Capítulo 9
Agosto de 2006
"São só três dias. Você mal irá sentir minha falta".
Deitada de bruços na cama, ela olhava ele fazer as malas, Sara se sentia como uma adolescente. Fazer birrar não podia estar ajudando. Ela precisava agir como alguém da sua idade, aceitar a situação com graça e dignidade.
Mas a criança dentro dela estava berrando com todas as forças de seus pulmões. Meu namorado está indo de novo e não me levará junto!
"Do que se trata esse seminário?" Ela administrou sua pergunta para parecer totalmente casual. "Eu pensei que você tinha esgotado todos os assuntos, considerando que esta é a 15º aula que você dar lá. Nesses três meses".
Ele não percebeu a magoa nas palavras dela ou escolheu ignorar. "O besouro do tapete e seu papel no processo de decomposição".Grissom pausou. "Sara, cadê a minha gravata cinza?"
"Não sei", ela mentiu. O ultimo lugar que ele olharia era na gaveta que ela se apropriou quando começou a passar mais noites na casa dele do que na dela. "Eu espero que eles se dêem conta à sorte que têm em ter lá você bastante".
Ele respondeu dentro do armário, enquanto procurava sem sucesso entre as suas gravatas pela segunda vez. "Estou feliz em ajudá-los. Não há muitas universidades que oferecem um diploma de entomologia forense. Quando eu estava estudando, não pude nem ter um diploma básico em entomologia. Só de biologia com especialização em insetos". Ele saiu de dentro do armário frustrado. "Acho que foi misturado com as roupas lavadas a seco".
Sara saiu da cama e foi por trás dele. "Você sabe, eu nunca fui para Nova Orleans". Ela pôs os braços em volta da cintura dele, abraçando-o. "Eles não podem segurar você durante três dias numa sala de aula. Nós podemos visitar a cidade. O quarteirão francês que sobreviveu o furação, então..."
Ele se virou e beijou a testa dela. "É tentador, mas não acha que ficaram desconfiados se nós dois desaparecermos ao mesmo tempo?"
Ela ficou quieta por um longo momento antes dele continuar a fazer as malas. Quando ela finalmente o olhou novamente, foi através da película de lágrimas quentes.
Chorar fez ela sentir ainda menos a sua idade, mas não podia fazer as emoções que abasteciam as lágrimas desaparecerem. Ele não tinha idéia como era mal os pensamentos dele que saiam algumas vezes. Se ele soubesse, ela sabia que ele faria qualquer coisa ao seu alcance para mudar. Mas ele era o Grissom e se ela não dizer para ele o que a magoava, ele nunca saberá.
"Então... quanto tempo nós estamos planejamos manter tudo isso em segredo?"
Ele olhou para ela. "Sara?"
"Já passou um ano, Gris. Mais que um ano". Sara olhou para o teto. "Discrição é importante, mas..." Sara respirou de vagar, coletando para si. "Eu sei. Isto é o que concordamos em fazer para ficarmos juntos.Eu só... é difícil..." Ela balançou a cabeça. "Desculpe".
"Eu te levaria comigo se eu pudesse, Sara". Grissom olhou para sua mala de viagem por um segundo. "E, por favor, não pense que eu não gostaria de ir trabalhar hoje à noite e dizer pra quem quiser ouvir que eu passei os últimos quinze meses com você.Não posso. Por várias razões". Mordendo o lábio dela, ela concordou.Ele se aproximou dela, pondo suas mãos no rosto dela. "Eu não sei como você me atura, querida. Mas eu tenho muita sorte de você fazer isto".
"É fácil", ela respondeu suavemente. Ela queria dizer essas palavras há muito tempo. "Eu te amo".
O pomo-de-adão dele estava mais visível agora que ele tinha tirado a barba. Ela ainda estava se acostumando com a mudança.
"Eu acho que irei pegar a azul no lugar da cinza", Ele disse de repente. "Você pode pegar pra mim?"
Quando ele se virou, Sara recuperou a gravata cinza da sua gaveta e pôs na mala dele.
Laura colocou sua neta dentro do carrinho e fechou o zíper do pequeno casaco dela. O laboratório de criminalística da polícia de Las Vegas era um lugar frio, e Cassie estava há alguns dias resfriada.
"Mama?" Cassie perguntou.
