Casal: DeanxSam
Classificação: Slash, Angst, Darkfic
Nota: Se passa no final da segunda temporada, por isso desconsiderem qualquer evento ocorridos na terceira.
Devour - Capítulo nove
- Conversar? Você acha mesmo que eu vou conversar com você, sua vadia desgraçada?! – exclamou Sam, ficando cada vez mais transtornado.
Nicole riu.
- Pode me xingar o quanto quiser. Palavras de quem eu odeio não me atingem.
Sam a encarou, seu coração batendo rápido.
- Me odeia? Você é muito engraçada Nicole. Primeiro você engana a mim e ao meu irmão, depois me faz ter uma esperança estúpida de que eu possa salva-lo e depois consegue com que ele suma. Me diga quem deveria ser odiado aqui?
Nicole o encara com fúria.
- Você, Samuel Winchester, não merece o seu irmão! E eu o odeio por isso!
Sam paralisou. Bobby ainda segurava em seu braço.
- Como? – tão rápido quanto o choque veio, ele passou, dando lugar para a fúria cega que ainda estava sentindo.
- Isso mesmo que você ouviu, seu pequeno egoísta idiota! – Nicole agora falava com uma raiva fria e calculista – Dean é muito mais do que uma pessoa como você merece.
Sam pegou a arma no cós da calça, atirando nela sem pensar. Nicole riu quando viu a bala parar no ar.
- Com quem você acha que está lidando, hein? Deus, e você era o escolhido de Azazel? Não é a toa que ele morreu do jeito que morreu.
- Azazel? – perguntou Ellen.
Nicole jogou seus cabelos para trás, rindo.
- Talvez você o conheça como demônio dos olhos amarelos. Sabe, eu e Azazel somos inimigos desde eras antigas. Eu sabia que ele tinha um plano na manga para conquistar a terra, trazer o apocalipse. Mas ao contrário dele, eu era a melhor estrategista, graças a minha vidência. – Nicole sorriu mais ainda com o olhar arregalado de Sam – Sim, Samuel, nem tudo que lhe contei foi mentira, eu consigo ver o futuro. Foi assim que eu encontrei Dean.
Ela desceu alguns degraus da escada, o salto da sua bota ecoando no vazio.
- Eu soube o exato momento em que Azazel planejava usar crianças, humanos para serem os escolhidos do seu pequeno exército. Por isso eu impedi...bom, quase todas as vezes. Quantas crianças você acha que ele dividiu o seu sangue Sam? Centenas. E porque tão poucas sobreviveram ou foram encontradas por você e o seu irmão? – ela lambeu os lábios – Não podia deixar que ele tivesse a vantagem, podia?
- Então você matou centenas de famílias inocentes por um joguinho com aquele maldito? – exclamou Sam, abrindo e fechando o punho direito.
- Eis, que descubro o que ele ia fazer com você Sam. Acredite, você iria virar somente mais um cálculo no meu ataque ao inimigo. – ela tombou o rosto para o lado, ainda lambendo os lábios – Naquela noite eu iria fazer com que o fogo consumisse você e sua querida mamãe por inteiro. Mas eu tive uma visão. Ah, e que bela visão foi Sam! Foi quando eu soube. Se você era o preferido de Azazel, seu irmão Dean? Ele era o meu escolhido.
Sam abriu a boca, paralisado, tentando entender o que ela dizia.
- O...que?
- Isso mesmo. Dean sempre foi o meu escolhido. Sabe, para ser o meu general, não basta ser forte, ágil, poderoso como Azazel gostava. Ele precisa ter um coração puro. Uma alma forte. E seu irmão, Sammy, é tudo isso. – ela deu de ombros – Verdade, tenho que agradecer você por parte disso, pois se Dean se tornou o que ele é hoje, foi graças ao amor que ele sente por você.
E aquilo foi como um soco no estômago do moreno. Ele deixou a arma cair no chão, seu corpo adormecido. Nicole desceu mais um degrau.
- Eu os observei todos esses anos Sam. – ela franziu o cenho, irritada – Eu presenciei o quanto você e o idiota do seu pai sempre menosprezaram o valor que Dean tem.
- Eu nunca...
- Cala a boca! – ela praticamente gritou – Vocês sempre queriam tudo dele. O amor de Dean, o carinho, o respeito, a responsabilidade, a atenção, tudo, tudo, tudo! Vocês chegaram a pensar alguma vez, o que Dean queria? Isso alguma vez passou por essa cabecinha egoísta?
- Não ouça o que ela diz, demônios adoram joguinhos mentais. – disse Bobby, olhando-a cheio de ódio nos olhos.
Nicole riu.
- Você sabe que eu estou dizendo a verdade, não sabe? Era tão confortável receber toda aquela dedicação e carinho, não era Sam? E Dean... – ela suspirou – pobre Dean, feliz por toda e qualquer migalha de atenção que você e John pudessem dar.
Ela desceu mais um degrau.
