Disclaimer – Não é meu. E eu nem queria mesmo. u-u
Revisão – Mitz-chan. Amo você! =P
Notas da Autora – Olá, pessoal... Ainda se lembram de mim? Eu acho que não, né. x.x A última atualização foi feita pela Mitzrael Girl porque prometi que publicaria para uma amiga no dia no niver dela, mas estava com tanto sono que não aguentei e pedi para Mitz. XD
Maaaas dessa vez eu estou aqui! Ò_ó Sim, confesso que demorei uma eternidade e peço desculpas, mas não foi por mal. Muita coisa pra fazer e pouco tempo para tudo. ;-;
De qualquer maneira, espero que gostem e que comentem. _o/
Ahhh, muito obrigada por todo mundo que comentou no capítulo passado. Eu fico muito feliz com cada gentil comentário que recebo! Muito obrigada mesmo! =P
Vou ficar por aqui que estou caindo de novo de novo. u_u E tenho que ir dormir que hoje vou ao show do McFly!!! =DDD
Até a próxima. _o/
Beijos,
Lis
Para Samy, com amor e carinho. Te adoro, menina! =D
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Dake wo Aishite
Apenas te Amando
By Palas Lis
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Dai 10 Kai – Kimi ga Hoshii!
Capítulo 10 – Quero Você!
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A noite era muito tranqüila no litoral japonês. O calor havia melhorado muito naquele dia, pois ventava bastante. Sesshoumaru agradecia por aquilo, contudo, nem tal fato era o bastante para melhorar seu humor naquele momento. Ele já havia xingado todos os palavrões que conhecia, deixando Rin sem graça com a maioria deles, mas ele não se importou. Queria apenas extravasar sua raiva interior.
Tudo parecia estar se ajeitando naquela maldita viagem e ele quase conseguira se divertir. Porém, sua maldita sorte parou no quase. Quase! Se existisse um medidor de frustração, certamente a de Inokuma Sesshoumaru quebraria o aparelho!
Quando eles voltaram do passeio, Sesshoumaru foi direto para o quarto de Jakotsu na intenção de descansar um pouco, mas, para sua frustração, o rapaz lhe contara que o namorado havia chegado naquela noite e que não seria muito agradável dividir o quarto com um casal, ainda mais um casal tão... Diferente. O executivo ainda não comentara nada a respeito, apenas entrou no quarto emburrado, sem dizer uma única palavra. O rosto dele ficou assustadoramente inexpressivo.
Quase uma hora depois de chegarem do piquenique, Sesshoumaru ainda permanecia na varanda, olhando para algum ponto no horizonte, sem realmente vê-lo. Ele ouviu a porta do banheiro se abrir e viu quando Rin saiu dele, com os cabelos molhados e um short curto. Não vestia uma camiseta longa como sempre, mas uma regata cor de laranja. Inferno, lá vinha ela com poucas roupas novamente!
Ele não ligava mais de ter que dividir o quarto com ela, mas havia um grande problema nisso: Rin o estava deixando louco, simplesmente isso! Sua mente lhe avisava que a qualquer minuto perderia a razão e acabaria por agarrá-la e beijá-la. Só Deus sabia como fora difícil fazer aquilo quando olhavam o Sol se pondo naquela tarde... Se ficassem juntos mais um minuto, não responderia mais por suas ações...
Sesshoumaru sentiu quando a mão pequena dela tocou levemente no seu braço, para chamar sua atenção. Até o insignificante e inocente toque dela o deixava com mais desejo de beijá-la e tocá-la. Ele virou o rosto para ela. O rosto contraído de raiva demonstrava que ainda parecia furioso porque o namorado de Jakotsu chegara ao hotel e ele acabara não dormindo sequer uma noite fora do quarto de Rin.
Apesar de não querer realmente gostar dela – quem, com condições mentais normais, gostaria de se apaixonar por uma menina completamente doida? –, mas não conseguia evitar o sentimento, muito menos o desejo de tê-la. Maldição! Como uma garota tão... Tão desastrada e espevitada poderia causar tantas emoções nele, alguém tão frio e sério? Isso era um verdadeiro mistério.
- Não fique assim, Sesshy. – ela sorriu, dando tapinhas amigáveis em seu braço, querendo, sem sucesso, deixá-lo mais calmo. – Não é tão ruim assim ficar comigo.
