Reverto Umquam
Versão em português da fic "Reverto Umquam"
Autora: Jaina-com-mx
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
CAPITULO 10
Severus Snape olhava, com expectativa, o semblante de seu aluno favorito, Draco Malfoy, o qual tinha o rosto tenso e os olhos cinzas brilhantes, pela raiva que começava a apoderar-se dele.
O Professor Snape teve que explicar a Malfoy, com a maior paciência, os motivos de levar Hermione Granger como sua acompanhante de baile. Era costume que, em certas cerimônias da escola, o Prêmio Anual participasse com maior destaque que o restante dos alunos. Obviamente, nesse ano havia dois Prêmios Anuais: Draco Malfoy e Hermione Granger.
Para o Monitor de Sonserina, o motivo era o mais ridículo que ouvira. Era inconcebível que os estúpidos membros do Conselho Escolar quisessem obrigá-lo a ir com uma filha de trouxas. Severus Snape sabia que Draco não aceitaria tão facilmente, primeiramente porque não estava na natureza do garoto aceitar a uma impura como sua igual e, sobretudo, sendo amiga de seu ainda inimigo, Harry Potter.
- Claro que não! - Bufou Draco, com os punhos apertados sobre a mesa de seu Diretor de Casa. - Não vou a nenhum baile acompanhado dessa... bruxa.
Severus analisou seu aluno com seus escuros e intensos olhos negros. Uma careta se desenhou em seus lábios enquanto inspirava profundamente.
- Não há outro remédio. - Disse finalmente Snape, depois de uns segundos. - É parte das tradições deste colégio e ambos são Prêmios Anuais, portanto o privilégio de receber aos membros do Ministério é de vocês, isso implica que ambos sejam par durante o baile.
- É injusto... uma humilhação. - Alegou, entre dentes. - Se eles acreditam que eu...
Draco guardou silêncio, repentinamente, engolindo a raiva que estava consumindo-o. Por mais que Snape fosse um mestre indulgente com ele, não devia expor seus verdadeiros pensamentos com referência ao Ministério.
Tentou, por todos os meios possíveis, controlar a fúria que estava agitando-o. Malfoy não era conhecido por sua paciência e sensatez, na realidade era um aluno bastante impulsivo quando seu ânimo estava à beira da ebulição.
Em que pese isto, Snape mantinha uma grata opinião sobre seu melhor aluno e filho de um amigo, Lucius Malfoy. Ainda que Lucius fosse seis anos mais velho que Severus, sempre haviam mantido relações amigáveis, posto que os Malfoy estavam unidos a Snape pelo matrimônio de uns parentes em comum. Tudo isto o levava a um laço mais estreito com os Malfoy.
Severus observava Draco e acreditava estar vendo Lucius quando tinha a mesma idade. Ele recordou quando, com seus 11 anos, chegou em Hogwarts e foi recebido na Casa de Sonserina por Lucius Malfoy, que era um Monitor naqueles tempos. Desde aquele mês, ambos os bruxos conseguiram amoldar-se, apesar da diferença de idades. Snape possuía um caráter bastante obscuro e perigoso que a Lucius fascinava e o mesmo parecia ocorrer com Draco, que também encontrava essa fascinação em sua pessoa, pois sabia que o garoto o admirava.
Draco pôs-se altivo enquanto as pontas de seus dedos polegares e indicadores se esfregavam com força. O garoto havia permanecido calado por vários segundos, e era óbvio que tinha que dizer algo antes que seu professor se desesperasse, porém a única coisa que vinha à mente era insultar os membros do Ministério e... Granger, claro.
- Está pensando em não comparecer ao Baile com a Senhorita Granger? - Interrompeu o bruxo os pensamentos de Draco.
O garoto dirigiu seu olhar a Snape e deixou de esfregar os dedos.
- O que aconteceria se me nego a comparecer ao Baile com ela?
