PREPARATIVOS PARA FESTA...
Após às emoções do dia anterior, todos dormiram um pouco mais na manhã seguinte. Seika e o marido, levantaram um pouco mais cedo, para deixar o café da manhã preparado e cuidar do bebê. Saori, levantou por volta das nove horas da manhã, e Seiya provavelmente queria descansar até mais tarde, por que não levantou.
As duas mulheres já haviam se entendido bem, tinham uma afinidade e muita familiaridade, Seika, sem cerimônias, perguntou se Saori poderia tomar conta do pequeno Seiya enquanto ela e o marido fossem à vila para alguns preparativos para noite. A moça se sentiu muito feliz em poder ser útil, e pela oportunidade de ficar um tempo com o bebezinho pelo qual se afeiçoara como se fosse de sua família. Afinal, não seria no máximo umas horinhas? Ela conseguiria cuidar dele tranquilamente.
O bebezinho estava acordado, e por um bom tempo, ela ficou brincando com ele enquanto ouvia suas risadas felizes. Então ele foi se cansando, se aconchegou ao peito da moça e adormeceu. Ela estava sozinha na varanda, ao sol da manhã, curtindo a sensação de paz que ter uma criança dormindo em seus braços proporcionava.
Seiya tinha acabado de se levantar, trajava uma camiseta e uma calça de moleton confortável. Andando pela casa vazia, viu Saori na varanda, balançando de leve o bebê. Como quem não quisesse desfazer o encanto daquela cena adorável, se aproximou descalço, silencioso.
A moça estava de costas para a entrada da varanda, então, ele chegou tranquilo por suas costas, e lhe tocou de leve o braço para não assustá-la, dizendo "Bom dia!" Ela o olhou por cima do ombro e sorriu. O rapaz então se sentiu um pouco encorajado, colocou a mão esquerda na cintura de Saori e com a direita começou a acariciar de leve o seu braço direito, enquanto olhava por cima do ombro dela, o bebê dormindo aconchegado em seu peito.
O coração de Saori se encheu de ternura com o carinho de seu amor, como era bom tê-lo assim, tão aconchegado... quantas vezes ela sonhou com seu toque sem um motivo expresso de salvá-la no campo de batalhas! Aproveitou a sensação, chegando para trás, vencendo a pequena distância entre seus corpos, encaixando-se perfeitamente no corpo dele, que apertou um pouco mais o abraço, encaixando o rosto entre o pescoço e o ombro da moça, se embriagando com o perfume de seus cabelos, acariciando seu braço, seu ombro. Totalmente envolvido naquela nova sensação de completude, Seiya beijou de o rosto da moça, seu ombro direito, no qual estava encostado, sentiu que ela suspirou alto.
O bebezinho então abriu os olhos, e começou a se remexer e chorar, puxando o decote da blusa da moça com as mãozinhas... "Acho que ele está com fome..." comentou Saori um pouco preocupada. Seiya o pegou do colo da amada e começou a brincar para distraí-lo enquanto respondia: "Minha irmã deve estar chegando". Rapidamente o bebê começou a rir de seu tio, que sabia ser um menino brincalhão. Saori observava a cena e ria também, seu coração ainda descompassado pela proximidade que experimentou de seu lindo cavaleiro, tentando acalmar sua respiração ofegante.
O casal de anfitriões logo chegou, Seika entrou com pressa e pegou o bebê, demorara mais do que previa comprando apetrechos para festa. Pediu a Seiya que descarregasse o carro para ela, pois o marido ficou nos preparativos para o festival. Saori resolveu ir para seu quarto organizar sua vestimenta para mais à noite. No caminho passou pelo quarto do bebê, Seika já estava amamentando a criança e a chamou.
A moça entrou muito encabulada, e a irmã de seu amor lhe disse "Não se constranja, para mim você é da família! E também, um dia, não tarda, será você amamentando seu bebê. Sente-se um pouco, me conte como foi sua manhã de 'titia'."
"Foi muito agradável, já estou muito afeiçoada ao seu filho, e Seiya me ajudou bastante, é um tio muito amoroso" respondeu Saori. Seika se colocou um pouco pensativa, e em seguida disse: "Sabe minha querida, fiquei muito tempo sem ver meu irmão, e vou ser eternamente grata por você tê-lo devolvido à minha vida. Mesmo tanto tempo separados, eu conheço bem esse garoto. Sei que ele tem uma missão de te proteger, como vocês me contaram, nesta história complicada de cavaleiro... Seiya sabe ser muito leal, é da natureza dele desde menino! Mas posso te afirmar, eu vejo muito mais naqueles olhos do que apenas comprometimento e dever, meu irmão gosta de você como mulher, ele te olha de uma maneira profundamente apaixonada. Nunca imaginei que alguém iria capturar aquela alma rebelde dele, achei de verdade que ele se tornaria um adulto solitário, mas parece que vocês nasceram um para o outro! Eu não sei o que segura vocês dois, mas minha querida, espero que vocês possam dar uma chance ao amor, o amor dá um sentido novo à vida da gente..."
A moça ficou sem palavras perante a fala de Seika, tão jovem, mas tão sábia e observadora, seus olhos demonstravam sua emoção, brilhavam com lágrimas que não caíam. Seika colocou o bebê adormecido no berço, foi até Saori, acariciou de leve seu rosto e disse "Não precisa responder nada, eu sei..." beijou o rosto da amiga e foi cuidar dos afazeres domésticos.
Saori foi para o quarto preparar seu vestido da noite, ver se trouxe tudo que precisava. Seiya ficou feliz por descarregar as compras do carro, um pouco de esforço físico ajudou a dissipar o desejo intenso que sentia pelo momento de proximidade com Saori - Não queria atropelar as coisas agora com sua ansiedade, esta noite, ele tinha certeza, seria o momento ideal para se declarar! O resto do dia passou em uma rotina tranquila. À tardinha, a cabeleleira e maquiadora que Seika havia contratado, chegou para arrumar as moças.
Como irmã zelosa, Seika trouxe para Seiya trajes japoneses tradicionais masculinos, afinal seria uma festa típica. Ele tomou banho, se perfumou, vestiu o kimono de seda preto e branco. O traje caiu muito bem em seu porte atlético e forte, ficou parecendo uma figura lendária. Ele e o cunhado ficaram conversando na sala, tomando um drink de saquê para descontrair... mas a ansiedade para ver Saori já estava o deixando inquieto. Desde a tarde, quando se recolheram para se arrumarem, ele não a via. Afinal, quanto tempo demorava para paramentar uma gueixa?
Sua irmã saiu primeiro do quarto, estava uma gueixa genuína, ser esposa de um dos organizadores exigia muito da apresentação dela. Vestia um traje de seda vermelho muito vivo, estampado, várias camadas de outras estampas, uma faixa grossa na cintura, um laço estofado nas costas. Fez um coque volumoso em seus cabelos escuros, várias jóias pendiam do penteado. O rosto, perfeitamente pintado como as gueixas originais, branco como porcelana, boca vermelha. Ele e seu cunhado levantaram encantados! O marido a beijou de leve, para não estragar a maquiagem, Seiya a abraçou feliz. "E Saori?" , ele disse. "Calma irmão!" respondeu Seika, "Não é fácil esperar nossa dama, não é cunhado?" Seiya ficou visivelmente vermelho... então, a uma luz veio do corredor, e Saori entrou na sala.
Todos ficaram sem palavras, Seiya prendeu a respiração...
Continua...
