DISCLAIMER: Saint Seiya, obviamente, não me pertence. Esta estória esta sendo baseada no livro Eragon e em Senhor dos Anéis.

SUMÁRIO: Há milhares de anos atrás o mundo era governado pelos cavaleiros e seus Dragões. Esse tempo foi conhecido como a era de ouro. Por muito tempo os cavaleiros conseguiram manter a paz em todo o mundo. Os povos de diferentes raças viviam em harmonia uns com os outros. Entretanto a era dos cavaleiros entrou em extinção quando a maldade invadiu o coração de um deles.

"Cold be heart and hand and bone. Cold be travelers far from home. They do not see what lies ahead, when Sun has failed and Moon is dead."

"O vento uiva pela noite trazendo consigo um aroma capaz de mudar o mundo."

Eragon.

"Cai a escuridão... Colidem as espadas... Reina o mal.".

Eldest.


Capítulo VII.

Schwert – Império. Palácio de Darius.

O quarto estava escuro e bastante quente. Na penumbra, só podia-se escutar o barulho de garras arranhando as pedras que sustentavam o castelo. O barulho era cadenciado e irritante, mas ela não se importava. Aquele era o único meio que ela possuía de ficar tranquila, de acalmar o turbilhão de sentimentos que lhe invadiam a mente. Mesmo naquela forma, ela sentia como se algo estivesse diferente, como se algo estivesse errado.

Antigamente, aquela sensação não era frequente, ela vinha de vez em quando, quando ela menos esperava, porém era apenas uma vez ao ano, agora ela não tinha mais noção de quantas vezes ela era atormentada por aquilo, na realidade ela nunca parou para prestar atenção de quanto em quanto tempo ficava naquele estado, mas sabia que a cada dia, mês e ano que passava, as crises se prolongavam e sabia perfeitamente que a tendência era a piorar.

Um rugido alto, e ensurdecedor escapou de seus lábios. Flashes de imagens de Dragões assim como ela, surgiam em sua mente sem parar. Alguns pequenos, outros grandes, e uns tão antigos que ela podia sentir a força que emanava deles mesmo através daquelas meras lembranças. Mas afinal de contas, o que aquilo realmente queria lhe dizer? Por que aquelas lembranças lhe atormentavam? Por mais que ela soubesse que era de fato um dragão, porque ela ficava lembrando-se de outros, sendo que nunca os viu na vida?

Lacos se enroscou, colocando sua longa cauda embaixo de sua cabeça pesada. Suas asas se fecharam em torno de seu corpo e ela parou de arranhar enlouquecidamente as paredes do quarto. Ela só precisava sair daquela forma e tudo voltaria ao normal. Nada de lembranças que não lhe pertenciam. Sentiu o familiar formigamento percorrer o seu corpo, uma dormência gostosa, e lá estava sua forma original. Seus longos cabelos estavam soltos, o vermelho deixava a sua pele mais pálida que o habitual. Demorou alguns segundos para os seus belos olhos verdes se acostumarem com a penumbra do quarto.

Era sempre assim, todas as vezes que aquele turbilhão de sentimentos lhe invadia a mente, ela perdia o controle de suas ações, a melhor maneira de se manter sã era voltando para a sua forma humana. Deitada no chão sujo, completamente nua, sentindo o suor escorrer pelo seu rosto pálido, Lacos tentou não pensar nas imagens que lhe invadiram a mente. Encolheu-se ainda mais tentando afastar qualquer tipo de lembrança.

Pode ouvir a porta se abrindo e a claridade adentrando o local, mas não se importou. Sabia que era Darius, ele sempre a visitava e sempre que ela se encontrava naquela situação ele aumentava o número de visitas. Ele sempre tão atencioso e gentil com ela, não conseguia imaginar alguém falando mal dele ou dizendo que ele era um péssimo Rei. Como de costume, ele tirou a capa de veludo vermelha que sempre trazia consigo e cobriu o corpo frágil da jovem.

- Lacos, como se sente? – Sua voz era doce e carinhosa. – Consigo sentir as suas emoções lá de meus aposentos.

- Sinto frio. – Foi tudo o que ela disse.

Darius riu. Sentou-se no chão ao lado dela, não se importava de sujar as suas roupas e nem do contato íntimo com ela. Lacos levantou a cabeça para fitá-lo. Seus olhos estavam marejados, pois a dor que habitava em sua mente era grandiosa.

- Venha para os meus braços. – Ele a convidou com carinho. – Prometo que se sentirá bem.

