Tempo de Amar


Disclaimer: Jensen Ackles e Jared Padalecki não me pertencem. Eu não os conheço nem sei o que se passa com eles, isso tudo é fruto apenas da minha imaginação.

Sinopse: Um precisava esquecer para seguir adiante, o outro buscava um motivo para continuar no caminho. PADACKLES J2.

Beta: hehe... o que é isso? Todos os erros são meus, não tenho ninguém com quem dividi-los.


Avisos: 1. Atenção, essa fic é slash, ou seja, relação homossexual masculina, se você não gosta, não leia. Se gosta, sinta-se a vontade para ler e comentar.

2. contém lemon, isto é, relação sexual, se vc é menor de 18 anos, é aconselhável que não leia, mas isso quem decide é você.

N/A: 1. nessa história, Jared está com 23 anos e Jensen com 27.

2. alguns "detalhes" da vida dos dois foram trocados: i. o irmão de Jensen, Josh Ackles, em Tempo de Amar, não é mais velho, como na "vida real" e sim mais novo do que ele; ii. Megan Padalecki, irmã mais nova de Jared, aqui virou sobrinha dele.

3. qualquer semelhança com o filme Shelter não é mera coincidência. Eu me inspirei nele para escrever essa fic.


Capítulo 10: Todo fim é um novo começo II

Jared e Megan chegaram ao hospital às dez da manhã. Jared parou por alguns segundos na recepção para acertar toda a papelada da alta de Jeff, e então ambos, tio e sobrinha, foram ao quarto onde Jeff se encontrava.

Ao chegarem à porta do quarto, Jared deparou-se com Damien Smith saindo lá de dentro. Damien era o filho da Sra. Smith, e também costumava ser o melhor amigo de Jeff quando eles eram mais jovens. Havia se afastado depois de ter casado e constituído a própria família, o que acarreta uma série de responsabilidades, e também, pelo menos era o que Jared pensava, pelo fato de Jeff ter "mudado" tanto nos últimos anos. Mas Damien estava ali, e não era a primeira vez que vinha visitar Jeff. Ele realmente ficou muito abalado quando soube do acidente do amigo.

Talvez amizades de verdade não morram nunca, pensou Jared nessa hora.

"Oi, Jared. Seu irmão está esperando por você lá dentro, ele já não aguenta mais esse hospital, acredite." Disse o homem, sorrindo e mostrando a fileira de dentes extremamente brancos.

"Damien, cara, que bom te ver por aqui. Eu ia dizer ao Jeff que você sempre vinha visitá-lo, mas pelo visto não vai ser mais preciso."

"Não, não. Acho que o Jeff já sabe." Disse o homem, sempre sorrindo. "E você, garotinha, como é que vai? Meus filhos vão para casa da avó esse final de semana, eles querem te ver por lá." Agora ele se dirigia à Megan, que costumava passar horas brincando com os netos da Sra. Smith.

"Eu posso ir, Jay?" Perguntou a menina com os olhinhos mais pidões que conseguiu fazer. Era a genética Padalecki.

"Claro, Megan." Jared sorriu para a menina.

"Bem, eu já vou indo. Boa sorte, Jared." Damien deixou-os, então, se dirigindo à saída.

Jared e Megan entraram no quarto, e encontraram Jeff vestido com as roupas que o mais novo já havia trazido no dia anterior. O homem parecia animado, e sorria o tempo todo enquanto as enfermeiras ajeitavam tudo a sua volta. Quando Jeff bateu os olhos na sua família entrando naquele quarto, não pôde evitar sorrir ainda mais, ao mesmo tempo em que lágrimas escorriam pelo seu rosto.

"O que foi, pai? Você não tá feliz em voltar pra casa?" Megan parecia não entender a reação do pai.

"Sim, filha, eu estou muito feliz."

"Então vamos." Disse Jared, sério, mas não seco, como costumava ser seu tom de voz com Jeff. Os dois irmãos se encararam por breves segundos e Jeff sorriu para o mais novo.

Jeff levantou-se da cama onde estava, não sem fazer um grande esforço para isso. Aquilo deixou Jared preocupado. Ele já ia ajudar Jeff a se equilibrar quando uma das enfermeiras o segurou pelo braço e ele se apoiou na cama, dando passos lentos e ainda incertos, mas aos poucos conseguindo caminhar até onde estava a filha. Ele olhou para a menina e sorriu.

"Então, Megan, você me ajuda aqui." Disse, enquanto oferecia uma das mãos à menina. Megan se adiantou e a segurou, Jeff caminhou com ela até Jared, que o segurou pelo braço.

"Você tem certeza de que não prefere uma cadeira de rodas, só pra te ajudar por enquanto?" Jared não sabia como seriam as reações de Jeff dali em diante.

"Eu passei quase dois meses nesse hospital, Jay, tudo que eu quero agora é sair daqui. Nada contra vocês, garotas – disse olhando para as enfermeiras – E eu também quero sair andando com minhas próprias pernas."

Jared olhou nos olhos do irmão, que estavam próximos aos seus agora. Os olhos de Jeff realmente brilhavam, e ele não ousaria contrariá-lo agora.

Os três conseguiram chegar ao lado de fora do hospital, onde um táxi esperava por eles.

Jeff olhava para fora da janela do carro como se fosse a primeira vez que visse aquilo tudo. Havia nascido de novo. Megan parecia muito animada, foi o caminho inteiro conversando com o pai, contando todas as novidades de quando o homem ainda estava "dormindo". Ela falou sobre a colônia de férias e sobre uma porção de outras coisas. E Jared não podia evitar sentir um frio na espinha toda as vezes em que ela citava o nome de Jensen. Jeff não demonstrou nenhuma reação quanto a isso.

Para alívio de Jared, eles chegaram em casa entes que a menina pudesse falar sobre Amber. O moreno queria ele mesmo contar a "novidade".

Ao entrar em casa e se deparar com aquele ambiente, com aqueles móveis e tudo tão familiar outra vez, Jeff sentiu uma emoção que ele realmente não saberia descrever em palavras. Ele respirou fundo e tentou se equilibrar sobre as pernas. Os três entraram e Jeff se acomodou no sofá da sala.

"Nós arrumamos um quarto pra você aqui em baixo, Jeff. Pelo menos por enquanto não é bom que você suba e desça escadas." Jared disse enquanto tentava acomodar o irmão melhor no sofá.

"Tudo bem." Jeff disse, mas Jared não parou de mexer com ele. "Tudo bem, Jay, sério, eu estou bem aqui."

"Anh, ok." O mais novo ficou parado de frente para Jeff, observando-o.

"Você quer alguma coisa? Qualquer coisa é só me pedir."

"Tudo bem, Jared. Eu vou ficar bem, não se preocupe."

"Eu vou subir, então. Qualquer coisa me chama." Ele só queria se certificar.

Jeff não respondeu nada, apenas concordou com a cabeça. Jared subiu as escadas e seguiu para o seu quarto. Depois de alguns minutos o moreno voltou a descer com a sobrinha, e ambos forma preparar o almoço.

-J2-

Jensen estava sério, sentado em sua cama, com os pés descalços no chão, o queixo apoiado sobre os dedos entrelaçados. O celular estava ao seu lado, meio jogado na cama. Ele tinha acabado de falar com Melinda, a mãe de Michael. Amanhã seria o primeiro aniversário da morte do seu marido. Jensen havia contado a ela que estava com alguém agora, que tinha se apaixonado novamente. Ele não sabia ao certo qual seria a reação da ex-sogra, mas sentia que deveria ser sincero com ela. A mulher disse apenas que gostaria de conversar com ele pessoalmente, e que eles fariam disso depois de visitar o túmulo de Michael, amanhã.

Agora Jensen pensava num jeito de contar para Jared que teria de viajar. Não queria deixá-lo sozinho agora, mas precisava fazer isso. Por Michael, e, sobretudo por ele mesmo.

Esfregou o rosto com as mãos e pegou o celular em cima do colchão. Discou o número de Jared e o moreno atendeu de imediato. Jensen pediu para vê-lo, e Jared disse que iria até a casa dos Ackles ainda aquela noite, só iria pedir para a Sra. Smith dar uma olhada em Megan e em Jeff. Jensen se ofereceu para pegá-lo em casa, e Jared aceitou.

