CAPÍTULO NOVE – TOO MUCH

Bella POV.

Dormir foi um pouco difícil naquela noite, porque eu realmente me encontrava um pouco ansiosa. Acabei dormindo um pouco tarde e acordando cedo demais, já pulando para o banho.

Fiquei um pouco surpresa quando senti a água quente batendo nas minhas costas. Riley geralmente desligava...

Ignorei isso, depois de um tempo. Talvez ele tivesse apenas esquecido.

Alice veio me buscar na hora do almoço, me arrastando para um shopping. Pensei que ela me faria olhar alguns vestidos, em dúvida de qual ela escolheria para aquela noite, mas fomos para a praça de alimentação.

- Então... – começou, enquanto comíamos comida japonesa. – Como foi sua semana?

Seus olhos me sondaram e eu não sei exatamente como, mas sabia que ela falava sobre Riley.

- Pode ficar tranquila – sorri um pouco. – Riley não encostou em mim depois... Daquilo. Ele viajou ontem, disse que volta só na semana que vem.

Ela assentiu.

- Eu posso te fazer uma pergunta, Bella? – indagou. Assenti, ajeitando-me mais na cadeira. – Por que você permite que isso aconteça? Seus pais não sabem de nada?

Mordi o lábio inferior, sem saber como explicar isso para ela.

Eu ainda não conseguia entender por que era tão fácil me abrir para ela.

- Meu pai não mora aqui – comecei. – Nós não nos falamos muito. Ele meio que não concordou com o meu casamento, achando precipitado demais. Ligo para ele de vez em quando, ele me liga... E Renée, minha mãe, me abandonou quando eu ainda era pequena demais.

Respirei fundo, pensando em como continuar.

- E eu não quero contar nada a ninguém – sussurrei. – É... demais. É muito vergonhoso admitir que eu errei me casando com Riley, que ele me... bate. Com o tempo talvez isso passe, mas não quero enfrentar divórcio, pessoas tendo dó de mim... E contar para o meu pai, com ele sendo chefe da polícia... Não preciso disso, não quero...

Alice assentiu.

- Talvez um dia as coisas melhorem – disse por fim.

- Eu não acho que isso vá acontecer – disse ela de forma suave. – Mas se você tem certeza... Se precisar, estou aqui, certo?

Assenti, sorrindo para ela.

- Vamos, então? – indagou. – Temos que nos arrumar!

- Claro – ri. – Podemos ir à casa do Riley antes? Tenho que pegar meu vestido.

Alice estreitou os olhos.

- Seu vestido já foi escolhido – disse. – Tirei da minha loja, então não negue. Pode devolver se quiser.

Tentei, durante todo o caminho, persuadir Alice, mas ela negou.

Chegamos a casa dela mais rápido do que de costume. Ela me puxou diretamente para o seu quarto, alegando que estávamos atrasadas e que havia muito a fazer até a hora de irmos.

- Edward vai passar para pegá-la por volta das oito – informou-me, me empurrando para o seu banheiro. – Relaxe no banho, lave o cabelo, enquanto eu tomo banho no outro.

- Mas eu já tomei banho! – tentei argumentar, mas ela não me deu ouvidos, sumindo logo em seguida.

Tomar outro banho acabou sendo bom. Deixei que a água quente relaxasse meus músculos, lavei os cabelos com um xampu de cerejas que havia ali e saí logo em seguida, pegando uma toalha que estava em cima da bancada.

Alice já me esperava, trajando um roupão, quando saí do banheiro. Ela me empurrou um roupão também, pedindo que eu me sentasse em frente a uma penteadeira.

Nas próximas horas ficamos ali, em seu quarto, nos arrumando – Alice nos arrumava, para ser sincera. Faltando alguns minutos para Edward chegar, Alice nos declarou prontas.

Eu me virei para o espelho, sem realmente acreditar que aquela era eu. Um vestido preto se moldava em meu corpo, ressaltando curvas que eu nem sabia que tinha, deixando minha pele pálida e cremosa. Os sapatos eram pretos também e altos, bem altos. Um bracelete de coração tomava conta de meu pulso e nada mais.

