Explicações, comentários e respostas as reviews eu postarei mais tarde, agora preciiiso meeesmo dormir.
Boa leitura depois do hiato!
Crônica de Estados
Parte III – Crônicas DE Estados
Capítulo X – Um conto sobre inúteis.
Já teve a impressão de que os encontros de família...São sempre um desastre?
-Eu não perguntei se tu quer ir, eu disse que tu vai
"Tivemos um começo de ano extremamente complicado e apressado... Manifestações aqui e acolá, crise daquilo, crise disso...Como Brasília anda muito doente para organizar reuniões - E ninguém mais quer reuniões com Rio - eu acabei empurrando com a barriga meu encontro para 'resolver mal entendidos' com São Paulo... Na verdade, voltei aos maus hábitos e meio que me isolei em minha casa...Tendo male má contato por mensagem com Pará, Minas, Bahia e Rio...Até que esse último apareceu um dia na minha porta levando-a abaixo e exigindo que eu fosse com ele para algum lugar...E só no caminho eu descobri onde íamos...
Chegou o dia do grande jantar de família de São Paulo..."
-...Mas eu não fui convidado!
-É claro que não cara! Depois de ter pisado na bola com o anfitrião, ele num ia te convidar mesmo!
-...Mais um motivo para eu não ir...
- vocês não trocam palavras desde o ano passado! Já cansei disso!
"Depois de toda a situação que eu fiquei com ele, eu realmente não queria ir..."
-...Eu já disse que não importa o que tu acha ou deixa de achar! Eu to te convidando e tu vai brô!
-...E se ele me expulsar!
-Ele não vai fazer isso, nem que seja por mim...Ou por Matt, ele também vai com a tua cara
-O Matt vai com a cara até de uma porta!...E se Paraná tentar me matar? Ele tampouco anda de humor! Até onde sei ele e Santa ainda não se entenderam!
-...Olha isso é possível...
-E-e-entãao!
-...Mas pelo que eu andei notando senhor garanhão, muito provavelmente certo mineiro entraria na sua frente e aconteceria uma luta épica.
-...C-cê acha?
-Não, na frente de Sampa não.
-..Ah...
-Mas com certeza rolar umas treta louca vai...O que seria da hora...
-De que lado cê ta?!
- Do meu ué.
"Eu só quero deixar registrado aqui, caso eu venha a morrer nessa confraternização... Que fique para a posteridade... O Estado do Rio de Janeiro é um puta egoísta"
-Eu quero passar bem, e se só tiver o Matt do meu lado, eu fico em desvantagem cara! Porque Sampa sempre vi ficar atrás das crias dele...Cum tu lá, a treta sai de mim e vai pra tu. Mas tu sabe ser fofo, vai sair dessa.
"As vezes tenho vontade de matar esse carioca"
- Em último caso, seu mineirinho te salva, seu garanhão safadão.
-...Espero...
-E é uma boa oportunidade para desculpar-se com Sampa.
-HE?! M-mas eu ...!
-Tu desconfiou dele, o evitou e continua evitando, sem sequer lhe dar a chance de dizer sua versão da história, sério, ainda estou muito desapontado com isso.
-...Não é minha culpa que São Paulo viva atuando!
-Ora! E tu que sempre viu os demais pelas sombras, sabe como ninguém que ele não é metade do mal que tenta parecer! Tu pode ser meu fratrero Espi, mas ele é meu namorado, isso magôo-me também. Não foi apenas a ele que tu trouxe memórias dolorosas.
-...Não foi de propósito...
-Eu sei, e eu amo vocês dois demais para deixar esse mal entendido assim, então vamos os dois.
-...E se eu ainda assim recusar...?
-Vou te contar mais uma coisinha sobre o passado. Me chamavam de "quebra garganta", quer descobrir o por quê?
-...Tudo bem, eu vou...
"...E agora, sobre livre e espontânea pressão eu estou dentro do carro do meu puto fratello indo a puta confraternização...Com o cu totalmente na mão... Foi uma vida boa, não tão longa como de outros Estados, mas foi uma boa vida...
Deixo por escrito meu apartamento para Bahia, minha adega particular, metade para Minas e a outra para Rio Grande do Sul, o meu carrinho e minhas dividas, para meu irmão Rio de Janeiro.
Assinado E. Santo. "
- O que é isso, um diário? - Questionou o fluminense ao volante.
-...Sim, é...E SIM, eu sei que é coisa de menininha.
-...Bem, Sampa tinha um.
- ... Ele te contou isso? Tipo, não teve vergonha?...Cê já leu?
-...Quando tu tem que preencher uma papelada porque um dos escribas da corte cometeu suicídio após ler o que tinha num diário, tu deixa de pensar que é coisa de menininha.
-...SUICIDIO?!
-E não, eu nunca li... Só as histórias que moh conta sobre as bandeiras já me são um trauma suficiente.
-.-.-.-.-.-.-.-.-
-...E então...?
-...
-Ora vamos Minas! No natal ocês durmiram no mesmo quartu! Vai me dizê qui num aconteceu nada?! Ocês estão namorando mesmu agora?!
-...
-Miiinas~
-...Eu não tenho qui te contar essas coisas – Desviou o olhar envergonhado.
-Vaaaamos! Si ocê num falá pra eu, vai faláh pra quem?
-Isso não é da sua conta!
O mato-grossense inflou as bochechas infantilmente.
-Ocê num tem amigos! Si num conta pra eu, vai contá pra quem?! Seus amiguinhos espíritos? AAH!
- MINAS GERAIS ABAIXE ESSA MÃO AGORA! – Paraná aproximava-se com cara de poucos amigos.
Estavam num salão de tamanho médio. Os dois mais novos estavam sentados numa longa mesa de madeira, as suas costas uma pequena mureta delimitava o cômodo, seguido de um vidro até um telhado de telhas que o fechava. O sulista carregava uma travessa de farofa nas mãos.
-Já tivemos o último almoço de novo ano que foe um desastre, vamos tentar fazer esse ser deferente sim? - Colocou a travessa sobre a mesa. – Sampa está tomando banho, daqui a pouco Rio vae chegar, eu ainda estou de olho no leitão então preciso que um de vocês vá abrir o portão.
-...Matt vai – Resmungou Minas levantando-se e vendo o que podia fazer para ajudar na cozinha – E que eu lembre, ocê também num coopero muitu nu último almoço.
-Sim, mas dessa vez estou desposto a levantar uma bandera de paz.
Não demorou muito mais e uma buzina e gritos puderam ser escutados do portão.
-Cheeegooou!
-.-.-.-
A água deslizava por todo seu corpo, escorria, numa velocidade tão agradável... Passava lentamente a mão sobre o braço direito para ajudar a retirar o que restava de sabão, logo a esquerda, passava por seu dorso fino...Delineou com o polegar a cicatriz que possuía no peito...Do pescoço até o quadril. Hoje em dia tão fina e ligeira...E ainda assim eterna.
Lançou a cabeça para trás, mergulhando na água que corria do chuveiro. Sentindo o sol que perpassava pelo teto de vidro atingir suas pálpebras fechadas. Tão relaxado como poucas vezes em sua vida...Aquele lugar lhe tranquilizava...Tanta quanto...
Dormir sobre o tronco de seu amante...Apesar dele ser um barulhento e irritante.
E falando em barulhento e irritante...
- CÊ ESTAVA TENTANDO ME MATAR, ISSO SIM!
-E O QUE EU GANHARIA COM ISSO?!
-MEU CARRO!
-...HÃ?!
Abriu os olhos em meio d'água ouvindo as vozes no portão, já que o banheiro ficava próximo da garagem. Franziu o olhar reconhecendo-as. Suspirou, desligou o chuveiro e passou os dedos por entre os fios molhados, sacudiu as pernas finas e saindo do boxe. Buscou sua toalha estremecendo ao tocar o assoalho com a ponta dos dedos, fazendo os pelos de sua perna arrepiar.