- Há controvérsias nessa afirmação.
- ... – Rin estreitou os olhos para ele, dando um tapa mais forte. – Isso não foi legal, sabia?
- Blá! – Sesshoumaru fez uma careta. – Vá atormentar outro, Rin.
- Seu humor é muito instável, Sesshy. – Rin voltou para o quarto e sentou na cama, em posição de lótus, com os braços cruzados frente ao peito. – Somente hoje você ficou irritado, gentil e agora irritado de novo. Eu, hein!
- Ah, poupe-me dessa conversa, Rin. Quem é você para falar de humor inconstante? – ele resmungou como um velho, voltando para o quarto e encarando-a. – Você ora está louca, ora você está um pouco pior!
- Você é realmente chato, Sesshoumaru! – Rin tacou o travesseiro na cabeça dele, mas ele segurou antes que acertasse e jogou nela de volta, deixando-a de boca aberta, literalmente, quando o objeto caiu em sua cabeça. – Você 'tá querendo guerra, é?
- Eu quero é ir para minha casa, dormir na minha cama, com o meu travesseiro e bem longe de você. – ele grunhiu, rodando os olhos com a pergunta idiota dela. – Será que é pedir demais e...?
Ele não conseguiu acabar de falar: Rin jogara o travesseiro no rosto dele, interrompendo o que falava. Ele não sabia se ficara mais bravo por ela o interromper ou por ter jogado o travesseiro em seu rosto. Sesshoumaru abriu a boca para reclamar, mas ela jogou os outros dois travesseiros da cabeça dele e, como foi pego de surpresa, todos o acertaram. Com os olhos assustadoramente estreitos, ele deu dois passos para pegá-la.
A menina saltou da cama, agilmente, mas ele a segurou pelo pulso antes que corresse como no episódio do telefone celular. A mão direita segurava o travesseiro e a esquerda, Rin; os olhos continuavam estreitos, em um sinal claro de aviso. Que menina mais irritante! Rin o irritava mais do que qualquer outra coisa, que droga!
- Sesshy! – Rin choramingou, fechando os olhos e se encolhendo. – O que você vai fazer? Eu 'tava só brincando, foi... Não precisa ficar bravo...
Ele suavizou a expressão zangada ao admirar Rin abrir os olhos e levantar o rosto delicado e bonito para ele. Por uns instantes, perdeu-se nos grandes e castanhos olhos dela, deixando, na distração, o travesseiro escorregar por entre os dedos. Adorava os olhos infantis e ingênuos de Rin, pois lhe transmitiam tanta alegria e animação. Os olhos dourados mudaram seu foco para os lábios pequenos e rosados dela...
Inconscientemente, ele inclinou o corpo para frente, na intenção de beijar Rin ali mesmo, naquele momento, para saciar sua vontade, como tentara fazer no dia que ficara bêbado e estavam na banheira, mas por azar não conseguira. Rin piscou três vezes, alheia ao que ela pensava em fazer.
Sesshoumaru não conseguia pensar em outra coisa que não fosse beijá-la, e sentia-se idiota por causa disso, um completo imbecil por não conseguir se controlar como sempre fazia. Apesar de tentar de todas as maneiras se controlar, não conseguia. A única coisa que tinha em mente era circular o corpo de Rin e beijá-la... Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse... Beijá-la... Beijá-la... Beijá-la...
Ele inclinou mais o rosto para ela... Os lábios quase atingindo o seu alvo... Quando Rin o acertou com o travesseiro que ele deixara cair. A surpresa pelo ato dela foi tão grande que ele perdeu o equilíbrio e caiu sentado na cama, confuso, piscando três vezes. Ele a encarou; uma veia saltando em sua testa.
- O que você pensa que está fazendo? – ele falou, entre dentes, fechando a mão em punho.
- Você queria me pegar despercebida e tacar o travesseiro em mim, eu sei! – ela apontou acusadoramente para ele. – Você queria me enganar!
Sesshoumaru olhou Rin, incrédulo; as duas sobrancelhas só não se arquearam porque estava irritado pelo travesseiro jogado em seu rosto e por cair pateticamente sentado na cama. Ela não percebera que ele queria beijá-la? Rin era ainda mais inocente do que imaginava... Mais adoravelmente inocente do que pensava. Ele parou de pensar nisso e focou a atenção na raiva que sentia.