- Mas você Sam, você tinha o verdadeiro poder nas mãos. O coração de Dean na ponta dos seus dedos. – ela estreitou os olhos – E o que você fez? Quebrou o coração dele de novo e de novo. Uma pessoa pode aguentar somente um número de vezes, sabia?
Sam respirou fundo, seu coração batendo apressado, suas lágrimas de fúria, de trsiteza, contidas com um enorme esforço. Ele sabia dos seus erros; ah, como sabia. Não precisava de ninguém, muito menos um demônio, lhe dizendo quais eram. Sabia que no fundo, ele sempre fora um covarde. Um covarde por não querer admitir o que estava sentindo, o que sempre sentira. Um egoísta por sempre considerar o amor de Dean como algo seguro, algo que não deveria ser cuidado com carinho.
- Eu nunca quis magoar Dean.
- Mas você o fez Sam! – exclamou Nicole, raivosa – Dean, por mais forte que seu coração, sua alma seja, ela também é frágil. Precisa de amor, de cuidados. E você o abandonou, o deixou pra trás vez após vez!
Ela desceu mais um degrau.
- Por mais que seus poderes sejam incríveis Sam, você ainda é fraco. Tudo que eu precisei foi dar um empurrãozinho na direção certa.
Sam arregalou os olhos. Empurrãozinho? Ele se aproximou, raivoso.
- Então foi você quem...?
- Gostou das suas visões, Sam? – Nicole sorriu com malícia – Eu apenas abri os recantos mais obscuros da sua mente para os seus poderes. Nada de mais. Mas claro, como lhe observei todos esses anos, eu creio que posso afirmar que conheço suas reações muito bem. Sabia que a partir do momento que você cedeu, você entraria em pânico. E olhe só, foi exatamente o que você fez!
Sam fechou os punhos.
- Então aquele feitiço era falso?
- Mais ou menos. – ela deu de ombros – Verdade, aquele feitiço não ia salvar a alma de Dean. Aquele feitiço era feito para pôr uma marca na alma dele; uma espécie de farol. Você percebeu que algo mudou nele após o feitiço não percebeu? Isso facilitou nossa caçada à putinha que fez o contrato pela alma de Dean.
Sam respirou rápido.
- Então...?
- Me agradeça querido, porque eu acabei com a existência daquela vadia e a alma de Dean está salva. – Nicole riu – Agora ele está livre, leve e solto para fazer o que quiser. E acredite, uma dessas coisas é não olhar na sua cara nunca mais.
Sam sentiu seu coração falhar uma batida.
- Eu não acredito em você.
- Oh, acredite Sammy. Uma das vantagens daquele feitiço foi poder perceber cada nuância dos pensamentos do seu irmão. Quando você foi embora, daquele jeito? Quase acabou com Dean. Nunca vi um sofrimento tão profundo e puro. E sabe qual foi a primeira coisa que Dean pensou, no meio daquilo tudo? Eu abro aspas agora: "Deus, eu queria que esse sentimento dentro de mim nunca existisse". Eu apenas realizei o desejo dele. Todo e qualquer amor que ele sentia por você? Se foi. Acho que tudo que sobrou foi o ódio.
Ela cruzou os braços, rindo. Sam abaixou-se, pegando sua arma novamente, os nós dos dedos brancos pela força com que segurava o objeto.
- Eu vou acabar com você, lenta e dolorosamente.
Ela ia dizer algo quando olhou para frente abrindo um sorriso enorme. Ela cruzou os braços.
- Parece que nosso convidado especial chegou. – Ela ergueu a voz – Foi boa a caçada Dean?
Sam paralisou. Tudo pareceu ocorrer em câmera lenta enquanto ele se virava, seus olhos pousando na solitária figura que vinha na direção deles.
Deus, Dean continuava lindo como sempre. Ele usava uma simples calça jeans, com rasgos nos joelhos, o coturno sujo de terra. Em sua mão direita ele carregava uma espingarda e na cintura sua faca de caça favorita. A jaqueta preta não conseguia esconder as manchas de sangue que sujavam a camisa xadrez que Dean usava por baixo dela. Ao ver o colar que seu irmão sempre usava ainda lá, Sam sentiu sua respiração falhar mais uma vez. Dean os encarou com um sorrisinho sádico nos lábios, os olhos verdes brilhando de modo estranho.
- Olha só quem chegou. – anunciou Dean, cheio de sarcasmo – Os caça-fantasmas. Bem a tempo da nossa última conquista.
Sam deu um passo a frente.
- Dean...
- E olha só, temos o prometido a nossa frente. Que de prometido não tem nada. – Dean ergueu a espingarda, colocando-a no ombro – Há quanto hein Sammy?
Bobby ergueu a espingarda que segurava, apontando-a para Dean.
- Eu sinto dizer Dean, mas se der mais um passo para frente, vai receber bala.
- Bobby, por acaso vai tentar me matar? – Dean riu – Estou magoado, de verdade.
- Não vou matá-lo, mas vou infligir muita dor.
- Ahn...com balas de sal, é isso? – Dean lambeu o lábio inferior – Atire então.
