9.)
I could be mean
(Eu poderia ser malvado)
I could be angry
(Eu poderia ser bravo)
You know I could be just like you
(Você sabe que eu poderia ser exatamente como você)
I could be fake
(Eu poderia ser falso)
I could be stupid
(Eu poderia ser estúpido)
You know I could be just like you
(Você sabe que eu poderia ser exatamente como você)
Marcus olhou quando Harry se aproximou. Alguma coisa estava errada com o menino e o sonserino, rapidamente, percebeu.
"Harry?"
O moreno encolheu-se na cama ao lado do namorado, mas não respondeu. Marcus colocou os braços em volta dele e o puxou para perto.
Harry sorriu e roçou o nariz nele. "Meu Marcus." Ele sussurrou contra o garoto de dezoito anos.
"Sim?"
"Nada, estou apenas aproveitando você. Posso?"
"Deveria haver uma razão?"
"Não." Harry disse pressionando beijos contra o pescoço e as orelhas do namorado. Ele decidira agir com calma, já que não queria deixar Adrian e Hugh em problemas. Sabia que Marcus poderia se fechar antes que ele pudesse se explicar. "Como andam os estudos?"
"Irritantes. Eu vou passar em Defesa e Poções com certeza. Em transfiguração eu sou pior que os segundanistas."
"Bem, Defesa e Poções são importantes. E Feitiços é mais ou menos como Defesa."
"Sim. Eu falhei muito durante os anos. Não dou a mínima." O garoto respondeu. "Agora eu tenho meu trabalho resolvido."
"Bem, você vai passar. Tem Herbologia também, certo?"
"Sim, é uma matéria sem objetivo."
"É de muito uso para se identificar um Visgo do Diabo!" Harry brincou, lembrando de seu primeiro ano. "A não ser que você seja Hermione e tenha um lapso de memória ao pensar que precisa de madeira para criar fogo…"
Marcus o encarou completamente confuso.
Harry soltou uma enorme risada, que logo virou apenas um sorriso. "No primeiro ano, nós encontramos um Visgo do Diabo que quase nos estrangulou. Hermione esqueceu que era uma bruxa e não sabia fazer o fogo surgir como antes."
Marcus comçeou a rir. "Que porra vocês estavam fazendo perto de um Visgo do Diabo?" Perguntou distraído.
"Eh, Voldemort, a Pedra Filosofal e afins."
O sonserino ficou estático. "Você o encontrou no seu primeiro ano?"
"Sim." Harry disse surpreso por Marcus não saber. "Pensei que a escola inteira soubesse."
"Ninguém disse nada sobre Voldemort." Marcus vociferou sem nem mesmo hesitar. "Pensei que era um professor maluco."
"Com Voldemort preso na cabeça dele, é foi. Por isso que ele morreu. Voldemort não pode me tocar, sou o inferno particular dele."
Confuso, Marcus o encarou pedindo explicações. "Hn? Como?"
"O Sacrifício de minha mãe o queimou. Ele não pôde me tocar por causa disso. Assim, Marcus, minha mãe era uma nascida-trouxa e é por causa dela que estou vivo."
"Minha opinião mudou, Harry. Você a mudou." Marcus disse e tombou a cabeça. "Eu gosto da sua amiga."
Harry alegrou-se. "Você gosta de Hermione?"
O sonserino assentiu. "Uh huh." Ele acabou grunhindo, quando recebeu em seu braços um Harry pulante. "Você não percebeu?" Resmungou.
"Eu percebi, mas é legal escutar as palavras! Se existe uma pessoa que sempre nos apoiou, é a Hermione."
"Eu sei." Marcus respondeu. "Por que?"
Harry se mexeu até sentar no colo de seu namorado, encarando-o completamente. Ele encheu o garoto com pequenos beijos. "Ela confia em mim e sabe de tudo o que passei e tive que lidar. Caramba, ela entendeu porque eu dormi com você pela primeira vez. Pensei que ela fosse me matar com um discurso moralista, mas ela me surpreendeu. Ela nem mesmo deve ter considerado isso, afinal é a bruxa mais madura que já conheci e tem o lado trouxa que lhe dá uma visão maior das coisas. Hermione me apoiou e confia em mim. Ela me deixa ser eu mesmo e não tenta me mudar. Dói o jeito com que Ron age... ele não se importa com nada além do fato de que você é um sonserino."