Lacos se arrastou até os braços dele. Quando os braços fortes e firmes de Darius a segurou, toda a dor em seu corpo, em seu espírito, tudo que antes lhe afligia desapareceu. Ele a apertou forte contra o seu corpo. Podia sentir a respiração quente dela contra o seu pescoço. Com uma das mãos acariciou os longos cabelos vermelhos dela. Sussurrando palavras gentis em seu ouvido.

- Tudo vai ficar bem. Não há o que temer. Eu sempre estarei aqui por você.

A menina deixou-se afundar no conforto daquelas palavras. Laçou os braços finos em volta da cintura dele e o apertou mais ainda. Aquela sensação era boa, reconfortante e prazerosa. Lacos sentiu inveja de Reganna, ela podia tocá-lo sempre que quisesse agora ela, só quando tinha crises emocionais. Como ela costumava dizer.

- Está se sentindo melhor? – Ele perguntou ainda acariciando os cabelos dela.

- Se eu disser que sim, você irá embora? – Ela afastou o corpo do dele por alguns centímetros, o bastante para poder olhar nos belos olhos azuis dele.

Darius a encarou rindo. Colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha e acariciou gentilmente o rosto dela. Ele realmente não se importava de estar ali com ela, até gostava do calor do corpo dela.

- Não sabia que gostava tanto assim da minha presença. – Ele afagou mais uma vez o rosto dela. – Fico o tempo que você quiser.

- Sério?

Ele a puxou mais uma vez para próximo de si e começou a cantar uma música na língua antiga, uma que ela não conhecia, mas as palavras ditas por ele pareciam bonitas, carregadas de um sentimento antigo, algo profundo e ligeiramente familiar. Sentiu seu corpo ficando leve. Seus olhos começaram a pesar e um formigamento agradável percorreu o seu corpo, melhor do que aquele que lhe invadia quando se transformava. Foi fechando os olhos devagar e antes de fechá-lo por completo murmurou algo que nem ela mesma conseguiu decifrar, mas ela sabia que tinha dito algo para ele, pois antes de se perder completamente no mundo dos sonhos, escutou a risada gostosa de Darius.


Deserto Nraim.

As tropas de Darius marchavam debaixo do sol quente. O céu estava límpido e o sol como sempre, castigando aqueles que se aventuravam andar por aquelas bandas. Cinquentas homens vinham atrás de Brougha e Narya. As duas que cavalgavam uma ao lado da outra, não trocaram nenhuma palavra desde que a expedição começou. Narya não se importava de apenas seguir calada ao lado da Orc, enquanto ela comandava os soldados. Nunca gostou de liderar, ainda mais um bando de soldado estúpido. Ela sempre gostou de fazer tudo sozinha e seguir seu caminho sem ter que depender de ninguém, porém ali estava ela, seguindo ordens de Kanon e agora, seguindo ordens de Brougha.

- Iremos seguir até aquele paredão de rochas, lá nós iremos descansar. À noite a temperatura cai consideravelmente, e antes que muitos de vocês morram congelados, é melhor nos precavermos. – Brougha falou alto o suficiente para que todos a escutassem.

- Não seria mais prudente se nós encontramos alguma caverna naquelas montanhas de pedra, ao invés de ficarmos ao relento? – Perguntou a Elfa indiferente aos soldados que a ouviam.

- Está com medo? – Perguntou a Orc.

- Não. Somente apreensiva. – Narya olhou para a grande parede de pedra que se erguia no horizonte. – Estamos em menor número e naquela direção, há muitos saqueadores e perigos escondidos por entre as rochas avermelhadas.

- Consegue enxergar isso tudo daqui, humana? – Brougha falou ironicamente.

- Tsc... Minha vida não se resume ao Império, mestiça. Não sou como você que vive presa dentro daquelas muralhas, eu costumo viajar pelo Império, logo, eu vi e sei de muitas coisas que você e essas sua cabeçinha, nunca conseguiram compreender.

- Não me importo com a vida desses meros soldados Narya. Por mim, teria vindo somente eu e você, porém, eu irei precisar deles quando chegar ao nosso destino. Então, para não contrariá-la, faremos do seu jeito. É uma pena que não tenhamos nenhum Elfo, ou até mesmo um feiticeiro conosco. Nossos problemas estariam resolvidos.

