Declaração: Olá! Estou de volta! Meio desesperada com meu TCC, mas pelo menos tenho meus acentos de volta! Hehehehe! GW não me pertence, estou muito ocupada agora pra bolar novos atentados...
Tati-kamikaze: Sim, tá esquentando! E continua esquentando mais pra frente! Desculpa q não tive tempo de procurar um site com o episode zero, mas se vc digitar gundam wing episode zero scanlations no Google, vc tem uma boa chance de achar em inglês. Um dia eu ainda vou catar um em inglês e trocar pra port e postar na internet pra quem lê meus fics poder entender... Bom, eu vou indo q tenho um monte de coisa pra fazer... Hj só tem 1 extra pq é longo... Bjos e vlw o review!!
Capítulo 10 – Descobertos
Finalmente amanheceu e logo a temperatura aumentou bastante, dando sinais de que aquela terça-feira seria talvez ainda mais quente que o dia anterior. Como estavam todos em alerta para uma possível evacuação do prédio, mas não queriam chamar a atenção de ninguém, todos tentaram manter a rotina ao menos perto do normal. Wufei foi trabalhar normalmente e Heero e Trowa foram para a oficina. Duo não precisaria trabalhar naquele dia porque simplesmente não havia serviço e Quatre também ficou. Hilde saiu para trabalhar, Relena só trabalhava a tarde e Sally ficou em casa depois de dar uma desculpa para faltar ao trabalho no hospital porque poderia haver soldados internados lá e ela poderia ser reconhecida.
- O Quatre disse que a Danielle ligou do hospital. Parece que está tudo bem, mas elas ainda vão demorar algum tempo. – Cézar falou, ao encontrar o Quatre e o Duo mais novos na portaria.
- Que bom. – respondeu a versão mais jovem do árabe. – Hm... Cézar...
- Diga. – o latino respondeu, sentando-se calmamente no degrau da portaria.
- Como ela, os meninos e o resto da minha família ficaram quando o meu "eu" daqui saiu de casa pra lutar?
- Ah, foi complicado. A Cruz do Norte atacou o escritório Central da Preventers e descobriu os nomes de vocês cinco. Eles conseguiram também dados da OZ e foram atrás da família do Quatre daqui, mas ele e os Maguanacs conseguiram forjar uns resultados e enganar a Organização pra pensarem que ele tinha morrido no bombardeio.
- Mas se o Sandrock apareceu nas notícias...
- Boa parte dos dados da Preventers foram deletados antes da Organização encontrá-los. Os dados antigos da OZ que eles encontraram só te ligavam a um ataque no Wing Zero, então eles não sabem que você quem pilota o 04.
- E a minha família, do Heero e do Trowa? – perguntou Duo.
- A OZ não tinha qualquer registro do seu paradeiro. O Quatre era conhecido na época, por isso foi mais complicado no caso dele. Parece que questionaram a Hilde uma vez. Acho que na hora ela foi bem convincente inventando alguma história pra despistar os caras e o Joshua ajudou na atuação.
- É? O que ela disse?
- Alguma coisa sobre você ser um vagabundo e ter saído de casa logo que o piá nasceu.
- Hein? – Duo reclamou, revoltado.
- Aí o Joshua jurou de pés juntos para os militares que ele nem sequer te conhecia. E como todos os registros de pagamentos, contas, etc. do ferro-velho estavam no nome da Hilde e não no seu, eles acreditaram. Claro que nada disso era verdade, mas ela teve de falar alguma coisa pra eles saírem do pé dela, não?
- E os outros?
- Bom, o Heero sempre ficou nas sombras depois da guerra. Ele e a Relena nunca casaram oficialmente, por isso nunca foram atrás dela. O Trowa foi outro que ninguém conseguiu encontrar quando a guerra acabou porque parece que a Lady Une alterou alguns dados anos atrás pra que ninguém incomodasse ele. Já o Wufei é procurado e a Sally ninguém procurou depois do ataque ao E Central em que morreu um monte de gente. Devem achar que ela morreu também.
