Capítulo 9
Easy to break

Quando as portas do elevador se abriram, Harry inspirou profundamente antes de dar um passo à frente. Ele havia conversado com Hermione, mas a morena disse que não iria tomar partido nenhum na situação e que Harry deveria seguir seu coração. O moreno sorriu diante à lembrança da fala da amiga e continuou seu caminho pelo corredor até parar em frente ao apartamento de número 8. Blaise atendeu a porta com um sorriso satisfeito.

- Ora, Harry, se você apenas soubesse como eu me sinto honrado quando você tira alguns minutos do seu precioso dia para me visitar em minha humilde casa. – Ele disse com tom jocoso e piscou para Harry, fazendo um sinal para que ele entrasse.

- Eu precisava falar com você. – Harry fez seu caminho até a cozinha e sentou em um dos bancos altos do balcão de mármore.

- E eu pensando que você estava aqui por um motivo completamente diferente. – Blaise pôs-se atrás do moreno, sussurrando em seu ouvido. – Um que não envolvesse muita conversa.

- Blaise, é sério. Eu tentei falar com Hermione, mas ela se recusou a me dar qualquer tipo de opinião. – O moreno passou a mão pelo rosto, enfiando-a entre as mechas negras de seu cabelo em seguida.

- É sobre Malfoy, não é? – O outro rapaz foi até a geladeira e tirou duas garrafas de cerveja, abrindo-as e estendendo uma para Harry, que tomou dois goles antes de confirmar com a cabeça. – Capítulo dois de "Você acha que tem toda sua vida resolvida até que Draco Malfoy aparece e fode com tudo".

- Esse é um título muito longo, você não acha? – Ele brincou.

- Pode ser. Eu tenho outras ideias como "Draco Malfoy fode sua vida – Parte II", "Fazendo merda, por: Draco Malfoy" e "Destruindo vidas à Draco Malfoy". – Blaise listou, contando em seus dedos. – Mas por enquanto o primeiro resume melhor a situação.

- Seria um best-seller. – O moreno tomou mais um longo gole de cerveja e soltou o ar pesadamente. – Eu falei com ele.

- Quando? – A voz do rapaz negro soou consideravelmente mais aguda devido ao choque da surpresa que ele estava tentando esconder.

- Semana passada. – Harry deu de ombros.

- Semana passada? E você só está me dizendo isso agora? Fique sabendo que eu estou me sentindo extremamente ofendido, Harry. – Blaise sentou no banco ao lado de Harry sem muita cerimônia, encarando o moreno com um olhar inquisidor. – Vamos, diga logo, como foi?

Pelos seguintes trinta minutos, Harry falou tudo. Ele repetiu o que Draco lhe havia dito, palavra por palavra. Depois ele explicou a Blaise o que ele pensava sobre as confissões do loiro, tentando fazer com que Blaise entendesse suas inseguranças e dúvidas.

- Você acreditou no que ele disse? – Blaise perguntou, depois de Harry ter terminado de falar, sem nenhum tipo de julgamento em sua voz, apenas curiosidade. – Sobre ele ter voltado para Little Aiming por que aqui ele pode fazer a diferença?

- Você acha que ele está mentindo? – Harry rebateu a pergunta, ainda assim apenas por curiosidade.

- Ora, eu não estou dizendo que não existe nenhuma bondade dentro daquele enorme coração dele, – Ele dramatizou, colocando a mão sobre seu peito, do lado do coração. – mas eu acho que deve haver outros motivos. Talvez fosse uma chance de fugir do pai dele. Ou talvez ele tenha voltado por sua causa.

- Você acha? – As íris verdes de Harry brilharam como um pisca-pisca de uma árvore de natal, mas sua expressão continuou sem nenhuma emoção aparente.

- Não crie muitas esperanças, Harry. – Blaise pousou sua mão no ombro de Harry, reconfortando-o com uma leve massagem. – O que eu quero dizer é que você deveria perguntar a ele. Há várias possibilidades e variantes, se ele foi honesto quanto ao motivo de ele ter ido para Londres, vale a pena tentar obter a verdade sobre sua volta.

- Eu não sei se terei outra chance de falar com ele.

- Não é como se você não soubesse onde encontrá-lo. – Blaise subiu sua mão até o maxilar de Harry, virando seu rosto para si. – Harry, eu sei que você quer isso, eu sei que você quer entender, e você merece essas respostas. Então, por favor, não me faça ter que arrancá-las daquele traseiro pálido do Draco.

- Você faria isso? – Harry riu.

