Capitulo 10º

Interrompidos

Entrou na sala escuro e assustou-se ao encontrar empoleirada no sofá uma imponente coruja.

"-Olá fofinha" – Disse suavemente afagando as penas suaves do animal.

Sorriu ao ler o pedaço de pergaminho e sorriu ainda mais ao retirar do bico do animal uma flor, um tulipa negra.

"Vou cultivar um jardim delas no meu quarto se continuar assim."

Andava pelos longos corredores. Não era a primeira vez que ali passava mas estava tão perdida como se fosse.

"-Perdida?"

Voltou-se encontrando uma jovem a encara-la. Reconhecia aquela cara, tinha-a visto da primeira vez que ali estivera.

"Isabell! Sim, é esse o nome dela!"

"-Ligeiramente. Acho que já percorri todos os corredores que aqui existem e nada de encontrar o que procuro. O Draco está à minha espera e não faço ideia onde é o escritório dele."

"-Não se preocupe. Eu levo-a lá."

"-Obrigada Isabell."

Seguiu-a ao longo do corredor onde ainda há pouco passara.

"-Está entregue." – Disse apontando para uma porta à sua direita - "Se ele não estiver fique à vontade pois não deve demorar."

"-Mais uma vez obrigada."

"-De nada." – Respondeu afastando-se.

Bateu à porta e entrou assim que ouviu a voz dele.

Draco estava debruçado sobre a secretária, escrevendo furiosamente num pedaço de pergaminho. Estava tal e qual como o vira da primeira vez, os cabelos loiros a caírem-lhe para os olhos amparados apenas pelos imperceptíveis óculos, os lábios crispados em jeito de concentração.

"-Boa noite Draco." – Ele encarou-a parando de escrever no mesmo instante.

O sorriso que ele lhe mostrou foi tão terrivelmente sedutor que ela tremeu.

Levantou-se e caminhou até à ruiva, passando as mãos na face dela e beijou-a carinhosamente.

Se a noite passada não tivesse acontecido ela ter-se-ia derretido nos braços dele com aquele beijo da mesma forma que se "derretera".

Era estranha a susceptibilidade dela ao toque dele, à simples presença dele. Cada olhar a fazia corar, cada sorriso a fazia tremer, cada beijo a fazia "derreter-se" completamente nos braços dele e cada toque a fazia querer pedir por mais.

"-Boa noite Ginevra." – Sussurrou com a testa ainda colada à dela.

"-Boa noite Draco." – Repetiu erguendo as mãos até à face dele.

Devagar tirou-lhe os óculos pousando-os em cima da mesa. Não que não gostasse deles, mas adorava olha-lo nos olhos, sem obstáculos.

Sentiu a leve pressão que o corpo dele exercia na sua fazendo-a ficar encostada à secretária. Retomaram o beijo, desta feita apressado, profundo.

"-Boa noi….te" – Ouviram alguém dizer junto à porta.

O corpo quase deitado da ruiva ergueu-se de repente para que ela pudesse ver por cima do ombro de Draco.

"-Zabini." – Sibilou Draco, irritado, olhando por cima do ombro.

"-Eu vou indo… Tenha uma boa noite."

E saiu do escritório, não sem antes acenar à ruiva que lhe acenou de volta.

"-Onde é que nós íamos?" – Perguntou enquanto se inclinava para lhe beijar o pescoço.

"-Na parte em que me estavas a deixar louca e depois me levavas para jantar."

"-Certo. Deixar louca, jantar."

"-Louca o suficiente para jantar?" – Perguntou, vários minutos depois, encarando a ruiva ofegante à sua frente.

Ela acenou levemente antes de o beijar novamente.

"-Então vamos ao jantar." – Concluiu ajudando-a a levantar-se da mesa.

"-Que tal?"

"-O jantar foi absolutamente fantástico."

"-Sabia que ias gostar." – Comentou beijando-lhe suavemente a curva do pescoço.

"-Estás a dificultar a minha tarefa." – Murmurou aos sentir o seu corpo a tremer sob os beijos dele.

Estava há vários segundos a tentar destrancar a porta do seu apartamento mas os beijos de Draco estavam a desconcentra-la de mais para que o pudesse fazer.

Ele passou as mãos em torno da cintura dela, agarrando a chave, e num só movimento abriu a porta.

"-Porta aberta." – Murmurou empurrando-a levemente para o apartamento mal iluminado - "Porta fechada." – Completou fechando a porta com o pé.

Voltou-se para o loiro e beijo-o com vontade.

Como se tinha envolvido tanto com ele não sabia explicar, algo nele a fazia confiar, a fazia seguir sem hesitar, sem medir as consequências.

Ergueu-a alguns centímetros, fazendo com que ela fechasse as pernas em torno da cintura dele. Por entre beijos apontou um lugar algures nas suas costas. Eventualmente ele acabou por perceber o sinal, seguindo através do corredor até ao quarto da ruiva.