Quase uma hora depois, Jensen estava parado com o Impala em frente à casa dos Padalecki quando viu Jared sair lá de dentro se despedindo da Sra. Smith. O moreno entrou no carro e ambos não conseguiram fazer nada mais além de se inclinarem para um beijo. Sem uma palavra sequer, porque elas viriam depois. Agora só precisavam desse contato.

"Tudo bem com você?" Perguntou Jensen.

"Sim." Jared disse simplesmente. "Por mais incrível que pareça, eu estou bem."

"Ótimo, isso era tudo que eu precisava ouvir." Jensen levou a mão até a nuca do mais novo e o puxou para outro beijo. Não durou mais que alguns segundos, mas quando se separaram ambos tinham os olhos fechados.

"E a intimação, o que você fez com ela?" Jared não iria fingir que não era com isso que estava preocupado.

"Eu falei com os meus pais."

"Seus pais? Como assim? Eles... eles vão me ajudar?" Ele agora já estava ansioso.

"Claro que vão, Jared. Eles deram uma olhada na intimação e já imaginam como deve ser o processo. Acredite, eles vão fazer todo o possível por você, Jay. Por nós."

Jared suspirou aliviado. "Nossa, Jen, você não imagina o quanto isso me deixa aliviado."

"Que bom, meu amor, mas... Não era sobre isso que eu queria falar com você agora." Jensen voltou-se para encarar Jared. O moreno já tinha os olhos cheios de duvidas.

"Aconteceu alguma coisa?"

"Você lembra quando a mãe do Michael me ligou naquele dia..."

"Claro que eu lembro." Jared realmente lembrou naquele exato momento. Ele já sabia sobre o que Jensen iria falar.

"Pois bem, é amanhã." Os dois ficaram calados por alguns instantes.

"Você viaja quando?" Perguntou Jared.

"Hoje ainda. Meu vôo sai à meia noite." Jensen o encarou como se perguntasse "Tudo bem pra você?" e Jared quase teve vontade de saber o que Jensen faria se ele o pedisse para não ir. Mas ele não poderia fazer isso. Seria injusto, egoísta e mesquinho da parte dele.

"Então nós ainda temos algumas horas." Disse o moreno depois de alguns segundos.

Jensen então abriu o maior sorriso que conseguiu, sendo imitado por Jared logo em seguida. Era melhor sair logo dali ou eles acabariam presos por atentado violento ao pudor.

-J2-

Roger estava sentado na poltrona atrás de sua mesa no escritório, e Donna se apoiava também sentada no braço da poltrona, com a mão do marido em volta de sua cintura. Os dois tinham um porção de papéis em cima da mesa, e Jared e Jensen estavam sentados de frente para eles esperando por alguma palavra de qualquer um dos dois.

"Se você tivesse feito Direito..." Disse Roger olhando para o filho. "Não estaria tão ansioso agora. Você saberia exatamente com o que nós estamos lidando." O homem levantou ambas as sobrancelhas, somente com o intuito de irritar o filho. Velhos hábitos nunca morrem.

Jensen suspirou aborrecido. Depois sorriu e balançou a cabeça. Até pareciam uma família normal agora.

"Tudo bem pai, mas o que você pode dizer para este pobre ser que não fez Direito?"

Roger suavizou sua expressão. Ia dizer algo quando foi cortado por Donna. A mulher não parara de examinar os papeis nem por um segundo.

"Anos de uma carreira impecável nos deram certa influência nos meios jurídicos nessa cidade. Nós tivemos acesso ao processo aberto por Amber Wandell pela guarda da Megan. Ela está levando isso realmente muito a sério."

"E quais são as nossas chances?" Jared não tinha tempo a perder com rodeios.

"As nossas chances são boas, Jared. Mas você deve estar preparado." Donna encarava o rapaz, mas depois voltou o olhar para Jensen. "Você deve imaginar que a Amber vá usar o relacionamento de vocês dois nesse processo. E essas coisas podem ser muito cruéis. Às vezes os nossos colegas de profissão podem ser bastante mesquinhos. E eu sinto te dizer isso, nós também teremos que pegar pesado com essa mulher."

Jared pareceu refletir por alguns instantes. Ele baixou um pouco a cabeça e ficou encarando os próprios pés antes de levantar o rosto e encarar as três pessoas naquele escritório.

"Eu não posso perder a Megan." Foi tudo que ele respondeu, mas essas palavras deixaram claro que ele estaria disposto a enfrentar qualquer coisa para não perder a sobrinha.

-J2-

Jensen cuidava dos últimos preparativos para sua viagem, arrumando as coisas e dentro da mala enquanto Jared permanecia sentado na cama, um pouco mais calado do que de costume. O mais velho percebeu a inquietação do outro e parou de fazer o que estava fazendo, chamando a atenção do moreno.

"Jay." Chamou, e Jared o encarou de volta um pouco assustado.

"O que foi?"

"Você está estranho." Disse, olhando com a testa franzido para Jared.

"Impressão sua. Eu estou bem. Quer dizer... é, Jensen, eu estou bem, sim. Não se preocupe." Jared tentou sorrir e parecer convincente, mas falhou de forma terrível.

Jensen se aproximou dele e sentou ao seu lado na cama.

"Jay, me diz, o que você tem? Você sabe que pode confiar em mim."

"É claro que eu sei, Jen, não é isso. Eu... eu só não sei direito o que 'tá acontecendo comigo. E eu não quero te preocupar. Não agora." Jared foi totalmente sincero, e Jensen sentiu isso.

"Olha, se você quiser, eu posso..."

"Não." O mais novo disse com firmeza. "Você vai viajar, vai encontrar a sua ex-sogra e vai visitar o túmulo do Michael. Eu vou ficar bem, sério."

"Ok, mas, qualquer coisa, você sabe que eu estou com você."

"Claro."

Jensen então se aproximou, segurou a nuca do mais novo e o beijou. Sem pressa, sem segundas intenções. Apenas um beijo, em sua concepção mais pura. Queria dizer, sem palavras, que estaria ali para tudo, que estaria com Jared mesmo estando longe por algumas momentos.

Eles se separaram e o semblante de Jared já era mais relaxado.

"Você me leva ao aeroporto?" Perguntou o loiro.

Jared não respondeu, apenas sorriu.

-J2-

No dia seguinte, quando Jensen saiu do avião, já na Califórnia, pôde avistar Melinda esperando por ele assim que adentrou no saguão do aeroporto.

A mulher sorriu assim que o viu, abrindo os braços o convidando para um abraço. Jensen se aproximou e a abraçou forte, enterrando o rosto na curva de seu pescoço, sentindo o aroma doce de seu perfume. Michael falava muito do perfume da mãe, de como aquele cheiro o lembrava a sua infância e alguns de seus melhores momentos na vida. Eles ficaram daquele jeito por alguns instantes, sem dizer nada, até que se separaram e se olharam nos olhos pela primeira vez.

"Jensen, você está ótimo. Eu posso ver nos seus olhos que essa rapaz está fazendo muito bem para você." Disse a mulher, mostrando um sorriso sincero para o ex-genro.

"Você não imagina o quanto ouvir isso de você me deixa feliz." Respondeu o loiro, que não conseguia esconder o contentamento.

"Bem, nós temos muito o que conversar, mas isso fica para depois. Acho que devemos ir logo ver Michael."

"Sim, com certeza." Ele disse, e ambos se encaminharam para fora do saguão. Dali iriam direto ao cemitério onde Michael havia sido enterrado.

No caminho, pararam para comprar flores. Quando chegaram ao local, caminharam ainda um pouco por sobre a grama, entre os túmulos, até chegarem ao que procuravam. Jensen e Melinda se aproximaram do túmulo de Michael. Ambos pararam por alguns instantes, de frente para a lápide cinza, sem fazer qualquer movimento. A mulher já não segurava as lágrimas, mas Jensen permanecia impassível. Ele se ajoelhou, apoiando-se em um dos joelhos e depositou as flores que havia trazido. Melinda se aproximou dele por trás e tocou seu ombro. Jensen levantou o rosto e encarou a mulher, agora com os olhos marejados.

Melinda inclinou de leve a cabeça e apertou o toque em seu ombro.

"Eu vou deixar vocês dois a sós." Ela disse, depois se afastou.

Jensen apenas assentiu com a cabeça e murmurou "Obrigado".