- Não creio que seja recomendável em seu caso, Senhor Malfoy. O melhor, nestes dias, é manter seu bom nome ante o desconfiado Ministério que temos atualmente. - Snape ergueu uma sobrancelha. - Sua família continua sendo respeitável em nosso país mas, por causa de alguns rumores que envolveram seu pai, algumas pessoas pensam rechaçar sua candidatura para um posto vacante do Corpo Mágico de Negócios Internacionais.
- Isso não é possível... - disse o garoto, surpreendido. - Por que não haveriam de aceitar minha petição?
Snape sorriu de lado e fez um movimento rápido com as mãos.
- É devido ao assunto dos trouxas? - Perguntou o Sonserino, com o cenho franzido.
- Você acredita que há algo mais?
- Não podem ignorar minha solicitação apenas porque não me agradam os trouxas!
- Depois da Guerra, o Ministério fez leis muito rígidas quanto à discriminação. Não vão contratar alguém que despreze os bruxos de sangue trouxa.
Draco esteve a ponto de blasfemar mas se conteve. Snape o observava fixamente com ar pensativo, já temia que o garoto não fosse se dobrar.
- O Sr. Halley, Chefe do Departamento de Cooperação Mágica Internacional, está comprazido com suas capacidades, Senhor Malfoy, e o considera ideal para o cargo vacante no entanto, há bruxos que não pensam como ele. Você decidirá se quer jogar sua carreira no lixo, somente por não comparecer a um Baile.
- Se eu não comparecer com Granger pensarão que sou como meu pai e negarão qualquer pedido que eu faça... não é isso? – disse, em tom frio.
Snape fez uma careta confirmando as suspeitas de seu aluno. O loiro baixou a vista e respirou profundamente. Certamente, não era justo a forma como alguns membros do Ministério queriam analisá-lo e buscar nele algum defeito absurdo, como o de não comparecer ali. Suspeitava que tanto alvoroço se devia a Arthur Weasley, que era um dos membros destacados e quem, seguramente, seria o primeiro a protestar a respeito da presença de um Malfoy dentro do Ministério.
- Não tenho o costume de opinar sobre as pessoas, Senhor Malfoy, mas você tem um futuro promissor nos negócios mágicos internacionais. Estou seguro que repensará cuidadosamente sua posição.
O loiro ergueu o olhar no momento em que Snape falou. Seus olhos cinzas brilharam estranhamente, quando o bruxo de cabelo escuro terminou de falar. Formou-se um nó em sua garganta que lhe impedia de dizer alguma outra coisa. Estava surpreso e furioso pela mesquinha armadilha que queriam fazer os membros do Ministério, em especial esse Arthur Weasley. Estava muito seguro de que seu objetivo era ridicularizá-lo diante de todos e fechar-lhe as portas do Ministério... mas isso era algo que, todavia, estava por ver.
- Há algo mais que deseja me dizer, Professor? - Perguntou o garoto, recuperando sua habitual compostura.
- É tudo, Sr. Malfoy. Pode retirar-se.
Draco fez uma inclinação cerimonial como despedida e partiu. Ao encontrar-se fora da sala do Professor Snape, apertou com força seus punhos para evitar dar um golpe na parede. Estava sufocando-se e teve que caminhar apressadamente para sair das masmorras, antes que perdesse decididamente o controle.
Estava quase a ponto de explodir e era provável que desse algum pontapé em qualquer bruxo que lhe atravessasse o caminho. Não estava de bom humor para que alguém lhe dirigisse a palavra, nesses momentos estava mais preocupado com a condição na qual se encontrava.
Se não comparecia a esse baile, os cretinos do Ministério acreditariam que ele discriminava os filhos de trouxas, razão pela qual desaprovariam seu pedido de emprego e se encarregariam de desacreditá-lo. Parecia que queriam convidá-lo a sair do país, tal como haviam feito com seu pai.
Nenhum dos alunos que caminhavam pelos corredores das masmorras tentou cruzar com Malfoy. Seus olhos cinzas estavam cintilando de ira e com uma expressão tão desagradável que ameaçava, silenciosamente, a quem o visse.
