Capítulo VIII

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— Sr. Potter?

Harry ergueu os olhos da tela do computador e de parou com sua nova secretária parada na porta de sua sala.

— Sim, o que deseja, Belinda?

— É que a recepção do prédio acabou de informar que tem uma pessoa lá embaixo que deseja vê-lo, mas ela não tem hora marcada. Assim, querem saber se podem deixá-la subir?

— Quem é a pessoa?

— O nome é Nita.

— Nita?! — O moreno meneou a cabeça, repassando mental mente a lista de todos os seus contatos profissionais. — Não conheço ninguém com esse nome.

— Bem, ela disse que é sua amiga, o sobrenome é "We" alguma coisa, que agora não consigo lembrar.

— Weasley? Por acaso o nome seria Gina Weasley?

— Sim, é isso mesmo. Oh, desculpe. —Belinda acrescentou rapidamente, percebendo a gafe que cometera. — Deveria ter anotado. Prometo que farei isso de agora em diante, Sr. Potter.

— Tudo bem. Diga para mandarem Gina subir, ou melhor, deixe que eu mesmo desço para falar com ela — falou, levantando-se, pegando seu casaco e a pasta e começando a se dirigir para a porta. — Deveria sair para almoçar em meia hora mesmo, vou aproveitar e fazer isso agora.

Belínda respirou aliviada por vê-lo seguir diretamente para o elevador, pois isso a livrava de mais uma bronca por ser tão desorganizada.

Harry ainda lançou um olhar desaprovador em direção à garota, mas seus pensamentos estavam longe dali naquele instante. Enquanto esperava pelo elevador, ficava se perguntando o que teria levado a ruiva até seu escritório, no centro financeiro de Nova York. Muito provavelmente, ela deveria estar ali por perto e decidira passar para verificar se não poderiam almoçar juntos.

A não ser que... Harry foi dominado pelas lembranças de Gina aparecendo inesperadamente na sacristia da Igreja Sagrada Mãe, em uma triste tarde de junho, há mais de quinze anos. E se Gina estivesse ali agora para lhe dar outra notícia ruim?

Não, se este fosse o caso ela apenas lhe telefonaria, não precisaria aparecer em seu escritório no meio do dia como estava fazendo. Ou não... Afinal, e se algo tivesse acontecido com seus pais na Flórida? Quando falara com os dois, na noite anterior, seu pai estava tossindo muito e parecia respirar com dificuldade. Bem, poderia ser apenas uma gripe, mas...

Ah, não! Não era nada daquilo, estava começando a ficar paranoico com algo que não devia passar de um simples encontro casual entre amigos. Por que será que nos últimos tempos tendia a exagerar tudo o que se relacionava a Gina? Era como se, de uma hora para outra, ela lhe parecesse, mais atraente, mais interessante, mais maravilhosa, mais apaixonante... Mais tudo.

O elevador finalmente chegou e ele entrou, olhando para o relógio de pulso que usava. Nossa, tinha que visitar um cliente em menos de uma hora, portanto, se Gina estivesse ali para convidá-lo para almoçar, como seu lado mais prático e racional fazia questão de insistir que era a resposta mais plausível para aquela visita, não poderia acompanhá-la.

Ao chegar ao térreo, desceu rapidamente e a avistou sentado em um dos sofás ao lado do chafariz da recepção.

Ao vê-la reconheceu imediatamente a postura dela. A mesma que ela adotava quando algo estava errado. Costas exageradamente eretas e mãos apoiadas sobre os joelhos. Ou... aquilo não era um bom sinal.

— Gina?

Ela ergueu o rosto para encará-lo.

— O que você está fazendo aqui? — Harry insistiu em saber. — Por acaso alguém...?

— Você quer dizer "quem morreu", não é Harry? — A medida que falava, os lábios rosados abriam-se em um leve sorriso.

O moreno sentiu um nó na garganta, e o coração disparou em seu peito. Era uma mescla de medo em antecipação ao pior.

— Alguém morreu?

— Por Deus, não! Eu só estava me referindo ao que disse a mim no dia em que fui procurá-lo na sacristia para contar que Cho tinha desistido do casamento. Você olhou para mim do mesmo jeito que está fazendo agora e perguntou quem havia morrido. Lembra? Eu disse...

— Sim, lembro-me muito bem — respondeu com impa ciência. — Mas se ninguém morreu, o que a traz aqui no meio da semana, e por que está aí sentada assim?