- Bem, eu não sei o que ele andou fazendo todos esses anos para ter toda aquela aprovação física agora, mas eu poderia me aproveitar bem de toda aquela palidez, entende? – Ele piscou e os dois caíram juntos na gargalhada. Quando apenas o fantasma de um sorriso restara em seus lábios, Blaise inclinou-se e beijou a têmpora de Harry.

- Obrigado, Blaise. – O moreno virou sua cabeça e colou seu nariz ao do outro rapaz. – Eu preciso pensar.

- Oh, e nós dois sabemos que você vai precisar de um longo tempo para isso. – Blaise riu e recebeu um empurrão com o ombro de Harry.

- Eu falei com Bill e estou de folga esse final de semana, Dean disse que pode assumir por mim. Agora é só rezar para que nada de muito urgente aconteça. – Ele tomou o último gole de sua cerveja e levantou-se. – Eu estou indo para a Cidade, vou passar o final de semana na casa dos meus pais. Amanhã eles querem começar cedo a arrumação para a festa e pediram minha ajuda. Você vai?

- Little Aiming inteira vai, Harry. – Blaise disse com certo entusiasmo enquanto o seguia até a porta. – É o aniversário de 30 anos de casamento dos seus pais, sem falar que todo mundo adora eles.

- E eu se fosse você aproveitava bastante, porque isso é o mais perto que você vai chegar de um casamento de 30 anos. – Harry olhou por cima do ombro e sorriu para o amigo. – Ninguém te aguentaria por tanto tempo.

- Faça os cálculos, Harry. Nós nos conhecemos há 15 e isso já é meio caminho andado. – Num movimento rápido, Blaise havia imprensado Harry entre a porta e seu corpo. – E eu duvido que você seja capaz de resistir a mim por tanto tempo.

- Eu sinceramente não sei como eu resisti até agora. – O moreno puxou o quadril do outro rapaz, colando-o ao seu.

- Depois de tanta tensão sexual acumulada, imagine como vai ser fantástico. – Ele sussurrou no ouvido de Harry e em seguida mordeu o lóbulo de sua orelha, fazendo um arrepio descer pela espinha do rapaz.

- Oh, okay, golpe baixo, Blaise. – Harry deu um murro leve na barriga do negro. – Você sabe que ai é meu ponto fraco.

- Eu posso ir ainda mais baixo se você quiser. – Blaise deu o sorriso mais sacana possível, sua mão fazendo uma pequena massagem no lugar onde havia sido atingido.

- Fica pra próxima. – Rolando os olhos, Harry desencostou-se da porta para poder abri-la. – Eu ainda tenho que falar com o Oliver.

- E o que você vai dizer? – Ele fez uma careta, prevendo a conversa desagradável que Harry e Oliver teriam. – Você vai contar sobre Draco?

- Eu não sei exatamente. Eu gosto muito dele e me sinto um merda por estar deixando-o de lado desse jeito, mas eu não consigo evitar.

- Você vai machucá-lo uma hora ou outra, Harry, você sabe disso. – Blaise cruzou os braços e encostou-se ao batente da porta.

- Eu estou tentando adiar esse momento.

- Isso só vai tornar as coisas piores.

- Blaise, não está ajudando. Eu estou tentando entender tudo isso, enquanto penso em como lidar com o Oliver e com o Draco ao mesmo tempo. – A voz do moreno soou estrangulada. – Eu sinto como se fosse explodir a qualquer momento.

- Eu sei, eu entendo, mas não são apenas seus sentimentos que estão em jogo, Harry. Oliver dedicou dois anos da vida dele ao relacionamento de vocês e de repente aparece esse outro cara que parece ter controle sobre você como um ventríloquo sobre uma marionete. – Blaise explicou urgentemente. – Eu sei que durante esse tempo todo você esteve esperando pelo Draco, desejando que fosse ele no lugar do Oliver, mas não é justo com nenhum de vocês dois.

- Tem mais alguma coisa que você gostaria de me dizer pra me fazer sentir mais horrível ainda? – Harry cruzou os braços e encarou Blaise, expirando o ar com força após alguns segundos. – Eu estou tão cansado de pensar, de sentir. Eu queria não sentir nada.

- Ai você não seria o Harry que eu sou louco para levar pra cama. – Blaise puxou Harry para um abraço, afagando suas costas. – Eu sei que tudo isso é realmente muito fodido, mas vai ficar tudo bem. E no final eu posso consolar o Oliver.

- Meu Deus, Blaise. – Ele riu e afastou-se. – Obrigado. Deseje-me sorte. Vejo você amanhã.

- Boa sorte. Esteja pronto para mim amanhã! – Blaise anunciou, empurrando o moreno pela bunda em direção ao elevador.