-...Imaginei que iria trazê-lo...- Resmungou para si mesmo, vendo seu rosto pálido e vibrantes olhos pelo espelho.
Foi até o furo de madeira e fechou-o, perdendo a esperança de relaxar ali um pouco antes de encarar o encontro...
Mas, se tudo ocorresse bem talvez ainda usasse a água dali para um...Banho conjunto.
Sorriu um pouco mais animado observando e ouvindo pela cúpula de vidro localizada a propósito em cima do furo. Era um banheiro grande e horizontal, com direito a um pequeno jardim de bambo frente à banheira, e um longo e baixo armário de madeira. Saindo dele dava-se para um grande quarto com uma cama de casal ao centro, evidenciando que se tratava de uma suíte. O quarto era mais simples, embora possuísse um gigantesco armário que fazia par com as madeiras do leito.
Ouviu distraidamente como Espírito Santo reclamava como havia se lesionado na viagem, e o carioca justificava que no caminho havia muitas curvas.
Sentou-se sem qualquer vergonha no colchão completamente desnudo, passando os dedos pela coberta impecavelmente arrumada por Paraná. Seria a primeira vez que alguém deitaria ali com ele...
Deitou-se, fazendo um anjo de neve com os lençóis, fechando os olhos e imaginando se...Ele demorasse para aparecer... O carioca viria a sua procura...?
Melhor não arriscar...Vai que entrava um de seus pequenos..Ou Espi...
Levantou-se de um salto, e entre resmungos resolveu trocar-se...
-.-.-.-.-.-.-
-Certeza que estamos no lugar certo...? – Questionava inseguro o capixaba acariciando seu cotovelo lesionado.
-...Bem...O endereço é daqui...
-...Quer dizer que cê nunca veio aqui?!
-...Não.. – Engoliu em seco -... É...A primeira vez que ele me convida...
Era um grande terreno cercado, em que trepadeiras cobriam os cercados de arame. Era possível ver uma grande casa no começo, amarela de telhas rubras, com um recuo na frente dando um espaço para dois carros, embora como havia uma distancia considerável entre a construção e o portão, provavelmente entrariam mais uns dois.
Mais abaixo o terreno era meio ondulado, irregular, onde se via ainda uma mínima construção que lembrava muito uma capelinha, e mais abaixo outra construção maior contornada de vidro, e na outra ponta um quiosquinho com uma mesa e várias cadeiras. E isso era apenas o que conseguiam ver de inicio.
-Boooooooom diiiiiia! – Exclamava feliz o mato-grossense pulando as madeiras que levavam para a entrada! – Bem vindos ao recanto dos inúteis!
Apontou para a placa, que só então notaram, encontrava-se na entrada de madeira que dizia exatamente isso. "Recanto dos inúteis"
-...Nome original...
-Espi! Achei que mama não tivesse te convidado!
-...Não convidou...
-...Oh...
-Eu convidei
-Aaah!Então está bom! Entrem! Entrem!
Na lateral da casa havia um caminho feito com pedrinhas, para então chegarem a um hall feito de madeira.
-Miiinha noooossaaa!
Ligada a casa amarela estava uma grande construção em madeira, uma segunda construção. Apesar de o terreno ser irregular e totalmente inclinado, pilares ajudavam a erguer na mesma linha da casa outro cômodo, feito completamente de madeira. Primeiro um grande espaço de tábuas horizontais, que trazia consigo uma mesa com quatro cadeiras e uma balança presa as telhas. No final havia outro ambiente com paredes de madeira e grandes janelas de vidro. Ali parecia uma sala com direito a dois sofás, três poltronas, um puf, uma mesa de jogo e um oratório cheio de cristais, ainda a sua frente havia uma espécie de sacada que possuía um banco comprido que dava de frente para todo o terreno da propriedade.
- Ali é onde tomamos café! – Apontou o caçula – Tem uma maquina de café lá, é gostosa, mas eu ainda prefiro o caseirão da mama!
Entre a madeira e o caminho de pedra, havia uma entrada de piso frio que levava a gran construção. O primeiro cômodo era uma grande sala com outra longa mesa de madeira, e um corredor que levava para vários quartos. Porém o que mais chamou a atenção foi uma escada em pleno recinto que levava a um segundo andar suspenso de madeira, que possuía outro sofá, estantes de livros e uma televisão.
-...É...Realmente muito bonito – Comentou Rio de Janeiro de costas para a porta de um dos quartos.
-Não é?! E eu nem mostrei o galinheiro! Ou o vinhedo ou onde vamos almoçar! Aaah! E tem a piscina também!
Mato Grosso seguiu mostrando a casa para o capixaba, mas antes que o fluminense pudesse dar mais um passo, a porta atrás de si abriu, e um par de braços puxou-o para dentro antes de fechá-la.
- M-mas que?!Sampa...? – Deparou-se com o paulistano, sorrindo-lhe malicioso, fechando a porta...Completamente – TU ESTÁ N-
E teve a boca tampada.
-Xiiiu...-Levantou-lhe o queixo, fluminense o observando atentamente sem conseguir evitar de abaixar a vista e cumprimentar Itu. -...É só para...Agilizar as coisas...
E roubou-lhe os lábios com violência, com desejo... De tantas e tantas vezes que desejou trazer o carioca para aquela casa...Aquela cama...Que sem ambos perceberem, Rio já se encontrava deitado sobre, com o paulista ajoelhado em cima, beijando-se sem descanso...Num ritmo que logo ambos estariam desnudos.
-...A-a que vem...Agora... – Tentou dizer tendo a orelha roubada entre mordidas.
- Nós mal nos deitamos desde o ano passado...É motivo suficiente... – Sussurrou, fazendo a coluna contrária arquear. Riu por cima. – Gostou da casa...?
-E-e-encanta-dora...- Dedos dançavam por baixo de sua camisa - ..E-e...Os...outro...Ooh.
São Paulo começou a soprar dentro do ouvido do menor, fazendo todo seu corpo estremecer.
-...Está bem, se a porta está fechada, eles nunca entram no meu quarto...Nunca.
Pararam alguns segundos para respirar, nos quais Sampa apoiou-se contra o tronco agitado do menor.
-...É bom te ter aqui...
-...Por que não...Me convidou antes, então...? – Tentava recompor-se...Mas estando numa cama, com seu amante desnudo em cima...Era uma missão impossível demais para seus hormônios...
-...Por que eu tinha medo...
-...Quê?!
-...Eu sei que parece estúpido...Mas...- Rodou no leito, para posicionar-se de seu lado -...Eu tenho esse lugar a muito tempo...Sério...Muitos anos... O lugar tem até uma capelinha... Caso não tenha notado... Eu tive que reformar várias vezes...Aqui antes era um cafezal... Eu só vinha para cá quando queria me esconder do mundo... - O observou de lado - ... Sempre quando eu sumia na época do café, um dos três ou Bahia vinha procurar-me aqui... O lugar onde eu abaixava a guarda...
Sentiu a mão do carioca acariciando seus cabelos.
-...E tu não podia baixar a guarda 100% Não é?...Tinha uma má imagem a zelar...
-...Isso de menos... Por que... –Fechou os olhos aproveitando o carinho – Para onde eu iria quando não queria que cê me apresenta-se sua nova companhia, ou me convida-se para alguma orgia da coroa... Ou ausentar-me daquelas festas que eram mulheres e mais mulheres do seu lado?...Esse lugar...Depois de um tempo, acabou tornando-se o lugar que eu vinha...Para...Esconder-me de você, desintoxicar-me de você...
O carioca sorriu com doçura, delineando o rosto de seu amante com os dedos... Pelo queixo e logo pelos lábios.
- Então tu convidou a raposa para a toca dos coelhos.
- Não seja ingênuo Rio, só se fosse você o coelho entrando na toca das raposas, amo meus pequenos, mas sei que eles não são nenhum coelhinho fofinho e dócil. ..Bem, talvez com a exceção do Paraná.
