A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha


—Lorde Falcon!

Ao chamado de Miroku, Sesshomaru refreou o cavalo e se virou na sela. Se Miroku achava necessário chamá-lo, algo devia estar errado.

Era a primeira vez que Miroku fazia contato pessoal mente naqueles dois dias de viagem.

Sesshomaru e mais seis homens cavalgavam com Rin, se guidos de perto pelas carroças. Miroku e mais outros dez formavam um perímetro circular ao redor deles.

Entre os dois grupos, quatro homens levavam relatórios de um lado a outro. Estavam guardados por todos os lados e em constante comunicação,

Sesshomaru se afastou do grupo para falar com Miroku, pa rando ao longo da estrada que cortava a floresta.

— Milórde, estão faltando dois.

— O que quer dizer com faltando!

— Desapareceram. Homens e cavalos. Quando os rela tórios começaram a demorar demais, eu mesmo fiz uma ronda e não os encontrei.

Como isso poderia ter acontecido?

— Você fez rodízios ao passá-los em revista? — Ele sabia que o irmão usava esse método quando estava entre pessoas que não confiava. Miroku faria o mesmo. Sempre que a tropa era chamada em revista, cada homem deveria enviar uma resposta específica através do mensageiro.

— Sim.

Sesshomaru começou a sentir uma agitação no estômago.

— Sabe quem é o espião? Miroku assentiu.

Sesshomaru praguejou, mas isso pouco serviu para aliviar o peso em seu peito. Os quatro mensageiros eram homens seus, não pertenciam a Browan.

— Traga-o aqui. Quero ouvir uma explicação antes que ele receba a punição que merece.

Miroku se aproximou e o tocou no ombro.

— Se serve de consolo, eu também desconfiava dos ho mens de Browan.

Eles estavam em uma região que Sesshomaru desconhecia. A fortaleza mais próxima poderia estar a quilômetros de distância.

A floresta servia para que viajassem despercebidos, mas impediria que os homens lutassem em sua melhor forma caso fossem atacados.

— Vamos parar na primeira clareira e aguardar pelo que vai acontecer.

Quando Miroku se afastou, Sesshomaru transmitiu a mesma mensagem aos homens.

Voltou a cavalgar ao lado de Rin, corroído pela culpa, pois jurara protegê-la e agora a colocava em perigo porque um de seus próprios homens se tornara um traidor.

— Sesshomaru. Algo está errado, não é?

Ele queria poder inventar uma mentira qualquer.

— Sim, mas não posso falar nada.

Ela ergueu uma das sobrancelhas.

— Não pode ou não quer?

Sesshomaru olhou para trás. Os homens demonstravam sinais de cansaço e preocupação. A presença de Miroku os alertara para algum tipo de perigo. E sua ordem para pararem na próxima clareira só servira para deixá-los ainda mais vigilantes.

Então falou para que todos escutassem.

— Dois homens desapareceram. Há um traidor entre nós.

Os homens atrás dele ficaram atônitos. Rin retraiu-se.

Porém, foram as apostas que irritaram Sesshomaru. Os solda dos tentavam adivinhar se o traidor era um Browan ou um Falcon. Cada vez mais alvoroçados, os dois grupos come çaram a trocar ofensas.

Rin devia ter pressentido a irritação de Sesshomaru, pois tocou seu braço e alertou aos que vinham mais atrás:

— Não é sensato aborrecer seu senhor.

A discussão terminou. Um ou dois pediram desculpas.

Sesshomaru duvidava que fossem sinceras, mas isso não tinha importância. A questão agora era zelar pela segurança de Rin.

Vendo uma clareira mais à frente, sabia que poderia cumprir sua missão.

Depois de desmontar, Sesshomaru ordenou que uma tenda fosse erguida para Rin e Kaede. Ao menos teriam um pouco mais de segurança que ao ar livre.

Ele guiou Rin até um tronco na clareira para que se sentasse.

— Acha que eles nos atacarão?

O receio na voz dela traía o semblante calmo.

Sesshomaru olhou para o céu, depois para a floresta ao redor.

— Se quisessem nos pegar de surpresa, já o teriam feito. Ele acenou para Miroku, que chegava ao acampamento.

— Só tenho certeza de que não desistirão do pendente. — Ele acariciou o rosto de Rin, que segurou-lhe a mão e beijou-lhe a palma.

As batidas do coração de Sesshomaru dispararam, a floresta agora parecia abafada. Como se estivesse num sonho, ou viu a aproximação de alguém.