- Você é a garota mais... – Sesshoumaru queria dizer ingênua, mas não queria que ela perguntasse o motivo dele falar aquilo. Não contaria de maneira alguma que pensara em beijá-la. – Imbecil que conheço!
Rin fechou o semblante; Sesshoumaru também. Por alguns segundos, eles ficaram se encarando; faíscas quase podiam ser vistas saindo dos olhos castanhos e dos olhos dourados. Pela maneira sádica que se olharam, parecia que premeditavam um matar o outro, ou pelo menos torturar até se acalmarem. Era quase um duelo de olhares mortais, para ver quem era o que conseguia sair vencedor.
Para o espanto de Sesshoumaru, Rin suspirou desanimada e passou a mão pelo cabelo, arrumando-o, depois ela olhou para ele e sorriu docemente, como se nada tivesse acontecido. Como alguém que há segundos queria praticamente matá-lo agora sorria para ele como se nada estivesse acontecido? E ainda tinha o abuso de falar que ele possuía crises de humor! Ora, era um absurdo mesmo!
- Sesshy, tente relaxar um pouco. – ela falou, num suspiro.
- Rin, tente calar a boca um pouco. – ele ainda estava irritado.
- Eu falo para o seu bem!
- Eu falo para o bem mundial!
- Por que sempre tem que me tratar assim?
- Por que sempre tem que me incomodar assim?
- Você vai ficar respondendo com perguntas?
- Você vai ficar fazendo perguntas que vou responder com outras perguntas?
- Chato! – Sesshoumaru fez uma careta.
- Chata! – Rin retribuiu com outra.
- Você não se cansa de brigar comigo?
- Na verdade, não. – Sesshoumaru resmungou. – Você se cansa de me atormentar?
- Na verdade, não. – Rin respondeu do mesmo modo.
- Teimosa.
- Teimoso.
- Blá!
- Blá para você também!
Eles rodaram os olhos.
Sesshoumaru não acreditava mesmo que estava discutindo de maneira tão infantil com Rin. Inuyasha, Hakudoushi e Izayoi com esse tipo de comportamento era algo normal, mas... Sesshoumaru? Isso era tão idiota que ele nunca fizera e não pretendia ter essa experiência algum dia... Até Rin surgir em sua vida...
- Como consegue discutir por motivos tão bobos? – Rin continuou a conversa civilizada.
- Não creio que jogar travesseiros na minha cabeça sejam motivos bobos!
- Ah, claro que não...
- Não são mesmo!
- Não quero brigar, Sesshy.
- Não estamos brigando, Rin.
- Claro que não... Você que está brigando comigo.
- Claro que não... Você que está me irritando.
Rin suspirou desanimada. Sesshoumaru também.
- Sabe de uma coisa? – Rin continuou a sorrir e abanou as mãos frente ao corpo. – Vou dar uma volta para você se acalmar, certo? Não estou com ânimo para discussões sem sentido.
Ele não respondeu, apenas rodou os olhos. Era ele quem sempre falara esse tipo de coisa quando outras pessoas estavam discutindo, e não o contrário! Maldição, mil vezes maldição! Rin havia o contaminado com sua loucura, no mínimo!
- Até depois, Sesshy. – Rin abriu a porta e acenou antes de sair, sem tirar o lindo sorrido dos lábios. – Fique bem, onegai.
Ele continuou a olhar para a porta quando Rin deu as costas para ele e saiu do quarto.
- E você, cuide-se. – os lábios dele se moveram sem que conseguisse impedir que as palavras saíssem deles, sussurradas. – Ainda bem que ela não ouviu...
Sesshoumaru suspirou, frustrado. Antes, quando conhecera Rin, tudo que ela fazia o deixava realmente com raiva. Contudo, agora, mesmo ela aprontando, não conseguia mais ficar raivoso com ela como ficara antes. Quando começava a ficar bravo e ela sorria daquele jeito para ele, não tinha como ficar bravo com uma pessoa tão encantadora. Sua raiva acabara passando completamente, ainda que jamais deixaria que ela descobrisse isso...
Ele tentou segurar, mas acabou por sorrir de canto – ainda que minusculamente – ao lembrar-se do sorriso contagiante dela.