Ele voltou a encarar o mármore frio a sua frente, onde havia o nome de Michael escrito. Tocou de leve e contornou as letras com a ponta dos dedos. Sorriu. Um ano atrás, quando aquela tragédia havia acontecido, ele realmente achou que não fosse conseguir seguir adiante. Não depois de viver um amor tão intenso com Michael, e uma dor tão intensa com a sua perda repentina.

Mas Jared entrou em sua vida e o fez ver que estava errado. Que ainda havia motivo para continuar no caminho.

"Sinto sua falta, Michael." Disse Jensen, num sussurro. "Sinto falta do seu sorriso, da sua cara de sono de manhã cedo, da sua obsessão por sorvete, e do seu café." O loiro sorria ao mesmo tempo em que as lágrimas já molhavam seu rosto. "Sabe, Michael, eu conheci uma pessoa." Continuou sorrindo, não podia pensar em Jared e não sorrir. "Ele é uma cara ótimo, tenho certeza que você iria gostar dele." Jensen baixou os olhos, encarando a grama verde que cobria o túmulo de Michael. "E ele me faz feliz." Voltou a levantar os olhos. "Acho que você não se importa, não é mesmo? Afinal, eu sei que você ia querer que eu fosse feliz, eu tenho certeza." Jensen se levantou, ficando de frente para a lápide. "Mas eu sinto que preciso me despedir de você, Michael. Foi tudo tão repentino que nós não tivemos tempo, não é mesmo. Eu vou seguir com a minha vida. Eu te amo, Michael. Mas eu vou seguir com o Jared agora."

Jensen deu um último sorriso, sentindo-se extremamente aliviado. Ele precisava se despedir de Michael, precisava ainda dessa "passagem" para que nada mais pudesse impedir sua felicidade ao lado de Jared. Ele era livre agora.

Melinda observava tudo de longe, apenas respeitando o espaço e o momento de Jensen. Ela teria sua oportunidade de conversar com o filho também. Nunca é fácil para uma mãe reverter o processo natural das coisas, e ver um filho partir antes de si, mas ela sabia que por um bom tempo, ela havia encarado toda a situação bem melhor do que Jensen. E ela estava realmente curiosa sobre este homem que ajudara de tal modo seu genro, que o fez superar a tristeza e parte da dor de ter perdido Michael.

A mulher realmente gostava de Jensen, tinha-o como um filho, como família, sem dúvida. E não poderia não estar também grata a Jared pela boa obra que ele fizera com o loiro.

Quando Jensen se aproximou de Melinda, tocando-a no ombro e fazendo-a encará-lo, acordando de seus devaneios, ela sorriu para ele. Era bom ver que ele estava bem.

"Sua vez de conversar com ele." Disse Jensen. Ela apenas assentiu e caminhou até a lápide de Michael, e permaneceu lá, também conversando com o filho por alguns minutos.

Quando saíram do cemitério, Jensen e Melinda foram a um restaurante, havia muita coisa a se falar. Jensen também havia marcado com Eric Kripke, que já havia recebido o esboço do primeiro livro da série em que ele estava trabalhando. Os três se encontrariam no restaurante, e enquanto Eric não chegava, Jensen e Melinda conversavam.

"Então, você não vai me falar nada sobre Jared Padalecki, o meu mais novo super herói?" Disse a mulher, enquanto examinava o cardápio e decidia o que pedir para o almoço.

"É claro que eu vou te contar, Melinda. Aliás, você precisa conhecê-lo, tenho certeza que vai cair de amores por ele."

"Não mais do que você, eu acho."

Jensen apenas sorriu, confirmando.

"Está tão na cara assim?" Ele perguntou, após alguns segundos.

Melinda o encarou e inclinou levemente a cabeça. Apertou um pouco os olhos, como se examinasse a fisionomia do outro. Depois abriu um largo sorriso, e segurou uma das mãos de Jensen, que repousava sobre a mesa.

"Está nos seus olhos." Ela disse, e apertou a mão de Jensen. "E eu acho que é amor."

Jensen baixou os olhos por um instante, depois voltou a encarar a mulher. Levantou a mão dela e pousou um beijo nela.

"Eu fico feliz que você aprove essa relação, Melinda. Sua opinião importa muito para mim. Você é minha família também, isso não vai mudar nunca."

"Eu sei, meu bem, e você também sabe que eu te amo como a um filho. Eu nunca poderia me opor a algo que te faz tão bem."

"E ele me faz, Melinda, ela realmente me faz muito bem. Sabe, o Jared... ele tem, ele tem uma coisa que eu não sei explicar, mas que me faz querer cuidar dele e protegê-lo, me faz querer amá-lo e mostrar a ele tudo de bom que a vida pode oferecer. Acho que era mais ou menos assim que o Michael se sentia em relação a mim. Eu agora entendo."

"Você merece ser muito feliz, Jensen. Tenho certeza que o Michael também iria querer isso."

Os dois continuaram conversando por vários minutos, até que Eric finalmente entrou eufórico no restaurante, sentando-se ao lado deles ainda um pouco vermelho e com um sorriso enorme estampado no rosto.

"Oi pra você também, Eric." Disse Melinda, tentando provocar o homem que acabara de chegar.

"Anh, claro, oi Melinda." Eric acenou para a mulher e se voltou instantaneamente para Jared. "Como você consegue fazer isso?"

"Hey, do que diabos você está falando?" Jensen não estava entendo o estado de excitação do outro homem.

"Não se faça de bobo, Jensen. O seu livro, seu maldito livro." Olhou para o lado e Melinda o olhava com reprovação. "Desculpe."

"Você gostou?"

"Se eu gostei, Jensen, se eu gostei? Você só pode estar de brincadeira..." Eric tinha um sorriso totalmente insano no rosto. "Nós adoramos a história, e... recebemos uma proposta muito tentadora."

"Que proposta?"

"Uma adaptação para a TV, Jensen. Eles querem que sua história vire uma maldita série de TV. Eles já deram até um nome: Supernatural."

"Isso é sério, eles ficaram tão empolgados assim com a história?"

"Você ainda tem dúvidas?"

Melinda só observava e se divertia com o desespero de Eric e a calma de Jensen. Era realmente ótimo que essa tal história estivesse empolgando tanto. Jensen merecia tudo de bom que pudesse ter. Eles nem notaram as horas passando, e se despediram apenas quando Jensen já tinha que voltar para o aeroporto. Ele se despediu de Eric já totalmente contagiado pela empolgação do chefe pela nova aventura que eles teriam dali para frente.

-J2-

Foi difícil conversar com Megan sobre o que estava acontecendo. Explicar para a garota o real motivo da volta de Amber e as possibilidades que existiam para ela agora. Ele sabia que a menina estava confusa, que sentia falta da mãe, e Jared tinha medo de como Megan iria encarar toda aquela situação. Ele sabia que era muita pressão para uma criança de sete anos, mas Jared tinha certeza de que não havia motivos para que Megan duvidasse de seu amor, e de que ele nunca deixaria de cuidar dela.

Depois de conversar com a menina por vários minutos, e responder a enxurrada de perguntas que Megan fez depois, Jared a pôs na cama e desceu para ver como Jeff estava. Seu irmão ainda estava acordado, na sala, vendo TV. Jared se aproximou e sentou-se ao lado dele no sofá. Ficaram os dois sem dizer nada durante um bom tempo, mas o clima não estava pesado, ou desconfortável. Eles apenas pareciam ter reencontrado a velha harmonia de irmãos.

Já era quase meia noite quando Jared se levantou e disse que ia dormir. Perguntou se Jeff estava bem, se precisava de algo, e o mais velho apenas negou com a cabeça. Mas antes que pudesse chegar às escadas, Jeff o chamou de volta.

"Jay, a gente precisa conversar."

Jared voltou-se para o irmão e o encarou por alguns segundos. Depois caminhou de volta ao sofá, sentando-se ao lado dele.

"Eu vinha agindo feito um idiota com você antes do acidente, não é mesmo?"

"Olha, Jeff, cara, não precisa..."

"Precisa sim, Jared." Jeff demonstrava firmeza no tom de voz. "Eu preciso me desculpar com você, por favor, me deixa falar."

Jared apenas assentiu com a cabeça.

"Eu sei que eu estava acabando com a minha própria vida com a bebida, Jay. Mas não era só eu quem estava sofrendo, não é?"

"Todo mundo que te ama sofre com isso, Jeff." Jared olhava nos olhos do irmão enquanto respondia.