Se perguntava se Granger também havia sido informada e como teria recebido a notícia. De certo modo, poderia dizer que lhe dava graça imaginar o que diria a Grifinória e pensava que, talvez, seria divertido ir com ela. Não era que lhe agradasse ir com Granger, simplesmente tinha um sentido de diversão bastante distorcido. "Que melhor que obscurecê-la frente a todos?" Ela não era nada a seu lado, inclusive estaria fazendo-lhe um favor sendo sua companheira de baile. O único que não gostava era imaginar as piadinhas dos garotos de Sonserina, mas isso era algo que podia resolver.
Draco sorriu cheio de maldade e, com o porte solene, caminhou para fora das masmorras.
A Professora McGonagall olhava com preocupação a melhor aluna de Grifinória. Hermione Granger tinha o rosto pálido e a boca entreaberta. Teve que sentar-se imediatamente, para evitar que suas pernas a traíssem e caísse diretamente no chão.
- Você está bem, Senhorita Granger? - Perguntou a Professora, com uma mínima alteração em sua voz.
A garota piscou algumas vezes antes de assentir com a cabeça. A Professora olhou com inquietação para a bruxa.
- Então, você entendeu perfeitamente o que acabo de dizer.
Hermione olhou a Professora com uma certa aura de angústia. "Como os membros do Conselho podiam fazer isso com ela? Não se davam conta da obrigação de ir com o garoto mais desonesto e arrogante de toda a Hogwarts? O que aconteceria com Justin? O que diriam Harry e Rony a respeito?"
- O Professor Dumbledore poderia falar com o Conselho e explicar que eu não posso ir com ele. Temos problemas de incompatibilidade e, ao invés de representarmos um bom papel, colocaríamos tudo a perder. - disse Hermione, engolindo em seco.
- Temo que ele também está na mesma posição que eu, Senhorita Granger. O Professor Dumbledore aceitou a decisão do Conselho Escolar.
Hermione olhou-a fixo, ao tempo em que sua mente assimilava a negação de sua petição. McGonagall enfrentou o olhar de sua aluna com firmeza. Em seu íntimo, pensava que era totalmente injusto que uma garota como Hermione fosse a uma cerimônia tão importante acompanhada do problemático Malfoy. Contudo, assim como Dumbledore, ela acreditava que o rapaz tinha um potencial oculto e que se mostraria no momento adequado. Hermione Granger era muito inteligente e ela saberia como lidar com a situação... ou, ao menos, nisso confiava.
- Mas Professora, eu tenho par para o baile. - Disse Hermione, numa última tentativa de convencer a Diretora de sua Casa de não ir com Malfoy.
- Eu sinto, Senhorita Granger. Não terá mais remédio que declinar do convite que lhe fizeram. O Conselho Escolar foi muito explícito em suas instruções. Os Prêmios Anuais comparecerão juntos ao Baile e reunir-se-ão com os Membros do Ministério na mesma mesa.
O rosto de Hermione tornou-se ainda mais sombrio, para incômodo da Professora. Tinha um ligeiro tremor por todo o corpo e os olhos nublados. Tudo o que a Professora lhe dissera fazia latejar a sua cabeça e, definitivamente, estava desesperada.
- Professora McGonagall...- disse Hermione, em voz baixa. - Você sabe o que Draco Malfoy pensa de pessoas como eu?
A bruxa não pode esconder seu incômodo ante a pergunta, sabia a que estava se referindo Hermione, mas não queria manifestá-lo.
- Você sabe, não é verdade? - Continuou a garota.
Hermione respirou profundamente ao dizer isso. Não desejava partir, até ver realizada a última tentativa de safar-se dessa loucura de formar par com Draco Malfoy, no Baile de Halloween. McGonagall olhou-a fixamente, por um instante vacilou em contestar-lhe. Logicamente que sabia que o jovem Sonserino desprezava os filhos de trouxas e, algumas vezes, havia escutado dos alunos que ele dava amostras desse escuro sentimento a Hermione... mas... era um jovem sumamente brilhante nas aulas. Não haveria possibilidade de que, sem a influência de seu pai, ele pudesse comportar-se diferente?