Sesshoumaru voltou a andar até a varanda e respirou fundo ao apoiar as mãos no gradil. Os olhos dourados procuraram Rin e, minutos depois, viu-a andar saltitando pelo lugar. Ela não parecia ter um lugar pré-definido para ir... Queria apenas não ficar no quarto – que era dela – para ele – o hóspede involuntário – poder ficar sozinho e se acalmar. Uma atitude admirável, Sesshoumaru não poderia negar. Rin poderia ser estabanada e desmiolada, mas era uma boa garota.
Ele olhou o caminho que Rin seguia, distraía, e franziu a testa levemente...
Era noite, ambientes escuros, num lugar que as pessoas andavam nuas, com tipos como Houshi Miroku e seus colegas de trabalho zanzando por aí, prontos para atacarem mocinhas indefesas... Rin não poderia ficar andando sozinha! Era perigoso, não? Ela, bobinha como era, não tinha noção de perigo e poderia acabar se machucando...
Antes que pensasse em mais algumas coisas, saiu do quarto com rápidas passadas, para seguir Rin. Ela não precisaria vê-lo, mas pelo menos poderia protegê-la, caso alguma coisas acontecesse a ela. Sesshoumaru queria apenas se certificar que nada de ruim acontecesse a Rin. Será que gostava dela a ponto de se preocupar? Não se preocupava nem com seu inútil irmão mais novo!
Ele realmente queria Rin. Queria beijá-la. Queria tê-la em seus braços. Queria ficar com ela... Sesshoumaru quase balançou a cabeça para os lados ao entrar no elevador e apertar o botão do térreo para poder segui-la e certificar-se de que nada aconteceria com ela. Recostando-se a parede metálica, Sesshoumaru respirou fundo, desanimado com tudo o que acontecia com ele... Ou decepcionado era a palavra correta?
- Inferno! Agora, além de tudo o que ela apronta, ainda ficou preocupado com ela. – Sesshoumaru falou, num tom ranzinza. Ao perceber que não havia ninguém ao seu lado, ele rodou os olhos. – Ainda mais essa: estou falando sozinho. Rin está realmente me enlouquecendo...
-o-o-o-
Rin deixou o quarto para dar uma voltar, com um semblante levemente entristecido. Ela realmente precisava passear um pouco... Era tão difícil ficar tão perto e tão longe de Sesshoumaru. Poxa, como queria que ele gostasse de ficar perto dela, e não de ficar brigando com ela o tempo todo como ele sempre fazia. Claro que tinha certeza que rapaz jamais retribuiria o sentimento que nutria por ele, mas pelo menos ele poderia ser mais gentil, não?
Ela passou pelo hall e pegou um dos folhetos informativos do Shikon no Tama, procurando algum lugar para ir naquela noite para se distrair e passar o tempo. Os lábios se curvaram num largo sorriso ao ver que havia uma cachoeira a alguns minutos do hotel. Saltitando, Rin começou a caminhar na direção que a cachoeira ficava. Rin sentia uma incrível fascinação por água, ainda mais por cachoeiras.
Não demorou mais que vinte minutos andando pela trilha pouco iluminada levá-la até onde queria chegar. Rin ia cantando uma música internacional, de alguma banda que ela nem se lembrava o nome, mas que adorava a letra da música. O queixo caiu ao ver como era linda a cachoeira, cercada por grandes árvores!
Rin ficou olhando a paisagem, com os olhos castanhos brilhando de alegria. Adorava cachoeiras, como adorava! Era grande, com água cristalina, cercada por árvores, que impediam que a claridade da Lua Cheia atingisse a água totalmente, apenas por fechos. Contudo, os raios que conseguiam passar pelos galhos encontravam a água e refletiam, causando uma bela visão. Uma vista linda, certamente. O som da água caindo era tão confortante.
Queria que Sesshoumaru estivesse ali com ela...
Ela suspirou desanimada, mas depois sorriu, tirando o short e a regata que usava para ficar somente de biquíni vermelho que mais gostava de usar. Ela se aproximou da cachoeira e colocou o pé esquerdo, tirando-o de uma vez ao sentir que água gelada. Ao criar coragem, Rin entrou de uma vez, soltando um gemido alto por conta da temperatura baixíssima da água.