"Agora eu sei disso. E eu não quero mais isso pra mim, Jay. Porque isso estava me afastando das pessoas que eu mais amo nessa vida. Você e a Megan. Eu sinto muito pelo que eu fiz vocês passarem." Já caiam algumas lágrimas dos olhos do Padalecki mais velho.

"Jeff, olha, eu entendo... eu vou tentar entender, sério." Jared se controlava para não chorar também, embora sentisse que seria inútil.

"Eu sei que eu fui um péssimo pai pra Megan. Aliás, eu sei que você é bem mais pai dela do que eu."

"Não diz isso, Jeff."

"Mas é verdade. Eu sei que é. E ela tem sorte em ter você, acredite."

E sem conseguir mais segurar, Jared deixou as lágrimas caírem. "Você pode ter errado muito com a Megan, mas eu nunca devia ter dito que você não é um bom pai, Jeff. Logo eu. Foi você quem me criou depois que os nossos pais morreram, você foi um pai pra mim, e eu sinto que tenho sido meio injusto com você."

"Eu acho que eu fiz um bom trabalho com você, então." Jeff sorriu em meio às lágrimas. Um sorriso sincero. "E eu te devo um pedido de desculpas pelo Jensen, também."

Jared sorriu e abaixou a cabeça.

"A gente nunca conversou direito sobre isso, não é?" O moreno voltou a encarar o mais velho. "Olha, eu sei que foi tudo muito repentino, nem eu entendo direito, às vezes, e não deve ter sido fácil pra você descobrir que eu estava... saindo com outro homem, mas olha..."

"Não, Jared. Não tem desculpa para o que eu fiz. Eu não tinha esse direito. E na verdade o que me incomodava não era o fato de você ser gay, ou seja lá que você for. O problema era que eu sentia que estava te perdendo, que você estava se afastando de mim. E eu não podia deixar, eu tinha que te puxar pra mim de alguma forma, e fiz isso da pior maneira possível."

"Jeff, olha, isso é passado, cara."

"Mas eu ainda sinto muito. E... na noite do acidente..."

"O que tem a noite do acidente? O que aconteceu com você naquela noite?"

"Eu percebi a grande burrada que eu estava fazendo com você. Eu lembrei de todas as merdas que eu tinha te dito, e... eu pirei, cara. Eu queria te pedir perdão, queria que você me desculpasse por ser um idiota. Aí eu sai de casa e peguei o carro. Eu tinha que falar com você..." A voz de Jeff começava a embargar. "Eu estava indo pra casa do Jensen quando bati com o carro."

"Jeff, eu não acredito..."

"Olha, Jay, eu sei que foi uma das maiores burradas que eu já fiz, pegar o carro bêbado como eu estava, e sair assim, eu sei. Mas eu tinha que falar com você, eu não estava pensando direito. Eu só queria te dizer que sentia muito." Jeff baixou os olhos, não conseguia encarar o irmão. Jared permaneceu calado por um tempo, como se pensasse no que dizer ao mais velho.

"Jeff, eu acho que o melhor agora é esquecer tudo isso, ok. Quer dizer, eu acho que você já percebeu que precisa parar de agir como estava agindo, e que precisa de ajuda com a bebida. E nós vamos atrás disso." O moreno parou e encarou o irmão. "E quanto ao Jensen, eu gostaria muito que você aceitasse a nossa relação, mas eu não vou mudar de atitude caso você não aceite. Ele me faz mais feliz do que qualquer outra pessoa já conseguiu. E eu o amo, Jeff."

"Eu fico feliz por você. De verdade. Se você é feliz com o Jensen, eu realmente não me importo que ele seja um homem. E todas as barbaridades que eu disse antes, bem... eu só queria... sei lá, só queria chamar a sua atenção." Jeff realmente estava envergonhado.

Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, até que Jared resolveu falar.

"Então eu acho que está tudo bem entre nós de novo, não é?"

"Nem tudo, Jared."

O moreno olhou confuso para o irmão.

"Tem mais uma coisa que eu preciso te contar." Continuou o mais velho. "E eu espero que você me entenda. E acredite, essa decisão não foi nada fácil, mas eu acho que vai ser o melhor que eu posso fazer. Por mim, e pela minha família."

"Do que você está falando?"

"Eu tenho conversado bastante com o Damien desde que acordei do coma."

"Sim, eu o vi lá no hospital no dia em que você recebeu alta."

"Pois bem, eu e ele sempre fomos amigos, você sabe disso. E ele sempre foi bem mais ajuizado que eu também." Jared sorriu concordando. "Ele me fez ver que eu preciso de ajuda, Jay. Que eu preciso de tratamento, porque eu estou doente."

"Sim, é bom que você pense assim, Jeff."

"E eu não posso fazer isso aqui, Jay."

"Como assim?"

"Eu não posso me recuperar aqui, nessa casa, sozinho. Eu preciso de ajuda pra isso."

"Do que você está falando, Jeff?"

"O Damien conhece um lugar. Não é bem uma clínica, funciona mais como uma colônia, as pessoa ficam internadas, morando lá por um tempo, trabalhando."

"E onde fica esse lugar?" Jared já demonstrava certa preocupação na voz.

"Fica em outro estado, Jay."

Jared levantou-se do sofá e passou a andar pela sala. Ele apenas balançava a cabeça a cabeça, sem dizer nada. Até que se virou para Jeff, e o mais velho pôde ver que seus olhos estavam marejados.

"Você está querendo dizer que..."

"Eu sei o que você está pensando. Que eu vou levar a Megan comigo, ou que Amber vai conseguir o que quer. E das duas formas você fica sem a Megan."

Jared tentava se controlar para não deixar as lágrimas caírem. Não estava funcionando muito.

"Eu não tenho condições de cuidar da Megan num lugar assim. Muito menos nessa situação, Jay. Eu realmente não posso."

"Então você vai simplesmente entregá-la a Amber?" O mais novo olhava para o irmão sem poder acreditar.

"Não. Claro que não. Eu conversei com os pais do Jensen e contei a situação pra eles. Eu vou passar a guarda da Megan pra você, Jared. Se você quiser, é claro." Jeff olhou para o irmão em expectativa, e Jared parecia tentar digerir a informação.

"Se eu quiser? Você acha que tem algo no mundo que eu possa querer mais do que isso?"

Jeff sorriu um pouco amargo. "Eu sabia, Jared. Você sempre foi um pai pra Megan. Mais até do que eu. Aliás, eu sou uma droga como pai."

"Isso não é verdade. Você fez um ótimo trabalho comigo."

Jeff sorriu para o irmão. Jared se aproximou do mais velho e o abraçou. Há muito tempo não faziam isso. Há muito tempo haviam se afastado e agora finalmente voltavam a ter uma relação de verdade, como irmãos.

"A Megan tem sorte de ter você." Jeff disse, ao se separar do abraço do irmão. "Mas e o Jensen, vocês não planejavam morar juntos, ou coisa assim?"

Jared sorriu meio de lado. "A gente não conversou sobre isso ainda, com tanta coisa acontecendo. Mas... você sabe que a Megan é minha prioridade."

"Eu não queria atrapalhar sua vida."

"Não atrapalhou." Jared respirou fundo. "Eu só preciso conversar com o Jen."

Alguns minutos depois Jared estava fechando a porta de seu quarto atrás de si. Ele caminhou até sua cama e se jogou nela. Pensava em Jensen, queria falar com ele. Queria ter logo a conversa mais importante desse relacionamento e saber que rumo tomar, que caminho seguir em sua vida. Só esperava poder trilhá-lo ao lado de Jensen.

-J2-

Quando Jensen apareceu no saguão do aeroporto, o coração de Jared deu um pulo. Jensen acenou para ele e o moreno apenas sorriu, embora fosse difícil controlar o nervosismo.

Jensen se aproximou e o sorriso de Jared só crescia. Quando se aproximaram o suficiente, foi impossível não se abraçarem. Precisavam do conforto dos braços um do outro, cada um por seus motivos. Não saberiam dizer por quanto tempo ficaram daquele jeito, mas quando se separaram, ambos podiam sentir seus batimentos cardíacos acelerados.

"Senti sua falta." Disse o mais velho.

"Eu também." Jared respondeu. "Como forma as coisas?" Os dois se encaminham para fora, em direção ao carro, que ficara sob os cuidados de Jared.