"Você também é, tecnicamente." Marcus realmente odiava o ruivo. Harry era muito bom para ele. Aquele garoto loiro e medroso teria sido muito melhor.
"E isso é o que magoa mais. Ele é como Malfoy em todos os jeitos. A única diferença é que um é rico, o outro é pobre, um é ruivo, o outro é loiro. Os dois são um saco em seus mundos preconceituosos."
"Puro-Sangues são muito diferentes em sociedade, Harry. Algumas famílias, as mais negras, fazem coisas que quase ninguém condena. Eles ainda acreditam no estilo de vida do século dezoito..." Marcus deixou as palavras flutuando e então fez careta ao pensar em alguma coisa.
Harry o observou: a breve cintilação de sentimentos, a irritação e a amarga realidade do que seus pais lhe fizeram. "O que eles fizeram com você, Marcus?" Harry murmurou baixo.
"Muita coisa." O sonserino apertou seu pequeno namorado e olhou para o espaço. "Mais do que você possa entender."
"Por que você não tenta me contar?"
"Algum dia." Ele respondeu. "Me dá um tempo?"
Harry sorriu e colocou as mãos nas bochechas de Marcus. "Você pode ter todo o tempo do mundo. Apenas lembre-se de que nada pode me afastar de você. Entendeu?"
"Mhmm." Marcus murmurou antes de beijar, firmemente, os lábios do namorado.
xXx
O feriado de Páscoa começou e a escola ficou cheia como sempre. Apenas algumas pessoas foram embora, devido aos eventos do Torneio Tribruxo. O calor dentro do local fez todos saírem e caírem contra o verde gramado próximo ao Lago Negro.
Harry estava embaixo de um arbusto, bem atrás do pátio. As costas de Marcus estavam contra a base da ávore e a cabeça do grifinório repousava ao seu lado. Hermione sentou aos pés de Viktor, que estava ao lado direito dela.
Ela passou algumas anotações para Marcus, sobre a Herbologia do sétimo ano. Viktor também tinha exames para fazer antes de deixar a escola no próximo ano.
Ron declinara o convite para juntar-se a eles e Harry percebeu que, honestamente, não se importava. Neville viera e ficara por lá como se pertencesse ao grupo, recebendo uma alegria contagiante de Harry que lhe deu um sapo de chocolate.
Hugh e Adrian depois de muito encararem o amigo de longe, finalmente tomaram a iniciativa e sentaram-se lá também.
Viktor começou uma conversa sobre Quadribol com os dois sonserinos e Marcus sorriu de lado ao ver os amigos falando.
Era um grupo estranho, aqueles que os viam ficavam até confusos com a mistura. Especialmente considerando que Viktor estava ali no meio.
Marcus que estava se sentindo completamente preguiçoso jogou seu livro de lado e abraçou Harry, apertando-o contra si e observando o que ele fazia. Aparentemente, o namorado escrevia uma carta para Sirius. Uma das pernas do sonserino estava dobrada e a outra esticada. Ele estava relaxado e não queria se mover.
"Posso usar sua coruja?" Harry perguntou baixo, dobrando a carta.
"Mhmm, por que pergunta?"
Harry deu de ombros. "Você pode precisar dele e eu não posso usar Hedwig. Ela é muito perceptível."
"Apenas use-o. Ele nunca foi de utilidade nenhuma."
"Eu vou ter que ir escondido, Hedwig está brava porque fico usando uma coruja comum."
Marcus bufou. "Apenas você deixa uma coruja te dominar."
Harry resmundou baixo, recebendo uma risada profunda de seu namorado sonserino e uma morida no pescoço. "Que tal você me dominar?"
"Isso pode ser arranjado." O mais velho disse. Ele colocou seus dedos no queixo de Harry e o virou para beijá-lo suavemente.
"Você não deveria estar estudando?" Adrian provocou o amigo.
Marcus soltou os lábios de Harry, lamentavelmente, e fez careta. "Puta preguiça."
Neville corou com as palavras do sonserino, mas Hermione já estava mais acostumada.
"Ou apenas excitado." Hugh zombou, recebendo um chute de Marcus.