- Como as coisas se complicam quando não se está mais sozinho. – comentou Duo. – Antes era tão fácil. A gente podia desaparecer da noite pro dia sem se preocupar e podíamos morrer que ninguém choraria por causa disso.
- As coisas mudam. – respondeu o latino.
- Mas não é perigoso estarem todos aqui agora? As crianças? – perguntou Quatre.
- Se nos pegarem, o que não deve acontecer porque tomamos precauções adequadas, o pior que acontece é termos de nos entregar. Nós, pilotos. Eles poderiam ameaçar as mulheres e as crianças pra conseguir o paradeiro dos pilotos, mas não teriam porque fazer nada à elas se nos pegassem. Felizmente, matar ou prender civis à toa não faz parte da política deles. Só quando eles estiverem no meio de um conflito, aí ele não dão à mínima se alguém morrer.
- É tudo parte do disfarce, não? Um prédio residencial normal não chama a atenção.
- Também. – Cézar concordou. – Mas se quer saber, acho que fizeram isso em parte porque o ataque à região 1 será decisivo. Nós podemos morrer lá. Cara, eu lembro quando eu e o Duo daqui combatemos juntos. Não tinha um dia que ele não falasse da mulher ou do filho dele.
Cézar se levantou outra vez, dizendo que ia falar com os outros para saber de alguma notícia. Os dois pilotos do tempo passado ficaram ali mais um pouco. Algumas crianças desceram e estavam brincando nos fundos da portaria. Duo e Quatre acabaram indo assistir as brincadeiras até a hora do almoço, quando cada um foi para seu apartamento almoçar e dessa vez foi Sally quem chamou os pilotos mais novos para almoçar.
- O Wufei não vem? – Sally perguntou na porta, quando recebeu as versões adolescentes de Heero, Duo, Quatre e Trowa em seu apartamento.
- Não sei.
- Ah, já tinha esquecido como ele era cabeça-dura... – ela reclamou, entrando.
Ia fechar a porta, porém, quando ouviu passos e o rapaz apareceu no corredor. Devido ao fato de os pilotos do passado não saírem para fazer compras, não havia muita coisa comestível nos dois apartamentos que eles dividiam e por mais que o chinês achasse a situação estranha, aquela era a melhor chance de um almoço decente que ele teria.
- Achei que você não vinha.
Wufei deu de ombros e entrou. Almoçaram mais ou menos em silêncio e logo chegou o Wufei mais velho. Ele sentou-se também, mas comeu pouco. Depois pegou o jornal do dia que havia comprado e começou a ler.
- Você usa óculos? – perguntou Duo, ao reparar nos óculos de aro prateado que ele estava usando.
- Se estou de óculos agora acho que a resposta é óbvia... – respondeu o Wufei mais velho.
Menos de uma hora depois, ficaram todos sabendo que Middie e Danielle já haviam voltado sãs e salvas. Não precisavam mais se preocupar com isso. A tarde ia passando quando alguém tocou o interfone.
- Que estranho. – falou Sally. – Nenhum de nós usa o interfone.
Ela se levantou e atendeu. Trocou rápidas palavras e depois de desligar, interfonou para outro apartamento.
- O que é? – perguntou o Wufei mais velho.
- Alguém quer falar com o síndico do prédio.
- Deve ser conta.
- É, eu acabei de falar com o Quatre.
- O Quatre é síndico? – perguntou o Duo mais novo, descrente.
- Nós não temos um síndico exatamente, mas ele quem cuida das contas do prédio normalmente.
Haviam se passado uns cinco minutos quando o celular do Wufei mais velho tocou.
- É o Cézar.
- No celular? Por que ele não liga aqui? – perguntou Sally.
- Não sei, mas não gosto disso. – a versão mais velha do chinês respondeu, antes de atender.
Todos o observaram por um momento. Sua expressão era séria, enquanto ouvia Cézar falar do outro lado da linha.
- O que é? – Sally perguntou.
- Inspeção surpresa no prédio. Os militares estão entrando em todas as residências procurando coisas suspeitas.
