- E então, Lorelai? – perguntou Emily cruzando os braços.
- A porta está trancada...
Soltando um suspiro cansado e descrente, a Gilmore mais velha anunciou que tinha uma chave reserva em seu quarto e que iria buscá-la, deixando seu marido, sua filha e o dono de lanchonete de vigias em frente à porta.
Estes dois últimos tentavam se comunicar e bolar um plano só com os olhos, o que não parecia estar funcionando muito bem, mas até uma leitura labial parecia arriscada demais.
Finalmente, depois de um tempo, o contato visual e silêncio foram rompidos por uma exclamação surda de Lorelai, como se esta tivesse tomado um susto.
- Alô, Sookie! Ha, ha. Ainda não me acostumei com o modo vibratório deste celular. Ahn... Tudo bem? – a expressão de Lorelai mudou para uma séria e preocupada -... Calma... Falo com você em um segundo – e virando-se para os dois homens ao seu lado acrescenta – me desculpem, mas eu realmente preciso atender esta ligação.
Sem esperar uma resposta ela dirigiu-se o mais rápido que pode ao lavabo, onde começou a discar o número da filha. Ainda não acreditava como não tinha pensado nisso antes, e admirava-se por ter sempre idéias tão brilhantes e magníficas.
Enquanto isso, na frente da porta...
Luke e Richard mantinham um silêncio, mesmo que desconfortável ambos estavam receosos de quebrá-lo, além de que a maior preocupação do primeiro era, na verdade, salvar a pele de seu sobrinho. Ele não fazia idéia do que poderia acontecer se este fosse pego por Emily.
- Não se preocupe, eu tenho certeza de que os dois sairão vivos da situação – disse Richard num tom natural.
O outro não respondeu nada, apenas acenou a cabeça para demonstrar que ouvira. Alguns minutos mais em silêncio e Emily aparecerá, com passos rígidos, uma expressão vazia e branca como uma folha de papel, os dois a encararam com curiosidade, mas ninguém perguntou nada.
Enquanto isso, no lavabo...
Não demorou muito para que Lorelai percebesse que seu plano tinha ido por água abaixo, e logo estava amaldiçoando a filha ingrata por não colaborar com sua ajuda e o namorado da mesma por ser um "retrógrado rebelde monossilábico luxurioso", segundo ela mesma. Por algum motivo, extravasar sua frustração em Jess pareceu acalmá-la, e ela decidiu voltar para frente de seu antigo quarto e ver se Luke havia sido mais bem sucedido do que ela.
- Mamãe, nossa! O que aconteceu? – perguntou assim que viu sua mãe. Logo em seguida seu sangue congelou imaginando que talvez, Jess e Rory teriam ido para outro quarto. Para o quarto de Richard e Emily. Para o quarto onde estava a chave reserva que sua mãe fora buscar.
- Esta festa libera alguma espécie de feromônio? Quer dizer, ajudar as pessoas dá tesão? – disse ela, num tom seco, ainda olhando para lugar nenhum.
- Tinha alguém em seu quarto? – estava mais aliviada, pela resposta só poderia ser outro casal – Sabe... Jovens estão sempre com os hormônios à flor da pele...
- Berenice e o marido têm 62 anos, Lorelai! – respondeu a mais velha finalmente se recuperando.
- Sem mais detalhes, por favor – a filha fez uma cara de nojo – mas isso prova que você estava certa, mamãe. Agora todo o estrago já foi feito, vamos esquecer essa história por um tempo e assim que eu encontrar com Rory juro que a coloco num convento imediatamente!
- Não seja ridícula...
E colocou a chave na fechadura e girou-a. Luke e Lorelai tentaram dar um grito, mas tudo se passou tão rápido que apenas puderam ver a porta se abrindo e revelando o que tinha em seu interior.
O casal recém-flagrado virou-se de um salto. A garota deu um gritinho alto e fino enquanto se encolhia de vergonha e o namorado a empurrava para colocá-la como uma barreira na frente dele.
Do outro lado, Richard, Emily, Lorelai e Luke tentavam digerir a cena que acabaram de presenciar.
- Ah Meu Deus! – exclamou Lorelai, com um alívio perpassando por seu corpo, olhando para Luke percebeu que ele estava sentindo o mesmo.
- Não é o que vocês estão pensando! – disse o garoto se atrapalhando – quer dizer...
- Apenas saiam daqui – respondeu Emily por fim, fitando a patricinha loira e o namorado enquanto saiam com um olhar de "seus pais vão ficar sabendo disso, mocinhos".
Enquanto isso...
Os dois não falavam nada. Jess admirava os traços da namorada enquanto acariciava esta, ele esboçava um leve sorriso ao mesmo tempo aquele silêncio dela o preocupava. Ela virou a cabeça para ele e respondeu a seu sorriso, acalmando-o.
- Eu... – fez ele, procurando algo a dizer.
- Obrigada. – ela disse por fim.
- Acho melhor a gente ir... Antes que sejamos pegos – respondeu o namorado sorrindo de novo e em seguida beijando-a na testa.
- Acho que você está certo...
Então, muito lentamente, os dois foram se levantando, pegando suas roupas, vestindo-as de volta, saindo da casa da piscina e voltando à festa.
Foram encontrar-se com Lorelai e Luke no meio da escada, pedindo para que fossem para casa, no tom mais natural que conseguiram. O primeiro casal concordou que a festa acabara para eles então os quatro procuraram se despedir de Emily, que não escondia sua cara de decepção com a neta, e Richard, que parecia impassível diante de toda a situação.
Lorelai e Rory entraram no carro da primeira assim que se despediram de seus respectivos namorados.
- Então... Como foi sua noite? – perguntou a mãe ligando o velho jipe.
- Ainda estou absorvendo algumas coisas – respondeu a filha sorrindo de leve sem olhar diretamente para Lorelai – mas foi muito boa. Você acha que vovó desconfia de alguma coisa?
- Não. Ela tem certeza. O lado bom é que acredito que nós nunca mais seremos convidadas para nenhuma festa beneficente do DAR – depois de um tempo de silêncio ela acrescenta – posso te perguntar uma coisa? – a filha fez que sim com a cabeça – porque você decidiu fazer isso aqui?
- Eu não sei... É o lugar onde fui concebida, achei uma boa idéia... – respondeu a garota de forma vaga, como se não estivesse prestando atenção na conversa.
As duas desceram do carro e dirigiram-se a entrada de casa.
- Numa coisa mamãe estava certa – começou Lorelai – foi a melhor festa beneficente do DAR, pelo menos para nós duas.
- No mínimo a mais inesquecível – concordou a filha. Elas sorriram e entraram em casa.
- Boa noite, Rory.
- Boa noite, mamãe.
Bem, depois de ficar mais de dois anos com todo o desenvolvimento de uma história na cabeça eu meio que esqueci de pensar em como ela acabaria. Talvez tenha ficado meio apressada, talvez eu devesse tê-la dividido em dois capítulos. Mas eu gostei como terminou, mal posso acreditar nisso. Espero que vocês gostem. Quanto a prometida descrição do desafio, eu mudei de idéia, se alguém reivindicar por isso coloco depois aqui ou em meu profile. De qualquer forma...
Agradeço à Adriana Vita, Júlia, Flávio, Paulo, Maria Mariana e Batatinha pelo apoio, graças a vocês consegui concluir esta história, e aos leitores silenciosos também, mesmo porque o número de hits na página também é incentivador.
Trabalharei agora em minha nova fic, espero vê-los na próxima.
Beijos.
