As crônicas de Sesshoumaru

Por Amanda Catarina

Inuyasha e personagens pertencem à Rumiko Takahashi.

Nota: Sentenças entre aspas indicam pensamentos das personagens.

Capítulo 10: Inquietações

Kouga olhava para a estrada adiante, esperando ver Inuyasha e seu irmão chegando por ali. Atrás dele, numa cabana modesta, a youkai lobo estava sob os cuidados de um curandeiro já idoso, que não temia youkais. Pensativo, o líder lobo refletia naquilo que, até então, sabia sobre a tal Yeda, intrigado com o apresso que Inuyasha passou a ter por ela tão rapidamente.

– Senhor Kouga - chamou aquele curandeiro – Bom dia.

– Ah, bom dia, velho senhor. Como ela está?

– Melhor do que eu esperava. Está consciente agora, se quiser falar com ela.

– Quero sim, eu estou esperando dois... amigos. São youkais também. Assim que eles chegarem, deixe que entrem.

– Sim, senhor.

Ao adentrar a cabana, Kouga se surpreendeu ao se deparar com a youkai, compreendendo então as palavras do curandeiro. Ela ainda parecia um pouco abatida e, apesar das ataduras pelo corpo, já não havia ferimentos no rosto. Os cabelos, outrora tão longos, foram bem aparados, pois haviam sido irreparavelmente danificados pela transformação monstruosa, mas ainda alcançavam os ombros dela. Achou-a bonita, mas nenhuma mulher mexia com ele como Kagome. Quando ele se aproximou, ela sentou-se no futon.

– Olá. Eu me chamo Kouga. Sou líder de uma tribo de youkais lobos e amigo de Kagome - anunciou, sentando-se ao lado dela em seguida.

– Pois é um prazer conhecer alguém tão ilustre – falou respeitosamente. – Meu nome é Yeda. Eu andava errante por esse mundo, mas desde que conheci Inuyasha e seus amigos, tenho estado com eles. Pelo visto, além da raça, temos em comum a amizade com aquela amável humana.

– E a cor dos olhos também - acrescentou ele, fazendo-a sorrir.

– Não me lembro do que aconteceu, mas aquele senhor me disse que foi você quem me trouxe até aqui. Agradeço pela ajuda, Kouga. E fico em débito com você.

Ele notou que ela parecia jovem, mas seu jeito de falar lembrava alguém de mais idade.

– Esqueça. Estou sempre pronto para ajudar a Kagome.

Apesar da surpresa, Yeda assentiu com os olhos.

– Você poderia me contar... - dizia ela, mas silenciou ao sentir um cheiro familiar.

Kouga, que a encarava, também farejou a aproximação e, num repente, a porta encostada se escancarou e eles ouviram uma voz conhecida chamando o nome dela.

– Inuyasha? - abismou-se a youkai.

Achegando-se depressa, ele desceu ao chão e, se Kouga não tivesse se afastado, teria levado um encontrão dele.

– Tudo bem? Você está melhor? - perguntou preocupado.

– Sim - confirmou com um leve riso e segurou nas pontas do cabelo. – Quase fiquei careca, mas estou viva - brincou, fazendo-o rir levemente.

– Se já está fazendo piadinhas, deve estar melhor mesmo.

Sesshoumaru apareceu na entrada e a expressão de Yeda exibiu espanto ao vê-lo.

– Que bom que vocês finalmente chegaram - disse Kouga. – Eu já ia contar a ela o que aconteceu.

– Por favor - ela pediu, com os olhos marejados de lágrimas por rever os irmãos.

Assim que o líder lobo relatou o que lhe competia, Yeda tomou a palavra e contou tudo de que se lembrava.

– Que coisa... - abismou-se Kouga – eu nunca imaginei que se tratasse do Naraku. Agora está explicado porque a senhorita ficou daquele jeito - fez uma pausa. – Mas você acha que ele morreu?

– A última coisa que me lembro foi de ver ele tombado, mas não posso afirmar se estava morto. Naquela hora, meus sentidos já estavam descontrolados.

– Yeda, só tem uma coisa que eu ainda não entendi... - começou Inuyasha. – O que o Naraku queria de você?

Sesshoumaru bufou diante do tom ingênuo do irmão, pois, para ele, estava claro que o malvado estivera interessado em ter tido Yeda como sua companheira, e o constrangimento na expressão dela serviu como evidência de sua dedução.

