Leon e Carlos afundaram seus pés na neve várias vezes até chegarem a uma cabana. Dentro da casinha estava quente e tinha alimentos. Carlos foi atacando as comidas e nem deu ouvidos aos conselhos de Leon.
- Essa comida deve estar envenenada. Se não morrer, vi ficar com uma baita diarréia.
Vendo que Carlos não tinha morrido ainda, pensou:
"O que não mata, engorda" – e assim abocanhou a refeição.
- Vamos descansar um pouco, sim? – Leon disse.
- É pra já!
Leon acabou cochilando na poltrona. Sentiu um suave perfume que lhe era familiar.
- Claire... – sussurrou ele.
Abriu os olhos lentamente e viu Dominique. Ela estava sentada em cima do carpete. Percebendo que Leon acordou, ela foi logo se explicando:
- Eu vi a Amanda. Ela foi assistir a nossa queda. Saí correndo atrás dela, passei pela Amazônia, Pompéia e agora estou aqui.
- Aposto que, como nós, você não encontrou nada.
- Em parte, sim. Como todas as coisas da Umbrella, essa cabana tem um passagem secreta. É ali na lareira.
- E como você sabe? – perguntou Leon, desconfiado.
- Por que, está duvidando?
Carlos acordou de seu sono e viu a moça loira. Os olhos dele brilharam.
- Dominique!
- Carlos, se eu te dissesse que atrás da lareira tem uma passagem secreta, você acreditaria?
- Certamente.
Dominique olhou brava para Leon, que estava impassível.
- Já que você é a senhora-descobre-tudo, quero ver essa passagem – desafiou Leon.
Dominique então levantou-se e tocou em cada parte da lareira, procurando um botão ou algo do tipo.
- Falta pronunciar as palavras mágicas para a porta secreta abrir – caçoou Leon.
Dominique procurou, mas não achou nada que abrisse a tal passagem. Reparou no fogo da lareira. A coloração era um pouco diferente da normal, imperceptível a distancia.
Sem nada a perder, a mulher colocou literalmente a mão no fogo. Os rapazes ficaram impressionados.
Com o maior cuidado, Dominique virou-se, sorrindo. Abriu uma caixinha que estava nas mãos e estendeu um tubinho com líquido fluorescente.
- Isso é...
- A amostra! – exclamou Carlos.
Uma explosão os jogou para longe e destruiu a cabaninha. Dominique caiu a metros de distância de Carlos e Leon. Ao levantar, certificou-se e viu que a amostra não tinha quebrado.
- Ufa! – disse ela, aliviada.
- Dominique, atrás de você! – gritou Leon.
Uma espécie de Tyrant branco totalmente transformado apareceu. Ele tinha tentáculos que saíam das costas e garras afiadas.
Ao virar-se, Dominique foi pega por um desses tentáculos. Ao ser erguida, ela alcançou sua pistola e atirou no rosto do mostro. Leon e Carlos se aproximavam e faziam o mesmo. Depois de receber uma saraivada de balas, o Tyrant fraquejou, mas não se rendeu e nem soltou a moça. Ela pegou sua faca esfaqueou alguns tentáculos, mas o monstro a apertava cada vez mais forte.
O Tyrant albino então usou suas garras afiadas e fez um buraco no chão e seguiu por ele.
- Dominique!! – gritou Leon.
- Atrás dela! – disse Carlos.
Eles escorregaram pelo buraco que o monstro fez e caíram em um galpão.
Carlos perguntou se Leon estava bem e já foi dizendo:
- Tente achar uma saída. Eu vou procurar a Dominique.
Leon apenas acenou com a cabeça e eles seguiram por caminhos opostos.
Carlos seguiu a trilha fedida e não achou nada. Após horas de busca, o latino voltou á sala, deprimido. Procurou Leon e também não o encontrou.
- Carlos, está me ouvindo? Se estiver, suba as escadas ao norte e venha até a sala de controle – disse Leon através das caixas acústicas da sala, indicando o caminho.
Chegando à sala, Leon perguntou:
- Pelo visto você não encontrou a Dominique.
Carlos acenou tristemente.
- Eu tenho um palpite de onde ela pode estar.
Leon foi até a tela de 42 polegadas e tocou nas opções.
- Está vendo essa parte um pouco apagada do mapa? A legenda indica que essa área está desativada. Esse é o único lugar que eu não tenho acesso daqui. Sem as câmeras, essa parte é inacessível.
- Não para mim – disse Carlos.
- Certo. Eu imprimi o mapa para você. Leve-o. Também achei alguns pentes para sua metralhadora. Como tenho acesso a todos os equipamentos (ou quase todos), vá resgatá-la e eu acompanharei você pelo monitor até onde der.