"Não enche o saco, seu bastardo." Grunhiu.
Neville abriu a boca de medo, enquanto Hugh ria. "Eu queria!" Ele jogou um pedaço de pergaminho alcochoado contra o amigo, que atirou de volta.
"Estúpido."
Harry riu e assistiu a Hugh e Adrian, enquanto estes zombavam de Marcus. Ele se moveu para conseguri observar melhor. O namorado estava entretido, mesmo que suas palavras dissessem o contrário. Os olhos do grifinório perpassaram por Neville, que tentava se esconder atrás de Viktor com medo de alguma reação. Harry sabia que aquilo era apenas diversão.
Harry segurou a respiração e saiu do caminho, quando Hugh e Adrian pularam em Marcus. Hermione ria baixinho e os observava agir bem fora do normal. O menino apoiou-se contra ela e ficou maravilhado com a força do namorado. Hugh e Adrian eram como bonecas de pano. Ele não estava sendo muito violento, mas percebia-se que o garoto se segurava.
"Malditos!" Marcus expresão feia misturada com um sorriso de lado. Ele bateu na cabeça de Hugh, segurou Adrian contra o chão e com uma mão tentava fazê-lo se desculpar, mas o orgulho do sonserino não permitia.
Depois de dez minutos em que Hugh ficara incapaz de libertar Adrian, o sonserino menor sibilou. "Desculpa, desgraça!"
"Bom garoto." Marcus provocou e o deixou se levantar, recebendo um bufo de raiva.
xXx
Era bem cedo, mas Marcus estava acordado senão pela razão de que Harry não estava ao seu lado. Era nove horas, de um feriado, e Marcus Flint estava completamente acordado, de cara feia, com um livro de Herbologia em uma mão e as anotações de Hermione na outra. Com as mangas do uniforme enguidas até os cotovelos, com a camisa branca fora das calças e com a gravata da sonserina pendurada no pescoço, o sonserino saiu em direção ao Salão Principal, sem se importar com os corredores, confiando em seus pés. Harry dexara um bilhete dizendo que estava ajudando o meio-gigante, o qual gostava.
"Bom Dia, Hugh. Eu vi seus pais ontem a noite no jantar..."
A cabeça de Marcus virou imediatamente, assim que chegou ao Salão. Uma raiva eterna o invadiu e sua expressão ficou gelada. O garoto fechou o livro que lia e caçou com os olhos o homem que estava em frente aos seus amigos.
Adrian estava com a testa franzida, enquanto Hugh, sem expressão, inclinou a cabeça em respeito.
O homem em particular era um pouco mais baixo e muito mais magro que Marcus. Ele era considerado alguém que envelhecera bem e tinha um cabelo negro penteado para trás, formando um pequeno rabo. Sua pele tinha uma coloração oliva e seus lábios eram finos e caídos. Esse homem e Marcus compartilhavam os mesmos olhos, o mesmo cabelo e as semelhanças paravam aí.
Próximo a ele, havia uma bruxa de cabelo castanho, com um rosto oval, uma pele bronzeada e lábios bem vermelhos. Ambos aparentavam ser mais novos do que a realidade.
Jezabel e Seth Flint estavam em Hogwarts.
Adrian foi o primeiro a ver Marcus, antes dos outros, e logo todos os olhares estavam sobre o garoto. "O que diabos vocês estão fazendo aqui?" O sonserino disse severo.
"Marcus!" Jezabel esganiçou e correu até ele, mas o garoto saiu do caminho facilmente. Ele não queria que as garras dela o tocassem, mãe ou não. Ela ficou boquiaberta e mandou-lhe um olhar de aviso. A mulher recolheu os dedos e sorriu afetada. "Sentimos sua falta, Marcus."
'Puta besteira!' o garoto pensou com nojo. A mulher estava mergulhada em um falso açúcar, que deixava um gosto ruim em todos aqueles que sucumbiam a ela. Era como se fosse uma Viúva Negra.
Ele lançou um olhar de urgência ao pai. "Filho, nós viemos em nome de uma importante situação familiar." Seth disse com os olhos perpassando o garoto. "Aparentemente você se esqueceu com quem está a sua lealdade e está precisando de um lembrete. Ignorou minhas chamadas e agora eu estou aqui porque quero arrumar os seus erros."