- Aaaah, claro...Paraná...
- Ciúmes? - Colocou com malicia
-... Não exatamente. ..
O paulistano convencido que era ciúme, deitou novamente sobre o corpo do menor.
O corpo completamente nu colado as roupas cariocas, as respirações a escassos centímetros, os alentos misturando-se, envolvendo-se...
São Paulo envolveu as bochechas contrárias e uniu suas bocas num beijo fervoroso, envolvente, apaixonado...
Foram obrigados a afastar-se a contra gosto necessitados do vital oxigênio.
-...Eu mal consigo acreditar que você está aqui...- Sussurrou deitado sobre o tronco definido - ...Rio...As vezes eu acho que vou acordar a qualquer momento e descobrir que tudo isso é um sonho...Que nunca estivemos juntos...Nunca aconteceu. ..Você tem essa impressão. .?
-...Sim...- Fez cafuné em seu amante, fazendo o maior esforço do mundo para não pensar no membro desnudo contra sua coxa. - Na verdade. ..S-sim...?
- E o que você faz...? - E Sampa continuava a perguntar tranquilo, como se falassem do tempo.
- ...Te dou meu beijo mais gostoso, e durmo contigo nos braços. ..
- É uma boa idéia - Sorriu de lado, tornando a beijar seu amante quase sentando sobre seu tronco, para sua completa loucura.
E não parou por aí. Beijou os cantos dos lábios contrários, desceu por seu queixo, esfregou felino sua bochecha pelo cavanhaque, lambeu seu pescoço até o pomo de Adão, delineou sua clavícula com mordidas que deixariam marcas, sugou um mamilo e torceu o outro com a mão, seguiu uma trilha de beijos pelo tórax bem formado, descendo pela lateral do quadril...Rio contorcia-se e excitava-se com as carícias, sem saber onde tocar no corpo contrário.
Chegou ao lado do quadril, virando e propositadamente mordendo o pão de açúcar.
-E-ei!
Mas São Paulo não respondeu tão entretido estava, porém para completa perturbação do carioca, não desviava o olhar de seus olhos, bebendo e apreciando cada reação do mais novo.
Um olhar entrecerrado, embebido em paixão, devoção em cada pedaço de pele tocado por seus lábios, e o mais desconcertante de todo e que fazia a mente da velha capital entrar em parafuso, Um carinho...Um amor explícito naqueles olhos enamorados...Queimava, simplesmente queimava
Por isso Rio, mesmo com uma experiência em sexo realmente extensa, mordia sua própria boca, apertava as cobertas com a mão, sentia Paraty desesperar-se embora não estivesse sendo diretamente estimulada, isso porque ainda era um iniciante na arte de fazer amor.
São Paulo seguia tranquilo com seu labor, passando pela coxa, pelas pernas cobertas com pequenos pelos castanhos claros, beijou inclusive o peito de seu pé o segurando pelo calcanhar...
- ...Te amo...
Foi a gota d'agua, o corpo do fluminense tremeu com violência, cada centímetro de sua pele arrepiou-se, sua face inclinou-se para trás...Seus olhos giraram para o teto... Suas costas arquearam-se... O paulistano só observava o orgasmo de seu companheiro com um sorriso de sincera satisfação, havia conseguido que ele chegará ao clímax sem sequer tocar Paraty...Isso só significava uma coisa...
Quando aquele sentimento ardente e envolvente abandonou o corpo do mais novo, este se encolheu fazendo uma bolinha, completamente envergonhado de sua própria reação...Que tivesse...Aguentado tão...Pouco.
-...Por favor não ria...
Qual foi a sua surpresa quando sentiu a normalmente gélida mão paulistana, quente, tomando seu queixo e levantando-o... Puxando-o para um beijo envolvente... Unindo ambos os corpos sentados, foi então que aos poucos foi esquecendo a vergonhosa falta de resistência que apresentou... E sem notar levou suas mãos ao tronco pálido tingido de vermelho pelo fluxo de sangue. Delineou cada centímetro com seus dedos...Todo o risco da cicatriz que este trazia... Fincou suas unhas e arranhou seu pescoço enquanto o beijo tornava-se mais fervoroso .
E não cabia em si quando em meio àquele gesto de paixão, suas unhas fincaram-se ainda mais devido a tremedeira que invadia o corpo contrario...Como um gemido era afogado durante aquela união de lábios, como São Paulo se encurvava refém daquele avassalador sentimento...
-R-rio... – Conseguiu dizer num fio de voz trêmulo, tentando absorver o ar que lhe faltava em seus pulmões agora que o beijo fora cortado. Também havia alcançado o orgasmo.
-...I-sso foi...Nossa...- Foi apenas o que conseguiu dizer, antes de acomodar seu queixo sobre o ombro de seu amante, ser envolvido em um simbólico abraço ao tempo que os dois tentavam regular suas respirações...
-...Ah...Sim...
-...É...
Essa conversa muito provavelmente só fazia sentido para os dois. Não queria dizer nada, mas dizia tudo.
Continuaram ali abraçados apenas ouvindo a respiração um do outro diminuindo de ritmo, apreciando a presença contrária. Sampa conseguia sentir claramente como as mãos fortes do carioca envolviam sua fina cintura com perfeição, ainda conseguindo cruzar seus dedos sob sua costela. Rio sentia-se completamente resguardado contra aquele tórax grande e largo do paulista, seu ombro geralmente firme e rígido... Caído em sinal de relaxamento.
E ficariam ali por horas a fio nesse silêncio compartilhado de seu mundo particular, se um toque na porta não os tivesse trago de volta a realidade.
- Si ocês já acabaram aí, estamos cum fome! Deixá noís ir comer "também" – Focou na última palavra com malícia fazendo o paulistano ruborizar e o fluminense soltar uma risadinha.
- Já vamos Matt- O mais novo respondeu – Cinco minutos e já descemos.
-...Cinco minutos cariocas, ou cinco minutos paulistas?
-Hey! Que quer dizer com isso?!
Foi a vez do mais velho rir por baixo, tentando não pensar no constrangedor que era ter um daqueles que considerava como um filho do outro lado da porta, enquanto ele estava ali nu, numa cama com o pai postiço de suas crianças...
- Only 5 minutes – Tentou dizer constrangido – D-digo...Só 5 minutos...Matt...Vamos só...Hmm...Nos...Arrumarmos..
- Ta, 5 minutos ingleses então pra ocês pô uma ropa! E limpá, literalmente, a porra toda...Intão Té! – E saiu como se nada.
- MAAATT! – Berrou a pleno pulmão agora sim completamente vermelho. Rio caiu na gargalhada.
-...No fui moi que enseño ele ...Isso...E-eu...PARA DE RIR ! – Esticou o braço e tomou o travesseiro proferindo um golpe na cabeça de seu amante – !CALLATE YA!
Separaram-se para que o menor pudesse rolar enquanto ainda ria sem parar, ignorando a 'travesseirada'.
-...Va bene, se é assim – E num golpe fatídico cobriu o rosto da ex-capital com a almofada começando a sufocá-lo – VENDETTA!
- AAAH!
...E de alguma forma o ambiente de amor e compreensão transformou-se numa cena de tentativa de homicídio...
Quando Rio de Janeiro já estava quase deixando de mover os braços em busca de liberdade com a face pálida, São Paulo o libertou com um sorrisinho sádico apreciando como respirava com anseio e desespero.
- L-LOUCO! TU QUA-SE ME MA-MATOU! – Como resposta teve um beijo que selou seus lábios, e roubou-lhe o pouco de ar que havia recuperado.
- Nunca Ria De Mim – Sorriu numa estranha e perturbadora mistura do tétrico e sedutor. Levantou-se da cama – Cê tem três minutos pra... Se limpar.
-...Sado – O fluminense observou ainda sem fôlego como seu amante levantava-se devagar do leito...E sinceramente não poderia ter uma visão melhor da região da serra paulista...