Carlos não disse nada. Saiu apressado e seguiu o caminho que via no mapa. Ao chegar à área inacessível para Leon, observou e viu que não tinha nada de interessante exceto uma porta colorida.
Ao se aproximar, ele reparou que na verdade a porta estava pintada, parecendo um quadro. Um homem e uma mulher, ambos loiros e parecidos, se beijavam.
Carlos chutou a porta, que desceu escadaria abaixo. Ele fez o mesmo.
Um lugar frio e cimentado se revelou. Ao entrar numa sala chamada "BOW - BRTH", ele ficou impressionado.
Vários vidros comportavam pessoas nuas mergulhadas em líquido roxo. Eles estavam inconscientes. Carlos lembrou-se dos fetos no museu. Observava todos e ficou espantado quando viu um rosto familiar.
- Dominique! Dominique! – gritava ele, socando o vidro sem sucesso.
Foi até um computador e ao inserir várias senhas sem sucesso, esmurrou o teclado.
Ele teve uma idéia absurda, porém a mais apropriada naquele momento.
- Confie em mim – pediu Carlos.
E assim atirou, suas balas acompanhando o contorno delicado do corpo de Dominique. A pressão da água fez o vidro se quebrar e a loira caiu nos braços dele. Carlos tirou seu casaco e vestiu Dominique com ele.
- Me perdoe! – sussurrava ela sem parar.
"Ela está delirando" – pensou ele.
- Está tudo bem agora. Vou levá-la para um lugar seguro.
Carlos carregou Dominique no colo até chegarem a um recinto onde Leon os viu pelo monitor.
- Vou até aí! – disse Leon através do microfone e foi ouvido pelos alto-falantes.
Dominique estava confortável nos braços de Carlos. Se sentia quente e segura. Ele a olhou. Ela estava com a cabeça encostada em seu peito. O rapaz afastou os cabelos dela e aproximou seus lábios dos dela até selar um doce beijo.
- Carlos!
O latino ficou bravo, durou menos do que ele esperava. Tentou esconder sua irritação pela interrupção.
- Ela está bem? – perguntou Leon.
- Vai ficar.
- Imprimi outro mapa. Esse nos levará para as ruas de Londres.
- Vamos depressa, então.
Uma risada desafinada preencheu a sala através dos alto-falantes.
- E pensavam que iam escapar com sucesso? Há, até parece!
Uma abertura no chão se abriu e uma plataforma subiu até alcançar o nível do chão. Era Amanda Ashford.
- Devo agradecê-los. Testaram todos os meus sistemas. É claro que ganharam, mas assim terei a oportunidade de aperfeiçoá-los.
- Se você viver – disse Dominique, agora recuperada.
- Ah, minha queridinha. Sabe que quando duas loiras brigam, a mais bela sai vitoriosa – disse Amanda.
- Então eu já ganhei – desafiou Dominique.
Acionando um controle remoto, Amanda soltaria os Lickers. Já via os animais brincando com a cabeça dos três e fazendo-as de iô-iô. Apertou o botão. Decepcionante. Nada aconteceu.
- Porcaria! – gritou a Dra. Ashford.
Estressada e distraída, ela não reparou que Leon correu e conseguiu chegar à sala de controle e acionou um botão.
O recinto onde Amanda, Carlos e Dominique estavam foi preenchido com a escuridão.
- Mas o que...?
As luzes se acenderam e a voz masculina disse: "Módulo 5 – Pesadelo - Ativado".
Amanda viu que estava sozinha na sala cor de grafite.
- Imbecil! Não tem como me derrotar, eu programei tudo isso!
- Equívoco seu, querida – disse alguém.
Um homem loiro de óculos escuros apareceu. Ele tirou os óculos e olhou Amanda com seus olhos vermelhos e amarelos.
- Albert, o que está fazendo aqui?
- Amanda, você é uma anta assim como seus irmãos. Atraiu-os até aqui e deixou que Leon e companhia roubassem nossa amostra.
- Amostra? Mas eles nunca vão suspeitar de onde as amostras estão guardadas.
- Cale-se. Você já me encheu demais.
Wesker se aproximou e enfiou sua faca na barriga da doutora.
- Não, nada disso é real – dizia ela, deitada com as mãos no ferimento.
- A sua dor é real... E sua morte também!
Ao dizer essas palavras, Wesker atirou uma única vez na testa de Amanda, que morreu na hora.
- E agora, de volta aos negócios! – disse ele, que apertou um botão e a sala voltou ao normal, branca e vazia exceto pelo corpo de Amanda banhada em seu sangue no chão.