A maioria dos sonserinos estavam por ali e aqueles que conheciam os Flints assistiam com interesse. Hermione estava parada na escada principal com Viktor ao seu lado. Marcus ficou aliviado ao ver que Harry não estava em nenhum lugar. Ele não precisava ver aquilo.
O garoto daria qualquer coisa para quebrar seu pai. O homem não merecia esse título. O contraste entre eles era completamente impressionante. Seth e Jezabel eram absolutamente maravilhos, enquanto ele não era nada como os dois.
"Você veio até aqui por nada, então. Eu renuncio meu Título como Herdeiro da Família Flint. Você pode ir embora agora."
Jezabel fez um som que aparentava um gato ferido, enquanto Seth sorria de lado. Marcus virou-se para ir embora, quando sentiu a mão de seu pai em seu braço.
"Escute aqui!" O homem sibilou baixo. "Não irei suportar isso. Você e aquele menino Potter. Eu fiz você, fiz o que você é, Marcus! Sou o responsável por criar você. Você é um instrumento abominável que eu vou usar quando ele voltar. Entendeu? Eu disse que ele está retornando e que você vai ficar ao meu lado, como minha arma, meu presente a ele!" Ninguém, além de Hugh e Adrian, o ouviu.
Porém, todos viram o olhar de raiva na face de Marcus. "Eu não sou como você, pai, vá foder com meus irmãos e me deixe em paz. Você pode ter me criado, mas eu posso acabar com você." Ele vociferou vingativo e escapou do aperto de Seth. "Vá para o inferno, Seth flint. Você também, Jezabel. Nunca mais entre no meu caminho, Seth, ou vou te mostar do que sou feito."
O Salão inteiro escutou, mas apenas poucos entenderam.
"Você é exatamente como eu, Marcus! Você sempre será como eu, eu te fiz desse jeito. Você não será capaz de se segurar contra seus instintos e então, o que fará?" Seth cuspiu contra as costas do filho.
Marcus parou no meio do caminho e olhou sobre os ombros. "Usarei você." Ele sorriu de lado ao ver o olhar de terror na face de Jezabel e o rosto vermelho e contorcido de seu pai. "Nesse meio tempo, eu me viro."
Nesse momento, o Diretor entrou na discussão. ", eu não aprecio suas grosseirias contra as crianças da escola."
"Esse é meu filho!"
"Enquanto ele está na escola, é meu aluno. Não me importo com a relação que você tenha com ele, . Enconste em um de meus estudantes e eu farei com que o senhor seja preso."
Jezabel estava de boca aberta, quando Seth agarrou seu braço. "Adorador de trouxas bastardo!" Ele sibilou para o homem de olhos brilhantes. "Vocês todos vão encontrar seu fim! Vamos Jez." Ele vociferou e a puxou em direção às portas.
Marcus foi se ocupar com o café da manhã, ignorando os olhares de seus colegas de casa e de outros. Hugh e Adrian sentaram-se ao seu lado e tudo ficou em silêncio. O garoto entrou de cabeça em seu livro de Herbologia.
Ele não se importava com Seth ou Jezabel. Ambos podiam ir para o inferno. Marcus não iria gastar sua energia com eles. O único que não estava presente na sonserina era Draco Malfoy, não que ele desse a mínima. Ocorreu um enorme barulho do lado de fora, sinalizando que uma tempestade acontecia.
Harry gostava da chuva, Marcus pensou consigo ao olhar para o céu cinza. Ele podia imaginar de leve seu namorado caindo na lama e rolando, enquanto dava risada. Era estranho pensar nisso e ficou perdido imaginando a cena.
As coisas estavam ficando estranhamente domésticas. Ele balançou a cabeça visivelmente e voltou para o livro, deixando Adrian e Hugh entretidos.
Um outro barulho de trovão ecoou no Salão Principal, as portas se escancararam e um Draco completamente molhado apareceu, de um modo completamente sem jeito, que ninguém jamais o vira fazer. O loiro correu até a mesa da sonserino e avançou em Marcus.
"O que é agora?" O garoto grunhiu. Ele já tivera que lidar com um idiota naquele dia e não queria lidar com outro. As perspectivas mostravam que o fim de tudo não seria bonito.
