Voltei!

Eu sei que sou muito má por parar justamente naquela parte, mas me divirto fazendo cenas como a que se segue agora e ainda mais vendo o pessoal louco pela continuação XD

Enfim, sem mais demora, aqui está a continuação.


Em Seu Lugar

Chapter 9

Nos primeiros minutos, tempo para se acomodarem sobre o cobertor, ninguém disse nada, a menos que fossem contados os inúmeros suspiros de Sirius.

Remus ficou sentado de frente para Sirius, que se distraiu durante um tempo girando a garrafa de café sobre a coberta. Não olhou para o outro por longos minutos e, então, disse:

-Eu não insistiria se não fosse você. –Mordeu o lábio, soltando-o em seguida, voltando os olhos cinzentos para Remus. –Você sabe que eu sou confuso, que eu já disse algumas vezes que estava apaixonado e tudo o mais, mas agora eu acho que eu realmente estou.

Remus não disse nada, permitindo que Sirius seguisse com sua argumentação do modo que lhe convinha.

-Porque, pensa, eu mudei de umas semanas para cá. Não me importo se teve o acidente com os nossos corpos ou o diabo a quatro que fosse –Respirou fundo -, mas eu comecei a enxergar você de uma forma totalmente diferente, Rem.

-Isso não significa que você está apaixonado. –Remus se deitou de uma forma a quebrar o contato visual dos dois.

-Por que eu não estaria?

-Porque eu não sou tudo isso que você pensa. Na verdade, eu só arruinaria sua vida. -Lupin olhava para o céu encantado, evitando de qualquer jeito olhar para o outro.

-Diga-me por quê.

-Diga-me um número.

-Seis.

-Então darei seis motivos para você desistir de mim. –Umedeceu os lábios. –Primeiro, sou lobisomem.

-E daí?

Remus ignorou.

-Segundo, eu não sou sangue-puro.

-Você acha que eu sou quem? Orion Black? –Sirius deu uma risadinha nervosa.

-Terceiro –Remus disse, quase mandando Black calar a boca -, eu não tenho nenhum bem para lhe oferecer.

Esperou que Sirius voltasse a interrompê-lo, mas o mais novo não disse nada. Tomou um pouco de fôlego e continuou.

-Quarto, eu não sei lidar com relacionamentos. Cedo ou tarde eu o irritaria, e todo o tempo que você tivesse investido em mim se tornaria tempo perdido. Quinto, eu não poderia fazer você feliz, porque nem eu consigo fazê-lo comigo mesmo. E sexto –Então olhou para Sirius e travou -, em sexto lugar, eu...

...acho que não o amo. Mas não conseguia dizer aquilo. Talvez Sirius tivesse entendido, porque seu olhar pesou um tanto e ele meneou com a cabeça.

-Eu não me importo. –Disse porém, logo voltando a encher seu olhar com um brilho esperançoso. –Eu não ligo para seus bens ou para o fato de você ser lobisomem ou sereia ou o que seja, e eu realmente amo você, e é pelo que você é.

-Você não me ama, Sirius. –Lupin dizia isso mais para convencer a si mesmo, enquanto rolava o corpo para se aproximar do outro. –Você pode ter quem você quiser, e não vai ser pelo seu colega de quarto que você finalmente vai se derreter de vez.

-Isso é um indício de que eu sou uma pessoa ainda pior que você. –Sirius disse, cruzando as pernas, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. –Você se diz como alguém que não tem relacionamentos e, quando tem um, você não pode retribuir o que o outro sente. E eu, com tantas relações no currículo, não consigo conquistar de verdade alguém que realmente importa. Eu tenho algo errado, Rem, não você, e mesmo assim eu estou tentando. –Seus olhos claros estavam úmidos. –Por que você não pode tentar?

-Eu vou machucar você. –Remus disse, se erguendo nos cotovelos. –Escute, Sirius, eu prefiro tê-lo como amigo do que arriscar e perder você para sempre. Imagine se der errado e...

-Pelo menos nós teríamos tentado. –Sirius desviou os olhos por um momento. –Eu posso garantir que eu nunca seria o melhor namorado que você poderia ter, mas eu faria meu melhor.

Remus baixou os olhos para o cobertor. Não havia mais nada a ser dito, não havia mais nada para justificar um "não". Seu coração batia devagar, causando-lhe um pouco de dormência no corpo e respiração pesada.

-Eu não quero me ferir por causa de ninguém. –Disse por fim, empurrando o corpo para cima e voltando a se sentar.

-Você confia em mim? –Sirius perguntou, arrastando-se na direção de Lupin. Suas mãos se juntaram na nuca do mais velho, que suspirou.