- Droga, eu sabia que aquele confronto ia nos dar problemas. Todos pros seus apartamentos, vamos. – Sally ordenou rapidamente.
- Esperem.
Os outros pararam no meio da sala sem entender, enquanto a versão mais velha de Wufei desaparecia pela porta do corredor. Logo ele voltou, com 5 identidades falsas nas mãos.
- Vocês não podem usar seus nomes aqui. Agora vão rápido pros seus apartamentos e ajam naturalmente.
Subiram e entraram nos dois apartamentos que dividiam. Logo alguém bateu nas portas dos dois apartamentos. Três homens de terno estavam no corredor acompanhados de Danielle, que parecia apreensiva.
- Seus pais? – perguntou um deles, ao que Duo abriu a porta de um lado e Trowa a do outro apartamento.
- Ahn... Em Sidney. – respondeu Danielle. – Eles estão estudando aqui pra tentar entrar na faculdade.
- Nós vamos dar uma olhada pelos apartamentos.
Um deles entrou no apartamento que Quatre e Trowa dividiam, outro entrou no apartamento de Heero, Duo e Wufei e o terceiro ficou esperando no corredor.
- Ei, moleque.
Quatre se levantou do sofá onde fingia estar vendo televisão.
- Você é a cara daquele síndico. – comentou, apenas por comentar.
- Ele é irmão do meu marido. – Danielle se apressou a dizer, entrando também. – Eu achei que vocês iam estudar hoje, não ver televisão. – ela continuou com voz de reprimenda, tentando ser mais convincente em sua história.
- A gente já ia começar...
- Identidade? – o homem de terno pediu, ignorando a atuação.
Quatre correu até seu quarto e voltou com o documento falso na mão. Trowa também entregou sua identidade falsa, que o homem conferiu cuidadosamente. Ele parecia incomodado com alguma coisa.
- Justin, seu sobrenome é diferente do seu irmão.
- Meu marido usa o meu sobrenome. – Danielle falou. – Senders é um sobrenome muito comum hoje em dia.
O homem devolveu as carteiras de identidade, deu uma volta pelo apartamento e depois saiu. No apartamento ao lado, o outro homem verificava a documentação dos outros três pilotos.
- Vocês estão aqui pra tentar entrar na faculdade?
- É, engenharia civil. – Duo falou, tentando entrar no espírito.
Duo deu uma cotovelada em Wufei quando o homem não estava olhando.
- Economia.
- Direito.
O homem devolveu-lhes os documentos. Andou pelo apartamento e foi embora.
- Direito, Heero? Você definitivamente não tem cara de advogado.
- Qualquer faculdade tem curso de direito, é um palpite mais seguro do que engenharia civil.
- Qualquer faculdade tem engenharia civil.
Depois que os três inspetores já haviam saído, os cinco desceram para encontrar o Quatre e o Wufei mais velhos no apartamento do árabe.
- Não gosto disso, eles ficaram encucados com alguma coisa. – falou Danielle.
- Ficaram mesmo. – respondeu o Wufei daquela época.
- Cadê o Duo daqui? – perguntou a versão mais nova do próprio.
- Saiu antes de eles chegarem. Ainda bem, porque mesmo mais velho ele é idêntico a você.
- Vamos ligar pra todos e decidir logo o que fazer. Acho que seria bom levar as crianças pra base até termos certeza de que eles não vão voltar aqui.
- OK, eu vou sair com a van então e vou buscar elas. – disse Cézar.
- Eu ligo pra oficina.
- Vou tentar contatar os outros. – falou Sally.
Todos se agilizaram e antes das cinco da tarde, o Duo, o Trowa e o Heero mais velhos estavam de volta. Sally, Danielle e Middie também estavam no prédio, mas Hilde e Relena ainda não haviam voltado.
- Péssimas notícias. – falou o Duo mais velho, entrando correndo no apartamento de Quatre e Danielle, onde todos haviam se reunido. – Têm soldados aqui perto, parece que estão vigiando o nosso prédio.
- Nós estacionamos nossos carros há duas quadras daqui. – disse o Trowa mais velho.