Narya mexeu em sua bandana, a fim de ajeitá-la. Jogou os cabelos para trás, colocando o capuz sobre a cabeça, o sol estava tão forte que sentia uma leve pontada na nuca. Pegou o seu cantil de água e sorveu um longo gole, feito isso, o devolveu para uma pequena bolsa de couro marrom e voltou a fitar o horizonte. Brougha tinha razão, se elas ao menos tivessem um Elfo ou um Feiticeiro, ficaria muito mais fácil seguir adiante. Não teriam necessidade de parar pertos das montanhas, poderiam até mesmo seguir viajem durante a noite. É claro que ela mesma poderia fazer qualquer tipo de feitiço, mas ela manteria o seu segredo guardado a sete chaves, não mostraria a ninguém que ela era uma Elfa. Se pudesse escolher pertencer a alguma raça, escolheria a dos humanos, podiam ser porcos e egoístas, mas não eram mais desprezíveis e arrogantes como a sua espécie.

- Já tem um plano para passarmos pela montanha? – Perguntou a Elfa.

- Não. Não pensei em nada, não tenho objetivo de salvar a vida de ninguém, somente fazer com que você passe, cuidarei de mim e da sua passagem, os outros, serão iscas.

- Darius sabe disso?

- São apenas cinquentas soldados, e eles são substituíveis como qualquer outro exercito. Se conseguirem sobreviver, sorte a deles, se não, não irei me importar. Morrendo lá, ou não morrendo, uma hora a morte chega de qualquer jeito para todos nós, espero que a minha seja em campo de batalha e com muita honra. – Brougha dirigiu um olhar frio para Narya. – O que desejo mesmo, é cruzar com aqueles a quem considero forte, mesmo que eles estejam do lado de Darius, nunca se sabe quando uma flecha ou até mesmo uma espada acidentalmente penetre a carne e os mate lentamente.

Narya sorriu ou ouvir aquilo. Era a primeira vez que sorria de algo que Brougha dizia. Estava feliz em saber que ela poderia fazer a mesma coisa que a Orc. Também não se incomodaria de maneira nenhuma em sem querer, matar alguém. Sua consciência não ficaria nem um pouco pesada. Ela até iria gostar de matá-la pessoalmente. Gostaria mais ainda de matar a sua própria espécie.

- Faço de suas palavras as minhas... Mestiça. É uma pena que nossos caminhos estarão separados por um tempo indeterminado, mas considero uma grande possibilidade de que quando o momento chegar, eu irei procurá-la.

- Fortaleça o seu corpo e o seu espírito, porque eu prometo a você que não será fácil.

- Eu nunca pensei que seria. Mas não se ache muito, eu já te vi lutar Brougha, sei os seus movimentos e o modo como você maneja a sua "espada", ao contrario de você, que nunca me viu lutar.

- Não preciso disso humana, só preciso do meu instinto e da minha força. Partirei você ao meio com grande facilidade. Você parece uma boneca de porcelana, brincando de ser soldado.

- Espero ver em seus olhos o desespero por ter sido derrotada por está boneca de porcelana. – Narya disse aquilo com seriedade e com um desprezo profundo. Guiou seu cavalo para o lado esquerdo, a fim de circular os soldados e observar como os mesmos estavam.

Brougha entendeu que naquele momento, estavam encerradas as ameaças e que talvez, ao decorrer do dia, as duas viessem a se bicar mais uma vez, só que desta vez, ela esperava que não fosse através de palavras e sim em combate. Assim como desprezava SB, desprezava-a mais ainda, pois a mesma transmitia aquele ar de superioridade, igual aos dos Elfos, porém, ela não passava de uma mera humana.


Hügel – Província dos Rebeldes.

Heide estava dormindo, ela sentia o algodão dos lençóis beijando a sua pele, podia sentir a brisa banhar seu corpo e escutava ao longe o som dos passarinhos cantando. Ligeiramente desperta, podia até mesmo escutar o som das espadas se chocando no acampamento. Entretanto, apesar de estar acordando, seu subconsciente ainda vagava por entre a floresta. Ela estava correndo pela montanha acima descalça, o que era algo natural, gostava de sentir o frescor da terra úmida contra os seus pés.

Neste momento se pegou em um grande impasse. Acordar, ou continuar a sonhar? Ainda estava cansada e não teria nada para fazer naquela manhã em particular, Camus e Aiolia não lhe dariam atenção e Aiolos treinava os rebeldes, já Saga resolvia problemas que ela não estava apta a ajudar. Resolveu correr pela floresta, os raios de sol que penetravam por entre as brechas das árvores lhe acariciavam a pele. Não estava quente, a temperatura parecia estar agradável e ela pode notar o vento que vinha do topo da montanha, que logo bagunçou seus cabelos cacheados da cor das folhas de outono.