— Assim como?

— Ah, com esta postura ereta, as mãos nos joelhos, como se estivesse se preparando para dar uma notícia ruim a alguém ou tentando reconfortar a si mesma, sei lá.

— Estou sentada assim porque preciso de um pouco de dignidade depois de ter passado horas espremida no metrô, meu caro — revelou, com uma careta. — Além do quê, eu estava nauseada quando cheguei aqui, e esta postura ajuda a melhorar minha oxigenação. Mas, só para sua informação, ainda sinto como se pudesse vomitar a qualquer momento.

Instintivamente, Harry deu um passo atrás.

- Ouça, não me leve a mal, Gina, mas tenho de ir para Chicago amanhã bem cedo e não posso me dar ao luxo de Pegar uma virose ou seja lá o que você tiver.

— O que tenho, Harry Potter, você não pode pegar — disse ela, com um sorriso maroto.

— Por quê? O que é isso? Indigestão? Contaminação alimentar? Espere, deixe-me adivinhar. Andou comendo comi da chinesa outra vez e exagerou nos molhos. Eu bem que disse que deveria evitar muito molho de soja, Gininha.

— Harry, o que tenho não tem nada a ver com o que comi! — Gina levantou-se de um salto e encarou-o, ao mesmo tempo em que colocava as duas mãos nos ombros largos e musculosos. — Sente-se.

— O quê?

— Disse para sentar-se. Será melhor ouvir o que tenho a dizer sentado.

— Bem que desconfiei que era notícia ruim.

— Harry...

— Claro, você também exigiu que eu me sentasse antes de me contar que Cho tinha me abandonado no altar. Pois não quero me sentar agora e...

— Sente-se, Harry! — repetiu num tom que não admitia recusas.

— Não quero, diga logo o que aconteceu que o resto eu dou um jeito.

— Está bem. Se prefere assim, seja feita a sua vontade. Depois não diga que não avisei.

— Dá para deixar o suspense de lado e ir direto ao ponto?

— Claro. Estou grávida, Harry.

Ele sentiu os joelhos fraquejarem e as pernas tremerem, mal podendo conter o peso de seu corpo.

— Viu? Não disse que era melhor ter se sentado? — Gina fez chacota, empurrando-o até o sofá preto junto ao chafariz.

Desta vez, Harry não protestou. Em vez disso, murmurou algo parecido com:

— Do que está falando? Como assim, grávida?

— Grávida, ora. Dá para acreditar nisso.

— E do grandalhão com quem saiu o mês passado?

— Grandalhão? Do que está falando?! — Ela indagou, sem entender o que ele dizia.

— Bem, quando saí com Susannah, fomos até a cantina do George, que disse que você tinha estado lá com um sujeito grandalhão — Harry falou, referindo-se à noite em que estivera melhor cantina italiana do bairro e o dono, um de seus amigos de infância, falara sobre Gina e seu estranho acompanhante. Sim, ele tinha conhecido a famosa Susannah, uma mulher bonita e agradável, mas que perdia todo o seu brilho se comparada a ruiva.

— Sujeito grandalhão?!

— Por isso estou me perguntando se ele não é o pai deste bebê. Quero dizer, o tal sujeito, não George, é claro.

Gina lançou um olhar fulminante em sua direção.

— Seu idiota! Você é o pai. Acha que vou para a cama com qualquer um que conheço? Além disso, o tal grandalhão era apenas um amigo de Guilherme que queria conhecer o bairro para escrever um artigo sobre a imigração italiana.

— Eu sou o pa... pai? — gaguejou o moreno, confuso.

— Sim. Finalmente entendeu, Harry Potter. Você é o pai do bebê, como planejamos que seria.

Harry sentiu um sorriso emergir de seus lábios, ao mesmo tempo em que tentava processar todas aquelas informações desencontradas. Sim, ele era o pai, mas como poderia ser isso se havia dormido com Gina havia mais de um mês e meio e ela lhe dissera com todas as letras que não poderia estar grávida porque já havia menstruado?!

— Não estou entendendo, Gi. Se está dizendo que o filho é meu, acredito, mas já faz quase dois meses que... Bem, você afirmou não estar grávida e o nosso teste deu negativo.

Ela sentou-se ao lado do moreno e segurou-lhe as mãos com carinho.

— O teste falhou, Harry. Aparentemente, é muito comum isso acontecer no início da gestação.

— Mas você me disse que tinha menstruado e que não poderia estar grávida?!