"Sim, nós vamos ver a mama", Laura disse a ela. Ela foi em direção a recepcionista de cabelo enrolado que tinha acabado de desligar o telefone. "Você pode me dizer onde eu posso encontrar Sara Sidle?"
A garota se inclinou sobre o balcão. "Oh meu deus... é a Cassie? Ela está tão grande! Olá amorzinho!" Cassie aceitou a atenção com um largo sorriso. Laura sorriu orgulhosa. Ainda olhando para baixo no carrinho, a garota disse: "Eu posso chamá-la, senhora".
"Isso não é necessário. Nós vamos até ela".
A recepcionista que tinha no seu crachá escrito 'Judy', olhou-a. "Desculpe, mas não deixamos os visitantes andarem desacompanhados. Se você esperar, ela estará aqui em alguns minutos".
Laura não tinha muita escolha. Judy já estava no sistema de comunicação. "CSI Sidle, você tem uma visitante na recepção".
Como a recepcionista tinha dito, não demorou muito para Sara parecer no balcão. Ela vestia um macacão azul do laboratório por cima de suas roupas que ela veio trabalhar a quase 18 horas antes. Seu cabelo estava puxado para trás num bagunçado nó e ela tinha um lápis preso atrás de sua orelha. Embora os círculos escuros embaixo de seus olhos, ela sorriu ao ver sua filha.
Antes de ela agradecer sua mãe, Sara pegou Cassie dentro do carrinho e a segurou em seus braços. Ela não disse nada por alguns segundos. Ela só segurou sua filha.
"Mama", Cassie protestou, agitando-se nos braços de Sara. "Vamô".
"Obrigada por trazer ela". A voz de sua filha estava baixa por estar exausta.
"Sua voz soou horrível no telefone, Sara". Laura queria abraçá-la, mas manteve suas mãos na alça do carrinho. "Tem alguma coisa errada?"
"Caso difícil", Sara sussurrou entre os cachos de cabelo da Cassie. Depois de um segundo, ela relaxou o abraço em volta da menina. Mas ela não estava muito disposta em colocá-la no chão. "Eu não posso falar sobre isso".
Francamente, estava tudo bem para Laura. Ela sabia o suficiente sobre a profissão de sua filha para nunca querer saber dos detalhes. "Bem. Eu trouxe para você um pouco de comida. Pode reservar um minuto para comer?"
Ela olhou como se querer recusar, mas alguma coisa deve ter mudado a idéia dela. "Sim, posso".
Na sala de descanso, Sara obedientemente comeu seu sanduíche de vibras e vegetais. Cassie estava sentada no colo dela, falando de brincadeira no seu celular de brinquedo, fazendo mais barulho do que dizendo palavras certas. Laura olhou ao redor, se familiarizando com o lugar em que Sara passava a maioria do seu tempo.
"Eu não sei", ela pensou alto. "Eu sinto como se constantemente sou observada por todas essas paredes de vidro".
"Nos mantêm trabalhando", Sara disse.
Laura tremeu. "Será que congelar deixam vocês trabalhando, também?"
"São para os equipamentos. As maquinas ficam quentes".
Elas ficaram um tempo numa quieta calmaria, que só foi quebrada pela conversa imaginária de Cassie.
"Papa", ela disse no telefone. "Papa vamô".
Sara pousou seu sanduíche numa precisão cuidadosa. Do nada, ela mudou de assunto. "Eu vou voltar a colocá-la na creche semana que vem".
Embora ela soubesse a hora que não seria mais necessária estava chegando, ainda a machucava de repente ter que partir. Laura piscou os olhos antes de acenar com a cabeça. "Claro. Ela precisa estar com outras crianças".
"Eu pedi para ficar no turno da noite. Eles estão com poucas pessoas e... bem, é mais fácil dormir sozinha durante o dia".
Laura estava confusa. "Se você vai trabalhar a noite, quem vai ficar em casa com Cassie?"
"Eu tinha esperança… de ser você". Ela pos sua bochecha na cabeça de sua filha. "Se você precisa ir, vou entender, e procuro alguém. Mas..."
"Querida". Dessa vez, ela não foi capaz de mantê-la fora de seu alcance. Mas um segundo depois, ela tocou a bochecha de sua neta em vez do braço de sua filha. "Eu não vou para lugar algum".
Um sorriso triste apareceu nos lábios de Sara. Ela abraçou sua filha. "As pessoas sempre dizem isto".
TBC