"Foi tudo bem. A Melinda está louca pra te conhecer. E o Eric me deu ótimas notícias quanto ao meu livro. Mas eu falo sobre isso depois." Jensen sorriu para Jared.

"Que bom."

"E a Melinda é ótima, você vai adorá-la, tenho certeza."

Jared apenas dá uma sorriso fraco em resposta.

"Aconteceu alguma coisa, Jay? Você está diferente."

"Nós precisamos conversar. A gente podia passar naquele parque, eu não queria fazer isso na sua casa nem na minha."

"Claro." Jensen concordou, já preocupado com o que estaria deixando Jared daquela forma.

O caminho até o parque foi silencioso e Jensen realmente começava a ficar nervoso. Milhares de coisas passavam por sua cabeça, e nenhuma delas era muito boa.

Quando eles finalmente se sentaram num dos bancos do parque, Jared começou a falar.

"Eu conversei com o Jeff ontem, enquanto você esteve fora."

"E como foi?" Jensen não tirava os olhos de Jared, que ainda não o encarava.

"Eu e ele meio que fizemos as pazes. Ele realmente quer mudar, Jensen. E parece que finalmente aceitou o nosso relacionamento."

"Mas isso é ótimo, então." Jared tentou sorrir em concordância, mas não conseguiu.

"E ele vai embora. Vai se tratar numa clínica em outro estado"

"O que? Como assim? E a Megan?"

"É sobre isso que eu quero falar. O Jeff vai passar a guarda da Megan pra mim, Jensen. Eu acho que minha situação vai mudar um pouco a partir de agora." O loiro ficou em silêncio por alguns segundos.

"Eu não acho." Respondeu Jensen, pegando Jared de surpresa. "Não acho que vá mudar muita coisa. Foi você que sempre cuidou da Megan, não foi?"

"É, mas agora vai ser oficial, e... bem, algumas coisas mudam, sim. Alguns planos."

"E é isso que está te deixando assim?"

"Olha, Jensen, eu só sinto que minha vida vai mudar muito a partir de agora. E eu não sei..."

"Se eu estou disposto a mudar com você." Completou Jensen.

"Eu não posso exigir que você faça isso."

"E se eu quiser fazer isso?" Jensen pôs uma das mãos no ombro de Jared, e depois a levou até sua nuca. "Jay, se tem uma coisa da qual eu tenho certeza hoje na minha vida, é de que eu não me vejo mais sem você. E que eu vou ficar com você não importa o que aconteça. E ainda mais se for uma coisa tão boa quanto ter a Megan vivendo com a gente, Jay. Isso seria maravilhoso."

"Você tem certeza que está pronto pra isso?"

"Não. Mas por você eu posso tentar."

"Eu só precisava saber disso, Jensen."

Jared então puxou Jensen pelo braço e o abraçou forte. Saber que contaria com ele daqui para frente era tudo que ele precisava agora.

-J2-

Jared sabia que um processo pela guarda de uma criança não é algo simples. Sabia que seria demorado, complexo, que exigiria muito dele e de todos os envolvidos. Sabia que Megan seria atingida, sem dúvida. Mas também confiava, tinha que acreditar que era possível ganhar de Amber.

Não seria fácil, afinal, agora ele era oficialmente o tio gay brigando pela guarda da sobrinha com a mãe dela. E não importa o quão dedicado ele tenha sido à garota durante sua vida inteira, não importa que Amber só agora tenha decidido se dedicar à filha, não importa o fato de que ele realmente tenha todas as condições do mundo de criar Megan da melhor forma possível ao lado de Jensen. O que realmente importa é que Jared Padalecki não levava mais uma vidinha comum e dentro dos modelos preestabelecidos e aceitos. E isso contou bastante, no início.

Logo na primeira audiência do processo, o advogado de Amber fez questão de utilizar desse argumento. A vida pessoal de Jeff, e de Jared, foi esmiuçada, em quase todos os detalhes na frente do juiz. As esperanças da mulher consistiam em defender que o "estilo de vida" da família Padalecki não era adequado à formação de uma criança. O alcoolismo de Jeff e o relacionamento de Jared com Jensen foram explorados desde o principio, mas eles aguentaram firmes.

É claro, o casal Ackles não deixou por menos. Eles já haviam prometido fazer todo o possível para ganhar essa causa, e realmente estavam empenhados em fazer com que Jared continuasse com a sobrinha.

E assim se passaram três meses, entre audiências, acusações, insinuações por parte dos dois lados. Não foi algo realmente muito bonito de se ver. Por isso mesmo, Jared tentou ao máximo deixar Megan fora de todo o processo. Embora a hora em que ela seria chamada para conversar com um assistente social se aproximasse cada vez mais. Então ela teria que dizer com quem ela gostaria de ficar. E por mais que Jared tivesse a certeza de que a sobrinha desejava ficar com ele, não conseguia não sentir medo. E raiva, também, por ter de expor a menina àquilo.

Mas enquanto esse dia não chegava, os Ackles buscavam de todas as formas se assegurarem da vitória de Jared. Eles precisavam de testemunhos a favor do rapaz. E é claro que havia pessoas que podiam fazer isso. A Sra. Smith foi a primeira a ser chamada, e aceitou imediatamente. Ela já havia até mesmo se oferecido para testemunhar a favor de Jared. Conhecia os Padalecki desde a infância, acompanhou toda a trajetória dos irmãos. Conhecia aquela família como ninguém. E tinha certeza de que não havia ninguém no mundo mais indicado para ficar com a guarda de Megan do que o tio.

A mulher foi enfática no seu relato ao juiz, deixando bem claro o que ele penasava sobre o caso: se houvesse justiça, Megan teria que ficar com Jared. E não importa se ele namorava um rapaz ou uma moça, o que importava realmente era que ele amava aquela garotinha, e faria qualquer coisa por ela.

Bobby também testemunhou a favor de Jared. Contou que conhecia os irmãos Padalecki desde criança e que sempre gostou muito dos dois. Falou sobre a situação difícil em que ambos ficaram após a morte dos pais, e de como Jeff havia tomado conta da situação e se responsabilizado totalmente pelo irmão mais novo. Disse ter certeza de que o Padalecki mais velho era um homem de caráter, e que apenas precisava se tratar de sua doença. Quanto a Jared, bem, Bobby afirmou que gostava do rapaz como um filho, o que era a mais absoluta verdade. Jared poderia cuidar de Megan como um pai. Aliás, era isso que já fazia há sete anos. Foi o que Bobby afirmou para o juiz.

Quando Jared foi até Sandy pedir que ela testemunhasse a seu favor, entretanto, o moreno teve receio de não coseguir o apoio da ex-namorada. Encontrou Amber saindo apartamento da moça e por um segundo temeu pelo que aquela mulher pudesse ter dito a ela. Esperou até que Amber fosse embora e subiu, precisava saber o que ela tinha dito a Sandy e, claro, qual havia sido a reação da garota.

Quando abriu a porta, Sandy não pôde esconder a surpresa.

"Jay, nossa, definitivamente você era a última pessoa que eu esperava ver por aqui."

"Eu cheguei numa hora errada?" Jared perguntou, meio encabulado.

"Não. Na verdade não. Aliás, você até que chegou na hora certa, eu ia ligar pro Josh agora mesmo." A mulher respondeu, enquanto dava passagem para que Jared entrasse no apartamento.

"Pro Josh? E por que, aconteceu alguma coisa?"

"A Amber esteve aqui agorinha mesmo." Sandy parou por um segundo para encarar Jared. "Ela tentou me convencer a ficar do lado dela no processo, dar uma de garota traída, enganada..."

Jared olhava com um misto de apreensão e dúvida para Sandy.

"Qual é Jared, por favor? Não me diga que você acha que..."

"Eu vi a Amber sainda daqui e sim. Eu fiquei com medo que você..."

"Oh, por favor, não me faça ter raiva de você? Acha que eu iria cair num joguinho barato desses? Jared, você sabe muito bem como e por que nossa relação terminou. E não teve nada a ver com o Jensen ou com você ser... gay."

"Como assim? Você já... sabia." Jared tinha certa confusão estampada no rosto, afinal, nem ele sabia disso até bem pouco tempo atrás.

"Bem..." Sandy parecia um pouco constrangida, mas já que tinha começado. "Não que eu tivesse do que reclamar, Jared, mas..."