Miroku bufou de desgosto e murmurou:

— Você também?

Sesshomaru se virou para Miroku com um ar de profunda inocência. '

— Será que todos os Falcons contraíram a mesma doença?

— Talvez você tenha sido o transmissor. Afinal, você se casou bem jovem.

Miroku revirou os olhos.

— Não tão jovem. Mas eu e minha esposa nunca fica mos por aí arruinando feito passarinhos.

O rosto de Rin ficou levemente corado. Para diminuir o embaraço dela, Sesshomaru dispensou Miroku.

Surpreendentemente, o capitão não fez comentários. Apenas bufou novamente e saiu para cuidar das carroças.

Sesshomaru acompanhou Rin até a tenda que seus homens haviam erguido.

— Vocês ficarão protegidas por guardas o tempo todo. Mas não é seguro sair da tenda desacompanhada.

Os olhos de Rin se arregalaram.

— Acha que eles estão por perto? -— Ela levou as mãos ao peito dele. — Não seria melhor entregar o pendente para que fossem logo embora?

Ele queria tomá-la nos braços e afugentar todas as suas preocupações, mas não podia. Todos ali sabiam que ela estava para ser entregue à família e ao futuro marido. Não queria mexericos por causa de sua imprudência,

— Duvido que nos ataquem antes do anoitecer. Contu do, acho que não teremos problemas. Os guardas de Browan disseram que foram atacados por oito homens. Um foi morto em seu quarto. Mesmo que houvesse mais deles seria impossível terem ficado escondidos por tanto tempo. Teríamos encontrado evidências de sua passagem. Ela observou o acampamento.

— Então temos homens suficientes para derrotá-los?

— Estou certo disso.

— Fora nos atacar, o que mais poderiam fazer? Sesshomaru não queria alarmá-la, mas era melhor que a dei xasse preparada.

— Eles só querem você e o pendente. Seria mais fácil um homem entrar sorrateiramente no acampamento para raptá-la.

Rin ficou assustada e levou a mão à garganta.

— Entregue o pendente.

— Não. — Sesshomaru meneou a cabeça. — Pense, Rin. Eles devem acreditar que este pendente tem algum tipo de poder. Se você o entregar, o que aconteceria então? Acha que não cometerão outros atos terríveis estando mais po derosos?

Rin se voltou para a tenda, mas disse antes de entrar:

— Espero que mantenha a palavra de que me protegerá. Mas tome cuidado também, Falcon.

— Fique tranqüila. Farei as duas coisas.

Uma comoção do outro lado do acampamento atraiu a atenção dele. Os homens traziam o traidor.

Sesshomaru empurrou Rin para dentro. Ignorando seu olhar de rebeldia, chamou Kaede e ordenou que as duas ficassem ali. Então mandou que seis homens protegessem a tenda.

Alcançou o grupo no meio da clareira. Os soldados lite ralmente jogaram o traidor aos pés de Sesshomaru.

Por mais que doesse saber que um de seus homens ti nha feito algo dão desonroso, seu choque aumentou quan do descobriu que o traidor era alguém que considerava um amigo.

Ele olhou para Richard, lembrando das ocasiões em que haviam lutado lado a lado. Sesshomaru lamentava cumprir com seu dever.

Puxando a espada, parou diante do homem com a gar ganta apertada de raiva, o peito pesado pela traição.

— Explique-se.

De joelhos no chão, Richard o encarou. Era óbvio que os homens não haviam sido nada gentis.

Sangue escorria do nariz quebrado e do lábio cortado. A túnica rasgada mal se sustentava sobre a armadura coberta de sujeira. As cordas que prendiam suas mãos já haviam, cortado sua pele.

— Você sempre teve tudo, Falcon. Os melhores cavalos, as melhores espadas. As mulheres o bajulam, os homens tremem perante suas ordens.

— Nunca lhe faltou nada — Sesshomaru retrucou. Richard cuspiu no pé de Sesshomaru.

— Pois cansei de depender de seus restos.

Inveja e ambição. Duas emoções que levavam qualquer homem à perdição.

— Quanto lhe ofereceram para me trair, Richard?

— Mais riquezas que um homem seria capaz de carre gar, Uma posição de honra em sua corte. Uma vida que se rivalizaria à sua.

Sesshomaru queria urrar de raiva.

— Quantos eram? Como era a aparência deles?

— Não contarei nada. — Richard ria perversamente. Al guns homens recuaram, receosos.

