Capítulo 10.

Na volta, eles pararam para comer alguma coisa em uma taberna,um restaurantezinho modesto,com poucas mesas rústicas,de madeira,colocadas debaixo de uma pérgula coberta por magníficas trepadeiras,num jardim que dava para o mar. O proprietário ficou entusiasmadíssimo com a presença dos dois e não sabia o que fazer para agradá-los.

Bella teria achado a comida ali incrivelmente deliciosa, em qualquer outro momento, mas como as coisas estavam ela não fez mais do que brincar com o "dzadziki" que Edward tanto apreciava uma mistura de coalhada fria, alho, pepino, óleo e vinagre, batidos juntos até formar uma massa cremosa. Uma brisa suave fazia as folhas das árvores farfalharem, movimentando o ar quente e abafado,mas ela tremia,sentindo a pele suada e fria.

Ela estava morrendo de vontade de voltar logo para a vila, não só porque a harmonia que reinava entre eles havia desaparecido como também sentia terrivelmente enjoada, desde que o proprietário trouxera uma travessa de "moussaka", um prato que Edward ingeria com evidente prazer. Seu enjôo era tão forte, que não conseguiu nem mesmo comer os suculentos pêssegos e as uvas recém-apanhadas que o dono do restaurante havia providenciado quando reparou em sua falta de apetite.

Edward não disse uma só palavra o tempo inteiro, aparentemente surdo aos esforços do homenzinho para fazê-la comer e às respostas meio ásperas que Bella não conseguia evitar de dar,tamanho era o seu mal-estar. Mas ele provou que não estava tão indiferente assim ao que acontecia em torno dele, quando comentou causticamente:

- Deus me livre de uma mulher temperamental!Ainda bem que não vamos passar o resto de nossas vidas juntos, pois uma pessoa mal-humorada fica cada vez pior, com a idade.

- Eu não sou temperamental! – Bella protestou fracamente. – E nunca, em toda a minha vida, fui acusada de ser mal-humorada!Eu só não estou com fome... Deve ser por causa do calor. Ainda não tive tempo de me acostumar com o clima grego.

- Não está se sentindo bem? – Ele perguntou abruptamente.

- Não, eu estou bem – ela mentiu, por entre os dentes apertados. – Só estou me sentindo um pouco sonolenta.

- Nesse caso – o som da cadeira sendo arrastada no chão quando ele ficou em pé deu a Bella a impressão de que uma faca tinha sido enfiada em suas têmporas – vamos embora para casa, imediatamente.

Desesperadamente consciente da necessidade de manter o raciocínio frio, para não trair a confiança que o marido tinha em sua capacidade de guiá-lo, Bella lutou contra a tontura, a náusea e os calafrios, que se tornavam cada vez mais freqüentes concentrando-se na descrição dos ciprestes, dos limoeiros e das oliveiras que cobriam as encostas das colinas. Quando começou a descrever uma praia deserta, banhada pelo sol poente que coloria o céu com todas as cores do arco-íris, sentiu-se tão mal, que só com muito esforço conseguiu não gaguejar e parecer normal.

Eles pararam duas vezes: uma, para conversar com um homem que voltava para casa, depois de um dia de trabalho, puxando seu burrinho; e outra para aceitar a limonada fresca que lhes foi oferecido por uma velha senhora, que estava sentada na varanda de sua casa, tecendo renda para enfeitar a roupa de cama da neta que ia casar.

Bella estava completamente atordoada quando atingiram a colina, no alto da qual ficava a vila, e foi por isso que teve de apertar os olhos, para poder enxergar com mais clareza o iate que se distanciava da ilha, com o convés cheio de passageiros que acenavam alegremente para a garota que,evidentemente,haviam acabado de deixar no garota loira , esbelta e bonita, que correspondia vivamente aos acenos,rodeada por uma pilha de malas.

O riso que saiu de sua garganta devia ter um som totalmente histérico,e sua voz estava quase irreconhecível quando ela desmontou em frente à porta da casa e murmurou:

- A sua sorte diabólica não o abandonou. Parece que é suficiente você manifestar um desejo, para que ele lhe seja imediatamente realizado. Agora há pouco você falou em quanto lamentava a ausência de Rosalie,e veja só o que aconteceu:ela chegou!