"Mas?"

"Não é como se tivesse sido um choque completo pra mim quando eu ouvi os primeiros boatos de você estar saindo com o Jensen. Eu achei bem natural, até."

"Sério?" Jared parecia não acreditar no que ouvia. Desabou sobre o sofá da sala de Sandy. Será que esse tempo todo ele... não, nunca tinha sentido nada que chegasse perto do que sentia por Jensen, por ninguém. Nem por um homem nem por uma mulher.

"Bem, não acho que haja nada de errado nisso e, você foi um ótimo namorado, Jared. O que nós tivemos foi perfeito enquanto durou."

O rapaz sorriu e teve de concordar. Foi perfeito enquanto durou. E era assim que seria com Jensen, tomara que durasse para sempre.

"Então, eu ia ligar pro Josh, como eu disse. E nós íamos falar com os pais dele. Eu vou testemunhar, Jared. Mas a seu favor, é claro."

Jared sentiu-se realmente um idiota por ter duvidado de Sandy.

-J2-

Mais algumas semanas haviam se passado e o resultado do processo estava prestes a sair. Nesse momento, Jared estava sentado ao lado de Jensen, de Josh e Sandy, todos do lado de fora da sala do juizado de menores no fórum. Megan estava lá dentro, junto com uma assistente social, os advogados de ambas as partes, o juiz e uma psicóloga. Eles esperaram até o último momento para tomar o depoimento de Megan. Nunca é bom para uma criança ser envolvida dessa forma nos processos, mas isso foi extremamente necessário.

Já fazia quase duas horas que a menina estava dentro da sala e Jared já não tinha mais unhas para roer do lado de fora. Ele sabia que tudo estava prestes a se definir, o que era um alivio, já que o processo todo havia sido extremamente desgastante.

Mas é claro que ele também estava receoso. Havia a possibilidade de Amber ganhar a causa. Grandes possibilidades. Ele só não conseguia aceitar isso. Não conseguia nem pensar em como seria se Megan fosse embora com a mãe.

Jensen tentava acalmá-lo o tempo todo, o que era bastante difícil já que ele próprio também estava uma pilha de nervos. Mas eles tinham que ter fé. Fé em que tudo fosse acabar bem.

Quando a porta finalmente abriu e Megan saiu da sala do juiz junto com a assistente, os pais de Jensen a acompanhavam logo atrás. O casal Ackles tinha uma expressão serena. Eles logo contaram a Jared o que havia acontecido e como Megan tinha reagido a todas as perguntas. E uma coisa era bastante certa: a menina deixou claro que gostava da mãe, mas que gostaria de morar com Jared e o tio Jensen. E isso era ótimo para eles, era a opinião de Megan, o desejo dela. E isso valia muito na hora de uma decisão por parte do juiz.

A audiência final fora marcada para dali a quatro dias. Quatro dias e tudo aquilo teria fim.

Já em casa, depois de por Megan na cama, Jared desceu e encontrou Jeff na cozinha, pensativo. O moreno não disse nada, mas percebeu que o irmão não estava bem.

"Você acha que eu estou sendo um covarde, Jared?" Jeff perguntou sem encarar o irmão, enquanto Jared passava ao seu lado.

"Não." A voz do mais novo soou firme. "Não acho que você seja um covarde por querer se tratar e por querer o melhor para a sua filha."

Jeff pareceu pensar um pouco. "Você acha que ela vai me perdoar algum dia? Por ter sido um péssimo pai? Ou ela vai acabar me odiando?"

"Eu não acho que a Megan te odeie. Ou que vá te odiar um dia. Você sempre vai ser o pai dela, Jeff. Isso nunca vai mudar. Mas você está tentando ser uma pessoa melhor e eu tenho certeza de que você está fazendo isso por ela, acima de tudo."

"Por ela e por você." Jeff finalmente encarou o irmão nos olhos.

Jared se aproximou do irmão e faz algo que desejava fazer a um bom tempo. Deu um forte abraço e Jeff, longo e apertado, um abraço como os que ele costumava dar quando eles eram mais novos, quando seus pais ainda estavam vivos.

"Eu sinto muito, Jared." Jeff disse enquanto os dois se separavam.

"Pelo que?"

"Se a Amber ganhar, vai ser por minha culpa." Jeff tinha os olhos marejados.

"Não, ela não vai ganhar. Não se preocupe."

-J2-

Josh estava terrivelmente nervoso enquanto Jensen o encarava com a testa meio franzida da porta do quarto. O mais velho arqueou uma sobrancelha e abriu a boca, como se fosse dizer algo. Porém, voltou a fechá-la logo em seguida e estreitou os olhos enquanto voltava a examinar o irmão.

"Você vai dizer logo ou vou ter que esperar a noite inteira?" Josh perguntou impaciente.

Jensen não conseguiu mais segurar a risada. "Você está ótimo, maninho. Bom até demais para um encontro, digo, pra um passeio com uma amiga."

"Vai brincando, vai. Isso é muito sério, cara. Tudo tem que ser perfeito." Josh não estava brincando.

"Cara, tudo vai ser perfeito porque vão ser você, a Sandy, e uma noite linda como testemunha. Do que mais você precisa?"

"Eu gostaria de saber se eu estou vestido adequadamente pra isso e eu sinceramente achava que ter um irmão gay fosse mais útil, sabia."

"Ok, então deixa eu cumprir minha funcão de irmão gay que entende de moda. Embora eu não entenda. Mas, na minha humilde opinião, você está... hum... como eu vou dizer isso... Josh, se você não fosse meu irmão..." Jensen então se aproximou de Josh bem devagar e apertou as bochechas do mais novo. Do jeito que ele costumava fazer quando os dois eram crianças. Do jeito que ela sabia que Josh detestava.

"Chega, chega." Josh tentava se desvencilhar do mais velho. "Ok, tudo bem. Eu aceito sua opinião." Disse, por fim, conseguindo se separar de Jensen e se recompor, embora agora estivesse com as bochechas levemente coradas.

Jensen tentava se controlar para não ter um ataque de risos e por fim disse ao irmão.

"Você não tem com o que se preocupar, Josh. O que tiver de ser entre você e a Sandy vai ser. Eu acho que a essa altura do campeonato é besteira negar que esteja acontecendo alguma coisa entre vocês dois, principalmente depois daquele beijo..."

"Eu não chamaria bem de beijo. Eu praticamente agarrei ela no meio da rua. E ela ainda estava meio bêbada." Josh disse num tom de voz inconsolável.

"Mas ela aceitou seu convite, não aceitou? Acredite, isso quer dizer alguma coisa..."

Jensen piscou para o irmão enquanto saia do quarto, e Josh acabou sorrindo para si mesmo. Sim, aquilo tinha que querer dizer alguma coisa.

-J2-

Algumas horas mais tarde, Jensen estava no seu quarto dolorosa e prazerosamente preso entre uma parede e o corpo de Jared. Eles mal tinham conseguido fechar a porta do quarto antes de atacarem a boca um do outro com fome e desejo. Eram tantos empecilhos agora que os dois mal tinham tempo para estarem juntos. Só o que restava eram esses momentos furtivos quando tudo era mais rápido e mais intenso.

Jensen gemeu quando Jared o ergueu, segurando-o pelo quadril e o jogando contra a cama. O moreno estava ficando bom nisso e, bem... Essa era uma das vantagens de namorar um gigante.

Um segundo depois era Jensen quem estava por cima, já que tinha aproveitado o momento em que Jared se afastou para retirar a camisa para ficar no controle, sobre o moreno.

Outro segundo e nada mais disso importava, porque ambos só queriam estar juntos, perto um do outro, sentir o corpo, o calor do outro, e não importava em que posição eles iriam fazer isso. Entretanto, nesse impasse, Jared acabou no chão, porque despencou da cama ao tentar ficar por cima novamente, o que fez Jensen cair na gargalhada.

Jared tentou se fazer de ofendido, mas desistiu depois que o loiro, ao invés de puxá-lo de volta para a cama, foi parar no chão do quarto também, deitado exatamente ao seu lado. Os dois se encararam por alguns instantes, até que Jared quebrou o silêncio.

"Você já desistiu?"

"Claro que não. Só tô pensando..."

"Essa não é uma boa hora pra pensar, acredite, eu tenho que voltar para casa ainda hoje, lembra?"