Passou as mãos pelos cabelos a fim de ajeitá-los, não se lembrava de ter cabelos cacheados e nem daquela cor. Porém, não se importou. Aquilo era apenas um sonho. Estar sozinha era ruim, ela sempre esteve acompanhada de Bennedit, mas a amiga estava cumprindo as ordens de Saga e agora ela tinha que ficar a maior parte do tempo sozinha. Não queria estudar com Camus e nem mesmo com Aiolos. Era tão bom ser um espírito livre.

Naquela manhã acordou e deixou seus pés a guiarem, sem se importar de fato para onde estava indo. Primeiro teve que fugir de Aiolos e Aiolia, que estavam treinando juntos no campo. Aqueles dois acordavam antes mesmo do que as galinhas, um pé no saco total, pior mesmo era Camus. Que mesmo ela se esforçando o máximo possível não conseguiu se livrar dele tão facilmente. Teve que inventar mil e umas desculpas para não comparecer cedo em sua sala. Ele não acreditou em nada do que ela disse, até que resolveu apelar. É claro que ele ficou constrangido quando ela finalmente disse a ele que estava naqueles dias e que não se sentia muito bem. Primeiro ele ficou vermelho da cor dos cabelos dela, depois ele ficou desconfiado de que ela estivesse mentindo, mas é claro que ela o olhou com aquela cara de dor e até mesmo fingiu uma leve vertigem, deixando-o de fato preocupado. Ele até tentou levá-la para a enfermaria, mas ela disse que queria se banhar e respirar ar fresco. É claro que ele não se opôs, mas ela pode perceber que ele realmente se importava com ela.

Despistado as três pedras em seu caminho, ela começou a vagar pelo acampamento até chegar à entrada da montanha Bones. Ela sempre se encantou por aquela montanha em particular. Uma cadeia de montanhas cercava Hügel, Bones era a que ficava atrás do acampamento e era a mais temível de todas. Aquele gostinho de aventura preencheu a sua boca, Calla sentiu a saliva escorrer por entre seus lábios, aquilo sim era aventura. Pena que Bennedit não estava com ela.

Calla? Quem é Calla? Eu sou Calla? Não me lembro... Não me lembro do meu nome, não me lembro de quem eu sou. Isso é importante?

Subiu a montanha devagar, não queria cair e se machucar, os galhos eram mais grossos e as raízes mais protuberantes. Não havia sinal de trilha, e uma mata alta começava a atrapalhar o seu caminho. Ela jurava que havia escutado Ayala falar de uma trilha que levava até o topo. Mas onde ela estava? Adentrou ainda mais a floresta, percebeu que os passarinhos não cantavam mais ali, então ela estava no caminho certo. A brisa também parou de vir do topo, talvez estivesse chegando. Ela sabia que esses acontecimentos eram devido ao que a montanha guardava.

Calla sempre foi doida para descobrir quem ou o que morava naquela caverna, se realmente o seu chão era feito de ossos de animais e seres humanos que se aventuraram a andar por ali. Que tipo de criatura no mundo era mais temida que os Dragões? Conforme foi andando se sentiu aliviada ao notar que a mata alta estava acabando, quando finalmente passou por ela, notou a trilha que levava até o topo. Calla suspirou aliviada.

- Nossa. Eu não sabia que era tão longo o caminho. – Seus olhos percorreram o espaço a sua frente.

As árvores eram maiores e mais velhas. O ar era úmido e o sol já não entrava mais por entre as brechas. O ambiente se tornou escuro, não muito, pois mesmo sem o auxilio de uma lamparina, conseguia ver perfeitamente tudo ao seu redor. A terra era mais escura e espessa, alguns ruídos a incomodaram, mas não se importou. Mesmo sentindo um leve calafrio percorrer o seu corpo e os seus pelos na nuca ficarem arrepiados ela continuou a andar.

Essa... Essa não sou eu... Essa pessoa não sou eu. ESSA NÃO SOU EU!

Heide sentiu o seu corpo sendo puxado mais uma vez para o corpo de Calla, aquilo estava acontecendo com ela. Não era um sonho, era a realidade, talvez um futuro, mas ela nunca iria saber se ela não acordasse. Ela tentou de todas as maneiras acordar. Gritou consigo mesma várias vezes, tentou pensar em outras coisas, ela queria realmente acordar mais ela não conseguia. Mas uma vez foi sugada para dentro do corpo de Calla.

- Silêncio. – Calla esfregou os braços. – Está muito frio aqui também.

