em que Neville estivera na semana anterior, não havia chance - e depois de um momento de luta desencorajada para poder enfrentar o olhar do professor, Neville afastou-se. Com um dar de ombros, ele saiu correndo da sala de aula.

Por um instante, nenhum dos calouros soube o que fazer. As ações de Neville pareceram surpreender até Snape e Harry voltou-se para Ron, aproveitando-se do espanto de todos. Seus olhos se encontraram e seu amigo ruivo assentiu, compreendendo. Por mais estranho que fosse, Snape não se moveu quando Ron seguiu Neville pela porta, ou quando Harry adiantou-se para evitar que ele o fizesse. Um silêncio desconfortável reinou na sala de poções, até os olhos de Snape se estreitaram de repente e ele se voltou para os Gryffindors.

"Limpem essa bagunça," ele soltou irritado, afastando-se. Lentamente, a sala de aula voltou a vida e até mesmo enquanto se inclinava sobre a poça no chão, Harry pôde ouvir Malfoy e seus amigos dando risadinhas sobre a covardice de Neville. Como sempre, Snape deixou-os livres para fazê-lo.

Incrivelmente, porém, ele não fizera um comentário mordaz sobre isso.

Neville ficaria bem, no fim; pois o exterior quieto, recém assustado e solitário escondia uma força que poucos previam. No fim, ele nunca esqueceria os amios que se importavam com ele naqueles dias, como quando Ron o perseguira e o trouxera de volta à sala comunal da Gryffindor, onde seus amigos o tiraram na concha com risadas e piadas - todo mundo, afinal, já não fora vítima da tirania de Snape pelo menos uma vez? Um idiota nojento, ele era, um filho da mãe imprestável que não devia ter permissão para ensinar. Tudo ficaria bem, no fim - eles lhe asseguraram isso com sorrisos, embora não tivessem tanta certeza assim. Mas amigos ajudavam nas horas difíceis e nas boas e ficaram ao seu lado. Hermione chegou a ir até o Professor Fletcher, o distante e frio diretor da casa - mas nada, infelizmente, resultou disso, apesar de terem esperado que o diretor tivesse tido uma conversa particular com o Professor Snape. Harry assegurou-lhes que sim. Remus Lupin simplesmente era esse tipo de homem.

Em tudo, o incidente estava quase esquecido quando os seis Travessos da Gryffindor lutaram se vingar do professor de qualquer maneira que podiam e até mesmo Neville riu na aula de poções seguinte, quando o quadro negro começou a dizer a Snape (entre outras coisas) que ele era um imbecil feio, seboso e esgorregadio, inadequado para andar no território sagrado das masmorras de Hogwarts. Os Slytherins, o quadro negro clamava, eram em geral um bando de traidores e chorões que eram estúpidos demais para achar que poder significava algo. Eles também, o quadro declarou, não sabiam o que era amizade. E aí ele voltou aos insultos criativos (criativos, é claro, em mais de uma maneira, porque não tinham encantado o quadro para simplesmente ser rude; usaram um arco-íris de cores para mostrar sua linguagem criativa). Nada poderia deter o quadro também, até que a magia se esgotou doze horas depois. Aquilo acabou em detenção, mas como os Travessos decidiram, fora uma peça que valera a pena o preço.

Em retrospecto, se Snape não lhes tivesse dado detenção, ele poderia ter saído dessa com menos problemas.

Meia noite.

Uma hora para atos ilegais, encontros ilícitos e andadas à espreita. A calada da noite sempre exercera uma atração para aqueles que desejam evitar atenção. A escuridão e a quietude gerava segurança e ajudava a acrescentar e criar medo. Não era por nada que os trouxas chamavam tais horas de Horas das Bruxas, pois por toda história, bruxas e bruxos fizeram bom uso da calada da noite. Para o bem ou para o mal, a meia noite é a hora ideal. Para assassinato ou confusão, não há melhor.

Os mais velhos dos Travessos descobriram a segunda opção no primeiro ano deles. Os mais novos estavam descobrindo atualmente a primeira.