Sesshomaru ergueu a espada.

— Então morrerá feito um cão.

— Espere. — Richard pareceu recobrar um pouco da sanidade. — E se eu contar?

— Terá a chance de se defender em uma luta.

— Sou capaz de vencê-lo, Falcon.

A risada de Sesshomaru deixou alguns dos guardas assustados.

— Eu daria tudo para ver isso.

Richard respirou fundo antes de começar a falar.

— Um homem. Estava sempre encapuzado. Não sei seu nome. — Ele parou para respirar novamente. — Foi depois que a dama escapou. Ele se aproximou de mim quando eu estava de vigia durante a noite.

— E você os guiou até Browan?

— Eu apenas disse que estávamos indo para lá.

Os homens ao redor começaram a praguejar. Sesshomaru foi capaz de silenciá-los apenas com o olhar.

— Então sacrificou nossa amizade, sua honra, seu nome e sua vida por promessas de um desconhecido?

Como Richard não respondesse, Sesshomaru cortou as cordas que prendiam seus braços.

O homem se ergueu lentamente, olhando com ódio para Sesshomaru.

— Não posso lutar sem armas, Sesshomaru.

Sesshomaru tomou a espada de Miroku e a jogou para Ri chard, que a apanhou no ar.

Os dois começaram a se enfrentar e os soldados se junta ram num círculo ao redor deles. Pelo canto do olho, Sesshomaru viu Rin entre eles. Miroku estava atrás dela, uma das mãos sobre seu ombro, a outra segurando uma adaga.

Se qualquer coisa acontecesse, sabia que Rin estaria protegida.

Sesshomaru sorriu com amargura. Aquele traidor não o ven ceria, mas ao menos morreria lutando.

Então ouviu o silvo de uma flecha, que zuniu próximo ao seu rosto e se alojou entre os olhos de Richard.

— Protejam-se!

Rin assistia a tudo como se estivesse sonhando acordada.

Estava presenciando a luta acirrada entre Sesshomaru e traidor quando, no instante seguinte, uma flecha surgiu do nada.

Miroku a empurrou para a tenda. Os homens de Sesshomaru; se dispersaram, buscando proteção atrás de árvores, barris e carroças enquanto tentavam localizar o inimigo invisível.

— Está louca? — Kaede agarrou o braço de Rin, puxando-a para longe da entrada. — Fique aqui dentro.

Rin tentava se soltar.

— Deixe-me ir. Preciso ver…

— Não! Aqueles homens não precisam de sua ajuda. Só acabaria atrapalhando.

Rin percebeu que Kaede tinha razão. Com um suspi ro exasperado, sentou-se em um banquinho.

— Ficar sem saber o que está acontecendo me deixa ain da mais preocupada.

Os gritos dos homens se infiltravam na tenda, mas não havia sinais de que uma luta estivesse acontecendo.

Rin imaginava que o inimigo tinha fugido. Quem se riam eles? Seriam demônios? Não, demônios não atiravam flechas nem furavam gargantas.

Ela começou a sentir calafrios. Enquanto os inimigos es tivessem à solta, todos estariamem perigo. Principalmen te Sesshomaru. Céus, não podia deixar que nada acontecesse a ele.

Ela se ergueu num pulo.

— Não suporto ficar sem saber de nada.

Kaede a deteve e começou a vasculhar seus próprios pertences. Despejou o conteúdo de um odre em uma caneca e a ofereceu a Rin.

— Beba isso. Vai ajudá-la a se acalmar. Rin cheirou a bebida. Parecia algo adocicado.

— Beba. É apenas vinho misturado com água, mel, pol pa de frutas e ervas calmantes. A parteira me prepara esse remédio especial. Ajuda a acalmar os nervos.

Rin devolveu a caneca a Kaede.

— Acho que ficarei bem sem isso, mas agradeço. Mais gritos foram ouvidos à direita. Alguém tropeçou na lateral da tenda, fazendo o coração de Rin parar na garganta. Ela cheirou o líquido novamente e o bebeu. Kaede riu e lhe ofereceu outra caneca.

— Beba, milady. Antes que você perceba, tudo estará, acabado.

Quando Rin bebeu a segunda dose, Sesshomaru enfiou a cabeça na tenda.

— Está tudo bem aqui? Kaede ergueu o odre e piscou.

Sesshomaru franziu a testa. Antes de se juntar aos homens novamente, pediu que Rin tomasse cuidado.

Tomar cuidado com o quê? Rin riu, mas o som parecia vir de um lugar muito distante. Ela olhou para Kaede, que agora estava girando.