Ela não teve tempo de nem sequer afundar a cabeça: um barulho entre as árvores a fez ficar em alerta. Rin virou o corpo 360 graus, procurando se havia algo ou alguém ali. Não ficou com medo, mas queria saber o que causara aquele som entre as árvores. Era definitivamente uma garota muito curiosa.
Nada. Nada na direita, nada na esquerda. Não encontrou nada. Não sabia se não encontrara porque ao seu redor tudo era escuro e não conseguia ver nada ou porque não havia nada ali para se encontrar. E novamente o som se fez... Dessa vez mais próximo e mais alto, deixando a certeza que ela apenas não localizara o que estava escondido entre as árvores. O que seria? Aquilo a deixava curiosa!
- Rin?
Rin deu um pulo no lugar em que estava, gritando com o susto e se virando para ser o rapaz conhecido parada na frente da cachoeira. Ela levou a mão ao coração acelerado e deu um sorriu feliz e aliviado ao mesmo tempo. Entretanto, ao se lembrar da pequena discussão de mais cedo, ela deu um suspiro desanimado. Será que ele a seguira até ali para continuar a briga? Ele não faria isso... Faria?
- O que faz aqui, Sesshy? – Rin perguntou, com os lábios trepidantes e arroxeados por causa do frio da água. Na intenção de se aquecer, ela mergulhou e começou a nadar na cachoeira. – Hein?
- Vim dar uma volta. – ele falou, sentando-se na pedra que ficava no canto da cachoeira; os braços cruzados frente ao peito e o rosto emburrado. – Não posso?
- Pensei que não queria ficar perto de mim. – ela falou, sorrindo, enquanto nadava divertidamente.
- E quem disse estou aqui por sua causa? – ele mentiu.
- Sei, sei. – Rin não acreditou e se virou para encará-lo. – Vamos, diga de uma vez o que faz aqui.
- Você vem para esse lugar deserto sozinha, ora.
- E daí? – Rin não entendeu.
- Você poderia se machucar... Sei lá! – Sesshoumaru ficou levemente sem graça, não querendo admitir que se preocupara com ela. – Alguém poderia te fazer algum mal.
- Não estou entendendo, Sesshy...
- Inferno! - ele virou o rosto para o lado, para não olhá-la. – Eu fiquei preocupado com você!
Rin parou de se mexer na água e o encarou, completamente surpresa com as palavras dele. Ela teve a certeza que se tivesse fora da água tinha pulado nos braços dele para dar um abraço bem forte, ainda que ele não fosse gostar nada da atitude carinhosa dela. Rin deu um imenso sorriso, pelo que ouviu dele. O sorriso em seu rosto era bobo, mas ela não se importou. Ficara muito feliz, muito mesmo!
- Do que está rindo, sua louca?
Ela não teve tempo de responder, porque foi dar um passo pelo chão de pedras da cachoeira e o pé escorregou, derrubando-a com tudo. Com o susto, ela acabou bebendo água e não conseguia ficar de pé novamente, quase se afogando. Isso somente não aconteceu porque sentira braços a segurando pela cintura e a tirando da água. Ela encarou Sesshoumaru que mergulhara e a tirara da água quando emergiu.
- Sesshy... Eu... – ela murmurou, tossindo sem parar, tentando respirar normalmente. – Ai, quase me afoguei!
- Você está bem? – Sesshoumaru não soltou a cintura dela, deixando o corpo dela colado ao seu. Ela não respondeu e ele a olhou, preocupado. – Rin?
- Hai, hai, eu... Hai. – Rin tirou a franja do rosto e encarou Sesshoumaru. – Domo arigatou. Eu escorreguei e não conseguia levantar. Você me salvou.
Ele não respondeu, apenas deu um meio sorriso.
Rin percebeu que ele ainda mantinha as mãos em sua cintura e corou intensamente. Sesshoumaru juntou ainda mais os corpos, deixando Rin prensada entre a pedra a suas costas e ele, a sua frente. Ele levou a mão até o rosto dela e acariciou, deixando-a complemente sem reação com a atitude totalmente inesperada dele. O que ele tentava fazer, afinal...? Não conseguia entender Sesshoumaru, ainda que tentasse... Ele não estava querendo matá-la, mais cedo?