Harry, Ron e Hermione tinham acabado de ser liberados de uma detenção horrível com o Professor Snape e queriam fazer algo melhor do tempo deles. Estavam acordados de qualquer forma, e por algum motivo, Snape os deixara ir imais cedo/i. Tal gentileza, se pudesse ser assim chamada, era desconhecida. Então queriam criar uma peça para dar o troco. Afinal de contas, o vice-diretor era um imbecil feio e mau-humorado merecedor. Acharam que algumas das plantas mais barulhentas da estufa seria uma ibela/i adição à sala dele (que Snape deixara assim que os liberara), e saíram para tornar aquela decisão uma realidade. A Professora Sprout gentil e confiante como era, nunca trancava a Estufa Três. Sabendo disso, Fred e George tinham feito bom uso disso ano passado e foram bastante gentis em compartilhar isso com seus companheiros mais novos.

Harry só queria encontrar uma planta que mordesse. De preferência com força. Só podia imaginar o olhar no rosto de Snape quando a planta afundasse os dentes no traseiro coberto de sedas do mestre das poções... Com um largo sorriso, ele deu de ombros, afastando o pensamento. Teriam tempo para apreciar isso depois. Agora, tinham que entrar na estufa e achar o que estavam procurando - nada fácil quando se tentava esconder três pessoas, não importa quão novos fossem, debaixo de uma capa de invisibilidade. Como sempre, Ron tropeçou nos próprios pés, e Harry teve que conter o desejo de xingar. "iRon/i! Tome cuidado!"

"Desculpe."

"Fiquem quietos vocês dois." Hermione silvou. "Vamos ser ouvidos!"

"Não há ninguém aqui para nos ouvir, 'Mione," Ron retorquiu.

"Sério?" ela quis saber, gesticulando na direção de uma figura encapuzada que caminhava pelo gramado. "Então quem é iaquele/i? E não me chame de 'Mione; Meu nome é Hermione."

"Nossa, desculpe," Ron replicou. Mas ele não soava muito arrependido.

"Psiu!" Observando a forma sombria, Harry acalmou-os. Ele manteve a voz no nível de sussurro. "Acho que é Snape!"

"Ótimo. Só o que a gente precisa," Ron resmungou. Ele puxou o cotovelo de Harry. "Vamos."

Harry abriu a boca para responder, mas Hermione o superou. "Vamos?" ela perguntou, lendo a mente de Harry. "Por que nos iríamos? Vamos ver o que está fazendo."

"Por quê?" Ron perguntou.

Harry sorriu. "Boa pergunta," ele replicou, embora soubesse que não era o que Ron estava perguntando. "Por que ele iestá/i aqui?"

"Principalmente a esta hora da noite," Hermione acrescentou.

"Quem é aquele?" os olhos aguçados de Harry avistaram uma segunda forma.

"Onde?" Hermione perguntou.

"Ali!" Ron apontou para a segunda figura, também encapuzada, que aparecia das sombras lançadas pelos portões do gramado.

"Não aponte, Ron!"

"Sério, Hermione, dá pra pensar que não estamos debaixo da capa de invisibilidade," o ruivo retorquiu.

Harry sabia que ela estava corando. "Ah. Esqueci."

"Dá pra ficar calado?" Harry quis saber, observando as duas figuras se encontrarem. Era difícil dizer à distância, mas achava que os dois eram homens - e ainda tinha certeza de que o primeiro era o Professor Snape. Apurou os ouvidos para ouvi-los falar e podia jurar que seus amigos faziam o mesmo.

Snape aproximou-se e a outra figura falou em voz trêmula. "Por que demorou tanto?"

"Meus assuntos não são da sua conta," o vice-diretor explodiu, irritado. "Agradeça que eu consenti em me encontrar com você."

"Nosso Mestre não... aceita bem... esperar..." o outro gaguejou.

"Nosso Mestre, Quirrell, está bem ciente da minha agenda," Snape replicou irritado.

Hermione perdeu o fôlego ao mesmo tempo em que Harry sentiu seu sangue esfriar. Só havia uma pessoa de quem eles estariam falando-

"Recuso-me a ser culpado por seu atraso," Quirrell reclamou. "Qualquer coisa que aconteça só cairá sobre sua cabeça!"

"Cale-se, Quirrell."