- Eu falei com a Hilde e a Relena e elas vão esperar a gente lá também nos carros delas. – respondeu Duo.
- Vamos ter de ir pro deserto mesmo. – falou o Trowa mais velho, ao mesmo tempo que Middie apareceu.
- Não vai ser fácil, mas nós temos uma saída escondida atrás do prédio.
- Vai ter que ser rápido, tem gente cercando o prédio. Eu vi da janela do nosso apartamento. – Middie falou, apreensiva.
- Então escolham suas armas e vamos sair daqui. Só levem o que for essencial. – falou o Heero mais velho, abrindo uma mala de ginástica onde estavam alguns revólveres.
Cada um dos cinco pilotos do tempo passado escolheu uma. O Quatre mais velho escolheu uma para Danielle e o Trowa mais velho também pegou uma para Middie.
- Vou pegar aquele colete à prova de bala velho pra você.
- Trowa, vista você. Você sempre se arrisca mais. – Middie pediu.
- Não, você vai vestir.
O homem subiu correndo e voltou com um colete que tinha um símbolo da polícia.
- Onde você arrumou isso? – perguntou a versão mais nova dele mesmo.
- Eu trabalhei na polícia uns anos, quando a Kathleen nasceu.
- Você não quer colocar mesmo? – Middie insistiu.
- Middie, por favor.
Ela vestiu o colete, apesar de não parecer muito feliz.
- Todo mundo pronto? – veio a voz de Heero, alta e autoritária.
Todos responderam que sim. Aparentemente o homem era quem iria comandar a operação de fuga e de fato ele estava determinado a tirar todos de lá com vida. Do lado de fora, o cerco de soldados se fechava cada vez mais. A temperatura diminuíra e logo escureceria.
- Vamos!
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Histórias do Pós-Guerra parte 12
27 de Dezembro de 201 d.c.
Praga, República Tcheca – Planeta Terra
Naquela manhã, dois dias após o natal, quando todos voltavam ao trabalho no E7, o grande assunto entre os agentes e funcionários era a festa de fim de ano no E Central, em Bristol, Inglaterra. Apenas pessoas de grande influência dentro da organização haviam sido convidadas para comemorar mais um ano de paz no grande e luxuoso salão de eventos do prédio do E Central.
- Ah, que coisa. – reclamou Sally, por sobre os relatórios em sua mesa.
Ao seu lado, Wufei tentava mais ou menos fazer uma triagem da documentação, facilitando a vida de sua chefe.
- O que foi?
- Todo mundo só fala nessa festa de fim de ano em Bristol. Me perguntaram umas três vezes hoje se eu já tinha escolhido vestido...
- Você vai, não é?
- Não tenho exatamente muita escolha. – Sally se lamentou.
- Não pode ser tão ruim. Metade do pessoal vai estar bêbado mesmo, então ninguém vai querer discutir trabalho.
- Imagino que não... Mas não muda o fato de que vou ter de viajar até a Inglaterra, comprar roupa, e tudo o mais.
- De avião daqui pra Inglaterra deve dar umas duas horas, não é tanto. Você pode ir e voltar no mesmo dia se quiser.
- Mas é uma droga ir sozinha. Hm... Você iria comigo?
- Eu? Vai ter coisa pra fazer aqui. - Wufei falou, agora tirando os olhos dos documentos que separava.
- Por favor, não estou a fim de ir sozinha. Depois, com as festas de fim de ano, o escritório vai estar fechado mesmo.
- Não é meio... inapropriado?
- É só um evento social da organização. Qual o problema?
- Você é minha chefe.
- Eu estou pedindo pra você me acompanhar, só isso. – Sally reclamou.
- Smoking? – o chinês perguntou, com desgosto.
- Ahan.
- Tá, se você insiste...
Voltaram ao trabalho, uma vez que alguns documentos haviam se acumulado com os feriados. Sally continuou a ser importunada com perguntas ocasionais sobre a tal festa até o dia de embarcarem no vôo, no dia 31, ainda pela manhã.
