Disclaimer:Saint Seiya não me pertence. Todos os direitos vão para Masami Kurumada e Cia. Daros e o Átila, bem como os sobrenomes são de minha autoria.
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Le Secret
Paris
- Dois anos depois –
Um belo rapaz caminhava calmamente pela noite e dirigiram-se a um casarão de um dos bairros nobres de Paris. Bateu à porta e em alguns instantes um empregado o recebeu e conduziu à biblioteca, pedindo que aguardasse.
Não demorou muito e o dono da residência surgiu, os cabelos vermelho-sangue presos em uma perfeita trança e a roupa preta conferindo-lhe um porte altivo e elegante. Fechou a porta atrás de si, observando o jovem em silencio, sendo recebido com uma discreta reverência.
– O senhor me chamou? – a voz melodiosa cortou o aposento.
– Fez o que lhe ordenei, Afrodite? – disse friamente.
– Perfeitamente, senhor. E como desejaste, estou observando os outros vampiros.
– E como vão as coisas?
– Estão melhorando. Os ataques diminuíram consideravelmente, mas alguns se recusam a parar.
– E que providências está tomando quanto a estes?
– Eu já ia entrar em contato com o senhor. – estava atento ao outro. Ouvira comentários quanto ao temperamento de Kamus.
– Não seja incompetente! Acabe com qualquer um que desobedecer as leis.
– Sim, senhor. – deu um meio sorriso. Imaginava como poderia se divertir com isso.
– Vim certificar-me de que estás fazendo o que mando. E acho bom que em nenhum momento você pense em me trair. – estreitou os olhos.
- De forma alguma faria isso, senhor. Deseja mais alguma coisa?
– Non. Retire-se.
Afrodite abaixou sutilmente a cabeça, em sinal de respeito, e pôs-se a caminhar para a saída com um sorriso suave.
Kamus sentou em seu sofá. Estranhava que os demais clãs estavam quietos por mais de cinqüenta anos, estando apenas alguns recém-transformados se mostrando mais rebeldes, o que não era importante.
Há um mês havia decidido visitar a França para verificar como estavam as coisas. Tudo parecia estar nos conformes, então não havia razão para permanecer por lá.
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Londres
O pânico dos ingleses e as notícias de assassinatos misteriosos haviam cessado.
Londres estava em paz.
Miro voltava de seu colégio, exausto. Fora o ultimo dia de prova e ele não agüentava mais virar noites estudando. Tinha sorte de Fenrir perder seu tempo ajudando-o. Entrou em sua casa e foi muito bem recebido por seu lobo de estimação, que agora adulto estava enorme, que pulou em seu peito e jogou-lhe no chão, lambendo seu rosto enquanto abanava sua cauda peluda.
– Calma, rapaz! Calma... – falou exasperado tentando conter o grande animal que se acalmou um pouco e saiu de cima, olhando seu dono e abanando o rabo peludo, brincalhão. – Tenho que melhorar seus modos. Todo dia isso, não dá. – sentou no chão e passou a mão sobre a cabeça de Átila, que abaixou as orelhas contente com o agrado.
– Vem. Vou guardar meu material e te levo pra passear. – o loiro levantou, recolheu os livros espalhados e subiu, sendo acompanhado por seu amigo quadrúpede. Tomou um banho e mudou de roupa.
Desceu as escadarias e pegou a coleira, colocando em seu animal. Abriu a porta e foi puxado com violência para a rua, mal tendo tempo de fechar a porta.
– Calma! Seu bruto! – resmungava andando com Átila pelas calçadas, quase sendo arrastado, rumo à praça.
Átila adorava passear com seu dono entre as belas árvores do Hyde Park, cheirando algumas árvores e flores. A primavera inglesa era belíssima.
Era praticamente impossível não notar aquele belo jovem e o magnífico animal que levava. Mocinhas na sua idade davam risinhos quando passava pelas trilhas bem feitas.