Esfregou os braços com força, talvez o atrito a esquentasse. Pode ver perfeitamente a fumaça típica de quando está frio sair pelos seus lábios. Um minuto antes a temperatura estava agradável, agora parecia que o inverno tinha chegado. Como antes tornou a escutar uns ruídos, parecia galhos ou raízes se locomovendo de um lugar para o outro. Mas uma vez não se importou e continuou a andar. Andou por um longo tempo a te se tocar de que estava andando em círculos. Ela conseguia ver a leve inclinação na montanha, sabia que estava subindo, mas no final ela tinha a nítida impressão de que estava subindo a séculos e nunca chegava no topo e nem ao menos conseguia ter um leve vislumbre da entrada da caverna.

- O que está acontecendo? Já não tem mais graça essa expedição.

Calla sai daí, sai daí!

Heide gritava com a menina, gritava na esperança de que Calla a escutasse. Uma pequena movimentação no canto esquerdo chamou a atenção das duas. Calla sacou a adaga do seu cinto e ficou atenta a qualquer coisa que fizesse barulho. Fincou seus pés no chão quando o mesmo começou a tremer. Por muito custo, ela conseguiu manter-se de pé. A montanha inteira tinha vibrado. Sentiu seus dentes chocando-se uns com os outros e até mesmos os seus ossos rangeram.

- Mas o que está acontecendo aqui?!

As palavras ecoaram por entre as árvores carregando um misto de medo e pavor. Calla recuou a tempo de uma grande raiz passar rasgando tudo em seu caminho. Agora ela tinha certeza que tinha sido estúpida em ter subido até ali sozinha, ter desobedecido às ordens de Saga e Camus. Se ela conseguisse sair dali viva, tentaria colocar um pouco de juízo em sua cabeçinha oca. Embrenhou-se por entre a mata alta e começou a correr sem nem ao menos olhar para trás. Ela conseguia escutar o barulho das raízes indo de encontro com ela. Rolou no chão no tempo certo, uma grande raiz cheia de espinhos passou por cima de sua cabeça e se agarrou a uma árvore a sua frente.

Calla desviou de um galho quebrado que antes não estava ali e continuou a correr. O frio não dava misericórdia a ela, por mais que seu corpo se esforçasse, ela sentia que a qualquer momento ia cair dura no chão de tanto frio. Uma raiz se prendeu em seu tornozelo, seu corpo foi com força para frente, por causa do solavanco proporcionado. Colocou as mãos na frente para amortecer a queda. Escutou os ossos do pulso esquerdo estalarem e a dor se alojar ali. Mas nada daquilo importava no momento, tinha que sair dali o mais rápido possível. Com a outra mão, a que mantinha a adaga firme, cortou a raiz que mantinha seu pé preso e voltou a correr, correu sem saber o que iria acontecer dali pra frente.

~/~

- Heide?! Heide! – Enora a sacudiu com força. – Heide!

Heide ainda sentiu a pulso queimar quando foi despertada. Levantou da cama zonza e ficou olhando para a cara de Enor sem entender o que estava acontecendo. Esfregou os olhos a fim de espantar a sensação de angustia que tomava o seu corpo.

- Heide, o que houve com você? – Perguntou a amiga preocupada. – Eu chamei você umas dez vezes e nada de você acordar. Estava tendo algum pesadelo? Você estava se debatendo na cama.

- Pesadelo? Debatendo?

- Sim. Você está muito estranha.

Heide olhou pela janela e sentiu que estava esquecendo-se de alguma coisa importante, ela tinha presenciado alguma coisa, mas o que? O céu estava azul como sempre e uma brisa fresca adentrava pela janela, bagunçando os seus cabelos lisos. A imagem de Calla surgiu em sua mente, o medo estampado em seus olhos verdes, o pulso quebrado contra o seu corpo magro.

- Enor, Calla está com problemas! – Heide se levantou em um rompante, mas não conseguiu dar dois passos, seu corpo estava debilitado e se Enor não a amparasse ela teria ido de encontro com o chão. – Eu não consigo me mover.

- O que está acontecendo? – Enora perguntou segurando a amiga nos braços. Ela era pesada e estava gelada. – O que tem a Calla?

- Está em perigo. Ela subiu a montanha! Avise a Saga, avise aos outros! – Heide deixou seu corpo cair mais uma vez contra a cama. – Corra Enor!

Enora não esperou a segunda ordem dela, correu o mais rápido que pode, não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas não ia perder tempo perguntando a Heide. Sabia sobre os poderes da menina, sabia que ela podia ter visões do presente e do futuro. Falaria primeiro com Camus, era o que estava mais próximo depois correria até Aiolos e Aiolia que treinavam sem parar no campo e por fim, iria até Saga, ele estava em algum lugar no meio dos rebeldes, não sabia exatamente onde o amigo estava só sabia que ele estava em uma reunião com os anões e estava vendo provisões de guerra.