Sentiu todo o seu corpo a amolecer quando ele a pensou contra a porta fechada do quarto. Sentiu as suas pernas a escorregar da cintura dele mas Draco amparou-a mantendo-a no lugar.

Deitou-a suavemente na cama, o seu corpo prensando o dela logo de seguida. Lentamente ele abriu cada um dos botões da camisa dela, fazendo-a suspirar de impaciência. Atirou a camisa dela para trás das costas bem como as sandálias que a ruiva calçava. Passeou as mãos no ventre liso da rapariga antes de a livrar das calças, tão ou mais lentamente que a camisa, beijando cada pedaço de pele que descobria, o interior das coxas, os joelhos, os tornozelos.

Suspirou quando ele, finalmente, fez as calças caírem junto com as outras peças de roupa já descartadas. Traçou um trilho de beijos desde o pescoço dela até ao umbigo, enquanto as suas mãos se preparavam para a livrar da pequena peça de roupa que lhe restava.

Ouviram uma batida na porta e depois um chamado.

"-Gin?"

Sentou-se na cama afastando o loiro do seu corpo.

"-Gin estás aí? Posso entrar?"

"-Estou!" – Gritou saindo da cama e alcançando as suas roupas caídas no chão – "Não entres! Acabei de sair do banho!"

"-Gin sou teu irmão! Não seria a primeira vez que te via só de toalha!"

"-Eu não estou de toalha Ron! Vai para a sala! "

Suspirou de alívio e começou a vestir-se. Draco riu-se do jeito apressado dela a tentar vestir as calças e a camisa ao mesmo tempo.

"-Se me ajudasses fazias melhor figura!" – Murmurou apertando as calças.

Ele encostou-a à porta do quarto e beijou-a profundamente começando a apertar os botões da camisa dela.

"-Obrigada." – Agradeceu ofegante.

"-Gin!" – Ouviu o irmão a gritar.

"-Esta é a minha deixa." – Murmurou ele antes de a beijar.

No segundo seguinte ele já não estava no quarto.

Caminhou até à sala, ligeiramente irritada com a interrupção.

"-Qual era a pressa Ron?"

"-Não estavas no banho?"

"-Estava. Porquê a pergunta?"

"-Tens o cabelo seco."

" -Usei um feitiço."

"-E tens a camisa vestida do avesso."

"-Porque tu me apressaste. Mas o que fazes aqui afinal?"

"-Hoje é Sábado, lembras-te? Era suposto teres ido almoçar à Toca. Ficámos preocupados. A mãe disse-me para esperar até à hora do jantar, talvez aparecesses. Mas não. Estive aqui antes mas nem sinal teu. Onde estiveste afinal?"

"-Fui jantar fora? Há algum mal nisso?"

"-Não! Mas podias ter avisado! E foste jantar com quem? Não foi com aquele tal de Joshua, pois não?"

"-Não, não foi com o Joshua!"

"-Nem com o maldito do Malfoy?"

"-Nem com o maldito do Malfoy."

"-Então, com quem foi afinal?"

"-Boa noite Ron, eu vou dormir."

"-Ginevra volta aqui!" – Ordenou enquanto a via caminhar de volta ao quarto.

"-Boa noite Ron! Dorme bem!"

Fechou a porta do quarto e atirou-se para cima da cama. Ao contrário do que esperava ele não voltou a chama-la.

"Melhor assim!"

"-O que se passa contigo filha? A semana passada não apareceste, esta semana chegaste tarde! Tens algum problema? Estás a esconder-me algo, eu sinto isso…"

"-Não se passa nada mãe… Eu disse ao Ron, a semana passada tive um jantar e esqueci-me de avisar. Foi só isso."

"-Tens a certeza que não aconteceu nada? Pareces-me diferente! Mais corada, mais sorridente! Quem é ele?"

"-Ele? Não sei do que falas…" – Desconversou caminhando até ao meio do jardim para ser abraçadas pelos sobrinhos.

"-Não é o Malfoy, pois não querida? Eu vi a vossa fotografia no jornal… Ginevra, aquela fotografia embaraçou toda a família."

"-Mãe, foi só uma dança." – Respondeu erguendo-se.

"-E tinha de acabar… assim?"

"-Acabou assim porque não acabou doutra forma. A Luna está a chamar-me."

"-Oi Luna."

"-Gin. Tenho algo a pedir-te."

"-Diz."

"-Não te importas de ficar com o Fredrick amanhã?"

"-Claro que não."

"-Tenho umas coisa para resolver durante o dia e o Ron não se ajeita com um bebé tão pequeno."

"-Não há problema. A que horas queres que o vá buscar?"

"-Eu passo pelo teu apartamento antes de ir, ok? Às nove está bom para ti?"