– Não importa mais - ela respondeu, após vários instantes. – E é impossível saber quais eram as verdadeiras intenções dele.

Julgando a resposta muito evasiva, o youkai branco logo contestou:

– Não acho que esteja sendo sincera.

– Por quê não? - o meio-youkai foi mais rápido em questionar.

Yeda encarou Sesshoumaru, esperando que ele dissesse algo mais. Como não o fez, respondeu:

– Penso ser melhor esquecer o assunto a repetir o disparate que ele dizia de ter se apaixonado por mim.

Os três demonstraram espanto.

– O Naraku? Apaixonado por você? - abismou-se Inuyasha, até levemente ruborizado.

– Será que além de ingênuo, você é tonto? - Sesshoumaru o provocou.

– Repita isso, seu... - dizia ele, mas Kouga o interrompeu:

– Disparate? - questionou, encarando a youkai. – Concordo que é difícil acreditar que um miserável como o Naraku realmente se interessasse por alguém, mas a senhorita precisa admitir que ele teve então várias chances de absorvê-la e não o fez.

– Pare com isso, Kouga! - mandou Inuyasha. – Aquele asqueroso do Naraku estava querendo... abusar da Yeda. Isso sim!

– Seja como for eu preferia que não falássemos mais disso - ela pediu suplicante. – E espero que essa história tenha chegado ao fim.

Kouga e Inuyasha assentiram com a cabeça.

O tom arrastado e o semblante abatido dela não passaram desapercebidos pelo youkai branco, que fez ainda um último comentário:

– Mesmo que Naraku ainda esteja vivo, certamente não é mais uma ameaça. Portanto, não pense mais nisso e tente descansar um pouco.

– Isso, descanse, Yeda - aprovou Inuyasha. – Mais tarde vamos voltar pra casa!

Ela sorriu levemente e logo se deitou, então falou num tom baixo, olhando na direção do youkai branco:

– É, agora que o vilão desapareceu, vamos voltar aos planos de antes.

Sesshoumaru entendeu que ela se referia à proposta de que ele, Rin e Jaken passassem a viver no vilarejo que Inuyasha e os outros viviam, contudo continuava decidido a recusar isso.

ooo ooo ooo

Na tarde daquele mesmo dia o quarteto youkai partiu. Inuyasha carregando Yeda nas costas, saltando baixo ao lado de Kouga, e Sesshoumaru seguindo mais atrás.

– Lobo-fedido, você tem certeza que isso é um atalho? - indagou Inuyasha.

– Mas é claro, cara-de-cachorro. Vamos ganhar muito tempo indo por aqui - respondeu e fez um gesto chamando o outro para um cochicho. – Ei, seu irmão é sempre tão calado assim?

– Pior! Mas até que ele falou bastante lá na cabana, não?

– Prestem atenção no caminho - mandou Sesshoumaru.

– Estamos prestando! - berrou Inuyasha, voltando-se para trás e, é claro que, em seguida, deu de cara com uma árvore. – Ai... - ele gemeu, descendo ao chão.

Kouga desatou a rir.

– Seu imbecil, tome cuidado - ralhou Sesshoumaru, contudo num tom contido.

– Pois eu nem me machuquei! - respondeu, esfregando a mão no nariz.

– E quem se importa? - devolveu friamente o mais velho. – Não foi por sua causa que eu falei.

– Vejam só, ele se importa comigo - Yeda se pronunciou, surpreendendo-os, pois até então se mantinha bem quieta, reflexo da fraqueza que sentia.

– Ainda não se sente bem? - questionou Sesshoumaru, intrigado, uma vez que sentia o youki dela consideravelmente forte, mas só obteve uma negativa de cabeça em resposta.

– Não é problema eu levá-la - Inuyasha se meteu.

– Perguntei alguma coisa pra você?

– Miserável duma figa! Você me respeita...

– Que foi? - Yeda os interrompeu. – Acha que estou me fazendo de doente para a viagem demorar mais? Isso tudo é saudade da Rin? - provocou, de olhos fechados e a cabeça deitada no ombro de Inuyasha.

Sesshoumaru cerrou o punho em sinal de fúria.