Chegou à sala de Camus e antes mesmo de entrar percebeu que o amigo estava saindo com uma pilha de pergaminhos em baixo do braço. Ele a encarou por alguns segundos. Enora estava esbaforida de tanto correr. Apoiou as mãos contra os joelhos e ficou tomando fôlego para falar. Camus apenas a ficou observando se deixar transparecer nada.

- Calla. – Enora respirou fundo mais uma vez. – Calla foi para a montanha.

- O que? Que montanha Enor? – A voz dele era fria como o gelo.

- Bones.

Enora nem terminou de falar e Camus já estava correndo, os pergaminhos ficaram caídos pelo chão. Ele nem se importou com a garota, saiu correndo com medo de que algo pudesse acontecer com aquela que ele considerava ser a pessoa mais mimada e mais cabeça dura do Império todo.

Passou pelo acampamento sem nem olhar para trás, um ou outro tentavam para-lo, mas ele não cedeu a ninguém, se desvencilhou de todos e continuou correndo. Logo atrás dela vinha Enor com a mão no pulmão se esforçando para manter a respiração regular e acompanhar a sua corrida. Eles passaram por Aiolos e Aiolia que quando viram os dois correndo, pararam o que estavam fazendo e correram para alcançar Camus e Enora.

- O que está acontecendo? – Perguntou Aiolos já ao lado de Camus.

- Calla. – Foi a única coisa que ele disse.

- Onde? – Perguntou Aiolia. – Onde ela está?

- Bones. – Foi à vez de Enora responder. – Eu vou até Saga e vocês vão encontrá-la!

A garota virou à esquerda e continuou seguindo enquanto os três adentravam a floresta correndo. Aiolos trocou olhares com Aiolia que compreendeu perfeitamente o que o irmão estava querendo lhe dizer. Talvez Calla já estivesse morta quando eles chegassem. Se isso acontecesse, eles não sabiam o que Camus iria fazer, teriam que conter o amigo.

- Vamos nos dividir quando chegar à trilha. – Falou Camus. – Separados podemos cobrir uma área maior.

- Eu vou pela esquerda, Aiolia vai para a direita e você segue reto Camus, qualquer coisa Aiolia, você entra em contato com a gente mentalmente. Passe as informações necessárias. – Aiolos seguiu pela esquerda, enquanto os outros seguiam pelos seus respectivos caminhos.

Camus correu floresta adentro. Ele podia escutar ao longe um barulho perturbador vindo do topo da montanha. Os animais estavam inquietos e alguns estavam escondidos dentro de tocas ou por entre as folhas das árvores. Alguns galhos lhe arranhavam o corpo, enquanto ele corria sem parar. Não se importou com aquilo, só queria chegar até Calla, queria que a mesma estivesse viva, queria poder abraça-la e brigar com ela. Puxaria a orelha dela com toda a certeza desse mundo.

"Os animais estão estranhos desse lado da floresta. Estão correndo para a base da montanha, seja o que for que esteja acontecendo, está desse lado Camus, Aiolos. Venham para cá!"

A mensagem de Aiolia fez com que Camus mudasse sua rota, ele correu para a direita e logo depois, notou Aiolos ao seu lado. Seu corpo, igualmente como o dele estava cheio de arranhões. Os dois não trocaram nenhuma palavra. Apenas correram sem parar. A mata foi ficando alta e um frio esmagador preencheu o local. O barulho era infernal. Logo a frente, Aiolia cortava duas grandes raízes que tentavam prende-lo.

- O que é isso?! – Camus perguntou mais para si mesmo.

- Não baixe a sua guarda! – Ordenou Aiolos. – Qualquer erro, pode significar a morte.

A floresta estava uma bagunça, galhos e raízes preenchiam o ambiente quebrando e destroçando tudo em seu caminho. Bem no centro de todo aquele caos, ele podia ver os cabelos avermelhados de Calla. Ela estava presa. As raízes se entrelaçaram pelo corpo dela, seus olhos estavam fechados, e Camus pode perceber que ela estava inconsciente. Gostas de sangue caiam por entre as fendas das raízes, elas estavam rasgando o corpo da jovem aos poucos.

- Lá! – Gritou Camus. – No centro!

- Aiolia, faça uma barreira ao nosso redor! – Ordenou Aiolos.

- Não vou conseguir manter a magia por muito tempo! – Rebateu o irmão. – Vocês têm cinco minutos para tirá-la de lá!

- Cinco minutos serão o bastante. – Falou Camus.