"É justamente nisso em que eu estou pensando." Jensen disse enquanto se movia para ficar em cima de Jared. "Nós não vamos mais ter esse problema quando estivermos na nossa casa."

Jared ficou sério. Eles ainda não havia, de fato, conversado sobre isso. Só parecia natural que fosse acontecer, e todos já davam como certo que eles iriam morar juntos. Eles até já falavam sobre isso no processo pela guarda da Megan, mas, os dois, nunca haviam falado claramente sobre isso.

"Então..." Jared começou. "Nós vamos realmente fazer isso?" Olhou com apreensão para Jensen.

"Bem, eu não vejo motivos pra gente não fazer isso."

"E isso é o suficiente?" Jared sorriu, mas sua pergunta era mais do que séria.

"Não. E é por isso que eu posso te dar mil motivos pra gente fazer isso." Jensen sentou-se, sobre o quadril de Jared, puxando o moreno para cima. "Primeiro motivo: eu te amo. Segundo: eu quero passar o resto da minha vida com você. Terceiro: nós vamos precisar de um lugar só nosso, e da Megan, claro. Quarto: eu não posso e nem quero continuar morando com meus pais pra sempre. Quinto: eu quero criar um cachorro, e o Josh é alérgico. Sexto: sexo, sem horários marcados. Sétimo: eu vou adorar acordar ao seu lado todos os dias da minha vida. Oitavo: sexo, na hora em que a gente quiser. Bem, e quando a Megan não estiver no recinto, claro. Nono..."

"Deixa eu adivinhar." Jared pôs um dedo nos lábios de Jensen, impedindo-o de continuar. "Tem haver com sexo?"

"Como você adivinhou?" Jensen fingiu estar surpreso. "E você, pode me dar um bom motivo pra não vir morar comigo?"

Jared fingiu pensar no assunto, mas logo sorriu de volta para Jensen. "Não. Não consigo pensar em nada. Acho que você venceu."

Jensen sorriu, vitorioso, e baixou a cabeça para beijar Jared, empurrando o moreno para baixo ao mesmo tempo. Ao sentir as costas contra o carpete do quarto, Jared ainda tentou falar alguma coisa.

"Jen, você não quer... cama..."

"Não." Foi tudo que o mais velho falou, antes de atacar a boca de Jared novamente.

-J2-

Quatro dias passaram mais rápido do que todos esperavam. E quase antes que todos percebessem, estavam diante do juiz, que dentro de poucos instantes, daria a sua sentença. Decidiria com quem Megam iria ficar.

Jared estava ao lado de seus advogados e de Jeff. Amber do outro lado, ao lado de seu representante legal também. Mas Jensen, Josh, Sandy e Bobby estavam presentes na sala do juiz.

O rapaz tentava se manter calmo, principalmente diante da mulher que tinha logo a sua frente. Amber tinha um olhar altivo. Era como se ela já tivesse certeza do resultado final.

Quando o juiz Robertson entrou na sala e todos se levantaram, Jared sentiu que seus joelhos o trairiam a qualquer minuto. Por mais que ele quisesse dar um fim a toda essa situação, não podia negar que estava realmente muito nervoso. Jeff olhou para ele e aquele olhar realmente o confortou, embora ela não soubesse exatamente o que o irmão queria passar para ele naquele momento.

O juiz Robertson se sentou e todos o imitaram. Ele finalmente iria dar seu veredicto.

"O caso de hoje consumiu bastante tempo e muita ponderação de minha parte. Não vejo como negar que este é um caso, no mínimo, peculiar. As condições desse processo não se vêem todo dia. De um lado, a requerente, a Sra. Amber Wendell, mãe da menor Megan Padalecki. Requer a guarda da filha que abandonou quando aquela ainda era um bebê. E depois de quase seis anos, resolveu procurar pela filha e requerer sua tutela. Está no seu direito, como mãe, e mesmo tendo cometidos erros no passado, pareceu-me verdadeiramente arrependida e disposta a corrigi-los. Também me parece apta a se responsabilizar pela menor novamente. Por outro lado, ao invés do pai, nós temos o tio da menor, que requer a sua guarda total. É sabido que a menor vivia sob os cuidados do tio desde que a mãe foi embora, e, através do testemunho das pessoas indicadas pela defesa, pareceu-me que o Sr. Jared Padalecki sempre foi extremamente cuidadoso e atencioso para com a sobrinha e, apesar do recente estilo alternativo de vida, também me pareceu bastante apto a se responsabilizar pela menor, já que o pai da mesma se declarou incapaz de cumprir essa função no momento, devido aos seus problemas com o álcool."

O juiz Robertson parou e encarou os presentes, para depois continuar a falar. O coração de Jared falhou uma batida e seus olhos procuraram pelos de Jensen, do outro lado da sala.

"O que foi de fundamental importância para mim, entretanto, foi o depoimento da menor, Megam. Ela deixou bem claros seus sentimentos em relação a este processo todo. Disse que gostava de ter a presença da mãe por perto novamente. De conversar com ela e achava que as duas poderiam ser amigas. Mas ela quer, acima de tudo, continuar com o tio. Porque ele é a maior referência de família para aquela menina. E é com base nisso que eu encerro o caso a favor do Sr. Jared Padalecki, que a partir de hoje tem a custódia legal da menor Megan Padalecki. A Sra. Wandell poderá ver a filha sempre que ambas as partes, mãe e tio, estiverem de acordo. Eu espero que vocês se resolvam quanto a isso amigavelmente. Caso encerrado."

Enquanto todos na sala, com exceção de Amber e seu advogado comemoravam, Jared permaneceu sentado por alguns instantes. Apenas sentado com os olhos fechados. Tinha acabado. Havia chegado ao fim e ele havia conseguido. Era tão bom que ele mal podia acreditar. Mas quando sentiu um toque estranhamente familiar em seu ombro, abriu os olhos e se deparou com os olhos de Jensen, que sorria para ele. Era verdade, então.

"Nós conseguimos, Jay."

"Sim, nós conseguimos, Jen."

E antes que ela deixasse a sala, Jared avistou Amber de saída com o advogado. Pediu licença a Jensen e correu para alcançá-la. A mulher se virou e deu de cara com ele antes de sair.

"Meus parabéns, Jared. Vocês venceram. Eu não vou ter minha filha de volta."

"Só se você não quiser, Amber. Eu nunca quis separar vocês duas, você pode ver a Megan quando desejar. Mas é comigo que ela vai ficar."

"Eu não posso continuar nessa cidade, tenho que voltar pra minha vida, Jared. Por isso que eu fiz isso tudo, pra levar a Megan comigo."

"Mas isso não vai acontecer. Ela vai ficar aqui, e eu acho bom você encontrar uma brecha nessa sua nova vida pra encaixar sua filha, porque você não pode simplesmente desaparecer de novo, agora que voltou. Antes a Megan nem lembrava de você, agora ela te conhece, e ela gosta de você. Não destrua isso."

"Eu vou tentar, eu prometo..."

"É bom que tente mesmo. Mas me avise antes de aparecer novamente, ok?"

A mulher não respondeu, apenas concordou com a cabeça, finalmente saindo da sala.

-J2-

Megan ficou sabendo de tudo somente quando Jared a pegou na casa da Sra. Smith, onde a menina tinha ficado, durante a audiência final. Jared contou pessoalmente para a sobrinha que agora ele era o responsável legal por ela. A menina pareceu entender bem, e se mostrou bastante feliz com o fato de que iria viver com os tios, os dois tios.

Entretanto, ainda havia pontos a serem resolvidos. Jeff se despediu da filha e tentou explicar a ela seus motivos de ir embora. Tentou fazer com que ela entendesse, mas não poderia culpá-la se ela não o fizesse. Só o tempo diria.

O que importava agora era comemorar essa vitória, e eles fariam isso em grande estilo. Jensen havia conversado com o corretor e pedido urgência na procura por uma casa. Para sua surpresa, o homem retornou sua ligação no mesmo dia. Disse que havia encontrado a casa ideal, nos moldes da que ele havia pedido. Ampla, com espaço para crianças e cachorros... e Jensen completou em seus pensamento, e um lugar perfeito para começar uma nova vida ao lado de Jared.

Assim que desligou o celular, Jensen ligou para Jared e disse que tinha uma novidade. Pediu que ele aprontasse Megan e que os dois o esperassem, porque ele tinha uma surpresa.