– Você consegue ser tão insuportável quanto este meu irmão - ele bronqueou entre dentes.

– Deixe estar, Yeda... - Inuyasha falou e logo seguiu adiante, sempre acompanhado por Kouga, que se divertia com a discussão.

Sesshoumaru sentia algo estranho em Yeda. Ela parecia estar escondendo algo e usando as provocações para disfarçar isso. Receoso, pensou se ela ainda seria a mesma, depois de ter absorvido a energia de Naraku.

"Será que ainda posso confiar nela? A energia maligna daquele perverso não poderia dominá-la de novo? Rin estará segura perto dela?"

Essa última indagação o inquietou mais que as outras. Porém, só o tempo traria essas respostas.

ooo ooo ooo

Nas proximidades da cabana de Kaede, Jaken e Rin aguardavam o retorno de seu mestre, em companhia de Shippou, Miroku e Sango. Era uma manhã de inverno mais amena, até um sol pálido dava às caras. Rin brincava com sua bola, quando avistou Sesshoumaru chegando mais adiante.

– Veja, senhor Jaken! É o senhor Sesshoumaru! - exclamou alegremente. – E estão trazendo a senhorita Yeda!

– Até que enfim o senhor voltou, senhor Sesshoumaru!

Os dois saíram correndo de encontro ao youkai branco.

– Senhor Sesshoumaru! - exclamou a menina, radiante.

– Comportou-se, Rin?

– Claro!

– Seja bem vindo, senhor Sesshoumaru! - saudou Jaken, com os olhos transbordando de lágrimas.

Os demais também se aproximaram.

– É a senhorita Yeda! - vibrou o filhote de raposa.

– Então vocês conseguiram - comentou o monge.

– Estão todos bem? - perguntou a exterminadora. – A senhorita Yeda está... ?

– Ela está só dormindo - Inuyasha esclareceu. – Deu tudo certo.

– Graças a mim! - gabou-se Kouga.

– É, tivemos a ajuda dele - Inuyasha falou num muxoxo.

– Obrigada, Kouga! - disse Sangou e curvou-se diante dele.

– Você me agradecendo? - ele estranhou.

– Foi pra libertar meu irmão que a senhorita Yeda se entregou àquele verme do Naraku.

– Ah, entendi. Não houve tempo para explicações quando Kagome me pediu para ajudá-los. E a propósito, onde está ela?

– É, onde está ela? - berrou Inuyasha.

Sango nem precisou responder, pois Kagome logo chegou ali, acenando e correndo até eles, com um lindo sorriso nos lábios, para deleite do youkai lobo e do meio-youkai também.

Após as saudações, os recém-chegados contavam as novas enquanto seguiam todos para a cabana de Kaede, inclusive Sesshoumaru e seus protegidos.

ooo ooo ooo

Sesshoumaru e seu grupo continuaram no vilarejo pelos longos sete dias seguintes, durante os quais Yeda esteve desacordada, pois não havia se recuperado de todo ainda. Quando ela soube que o youkai branco permanecera ali por tantos dias ficou muito surpresa, mas não pouco contente. Em frente à cabana, na presença de Inuyasha e os amigos, os dois conversavam.

– Que surpresa vê-lo aqui ainda, Sesshoumaru.

– Rin se negou a seguir enquanto não lhe falasse - ele se justificou, áspero.

– Ah, é? - ela indagou abaixando a fronte à pequena, que tinha ficado bastante corada com as palavras de seu mestre. – O que queria falar comigo, Rin?

– É que eu... tive medo que a senhorita não acordasse mais. E também... queria agradecer por ter cuidado de mim quando fiquei doente.

Yeda sorriu a ela, porém Sesshoumaru acabou com a ternura do momento ao dizer:

– Se era só isso, então já podemos partir.

Rin abriu a boca numa muda exclamação. Pensava que poderia passar algum tempo com a youkai lobo. Ficou triste e não foi a única, Kohaku também lamentou pela resolução do youkai branco. Sesshoumaru notou o desapontamento dela, mas se manteve irredutível. Jaken ia tentar interceder, porém Yeda foi mais rápida:

– Mas você pensou melhor naquela minha proposta, Sesshoumaru?

– Não há o que pensar. Já tinha falado que minha resposta não mudaria. Vamos... Jaken, Rin - chamou e virando-se, saiu andando e logo foi seguido pelos protegidos.