Notando a completa falta de pudor de seu amante, Sampa foi até seu armário e o abriu, buscando trocas de roupas.
-...Dois minutos e contado... Já disse que tenho um revolver nessa chácara...? Sem contar meu antigo Rifle e – Contava enquanto fingia que buscava algo em suas gavetas - ...Onde será que coloquei meu velho arco e flecha e facão...? Hmmm...?
Quando voltou para encarar a cama sorriu, seu amante praticamente tinha se transportado até o banheiro pra terminar de se arrumar, e meio segundo depois apareceu trocado com as peças de roupa que São Paulo havia deixado na porta do box.
-.-.-.-.-
Enquanto isso, a coisa ia razoavelmente bem no ambiente onde seria a refeição. Paraná encontrava-se cuidando do forno a lenha atrás de uma bancada ao estilo de cozinha americana, onde além do forno havia um fogão e uma churrasqueira, todos de tijolos, estes se encontravam no centro desta copa, como uma parede que a delimitava do lado esquerda e do lado direito encostado à parede encontrava-se uma geladeira, um armário e uma pia. Na outra ponta da cozinha havia um quartinho para armazém e outra grande pia.
De frente ao balcão, numa grande mesa retangular de pura madeira encontrava-se Espírito Santo, brincando tediosamente de seguir os nós da madeira com um palito de dente e Minas que parecia interessado demais nos próprios pés para encarar seu vizinho. O silencia reinava de forma incomoda, quebrado apenas de vez em quando pelo som das panelas batendo no fogo, ou uma que outra reclamação em russo ou inglês do sulista.
-...Se vão fecar ae sem fazer nada, pelo menos façam algo utel e me busquem alguma Vodka para beber... – resmungou o loiro claramente irritado com a demora de seu papa, tendo beeem claro o que eles deveriam estar fazendo para ainda não terem descido...
Como Matt tinha coragem ainda assim de ir chamá-los...Era um mistério que realmente não imaginava que algum dia viria a entender.
Minas levantou-se imediatamente, porém não andou.
-...A adega fica quão pertu du quarto deles...?
-...Shit...
Espírito Santo suspirou resignado...Esses dois agindo como se fossem santos... Quando nem ele mesmo o erra! Levantou-se.
-Tá, deixa que eu vou...
Nesse instante, Mato Grosso descia as escadas de madeira que ligavam a casa maior à grande construção de vidro.
- Eles já vão descé...Até qui tava bem silencioso lá, deve te sidu só uma rapidinha
-MATT! – Berraram seus irmãos ruborizando-se.
-Ah pelo amor...Como se vocês dois não fudessem também – Reclamou Santo. Os dois, principalmente Minas, o observaram contrariados, Matt deu uma risadinha, o capixaba ignorou os gestos impaciente com esse teatrinho – Matt, sobe comigo, quero buscar bebida.
-Aaah! Boa ideia! Podíamos fazê uns coquetéis. – E guiou contente o mais novo de volta a casa grande.
Estavam na metade da escadaria quando o do centro-oeste perdeu seu sorrisinho e falou mais sério.
-...O que aconteceu com ocê e Minas de verdade?
Espi encarou o menor ligeiramente surpreso, já havia se dado conta que ele na verdade só se fazia de infantil, mas ainda assim esse tipo de atitude mais madura não deixava de surpreendê-lo. O moreno era bem astuto.
-... Eu não tenho muita certeza ... – Suspirou - ...Dormimos no mesmo quarto no natal, até ficamos sabe... Hmmm...-Era desconfortável dizer essas coisas a um hetero, ainda mais quando um dos envolvidos fosse o irmão mais velho deste.
- Tudo bem, não me importa que ocê mi conte, fui eu qui perguntei mesmo
-...Bem, nos pegamos, beijamos...Foi o mais longe que eu fui com ele...Foi muito bom...Enquanto durou...
-...Não me diga que ele fugiu...
-... Bem na hora H...
Mato Grosso soltou um longo e cansado suspiro assim que chegaram ao pátio da casa que dava entrada à sala.
-...Num diga isso a Mama, mas...A relação...Ou tentativa falha de uma... Que Minas teve com ele...Teve consequências catastróficas... Nunca mais vi Minas saindo de verdadi com outra pessoa... Nada mais que uma semana ou duas... Acaba sempre abandonando o relacionamento sem mais...Eu num sei dizê...Ele meio que si..Auto censura... É frustrante vê-lo minar a própria felicidade... Eu tinha...Tenho...Esperança qui cum ocê seja diferente...
-...Hmmm...Pois...Não cultive muito essa esperança...
Ao final da larga mesa de madeira daquela sala pegaram de um armário baixo quatro garrafas de bebida de diversas cores, Matt não parecia muito interessado em escolher seus tipos, ou isso pensava.
-...Santo...
- ...Eu imaginava que talvez ele tivesse algum trauma com relacionamentos...Mas não imaginava que chegava a...Fugir...Se bem que...Devia ter suspeitado... Ele passou por alto meus sentimentos por muitos e muitos anos... –Tornou a suspirar - ...É frustrante porque...Eu realmente o amo...Mas nunca estive nessa situação...Não sei o que fazer...
No corredor, São Paulo mantinha a mão na maçaneta da porta que recém havia aberto, conseguindo assim ouvir o que os dois disseram desde a entrada da casa.
Porém, antes que pudesse ter qualquer reação sentiu como o carioca fechou a porta em sua cara, o mais silencioso possível para que os outros dois não ouvissem, e de forma brusca virou o rosto do paulista para si.
-Não comece a ter pensamentos idiotas, não é culpa sua! – Colocou com determinação, o mais velho apenas desviou o olhar claramente mexido.
-...Mas..
-Espi uma vez me disse uma coisa, e é verdade...Tu ao menos deu uma chance a Minas Gerais – Isso surpreendeu São Paulo que virou-se encarando surpreendido o olhar de seu amante – Mesmo que tu pense que foi por motivos egoístas, que tu apenas o usou para não...Sentir-se mais abandonado. Tu deu-lhe uma chance! Se o relacionamento não deu certo, nem pense dizer que a culpa é exclusivamente sua!
-...Rio...
-Esse seu menino problema tem que aprender a superar e seguir em frente! E se é tão importante para tu, por ti...E também pelo Espi, que aprecio como um fratello, eu também vou ajudá-lo a superar isso, ajudar os dois a ficarem juntos se for o melhor – Teve que segurar a vontade de rir para a cara de choque que Sampa estava com essas palavras - ...No final das contas...Isso também é problema meu não é? Se um dos seus pivetes já me chama de pai, quem sabe se tentar com os outros dois.
-...Não são...Pivetes... – Foi tudo que conseguiu dizer o moreno, ainda em choque.
-... Mas agem como – Sorriu, e não pode deixar de roubar um beijo de seu espantado amante - ...Nosso bandinho de inúteis nos esperam.
- -... Se algum dia você conseguir que Minas te chame de pai...- Começou a dizer o paulistano de olhos fechados -Eu sambo contigo numa de suas escolas no carnaval...
O carioca concedeu-lhe outro beijo, resmungando algo como "apostado". Sampa sorriu, sentindo-se um pouco mais aliviado do peso que as palavras de Matt tiveram, procurou por outro beijo e tornou a abrir a porta disposto a sair.
Dessa forma saíram para o corredor encontrando-se com os outros dois, segurando duas garrafas de bebida cada um.
-Mama! Papa! Espero que tenham se divertido!
-MATT!
-Nos divertimos Matt, obrigado – Sorriu aproximando-se e bagunçando os cabelos volumosos.
Porém entre os outros dois presentes um silencio incomodo se formou.
-...Hmm...Quanto...Tempo... – Tentou começar Santo muito entretido em ler o rótulo de um vinho do porto.
-...Sim... – resmungou num tom frio Sampa – Quatro meses e dez dias para sermos exatos.