Suas mãos tremiam levemente enquanto Harry esperava – agora sozinho – pelo elevador. Ele sinceramente não sabia o que esperar de Oliver. Ele não sabia nem ao menos o que dizer para o rapaz. O moreno estava criando um diálogo em sua cabeça quando se abriram as portas do elevador, revelando um Neville parecendo distraído.

- Harry! – Ele exclamou assim que seus olhos fixaram-se no rosto do rapaz. – Eu estava indo até seu apartamento agora mesmo!

- Oh, que coincidência. – Harry forçou um sorriso e pôs-se ao lado de Neville. – Eu estou indo até o apartamento de Oliver agora, se você quiser eu posso passar no seu quando sair de lá.

- Não é necessário, isso não vai levar muito tempo. – Ele fez um sinal indiferente com a mão. – O negócio é que eu comprei um presente para seus pais junto com um cartão e assinei meu nome e o de Luna, mas ela disse que presentes feitos à mão tem mais significado, então ela quer fazer um. É claro que eu ainda vou dar a eles o que eu comprei, mas eu queria saber do que eles estão precisando. Algo que Luna possa fazer, claro.

Harry apenas piscou, se sentindo sobrecarregado e confuso. Neville permaneceu pacientemente encarando-o com um sorriso amigável. Harry precisou de algum tempo para conseguir processar as informações que o outro rapaz havia despejado sobre ele e foi nesse momento que a porta abriu-se para o 2° andar – o de Oliver.

- Hm, minha mãe estava comentando algo sobre os encostos que ela viu nas cadeiras dos jardins dos Malfoy e comentou que Luna as havia feito. – Harry lembrou-se de repente. – Ela pareceu realmente ter gostado.

- Oh, mesmo? - Neville sorriu satisfeito. – Obrigado, Harry! Até amanhã.

- Até mais, Neville!

Ele acenou até a porta fechar-se e então era apenas ele e o corredor vazio. Andando sem pressa, Harry parou em frente à porta de número 3 e apertou a campainha. O som que ecoou dentro do ambiente serviu como um gatilho, fazendo o coração de Harry disparar em seu peito. Não demorou muito para que Oliver abrisse a porta e quando ele o fez, ele tinha o sorriso mais incrível em seus lábios.

Sem nenhuma saudação ou aviso prévio, Oliver segurou o rosto de Harry entre suas mãos e o beijou calmamente. Alguns longos segundos depois ele olhou no fundo dos olhos de Harry e segurou sua mão, puxando-o para dentro do apartamento.

- Precisamos conversar. – Harry quebrou o silêncio.

- Eu sei. – Oliver concordou e continuou puxando-o pela mão até que ambos estivessem sentados no sofá, um de frente para o outro. – Você quer começar?

E Harry começou. Olhando fundo nos olhos de Oliver ele sabia exatamente o que dizer. Ele não contou sobre seu passado com Draco, nem sobre seu presente. Harry apenas disse como ele estava se sentindo: confuso. A expressão contente foi escorregando do rosto bonito de Oliver enquanto o moreno falava, e no final ele não estava nem ao menos olhando para Harry.

- Você está terminando comigo? – Oliver perguntou num sussurro. – Dois anos e você está confuso? Sobre o que exatamente? Depois de tanto tempo você não sabe como se sente? É isso?

- Eu sei perfeitamente como eu me sinto, Oliver, eu sempre soube. Eu só espero que você entenda...

- Entender o que, Harry? Explique que porra você espera que eu entenda quando tudo parecia perfeitamente bem e de repente você não se dá nem ao trabalho de retornar minhas ligações? – Oliver havia aumentado o volume de sua voz e agora estava de pé.

- Perfeitamente bem? – Harry gritou de volta. – Em que mundo você está vivendo, Oliver? Por favor, me diga, porque nada tem estado perfeitamente bem há muito tempo.

- Desde aquele dia no bistrô você vem agindo como seu eu fosse um completo estranho que invadiu seu mundo em busca de um pouco de atenção.

- Pois é exatamente assim que eu me sinto! Nós estamos no automático, Oliver. As mesmas conversas, os mesmos toques, as mesmas palavras. Você não percebeu por que não quis, mas eu cansei.

- Quem é ele? – Oliver o encarou.

- O quê?

- Quem é o cara com quem você anda dormindo?

- Foda-se, Oliver! Você pode dizer o que quiser de mim, me chame de egoísta, de aproveitador, a merda que você quiser, – Harry foi falando com os dentes trincados, os punhos cerrados e um olhar cortante. – mas não ouse me acusar de infidelidade!