O professor de Artes das Trevas endireitou-se com um raio. Mesmo à distância, podam ver seu corpo ficara tenso. "Você-"

Em um movimento suave, Snape esticou a mão, agarrando o homem mais baixo pelo colarinho e o chocalhando com força, interrompendo Quirrell no meio da frase. "Disse para se calar, Quirrell," ele resmungou. "A menos que queria enfrentar a iminha/i fúria antes da do Lord das Trevas." O professor de Artes das Trevas encolheu-se e Snape continuou acidamente. "Asseguro a você, se isso acontecer, que você é quem lidará com as penalidades por atraso, quando explicar ao Lord das Trevas como me enfureceu o bastante que me obrigou a idiscipliná-lo/i antes de ir à presença dele."

Quirrel fitou-o, assim como eles. Harry sempre odiara Snape, mas nunca ouvira-o parecer tão... iperigoso/i. Obviamente, porém, o professor de Artes das Trevas já e isso o aterrorizou a ponto de entrar num silêncio trêmulo. Após um momento, a mão de Snape moveu-se para o ombro de Quirrell e ele arrastou-o. "Vamos," ele exigiu bruscamente. "Estamos sendo aguardados."

Juntos, os dois professores passaram pelos portões de Hogwarts e então sumiram. O trio ficou parado em silêncio por um instante, quebrado apenas pelo sussurro de Hermione. "Meu Deus," ela disse. "Será que...?"

"Comensais da Morte," Harry disse sombriamente. Sentia frio, mas não poderia ser de outra forma. Não havia outra explicação plausível. Não queria acreditar. "Eles são Comensais da Morte."

"iDois/i professores?" Ron disse, incrêdulo. "Quero dizer, meu pai sempre disse que Snape era um deles, mas iQuirrell/i? Acho ele muito assustado para esse tipo de coisa. É inacreditável."

"Temos que contar ao diretor," Hermione disse decidida.

Ela estava certa. Harry tirou a capa; não tinha sentido usá-la agora. Ele a enfiou apressadamente no bolso. "Vamos lá."

Ao entrar no castelo, o trio percebeu imediatamente que tinham problemas. Primeiro, nenhum deles sabia o caminho para a sala do Professor Lupin e não era como se pudesse simplesmente ir até um professor perguntar - o relógio na parede dizia a Harry que já passava bastante da meia noite agora. Além disso, não havia uma razão sensata para crer que o diretor estava na sua sala a esta hora; provavelmente estaria em seus aposentos, mas eles não tinham idéia de onde ieram/i também. Por um longo momento, vasculharam o castelo sem direção, perguntando-se se encotrariam ialgum/i professor (no momento, não iriam escolher demais e os únicos dois que eles preferiam evitar definitivamente não estavam no castelo agora), mas o castelo estava anormalmente quieto. Em qualquer outra noite, teriam ficados gratos pelo silêncio, mas agora, tornava tudo mais difícil.

Assim como a aparição de Filch.

Harry, Ron e Hermione viraram num canto, procurando desesperadamente por alguém que acreditasse neles quando Ron por pouco pisou na Madame Norra. E onde a gata estava, Filch estava logo atrás. Ron xingou. A Madame Norra miou.

O instinto lhes disse para correr, e todos os três viraram-se para fazê-lo, até que Hermione agarrou o braço de Harry (ele era o mais próximo) e gritou, "Esperem!"

"Está maluca?" Ron quis saber, detendo-se abruptamente e fitando-a como se ela tivesse enlouquecido.

"Não," Hermione rolou os olhos. "Pense, Ron. Filch pode-"

"Ora, ora, ora..." a voz familiar deteve-a no meio da frase e todos os três voltaram-se para encarar o zelador, que segurava a gata nos braços. "Alunos fora da cama depois de escurecer... Aonde será que eles estavam indo, minha querida?"

Madame Norra miou.

Hermione tentou sorrir. "Na verdade, estávamos procurando um professor-"

"Claro que estavam," Filch explodiu, sua voz alta e zangada. "Provavelmente estavam procurando outro modo de destruir todo o trabalho duro que eu faço, limpando o castelo do chão ao teto! Ora, eu não ficaria surpreso se vocês três estivessem de concluio com aqueles gêmeos Weasley infernais-" O zelador de repente piscou os olhos, então se interrompeu no meio do sermão. "Venham comigo, vocês três. O Professor Fletcher vai cuidar de vocês."