"Seu pai achou Potter..." O loiro sibilou, mas nunca terminou porque Marcus saiu correndo do Salão com uma velocidade que ninguém jamais o vira usar. Hugh e Adrian o seguiram rapidamente.
xXx
Harry caiu em gargalhada ao sair da cabana de Hagrid e entrar na chuva. Ele estava ensopado da cabeça aos pés, mas não se importava. A chuva estava quente e dava uma sensação boa ao ir contra sua pele, mesmo que suas roupas grudassem nele como cola. "Hagrid! Eu os tenho, o que mais você precisa?" O menino correu e quase tropeçou quando Canino pulou nele, feliz.
"Oi, Harry! Você vai ficar doente se continuar aí fora. Eu tenho que te agradecer. Não esperava que esse explosivin fosse tão longe, esse capetinha."
Harry respirou fundo de brincadeira. Apenas Hagrid podia chamar um caranguejo de um metro e meio que cospe fogo de capetinha. "Sim, bem, aquela ferroada não pode infeccionar. Eu não preciso que aquela morcega velha e cinza venha nos ensinar de novo." Ele gostava de Grumbly-Plank, mas falar aquilo fazia o peito de Hagrid encher de orgulho.
O homem ficou corado e balançou a mão. "Você não deveria dizer isso sobre uma velha senhora, mas obrigado Harry."
"Sem problemas." O garoto disse sorrindo. Ele amassou as folhas em uma pequena vasilha e colocou a substância sobre a face de Hagrid. Depois de feito isso, Harry lavou as mãos e usou a varinha para se secar, mesmo sabendo que era inútil. Ele teria que correr novamente para entrar no castelo. Seria divertido! Harry pensou em quantas vezes iria tropeçar e cair na lama.
Quando teve certeza de que o machucado não iria infeccionar, ele abraçou Hagrid, fez carinho em Canino, antes de dar Adeus. O garoto saiu novamente na chuva, que o cobriu completamente.
Harry usava uma veste azul simples, com alguns detalhes nos lados, mostrando uns traços cinzas. Ele chegou até o pátio e estava quase subindo os degraus molhados, quando foi atingido por trás, por algo que o fez ficar sem ar. O garoto caiu de joelhos na grama, com as mãos na lama, enquanto gritava. Quando se virou, encarou uns olhos negros.
"Crucio!"
Não havia como descrever a dor em detalhes. Harry gritou com toda sua força e soltou um choro completamente agonizante, enquanto convulsionava e tremia na lama.
"Você arruinou tudo!" O homem vociferou. "Tudo pelo qual trabalhei!"
Harry gritou mais, era como se facas em brasa o perfurassem de fora para dentro. Ele não sentiu vergonha por seu choro. Era muita dor, muita... pulsante e que fazia tudo girar, nada mais tinha sentido. Ele nem mesmo ouvia o homem que o segurava sobre tal maldição. Oh, era terrível.
"Seth, deixe-o em paz. Ele é apenas um menino."
"Cala a boca, Jez! Ele arruinou nosso filho!"
Marcus não viu nada além da ira que sentia, quando saiu da escola. A primeira coisa que ouviu foram os gritos infinitos de dor de Harry. Aquele som o torturou, foi tudo o que aconteceu para que sua sede de sangue aparecesse. Sua mãe gritou quando ele chegou perto e agarrou o homem pela garganta com apenas uma mão e usou a outra para tomar distância. Ele conseguiu quebrar algo e arrancou um grito ensurdecedor de seu pai. Um som bem indigno.
A varinha caiu das mãos do homem e Marcus o continuou apertando, até quebrar todos os ossos do braço dele e então arremessá-lo na lama.
"Marcus, não! Stupefy!" Jezabel acertou o filho com um fetiço de estuporação, que passou por ele como água. O garoto a ignorou completamente e continuou avançando contra o pai, que retrocedia na lama.
"Saia de perto de mim!"
"O que há de errado, pai? Não consegue lidar com a sua própria criação?" A primeira coisa que fez foi deixar o nariz de seu pai completamente aberto, apenas com um tapa de mão. A adrenalina surgiu e ele sorriu maliciosamente para o homem, que gritava em agonia. "Foi isso o que você fez de mim, sua ferramente voltou-se contra você e agora vai te matar." Quando sua mãe pulou nele para pará-lo, o garoto apenas a jogou na lama. Ela era muito pequena para se segurar e encontrou o chão. "Fique longe de mim, sua puta." Cuspiu.