O tempo passou sem que notasse e quando deu por si, viu que estava há quase duas horas no parque. Surpreendia-se como perdia a noção do tempo quando saia com sei animal de estimação.
Pegou Átila, voltando para casa. Em sua rua, um gato pardo passeava pela calçada, o que foi suficiente para que Átila saísse em disparada, praticamente arrastando Miro. O grego algumas vezes se perguntava até que ponto um lobo e um cão comum seriam parecidos.
Subitamente o lobo parou na esquina, o que foi um alívio para o loiro. Abanava a cauda para Fenrir, que se aproximava levando alguns embrulhos.
– Miro! – sorriu gentil. O loiro adiantou-se a pegar algumas sacolas e acompanhá-lo na caminhada de volta ao casarão.
– Devia treiná-lo melhor. – Fenrir usou um tom divertido.
– Acha que não tento? Mas já não sei mais como mudá-lo. Desisto.
Chegaram à entrada e o loiro abriu a porta, Átila apressando-se porta adentro.
– Deixe-me tentar... – o mais velho entrou acompanhado do menor e seguiu até a cozinha, deixando os embrulhos sobre a mesa. Chamou o lobo e foi prontamente atendido com a presença do animal, que lambeu sua mão esquerda. – Átila, sente!
O animal obedeceu prontamente.
– Deita! – Fenrir apontou para o chão e novamente foi obedecido.
– Comigo ele faz tudo às avessas e quando faz! – disse o loiro, frustrado.
O outro riu.
– Como imaginei... É só um probleminha de falta de respeito. Você supera. – bagunçou os cachos loiros.
– Chato... – Miro fez um bico adorável, contrariado.
– Só um pouco. – brincou. – Olhe, trouxe isso para você. Vamos subir que quero ver como ficam. – Pegou três bolsas de tamanho médio, de boutiques inglesas luxuosas.
O loiro deixou água para seu animal de estimação e subiu com Fenrir, examinando as bolsas.
– Pra que tudo isso? Todo dia vai trazer algo pra mim, é?
– Kamus queria que eu providenciasse roupas e calçados novos para você antes de eu viajar. Se não percebeu, mocinho, você está crescendo rapidamente e logo as outras peças não servirão mais. Você já tem treze anos.
O menor suspirou, entrando no quarto.
– Por que estão sempre viajando? Raramente vejo os dois por aqui... – despia-se.
– É necessário, Miro... Necessário... Mas olhe o lado bom. Kamus disse que chegaria essa semana.
– Disse para você, assim como disse que viajaria apenas pra você. Eu já estou com vocês há dois anos... Entrei nesta casa pensando que seria empregado e até hoje me tratam como da família... Mas por que nisso você não me deixam participar? – vestia apenas a roupa íntima, olhando nos embrulhos o que provaria primeiro.
– Você ainda é muito novo, não entenderia nada.
O menor bufou, terminando de vestir as primeiras peças. Estava aborrecido com tanto segredo. Sempre que perguntava algo, era essa sua resposta: Era muito novo para entender. E porque não tentava falar para ver se entenderia, afinal?
– Se não confiam em mim, é só dizer que não perturbo mais.
– Você bem sabe que não se trata de falta de confiança!
– Então por que tem portas por aqui que vivem trancadas?
– Por... – Átila latiu na sala. Pouco depois se ouviu o som discreto da porta da frente sendo aberta – Vai experimentando as coisas que já volto. – levantou e saiu.
Miro sabia que Fenrir aproveitaria essa oportunidade e evitaria ao máximo suas perguntas, novamente.
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Fenrir sorriu com a chegada de Kamus. Esperava que ele demorasse mais.
– Boa noite, meu amigo... – cumprimentou-o sorridente.
– Bonne nuit. – indiferente como sempre, deixou uma pequena bagagem aos pés de Fenrir e passou por ele, seguindo para os quartos.
Fenrir suspirou descontente com a atitude do vampiro, mas pegou sua bagagem, acompanhando-o.
– Miro está aí. Não vai cumprimentá-lo?
– Por que deveria?