— Sim, mas me enganei. Quando falei a minha médica sobre isso esta manhã, ela explicou que pequenos sangramentos são comuns acontecerem no início de toda gestação e isso confunde as mulheres, principalmente as marinheiras de primeira viagem como eu. Só depois que falei com a médica percebi que meu fluxo foi bem menos intenso do que o normal. Na verdade, fui ao médico porque estava me sentindo mal e só então dei-me conta de que este mês ainda não havia menstruado. — Ela sorriu ao ver a expressão embasbacada no rosto anguloso. — Desculpe, informação demais de uma só vez, não?

— Não! Só estou tentando... acostumar-me com o fato. Mal posso acreditar. Você está grávida mesmo? Conseguimos o que queríamos na única noite em que passamos juntos?

— Sim, uma noite foi o suficiente. Por que acha tão estranho? Não se lembra da aula sobre reprodução humana que a irmã Agnes nos deu na oitava série? — falou, começando a se levantar, e ao fazê-lo, desequilibrou-se momentaneamente.

— Cuidado! — Harry a segurou pelo braço, obrigando-a a sentar-se outra vez. — Não se pode levantar depressa assim.

— Uau, isso vai ser muito interessante! — exclamou Gina, rindo.

— Isso o quê?

— Você me tratando com todo este cuidado. Vai fazer isso sempre, de agora até o final de maio?

— O bebê deve nascer em maio?

— Sim, perto do dia vinte de maio, segundo os cálculos da médica.

— Quer dizer que foi ao médico e nem me informou?

— Não foi intencional, Harry. É que não imaginava que pudesse estar grávida, pois para mim havia menstruado o mês passado. Só depois que a Dra. Sanjina me explicou o que estava acontecendo é que entendi. Por isso tenho tido tanto sono.

Harry a fitava ainda sem poder acreditar no que estava acontecendo. Céus, ele e Gina teriam um filho? O filho que tanto desejava!

— E quando irá ao médico? Quero acompanhá-la para saber se tudo está bem? Podemos ir amanhã?

— Não, Harry. Se tudo estiver bem, devemos fazer uma vi sita mensal à médica que fará o acompanhamento pré-natal.

Bebê, pai, acompanhamento pré-natal, tudo aquilo era novo na vida dele, mas ele estava fascinado. De repente, uma imagem inesperada formou-se no fundo de sua mente.

Uma imagem de Gina carregando um pequenino ser embrulhado em um lindo cobertor branco e sorrindo para ele com aquele ar maternal e luminoso que toda mulher exibe depois de dar à luz.

— Você está bem, Harry? — ela indagou, preocupada.

— Claro! Estou ótimo — garantiu, afastando a imagem do futuro de sua mente e procurando se concentrar apenas no presente. — Isso é maravilhoso demais para ser verdade. Quase não posso acreditar que esteja, de fato, acontecendo.

— Imagino que não. — Gina sorriu para ele com ternura.

— Você está com medo? — De repente, ocorreu-lhe que seria ela quem ficaria com a parte mais difícil do plano. — Prometo que farei tudo o que puder para que você passe tranquilamente por isso.

Gina riu e beijou-o de leve na face.

— Isso inclui sair para comprar melancias às três horas da manhã se eu tiver um desejo louco ou desejar comer qual quer coisa difícil de encontrar?

— Por quê? Está com desejo de algo agora?

— Não! — Gina fez uma careta. — Não tenho desejo de nada específico, mas preciso comer algo imediatamente, pois meu estômago está em polvorosa. Sinto-o revirar como se estivesse em um daqueles brinquedos mexicanos de Conney Island.

— Lamento, Gina. Queria muito levá-la para almoçar, mas tenho um compromisso marcado com um cliente. Aliás, a esta altura, ele já deve estar no China's.

— Vai almoçar no China's? Puxa eu daria tudo por uma boa comida chinesa, com pouco molho é claro, muitos legumes e uns biscoitinhos da sorte.

— Eu bem que gostaria de levá-la para almoçar para co memorarmos a notícia, mas não posso fazê-lo, pois este é um compromisso de negócios. Agora pegue isso e vá para casa descansar um pouco — falou, tirando uma nota de vinte dólares do bolso e entregando-a a ela.

— Para que o dinheiro?

— Simples, quero que volte para casa de táxi. Não quero vê-la ser amassada no metrô. Lembre-se, tem um bebê dentro de você.