Alguns minutos depois, o loiro estava em frente a casa de Jared. Bem, aquela ainda era a casa dele, mas logo isso iria mudar.

O moreno saiu e encontrou Jensen encostado junto ao Impala. Jared deu um leve beijo em seus lábios ao chegar mais perto. A essa altura, não importava mais o que a vizinhança iria pensar a respeito deles.

"Então, qual era a surpresa?" Perguntou o mais novo, encostando-se ao carro também.

"Você vai ter que vir comigo se quiser descobrir. Você e a Megan."

Jared riu e se afastou do carro. "Eu vou chamar a Megan, então."

Vinte minutos depois dos três entrarem no carro, Jensen parou em frente a uma casa com uma enorme placa de "Vende-se" na entrada. Jared já sabia extamente o que aquilo significava, mas ainda era meio difícil acreditar. Eles saíram do carro, com Megan fazendo algumas perguntas, mas os dois homens estranhamente calados. Eles já não precisavam de palavras para dizer o que queriam um ao outro.

"De quem é essa casa, Jensen?" Megan perguntou com curiosidade.

Jensen se abaixou para ficar no nível da menina e respondeu. "Bem, ela pode ser nossa, se você quiser."

Megan olhou para ele por um segundo, depois olhou para cima e encarou Jared. Então a menina abriu um grande sorriso e seus olhos brilharam.

"Você tá fanado sério?" Ela perguntou a Jensen.

"Sim. Se você gostar da casa, a gente vai poder se mudar pra cá." Jensen se levantou. "Agora, por que você não vai dar uma olhada por aí e diz o que achou?" ele deu uma piscadela para a menina, que saiu correndo em direção à casa, entrando e logo procurando conhecer tudo.

Jensen então se voltou para Jared, que estava estranhamente calado.

"Você não gostou?" Perguntou o mais velho enquanto se aproximava do moreno.

"Da casa?" Jared perguntou com calma. "Jensen, eu gostaria de qualquer lugar que eu pudesse dividir com você. É só que... bem, isso é maior do que qualquer coisa que eu já tenha feito na vida. Nós estamos... formando uma família."

"E você está com medo." Jensen disse e Jared não respondeu nada. "Eu também, estou, Jay, acredite, eu também estou com medo. Mas nós estamos juntos nessa, então, nada pode dar errado. Eu quero ficar com você, com a Megan. Quero que a gente seja uma família."

Jensen de se aproximou de Jared e o abraçou.

"Eu também quero." Disse por fim o mais novo, e eles se beijaram, de leve, só um toque com os lábios. Haveria muito tempo para os beijos apaixonados e cheios de desejo. Mas agora, eles só queriam curtir esse momento.

Depois que Megan saiu da casa novamente e disse que havia adorado tudo, não havia mais dúvidas. Aquele seria o lar deles. Era uma questão de dias e eles poderiam se mudar para lá.

É claro que Josh quis dar uma bela festa para inaugurar a casa nova, e ambos acharam que essa realmente seria uma boa ideia.

No dia em que eles finalmente se mudaram, Jensen, Jared e Megan, havia tanta gente naquela casa que os dois homens tiveram a ligeira impressão de que ela era pequena demais.

O casal Ackles estava radiante, planejando outra viagem. E uma terceira ou quarta lua de mel. A Sra. Smith conversava animadamente com eles, enquanto seus netos, Nathan e Susy brincavam com Megan, correndo pelo meio da casa e nos jardins.

Bobby também estava lá com seus dois filhos. Ele tinha se encarregado da churrasqueira, e andava de um lado para o outro com uma cerveja na mão e um avental onde estava escrito Kiss the Coock.

Josh, por sua vez, só tinha olhos para Sandy. Aquilo não era um namoro, oficialmente. Ainda. Porque dentro de poucos minutos as coisas iriam mudar. Bendita falta de sal e bendito Bobby por ter pedido aos dois para irem à despensa pegar um pouco mais do tempero. Uma despensa estrategicamente apertada, para fazer com que eles se esbarrassem na saída e... bem, isso só terminou mais tarde, no apartamento de Sandy.

E quanto a Jared e Jensen, bem, eles estavam se divertindo muito com toda aquela gente, com seus amigos e família reunidos para comemorar essa nova fase na vida dos dois. Mas seria inútil negar que eles não estavam loucos para que todo mundo fosse embora, Megan fosse para a cama e eles tivessem a casa só para os dois.

"Nós ainda vamos ter muito tempo, meu bem." Disse Jensen, notando a clara impaciência do mais novo.

"Eu sei, mas... aquela cama nova lá em cima e a gente aqui, Jensen. Você não fica tentado?" Jared disse, enquanto se aproximava do loiro e o abraçava por trás. Eles estava parados no meio da cozinho, com a casa ainda cheia de pessoas, algumas que nenhum dos dois sequer conheciam.

"Se fico. Principalmente depois do que eu vi agora na despensa..." Jared fez cara que quem não entendeu nada. "Depois eu te explico."

"Então..." Disse Jared. "Esse é o fim? É assim que a nossa história termina?"

Jensen se volta e fica de frente para o moreno.

"Não, Jared. É assim que ela começa." E então ele se aproximou e beijou os lábios do mais novo.

Eles teriam todo o tempo do mundo para escreverem essa história. Juntos. Teriam todo o tempo do mundo para amar.

-J2-

Não é o fim, é só o começo...


N/A: Olá, meus queridos leitores.=)

Tudo bem, antes de mais nada quero dizer que o que eu fiz com vocês não se faz. ¬¬ Foi mais de um mês para atualizar essa fic e isso não tem desculpa. u_u

Sei o quanto é ruim esperar pelo fim de uma fic e a autora não postar. Sei mesmo. Mas infelizmente, a vida real não é tão legal, às vezes.

Sei também que não tem justificativa, mas só posso dizer ao meu favor que ontem finalmente fiz a prova de um concurso para o qual eu estava me preparando e finalmente pude relaxar. Aí o capítulo saiu rapidinho... hehehe

Confesso que sofri um bloqueio, também, porque queria fazer esse capítulo da melhor maneira possível, não de qualquer jeito. Então as ideias ficaram amadurecendo na minha cabeça por um bom tempo antes de eu passá-las para o computador.

Espero que o resultado tenha sido bom, e não tenha decepcionado ninguém.

Mas ainda vou continuar com minhas desculpas, sinto muito.

Tenho que pedir desculpas por todos os erros, alguns grosseiros, cometidos ao longo dessa história. Sei que forma muitos. Erros de português, de continuidade, e erros típicos de quem está começando. Espero que vocês entendam e relevem.

Bem, mas também preciso fazer alguns agradecimentos.

Primeiro, a todos que tem lido, e que não desitiram dessa fic. Muito obrigada!

E a quem leu e mandou reviews, nesses outros nove capítulos, meu muitíssimo obrigada! Não citarei o nome de todos aqui, até porque do jeito que eu sou tapada vou acabar esquecendo alguém ¬¬, mas acreditem, cada review foi lida com todo carinho e me ajudou a chegar até aqui.

Sei que estou em falta com quem mandou review por último, mas responderei cada uma, acreditem! ;)

Sei que o capítulo ficou enorme, mas acho que seria sacanagem dividi-lo em duas partes, né? =)

E, por fim, quero dizer que foi um prazer compartilhar essa experiência com vocês, de verdade. Sim, eu sou sentimental, não liguem. u_u

Muito obrigada a todos pela paciência e pelo carinho!!

Mil perdões pela demora!!

Espero que tenham gostado, por que esse foi o fim de Tempo de Amar! Lembrarei sempre com carinho dessa fic, espero que ela também tenha trazido coisas boas para cada um que leu!

Obriada também a quem me mandou PM perguntando pela fic. Não, vocês não são chatos! u_u Eu não fico brava, muito pelo contrário, pode me cobrar mesmo! Valeu pelo carinho!

E, é claro, gostaria muito de saber o que vocês acharam do final!

O epílogo já está quase pronto - sim, eu escrevi quase todo o epílogo antes de escrever o capítulo final ¬¬.

Então, antes do que vocês imaginam, ele estará on. Realmente não quero fazer vocês esperarem muito, sério. Fiquem de olho ainda nessa semana. ;)

Até o epílogo, então!

*___* Reviews, please!

Bjos a todos! ;*