-Pois é! Que começo de ano corrido esse! Não é Rio? – Tentou quebrar a tensão o mato-grossense vendo como o clima repentinamente parecia congelar.
- Matt preciso de sua ajuda! Vem comigo – Rio começou a arrastá-lo sala a fora.
- M-m-mas... –Olhou nervoso para traz vendo o olhar bandeira de sua mama, abaixou o tom de voz -...É uma boa ideia deixá-los juntos...?
-Não! Claro que não, é uma péssima ideia...- Recebeu um olhar horrorizado – Mas não só de boas idéias são feitos os êxitos.
- Quem disse isso?!
- Eu. Pode comprar os direitos se quiser. Se houver tiros, nos voltamos.
-...Papa...Ocê sabe qui mama tem várias armas nessa casa...?
Começaram a descer até as escadas de cadeira.
- Vamos torcer para que Brô seja rápido o bastante para desviar, e mozin benevolente o suficiente para errar o alvo.
-...E se não forem...?
-...Aí se ouvirmos grito, eu chamo a ambulância e tu faz sua melhooor cara de fofo para parar sua mãe psicopata, ok?
- Oh! Então devemos avisar Paraná! Eli é um perito na arte de parar Mama cum cara de fofo!
-Muito bem pensado Matt! – Isso lhe rendeu mais alguns carinhos na cabeça – E devemos manter Minas ocupado para evitar o fim do mundo, ele anda muito protetor com brô... Nessa altura do campeonato não saberia de que lado ele ficaria...
-.-.-.-.-
Se saísse vivo, MATARIA RIO DE JANEIRO!
Era o que pensava fervorosamente o capixaba parado frente o dono daquela chácara, segurando trêmulo o liquido engarrafado.
-...Você e Pará andam muito unidos ultimamente.
-...Hmm...É...Eu...Estou...Ajudando...Ele...Em...Algo...
-Ooh, não sabia que fofocar sobre a vida alheia era um tipo de ajuda, me perdoe minha falta de tato.
Ai...
Pensou o mais novo, essa sim havia doído...E o pior era que o paulistano tinha razão. ..É mais, se não o conhecesse, diria que estava com ciúmes.
...Mas quem disse que realmente o conhecia...?
-...Me perdoe por isso, de verdade...Mas fechado do jeito que é, se torna difícil saber quando falam uma verdade ou uma mentira a seu respeito
Se um dia sua sinceridade fosse matá-lo, hoje parecia ser um bom dia para acontecer.
Abaixou a cabeça ainda mais , fechou os olhos, apertou os punhos. Sem saber se por acaso parar e esperar pelo pior era coragem...Estupidez, ou a pior das covardias.
- Ora, ora...- Ouviu passos em sua direção, e seu sangue congelou com o tom frio que o outro empregava - Se você está convivendo com Pará, deve ter se dado conta de algo...Ele é irritante, orgulhoso, se acha o dono da razão e do norte, mas com certeza, não é do tipo mentiroso.
Espírito Santo engoliu em seco, sentindo como suas pernas começavam a tremer.
- Qual das matanças que ele te contou? Na verdade foram tantas que me custa lembrar-me de todas, ainda mais quando falamos de minhas bandeiras. Por isso você andou me evitando não é? Não é fácil estar entre o medo e a culpa.
Uma mão tomou seu queixo e o forçou a erguê-lo.
-Olhe para mim quando estou falando com você - Ordenou.
O fez e se arrependeu de fazê-lo...O olhar que encontrou, o conhecia...Claro, como não? Embora fizesse séculos que não o via.
Era um olhar verdadeiramente assassino sobre pupilas negras, um olhar que não deixava qualquer dúvida do que aquele homem era capaz de fazer, olhos de um bandeira, o mesmo olhar que recebera de pequeno ao atacar Minas quando o pequeno tentou aproximar-se de si pela primeira vez.
São Paulo começou a apertar a mandíbula contrária, até certificar-se que os dentes cortassem a própria pele no interior de sua boca.
- Eu fiz isso que ele te contou, e mais, muito mais do que você é capaz de imaginar, mesmo nos seus piores pesadelos
-E-eu... - Não sabia de onde vinha a voz, realmente não sabia. Ou mesmo como ela conseguiu sair com a pressão exercida contra ela.
-...Agora, se você me perguntasse se algum dia me arrependi de algo do que fiz...Se algum de vocês algum dia se desse ao trabalho de me perguntar isso - Começou a aumentar seu tom de voz, com raiva, com ódio...Frustração - VOCÊS NÃO ESTAVAM LÁ! Quando eu rezava aos céus para me darem outra opção, quando eu pedia de todo coração que alguém me ajudasse, quando eu estava com a espada na mão e a cruz a perfurar-me o peito, NENHUM DE VOCÊS ESTAVAM LÁ! !
Seu agarre intensificou, e um gemido de dor escapou dos lábios de sua vitima.
- Então. ...QUEM SÃO VOCÊS PARA ME JULGAREM?!
Então, soltou-o...Afastando-se com a respiração descompassada...Apertando seu rosto com as palmas de suas mãos.
Frustração.
Espi não pode deixar de massagear sua mandíbula, um sentimento diferente ao medo tomando conta de seu peito...
Remorso.
- ...Ocê...the arrepente - Tentou dizer dolorido.
-...Todos os dias da minha miserável vida - Cuspiu as palavras como se fossem amargas.
-...Eu...Sinto...Muito...
Sampa arfava, como se tivesse acabado de correr uma maratona, observando o sangue que escorria dos lábios capixabas.
-... As mentiras que eu já contei...As verdades...Eu imagino qual delas tem o maior peso... Por isso deixei de pensar nisso. Porque eu sei que as partes de mim que eu odeio são mais fortes do que as que gosto... E isso só faz sentir-me ainda mais miserável... - Apertou as unhas contra sua pele. - Então, se eu sou destinado a ser odiado pelos outros no final das contas pelas coisas que eu tive que fazer, então eu serei o primeiro a odiar. ... Por isso eu não gosto de todos os outros Estados, por isso quero mais que fiquem longe de mim, nem que seja pelo medo... Porque meu passado nunca vai sumir, ele me fez o que eu sou hoje, e nada mudará isso...Nunca.
Estava realmente sem resposta...O que supõem-se que deveria dizer?! Limpou o sangue que escorria em seu rosto, e sentiu a necessidade de cuspir o que se encontrava dentro de sua boca, observando culpado como o maior ainda tampava o rosto, tentando controlar sua respiração.
-...Eu...Realmente...Sinto muito...- Tornou a dizer.-...Eu...Fiquei assustado com...Tudo aquilo da reunião.
- Então...Acredito que esse seja o momento de São Paulo também pedir desculpas, denovo, por suas explosões estressantes, e todos nos abraçamos vendo o por do sol - Uma terceira e conhecida voz juntou-se, fazendo Espi virar-se encontrando com o rosto sério do carioca, apesar do que disse em tom de brincadeira
-...Tudo bem Espírito Santo... - Disse num tom quase robótico São Paulo - Eu te perdôo... E também peço desculpas... Por aquela reunião... Meu estresse causou todo...Um mal entendido...
-...Ah...Tudo...Bem...
-...Certo, certo meninos... Agora só falta uma coiiisinha... - Anunciou o carioca num tom estranhamente professoral.
Caminhou até os dois e aproveitando a pouca distancia entre ambos... Tomou o corpo do capixaba pela cintura como se fosse feito de plumas e...
TUM
Bateu com força a cabeça dele contra o rosto de seu amante ainda coberto com suas mãos.
- ITE!
-AI!
- Pronto, agora está tudo certo!
Depois de todo o transtorno, os três finalmente desceram para a outra construção de paredes de vidros, lá Matt e Minas estavam a beira de atacarem um ao outro, enquanto Paraná tentava detê-los com a travessa do leitão em mãos, dando um ar cômico a situação.
- Meninos! O que pensam que estão fazendo?!