"-Está perfeito."

"-Olá meu ruivo lindo…" – Murmurou segurando o bebé que a loira lhe passava.

"-Mais uma vez obrigada Ginny. Nem sabes o favor que me fazes."

"-Ora, não custa nada. Ainda para mais o Fredrick é um fofo, não és bebé?"

"-É um bebé super fofo! Agora começa a pedir a todas as entidades superiores para que ele não comece a chorar! Está aqui bolsa com as coisas dele. Tudo o que ele possa vir a necessitar está aí dentro."

"-Não te preocupes. Eu tenho tudo sobre controlo."

"-Brigada Gin. Xau amorzinho" – Beijou a bochecha rosada do bebé e em seguida aparatou.

- - -

Embalou o bebé nos seus braços, tinha finalmente conseguido acalma-lo. A Luna tinha razão, quando Fredrick começava a chorar era bastante difícil faze-lo parar.

Deitou-o com cuidado na cama, não queria acordá-lo. Colocou um feitiço protector na cama e saiu do quarto deixando a porta aberta.

Deitou-se no sofá e fechou os olhos, cansada, tomar conta dum bebé não era tão fácil como esperava.

Alguém mexia nos seus cabelos, carinhosamente. Abriu os olhos encarando o homem à sua frente.

"-Não era minha intenção acordar-te." – Murmurou ele continuando com as carícias.

"-Não me importava de ser sempre acordada assim…" – Murmurou de volta olhando o homem ajoelhado à sua frente.

"-E isso é um convite?"

"-Quem sabe…" – Passou as mãos nos cabelos loiros e puxou-o para um beijo.

Draco, não satisfeito com o beijo suave dela, içou-se, o suficiente para se deitar sobre ela.

"-Desta vez não vamos ser interrompidos pelo teu irmão?" – Sussurrou enquanto lhe beijava o pescoço.

"-Não…" – A sua voz vacilou na resposta ao sentir as mãos geladas dele a pousarem no seu ventre.

"-Perfeito." – Respondeu num sorriso.

Como ele conseguia sorrir daquela forma tão perfeita não conseguia entender, aquele sorriso fazia-a perder o controlo da situação e ele parecia saber disso.

Os dois botões inferiores da sua camisa estavam agora abertos e ele beijava o seu ventre, como se continuando do ponto onde tinham sido interrompidos.

Sentou-se de rompante ao ouvir um choro vindo do quarto.

"-Que raio…" – Começou ele confuso ao vê-la sair do sofá e correr até ao quarto.

"-Sossega meu amor" – Sussurrou ao bebé que embalava nos braços – " Está tudo bem… Eu estou aqui…."

Draco olhou para ela espantado.

"-Tu nunca…. Não me tinhas dito que… Não sabia que…." – Estava confuso, ela segurava um bebé, praticamente recém-nascido, ruivo e extremamente parecido com ela.

"-Nunca te tinha dito que tinha um sobrinho?" – Perguntou ela sorridente. Era capaz de jurar que ele tinha suspirado de alivio -"Este é só o mais novo, não és Fredrick?" - Perguntou ao bebé que agora lhe sorria – "Importas-te de lhe pegar uns segundos? Está na hora dele comer. Preciso de ir buscar as coisas à cozinha."

Ele olhou-a de forma estranha, não tinha a mínima vontade de segurar o pirralho.

"-Por favor?"

"-Despacha-te Ginevra." – Disse quando ela lhe passou a criança.

Nunca tinha pegado uma criança ao colo e estava muito bem com isso. Olhou a criança que segurava, esperneava alegremente enquanto ele o segurava por debaixo dos braços à distância. Agitou o bebé um pouco, só para ver o que acontecia, mas não estava preparado para o ataque de choro que se seguiu.

"-Ginevra despacha-te!" – Gritou fazendo a criança chorar ainda mais alto.

"-Embala-o um pouco que eu já vou." – Disse ela sem sair da cozinha.

"Perfeito!" – Murmurou embalando o pequeno nos braços. O estranho foi que ele parou de chorar quase instantaneamente.

Entrou na sala, com o biberão na mão e parou alguns segundos para observar a cena. Draco segurava Fredrick junto ao peito enquanto o pequeno chuchava satisfeito no dedo indicador do loiro.

"-Essa foi a crise de choro mais rápida da vida dele." – Disse sentando-se ao lado do loiro no sofá – "Obrigada." – Agradeceu beijando a face dele antes de segurar no bebé ruivo.

"-De nada. Mas eu quero ser compensado depois…"

"-Compensado?"

"-É, compensado. Depois duma semana inteira de interrupções, preciso de ser compensado."

"-Vou ver o que posso fazer por ti… Depois do jantar…."

- - - - - Fim Do Capitulo 10º - - - - -

Agradecimentos no Profile

Kika Felton

25 / 09/ 2005