Havia horas em que ele se perguntava sobre o Sr. Filch. Harry abriu a boca para objetar, mas deteve-se quando Hermione chutou-o no calcanhar. Virando-se para lhe lançar um olhar feio, ele percebeu assombrado que ela estava certa - eles estavam procurando por um professor, de qualquer forma, e o Professor Fletcher costumava ser Auror. Ele saberia o que fazer e também saberia como achar o diretor. Portanto, o trio seguiu Filch muito mais docilmente do que normalmente o fariam e esperaram pacientemente no corredor enquanto o zelador mergulhava num aposento. Minutos depois, o diretor de sua casa apareceu.

Mundungus Fletcher tinha o cabelo loiro e olhos verdes e talvez um dia tivesse sido bonito. Contudo, não era a cicatriz do lado direito do rosto que o tornava feio - e feio ele era - em vez disso, era a expressão eternamente hostil e fria que ele sempre mantinha. Antes de sua captura, Harry ouvira dizer que ele fora um homem gentil, dado a rir, e às vezes, a fazer piadas, mas agora ele não era nem uma sombra disso. Seus olhos haviam se tornado um gelo verde e para sempre assombrados pelo que experimentara nas mãos de Voldemort. Ninguém na Gryffindor (ou em toda Hogwarts, aliás) podia dizer que ele era iinjusto/i; o Professor Fletcher era justo e nunca mantinha favoritos. Mas ninguém nunca o acusara de ser gentil.

E ele não era exatamente adorado também.

Harry, porém, nunca ficara tão feliz em ver o ex-Auror, quando o Professor Fletcher, o cabelo curto em pé e obviamente piscando para afastar o sono, entrou no corredor pisando duro, exigindo saber, "O que diabos está acontecendo aqui?"

Filch deu um sorriso malicioso e Harry decidiu deixar Hermione responder.

"Professor, nós estávamos do lado de fora e-"

"O que estavam fazendo lá fora?" Fletcher interrompeu, franzindo o cenho.

"Estávamos voltando de uma detenção," Ron respondeu prontamente. "Com o Professor Snape."

"Do lado de fora?" Infelizmente, o diretor da Gryffindor não deixava muita coisa escapar e Harry observou Hermione 'acidentalmente' pisar no pé de Ron. Com força.

"Senhor, o por quê de estarmos lá fora não é importante," Harry disse apressado, cobrindo o gritinho suave e nada masculino de Ron. "O que importa é que vimos o Professor Snape e o Professor Quirrell deixando o castelo... e estavam conversando sobre o Lord das Trevas. Pareciam com Comensais da Morte, senhor."

As sobrancelhas de Fletcher ergueram-se com tanta rapidez que quase chegaram à linha de cabelo que se esvaía. "Mesmo?" ele perguntou com calma. "Vocês têm certeza do que acham que viram, Sr. Potter?"

"Por favor, Professor, precisamos ver o diretor," Hermione intrometeu-se.

"Eles saíram, mas não sabemos quando eles voltarão," Ron acrescentou e Harry assentiu, tentando apoiar seus amigos.

Fletcher os estudou cuidadosamente, seus olhos sombrios e o rosto frio. Sob seu olhar, Harry teve que lutar contra o impulso de se encolher - estavam perdendo muito tempo! Se ele soubesse o caminho, já teria corrido para o escritório do Professor Lupin. Já que não sabia, porém, tudo que podia fazer era esperar e esperar que o Professor Fletcher acreditasse neles. O olhar que ele lhes lançava, porém, dizia que não. Seus olhos frios estavam sombrios e não demonstravam a urgência que Harry sabia precisar. iNão somos crianças idiotas/i, ele queria gritar. iNão estamos inventando isso/I. Depois de um longo momento de silêncio, o ex-Auror finalmente falou.

"Muito bem," ele disse resmungando. "Venham comigo."