– Bom... Você o adotou, não foi?
– Você diz isso. Sabe o que penso dele. E foi você quem o adotou. – falava friamente.
– Mas você...
Miro apareceu à porta buscando Fenrir com o olhar. Sorriu ao vê-los e aproximou-se. Vestias uma das roupas novas. A camisa de manga longa, pouco maior do que deveria, deixava a vista apenas os dedos do menor.
– Boa noite, senhor Kamus. Como foi sua viagem?
– Péssima.
O loiro pareceu sem graça.
– Eu... Gostaria de agradecer por... Pedir a Fenrir que comprasse roupas novas.
– Agradeça a ele, que fez isso. – deu as costas, seguindo para seu quarto. – Não me perturbe, quero descansar. – Entrou em seus aposentos.
Fenrir suspirou pesadamente e sorriu para o menor, que permaneceu quieto em seu lugar.
– Não se sinta mal, você já sabe que raramente ele fica de bom humor.
– Não se incomode. – sorriu – Eu estou bem. Vou voltar pro quarto para tirar essa roupa.
– Quer que eu troque essa camisa?
– Não precisa. – sorriu – Logo ela vai servir. Estou crescendo rápido, lembra? E eu vou aproveitar para estudar um pouco, antes de tomar um banho e ir dormir. Boa noite!
– Boa noite, pequeno. – bagunçou os cachos do menor.
– E obrigado pelas roupas. – sorriu.
– Não há de que. – retribuiu o sorriso, vendo o jovem grego voltar para o quarto e trancar a porta.
Fenrir girou nos calcanhares e dirigiu-se para o quarto do vampiro, entrando sem cerimônias. Kamus terminava de por uma blusa branca, que lhe caía folgadamente. O quarto estava impecavelmente organizado, mas, apesar da pouca iluminação, era notável a presença de um pouco de poeira. O quarto sempre estava trancado, impossibilitando a entrada de Miro para limpar.
– Não devia tratá-lo assim. – Fenrir repreendeu-o, sentando na beira da cama.
– Ele está em minha casa, eu o trato como bem entender. – fitou-o friamente – Você que não deveria tratá-lo tão amavelmente. Vai acostumá-lo mal.
– Kamus... Assim ele vai acabar saindo daqui sem mais nem menos e por tua culpa!
– Morda a língua antes de falar comigo assim! – estreitou os olhos para Fenrir, mas este não se deixou intimidar – Não tenho obrigação de tratá-lo bem, sequer de olhar pra cara dele. E se ele fugir, é simples. Você irá caçá-lo. Sei que não terias problemas com isso e, se ele se recusasse a voltar, você teria de matá-lo.
– Quê? Mas por quê? Ele não sabe de nada!
– Mas se soubesse, certamente nos deixaria e não iria querer voltar. E para que não haja dúvidas do suposto motivo para nos deixar repentinamente... É melhor tê-lo morto. Sabe que é contra as regras deixar vivo um humano que saiba de nossa existência.
– Sim, mas...
– Então não insista.
Fenrir calou-se uns instantes ainda sem aceitar o que acabara de ouvir, mas entendendo a razão de tamanho mau humor do ruivo. Estaria ele sem se alimentar direito?
O Vampiro dirigiu-se à poltrona confortável que ficava próximo a grande janela de seu quarto e sentou-se. Deteve-se a contemplar a movimentação da rua.
- Aconteceu algo? – Fenrir questionou.
- Não.
- Então porque está com este humor dos infernos? E esse olhar é de preocupação, você não me engana. – insistiu.
- Este é o problema, Fenrir. Todos estão quietos por tempo demais. E Afrodite conseguiu colocar a París em ordem rápido demais.
- Não era o que esperava dele?
- Não. Se os baderneiros fossem de meu Clã seria rápido, mas eram invasores. Sabe que estes são como uma praga para eliminar... Mas rapidamente pararam de invadir. Foram eliminados apenas cinco e destes um não era recém-criado.
- Informações passadas por Afrodite?