Ela piscou uma, duas, três vezes e ficou nervosa quando ele inclinou o rosto na direção dela. Por Deus, ele queria... Beijá-la?! Inokuma Sesshoumaru – o cara mais bonito em que já colocara os olhos – queria beijá-la – por Deus, beijar! –, Nakayama Rin – uma garota totalmente louca e completamente desastrada. Isso não poderia ser verdade... Poderia?
Rin sentiu como se fosse desmaiar com a descoberta, mas não teve tempo nem de abrir a boca para dizer alguma coisas e nem seu cérebro também conseguia pensar a respeito. Os lábios de Sesshoumaru encontraram os seus, enquanto os olhos se fecharam de maneira quase mágica. Nesse momento, sua lucidez desapareceu.
Por Deus... Por Deus... Por Deus! Ele a beijara mesmo!
A mão dele escorregou do pescoço dela para as costas e ajuntou mais o corpo ele ao seu, praticamente a agarrando. Rin relaxou um pouco e ele aprofundou o beijo, enquanto levava as mãos aos braços dele. Todo o frio que sentia foi diminuindo à medida que o beijo ficava mais forte. Sesshoumaru a aquecia com seu corpo, deixando uma sensação de proteção ao apertá-la em seus braços.
O beijo foi ficando mais rápido, mais intenso, fazendo os joelhos de Rin fraquejarem e o coração parecer que sairia do peito. Ela, timidamente, circulou o pescoço dele com os braços, ficando nas pontas dos pés para isso. Rin se sentiu tão feliz e protegida com Sesshoumaru, que nada mais importou, nem mesmo não saber o porquê dele estar beijando logo ela... Queria apenas ficar com ele...
O coração dela pulsava apaixonado e descompassado. Com os braços em seu pescoço, ela tocou no pescoço dele com a ponta dos dedos, sentido-o estremecer. Rin deslizou as mãos e as deixou sobre o tórax definido dele coberto por uma camiseta. O coração dele também batia fortemente no peito. Era tudo tão surreal que ainda não conseguia acreditar no que ele fizera... No que eles faziam ali naquela cachoeira!
Rin sentiu Sesshoumaru apertá-la mais em seus braços fortes e segurou por alguns segundos a respiração. Sem se afastarem nenhum segundo para tomar fôlego, mudaram a posição da cabeça, deixando o beijo ainda mais ardente. Ela sentia como se estivesse flutuando, como se tudo que acontecia no momento fosse um sonho, um lindo sonho romântico... E, se fosse realmente um sonho, não queria mais acordar...
Os dedos dele percorriam suas costas nuas, delicadamente. Rin se arrepiou com os toques dele e arfou, como se tivesse corrido uma maratona. Ele subiu as mãos pelas costas dela, tocando sua pele com a ponta dos dedos, até chegar ao pescoço e afundar os dedos longos no cabelo dela... Céus, como aquilo era bom!
No momento que se afastaram para recuperar o ar, Rin ficou ainda com os olhos fechados; os lábios entreabertos e vermelhos, com a respiração ofegante. Quando ela abriu os olhos lentamente e se deparou com Sesshoumaru parado a sua frente e ainda a segurando pela cintura, ficou totalmente sem graça e com o rosto violentamente rubro. Por impulso e susto, ela esbofeteou a face dele! Ela... Bateu no rosto dele!
Longos segundos se passaram até que ambos se dessem conta do que ela fizera.
- Você enlouqueceu de vez? – ele quase gritou, sentindo a face que levara o tapa arder, sendo pego desprevenido e soltando a cintura dela de uma vez.
- Você quem enlouqueceu!
- Por que você me bateu?
- Por que você me beijou?
- Você me bateu por causa de um beijo?
- Você queria que eu fizesse o quê? – Rin gritou; o rosto tão corado que parecia que um pote de tinta vermelha havia caído em sua cabeça. – Soltasse fogos de artifício?
- Não seja idiota!
- Não estou sendo!
- Ah, esqueci que você é idiota.
- Você que é!
- Você é irritantemente irritante!
- E você é irritantemente irritado!
- Grrrr...
- Grrrr...
- Tudo isso por causa de um beijo!
- Mas você me agarrou!
- E você gostou!
- Quem disse?!
- Você não tentou impedir!
- Você estava me agarrando!