Os três congelaram com a chamada de atenção e pararam imediatamente de discutir voltando-se aos recém chegados, e surpreendendo-se ao notar que o comando de ordem não veio de São Paulo.
- E então? Como soou? - Questionou animado o carioca.
- É, nada mal... Mas não precisa imitar minha voz
- Tu quer dizer seu sotaque?
- Eu não tenho sotaque!
E a discussão transferiu-se para os recém chegados, fazendo com que os outros três perdessem a vontade de continuar com a briga, terminando de arrumar a mesa.
Espírito Santo observava ainda de pé o caos, como os irmãos mais tranquilos ainda se desentendiam, e como o anfitrião e seu amante seguiam acalorados em sua própria conversa.
Por alguma razão, talvez os quatros meses tendo apenas como companhia esporádica o paranaense, ou quanto tempo fazia que não se via envolto nesse nostálgico caos familiar, mas dentro de si começou a nascer a grande necessidade de rir de toda aquele estranho cenário.
E acabou cedendo a essa vontade e não demorou a suas risadas transformarem-se em gargalhadas
Todos pararam para observá-lo confusos com a sua reação, até que foram sendo contagiados pela risada vibrante do segundo mais velho do sudeste, sendo o primeiro Rio, seguido de Matt, até que no fim todos estavam rindo sem uma razão aparente, com exceção de Minas que meio 'embobalhado' observava o rosto já a beira das lágrimas do espírito-santense.
- Eu sentia falta disso! - Acabou soltando sem perceber enquanto tentava recuperar o alento.
- É bom ter tu de volta - Rio envolveu-o numa chave de braço bagunçando seus cabelos.
- Ai! Num faz isso!
- Rio! Solte o Espi agora! – Meteu-se o mineiro
Depois de todos os contratempos, tudo seguiu normal...Bem, a medida do possível...
Matt estava realmente muito emocionado com a oportunidade de um novo almoço em família, ainda mais um civilizado, ao tempo que Minas e Paraná estavam se controlando para não bater no caçula e arruinar a atmosfera mais branda. Sim, porque agora que São Paulo e Espírito Santo tinham colocado tudo às claras, o clima tinha tornado-se realmente mais leve, Sampa não parava de rir das graças de seu caçula e de seu amante.
E não havia ninguém melhor que o Rio de Janeiro para animar uma festa, ou no caso, refeição.
Parecia um autêntico almoço de família, como esses de dia das mães, onde havia risadas, brincadeiras, brigas, e alguém sempre acabavam chorando.
Até mesmo Minas havia abandonado um pouco sua pose de afastamento e mantinha um diálogo realmente sociável com Paraná e Espi...Não que vodka fosse um dos melhores temas para um ambiente familiar...Mas enfim...Nada é perfeito.
A sobremesa tinha ficado por conta do mineiro, então pela mesa havia todo o tipo de gordices, era impressionante como o fazendeiro era capaz de colocar doce de leite e goiabada em tudo! Embora São Paulo insistisse que sushi de goiabada era um das coisas mais distintas que já comera e ainda assim das mais deliciosas.
Foi toda uma odisséia fazer Rio comer ditas 'iguarias', o que quase ocasionou numa guerra civil com ele alegando que comida japonesa era nojenta...
Tal conflito foi heroicamente detido por Santo, que enfiou o sushi goela abaixo enquanto Sampa e segurava as costas e Matt a mandíbula carioca.
Foi nesse dia também que descobriu que Pah herdou a risada escandalosa do Paulista...Pois precisou de dez minutos para se acalmar e levantar a si mesmo e a cadeira.
Na verdade, se Rio não soubesse da grande tolerância do sulista com o álcool, diria que ele estava bêbado...
Olhou para todos ao seu redor, talvez fosse a permanência ao lado de um Estado tão incógnita quanto São Paulo, ou mesmo seu instinto de sobrevivência dando lhe um meio de resguardar-se das crias dele, não sabia ao certo, mas a verdade é que esse fluminense estava se tornando uma pessoa bem observadora.
Ninguém parecia notar ou se importar com o modo muito mais descontraído do pequeno loiro de sardas... Tão distraídos estavam em rir de sua cara.
- Cê tem que admitir que é gostosos Rio! - Provocou Sampa com voz embargada.
...Bem, com certeza não seria o único bêbado...Mas como o maior perigo que o ex-bandeira podia ocasionar bêbado era botar para fora tudo que estava reprimido em seu interior, o que atualmente não era nada, não era realmente um problema, restando só um paulistano mais solto e mais, digamos, da zueira.
- Aaah, claro, é como comer arroz com catchup, porém com açúcar.
Mesmo Minas riu muito sutilmente com o comentário.
Espírito Santo observava tudo com um grande sorriso, era evidente que Sampa e Pah já estavam bêbados, mas bem...Não era para menos, ele e Matt tinham pegado algumas das bebidas mais fortes do anfitrião, e até onde sabia, Paraná não tinha boa tolerância para vinho, e São Paulo dava sua fraquejada com conhaque. O que o deixou realmente surpreso, ademais da bizarra risada sulista, foi o fato de seu fratello notar a embriaguez de ambos...Ou ao menos imagina que ele tenha notado...
Lançou um olhar acusatório ao mato-grossense que antes de pegar as bebidas tinha comentado inocentemente como quem não quer nada, que seria muito interessante ver todos bêbados juntos nessa tarde
Esse menino podia ser tudo... Menos inocente.
Observou seu mineiro de canto de olho esvaziar outro copo de vodka...Parecia que ele não havia aprendido nada com a última vez que num plano macabro ele e Sampa tinham embebedado seus respectivos amores com essa água russa.
Tal lembrança também o recordou que aquela vez acabou com a camisa toda rasgada por um violento mineiro...Começava a se perguntar se era uma boa ideia deixá-lo continuar a beber assim...Ao menos, enquanto estavam em público.
Rio de Janeiro lembrava muito bem da última vez que ele e Minas Gerais foram embriagados com Vodka...Embora até hoje não sabia ao certo o que aconteceu depois... Mas de uma coisa tinha certeza, tinha que tirar a bebida do mineiro antes que ele fizesse alguma besteira...A questão era...Como?
Mato Grosso sorriu infantil enquanto ouvia Sampa contar as comidas estranhas que já havia experimentado, já estava bêbado ao ponto de começar a forçar mais o sotaque caipira que vivia negando ter, mais um pouco e começaria a puxar o nordestino também. ...
Paraná efetivamente começava a se soltar, e logo sua língua levaria a melhor sobre ele, começando a falar todo o tipo de coisas que o pudor certinho dele sempre o impedia.
Por sua vez, Minas Gerais cada vez tomava uma atitude mais. ...Expressiva, carnal, sua mão começando a serpentear perigosamente contra o encosto da cadeira capixaba...Logo logo que ele descobriria de verdade a que passo andava a relação dos dois...
Só havia uma coisa a fazer.
-Querem mais bebidas?
A resposta foi obviamente positiva, distribuiu mais álcool ignorando os olhares de reprovação dos dois sóbrios como se não os tivesse visto.
Santo sentiu as mãos do fazendeiro brincando com o encosto de sua caderna, dançando seus dedos por seu contorno, simulando um passo para sua coluna, começou a sentir-se nervoso e tenso... Essa situação, na frente de Sampa...Na frente de todo mundo! O mais novo já estava começando a beber outra coisa...Ou melhor, comer...Com o olhar certo Santinho...
Rio estava incômodo, podia ver como o olhar do dono de BH se tornava mais...Cobiçoso...E isso não soava nada bem, não podia acreditar que Matt ainda teve a inocência de oferecer mais bebida! Tanto o sulista quanto o paulistano começavam a falar besteiras e isso realmente não era perigoso...Mas Minas...! Essa criança do centro-oeste podia ser muito despistada!
Era tão fácil enganar sua família. ..Pensava o mato-grossense alegremente servindo mais álcool.