- Não. Por alguém de confiança. – Fenrir imaginou que seria Hyoga, outro vampiro que estava em París.
- O que acha que planejam?
- Não tenho como saber. O líder de cada Clã tem uma mentalidade diferente. Preocupo-me com dois deles.
- Seu irmão e Kanon. – constatou e recebeu o olhar cortante de Kamus. Algumas vezes se esquecia que o ruivo desenvolveu ódio por seu parente – Desculpe. Bem... Mas você não disse que Saga é sensato?
- Sim. Mas isso não impede de participar dos planos do irmão, se encontrar vantagem e segurança.
- Então acredita que Afrodite está te traindo...
- Também não posso afirmar isso, embora ele não esteja sendo completamente leal.
Fenrir suspirou. De fato, algo estava ocorrendo e poderia ser perigoso descobrir muito tarde. Lembrou-se de algo importante. Abriu uma gaveta superior direita da cômoda que ficava no quarto de Kamus, pegando um envelope e estendendo a ele.
- Chegou essa semana para você.
Kamus analisou a carta. Abriu e leu atentamente, estreitando os olhos.
- Problemas?
- Kanon. Pedindo autorização para vir me visitar. – pegou uma folha de papel, escrevendo algumas linhas rapidamente e o dobrou, guardando. – Amanhã enviarei a resposta.
- Vai aceitar? Seria apropriado ele vir? Sentiria meu cheiro e de Miro.
- Marcarei um ponto de encontro com ele. Seu cheiro seria camuflado por aquele sarnento, mas ainda assim não o quero em minha casa.
- Virá sozinho?
- Sim, fiz essa exigência. Não quero bagunças por aqui.
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Passaram-se quase duas semanas desde que Kamus retornou de Paris.
Miro voltava da escola, pensativo. Embora continuasse a ser ignorado pelo ruivo, as poucas vezes que o viu, notou um brilho que preocupação nos olhos dele. Fenrir também andava mais sério, evitava sair e pediu que fosse para casa logo ao terminar as aulas.
Em casa, foi recebido por um agitado Átila, que também não vinha passeando com o dono todos os dias como de costume. Apenas Fenrir o levava vez por outra. O loiro chegava a pensar se não estava de castigo e haviam esquecido de comunicá-lo. De qualquer forma... Castigo pelo que?
Miro seguiu com sua rotina, arrumando a cozinha ao terminar de almoçar e voltou para o quarto sem se importar de fechar a porta. Átila estava muito agitado com a energia acumulada devido a falta de caminhadas. Ele era um lobo afinal de contas. Precisava caminhar, correr, gastar suas energias e dentre de uma casa, por maior que fosse, isso seria impossível. Assim, deixando a porta aberta, o animal não ficaria preso no quarto evitando estresses. O grego deitou em sua cama, mirando o teto. Adormeceu tendo em mente as matérias que teria de estudar naquele dia.
Kamus terminava de se arrumar, passando algumas instruções para Fenrir, quando ouviram a campainha tocar. Fenrir parecia desconfortável e Kamus estreitou os olhos.
- Não saia daqui. – foi tudo o que o ruivo disse.
Desceu as escadas e abriu a porta, deparando-se com os gêmeos.
- O que fazem aqui? – Kamus falou rispidamente. Os gêmeos entraram sem cerimônias na casa. – E lembro-me de exigir que apenas um viesse.
- Não gostamos de nos separar e não trouxemos mais ninguém, não se preocupe. Decidimos que seria apropriado anteciparmos a reunião, assim poderemos voltar para a Grécia mais cedo. – Saga falou com simplicidade e sorriu. Era discreto observando o ambiente. Sabia que Kamus era de bom gosto, mas o cheiro que sentia o intrigava.
- E é óbvio que está louco para nos ver pelas costas. – Kanon completou a fala do irmão e sorriu sarcástico, sentando despojado no sofá.
Átila estava deitado no tapete do quarto de Miro e ergueu a cabeça com as orelhas voltadas para a porta, atentas. Farejou o ar e saiu apressado.