Rin sacudiu a cabeça. Não. Era ela mesma quem gira va… Ou seria a tenda?

A criada tomou a caneca das mãos dela.

— Pronto, milady, tudo ficará bem agora. — Ela ajudou Rin a se deitar no fundo da tenda.

Depois de acomodá-la, Kaede puxou o cobertor sobre a cabeça de Rin, que sorriu, sentindo-se aquecida.

Logo tornou-se difícil respirar naquele verdadeiro ca sulo de cobertores, mas Rin não encontrava forças para afastá-los. Quando tentou chamar Kaede, as palavras soa ram feito um murmúrio desconexo.

Algo estava errado.

Ouviu Kaede rir e chamar os homens de Falcon.

Rin tentou compreender o que diziam, mas sentiu que era arrastada pelo chão em seu ninho de cobertores, que evitavam que ela se arranhasse nas pedras.

Subitamente, alguém a jogou, ainda nos cobertores, so bre o lombo de um animal. Pelo cheiro, provavelmente um cavalo.

O som de cascos e as vozes trocando palavras estranhas foram as últimas coisas que notou antes que seus pensa mentos perdessem a coerência e a escuridão a engolfasse.

Sesshomaru praguejou quando o último grupo voltou ao acampamento.

Como não quisesse enviar todos os homens para uma busca, enviara pequenos grupos por vez. E todos voltaram de mãos vazias. Ninguém encontrara o inimigo.

Ordenou que os homens comessem e descansassem em turnos, certificando-se que todo o perímetro do acampa mento estivesse sempre vigiado. Partiriam ao amanhecer.

Ele e Miroku também fariam turnos para vigiar os guar das. Já tinha aprendido uma difícil lição naquele dia. Quan tas vezes brigara com Inuyasha por não confiar em ninguém — nem mesmo na família?

Lamentava descobrir que o irmão tinha razão.

Depois de revisar com Miroku os planos para o dia se guinte, Sesshomaru se preparou mentalmente para enfrentar as perguntas de Rin ao entrar na tenda.

Mas o que viu fez com que qualquer lógica fosse supri mida pela raiva.

Rin não estava na tenda. Kaede estava amarrada e amordaçada.

O pendente parecia queimar seu peito.

Sem sair da tenda, chamou Miroku, que convocou os guardas de Falcon e ordenou que dois procurassem por rastros ou pistas do que poderia ter acontecido.

Sesshomaru se obrigou a raciocinar calmamente. Tirou a mor daça da boca de Kaede e a livrou das cordas.

— Onde está Rin? O que aconteceu aqui? Por que não chamou os guardas?

Kaede torcia a barra da saia.

— Não sei o que aconteceu. — Ela apontou para os guar das restantes. — Eu estava conversando com eles e quando entrei, fui amordaçada.

— E Rin? — Uma parte de Sesshomaru temia pelo pior, mes mo que o pendente em seu peito lhe desse certa esperança.

— Sinto muito, milorde… — Kaede soluçava. — Não sei. Ela já tinha sumido.

Sesshomaru sentiu o estômago se contrair.

Miroku rosnou antes de se intrometer na conversa.

— Você deve ter ouvido alguma coisa — o capitão co mentou. — Ela não seria levada sem lutar ou discutir.

A criada insistia em dizer que não ouvira nada.

Sesshomaru franziu a testa. Não acreditava na mulher, que agora evitava encará-lo.

Kaede estava mentindo.

Por mais que quisesse descobrir a razão daquelas menti ras, não podia perder tempo.

Arrumou sua armadura e esbarrou em Miroku ao saia da tenda.

— Não quero essa mulher aqui. Levem-na de volta a Browan. — O inimigo estava atrás do pendente, não se in teressaria por uma criada e uns poucos homens voltando para a fortaleza. — Digam a Sir Edgar que eu a quero pre sa. Cuidarei dela quando voltar.

As ordens bruscas fizeram Kaede exclamar:

— Milorde, eu não fiz nada!

— Lorde Falcon! — Os guardas que Miroku escolhera para buscar pistas acenavam para ele e o capitão. — Encon tramos rastros.

Miroku ergueu a tocha e eles puderam ver sinais de que algo fora arrastado pelo fundo da tenda.

Sesshomaru lembrou que Kaede exibira um odre quando fora verificar se elas estavam bem. Será que Kaede a drogara? Ou suas suspeitas eram infundadas? A traição de Richard o deixara sugestionado?