O trio já estava um tanto distante, quando o youkai branco percebeu que a youkai lobo os seguia.

– Sesshoumaru! Espera! - gritou ela, correndo para alcançá-lo.

– Não perca seu tempo, Yeda - retrucou sem nem olhá-la, mas se deteve ao sentir seu ombro sendo puxado.

– Espera! Vamos discutir isso melhor. Não notou o quanto a Rin ficou triste?

A pequena balançou a cabeça, alarmada, temendo que os dois brigassem. Afastando com rudeza a mão dela de si, ele se voltou e revidou enfático:

– Eu sei o que é melhor para eles. Você trate de cuidar de seu bando.

Ho - ela fez um gesto defensivo. – Tudo bem, eu não posso obrigá-lo a ficar, mas acho que faz mal nos deixando - emendou calmamente.

– Eu não preciso de vocês.

– Ah é? Pois me pergunto como vai se virar sendo assim tão arrogante! - ela retrucou de pronto.

– Como se atreve? - indignou-se ele.

– Sim, senhorita Yeda, a senhorita não pode falar assim com o senhor Sesshomaru! - asseverou Jaken.

Mas ao invés de se retratar, ela prosseguiu, indiferente:

– Ouça, lucrar oferecendo serviços aos humanos requer negociação. E você tem o péssimo hábito de tomá-los sempre por inúteis! Se ficasse, eu me encarregaria da negociação e você só teria que enfrentar os inimigos.

Puro descaso pairava no olhar dourado dele, mas como permanecesse quieto, ela continuou:

– E diga-me, com quem irá deixar os dois quando estiver liquidando youkais perversos, hein?

– Cale-se! - mandou alto, mas logo virou o rosto de lado, ponderando. – Por que faz tanta questão da minha permanência aqui?

– Porque será vantajoso para todos nós, é claro! E além disso... - ela hesitou momentaneamente – é tão divertido ver você e o Inuyasha discutindo!

Jaken bateu na testa e Rin abaixou os ombros, em sinal de pesar, com o que julgaram um deslize da youkai.

"Ela estava indo tão bem.", pensou Jaken.

– Basta, sua impertinente! - rosnou o youkai branco. – Deixe-nos! - bradou e deu as costas.

– Um mês, Sesshoumaru - Yeda insistiu ainda, mostrando não ter se intimidado com a explosão dele. – Fique com a gente um mês. Se depois desse tempo, não tivermos lucrado o bastante, pode ir para onde bem entender.

– Sesshoumaru não seguirá suas vontades.

– Não é por mim... - disse e olhou para a menina.

Ele abaixou os olhos. Rin tinha uma expressão angustiada. Definitivamente, não gostava de reconsiderar nada e nem voltar atrás numa decisão, mas não era tão simples menosprezar o fato de que a pequena havia simpatizado com aquela youkai. Ademais, não tinha nada melhor em vista, pois recorrer ao clã dos youkais cachorros implicaria em levá-la para o meio de youkais não-híbridos e, consequentemente, pouco amistosos com humanos.

– Muito bem - ele falou enfim, deixando os pequenos boquiabertos com isso. – Mas se dentro de um mês, as coisas não estiverem bem diferentes, partiremos.

– De acordo! - disse Yeda, com um enorme sorriso.

– Nós vamos mesmo ficar, senhor Sesshoumaru? - Rin perguntou e, ao receber um gesto em confirmação, agarrou as mãos do youkai sapo. – Vamos ficar, senhor Jaken! Vamos ficar!

– Oba! - vibrou ele também e, contentes, começaram a girar em ciranda.

Yeda sorriu diante da cena e logo chamou:

– Então vamos de uma vez! Daqui já posso sentir o cheirinho do arroz da senhora Kaede.

Os dois seguiram com a youkai, mas Sesshoumaru continuou no lugar por um tempo.

– Tenho a impressão de que ainda vou me arrepender disso - ele murmurou consigo.

Mas estava equivocado.

ooo ooo ooo

Adquiriram um grande terreno, no vilarejo mesmo, onde construíram uma mansão à moda dos castelos dos senhores feudais. A renda para a obra proveio de serviços de extermínio de youkais, captura de ladrões e escolta de nobres. Além disso, Sesshoumaru possuía alguns recursos. Bastou que reclamasse seus direitos aos administradores do clã de seus pais, para que tomasse posse de sua parte da herança. Foi uma significativa ajuda.