Um uivo foi ouvido do topo da escada, chamando a atenção dos três vampiros. Átila encontrava-se com os pêlos do dorso arrepiados, os dentes à mostra e visivelmente agitado com os convidados. Rosnava, parando apenas quando sua coleira foi puxada firmemente.
- Desculpe, senhores. Ele não costuma agir assim. – Miro apareceu exasperado, tentando controlar o animal – Vou prendê-lo, senhor Kamus. – Miro fez uma breve reverência como pedido de desculpas e saiu arrastando Átila, que parecia ir contra a vontade.
Kanon sorriu malicioso. Kamus pediu que o acompanhassem até o escritório e trancou a porta.
- Uma criança e um cão? O que tem se passado com você, Kamus? O aperitivo da noite? – brincou, mas tentava imaginar o que estava de fato se passando ali.
- Não podem atacar ninguém enquanto estiverem aqui. Tire o olho de meu criado, Kanon.
- Gosto exótico para um criado, ainda mais este sendo um mortal. – Saga comenta – Mas é inegável que faz um bom trabalho. – sorriu, indicando a casa organizada.
- Permito que fique aqui com o cão enquanto ainda me é útil. – Kamus respondeu com indiferença. – Mas meus atos em minhas terras não vêm ao caso. O que querem?
- Conversar. Tratar alguns assuntos sérios. – disse Saga..
- Os clãs estão querendo se mobilizar para uma nova reunião entre os líderes. Todos concordamos que o equilíbrio esteve vulnerável desde que Shion se foi. – Kanon começou e foi interrompido.
- Desde que o destruíram, você quer dizer. Vocês se condenaram. E sabemos que será inútil essa reunião. Como a anterior, cada um irá desejar o título de lord, sem acordos, resultando apenas em maiores conflitos.
De fato, os outros haviam destruído Shion, e afirmavam não haver arrependimentos.
- Concordamos com você que seria inútil essa reunião. Por isso viemos. – Saga adiantou-se. – Queremos propor uma aliança entre nossos Clãs. Acreditamos que deste encontro surgirá um conflito e não queremos sair prejudicados. Da mesma forma que estamos lhe propondo esta aliança, os outros devem estar em situação semelhante. Temos um dos maiores Clãs, não se prejudicaria ao unir-se a nós.
- E igualmente não me beneficiaria. Estão com esta proposta por saberem que quantidade e qualidade são totalmente diferentes. Não estou interessado.
- Seria um erro comparecer só, Kamus. Se tentassem eliminá-lo, seria um alvo fácil e suas terras são almejadas. – Kanon sorriu.
- Almejadas em especial por você. Estou só em casa, com uma criança mortal. No entanto, porque não tentam me exterminar, como diz? – Kamus mantinha o tom calmo e entediado na voz, porém, seus olhos assumiram um brilho desafiador.
- Não diga bobagens, Kamus. Viemos apenas propor a aliança. Outro Clã fez proposta melhor que a nossa? Pois em desavenças certamente sairíamos vitoriosos juntos e teríamos de decidir a liderança apenas entre os três. – Saga interveio.
- Não recebi qualquer outra proposta e não me interesso por nada disso. Se marcarem qualquer coisa e decidirem me convidar... Talvez eu compareça. Afinal, até para decidirem um local, provavelmente irão discutir e isso levará ainda muito tempo. Mais alguma coisa a tratar comigo?
- Não, Kamus. Mas manteremos a proposta ativa. Pense com mais cuidado e envie-nos sua resposta definitiva. – Saga sorriu e dirigiu-se para a porta acompanhado de Kanon.
- Não percam seu tempo. – o ruivo os acompanhou até a saída. – Lembrem-se de não caçar. Têm até a meia noite de amanhã para partirem. – falava baixo.
Kamus os observou se afastarem e trancou a porta. Voltou para o quarto onde Fenrir o esperava.
- Eles viram Miro. – o lobisomem afirmou. – O que disse a eles?