As passadas largas do Professor Fletcher eram difíceis de acompanhar enquanto percorriam os corredores; em algum ponto do caminho, Filch se afastou do grupo, sem dúvida para fazer mais rondas no castelo em busca de outros encrenqueiros. Harry gastou um instante para pensar em Fred, George e Lee e esperava que eles tivessem terminado o que quer que houvessem planejado antes que o zelador caísse sobre eles - mas não tinha muito tempo para pensar neles. Havia problemas muito maiores para ocupar sua cabeça no momento, e pelo menos desta vez, estava grato pelo Professor Lupin ser um velho amigo do seu pai. Harry sabia que o diretor acrediraria neles; Remus era membro da Ordem da Fênix e não importava o quão pouco seus pais lhe contasse sobre a organização secreta de Dumbledore, Harry sabia que Remus tinha uma alta posição nela. E isso significava que ele seria capaz de fazer algo sobre Snape e Quirrell, ao contrário do Professor Fletcher, que só os fitava com olhos dúbios e obviamente pensava que eles estavam exagerando.

Finalmente, alcançaram uma imensa gárgula, que ficava num recesso na parede. O Professor Fletcher deteve-se ali olhando para a criatura de pedra e dizendo "Aqueduto". Imediatamente, a gárgula virou-se, revelando uma escada em espiral e sem dizer palavra, Fletcher levou-os pela escada até o escritório do diretor. Ao seu lado, Harry ouviu o engasgo suave de Hermione e não pôde deixar de concordar. Havia algo naquele aposento que clamava a longa história de Hogwarts e de repente era incrível fazer parte daquilo.

Retratos dos diretores e diretoras anteriores decoravam as paredes; todos eles dormiam e nenhum deles acordou quando o professor de transfiguração levou os três estudantes até o meio da sala - exceto pelo retrato de Albus Dumbledore, que parecia não estar nada adormecido. Em vez disso, o retrato do diretor anterior de Hogwarts os seguiu com seus incríveis olhos azuis, alerta e vigilante, exatamente igual ao homem que guiava o mundo bruxo nos últimos quatro anos de terror. Muitos diziam que fora apenas seu toque que evitara que o mundo de cair a beira do desastre - mas Harry percebeu que ele estava encarando quando o sucessor escolhido a dedo de Dumbledore desceu as escadas, vestido apressadamente com um velho robe. A expressão de Lupin era calma e ilegível e, exceto pelas linhas em volta dos olhos, mal parecia que um professor e três alunos aleatórios não invadiam seu escritório toda noite. Uma sobrancelha castanho-clara ergueu-se pacientemente.

"Professor Fletcher?"

O ex-Auror acenou para que os três avançassem e Harry, Ron e Hermione ficaram parados juntos, desconfortáveis. Fletcher respondeu com sua voz grave, "Parece que temos um problema, Diretor."

"Um problema?"

"Isso mesmo." A cabeça de Fletcher acenou bruscamente na direção do trio, mostrando dúvida, fazendo Harry querer gritar com ele. "Esses três dizem que viram os professores Snape e Quirrell deixarem a escola de... maneira isuspeita/i."

Os olhos azuis de Lupin os estudou cuidadosamente. Sua voz estava calma e não traía nada do desconforto que ele deveria sentir. "Expliquem-se"

Harry trocou um rápido olhar com seus amigos, mas o aceno significativo de Hermione na sua direção claramente significava que ele fora marcado como o porta-voz. Ele achava que acabaria assim, já que conhecia o Professor Lupin por quase toda sua vida, mas ao mesmo tempo, queria que Hermione assumisse. Os professores isempre/i acreditavam em Hermione. Ele limpou a garganta.

"Senhor, nós estávamos lá fora e vimos o Professor Snape e o Professor Quirrell. De onde estávamos, pudemos ouvi-los falando... e o que eles disseram fazia eles soarem como Comensais da Morte."

Lupin alcançou o fim da escada. "O que eles disseram exatamente, Harry?"

E Harry explicou, sem perder nenhuma palavra - Hermione e Ron intrometiam-se só para esclarecer as coisas. No tudo, Lupin escutou atentamente, seu rosto sem revelar nada. Não fez nenhuma pergunta e esperou até Harry terminar, antes de trocar um olhar sóbrio com o Professor Fletcher. Finalmente, ele cruzou os braços e soltou um suspiro suave. "Temo que vocês três estão enganados," ele disse calmamente. "Asseguro a vocês que as aparências, neste caso, enganam."