"Não! Não!" Seth engasgou no próprio sangue, quando Marcus o levantou. "Sou seu pai!"
"E eu me importo, porque…?" Ele trouxe o homem para mais perto, assim ninguém poderia ouvir suas palavras sibiladas. "Regra número um, morte não tem parente. Regra número dois, Todo Mundo é seu inimigo, eu- você Seth Flint é meu inimigo. Regra número três, Você É uma Arma... Devo continuar...?" O garoto riu de modo malvado, devido ao sangue jorrado. Existiam marcas no homem, que ele nem mesmo sabia que tinha criado. Apenas lembrava do nariz. Era como se tivesse entrado em um transe, sem perceber que estava torturando o pai, enquanto vociferava todas aquelas palavras familiares.
Harry forçou a se soltar das mãos de Hugh e Adrian. Ele estava respirando com dificuldade e seu corpo tremia em choque e dor. Todos os professores lançavam feitiços estuporadores em Marcus, que sempre saía ileso. Ninguém se atrevia a chegar perto, ele estava em um estado muito perigoso e assassino.
Jezabel soluçava na lama, sua roupa perfeita estava suja e rasgada. Harry se aproximou.
"Não, Potter!" Severus Snape tentou agarrá-lo, mas com os reflexos de apanhador do menino, ele conseguiu se desviar do Chefe da Casa dos Sonserinos.
"Marcus Owen Flint!" Harry gritou e segurou os braços musculares do garoto para impedí-lo de dar outro golpe. Esse provavelmente seria fatal. "Não, Marcus, pára, por favor, pára. Não mais, Marcus, por favor."
O sonserino estava pronto para matar o pai e sentia, de verdade, que queria isso, que precisava acabar com a vida desse bastardo e, então, ouviu. A voz de Harry cantou em suas orelhas, passou por sua mente e então foi para seu coração.
"Por favor, Marcus!" Ele sentiu as mãos do namorado segurarem seu braço, desesperadamente, tentando puxá-lo. "Eu estou bem, Marcus. Por favor, ele não vale a pena." O menino gemeu contra seu biceps.
Marcus apertou o pai, que gemeu de dor. Ele estava uma bagunça sangrenta, quase todos os ossos do homem foram quebrados, incluindo a mandíbula e parte do pescoço, ombro e braço. Como uma marionete, Marcus, o soltou, deixando-o cair contra o chão.
Sangue escorria por suas mãos, peito e mesmo pelo rosto.
"Marcus!" Harry o cutucou dos lados, sem se importar com as manchas. "Marcus!"
O garoto respondeu ao passar seu braços em volta de Harry e puxá-lo para perto.
O Professor Dumbledore, Snape e McGonagall viram que tudo estava seguro e agiram. Alastor Moody grunhiu sobre traidores nojentos e o lugar ao qual pertenciam.
Marcus afundou o rosto no cabelo do namorado, percebendo a chuva, a lama e o cheiro que ele exalava. "Você está bem?" Sussurrou sem voz. Suas veias ainda estavam pulando em seu coração, que batia em necessidade e desejo.
"Bem, Marcus. Por favor, não o mate." Harry sussurrou. "Eu sei o que ele fez para você, sei no que ele tentou te transformar." O sonserino ficou rígido. "Mas, não vou deixar você e você não pode me deixar!"
"Eu não vou." Marcus disse do fundo do peito. Ele imaginou que se Harry sabia sobre o que seu pai tentara, então porque ainda continuava em sua presença?
"Isso significa nada de Azkaban!" Harry agarrou a camisa do namorado com mãos precisas e ficou na ponta do pé para beijá-lo no queixo. Seus músculos doíam e sua cabeça latejava devido ao cruciatus e ao choro. Entretanto, considerando tudo, ele estava relativamente sadio, exceto pelo ocasional tremor.
A chuva continuava caindo, lavando um pouco do sangue que estava sobre Marcus e apenas naquele momento, o grifinório se deu conta que a maioria dos sonserinos e dois terços da escola estavam parados na escada os observando.