- Que era um criado qualquer. – deu de ombros.
Ambos sabiam que aqueles gêmeos não eram idiotas e que suspeitavam de algo. Mas igualmente sabiam que não poderiam agir livremente em Londres, onde Kamus comandava e estava presente. Também sabiam que e o ruivo não gostava de ataques a crianças.
- E o que queriam?
- Propor aliança.
- Como assim?
- Querem uma nova reunião para escolher o líder. Aparentemente todos concordam em comparecer, mas querem estar preparados para uma guerra.
- Imagino que tenha recusado. E você compareceria sabendo de tudo?
- Seria interessante.
- Poderia ser exterminado.
- Levaria no mínimo metade deles comigo. Mas não nos preocupemos com isso. É pouco provável que a idéia siga adiante. Se seguir, irá demorar a concretizar e a data e local serem marcados.
Fenrir observava-o preocupado. O destino parecia querer assumir um rumo perigoso e traiçoeiro. Embora Kamus sempre fosse seguro de si, imaginava se havia algum motivo que desconhecesse para tal atitude, ou se era apenas insensatez do amigo.
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Já passara um mês desde a visita daqueles homens. Miro tinha ficado surpreso, fora a primeira vez que via gêmeos idênticos. Sem contar que os achou bonitos e... Estranhos? Sim, poderia ser uma boa definição. Tinham presença e elegância como Kamus, mas se sentiu intimidado com o olhar deles, embora sorrissem. Kamus era sério, frequentemente frio, mas não se sentia intimidado. Qualquer um que visse os três juntos poderiam encontrar alguma semelhança, mas Miro sentia que eram completamente diferentes, de alguma forma. Kamus era diferente.
Sorriu, tirado do devaneio. Era bom voltar a passear com Átila. O lobo também se mostrava mais calmo e comportado, passeando ao lado do loiro e abanando a cauda peluda. O vento frio soprava forte no final de tarde, bagunçando os cachos loiros. Vendo o parque quase vazio, Miro arriscou soltar a guia da coleira de Átila para que pudesse correr um pouco e farejar. Sorria vendo o animal de divertir e sabia que ele, mesmo sendo um animal com instintos selvagens, não faria mal a ninguém. O lobo sempre ignorava as pessoas incrivelmente parecia um cachorrinho bobo.
Já havia anoitecido e Miro preparava-se para voltar para casa quando lembrou que precisava fazer algumas compras. Foi atrás do animal e prendeu a guia na coleira novamente. Se tivesse lembrado antes, não teria passado tanto tempo no parque brincando. Por sorte tinha levado um dinheiro.
O mercado era um pouco afastado de casa e perderia tempo se fosse deixar Átila em casa. Aproveitaria o dinheiro que havia levado e, por conta do animal, teria de ir e voltar andando.
Prendeu Átila do lado de fora da loja e escolheu as mercadorias. Nada pesado, mas ainda assim gerava certo desconforto em levar. Mentalmente agradecia de Átila não estar repuxando, devia estar exausto. Também havia passado de sua hora, deveria já ter voltado.
Decidiu cortar caminho. Embora não fosse tão tarde da noite, o atalho seria por uma rua quase deserta. Estava com um lobo enorme ao seu lado, nenhum ladrão se aproximaria, Miro pensava. Ainda assim, mantinha os passos apressados.
Átila repuxou um pouco, mostrando algum nervosismo repentino. O animal parecia olhar a sua volta. Miro estranhou, não vendo nada, embora a rua não fosse tão bem iluminada.
- Calma, Átila. Vamos. – procurou manter o animal calmo e próximo, apressando ainda mais o passo. Se havia algo errado, Átila deveria saber, afinal, os animais não tem os sentidos mais aguçados que os humanos?
O lobo parecia ainda mais agitado, farejando hora o ar, outra o solo.
Repuxou a guia com força, praticamente arrastando Miro, fazendo-o correr desajeitado. O loiro tentava acalmar o animal sem grande sucesso e não era páreo para sua força. Via o instinto dele guiá-lo de alguma forma. Uma fuga?