- Oh, sempre tão santo. – Oliver provocou-o com ar sínico. – Nesses dois anos nos quais estivemos juntos, você nunca foi atrás de mais ninguém?

- Eu deduzo que você sim. – Ele esperou que Oliver negasse, ele realmente queria que ele negasse, mas quando isso não aconteceu, Harry explodiu. – Eu não acredito que eu estive me sentindo um merda ultimamente por que eu me importava com como você poderia estar se sentindo quando você estava sendo um grande filho da puta atrás de outros caras pra beijar sua bunda.

Quando Oliver apenas riu, Harry podia jurar que sua visão havia avermelhado. No segundo seguinte, o outro rapaz estava choramingando, seu rosto virado para o outro lado e sua boca cheia de sangue enquanto os nós da mão de Harry latejavam dolorosamente.

- Eu sou muito cego por não enxergar o merda que você é, Oliver. Mas sabe qual é meu consolo? – Harry perguntou e esperou que Oliver abrisse os olhos e olhasse para ele antes de responder. – Eu nunca te amei.

Sem esperar por qualquer resposta ou reação, Harry deu as costas e saiu do apartamento, batendo a porta atrás de si. Abrindo e fechando o punho em busca de algum alívio, o moreno seguiu para as escadas, pois àquela altura ele não teria paciência para esperar o elevador.

Ele havia acabado de descer o primeiro lance de degraus quando se viu de frente a Cedric, que ofegava discretamente, seu cachorro balançando o rabo enquanto o seguia escada à cima alegremente.

- Harry! – Ele exclamou cheio de contentamento. – Você andou sumido! Aposto que Oliver já deve ter ido tirar satisfações. Você veio falar com ele?

Harry apenas o encarou, sua mente parecia conturbada demais e a dor na sua mão não era irrelevante. Cedric então riu, continuando a subir as escadas, dessa vez mais devagar, ao que ele ainda falava com o moreno.

- Ele não estava em casa? – Cedric soltou um muxoxo e depois sorriu. – Ele anda fazendo isso ultimamente. Se você quiser, eu posso dizer que você passou por aqui. Garanto que no segundo seguinte ele vai estar na sua porta.

- Se você tiver o desprazer de encontrar com ele, Cedric, diga que eu não quero vê-lo na minha frente nunca mais. – Harry respondeu com forçada simpatia e continuou descendo os degraus.


Na casa de seus pais o clima era outro. Enquanto Lily e Molly estavam na cozinha, seus aventais sujos e vários aromas se misturando, saindo da meia dúzia de panelas no fogão, James e Arthur estavam na sala arrastando móveis para a garagem e armando mesas.

- Eu pensei que vocês só começariam com a arrumação amanhã! – Harry exclamou, pendurando seu casaco no gancho aposto a porta.

- Harry, querido! – Molly praticamente gritou, limpando suas mãos rapidamente num pano que estava esquecido sobre a mesa antes de vir abraçá-lo. – Oh, Lily, você devia prendê-lo aqui e alimentá-lo corretamente, veja como ele emagreceu.

- Você está lindo, filho. – Lily sorriu docemente e beijou a bochecha de Harry.

- Harry, meu rapaz, como você está? – Arthur o cumprimentou com um breve aperto de mãos e uns tapinhas nas costas. – Eu estava agora mesmo comentando com seu pai o ótimo trabalho que você está fazendo no jornal. Bill só tem elogios!

- Obrigado. – O moreno sorriu quando seu pai bagunçou seu cabelo antes de jogar seu braço sobre os ombros de Harry.

- Está preparado para arrastar alguns móveis? – James perguntou.

- Estarei pronto em um segundo. – Harry fez um sinal para a cozinha e seguiu até lá.

- Ron e Hermione devem estar chegando a qualquer minuto, Harry. – Molly avisou animada. – Eles se ofereceram para ajudar.

- Claro, se ofereceram, não houve nenhuma pressão. – A ruiva brincou, fingindo estar concentrada na panela à sua frente.

- É da natureza de Ron se oferecer para esse tipo de coisa. – Harry riu, abrindo o freezer da geladeira e pegando uma bolsa de gelo.

Harry percebeu quando sua mãe lançou em sua direção um olhar preocupado e questionador, mas ela permaneceu calada. Perguntar qualquer coisa na frente de Molly não faria com que ele falasse, já que a mulher provavelmente faria um grande drama da situação.

Sua mão estava próxima de estar completamente anestesiada quando a porta abriu para admitir Ron. O ruivo foi recebido calorosamente, da mesma forma que Harry fora, a única diferença foi o pedaço de torta que Molly o obrigou a comer, mas a qual ele parecia mais do que contente em consumir.