Os minutos que se seguiram tomavam a forma de um sonho, ou melhor, de um autêntico pesadelo!Os criados receberam ordens de preparar rapidamente um quarto; providenciar uma bebida refrescante; colocar mais um lugar à mesa, para o jantar; levar para dentro a bagagem de sua inesperada visitante e escoltá-la até onde estava o dono da casa.

Trêmula Bella estava em pé ao lado de Edward quando Rose entrou no hall.

- Queridos! – Rose exclamou, abrindo os braços. – Que bom encontrar vocês com uma aparência tão boa!Como é, Bella? – ela perguntou, estendendo o rosto para a irmã, sem tirar os olhos brilhantes da fisionomia impassível de Edward. – Não vai me dar um beijo de boas-vindas?

- Claro que sim... – Bella deu um passo vacilante para a frente, tentando enxergar através dos olhos embaçados pelo dor. Então, para choque de todas as pessoas presentes,desmaiou aos pés da irmã.

Talvez,no seu subconsciente,Bella não quisesse encarar a desagradável realidade,e isso impediu seu corpo de responder aos cuidados ministrados por Angela,que a colocou em completo repouso,com toalhas molhadas em água fria em volta da cabeça,o tratamento mais eficiente para insolação. Em menos de vinte e quatro horas,Bella deveria ter voltado ao normal,mas quase dois dias se passaram antes que recuperasse a consciência. Quando abriu os olhos,a primeira coisa que viu no quarto escurecido pelas venezianas fechadas foi o rosto preocupado de Angela,inclinado sobre ela.

- "Sigha... Sigha"...

Os olhos de Angela não tinham a expressão alegre de costume quando ela pediu a Bella para não se mexer. Então Lira apareceu carregando uma bacia cheia de água e cubos de gelo.

- "Arketa"! – Angela disse,e com um suspiro de alívio a mocinha colocou a bacia numa mesinha ali perto,antes de voltar para junto da cama de Bella,com um sorriso de prazer nos lábios.

- Graças a Deus a senhora está melhor! – ela exclamou. – Acho que nunca vou me recuperar do susto que a senhora nos deu!Muito menos o "kirios",que ficou quase louco de preocupação quando nós lhe explicamos que sua ''belletcha'' " havia desmaiado por causa do calor. Eric agüentou o pior,porque ele é quem devia ter visto que a senhora estava sem chapéu."De que serve a visão,para um idiota que não tem cérebro para aproveitá-la"?,o "kirios" gritou,furioso! – Lira juntou as mãos,deliciada com a lembrança da cena. – Ah, Deus! Que coisa maravilhosa ser amada por um homem como o "kirios"!- Ela suspirou. Depois,como se tivesse se lembrado de uma ordem,dirigiu-se rapidamente para a porta. – Preciso ir dar as boas novas a ele.O "kirios" sentiu tanto a sua falta,apesar de sua irmã estar aí,para consolá-lo!

A simples idéia de receber uma visita do marido foi suficiente para fazer Bella se preocupar com a sua aparência. Rapidamente,sentou-se na cama,recostando-se nos travesseiros que Angela colocou atrás de sua cabeça e descobriu,com alívio,que não sentia mais dor nenhuma.

Apesar dos protestos de Angela,decidiu levantar-se e ir para o banheiro onde, com a ajuda da criada,tomou um delicioso banho. Depois,sentou-se de novo na cama que Lira acabara de arrumar com lençóis limpos,vestida com uma camisola recém-passada,de algodão amarelo,e com uma fita do mesmo tom nos cabelos ainda úmidos.

Mas nem Edward nem Rosalie pareciam ter pressa em visitar a doente. Depois de uma refeição ligeira,de torradas e melão,Angie deitou-se para esperar,tensa,a reprimenda que o marido com toda certeza ia lhe dar. Além disso,estava com um pouquinho de medo da reação de Rosalie,que já devia saber que seu ex-noivo havia se casado com sua irmã.

Por que será que ela tinha vindo?Como estaria seu pai se arranjando,sem nenhuma ajuda?E, o mais importante de tudo,como Edward se sentia,diante do súbito reaparecimento da mulher que nunca tinha deixado de amar?Será que estava arrependido de seu casamento apressado,ou já havia consolado Rosalie,garantindo-lhe que seu relacionamento com Bella não passava de um arranjo conveniente,que não ia durar muito?