Sesshomaru não tinha tempo a perder com especulações. Deixaria para investigar o assunto quando Rin estivesse a salvo. Agora precisava seguir os rastros que desapareciam dentro da floresta.

Dispensando os dois guardas, Sesshomaru arrancou o pen dente do pescoço e o entregou a Miroku.

— Eles estão procurando por isso. Guarde-o e não deixe que ninguém saiba que está com você. Miroku examinou a jóia sob a luz.

— Isso não parece valioso.

Sesshomaru tomou a tocha, do capitão.

— Eu pensava o mesmo. Mas é óbvio que isso deve ter algum valor para alguém.

Miroku guardou o pendente na pequena algibeira que levava na cintura.

— O que pretende fazer?

— Encontrar Rin.

— Sozinho?

— Não tenho muita escolha. Não confio em ninguém aqui além de você. Preciso que fique com os homens e cui de para que a criada seja mandada para Browan.

Miroku ia retrucar, mas mudou de idéia ao ver o olhar de Sesshomaru. Os lábios retesados demonstravam sua desapro vação.

Por fim, ele assentiu.

— Vá, Lorde Falcon. Vá procurar sua dama.

— Ela não é…

Miroku bufou, impedindo Sesshomaru de continuar.

— Cuidarei de tudo e o seguirei dentro de algumas horas.

Sesshomaru não duvidava que ele faria isso. Quando ia partir,

Miroku o tocou no braço. Olhando para o capitão, viu que o homem sorria maliciosamente.

— Faça um favor a si mesmo. Reclame-a ou deixe-a em paz.

Sesshomaru ficou estupefato. Como recuperaria sua honra se fizesse o que Miroku sugeria?

— O rei não se interessa por essa mulher. — Era como se Miroku pudesse ler seus pensamentos. — Bankotsu só quer que, em uma eventual batalha, você não o abandone novamente. Essa missão não passa de uma pequena puni ção pelo o que aconteceu em Lincoln, nada mais.

Aquelas palavras o feriam, pois Sesshomaru ainda sentia cul pa pelo que acontecera. Obedecera aos superiores ao invés de atender às ordens do rei. Um erro que permitira que Bankotsu fosse capturado.

— Deite-se com a mulher, Sesshomaru. Bankotsu não irá se importar. Ou então case com ela. Se oferecer a herança da moça a Bankotsu, por menor que seja, tudo será esquecido.

Sesshomaru guardou as palavras de Miroku. Pensaria nisso depois. Ele sorriu, erguendo uma sobrancelha.

— Para alguém que alega que as mulheres são inúteis você parece interessado em me ver preso a uma delas.

Miroku lhe deu um tapa nada gentil na cabeça.

— Apresse-se, rapazinho.

Com uma gargalhada, Sesshomaru rumou para a floresta, seguindo os rastros entre a vegetação.

Não se ouvia qualquer som noturno rompendo o silêncio da noite. Só o som de seus passos sobre folhas e galho secos ecoava na escuridão. Seguir os rastros estava sendo fácil demais. Algo estava errado.

Ele abandonou a trilha e embrenhou-se na escuridão da floresta.

Rin piscou os olhos para se acostumar à luz da fogueira. Quando tinha se livrado dos cobertores? Há quanto tempo estava inconsciente? Ela olhou para cima. A lua estava no topo do céu, já era tarde da noite.

O som de pés batendo ao ritmo de um tambor se infiltrava no torpor de sua mente.

Ela ergueu o corpo, assustando-se com a rigidez de seus músculos.

Ficou atônita ao presenciar a cena estranha e assustadora: criaturas da floresta - um cervo, um urso, um gato selvagem, uma raposa e um lobo, dançavam sobre duas patas ao redor da crepitante fogueira.

Rin percebeu que eram apenas homens vestindo a pele de animais sobre a cabeça. Ao redor da fogueira, outros observavam os dançarinos, trajando o capuz negro que ela aprendera a temer.

Então lembrou-se de algo: Kaede a drogara.

Por quê? Por que Kaede a entregaria aos inimigos?

Rin não se lembrava bem do que tinha acontecido. Só sabia que tinha começado a acordar, mas fora forçada a tomar novamente aquela bebida.

Ela remexeu os ombros, tentando se livrar das cãibras no pescoço e nas costas. Devia estar dormindo há muitas ho ras. Contudo, a dor nos músculos indicava que ainda estava viva. E sentia-se agradecida por isso.