- Sabe de uma coisa, você é mentalmente desequilibrada!
- E você é um rabugento inveterado!
Ela bufou. Ele também.
- Eu devia tê-la deixado se afogar... – ele reclamou, saindo da água, mas não se afastou, para não deixá-la sozinha. – Menina irritante!
- E eu devia te dar outro tapa, menino irritado! – Rin falou e foi tentar se apoiar para sair da água, mas não conseguiu porque as pernas ainda estavam trêmulas pelo beijo de Sesshoumaru.
Ela o viu rodar os olhos e a segurou pela cintura para tirá-la da água. Rin nem agradeceu, apenas fungou e colocou a roupa que usara para chegar ali, tirando o excesso de água dos longos cabelos escuros e ajeitando-os com os dedos. O rosto ainda estava tingido de vermelho. Sentia-se envergonhada com o beijo, contudo, sentia-se ainda mais por ter batido nele. Droga! Gostara do beijo... Por que batera nele?
Sesshoumaru se colocou a andar, com os braços cruzados frente ao peito e o rosto emburrado. Rin andava atrás dele, sem coragem sequer de encará-lo – e não era para menos! Ela o seguiu até saírem da trilha e percebeu que não adiantava evitar falar com ele, sendo que dividiriam o mesmo quarto e queria, de uma forma ou de outra, encará-lo.
- Sesshy... – ela falou, parando de andar e encarando os pés; o dedo indicador enrolando uma mexa do cabelo molhado, nervosamente. – Eu...
- O que você quer? – ele parou e se virou para ela.
- Ah, Sesshy... Bem... Gomen ne...
O rosto dele diminuiu a expressão emburrada.
- Eu sinto muito mesmo, não queria ter batido em você! – Rin fez cara de choro e conseguiu levantar o rosto para olhá-lo. – Eu apenas me assustei...
- Assustou com um beijo?
- Assustei com o fato de ter me agarrado... – Rin ficou sem graça, enrolando a mexa de cabelo com mais rapidez no dedo indicador. – Sabe, eu não sou uma pessoa que costuma ser agarrada...
Ele olhou para ela, sem entender.
- Eu não sou uma garota interessante. – ela concluiu, com um sorriso forçado. – Como você mesmo disse.
- Eu nunca disse que você não era interessante.
- Você disse que eu era uma maluca desastrada... Basicamente, é a mesma coisa.
- Não seja tola, Rin.
- Eu sinto muito pelo tapa.
- Tudo bem. Acho que realmente devia ter ido com mais calma. Sinto muito tê-la assustado. – ele passou a mão pelo cabelo, desviando os olhos da figura feminina e analisando o céu noturno. – Prometo não fazer mais isso.
- Ah... Bem... Er... Não era isso que eu queria...
- O que disse? – ele olhou para ela de novo, para tentar descobrir o que ela falara tão baixo que mesmo ele não conseguira ouvir direito.
- Esqueça, esqueça! – ela balançou as mãos frente ao corpo, ruborizada. – É melhor voltarmos para o quarto!
- Como quiser. – ele deu de ombros.
Os dois sorriam e começaram a andar de volta para o hotel. Entretanto, Rin se apressou e ficou ao lado de Sesshoumaru, com a cabeça tocando seu ombro, sem tirar o sorriso feliz dos lábios ainda avermelhados. Ela ficou desconcertada quando ele tocou na mão dela e segurou-a firmemente, mas nem cogitou a possibilidade de não andar de mãos dadas com ele. Se pudesse, congelaria aquele momento para sempre...
Apesar de viverem como cão e gato desde que se conheceram, Rin não conseguia evitar gostar dele. Queria ficar com ele, queria aproveitar sua viagem com ele. Agora, pensando em tudo o que acontecera com ela desde que conhecera Sesshoumaru, Rin percebeu que não queria que suas férias fossem de outro jeito, de maneira alguma. Eram suas melhores férias, não poderia negar, só pelo fato de estar com ele.
- Domo arigatou, Sesshy. – Rin apoiou ainda mais a cabeça no ombro dele.
- Por quê? – ele piscou, virando um pouco o rosto para olhá-la.
- Por ficar comigo. – ela fechou os olhos e deixou ser conduzida por ele
Ele sorriu; ela sorriu. Ambos, felizes.
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