Alice também havia caprichado na maquiagem e nos meus cabelos, notei. A maquiagem era bastante suave em todo o resto, exceto nos olhos, marcados de pretos. Meus cabelos estavam presos em um coque frouxo, deixando algumas mechas escaparem e emoldurarem meu rosto.

Eu estava linda.

- Uau – sussurrei. – Obrigada, Alice.

Ela sorriu, terminando de passar seu perfume.

Alice também estava linda. Seus cabelos estavam soltos, com pequenas ondas nas pontas. Sua maquiagem era um pouco mais forte, bonita.

- Você tem jeito para se arrumar e arrumar as pessoas – disse, rindo um pouco.

- Eu gosto – deu de ombros. – Vamos? Edward já deve estar com meus pais e Jasper lá embaixo.

Assenti, andando com cuidado, com medo de cair. A possibilidade de ver Edward e ser meu par essa noite me atingiu em cheio, fazendo com que borboletas tomassem conta de meu estômago.

Por que eu estava assim, tão nervosa?

Desci as escadas com cuidado, com medo de causar um estrago caso tropeçasse. Podia ouvir risadas animadas vindo da cozinha, o que me deixou ainda mais nervosa.

Alice me puxou até a cozinha. Os olhos de Edward me encontraram imediatamente, fazendo com que eu corasse. Eles me avaliaram, de cima a baixo, e um sorriso tomou conta de seu rosto.

- Você está linda – murmurou, se aproximando. – Não. Linda é pouco. Você está... Maravilhosa, Bella.

- Obrigada – corei.

Edward não ficava para trás, trajando um smoking que marcava seus ombros e braços. Ele estava deslumbrante.

Voltei meus olhos para os outros ali, sorrindo ao ver Carlisle e Esme abraçados. Esme também estava de preto, extremamente linda.

- Boa noite – murmurei.

- Você está linda, Bella – disse Esme, sorrindo. – E você também, Alice.

Eu agradeci, devolvendo o elogio e fui apresentada ao namorado de Alice, Jasper. Fomos informadas de que Emmett nos encontraria lá junto de sua companhia e cada um seguiu com seu par para um carro.

Edward abriu a porta da limusine para mim, entrando logo em seguida. Seu sorriso não deixava seu rosto nem por um minuto.

Nós conversarmos sobre coisas banais até chegarmos ao local do evento. Meus olhos arregalaram ao ver fotógrafos e tudo o mais ali. Esme posava para uma foto junto com Carlisle e Alice e Jasper acabavam de adentrar o local.

- Pronta? – Edward indagou, ainda sorrindo. – Sou um dos anfitriões da festa.

Assenti, engolindo em seco.

Que eu não faça nenhum deles passar vergonha.

Edward POV.

Palavras não seriam capazes de descrever o quão linda Bella estava naquela noite. Eu queria puxá-la para meus braços, abraçá-la e beijar aqueles lábios cobertos apenas por uma fina camada de gloss.

Ela não precisava de maquiagem para ficar linda.

A roupa que eu comprei para ela, o bracelete que eu escolhi... E que, com a ajuda de Alice, Bella achava que tudo aquilo era emprestado...

Não pude deixar de notar a falta de aliança naquela noite, mas decidi não comentar nada e nem mencionar o marido dela.

Eu não queria estragar aquela noite.

Depois de algumas fotos tiradas, adentramos o salão. As pessoas conversavam em voz alta e riam. Uma música suave tomava conta do lugar.

Procurei minha família com os olhos, segurando Bella pela cintura. Avistei-os já na mesa reservada para nós e caminhei até lá. Cumprimentei algumas pessoas no caminho e logo estávamos sentados, somente a espera de Emmett e sua companheira, Rosalie.

- Olá, família.

Olhei para cima e sorri ao ver meu irmão abraçado com uma mulher muito bonita, que sorria também.

As apresentações foram feitas antes de o jantar ser servido. Depois Emmett e eu fizemos nossos discursos, agradecendo a todos ali pela presença.

E eu mal pude acreditar quando a dança começou, permitindo que eu levasse Bella em meus braços.

- Eu já lhe disse o quão maravilhosa está hoje? – indaguei, não cansando de olhar para ela.

- Já – corou, mordendo o lábio inferior. – Obrigada.

Eu sorri.

