DEZ


Sheila saiu pelo corredor meio tensa, mas não pelo que Troi havia lhe dito. Ela estava começando a ter sono, mas não queria dormir... Não podia. Não ali, na Enterprise. Se algo ocorresse de errado ali ela jamais se perdoaria por trazer mais esse problema ao irmão.

Ela tentou afastar o sono ao máximo, mas não conseguiu, felizmente, ao acordar, nada parecia ter acontecido, como nos dias anteriores.

Se arrumou e saiu, ainda era cedo para começar a ajudar Guian no Ten-Forward, por isso decidiu dar um passeio pelos arredores da enfermaria, já era hora de enfrentar a suspeita do primeiro dia.

Quando ela virou a primeira esquina do corredor uma mão a puxou para dentro de uma porta que se fechou logo depois.

Do lado de dentro o mundo era outro, em nada parecido com os corredores metálicos da Enterprise. O bar pequeno, que mais parecia uma caverna, estava cheio de jovens vestidos estranhamente para o século XXV, mas Sheila podia identificar a época e até mesmo o lugar.

-Mas o que? Como?

-Isso aqui é o holedec. Para não perder tempo com explicações técnicas, enfadonhas, vou simplificar... Isso transforma sonhos em realidade!

A voz conhecida vinha da pessoa que a puxara para dentro, mas no momento isso não era importante. Seus olhos estavam agora observando cada detalhe de um bar o qual ela nunca tinha estado, mas que conhecia com a palma da mão.

-O Cavem!

-Eu tinha certeza que você reconheceria... Quer dizer que esse computador fez tudo iguazinho mesmo?

Ela encarou o amigo boquiaberta.

-Tá brincando, Zak! Eu achei que tinha voltado no tempo.

O jovem humano de físico vulcano sorriu, a sua idéia parecia estar dando certo, Sheila nem se lembrava que ele não devia estar lá.

-E voltou... - disse tentando empolgá-la mais ainda - Século XX; mais precisamente agosto de 1961. Vai ter show daqui a pouco.

Ela sorriu, empolgada. Mas lembrou-se de que tinha contas a ajustar com o outro e, como que por encanto, todo o entusiasmo sumiu.

-Bela tentativa, - disse cruzando os braços - Realmente um show dos Beatles seria uma bela forma de me distrair.

Zaker continuou a sorrir e, fazendo um gesto em direção a uma mesa, disse:

-Bom, eu tentei.

-O que você está fazendo aqui? - disse ela seguindo para perto do palco, dispensando a mesa oferecida.

-Servindo a Frota. Não foi uma conhescidência que, na minha primeira estadia em uma nave, a gente tenha se encontrado?

-Conhescidência nada, Zak! Você armou isso! Arranjou para vir para cá.

-Eu?! - disse naquele tom de cinismo que ela tanto conhecia.

-Porque fez isso? Disse para não vir.

-Você não escuta o que eu digo, por que deveria escutar você? - a expressão dele ficou séria de repente - Além do mais eu preciso estar por perto, sabe disso.

Ela continuou a encará-lo com olhar desaprovador, mas Zak parecia nem perceber.

-Tem sentindo algo? - Ela fez que não.

-Tem certeza?

-Uma leve dor de cabeça, de vez enquanto.

-Só?

-Até agora... - ela deu de ombros.

-Deve ser a distância. Talvez isso atrapalhe um pouco. - Zaker ia perguntar mais alguma coisa, mas os músicos começaram a voltar para o palco. Nenhum dos dois falou muito depois da primeira música começar.