- Tenho conhecimento de algumas coisas, Senhorita Granger. No entanto, seja o que for que pense o Senhor Malfoy, não será aplicado nesta escola.
- Não posso fazer nada para evitar ir ao Baile com ele? - Perguntou, com esperança.
- Eu sinto.
McGonagall observou-a um pouco apenada mas, voltou a recuperar sua respeitável e séria compostura. Hermione baixou o olhar enquanto tomava fôlego.
- Aceite com tranqüilidade, Senhorita Granger. Seja qual for sua relação com o Senhor Malfoy, ele não terá outra escolha que não a de comportar-se como um cavalheiro com você, diante das personalidades que nos visitarão.
A garota já não comentou nada a respeito. Nesses momentos, lhe envergonhava a idéia de continuar objetando o que dizia McGonagall, simplesmente já não havia remédio: Ela iria ao Baile com Malfoy.
McGonagall fez uns últimos comentários e agradeceu a Hermione sua compreensão. A jovem saiu da sala com um enorme nó na garganta. Seu coração palpitava com força e as mãos tremiam por debaixo de sua capa.
Por que tinha que ir ao baile com Malfoy? Por que, justo quando a última coisa que desejava era estar perto dele?
- Esse arrogante, mentiroso, demoníaco Malfoy... - Murmurou.
Começou a dar pequenos passos enquanto soltava o ar em grandes suspiros. Os nervos estavam quase a ponto de explodir e tinha que encontrar uma forma rápida de acalmar-se, antes que se rompesse num pranto sem sentido.
Estava inquieta. Não lhe agradava a idéia de ir com Malfoy a uma cerimônia, que ela esperara para consagrar-se como futura funcionária do Ministério. Ademais, desejava ir com Justin Finch-Fletchley, o que ele iria dizer? Nessa mesma manhã o Lulfa-Lufa lhe pedira para ir com ele. A ela lhe agradava Justin e tinha vergonha de declinar de seu convite como acompanhante.
Encaminhou-se para o campo de Quadribol, onde estariam Harry e Rony treinando. Tinha que falar com eles, desabafar e pedir algum conselho que pudesse lhe servir. Claro que eles se alterariam com a notícia e não acreditava que deixariam as coisas tão facilmente. Provavelmente, fariam umas quantas ameaças a Malfoy, o qual, despoticamente, os ignoraria, mas somente o fato de sentir-se apoiada por seus melhores amigos fazia-a sentir-se mais tranqüila.
Hermione limpou o rosto com uma mão e ensaiou uma postura que não evidenciaria o quão incomodada se encontrava. Se ia apresentar-se ante seus amigos, tinha que ser com uma expressão melhor para não preocupar-lhes demasiado, claro que com Rony isso seria impossível.
A medida que ia aproximando-se do portão que lhe levaria ao campo de Quadribol, começou a refletir sobre Malfoy e no que ele estaria pensando sobre não ter mais opção que ir ao baile com ela. Dava-lhe vertigem imaginar-se dançando com ele, seguramente seria uma emoção muito diferente de quando dançaram em seus sonhos, enquanto estava no passado do Sonserino.
Já havia se passado várias semanas desde que esteve na infância de Draco e, algumas vezes, pensava nele. Quando acontecia de encontrar-se com Malfoy no Salão Principal ou nos corredores das salas de aula, sentia-se completamente aturdida e envergonhada. Não conseguia tirar da cabeça a imagem do menino sendo iniciado na Ordem da Pureza, nem aquele abraço tão intensamente reconfortante que ele havia lhe dado, justo antes de reaparecerem no trem.