Cansada,acabou adormecendo,para ser acordada pelo som tão pouco comum do riso do marido,ecoando pelo corredor. Quando ele bateu de leve na porta,antes de abri-la e mandar Rosalie entrar, Bella já estava esperando. Uma figurinha delicada e cheia de dignidade,sentada muito ereta contra os travesseiros de fronhas rendadas.

- Bella,meu amor! – Rosalie exclamou ao vê-la. – Você, mais do que nunca,parece uma menininha de escola!

- Está querendo dizer que ela está com uma aparência toda virginal e ingênua? – Edward perguntou,caminhando com segurança para a cama da esposa.

- Tímida e simples,são os adjetivos que vêm à cabeça – Rose corrigiu com secura,olhando da irmã para ele,que segurava a mão pálida de Bella.

- É a mesma coisa – ele disse,voltando a atenção para a esposa e sorrindo do modo mais doce que ela já vira. – Angela me garantiu que você está totalmente boa. É mesmo?

- É, sim... – Ela estremeceu sob o impacto daquelas lentes escuras,fixas em seu rosto, lembrando-se do olhar ardente,cor de âmbar que se escondia por trás delas. – Estou me sentindo muito bem,agora. Sinto ter causado tanta preocupação. Foi uma tolice de minha parte ficar tantas horas no sol,sem proteger a cabeça. Lira me contou que você culpou Eric pelo meu esquecimento. Por favor,não faça isso – pediu,ansiosa. – A culpa foi toda minha. Você me desculpa?

Edward puniu-a,fingindo pensar por alguns momentos,mas, quando sentiu o tremor da mão de Bella,cedeu na mesma hora.

- Muito tempo vai se passar antes que eu possa olhar para aquele tolo do Eric sem me zangar – disse secamente.- Mas você tem um espírito tão generoso,"elika", que é difícil deixar de perdoá-la.

O raro elogio surpreendeu Bella,que voltou os olhos sérios para o rosto do marido,à procura de um sinal de ironia. Obviamente Rosalie também tinha se surpreendido com as palavras de Edward,pois aproximou-se mais deles, com um olhar interrogativo e frio como gelo. A suspeita que surgiu,então, na mente de Bella,de que Rosalie ainda não sabia de seu casamento,foi logo confirmada por seu vivo comentário:

- Ou você é dono de um radar interno,ou foi abençoado com o instinto de um pombo a caminho de casa ,Edward. É incrível a facilidade com que você localizou a cama de Bella. Se eu não conhecesse minha irmã muito bem,diria que você já percorreu esse caminho várias vezes,antes.

Contente pelo fato de o "sperveri" ter sido retirado,Bella ficou vermelha como um pimentão e tentou livrar a mão dos dedos do marido. Ele parecia ter decidido conservar seu casamento em segredo,e ela se sentia grata por isso,pois sabia que não teria forças para aguentar as perguntas escandalizadas da irmã,se Rose ficasse sabendo.

No entanto,seu ar embaraçado bastaria para revelar seu segredo sem a menor sombra de dúvida. Mas Rosalie não tinha olhos para ninguém além de Edward,que recapturou a mão da esposa,levando-a aos lábios. Bella o conhecia muito bem para ser enganada,e reconheceu imediatamente o prazer sádico,escondido atrás de sua resposta negligente:

- Mas que falha a minha! – Ele levantou a cabeça,sorrindo para Rose com frieza. – Esqueci de lhe dizer que Isabella,agora,é minha esposa. Nós nos casamos há três meses...

Bella soltou bruscamente sua mão da do marido,odiando-se por ser tão vulnerável ao toque de um homem cujo passatempo favorito era a crueldade.

- Casados?Você e Bella?- O olhar que Rosalie lançou para a irmã era totalmente incrédulo. Mas o brilho de seus olhos se apagou logo,quando ela viu a verdade estampada no rosto corado e embaraçado de Bella.

- Acho melhor nós deixarmos você descansar um pouco agora,"ágape mou". – Sem lhe dar tempo para responder,Edward inclinou-se e beijou-a na boca,longa e demoradamente. – Durma bem,"elika" – murmurou afetuosamente. – Talvez você possa nos dar o prazer de sua companhia, no jantar dessa noite.