— Tenho certeza de que não conseguirei esquecer disso nos próximos nove meses — replicou Gina, quando Harry levantou-se e lhe deu a mão para ajudá-la a fazer o mesmo.

— Ótimo, venha. Tive uma ideia. Pegaremos um táxi e você me deixa no China's antes de ir para casa.

— Ah, claro, eu vou para casa almoçar pão com creme de amendoim enquanto você almoça em um excelente restaurante chinês.

Harry parou de caminhar, virou-se para ela e a segurou pelos ombros.

— Gina...

— O que está fazendo?

Lutando contra o desejo que sinto de beijá-la apaixonada mente, ele deu-se conta à medida que afastava a franja longa e ruiva dos olhos castanhos-mel e apertava-a contra seu peito. Se não estivessem em público, e bem diante da corretora, onde mui tos de seus colegas de trabalho costumavam circular, Harry teria sucumbido a tal impulso, porém, em vez disso, comentou com voz embargada pela emoção.

— Gina, tem ideia do quanto isso que está fazendo é importante para mim? Nem sei como agradecer.

Ela sorriu.

— Não precisa agradecer nada. Estou fazendo porque que ro, porque amo você e desejo muito que tenha tudo o que sonha. Eu sonho com a liberdade, você com um filho. Além disso, não estava falando sério sobre o creme de amendoim, só queria provocá-lo.

— Gina, você me dará um filho, é claro que preciso agradecer e sei que nada do que eu possa fazer ou dizer será o bastante para recompensá-la por tudo o que terá de passar.

— Neste caso, poderá aliviar um pouco sua consciência pesada levando-me um bom prato de comida chinesa, com direito a rolinho primavera e biscoitinhos da sorte, quando eu estiver na maternidade e as pessoas tentarem me entupir de canja de galinha, o que acha?

O rosto anguloso iluminou-se com um dos sorrisos mais encantadores que Gina já vira.

— Pode deixar, eu não a decepcionarei.

— Sei que não — Ela falou, seguindo-o até a calçada onde chamaram um táxi. — E tem mais Sr. Potter, lembre-se de que no próximo verão será um dos poucos pais solteiros de Queens a viver integralmente para seu filho. Tem certeza de que poderá fazer isso mesmo?

— Claro que sim! — O moreno garantiu, sabendo que Gina se referia ao que haviam combinado. Ele ficaria com o bebê e o criaria sozinho. Para isso, deixaria de trabalhar e seria pai em tempo integral. Afinal, queria viver cada momento da vida de seu filho, vê-lo crescer, dar o primeiro sorriso, pronunciar a primeira palavra, os primeiros passos.

— Não acha que sentirá falta do trabalho? — Ela indagou, parecendo ler-lhe os pensamentos.

— Não, de jeito nenhum.

— Mas pode mesmo se dar ao luxo de ficar vários anos sem trabalhar?

— Gina, passei os últimos quinze anos de minha vida trabalhando na bolsa de valores e investindo tudo o que eu ganhava nas melhores carteiras de ações do mundo. Portanto, fique tranquila que tudo dará certo.

— Eu sei, você já me disse isso, mas fico preocupada e se de repente perceber que ser pai não basta?

— O que mais eu poderia querer da vida, Gina? — revidou, forjando um sorriso. Bem, certamente não uma carreira, mas... — Pare agora mesmo, Harry Potter, ralhou consigo mesmo, tentando banir para longe as lembranças da noite em que a tivera em sua cama e que haviam dormido abraçados como um casal apaixonado. — Isso é a melhor coisa que já me aconteceu e quero viver intensamente cada segundo.

A ruiva sustentou-lhe o olhar durante um longo tempo, então, desviou-o como se também estivesse lutando contra as próprias emoções.

Havia um lado de Harry que queria desesperadamente dizer a ela que desejava mais do que um filho para ser feliz, mais do que apenas a paternidade para completá-lo, mas sabia que não poderia fazê-lo agora, pois a deixaria terrivelmente assustada. Gina perseguia um sonho de liberdade desde que era garota, ela queria conhecer o mundo, visitar países em que nunca estivera, ver pessoas e culturas que jamais imaginara existir e, durante muitos anos, este sonho tivera de ser postergado para que ela ajudasse a cuidar dos irmãos e do pai. Agora que finalmente ela tinha a chance de concretizá-lo, não tinha o direito de impedi-la. Quem sabe, após viver tudo aquilo que sonhava viver, a ruiva voltaria para Queens, para o filho que teriam juntos e... para os seus braços.