- Reservei dois quartos num hotel próximo pra nós. – falou Sally, quando se sentaram em seus lugares no avião.
- Que horas sai o vôo na volta? – Wufei perguntou, colocando o cinto de segurança uma vez que já se liam avisos luminosos 'fasten your seatbelts' por toda a aeronave.
- Amanhã às onze da manhã. Provavelmente a festa vai até tarde, então não queria acordar muito cedo.
- Onze horas tá bom.
A atendente de vôo passou dando instruções sobre o uso das máscaras de oxigênio. Sally e Wufei assistiram entediados, uma vez que aquela era talvez a milionésima demonstração de procedimentos de emergência que recebiam em um vôo comercial. Finalmente a aeronave decolou e a viagem foi tranqüila e rápida, já vez que a distância não era significativa.
Deram entrada no hotel e não se viram mais o resto do dia, até a hora em que o telefone no quarto de cada um tocou, informando que um carro chegara para buscá-los. Wufei desceu e pensou que dado toda a formalidade do evento a que iriam, poderia começar a exercitar seu cavalheirismo desde já. Ficou esperando em pé ao lado do carro, para poder abrir a porta para Sally, que já estava descendo também.
'Uau.' – não conseguiu evitar de pensar, quando viu a mulher passar pela portaria e se dirigir a ele.
Ela mudara o penteado e usava um vestido longo formal, preto, com direito a um decote discreto e detalhes prateados muito bonitos. Quando se aproximou dele, o chinês percebeu que estava ligeiramente mais alta que ele. Entendeu logo que ela substituíra os sapatos comuns por um de salto alto. Era estranho para ele, pois há mais de três anos que ele ficara mais alto que ela.
- Você ficou bem de smoking. – Sally falou, para o homem semi-paralisado à sua frente.
- Você também ficou muito bem.
- Obrigada.
O chinês se apressou a abrir a porta do carro para que ela entrasse e deu a volta, sentando-se ao seu lado. Pensou consigo mesmo que a melhor maneira para descrever sua chefe no momento seria 'de tirar o fôlego', mas tentou parecer indiferente.
Chegaram ao local do evento e por todo o lado só se viam vestidos longos e smokings. Garçons passavam por entre o povo, carregando bandejas com drinques dos mais variados. Um deles ofereceu taças a Sally e a Wufei assim que chegaram e os dois aceitaram, antes de darem uma volta pelo salão cumprimentando os demais convidados. Wufei não pôde deixar de reparar que alguns olhares extras eram dirigidos a ele, como se as pessoas se perguntassem o que ele fazia ali. Ignorou-os e limitou-se a seguir Sally pelo salão, uma vez que ele não conhecia muita gente por ali.
Por volta das dez e meia os comandantes do E Central deram seu discurso a respeito do ano que se passara e do trabalho da organização e quando terminaram, pediram aos convidados para abrirem espaço no centro do salão, para que pudessem dançar um pouco. Uma banda começou a se instalar no palco tão logo o discurso terminou e logo começaram a tocar clássicos de diferentes épocas.
Wufei encostou-se ao balcão do bar do outro lado do salão, junto com Sally.
- Muito chato?
- Não, até que não. – disse Wufei. – A banda veio salvar a noite... – brincou.
- É verdade. – Sally concordou, rindo.
No palco os músicos, vestindo paletós para combinar com o tom formal do evento, tocavam uma música calma. Uma mulher alta de vestido longo vermelho cantava, esboçando suas emoções de maneira educada ao segurar o microfone.
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes
and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever
banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The
answer is blowin' in the wind
O público aplaudiu educadamente quando a música terminou. Várias músicas falando de paz foram alternadas com algumas mais animadas e mais adequadas para dançar pela próxima hora. Então alguns dos músicos no palco foram substituídos e a vocalista deu lugar a outro cantor, um homem negro que por algum motivo que ninguém entendeu, usava óculos-escuros dentro do salão.
- Agora seguiremos relembrando uma época muito importante da história da música e alguns dos ícones que compuseram essa história.