O animal parou de repente, rosnando e com o pêlo eriçado, numa postura intimidadora e defensiva ao mesmo tempo. O grego quase tropeçou nele por ter parado abruptamente. O loiro ofegava cansado e sentia os braços e pernas trêmulos. Viu um homem sair quase como se fosse das sombras, observando-os.
- Oras... O que encontrei... Não pode fugir, garoto. – o estranho deu um passo em direção ao loiro, ficando um pouco mais visível. Era alto, franzino e de cabelos curtos e negros.
O lobo soltou um uivo longo e assumiu uma postura defensiva, o outro parando. O animal parecia mais agitado e Miro ouviu outra voz vinda das sombras, onde constatou apenas uma silhueta, sendo impossível distinguir alguém.
- Melhor calar esse animal.
- Quem são vocês? O que querem? – Miro perguntou, recuando uma passada e forçando Átila a acompanhá-lo.
- Se largar esse animal ou fazê-lo ficar quieto, prometemos que apenas você irá morrer. – falou o primeiro, parecendo divertir-se com a situação.
Miro estremeceu ao ver os olhos dele mudarem de cor, assumindo uma tonalidade prateada, com um brilho assassino. Deixou a sacola de compras cair e segurou na guia de Ática com as duas mãos, puxando-o com força numa corrida, ficando aliviado por ser atendido pelo animal. Ouvia algumas risadas acompanhando-o. Por mais que estivessem correndo o mais rápido possível, parecia que aqueles homens não tinham qualquer dificuldade de alcançá-los.
O loiro ofegou ao constatar que entrou em um beco sem saída. Conhecia bem aquela região da cidade, mas no desespero esquecera completamente daquela passagem interrompida. Ouviu os passos na entrada da ruela em que estava e ficou de costas para a parede dos fundos, trêmulo.
Notou que os dois possuíam os olhos na mesma tonalidade e o outro rapaz tinha cabelos castanhos claros. O que eles eram, afinal?
Átila tornou a uivar e sempre se mantinha a sua frente em postura de ataque. Chegou a pensar se alguém ouviria os uivos e poderia salvá-lo, mas... Claro que não. Sabia que isso para os moradores da redondeza poderia ser apenas mais um cão de rua faminto incomodando.
- Excepcional o cheiro do medo emanado por você... – falou o de cabelos negros e sorriu.
Aquilo... Eram presas? Os dentes dele não pareciam comuns, os caninos em especial pareciam presas afiadas. Vampiros? Não eram lendas? Pensou em gritar por socorro, mas se sentia paralizado.
Átila atacou repentinamente, Miro não conseguindo segurá-lo. Atacou em direção ao pescoço do moreno e este se esquivou facilmente. Este foi novamente atacado pelo animal e irritou-se. Esquivou-se, agarrando no ar o lobo pelas costelas com uma mão como se fosse leve e com a outra o pescoço, imobilizando o animal, e torceu a cabeça deste.
- Átila! – o loiro gritou e perdeu o ar com o ganido de dor do animal e ao ouvir o som de algo quebrando.
Viu o corpo de seu lobo ser jogado de lado no chão como se fosse lixo e os dois avançando em sua direção. Estava paralisado e não havia para onde correr. Adiantaria correr? Estes seres não eram humanos. Adiantaria tentar algo? Nem Átila que era grande e forte conseguiu algo...
Miro piscou duas vezes ao ver um grande par de olhos dourados atrás dos vampiros e a silhueta que parecia a de um lobo imenso. O vampiro de cabelos negros parou, olhando para trás, parecia nervoso e surpreso. Não era um deles? O que estava acontecendo?
- Mate logo o garoto. – ele ficou encarando o lobo e disse ao companheiro, que concordou.