Draco, por sua vez, também pensava nessa viagem regressiva. Antes não havia pensado na Ordem da Pureza, nem em Irina, nem nas múltiplas histórias que lhe contava ela para quando fosse grande. Esboçou um sorriso quando recordou um momento que havia vivido com sua tutora e... seu violino. Aquele velho... violino que havia sido presente de Irina e que seu pai lhe tinha obrigado a abandonar, para que pudesse dedicar-se mais a seus estudos.
Sem dar-se conta, enquanto se concentrava em suas lembranças, o rosto de Draco havia deixado de estar tenso. Sentia uma secreta nostalgia ao lembrar de tudo isso. Questionou-se a si mesmo porque não pensara em sua antiga tutora e o que teria sido dela. Com sinceridade, ela havia sido uma das poucas pessoas a quem ele dera seu afeto, e depois que ela partiu da Mansão ele jamais voltou a demonstrar afeto por nada nem por ninguém.
Sendo um fim de semana, os corredores não estavam muito abarrotados. Apenas alguns alunos passeavam com suas vassouras pelos arredores da escola, outros levavam livros e guloseimas para compartilhar num pequeno dia de campo.
Draco e Hermione encontraram-se na esquina de seus respectivos corredores, o que sinalizava que ambos iam para o campo de Quadribol. O garoto, por um instante, olhou-a fixo sem reagir devido a surpresa de ter-se encontrado com ela. Hermione pestanejou uns segundos ao passo que tentava esquivar do loiro e seguir seu caminho, porém não pode fazê-lo porque Draco tomou-a rapidamente por um braço.
- Fugindo de mim, Granger? - Disse ironicamente.
- Trato de evitar a sua irritante presença. - Contestou a Grifinória, com uma expressão de cansaço.
A jovem moveu seu braço para liberar-se da pálida mão de Draco, contudo este apertou-a um pouco mais.
- O que ocorre, Malfoy? Desde quando você não se incomoda em me tocar? - Hermione encarou-o com sarcasmo.
- Tenho que preparar-me psicologicamente antes de dividir um baile com você, nos próximos dias. Tenho que dissimular minha náusea.
A jovem comprimiu os lábios e tentou, novamente, libertar-se.
- Sabe? - Para surpresa de Hermione, Draco a atraiu um pouco mais e, com certa cautela, aproximou sua boca do ouvido dela. - Creio que será bom irmos ao baile juntos. - Sussurrou.
A garota virou sua cabeça para olha-lo nos olhos e encontrar uma resposta ao que acabava de dizer.
- Você será meu elfo doméstico particular durante o baile. - Disse, com um sorriso cínico.
- Estúpido! - Exclamou, com raiva.
Draco soltou-a e começou a rir levemente, com uma certa postura divertida e maliciosa.
- Se na sua distorcida mente você tem pensado fazer-me passar por ridículo diante dos membros do Ministério, está muito equivocado Malfoy. Não vou ser uma adversária fácil de vencer.
O garoto apoiou suas costas na parede e cruzou os braços.
- Você ameaça? - Disse, cravando, com intensidade, seus frios olhos cinzas. - Não se atreva a pensar que poderá me desbancar do lugar que me corresponde, Granger. Uma sangue-suja como você não pode aspirar a nada mais que ser uma serviçal em Mansões como a minha.
- Algumas vezes, Malfoy, creio que você é a pessoa mais demoníaca e grotesca que já conheci.
- Demoníaco? - Repetiu. - Faz tempo que não escuto esse adjetivo à minha pessoa.
- Demônio...- Sussurrou Hermione.- Pequeno... demônio... Malfoy.
Draco apagou por completo seu sorriso e fitou a garota confuso.
- Alguma velha recordação, Malfoy? - Disse Hermione, erguendo uma sobrancelha ante o olhar confuso do rapaz.
- Como é que... - Draco se afastou da parede e aproximou-se um pouco de Hermione. Como ela sabia que, quando menino, o chamavam de "Pequeno Demônio"?