Naquela noite, eu me permiti fingir, sem pensar nas consequências depois. Fingi que Bella era solteira, que tínhamos a chance de ficarmos juntos, e que ela nunca apanhou de ninguém.

Fingi que ela era minha, que estava em meus braços e sempre estaria ali.

Deixá-la em casa naquela noite sem beijá-la deve ter sido a pior coisa.

- Obrigada pela noite – agradeceu.

- Não há de que – sorri. – Sempre que precisar, é só falar.

Eu a ajudei a sair do carro e esperei que ela entrasse, antes de pedir, enfim, que Marcus me levasse para casa.

Eu ainda tinha uma longa noite pela frente, tentando esquecer tudo o que acontecera naquele evento, tentando esquecer como era sentir Bella em meus braços.

No dia seguinte, levantei cedo demais, não aguentando mais ficar na cama. Tomei um banho longo e me vesti de forma simples.

Estava planejando tomar café e passar o dia no meu escritório, quando a campainha tocou.

Desci as escadas e olhei no olho mágico, sorrindo ao dar de cara com Alice ali. Abri a porta, ainda sorrindo.

- Bom dia, irmã – disse. – O que faz aqui tão cedo? Caiu da cama?

Ela revirou os olhos.

- Obrigada pelo convite para entrar – disse, entrando logo em seguida. – Conversei com Bella ontem, como você pediu. Ela me contou algumas coisinhas e eu vim aqui, repassar para você.

Assenti.

- Vamos para a cozinha, então. – Fechei a porta e me virei para ela. – Preciso tomar café.

Preparei um café e peguei um bolo para comermos, antes de me sentar e virar para Alice, esperando que ela narrasse tudo o que Bella havia dito desde ontem.

- Entendi – disse, quando ela terminou. – O que faremos agora?

Alice suspirou.

- Eu acho que agora devemos esperar – murmurou. – O marido dela, que eu descobri se chamar Riley, viajou. Quando ele voltar, vamos ver se ele bate nela ou algo assim. Se isso acontecer, posso tentar convencê-la a denunciá-lo.

Assenti.

- Tomara que dê certo – sussurrei. – Ela não merece passar por tudo isso.

- A gente vai dar um jeito, Edward – disse. – Nós vamos conseguir.

E eu queria, mais do que tudo, acreditar nas palavras de Alice.

Bella POV.

Eu dobrei delicadamente o vestido emprestado de Alice e guardei cuidadosamente em uma caixa, junto com os sapatos e o lindo bracelete. Escondi no fundo do meu guarda-roupa, sabendo que Riley nunca pensaria em procurá-los ali. Tomei um banho e desmanchei aquela mulher que Alice construíra.

Mal encostei minha cabeça no travesseiro e já estava dormindo.

Acordei com o barulho do telefone tocando.

Tentei ignorar por alguns segundos, enfiando minha cabeça debaixo do travesseiro e tentando dormir novamente.

Não adiantou.

Conformada, estiquei a mão, a procura do aparelho.

- Alô? – murmurei, procurando pelo relógio.

Já se passava das nove da manhã.

- Bom dia, querida. – Sentei-me imediatamente ao ouvir a voz de Riley. – Posso saber por que está abraçada a outro cara em um foto no jornal?

Ofeguei.

Por que eu não pensara nisso ontem, antes de tirar aquela foto com Edward?

- Eu... – comecei, tentando pensar em algo. – Era um evento de uma empresa, eu fui só como amiga da família.

- Não quero você indo a eventos assim, Isabella – grunhiu. – Eu sou seu marido, eu tenho que saber das coisas. Não quer me ver nervoso, quer querida?

Mordi o lábio inferior.

- Sinto mundo – sussurrei. – Eu te falo se for convidada para outro evento do tipo.

- Boa menina – riu. – A gente se fala depois, querida.

Bati o telefone com força no ganho, afundando o rosto em minhas mãos e deixando que as lágrimas caíssem.

Por que sentir tanto medo de Riley?

Por que deixar que ele mexesse assim comigo?

Por que eu simplesmente não partia e dava queixa?

Porque eu era uma idiota.

Respirei fundo, tentando controlar as lágrimas e me levantei pronta para mais um dia.