Harry sentiu seu queixo cair.

"Professor?" Evidentemente, Ron sentia a mesma surpresa e os olhos de Hermione estavam tão grandes quanto píres.

"Mas senhor, se isso for verdade, Hogwarts está em perigo," ela protestou.

"Escutem aqui, vocês três," Lupin disse baixinho. Seus olhos azuis encontrou os de cada um deles. "Eu entendo que tenham vindo aqui para ajudar e aprecio o esforço. Seu desejo de fazê-lo, a despeito de um risco pessoal, os põem em alta conta. Contudo, devo repetir, a despeito do que viram, que estão enganados. Estou ciente das... circunstâncias que fizeram os professores Snape e Quirrell deixarem a escola hoje e ambos têm minha total confiança."

Harry sentiu algo frio corroer seu estômago. Apesar de confiar em Remus Lupin - o velho amigo do pai era parte de sua família - tinha algo errado. Podia sentir e sabia disso; algo não estava certo. Não estavam contando a toda verdade.

"Posso perguntar o que eles estavam fazendo, Professor?" Hermione perguntou baixinho.

"Temo que não possa lhe contar isso," Lupin replicou com outro suspiro. Seus olhos azuis, normalmente tão gentis e carinhosos, de repente com um fogo queimando neles. "Além disso, devo pedir a vocês para manter esta informação em segredo - toda ela. Não posso explicar o motivo agora, mas há muitos que pensariam como vocês e poderiam causar pânico na escola ao espalhar o que viram. Vocês entendem?"

Harry engoliu em seco. Algo não estava certo ainda. Mas todos os três assentiram mesmo assim. "Sim, senhor."

Atrás deles, o Professor Fletcher resmungou significativamente e os olhos de Lupin levantou-se rápido para encarar os do ex-Auror brevemente. No silêncio momentâneo Harry lutou para contrlar o impulso de exigir saber o que estava acontecendo - tinha certeza de que não estavam contando toda verdade. Ele isabia/i que mais alguma coisa estava acontecendo e a despeito do que Lupin dissera, entendia exatamente o que Snape e Quirrell tinham dito. Só havia um "Lord das Trevas" e Harry não passara mais da metade da sua vida escondendo-se de Voldemort sem aprender algumas coisas sobre ele. Seu pai era um Auror e Harry sabia mais sobre Comensais da Morte do que a maioria dos garotos da sua idade. iSabia/i que não era forte - não podia ser! E por mais que confiasse em Remus Lupin, que sempre fora uma espécie de tio para ele, sabia que havia algo acontecendo em Hogwarts.

E ele pretendia descobrir o quê.

"Temo que devo pedir a todos os três a promessa de não contarem nada," o diretor continuou na mesma voz gentil. "Vou confiar na palavra de vocês, mas preciso delas."

Ron e Hermione responderam imediatamente, prometendo não dizer nada do que tinham visto, mas Harry hesitou. Algo estava errado, muito errado... "Harry?"

O tom de voz era suave, como a expressão de Lupin, mas havia algo duro e frio como o aço nos olhos de Lupin que Harry nunca vira antes. Uma parte da sua mente rebelou-se então, perguntando-se como esses olhos podiam pertencer ao homem que lhe servira de babá tantas vezes quando criança, que rindo lhe contara do Mapa do Maroto e sobre alguns dos momentos mais embaraçosos de seus pais em Hogwarts. Remus Lupin sempre fora o melhor babá, fácil de dar mais doces e sempre ansioso para deixá-lo ficar acordado até tarde - mas não havia tolerância naqueles olhos. Aquele olhar pertencia a um lado do homem que Harry nunca vira antes, um homem que nunca tivera o menor interesse em aprender a dar para trás. Olhando nos olhos azuis de seu tio postiço, Harry sabia que perderia.

"Eu prometo," ele disse baixinho.

Lupin sorriu e o olhar duro desapareceu como se nunca houvesse existido. "Obrigado, Harry."

bTítulo Original/b Promisses Unbroken - Chapter 9: Times of Terror bAutora/b Robin bTradução/b Rebeka