A garota deu um passo atrás quando ouviu uns estudantes acercando-se. O loiro observou, com desagrado, os alunos que os observavam com certa curiosidade. Hermione também sentiu-se incômoda com os olhares, motivo pelo qual continuou caminhando logo atrás dos alunos. Draco quis detê-la, mas não achou correto fazê-lo diante deles, sobretudo por sua imagem e reputação.
Hermione respirou profundamente quando encontrou-se a uns passos dos campos de treinamento de Quadribol. Rony encontrava-se descansando num dos bancos, enquanto o restante estava em grupos conversando. O ruivo, ao ver sua amiga, sorriu-lhe porém deixou de fazê-lo quando notou a seriedade desta.
- O que se passa? - Perguntou Rony, esticando as pernas.
- McGonagall acaba de dar-me a notícia de que estarei junto dos Membros do Ministério no Baile de Halloween.
- Isso é estupendo, Hermione! Não deveria alegrar-se?
- E com Malfoy...- Pontualizou com nervosismo.
Os olhos azuis do goleiro abriram-se surpresos, enquanto tentava assimilar o que acabava de dizer sua amiga.
- Malfoy?
- Ele é Prêmio Anual, assim como eu. Portanto, vamos ser acompanhantes durante o baile. O Conselho Escolar assim sugeriu.
- O QUE!
Hermione quase teve que conter os gritos de seu amigo ruivo para evitar chamar a atenção dos outros alunos, que rondavam por ali. Harry e Gina aproximaram-se imediatamente para averiguar o que estava acontecendo. Ao ouvir as razões, Harry foi o seguinte a gritar, com raiva. Hermione solicitou a Gina que lhe ajudasse a controlar os dois jogadores e a ruiva fez o que pode, posto que estava aturdida como os outros.
Durante os dias seguintes, Hermione teve que suportar os contínuos lamentos de seus amigos. Longe de serem um apoio estavam começando a irritar. Harry e Rony planejavam múltiplas formas de "provocar um acidente" em Malfoy para que não comparecesse ao baile, o que fazia com que Hermione se escandalizasse cada vez que os ouvia.
Neville inteirou-se do sucedido, pelas repetitivas queixas dos dois garotos, e mostrou-se um pouco mais paciente com a notícia, razão pela qual a garota agradeceu.
- Vamos Hermione. Ninguém morre por uma perna quebrada. - Disse Rony, com certa diversão.
Harry concordou com felicidade.
- Mas que coisas você diz! Claro que não farão isso... se a Professora McGonagall fica a par...
- A quem podem culpar se ele cair das escadas? - Disse Harry dando de ombros.
A garota não tinha mais remédio que conter as maquiavélicas idéias de seus amigos, mas também esperava o pior. Durante as noites, imaginava todos os ardis possíveis que Malfoy faria e buscava uma forma inteligente de esquivá-los.
Malfoy estava mais insuportável que de costume e agora alguns Sonserinos lhe irritavam todo o tempo que era possível. Sobretudo suportava as contínuas brincadeiras maliciosas de Blaise Zabini. A Sala Comum parecia ser o único lugar onde podia estar em paz e sem os olhares curiosos de alguns alunos de outras Casas, que já estavam a par do fato de que um Sonserino e uma Grifinória iriam ao baile de Halloween juntos.
- Por que tão irritado, Draco? Você vai com a garota mais inteligente de Hogwarts! Uma das poucas com as quais poderia sustentar um diálogo inteligente. - Disse Blaise, com diversão.
- Nunca poderia manter uma conversa inteligente com ela, só falaria dos trouxas vulgares. - Draco franziu o cenho.
- O que disseram seus pais quando souberam?
- Minha mãe pediu-me que não o fizesse, que me fingisse de enfermo ou algo assim. Meu pai disse-me que fizesse o quanto pudesse para evitá-lo mas que, se não houvesse outro remédio, que eu siga adiante e honre o nome dos Malfoy.
- É estranho que seu pai diga isso... - Disse Blaise com certa curiosidade.
- Meu pai disse que devo chegar ao topo sem me importar com os meios. Ele espera que eu desempenhe um bom papel no baile e não penso decepcioná-lo.