Esse menino era um demônio! Espi tinha certeza disso! Nenhuma das crias de Sampa se salvava quando se tratava de manipulação!
- É sérrrio tem gosto de frrangô! Daí eu fiquei a me perrrguntar, pur que num comem a porrrra do frango ao invés da porrra do bichu nojento! - Completamente ausente da situação, Sampa contava para seu amante e cria mais velha quando comeu rã na China.
- Ráhuaŕaaaahuarara! NUM creio que cê comeu algo asseeeem de nojento papa! Num acha Reo? - Ria de se acabar Paraná - Mas talvez com goeabada ficasse melhor!
- Ou catchup!
- Aaaaah, é. ..- Concordava distraidamente Rio enquanto os dois riam bobamente do assunto.
Minas Gerais brincava com a costura da roupa capixaba, muito entretido com a separação da roupa de sua pele, esquecendo até mesmo da bebida que tomava... Parecendo ignorar todos os outros presentes, sorrindo galanteador...Predatório. O espírito-santense como se fosse um pequeno animal indefeso prestes a ser devorado.
Com isso um sinal vermelho acendeu na cabeça do carioca e de seu fratello, porém uma vez mais o caçula do centro-oeste foi mais ligeiro.
- Mama! Por que num mostra a plantação de uva e caqui para o Espi? Aposto que ele amaria conhecê-la...Não?
- Ah-ah s-sim eu... - Tentava se concentrar no que dizia, ignorando o suave toque do moreno que aproximava-se de sua pele - Gostaria...Sim
- AHHHHH! BOOOOA IDEEIA MEU PEQUEEENOOO! - Berrou o paulistano fazendo com que todos tivessem um zumbido no ouvido devido aos elevados decibéis - E ELA ESTÁ TAAAAAÃO LINDAAAA!
Levantou de um saltinho, derrubando a cadeira
- Saaaantiiiiiinho~~~~ Vem comigo! - Cantarolou titubeante.
- ...Pensando bem...Acho que não é uma bo-AHHH - Rio e Matt pisaram cada em um pé capixaba - Ok! EU VOU...
E um tanto temeroso ainda sentido o ferimento na boca que o maior lhe proporcionara, o seguiu para fora, seguindo por uma pequena ladeira que levava a casa central.
A ex capital finalmente pode respirar aliviada, vendo de canto de olho a expressão de frustração do rosto de cabelos cacheados que bebia mais um copo para conformar -se...Desde quando Minas tinha se tornado tão. ...Obcecado com o mais velho?! Até onde se lembrava...Seu Bro era praticamente a sombra do moreno, mas praticamente nunca manifestavam uma relação além da amizade, muito apesar deles teoricamente também serem namorados...Era tudo muito estranho, decididamente havia perdido alguma coisa...
- Aaaah, acabei de me a lembrar...Tinha qui avisá Sampa qui o caseiro comprou cestas novas para a colheita! - Começou o mato-grossense com seu típico sorriso - Mih! Será que ocê num podia fazê esse favor?
Mal havia terminado sua frase, o mineiro já estava de pé caminhando a passo rápido na mesma direção que os outros dois.
- MATT!
- ...O quê?
O fluminense em pânico fez menção de levantar-se, mas um comentário inesperado o fez parar.
- Deixe eles, assem o ediota resolve logo essa porra de tensão sexual e melhora um pouquinho esse humor de merda - Lançou o paranaense mexendo desinteressado a bebida em seu copo.
-... Como ...? - Dizer que estava em choque era pouco, ouvindo essa classe de comentários saindo do normalmente fofo homem a sua frente.
- Disse para largar de ser empata foda! É surdo acaso? !
- Hã...Eu - O carioca olhou para o caçula dos irmãos de criação paulista, sem saber o que contestar.
- Ocê sabe a quanto tempo que Mih não fode, Pah?
...Mas tampouco esperava essa pergunta...
- Dias, messes, anos ..Se quer saber ele é praticamente vergem de novo
Mas com certeza essa afirmação foi a que o chocou mais. ANOS SEM UMA BOA TRANSA?! COMO UM HOMEM PODIA SOBREVIVER ASSIM?
- Vocês não podem estar falando sério. ...- Questionou voltando a se sentar.
- É sério! Ele nunca conseguiu dormer com Sampa quando tiveram... Aquela recaída, e desde antes dessa "relação " completamente unilateral, ele anda assim, todo recatado.
- Isso é simplesmente horrível! Mas como tu sabe disso Paraná. ..?
- Minas vem pra minha casa às vezes para reclamar da vida, dizer que ta foda, ou nesse caso seem foda, dizer que está sem denheiro, essas coisas - Deu de ombros - Imagino que ele não tem nenguém melhor para falar disso do que eu...
-...É, por que pra mim ele não fala nada - Resmungou Matt, e o seguinte colocou apenas como um sussurro -... Só mesmo embriagados para me contarem algo. ..
- Eu não imaginava que a situação fosse tão séria. ...- Rio tinha tamanha seriedade na voz para falar disso que até parecia que alguém tinha lhe dito que o satélite russo ia cair em sua praia - ... É realmente horrível. ..Eu sei que ele e Brô nunca transaram, mas eu imaginei que ele o estivesse fazendo com alguém mais! Tipo, o deles não era nem sequer um namoro a sério assim, então. ...Pensei que Minas também dava suas escapadinhas...
- Como pensei, Santo seguiu com sua vida - O sulista dá mais um gole.
- Bem, ninguém é de ferro, né?
- Ah, isso explica purqué Espi está levando de boa!
-...Mas não contem isso para o Minas, por favor...Só pioraria tudo
- Bah, Minas é um idiota que vive do passado. E mesmo tendo alguém comendo na sua mão, não sabe aproveitar
- Eu tampouco quero que ele se "aproveite" do meu brô! Apesar de tudo seus sentimentos são sinceros!
- Minas só quer sexo, essa que é a verdade, e se ele gosta tanto assim do nosso ermão, não deveria reclamar
-...Amor e sexo são coisas completamente diferentes. ..
Todos se surpreenderam com as palavras saídas por aquela boca, até mesmo o próprio carioca espantou-se que disse algo assim...Justo ele, de todas as pessoas.
Mas sabia que tinha razão, Sampa já lhe havia provado isso várias vezes, uma delas nessa mesma manhã
-Ehem, ehem de todo modo... - Tentou quebrar o silêncio, sem graça - Não acho que apenas isso...Resolverá todos os problemas. ..É mais, acho que brô não ficaria muito feliz se soubesse que sua primeira vez foi apenas por...Falta...
-...Eu não acharia ruim - Colocou Paraná com amargura - ...Eu daria toda a Vodka do mundo para estar no lugar dele
- NÃO ME DIGA QUE TU NA VERDADE GOSTA DO ESPI!?
- EU SOU HETERO! - Reclamou ruborizado -ERA SÓ UM MODO DE FALAR, IDIOTA!
- Aaaaah...
E Matt caiu na gargalhada.
-...Eu me referia...A possibilidade de estar no lugar deles...Sendo eu e Santa Catarina - E parecia que aos poucos o sulista voltava a sobriedade, pois seu tom envergonhado de falar já dava sinais de retorno.
- Aaah sim, lembro que tu deu um puuuta beijo na ruiva no natal...He he, sim que foi todo um espetáculo
-A-ah...Sobre isto...Eu hmm ... - Se remexeu no assento incomodo- ...Eu nunca...Consegui te...Agradecer por...Ter afastado papa aquela hora...
- Ah, sem problemas pequeno, achei que tu não ia gostar de ser interrompido por seu papi super protetor.
-Mas...Por que me ajudou...? Quero dizer eu...Hm..Nunca te dei motivos para isso...-abaixou a cabeça - Todo o contrário
-Como assim "por que"...? Eu já disse que achei que seria melhor, afinal tu é todo tímido... Espera, tu está me tolerando essa tarde por causa daquilo?! Bem que eu te achei muito solicito. ...