Sam viu quando Bobby hesitou. Ele voltou a encarar o irmão.
- Dean, por favor não faça is...
- E você, cala a boca! – exclamou o loiro, voltando seu olhar para Sam. O mais novo quase deu um passo para trás com a imensidão de fúria que podia ver naqueles olhos verdes.
- Dean...
- Se você não quiser que eu atire em você, cala a boca Sam. – ele voltou seu olhar para o velho caçador – Anda Bobby, atira! O que está esperando? Um convite?!
Bobby hesitou mais ainda. Dean abriu os braços.
- Anda, atira! Ou você é covarde o suficiente para não por essa bala em mim?
Sam percebeu pelo canto de olho quando Travis ergueu a arma e atirou.
- Travis, não! – gritou Sam.
Nicole sorriu, ainda de braços cruzados. Sam voltou os olhos aflitos para Dean, mas arregalou-os diante da imagem a sua frente: Dean pegou a bala parada no ar e a amassou, logo deixando o pó escorrer por seus dedos. Ele sorriu largamente e o coração do moreno falhou no peito quando flashes violetas invadiram os olhos verdes, logo sumindo.
- Você viu Sammy? – disse Dean, zombeteiro. Ele tombou a cabeça para o lado – Parece que eu também tenho poderes agora.
Nicole riu.
- Eu adoraria ver uma demonstração. – disse a jovem, piscando marotamente.
- O que minha lady desejar. – disse Dean e isso fez o coração de Sam se machucar. O loiro voltou seu olhar para Travis – Travis, Travis. Papai tinha muito respeito por você, mas sabe como é, não é?
Ele ergueu a mão direita e Travis gemeu de dor, deixando a arma cair no chão.
- Negócios, são negócios. – completou Dean, seus olhos voltando a ter aquelas nuances violetas.
Jo gritou horrorizada quando Travis começou a pegar fogo. O homem começou a tentar se apagar, se ajoelhando, seus gritos de dor ecoando na avenida vazia. Dean sorriu diabolicamente e estalou os dedos.
- Hora do lanche crianças.
As sombras surgiram por entre os prédios e vielas, fumaças negras e espiraladas se aproximando deles. Sam ergueu a arma, assim como Jo, Ellen e Tamara. Bobby empunhou novamente sua espingarda. Sam testemunhou horrorizado quando uma grande nuvem de fumaça agrupou-se em volta de Travis, logo cobrindo-o completamente. Os gritos do homem morreram naquele fim de tarde, seu corpo sendo estraçalhado pelos demônios. Dean foi andando na direção deles, a espingarda displicentemente encostada em seu ombro. Ele sorriu para Sam.
- Hora de jogarmos um jogo Sammy. Aceita?
- Vai se foder. – respondeu Sam, encarando-o com raiva.
Dean ergueu a mão e Sam sentiu alguém trancar seu maxilar um contra o outro, dolorosamente. A sensação durou segundos, mas foi o suficiente para deixar os ossos da sua boca formigando de dor. O loiro balançou o dedo indicador.
- Olha a boca Sam, essa foi a educação que eu te dei? Agora, o nosso joguinho.
Dean sorriu como uma criança levada, um sorriso que Sam testemunhara tantas vezes, e todas elas aquele sorriso nunca falhara em lhe dar um certo calor na alma. Agora seu coração doía em ver aquele ato em um Dean que nem ao menos reconhecia. E sabia que grande parcela daquilo era sua culpa; se ele não tivesse sido o covarde que sempre fora, se não tivesse fugido, Nicole nunca teria conseguido por as mãos em seu irmão.
- Qual é? – disse com uma voz triste, derrotada.
- É um simples pega-pega. Mas com o cronômetro rodando. – Dean sorriu mais ainda – Acha que consegue me pegar antes que seus eles sejam estraçalhados pelos meus soldados?
Meus soldados. Sam desviou os olhos, sentindo a visão borrar com lágrimas não derramadas. Seu coração se despedaçava bem aos poucos, a cada palavra proferida por seu irmão.
- E então Sammy? – Dean deixou a arma cair no chão, vendo os demônios se aproximarem mais e mais, suas formas negras se contorcendo como cobras.
- Três, dois, um...já! – gritou Nicole.
Dean saiu correndo, entrando na estação de metrô, a tela líquida de propaganda acima da entrada rachada ao meio, soltando faíscas de eletricidade. Sam voltou seu olhar para os companheiros.
- Vá atrás dele. A essa altura, só você pode fazê-lo acordar de qualquer que seja o transe em que ele está. – disse Bobby, atirando no meio das espirais de fumaça.
Sam acenou com a cabeça e logo começou a correr na direção que Dean fora, seus olhando vendo de relance Nicole.
- Você vai me pagar. – disse ele a jovem.
- Estou contando com isso. – disse ela da volta, sorrindo cruelmente.
Sam deixou eles para trás, entrando na estação abandonada, descendo as escadas rolantes paradas, indo atrás de seu irmão.
TBC