- Então você já se resignou de que vai com Granger, certo?
- Não de todo, porém estou pensando em tirar proveito disso. - Disse, com uma sobrancelha erguida.
- Soa interessante... o que vai fazer?
- Simplesmente fazer-me engrandecer às custas dela... - O loiro olhou seu companheiro com certa maldade. - Você verá... mas não desejará estar a meu lado...
Nota da Tradutora:
Onze dias depois, aqui está o capítulo 10 (sinto pelo atraso, problemas com o computador). Em nome da Jaina e no meu, agradeço àqueles que acompanham Reverto Umquam, especialmente aos que deixam reviews: Pink Potter (ahauahuahau! Pelo visto, você terá que se contentar com a pinça mesmo. Está sendo pessoalmente difícil atualizar de três em três dias, como eu gostaria. Ah, sugiro que ainda não arranque os cabelos, porque é no finalzinho do capítulo 11 que a tal pessoa misteriosa fará a sua grande entrada triunfal. Portanto, guarde para mais tarde a ida no "cabeleireiro", sim? ;-)); Deusa do Anime (Assim como você, torço para que Jaina não venha com a notícia-bomba de que resolveu abandonar a fic. Só de pensar nessa possibilidade, sinto náuseas, hehehe! Até o próximo capítulo!); Lemmie Chan (1 - Eu também adoro o shipper D/Hr, de modo que não é preciso agradecer, acredite quando digo que é um prazer para mim traduzir esta fic e compartilhar o resultado com todos vocês. 2 – Se Jaina abandonar a fic (Ave Maria! Cruz Credo!), não se preocupe, eu continuarei com a tradução até o último capítulo publicado por ela.); .Miss.H.Granger. (Que bom que esteja gostando da história e aprovando a tradução! Muito obrigado! Nos vemos no próximo capítulo. ;-)); ...Miss Verônica... (ahauhauahau, sim, sim, você às vezes me lembra minha filhota Dri. Sobre a nossa pequena cobra criada, Malcolm, ele ainda vai fazer uma ou duas aparições, onde mostrará todo o seu potencial para as negociatas com seu irmão mais velho. ;-) É pena que a cobrinha não apareça tanto quanto eu gostaria. É, Jaina fabrica personagens realmente bons: primeiro Lethar e Irina, e agora Malcolm. Sobre o "lance da biblioteca", não imagine cenas fortes e picantes, mas sim sugestivas. Conheceremos, de um lado, as intenções de Blaise e, de outro, a natureza dos sentimentos de Draco. Jaina insinua de forma sutil porém bastante clara para quem meia palavra entende. Você verá – ou melhor, "lerá". ;-) E vê se calça umas meias fofinhas, ou uma pantufa quando for bater o pés de ansiedade, viu? ;-) Besotes a ti también, nina!); la DieDie (Oh sim, faz um tempão que ela está "sumida". Para você ter uma idéia, estou esperando apenas o último capítulo de Draconis, para então poder traduzi-la, porém nada de atualização desde (pasme) novembro de 2005 (!). E quanto a Reverto Umquam, estacionou no capítulo 27, mas ao menos este último foi publicado mais recentemente, em junho deste ano. Então, façamos figa para que o atraso de Jaina resulte em boas surpresas para nós.); Débora (Oh, eu entendo perfeitamente a vida corrida de estudante! Não por isso, também fui uma. ;-) É bom saber que a história continua agradando, e não se preocupe, eu continuarei traduzindo. ;-); Fadinha (O Justin idealizado pela Jaina provou ser melhor que o original. ;-) Eu também acho o moço uma gracinha, com esse jeitinho tímido. E continue fazendo figa para atrair sorte com a atualização de Reverto Umquam original, eu e meu umbigo também estamos na torcida/expectativa. Beijos!)
Meninas, desculpem a pressa, mas não posso me demorar nos comentários. Um grande abraço a todos e até a próxima! – que, espero, seja o mais próxima possível.
Hasta pronto!
Inna