De repente pareciam apressados. Apavorado, o grego fechou os olhos e se encolheu. Miro sentiu ser agarrado pelo pescoço e suspendido contra a parede. O grego sufocou e imaginou que seria mordido pelo vampiro e que aquele lobo, embora maior, poderia ter o mesmo fim de seu Átila. Ouviu o lobo atacar e a mão que pressionava sua garganta lhe soltar, fazendo com que caísse novamente no chão.
Arriscou abrir os olhos. Precisava saber o que estava se passando afinal. Deparou-se com um homem de cabelos longos e ruivos que estava à sua frente, de costas para si. Conhecia aqueles cabelos e o porte altivo, mas o que Kamus faria ali? Como sabia que estava ali? Poderia se ferir!
Miro notou o homem que lhe atacou recuar um passo. Tinha um braço que parecia ter sido esmagado, dando-se conte de que era o que lhe segurava o pescoço. O outro vampiro, percebera também, estava estraçalhado no chão cercado em uma mancha escura que imaginava se sangue.
Kamus sacou um punhal em um movimento rápido e facilmente agarrou o vampiro que tentara fugir, decapitando-o em um único golpe. Miro Mal conseguiu ver o gesto de Kamus de sacar a arma e de como impediu o outro de fugir. Foram rápidos demais.
Logo após o ataque de Kamus, Miro pôde ver seu rosto. Os olhos dele... Prateados?
O lobo estava mais atrás, novamente nas sombras, observando-os. Pareceu farejar algo e sumiu. O grego ainda tremia.
- Kamus... ? – chamou baixo, levantando com apoio na parede. Ainda tremia demais e sentia os olhos arderem em lágrimas.
Notara os olhos frios sobre si. Não com sua característica tonalidade avermelhada, mas olhos prateados como o dos outros vampiros.
Acompanhou o ruivo limpar a adaga e guardar abaixo do sobretudo que usava, sem tirar os olhos de si.
O grego começou a chorar mais, dessa vez não de medo, mas alívio. Correu até Kamus, abraçando-o apertado e sem conseguir controlar o choro e os soluços.
O ruivo fora pego desprevenido. Jamais imaginaria essa reação do menor. Cogitara que o apavoraria ainda mais, que Miro tentaria fugir, gritar, qualquer coisa que fosse, menos que o abraçaria dessa forma tão calorosa.
Envolveu o corpo menor com um braço e com o outro tocou levemente a cabeça de Miro. Sentiu o choro se acalmar aos poucos até o loiro desfalecer.
Kamus o segurou e olhou o rosto manchado pelas lágrimas e o corpo de Átila. Fenrir ficaria chateado, mas não havia muito a ser feito pelo animal morto. Os vampiros eram recém-transformados, seus corpos não desapareceriam. Deixaria aquela bagunça para Fenrir tentar dar um jeito.
Tinha um problema maior. O grego sabia demais. Conhecia um segredo proibido para os humanos. A lei era bem clara, todo humano que viesse a descobrir sobre os vampiros, deveria morrer.
Continua...
oOoOoOo
N/A.: Um capítulo saído do forno! Espero que todos gostem e que não me matem...
Falta de tempo, de PC... Sabem como é. Mas estou tentando voltar aos poucos.
Viram que ela não foi abandonada? ; )
Eu queria aproveitar o espaço para perguntar o que acham de por alguns ou todos os próximos capítulos em POV? Agora será uma nova etapa, digamos assim, e achei que seria legal saber o que acham. Melhor POV ou narrativa em 3ª pessoa?
Também gostaria de deixar aqui um agradecimento especial à Yuki Saiko e à Kamy Jaganshi, pelo incentivo constante e as cobranças via MSN, e por não terem esquecido desta fic.
Um beijo especial para: Chibiusa-chan Minamino, Paola Scorpio, Tenshi Aburame, Veins of glass, Shakinha, Dricka P, Lune-sama forever, Setsune, VikscorpioN, Haina Aquarius-sama, Ryoko Watase, Meline, Milo, , F Poynter, Anjelita Malfoy, Athenas de Aries, dandi- winchester , Aido Stark e Regiane.
Perséfone-san
22-02-2012