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— Gina, vou buscar sua avó no aeroporto na sexta-feira — anunciou Arthur Weasley, parado na soleira da porta da sala de estar. Ele estava usando seu pijama de dormir, uma velha camiseta branca, calção xadrez e chinelos.

Sentada na poltrona reclinada com um livro nas mãos, Gina tomou o cuidado de esconder a capa, para que o pai não pudesse ver o título.

— Tudo bem. Pode deixar que colocarei lençóis limpos na cama de Carlinhos para que vovó possa dormir lá.

Ao dizer avó, Arthur referia-se à vovó Weasley, é claro, pois a vovó por parte da mãe, falecera no ano anterior, sem nunca ter se conformado com o fato de a filha ter morrido ao dar à luz o filho caçula.

— E Gina — o Sr. Weasley prosseguiu —, por favor, tente não colocar muitos cogumelos e pimenta nos molhos esta sema na. Sua norma é alérgica a eles.

— Será que alguém consegue desenvolver novas alergias na idade dela?

— Quem pode saber? — Arthur deu de ombros. — Acho que aos oitenta e seis anos podemos dizer o que quisermos sobre nossa saúde, que as pessoas acreditarão.

Pois é... Especialmente filhos mais velhos que se sentem culpados com o fato de a mãe viver num retiro para idosos e não na casa da família, Gina pensou, mas não ousou ver balizar o que lhe ia na mente. Não que não gostasse de vovó Weasley, ela gostava, e muito, mas sabia que no fundo sua avó abusava um pouco do complexo de culpa do pai por não tê-la trazido para sua própria casa quando ficara claro que não era bom que ela vivesse sozinha.

— Pode deixar, papai — falou com um suspiro. — Comprarei um pouco de lentilhas para fazer com linguine como vovó gosta.

— Obrigado, Gi. Não sei o que seria de mim sem a sua ajuda. Você é uma boa menina.

A ruiva riu. Seu pai continuaria a chamá-la de menina mesmo quando ela estivesse bem velhinha e de cabelos grisalhos, da mesma maneira que vovó Weasley até hoje o chamava de Júnior.

— A propósito, papai. Carlinhos cresceu mais um pouco e perdeu muitas roupas. Vou levá-lo para fazer compras amanhã, depois da escola. O senhor está precisando de alguma coisa?

— Meias. As minhas sumiram todas. Estou achando estranho. Mas com Guilherme e Carlinhos por perto nunca se sabe.

— Prefere as pretas, certo?

— Sim, e, por favor, use o cartão da American Express, pois o Visa estou deixando apenas para pagar as contas do casamento de Luna. Boa noite, filha.

— Boa noite.

Ao ouvir os passos do pai desaparecerem na escada, Gina perguntou-se o que ele diria quando soubesse que estava grávida. Afinal, Arthur Weasley era um homem à moda antiga, não seria fácil para ele aceitar que teria um filho de Harry sem se casarem, não importava o quanto os Weasley gostassem dos Potter, especialmente do moreno. E sua avó... O que ela diria?

Isso não importa, você é uma mulher adulta agora e pode tomar suas próprias decisões, Gina.

Fechou os olhos e quando voltou a abri-los descobriu-se olhando para o livro que estava em seu colo. Ali, nas páginas coloridas, estava retratada a imagem de um feto de oito se manas de gestação, exatamente como o filho de Harry que crescia em seu ventre.

Era incrível que ela, Gina Weasley fosse capaz de gerar um novo ser e de ter uma vida crescendo dentro de si. Pena que aquele milagre duraria apenas até o momento que o cordão umbilical fosse cortado, pois depois disso seu pequeno milagre seria apenas de Harry. Sorriu, imaginando a expressão de deleite que ele exibiria quando isso acontecesse. Estava prestes a dar a ele o maior presente de sua vida, por outro lado, teria de abrir mão daquele presente para viver seu sonho de liberdade.

Movida por um impulso, levou a mão ao abdome ainda plano, consciente do ser frágil que crescia ali e de que faria qualquer coisa para protegê-lo, mesmo se isso significasse ir contra os códigos rígidos de conduta de sua família.

Gina ficou apreensiva durante alguns segundos, então sorriu.

Tudo o que estava acontecendo com ela era aterrorizante, mas ao mesmo tempo maravilhoso. De repente, dava-se conta de que não precisaria esperar até julho ou o próximo verão para embarcar em uma aventura, a maior de todas elas já havia começado: a da maternidade.