Com um ar de comando,que nem mesmo Rosalie teve coragem de desobedecer,ele indicou que já era tempo de saírem dali,deixando Bella ofegante sobre os travesseiros,imaginando por que achava tão fácil amar um sujeito arrogante como aquele.

Logo que a porta se fechou atrás deles,ela decidiu que nada neste mundo faria com que descesse para jantar naquela noite. Mas depois de passar o resto do dia cochilando,estava tão aborrecida que acabou levantando e tomando um segundo banho. Sentiu-se tão bem com isso que percebeu que,se não saísse dali,pelo menos por alguns minutos,ficaria louca.

Lira chegou pouco depois,para ajudá-la a se vestir,mas Bella mandou-a embora e se preparou sozinha,mudando de idéia uma dúzia de vezes sobre a roupa que ia usar. No fim, chegou à conclusão de que só podia escolher o chemisier branco que havia usado no dia do seu casamento,pois ela era o melhor de seus vestidos,apesar de estar longe de ser novo. Na hora do aperitivo,preparada para enfrentar o que desse e viesse,desceu. No entanto,no momento em que se aproximava da porta,esta abriu-se de supetão e Rosalie entrou,elegantemente vestida,lindamente penteada e, obviamente,muito zangada.

- Muito bem! – ela exclamou. – Qual é a sua desculpa?Porque na certa você tem uma explicação bastante plausível para o seu comportamento. Um traidor sempre tem, afinal de contas!

- Traidor? – Bella repetiu tolamente. – Como pode me chamar de traidora,quando tudo que fiz foi em seu benefício?

- Verdade? – seus olhos flamejavam de raiva. – Pode me explicar,então, qual o benefício que me fez,roubando o meu noivo de mim?Como teve coragem de forçar Edward a se casar com você, sabendo o quanto o amo... e o quanto ele me ama?

- Eu não o forcei a nada. – Seu rosto estava pálido como cera. – O nosso casamento foi idéia dele.

- Na certa ele pensou nisso porque estava louco para ter um pouco de companhia,além de estar cheio de desespero,achando que eu o abandonara – Rosalie retrucou com amargura.

- E você não o abandonou? – Bella endireitou o corpo,assombrada com o fato de só naquele momento estar vendo quantas falhas tinha o caráter de sua irmã. – O que me diz de Emmett?Eu me lembro muito bem de ter ouvido você dizer que ia ficar noiva dele,dentro de poucos dias.

Rosalie abaixou a cabeça,mas logo em seguida encolheu os ombros e confessou:

- Descobri,em tempo, que a família de Emmett não tem dinheiro nenhum.

- E aí você decidiu que Edward era o melhor partido – Bella disse baixinho,não querendo acreditar que a irmã pudesse ser tão egoísta.

- Exatamente! – E sem o menor traço de vergonha,Rosalie prometeu: - E pretendo consegui-lo de volta,minha querida irmã.Você pode achar que temos as mesmas chances,por que ele não sabe como você é e nunca poderá nos comparar. Mas existem muitas outras coisas capazes de atrair um homem,além da beleza física,e eu conheço todas... Pode acreditar em mim!

E,durante o jantar,Rosalie começou a mostrar que sua promessa não tinha sido feita em vão. O coração de Bella foi ficando cada vez mais apertado,à medida em que ela observava os olhos famintos da irmã devorarem Edward,que estava sentado à cabeceira da mesa,parecendo irresistível num smoking de veludo negro,que realçava seus ombros largos. A faixa de seda que envolvia sua cintura combinava perfeitamente com a camisa creme,também de seda,e com as calças muitíssimo bem passadas.

- Deixe-me ajudá-lo, querido – Rose sussurrou possessivamente quando Eric serviu o patrão de sopa.

Tanto Bella quanto o criado gelaram de horror ao ver Rosalie enfiar uma colher na mão e seu horror chegou ao máximo quando ela perguntou a Bella:

- Ele gosta de mais sal na sopa?