A semana se passou mais rápido do que eu queria, infelizmente. Em meio a saídas com os irmãos Cullen e almoços na casa dos pais deles, eu trabalhava e juntava o resto do dinheiro que eu precisava para pagar um ano de faculdade adiantada e conseguir ficar um pouco mais tranquila.

Quando a sexta chegou – assim como o dia que Riley voltava – eu estava me sentindo bem desanimada.

Foi com pesar que coloquei a aliança antes de ir trabalhar, sabendo – através dele, que agora me ligava constantemente – que quando chegasse, ele estaria ali.

Implorei para que o dia se arrastasse, apenas para eu poder fingir um pouquinho mais, mas logo eu estava a caminho da casa dele, sem saber o que me esperava quando eu chegasse lá.

Os lábios de Riley tomaram conta dos meus assim que fechei a porta, me sentindo surpresa.

- Sentiu saudades, querida? – grunhiu, me prensando contra a porta.

- Me larga, Riley – implorei, já sentindo as lágrimas tomando conta de mim. – Por favor, eu não quero.

- Andou ocupadinha esses dias, não andou? – indagou. – Aposto que já está de casinho com aquele tal de Edward Cullen, com quem tirou foto dias atrás.

- Para com isso – pedi. – Me larga agora!

Vi o rosto furioso de Riley antes de ele me jogar com força no chão, fazendo com que eu batesse o braço na mesinha e ainda caísse sobre ele.

Gemi de dor.

- Isso é para você aprender a não me dizer não, Isabella – rosnou antes de sair de casa, batendo a porta com força.

Levantei-me, com cuidado, sentindo meu braço doer ainda mais a cada segundo que passava. Tentei mexer algum dedo, qualquer dedo, mas não consegui.

Peguei a mochila com a mão boa, jogando-a no ombro e tornando a sair de casa. Peguei um táxi, pedindo que me levasse até o hospital mais próximo dali, sabendo que com aquela dor, não seria capaz de esperar por um ônibus.

Fui atendida quase que imediatamente, sendo levada para tirar uma radiografia do braço. Sentei-me em uma cadeira pouco depois, enquanto esperava o resultado.

Meu celular começou a tocar segundos depois.

- Oi, Alice – murmurei, logo após ver seu número no visor.

- O que aconteceu? – indagou. – Sua voz está estranha.

- Estou no hospital – sussurrei. – Eu acho que quebrei o braço.

Ela ficou em silêncio durante alguns segundos.

- Me passe o nome do hospital, estou indo para aí.

Tentei negar, dizendo que não precisava, mas Alice insistiu até conseguir o nome do local onde estava. Fui chamada pelo ortopedista que me atendeu logo depois, sendo informada que, de fato, eu havia quebrado o braço e teria de usar gesso durante quinze dias.

Esperei pacientemente enquanto eles faziam o gesso, torcendo para que não desse tempo de Alice chegasse antes de eu ser liberada.

Porém, antes que terminassem com o trabalho, Alice e Edward adentraram a sala, parecendo preocupados.

- Eu quebrei o braço – revirei os olhos. – Podem parar com essa cara assustada.

Alice riu um pouco.

- Parece que alguém vai ter que tomar mais cuidado daqui para frente – sussurrou, sorrindo de forma triste.

Ela não precisou me olhar uma segunda vez para que eu entendesse o que ela quis dizer com aquilo.

Aceitei a carona de Edward para ir embora, assim que fui liberada. Recebi meus analgésicos e mais uma vez fui informada de todos os cuidados. Alice ia nos acompanhar, mas recebeu uma ligação e despediu-se da gente, dizendo que precisavam dela na loja.

- Tome cuidado, Bella – pediu. – A gente se fala depois.

Assenti, agradecendo por todo o carinho.

Adentrei o carro, então, sem deixar de notar o quão sério Edward parecia estar.

- Está tudo bem? – perguntei, quando o carro começou a se mover.

Ele estreitou os olhos e suas mãos se fecharam em punhos.

E eu mal pude acreditar nas palavras que saíram de seus lábios segundo depois.

- Eu deveria bater no seu marido – resmungou. – Eu deveria fazê-lo pagar por cada dor que provoca em você.