Aiolos lançou um olhar para o irmão. Aiolia entendeu na hora que era um sinal para que ele se cuidasse, não se deixasse abater por aquelas raízes gigantes. Falou rapidamente um encanto para repelir qualquer coisa que chegasse perto de Camus e o irmão e recuou um pouco, saiu da zona de confronto e ficou na retaguarda, apenas se defendendo de ataques esporádicos. Manteve a sua mente fixa no irmão e em Camus, sentiu a energia fluir do seu corpo e dá procedimento ao encantamento.

Camus e Aiolos sentiram um leve formigamento na pele e já compreenderam que a magia estava fazendo efeito. Correram em direção ao circulo de raízes e galhos que mantinham Calla presa. Aiolos sacou duas longas espadas e começou a abrir espaço para que Camus pudesse passar. Graças ao encantamento de Aiolia, as raízes ricocheteavam na barreia invisível e eram desintegradas. O ruivo chegou ao centro do circulo e correu para Calla que já estava pálida devido a perda de sangue. Ele cortou as raízes que estavam pressas em volta dos pulsos da menina e logo depois as que prendiam os seus pés. A parte mais difícil foi cortar as raízes que estavam em volta de seu tronco. Ele ficou com medo de cortá-la no processo.

Quando terminou de fazê-lo, o corpo da jovem caiu em seus braços. Ele a segurou firme contra o peito e voltou a sua atenção para a luta que estava sendo travada atrás de si. Aiolos estava todo machucado e tinha um corte profundo em sua bochecha, Aiolia lutava contra duas raízes que investiam sem parar contra ele. Camus não podia ajudá-los. Não tinha como investir contra aquelas raízes com o corpo de Calla em seus braços. Pela primeira vez sentiu um medo invadir o seu coração, ia morrer ali. Não seria em um campo de batalha e sim no meio daquela floresta aterrorizadora e ainda levaria consigo seus amigos e aquela por quem se apaixonou. Segurou mais firme Calla contra o seu peito e correu não se importou com a dor em seus músculos ou com o medo que gritava em sua mente, ele tinha que sair dali.

Aiolos cortou uma raiz que rasgou o seu braço esquerdo, fazendo com que a sua espada se fincasse no chão. O encantamento de Aiolia já não surtia mais efeito. Ele olhou para o irmão que pingava suor. Sabia que Aiolia estava tentando manter o feitiço e sabia que se não fosse pelo esforço dele, ele e Camus já estariam mortos. Seu braço estava dormente por causa da perda de sangue e ele nem se importava mais com a dor. Só queria sair dali. Segurou a espada com mais força, não tinha mais o braço esquerdo para lhe ajudar, mas não desistiria da luta. Correu na direção de Camus, para lhe dar apoio e junto com o amigo lutou bravamente, até que suas forças foram drenadas e seu corpo foi erguido no ar. Seus pés estavam presos, sua espada caiu de sua mão. Escutou o grito do seu irmão irromper pela floresta. Camus gritava alguma coisa também. Aiolos percebeu que o amigo estava sendo preso também e para a sua aflição piorar, seu irmão estava preso contra uma árvore. Eles estavam perdidos, os quatro iriam morrer ali.

- ARQUEIROS! – Gritou Saga. – AGORA!

Uma saraivada de flechas perfurou os galhos e as raízes. Aiolia caiu no chão ao mesmo tempo em que Camus e o irmão. Calla ainda nos braços de Camus resmungou alguma coisa que o ruivo não entendeu, mas agradeceu, pois só assim ele pode notar que ela ainda estava viva. Os irmãos correram na direção de Saga e de sua tropa, Bennedit e Enor estavam lado a lado com arco e flechas na mão, as duas miraram nos galhos que tentavam prender os pés dos irmãos. Saga junto dos outros rebeldes dava abertura para Camus passar com Calla nos braços. Quando o líder percebeu que os amigos estavam atrás de suas tropas fez um gesto com as mãos indicando a todos que recuassem.

- Recuar! – Gritou um anão. – Recuar agora!

Saga cortou uma raiz que tentou prender seu pé e correu para o lado de Camus. Ele lançou um olhar de preocupação para a jovem em seus braços, mas Camus apenas fez um gesto com a cabeça tranquilizando o amigo. Bennedit voltou a ser um corvo e começou a dar apoio por cima. Bicou e arrancou raízes dos braços e pernas dos soldados. Enor deixou o arco e flecha e já estava com a espada em mão protegendo Aiolos e Aiolia que tentavam manter-se de pé, um ajudava o outro. Quando o frio começou a se dissipar e o barulho dos animais começou a ser ouvido, eles relaxaram. O sol como sempre foi bem vindo e Camus pode respirar aliviado. Na base da montanha Heide se apoiava em Ayala que mantinha a expressão neutra. Seus olhos estavam vidrados no topo da montanha.