-...Era o mínimo que eu poderia fazer. ..
- Pois pode parar - Isso surpreendeu os outros dois - Sim que espero me dar razoavelmente bem com vocês algum dia, mas não assim...Não precisa se obrigar a me tratar bem, só porque acha que me deve alguma coisa - Fez sinal de negativa com a mão - Eu dispenso, não é necessário. Contanto que não tentem me matar durante uma refeição, de resto eu aguento
-...Você é. ...Um sujeito muito estranho Rio de Janeiro. ..
- Eu disse, não disse Pah? - Perguntou Mato Grosso com um grande sorriso - Papa é uma pessoa boazinha!
O sulista sorriu sutilmente, sem se importar de recriminar o caçula sobre a forma que chamava o fluminense.
- ...Agora sobre Santa...- Usou o tom mais brando que não sabia se possuía, tinha receio de estar se intrometendo demais. - ...Se tu sente-se assim...Tão atraído por ela, por que não a diz como se sente? Tu já contou para ela?
-...Não. ...-Abaixou a cabeça
- Me contaram como acabou o beijo, mas deve ter sido mais pela surpresa...Tu surpreendeu todos na verdade...Por que não senta e explica como realmente se sente...Afinal, o "não" tu já tem mesmo
O sorriso do mato-grossense quase não coube em sua cara, era exatamente aí onde ele queria chegar
-...E-eu... - Mordeu o lábio inferior nervoso -...Não posso fazer isso com ele...- E antes que Rio mal interpretasse isso - ...Com Rio Grande do Sul. ...Não Rio, ele não é secretamente apaixonado pela Santa, ele gosta muito da Bahia, muito bem, obregado...
- ...Oh...- Colocou somente, justamente esse último ia perguntar.
-...Ele...Ele já perdeu tudo uma vez, sabe...Ele, quando pequeno...Era muito apegado a São Pedro. ..Quando Pedro desapareceu...Mesmo com Santa ali. ..Sul perdeu o chão, perdeu sua referência, perdeu seu rumo... Ele não ouvia mais ninguém, não queria envolver-se com mais ninguém...Ele caiu, e foi fundo...O mais fundo que uma capitania poderia cair...- Tampou o rosto com as mãos, lembrando ao carioca imediatamente a cena que espionara entre Sampa e Espi, onde o maior fizera esse mesmo gesto, ferindo seu próprio rosto. Paraná não seria diferente -...Os céus sabem o quão difícil foi tira-lo do fundo do poço, o quão difícil foi fazê-lo nos ver como seus amigos, sua família...Irmãos. ...Até que enfim ele agarrou-se a essa confortável mentira, esse consolo... Eu não posso sequer sonhar em ter algo com a Santa, minha irmã, não posso tirar outra vez tudo que tem...Que acredita... Seus queridos..."Irmãos "...
Por alguns instantes o ambiente ficouem silêncio pelas impressões das palavras do sulista, em seguida o carioca inclinou-se sobre a mesa para afastar as mãos de Paraná de seu próprio rosto, manchas vermelhas onde as unhas antes apertavam.
-...Eu sinto muito, mas tu não vai conseguir nada te machucando assim...Tenho certeza que Rio Grande do Sul concordaria comigo...
Esse tom...Carinhoso do fluminense era absolutamente devastador, talvez isso...Ou a álcool presente em seu sangue, algum dos dois, estava conseguindo desarmá-lo.
-...Eu sei...- Mordeu o lábio inferior com força, recusando-se a chorar - Ele aceitaria...Sem se importar consigo mesmo, sim...Ele é um bom menino, mas isso não seria justo! Eu não quero algo assim...Ele já sofreu demais, demais. ...Eu simplesmente não posso...Eu...Eu...Mas eu não aguento mais ser tratado como um filhotinho pela Santa, escutá-la falar de outros homens. ...Sem querer matar todos eles!
...Rio deu uma tossiu, fingindo que não ouviu o comentário assassino.
-...Eu...Realmente não sei o que fazer...- Terminou se desabafo, fechando os olhos com pesar
Rio de Janeiro respirou fundo, pensando em tudo que o sulista lhe havia dito até agora...Intencionalmente ou não, provavelmente apenas devido a influência da bebida.
Então, esticou a mão e bagunçou os cabelos loiros vendo um pequeno sorriso surgir na face pálida.
- Sente-se melhor...? -Intuiu.
-...Sim...
-...Que bom...Sabe, eu posso te dizer por experiência própria que uma das piores coisas da vida...É sufocar um amor, esperando inutilmente que ele morra... Isso só causa muito sofrimento para nós mesmos, as pessoas que se importam conosco, as vezes também àquele que secretamente amamos...Vocês testemunharam em primeira mão toda a dor que eu proporcionei a São Paulo e provavelmente não saibam, mas eu também por ser capital, por culpa, por medo, calei o que sentia...E deixa eu te dizer Paraná. ..Essa foi a maior estupidez que eu fiz na minha vida. ..Não repita o mesmo erro que eu
Os dois menores observavam com boca entre aberta o carioca pelo que este havia dito, ainda assim não fizeram nenhum comentário.
- ...E tu não pode esquecer que meu sósia do sul não está mais tão sozinho assim, já pensou em falar com a Bahia sobre isso? É uma ideia. Só não melhorará nada deixando como está.
-...Eu sei que todo mundo se dá bem com a Bahia, mas eu...
- Tu não é todo mundo - Matt abafou uma risadinha - Não precisa dar-se bem com todos, eu mesmo não me dou, mas tu precisa tolerá-los, principalmente aqueles envolvidos com os que tu mais se importa.
- Isso serve para nós também - Acrescentou sabiamente Mato Grosso.
- Bem, é - Concordou Rio.
-...Sim - E Paraná, com um pequeno sorriso nos lábios, sentindo-se mais leve do que não se sentia em muito tempo - ...É verdade...
Começaram então a conversar sobre qualquer outro assunto sem realmente alguma relevância, esquecendo completamente dos outros três que estavam colhendo frutas na plantação. ...
...Ou não...
O sono começava a invadir o sulista, e seus olhos começavam a fechar e abrir enquanto tentava prestar atenção na conversa.
Soltou um grande bocejo, conseguindo entender apenas as últimas palavras de Matt sobre o assunto atual.
- ...Por isso ocê é todo um papa!
-...Não é para tanto Matt...- Contestava envergonhado.
-...Eu discordo - Colocou Paraná num fio de voz, mais dormido do que acordado - ... Acho que "mama" caberia melhor nele...
E ignorando o tom completamente fosforescente do rosto de ex- capital e as gargalhadas do caçula, entregou -se aos braços de Morfeu.
Pouco depois quando começou a escurecer, fazendo já uma hora que estavam os três ali, o do centro oeste tinha que dar algum crédito ao que seu irmão mais velho dissera, afinal, ver a ex- capital do Brasil levando o pequeno e encolhido paranaense nas costas para sua cama... Era sem dúvidas uma imagem bem maternal.
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São Paulo olhos de um lado...Para o outro... A cesta com frutas recém colhidas em suas mãos...Buscando alguma coisa
Na última hora, esteve colhendo frutas enquanto acreditava que conversava com alguém mais... Santo, isso, ele...Tinha a plena impressão de até ter ouvido algumas respostas!
Mas...Ali estava ele...Sozinho, sem qualquer sinal de que alguém estivera ali com ele...
-...Acho que...Realmente bebi demais... – Resmungava para si mesmo já sentindo-se algo zonzo.
Mas todos esses pensamentos simplesmente desapareceram de sua mente, quando de longe pode avistar a cena de um saltitante Matt, um adormecido Paraná, e um lindo carioca carregando-o.
Seu radar de fofura foi ao máximo! Correndo para dentro com cesta e tudo para tirar uma foto da bela cena
Sem notar as duas pessoas que haviam ficado para trás, sozinhas.