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N/A: Ola, como estão vocês?

O capítulo não pode ser adiantado porque ontem foi mais um dia tumultuado, mas hoje dei um jeito de postar antes de sair.

Percebi que o capítulo anterior não foi tão bom assim, mas esse eu acho que melhorou um pouco e confesso que no próximo vcs... Bom... isso vcs irão ver somente segunda-feira (não estarei em casa, então não poderei adiantar o capítulo como vinha fazendo).

Obrigado por todos os comentários.

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RESPOSTA AOS COMENTÁRIOS:

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Edwiges Potter: O capítulo anterior realmente ele nos dá um impressão errada do que vai acontecer, mas tem que ter um leve "revira-volta" na história.

Suas esperanças estavam certas, ela esta gravidíssima! =D

Não sei como existem pessoas tão criativas de forma negativa ao nomear os filhos, as crianças além de sofrerem bullying ainda no futuro terá um enorme trabalho para alterar o nome nos registros, um absurdo. ¬¬'

Espero que tenha gostado do capítulo. Obrigado pelo comentário.

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Dani: Que bom que esta gostando da adaptação, espero que ainda aproveite bastante.

Não tive tempo de postar ontem, mas nem demorei. Rsrsrs

O teste deu errado, o moreno foi muito precoce em já ter feito o teste em duas semanas.

Obrigado pelo comentário, aguardo sua opinião sobre esse novo capítulo.

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Bia Siqueira: Para você ver, eu na maior correria no serviço e ainda dou um jeito de correr ainda mais para postar capítulo novo. Rsrsrs

Eu sempre gosto de reler os livros/fics, e cada vez que releio amo as cenas. Harry Potter nem se fala, acho que o livro que mais reli foi o Enigma do Príncipe.

A música que a autora cita no livro é fabulosa, eu confesso que não a conhecia por nome quando li pela primeira vez, então é óbvio que fui correndo no youtube ver o vídeo dela.

O capítulo anterior ele nos traz algumas incertezas do que irá acontecer, mas tudo isso para ter a costumeira "revira-volta" e praxe. Fez bem em não perder as esperanças, a ruiva esta gravidíssima! =D

Acho que todos os leitores ficaram com dó do Rony e da Hermione, o que posso dizer é que eles vão continuar a aparecer ou ao menos ser citados nos poucos capítulos restantes, mas não terão grande destaque para vocês se envolverem demais com os personagens.

Paulie é um idiota, às vezes acho que deveria tê-lo colocado como Draco, mas não queria dar muito destaque a um personagem que nem o meu ódio cativou.

Felizmente não precisamos impedir esse encontro com a Susannah, pois ele aconteceu mas mesmo assim a ruiva foi superior! xD

Corrupção espiritual? Okay, essa eu ri!

Obrigado pelo comentário, e aguardo sua opinião sobre esse capítulo.

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Gigi W B Potter: Não esquente sobre a demora, o importante é que vc sempre volta! =D

Obs.: Ficarei aguardando a postagem da fic semana que vem.

Esse fim de semana é o meu último antes das aulas se iniciarem (depois volta o tormento de estudar de segunda a sábado – e no meu precioso sábado das 7:50 às 17:00 – sim eu estou muito revoltada com isso), então só terá essa atualização, afinal tenho que aproveitar! =D

Sobre a Susannah, acho que a ruiva acabou com todas as chances dela! Rsrsrs

Esses dois são muito teimosos, ou melhor, essa ruiva com essas ideias de ir embora e não querer se aproveitar do corpo e todo o restante do moreno, mas ... bom... aguardamos próximos capítulos! Rsrsrs

Obrigado pelo comentário.

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Andrea87: Fico contente que esteja gostando dessa fic, que na verdade é sim uma adaptação! =D

No primeiro capítulo que consta a sinopse esta o nome do livro e da autora, para evitar confusão com algumas leitoras, e acredite em mim tem algumas que se revoltam comigo. O.O'

O nome do livro é "Nove meses de amor" - Wendy Thompson.

Pode ficar a vontade em se meter a Beta Reader, opinar, criticar, etc. xD

Sobre a Hermione e Rony, esse livro é bom voltado ao casal principal então receio que talvez ficarei devendo, mas quem sabe um projeto futuro.

Aqui esta o capítulo, então agora sou eu que ficarei no aguardo para saber sua opinião.

Obrigado pelo comentário.