Sentiu alguém tocar seus cabelos. Rin se sobressaltou. Estivera tão perdida em pensamentos que não vira a apro ximação de ninguém.

— Ah, a princesa acordou. — O homem ergueu os cabe los dela, acariciando suavemente a longa trança.

O coração de Rin estava disparado no peito. O medo a dominava.

Ele apertou os cabelos de Rin e começou a puxá-los, causando uma dor insuportável em seu couro cabeludo.

Por causa da escuridão e do capuz, mal podia distinguir as feições do homem. As chamas da fogueira se refletiam nos olhos dele, intensificando ainda mais seu medo. O pró prio Satã parecia estar presente naquele olhar.

Ele se abaixou, murmurando:

— Agora seu destino está em minhas mãos.

Ele passou a mão por dentro da gola do vestido, e come çou a vasculhar entre os seios.

Rin se encolhia de repugnância.

O homem puxou o cabelo dela novamente, fazendo-a ter quase certeza de que sua cabeça logo seria arrancada dos ombros.

— Sabe o que estou procurando. Onde o escondeu? O olhar sombrio prometia terrores inimagináveis.

— Está a salvo.

Ele a soltou e permaneceu de pé, diante dela. Estava vestido inteiramente de preto, desde o capuz até as botas, mesclando-se à escuridão da noite.

Rin estremeceu. As chamas que brilhavam as costas dele lhe davam uma aparência ainda mais demoníaca.

— A mulher disse que você sempre carrega o pendente no pescoço.

Rin mal pôde engolir um gemido de desgosto. Será que Kaede a odiava tanto assim?

— Ah, vejo que sabe de quem estou falando, princesa. Foi fácil convencer sua criada de que você estava atraindo o mal para Browan. Umas poucas moedas ajudaram.

— O responsável por todo o mal é você.

Quando ele torceu seus cabelos, Rin pensou que se riam arrancados de sua cabeça. Seus olhos lacrimejavam de dor.

— Mas você… você era a estranha que tinha mentido para todos. Foi simples semear a dúvida na mente dela. Umas poucas palavras insinuando bruxaria fizeram-na se virar contra você.

A risada maligna gelou o sangue de Rin. Ele usou a mão livre para erguê-la para perto ele.

— Nenhuma mulher temente a Deus quer uma adorado ra do demônio por perto.

De tão próximos que estavam, Rin sentia o crescente volume na virilha do homem. Ela se apoiou no peito dele, fazendo-o sorrir maliciosamente.

— Não tente este truque comigo. Não funcionará. Pro messas da carne não me desviarão de meus objetivos.

Rezando para que suas pernas a obedecessem, ela acer tou o joelho na virilha do homem com toda a força que conseguiu reunir.

O grito de dor e raiva ecoou em seus ouvidos.

Rin disparou para a floresta, tropeçando nas próprias pernas. A bebida ainda parecia agir sobre ela e confundia sua visão.

— Detenham-na! — O som da dança parou e todos cor reram atrás dela.

Sob a tênue luz da fogueira, ela imaginou ver Sesshomaru entre as árvores próximas à clareira.

— Sesshomaru! — ela gritou, a voz se transformando num soluço. Quando ela piscou novamente, não havia ninguém ali.

Um corpo se atirou sobre Rin, lançando-a no chão.

— Eu a peguei!

Rin gritou e esperneou, tentando se livrar do homem que a segurava. Logo foi erguida do chão. Nem precisava abrir os olhos para saber quem a arrastava.

O homem cravou os dedos em seus braços e começou a sacudi-la furiosamente. Ele falava numa língua que ela não entendia, mas não havia como se enganar quanto ao tom de cólera.

Quando o homem ergueu a mão, como se pretendesse estapeá-la, Rin se manteve firme. Não lhe daria a satis fação de demonstrar o quanto estava amedrontada. Então travou os dentes na esperança de não gritar.


Relena- chan : Awn obrigada amor, sério seu apoio nas minhas fics são muito importantes pra mim, e vou te falar uma coisa, essa viajem PROMETE.

- Awn obrigada também por estar sempre lendo e comentando, não vou parar de postar essa fic okkk? espero que esteja gostando.

Elizabeth A - Ah entendo sua posição, tem mts adaptações que realmente não encaixam com o personagem né, Essa série falcon eu achei mt parecida com o Inu e o Sesshy. Mais fique a vontade pra dar sua opinião sempre, e obrigada por gostar da adaptação, espero que tenha gostado desse cap, beijao.