Uma mistura de preto, cinza e marrom cobria a montanha. Conforme o pelotão foi passando por elas, as cores se misturavam, ela sabia que ia morrer e quem não ia. Sabia todos os sentimentos que os homens estavam tendo. Sentiu a dor deles em seu corpo frágil. Lágrimas escorreram pelo seu rosto e ela notou que não era a única a chorar. Heide fungava ao seu lado sem parar. Suas emoções estavam conturbadas e ela sentiu um peso enorme na consciência da garota, como se aquilo tudo fosse culpa dela. Ayala não sabia o que iria acontecer a partir daquele momento, mas ela tinha certeza que as atitudes de Calla iriam mudar se não fosse por bem, seria por mal.


E ai povo, beleza?! Então espero que esse capítulo agrade vocês. Não ficou muito grande, mas foi feito com todo amor do mundo. Espero que gostem da pancadaria.

Obrigada a todos que estimaram as minhas melhoras.

Capítulo Betado por Marcela Augusto. (: Te amo amiga.

BeijosMeLiga.


Respondendo os Recadinhos Felizes. *OOO*

Notte di Luce – Oi amor, que bom que está gostando. Sem problemas quanto à demora em ler, leia quando puder. No seu tempo. Eveline é um amor mesmo, a adoro. Deve ser porque é a minha personagem. HAHAHAHAHAHA Sacanagem. Eu gosto dela, mas gosto mesmo é dos outros personagens. Os meus eu costumo deixar de lado, eu amo mesmo é o Darius, que logo, logo irá trocar de nome. Spoiller. Tristeza. Logo você irá matar essa curiosidade. Espero que goste da sua personagem nesse capítulo.

Pure-Petit Cat – Myrtille ainda vai se dar muito mal. Em falar nela, você sabe que a sua personagem, a Myrtille e a Narya, vão dar muito trabalho para a Léia né?! Coitada. Deba e Gillius se amam, irmãos mesmo, vivem brigando, parece eu e o meu irmão. Zara ainda vai mostrar para que veio. Tenho pena do Kanon. Muita pena dele quando eles se esbarrarem.

Krika Haruno – Próximo capítulo teremos Yurah! Linda de morrer encontrando certo alguém. HAHAHAHAHAHAHA Será que ela terá problemas... Tadinha. Tenho pena dela. Ela sempre vai estar por perto para proteger o irmão, às vezes eles nem vão estar juntos, mas ela vai dar um jeitinho, ela sempre dá um jeitinho. Os Dragões tem sentimento sim pelo seu cavaleiro e pela humanidade em sim. Refiro-me a todas as espécies. Quando os ovos se eclodirem, isso ficara mais claro para vocês.

Jules Heartilly – Léia ainda vai sofrer muito, igualmente a sua personagem. Narya ainda vai chorar nessa história. Eu ainda não pensei em quem vai ter o Dragão primeiro, mas com certeza a Calla e a Myrtille devem ser as primeiras, a sua ainda vai passar por uma barra pesada. HAHAHAHAHA /malvada

Reganna e Kanon ainda vão se bicar muito, estou até planejando uma luta de feiticeiros. Vamos ver o que rola e quem ganha.

Darkest Ikarus – Deba é um fofo! *-* Quando os dois brigam então, mas fofo ainda. Esses lobos me encantam sempre que eu começo a escrever. Os irmãos ainda tem uma longa jornada. Gillius ainda vai penar muito na mão do irmão e ele claro, será uma peça chave na vitória do irmão. Se é que terá uma vitoria.

Aredhel Atreides – Zara ainda vai ter as cenas dela de barraco. Quando ela começar a ver sangue então... Isso é uma surpresa para você. Ela e o Kanon se dão perfeitamente e o momento dos dois se encontrarem está próximo.

Léia tadinha, essa ai só a raposa mesmo para ajudar ela e quem sabe um novo personagem não entre na história, um não dois. Mais isso só lá na frente, daqui a alguns capítulos... Ah e a Reganna vai colocar algumas pessoas em seu devido lugar, será que é o Kanon?!


Meninos e meninas, hoje eu dei muito spoillers para vocês, foi mal, PORÉM meus dedos me trairão.

IUSJAUISHAUIHSOUIAHSUIHAUSIHAUISA

Bom é isso, não vou me prolongar mais. Beijos e fiquem com Deus.

Boa leitura!

(L)

P.S.: O capítulo foi betado, mas sempre passa um erro despercebido pelos nossos olhos, então não liguem.