A idéia inicial era a construção de uma única casa, mas chegando ao consenso de que seria melhor se cada grupo tivesse seu espaço, construíram quatro casas naquele terreno. Na direção oeste, ficava a casa de Sesshoumaru. Ao norte, ficava a casa de Yeda; lá fizeram um amplo salão onde se reuniam em dias festivos. Ao sul, ficava a casa de Kaede; Inuyasha e Shippou moravam ali e Kagome pousava lá com freqüência. Por fim, a casa ao leste era de Miroku, Sango e Kohaku.

Falando ainda da casa do youkai branco, era bastante ampla e a decoração, requintada. Ele, Jaken e Rin tinham cada qual seu próprio quarto. Tão logo passaram a essa morada, Sesshoumaru começou a presentear seus protegidos fartamente. Para Jaken ele trazia livros, ferramentas, vestes. Para Rin, brinquedos, kimonos e presilhas de cabelo. Muitos desses itens, sobretudo os livros, despertaram o interesse de Yeda que, após um certo período de estudos, se comprometeu a ensinar Rin e Kohaku a ler e escrever.

O quarto de Rin era ostentoso tal qual de uma princesa imperial. Com o passar dos anos ela se tornou superprotegida, tanto por Sesshoumaru, evidentemente, como por Jaken e até mesmo por Yeda, com quem estava sempre que podia.

E foi assim que, num ritmo tranquilo, cinco anos se passaram.

Era tarde da noite. Sesshoumaru acabara de chegar de uma empreitada na qual havia atuado sozinho, pois seu irmão e Yeda cuidavam de outro serviço. Estava extenuado, porém fez questão de uma sorrateira passagem no quarto de Rin. Queria certificar-se de que ela estava bem.

Encontrou-a estirada no futon, dormindo profundamente, a cabeça sobre um travesseiro estreito, o corpo sob uma colcha bordada e o rosto parcialmente escondido pelo cabelo escuro. Ele tocou de leve sua fronte, atento ao seu calmo respirar. Ela estava crescendo, contava com onze anos então e a cada dia se tornava mais bela.

Tornava-se também muito refinada, mas, em personalidade, achava-a tão pura e inocente como sempre. E isso o deixava satisfeito, pois temia que perdesse sua simplicidade em função do luxo e da riqueza - que podem corromper facilmente os humanos -, e se transformasse numa nobre esnobe.

Vendo-a se remexer e resmungar, pensou que era melhor sair dali antes que fosse notado, mas permaneceu no lugar ao ouvi-la dizer seu nome. Estremeceu, perturbado. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, porém, naquele momento, o tom dela não soou como sempre para ele; pareceu-lhe regado com um tipo de admiração diferente.

"O que estará sonhando?"

Ele sabia, pela convivência, que Rin não o tinha como a um pai. Talvez, o fato de serem de origens diferentes contribuísse para isso. Por essa razão, se intrigava com o tipo de estima que ela mantinha por ele.

"Há momentos em que o modo como ela me olha, se assemelha ao daquela humana, quando olha para Inuyasha. Será possível que ela goste de mim dessa forma?"

Em seu íntimo sabia a resposta, apenas não tinha coragem de encará-la, ao menos não ainda. Suspirou levemente, então se levantou. Deixou o quarto, com um ar reflexivo e logo estava em seu próprio aposento. Perdeu o sono e passou aquele resto de noite meditando sobre sua relação com a jovem humana.

"O que o futuro nos reserva, minha querida Rin? Distanciamento ou união?"

A hipótese do distanciamento o assombrava quando cogitava a possibilidade de ela vir a desposar algum humano, Kohaku talvez. Porém, sempre que esse pensamento lhe vinha, o afastava com veemência, praticamente no mesmo instante. Não suportava a ideia de ter que entregá-la a outro. Se ele próprio se tornaria seu consorte, não sabia, porém afirmava com toda convicção que humano algum era digno dela.

– Seja como for, ainda é muito cedo para que eu me inquiete com tudo isso.

CONTINUA...

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Agradeço muito a todos que tem acompanhado e comentado, e a Hinalle pela betagem! Desculpem a demora e até a próxima!