Os olhos estavam tão próximos que Remus se sentiu de fato dentro dos de Sirius. Mordeu o lábio, examinando o olhar do outro, e aproximou o rosto dos dois. Seus lábios estavam próximos dos de Black quando este recuou.

-Não me beije se for me destruir esta noite.

As mãos de Sirius apertaram o pescoço de Remus delicadamente e ele fechou os olhos, sentindo uma súbita dor de cabeça. O tom de Sirius fez com que ele ficasse absurdamente melancólico.

Sirius não estava mentindo ou enganado quando dizia que o amava, no fim das contas. Ele nunca teria usado aquele tom sem saber o que significava. Remus estava apavorado agora, porque não tinha nenhuma saída a não ser um sim ou fazer com que ambos perdessem. Tudo bem que o sim não iria garantir estabilidade e, muito provavelmente, só adiaria o momento em que iriam ficar destruídos, mas por que não?

Lupin buscou os lábios de Sirius novamente e, desta vez, segurou-o pela nuca para que não desviasse.

Vergonhosamente, não evitou chorar. Sirius notou e parou o beijo, fazendo remus encostar a cabeça em seu ombro enquanto o puro-sangue o puxava para perto.

-Confie em mim. –Sussurrou ao ouvido e Remus, fazendo-o estremecer.

-x-

-Existe uma coisa chamada aula. –James disse, assim que viu Remus e Sirius se aproximando da mesa da Grifinória na hora do almoço. –Onde estavam?

-Casa dos Gritos. –Sirius respondeu prontamente, se sentando ao mesmo tempo que Remus. –Passamos a noite lá.

-Se eu não os conhecesse, diria que estavam no ninho do amor de vocês. –Potter sorriu, devorando a garfada de galinha.

-Pois é –Sirius rebateu, sorrindo maliciosamente -, transamos a noite toda. Um cão e um lobisomem, bem selvagem.

Remus acabara de tomar um gole de suco e engasgou, rindo e corando. O bom humor dele para com a brincadeira fez Peter e James erguerem as sobrancelhas.

-Quem é você é o que fez com o Moony? –James disse, num tom assustado. –Você tinha que ter mandado o Padfoot calar a boca.

-Não ligo para essas coisas mais. –Remus disse.

-Meu nome é Remus Lupin, fiz dezessete anos e fiquei confiante. –Peter fez uma imitação baixinho.

-Isso mesmo. –Lupin confirmou. –Agora chega. –Sacudiu a cabeça. –Estou com fome.

Comeram enquanto conversavam sobre coisas aleatórias (na verdade, James e Peter narraram suas aventuras sexuais da noite anterior com suas respectivas namoradas, enquanto Remus e Sirius apenas riam), e depois foram os jardins.

-Que sejam abençoados as tardes de quinta-feira. Aulas até o almoço e só. –James disse, largando-se num tufo de mato sob a sombra de uma árvore. –Ei, Moony, como vai hoje? Último dia da sua lua favorita.

-Até bem, eu acho. –Estava cansado e um tanto dolorido, mas ainda estava feliz pela noite anterior, mesmo que não pudesse dizer isso a James.

-Hmm. –Peter fez. –Acho que vou... erm, lá.

Todos ergueram a cabeça para ver a namoradinha de Wormtail acenar de longe. Sirius deu uma risadinha enquanto Peter se afastava mandando os amigos se ferrarem.

-Parece que estão todos namorando. –James comentou, observando um outro casalzinho indo para dentro do castelo.

-É. Todos.

Remus só notou que se pronunciara quando James olhou para ele curioso.

-O que quer dizer, Moony? –Sorria, como se soubesse.

-Nada. Eu disse "todos", não "todos nós". –Remus disse, corando e desafinando. –Por quê? O que está insinuando?

-Tem algo sobre o que insinuar? –James disse, num tom desafiador.

-Ah, cala a boca. –Sirius interveio, parecendo irritado. –Que saco, você adora intriguinha, não é mesmo?

Sirius se levantou e ia se afastando quando Remus lançou um olhar aborrecido a James e seguiu o outro.

-Ele sabe. –Sirius disse baixinho, quando já estavam de volta ao castelo. –Tenho certeza, ele sabe.

-Não confirme, por favor. –Pediu, tocando o braço de Black levemente. –Mesmo que ele tenha certeza.

-Eu prometi que não faria isso, e não vou fazer.

Talvez duas coisas fossem possíveis.

Primeiro, Sirius estar errado. Ele poderia, talvez, ser o melhor namorado que Remus poderia ter.

Segundo, Remus estar errado. Ele poderia, talvez, se apaixonar de vez também.


Espero que esse capítulo tenha saído descente. Levei duas horas para escrever, ouvindo coisas naaaaada a ver como Seether, ou seja, a chance de ter uma merdinha ali ou aqui é grande.

R&R, coisas fofas *-*