Uma pessoa mais mesquinha teria se rejubilado com o erro da rival,mas naquele momento Bella só conseguia pensar em Edward,que ainda era tão sensível a respeito de sua cegueira e se ressentia demais quando as pessoas o tratavam do modo como Rosalie acabara de fazer. Como já era de se esperar,ele reagiu de um jeito que deixou Bella paralisada,apesar de não estar se dirigindo a ela:

- Como eu não sou surdo , nem mudo , nem retardado mental,quer ter a gentileza de fazer esse tipo de pergunta a mim mesmo?Eu lhe garanto que sou perfeitamente capaz de dizer se quero ou não sal. Além disso, se eu não soubesse comer corretamente com um garfo e uma faca,pediria para servirem minha comida numa tigela,toda misturada,como a ração de um cachorro,e comeria sozinho em meu quarto.

Apesar de o comportamento de Rose ter confirmado as dúvidas que Bella tinha,a respeito de ela poder ser uma boa companheira para Edward,foi difícil enfrentar o embaraço da irmã. No entanto,toda a simpatia que sentia por Rose desapareceu quando,em vez de pedir desculpas, ela disse,sem a menor vergonha:

- Você precisa entender,querido,se eu cometer outros erros como este,enquanto estiver aqui. – Sua voz tremeu um pouquinho. – Afinal,o amor não pode ser desligado como se fosse uma lâmpada,e o fato de você estar agora casado com a minha irmã não acaba com a vontade que sinto de ajudá-lo,apesar de eu não saber como, e ter medo de fazer pouco,ou,ao contrário,fazer mais do que devo.

No silêncio que os envolveu quando Rosalie acabou de falar,ninguém conseguia tirar os olhos da fisionomia dura de Edward,enquanto esperavam,tensos,por sua resposta. Bella não ficou surpresa quando o marido reagiu com um sorriso ao encanto que já vira a irmã usar tantas vezes,para sair de situações difíceis.

- Acho que a culpa é minha,pelo menos em parte – ele declarou. – Eu me preocupo tanto em parecer à vontade quando estou na companhia de outras pessoas,que não reparei que elas podem precisar muito mais de ajuda do que eu. Para a maioria das pessoas, um cego é geralmente uma novidade. Você me faz bem,Rosalie – ele continuou,num tom divertido. – Sei que posso confiar em você para apontar os meus erros,coisa que muita gente não teria coragem de fazer.

Com dignidade,Bella agüentou o olhar de triunfo da Rose,antes de abaixar os olhos para o prato. Sabia que tinha sido derrotada,mas ainda estava muito fraca e desanimada para se importar com isso. A irmã sempre conseguia o que queria,e evidentemente Edward não ia ser uma exceção. Por isso,não fez nenhuma tentativa para chamar a atenção do marido,ou para participar da conversa que abrangia sobre amigos comuns até a temporada de férias em Deauville.

Ele parecia ter se esquecido da presença da esposa,até que,quando os três se levantaram da mesa para ir para a sala de estar,onde Eric recebera ordem de servir o café,ela disse timidamente:

- Espero que me desculpe por não lhes fazer companhia. Mas é que estou bastante cansada e, se me dão licença,vou para o meu quarto.

- Pode ir,não faça cerimônia. – Apesar de seu olhar zombeteiro,Rose tomou cuidado ao falar, num tom de voz agradável: - Eu ficarei mais do que feliz em distrair o seu marido.

- Eu não ganho um beijo de boa-noite? – O pedido de Edward foi feito num tom de voz leve,mas autoritário,enquanto ele estendia uma das mãos na direção de Bella.

Sem dizer nada,ela caminhou para ele e, ficando na ponta dos pés,depositou um beijo frio em sua boca zombeteira.

- Boa noite ,Edward – sussurrou.

Um braço musculoso envolveu-a pela cintura com toda ternura,como se ela fosse uma peça de porcelana.

- "Kalispera,elika" – ele disse baixinho,inclinando-se para retribuir seu beijo com outro,longo e cheio de significados,que ela foi incapaz de interpretar,mas que derreteu o gelo que a envolvia,dando-lhe uma sensação gostosa e aconchegante.

O brilho dos olhos de Bella despertou o ciúme de Rose,que comentou com maldade:

- Como seus amigos ficariam surpresos,Edward,se você lhes apresentasse a sua esposa ! Conhecendo a sua atração por mulheres sofisticadas e experientes,eles iam estranhar muito se soubessem que a noiva de Cullen,o deus do ouro,subiu ao altar usando um vestido que já teria sido posto de lado há vários anos!

XxX

God, a diaba loira chegou! E agora?

Review?