Os músicos atrás do cantor começaram a tocar o que parecia jazz. Mais pessoas que antes haviam estado desempolgadas para dançar se juntaram no meio do salão. Não demorou muito e Walter, o comandante do E3, veio convidar Sally para dançar um pouco. Wufei conhecia a mulher o suficiente para perceber pela expressão dela, que ela aceitara o convite apenas por educação.
Ficou observando alguns minutos os dois dançarem, até que depois de umas duas músicas ela voltou, para buscar uma bebida.
- Eu não suporto o Walter. – ela murmurou para Wufei, quando chegou ao bar.
- Não é a única.
- Eu não consigo me livrar dele.
- Dê uma desculpa qualquer.
- Você sabe como ele é insistente.
Every time I call you on the phone
Some fella tells me you're not at home
So unchain my heart
Oh, baby set me free...
- Sally, a música está excelente hoje, não? – disse Walter, se aproximando deles.
Sim, a banda é ótima. – ela respondeu educadamente.
Você sabe quem gravou essa música pela primeira vez?
Não, quem?
Um homem cego chamado Ray Charles, em 1961. Antes da construção das colônias ainda. Por isso que o vocalista está de óculos escuros.
Que interessante.
Wufei podia sentir o tédio emanando de Sally enquanto ela conversava com Walter, que de repente resolvera dar uma de "entendido" de música e agora discursava sobre as diferenças entre Jazz e Soul Music, uma combinação de Rhythm and Blues com Gospel.
- Gostaria de dançar um pouco?
- Claro!
Sally aceitou de imediato o convite de Wufei, aliviada em finalmente ter encontrado sua desculpa para fugir de Walter. A música anterior já estava terminando e outra começou logo que os dois se dirigiram à pista de dança improvisada.
Well,
I got a woman, way over town
That's good to me, oh, yeah
Said I
got a woman, way over town
Good to me, oh, yeah
She
gives me money when I'm in need
Yeah, she's a kind of friend
indeed
I got a woman, way over town
That's good to me, oh, yeah
Vários olhares curiosos cercaram os dois discretamente. Wufei só não tinha certeza o que chamava mais a atenção, o fato de ele estar dançando com sua chefe ou o fato de que ele parecia ter dois pés esquerdos.
- Até que você sabe dançar.
- Não precisa disfarçar, eu sou péssimo nisso. – ele respondeu.
- Não tanto assim. Obrigada por me tirar de lá.
- De nada. Nem eu agüentava mais aquela conversa.
A música terminou e outra começou, bem mais lenta. A primeira ainda era mais agitada, mas essa agora era lenta, tornando a situação um pouco embaraçosa. Decidido a deixar aquela dança passar por um evento casual entre amigos, Wufei continuou dançando com Sally, fazendo seu melhor para continuar parecendo indiferente.
Voltaram ao hotel quase três da manhã, parando no corredor antes de cada um seguir para seu quarto.
- Obrigada por ter vindo junto, teria sido muito chato vir sozinha. – disse Sally.
- De nada. Até que foi divertido.
Ela sorriu em resposta, sem falar nada.
- Então... boa noite.
- Boa noite.
Ela ainda sorria e ele também, os dois um poucos intoxicados pelos drinques que haviam bebido.
Wufei entrou no quarto, fechando a porta. Sentia vontade de bater a cabeça contra a parede.
"O que eu fui fazer... Que tapado..."
Acabara de beijar sua chefe no corredor do hotel. Ninguém vira, mas mesmo assim ele agora se arrependia do descuido.
"Droga, que foi que deu em mim?"
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N/A: Oie! Caso vcs estivessem curiosos de saber como na minha mente demente o Wufei e a Sally acabaram juntos, aqui temos alguma coisa sugestiva. No próximo cap, como já dá pra ver, teremos tiroteios!! Yaaaayy! Erhm... menos, né? Tá, não percam o próximo cap... não é o último cap do mangá de fullmetal alchemist (final sacana dos infernos vou fazer macumba pra Arakawa!!!) mas dá pro gasto. Bjos e valeu por tarem lendo!