Hermione, Viktor, Hugh e Adrian andaram até os dois, mas permaneceram em silêncio e observando.
Jezabel e Seth foram retirados dos terrenos e para longe do olhar de Marcus.
O Professor Flitwick aproximou-se guinchando, quando Hagrid apareceu trovejando. "HARRY! HARRY! Eu te ouvi gritar? O que te aconteceu?"
"Hagrid!" Hermione arfou. "Está tudo bem, Hagrid, devagar."
"Eu ouvi, eu sei que ouvi! O que aconteceu?"
"Estou bem, Hagrid." Harry disse vagarosamente levantando a cabeça de um ainda rígido Marcus.
"Não, você não estava, você estava gritando! Estava chorando, o que aconteceu?" O homem estava horrorizado. "Eu deveria ter chegado primeiro até você, você saiu da minha cabana! Eu fui atrasado! Fui atacado de novo." Ele mostrou as queimaduras da mão e Harry suspirou, não pela primeira vez, para seu enorme amigo.
"Você e explosivins!" Ele murmurou balançando a cabeça. Quando que o homem aprenderia?
"Hagrid, acalme-se!" Flitwick ficou ao lado do meio gigante e ambos fizeram uma figura e tanto. Um suspendendo a cabeça, enquanto o outro a abaixava miserável. "O o salvou do pior, agora se pudermos manter a calma. , por favor, leve o para a ala hospitalar?" O pequenho homem estava sem saber se Marcus responderia, mas o garoto de repente saiu de seu transe e concordou com as ordens do professor de feitiços.
Harry tropeçou um pouco, quando os nervos de suas pernas falharam. Marcus estava pronto e pegou o pequeno adolescente no colo. Harry grunhiu. "Estou bem."
"Não está." Marcus argumentou e vagarosamente os estudantes se afastaram como o mar.
Eles estavam com uma multidão, que os seguia. Algumas faces estavam horrorificadas e outras se escondiam, quando Marcus e Harry chegavam muito perto, mas nenhum deles foram registrados.
O grifinório apenas escondeu o rosto contra o peito do namorado e esperou pelo o que viria a seguir.
Ele estava feliz de ter impedido Marcus de matar aquele homem. Harry não conseguia pensar em como as coisas seriam se ele morresse e Marcus acabasse em Azkaban.
O menino se arrepiou violentamente e apertou o namorado com força. "Não me deixe."
"Você está tremendo." O sonserino disse, ao invés de responder. Depois de tudo isso, Marcus não sabia o que iria acontecer.
"Estou com medo."
"Ele não vai mais encostar em você."
"Estou com medo por você. Não te quero em problemas."
"Eu vou pagar pra sair dessa." Marcus disse simples. "O que ele fez pra você?"
"A Cruciatus..."
Marcus fechou os olhos, quando se aproximou da enfermarua e colocou a face, novamente, contra os cabelos molhados de Harry, próxima a orelha dele. "Sinto muito."
"Não sinta. Estou bem, nada que uma dormida não cure."
Mas Marcus ainda sentia. Ele sentia muito por tudo. Era culpa dele, tudo culpa dele. Como Harry podia perdoá-lo por isso? Por que ele iria querer perdoá-lo? Ele era um monstro com sede de sangue. Não era nada que Harry precisasse. Não era bom o suficiente.
O garoto estava fazendo as mesmas perguntas novamente. Por que? Por que Harry o queria? O monstro que ele era. Porém, mesmo sendo um monstro, ele nunca seria como seu pai. Ele não podia ser.
I could be cold
(Eu poderia ser frio)
I could be ruthless
(Eu poderia ser brutal)
You know I could be just like you
(Você sabe que eu poderia ser exatamente como você)
I could be weak
(Eu poderia ser fraco)
I could be senseless
(Eu poderia ser inconsequente)
You know I could be just like you
(Você sabe que eu poderia ser exatamente como você)
You thought you were standing beside me
(Você pensou que estivesse ao meu lado)
You were only in my way
(Você estava apenas no meu caminho)
You're wrong if you think that I'll be just like you
(Você está enganado se pensa que eu serei exatamente como você)
Just Like You - Three Days Grace