- Hermione está de plantão hoje? – Harry perguntou quando eles posicionaram uma das poltronas da sala no porão, próximo ao lugar onde as outras se encontravam.

- Não. – Ron ofegou. – Ela teve o turno matinal e depois foi pra casa para resolver alguns detalhes do casamento. Eu vim direto da unidade.

- Acho bom ela aparecer ou sua mãe vai começar a dizer que ela não é digna de casar com você. – Harry riu.

- Ah, ela estará aqui a qualquer momento. – Ainda com a respiração acelerada, o ruivo sentou-se na poltrona que eles haviam acabado de trazer e Harry o olhou com uma sobrancelha levantada.

- O que você está fazendo? Nós ainda temos muitos móveis para arrastar.

- Harry, Mione me contou. – Ron disse de repente. – Sobre Draco Malfoy.

- Mas que merda, Hermione. – O moreno reprimiu-a como se ela estivesse por perto, passando a mão pelo rosto e respirando profundamente. – Por que ela tem que contar tudo?

- Ora, ela é minha noiva, Harry. Nós vamos nos casar em dois meses e não devemos viver nosso relacionamento à base de mentiras. – Ele explicou como se houvesse ensaiado a resposta.

- Isso não seria uma mentira, Ron, seria uma omissão. – Harry exasperou-se.

- Chame do que você quiser. – Ron fez um sinal indiferente com a mão e levantou-se. – Esse cara parece ser um idiota, mas é um idiota que gosta de você. Eu sei que você vai fazer o que é certo, Harry.

- Desde quando você dá conselhos?

- Eu não sei! – O ruivo exclamou nervosamente. – São as mulheres, parceiro, elas entram na sua cabeça e bagunçam tudo. Meus próprios pensamentos tem a voz da Hermione. Eu acho que vou enlouquecer.

- Ela é sua noiva, vocês vão se casar em dois meses, isso é apenas o começo. – Harry o consolou dando leves tapas em suas costas, ainda que rindo.

- Se você soubesse a sorte que tem. – Ele suspirou e os dois fizeram o caminho de volta para casa. – E quanto ao Oliver?

Antes que Harry pudesse sequer ficar com raiva diante à citação de tal pessoa, seus braços estavam cheios com um abraço de Hermione, que viera correndo e gritando seu nome.

- Eu acho que seria bom você saber que fui eu quem colocou uma aliança no seu dedo. – Ron comentou, observando os dois com um pequeno sorriso.

- É algo a se considerar. – Harry concordou com tom divertido.

- Ora, calem a boca, vocês dois! – A morena resmungou e olhou para Harry com seriedade. – Cedric me contou o que aconteceu. Depois que ele encontrou como você, ele foi até o apartamento de Oliver. Cedric disse que ele estava machucado, então eu fui lá para ajudá-lo e ele me contou toda a história.

- Oh, contou mesmo? – Ele perguntou sarcasticamente. – Oliver contou que estava por ai com outros caras enquanto eu me sentia mal ou ele simplesmente disse que eu apareci lá e soquei a cara dele sem nenhum motivo aparente?

- Bem, ele pode ter deixado alguns detalhes omitidos. – Hermione cruzou os braços e o olhou com pena.

- Hermione, não me olhe assim, você sabe que eu odeio. Eu estou bem. – Quando Harry ergueu as mãos na defensiva, Hermione viu o padrão arroxeado que sua pele estava adquirindo e o lançou um olhar cético. – Minha mão está doendo um pouco, mas não é nada demais, eu estou ótimo. Acabei de tirar um peso da minha consciência, agora eu só preciso falar com o Draco.

- Oliver estava com outros caras? – A voz de Ron soou forçadamente contida. – Eu acho que amanhã, quando as calças dele estiverem pegando fogo, não vai haver ninguém a disposição para ajudá-lo.

- Eu agradeço. – Ele riu. – Mas não é necessário. Eu estou com as consequências da minha raiva bem aqui. – Harry levantou a mão novamente e colocou-a bem em frente ao ruivo. – E foi realmente muito bom poder fazer isso, mas foi o suficiente.

- O suficiente? Harry, eu quero dar uma nova pintura na parede daquele apartamento sem graça onde ele mora e a cor que eu tenho em mente só pode ser encontrada dentro da caixa craniana dele.

- Ron! – Harry exclamou e os três riram. – Vamos, nós temos alguns móveis para carregar.

- Oh, logo quando eu pensei que havia perdido toda a diversão. – Hermione jogou um braço sobre os ombros de Harry e o outro sobre os de seu noivo, os três juntos seguindo o caminho de volta para a casa.