Para quem não captou a sequência de cenas na fanfic, ela se passa em cinco dias. No primeiro dia é a visita de alguns membros da Fairy Tail à Sabertooth; no segundo tem as "cenas clima" de alguns casais, a visita do Rogue, da Kagura e do Frosch à Erza e o Gajeel sai pra beber com o Jellal, os dois voltando para casa completamente bêbados; no terceiro a equipe montada pelo Makarov vai espionar o encontro do Laxus e da Mira e tem mais "cenas clima"; no quarto é a missão do Gajeel, do Natsu e dos Exceeds. No quinto e último dia é a única "cena clima" que acontece entre o Natsu e a Lucy e quando as fadas aparecem na guilda, que é neste capítulo.


Cap. 10

Mudança de Cenário – Parte 1

{Casa da Lucy}

- Lucy, Natsu? – Happy entra voando pela janela da cozinha, seguido de Charlie.

- Ei idiota, nós não podemos sair invadindo a casa das pessoas assim!

- Natsu e eu fazemos isso toda hora. Além disso, é só a casa da Lucy.

- Quer dizer o quê com isso? – a loira surge atrás dele e, antes que o gato possa se defender, é pego pela cauda e fica balançando de cabeça para baixo – A minha casa não é a casa da Mãe Joana não, seu gato idiota!

- Mas eu nem conheço essa "Mãe Joana"! – o felino azul se defende assustado.

- Vamos Lucy, o Happy não fez por mal. – Natsu aparece por trás dela e com um suspiro a moça libera o peludo voador, que vai se esconder atrás da gata branca.

- Que covarde!... Mas Natsu, então você estava aqui mesmo?

- Sim. O Happy não contou para os outros lá na guilda?

- Aye. Eu ia, mas não tinha ninguém, então fui ver a Charlie. Podemos encontrar com a Wendy na guilda se a Lucy gorda não me matar! – a maga estelar ameaça saltar nele, mas o dragão prende sua cintura e começa a rir.

- Tudo bem, se acalme. – ele pede cantarolando, baixando as mãos dela já prontas pra degolar o bichano e passando os dedos da mão esquerda com uma munhequeira por cima da gola da curtíssima blusa dela – Talvez você tenha ficado mais braba por causa disso? – a loira lembra automaticamente da marca de dragão no pescoço e cora.

- "Disso" o quê? – a Exceed questiona confusa.

- Aposto que eles estavam fazendo coisas indecentes. Lucy pervertida!

- Nã-não, nós não estávamos fazendo nada não! Por que vocês não vão antes? Nós os alcançamos! – os gatos dão de ombros e caminham até a porta, então ela se vira para confrontar o namorado – Natsu, eu não quero que faça alarde por causa desta marca!

- Por que não? O Gajeel contou pra todo mundo quando marcou a Levy!

- Ele não saiu fazendo fofoca, os outros é que escutaram quando ele se gabou para você. De qualquer forma, eu não quero que fique espalhando da nossa intimidade.

- Hum... Está com vergonha, Lucy? – ele diz seu nome em tom arrastado, tocando o bumbum quase exposto pela saia minúscula com a mão direita, coberta por uma luva – Não quer que os outros saibam o que você fez comigo horas atrás?

- E-Eu nã-não sou pervertida! – ela tenta se defender inutilmente, tentando manter distância dele sem sucesso também – Você é que fica circulando por aí só com esse seu colete, mostrando... – sua voz morre ao olhar para o abdômen definido – Todo o resto.

- Ah é? – o Dragon Slayer sorri maliciosamente, ciente de que acaba de encontrar uma nova forma de provocar sua maravilhosa companheira.

...

{Guilda Fairy Tail}

- Pelo Criador! – Wendy diz assustada, pondo a mão sobre a boca – O que é isso?

- O que aconteceu, gente? – Lucy chega neste momento com Natsu e os dois gatos e eles vão abrindo caminho pelo grupo parado na porta da guilda, então entram na onda de horror que atingiu a todos pela tenebrosa visão do lado de dentro.

- "Morte às Fadas". – Cana lê em voz alta as palavras escritas com sangue no chão do salão, logo abaixo da sacada do segundo andar, onde amarraram um par de asas de fada no corrimão usando correntes – Alguém está nos ameaçando?

- Não é uma ameaça. – uma bela voz feminina é reconhecida por muitos, fazendo-os virarem para a entrada, deparando-se com duas pessoas de capuz – Rápido, entrem e fecharemos as portas! – todo mundo obedece e longe dos estranhos eles se revelam.

- Vitalina?! – Mirajane murmura surpresa – É você mesma?

- Em carne e asas. – a loira responde bem humorada, logo murchando o sorriso ao voltar os olhos para cima – Agora sabemos o que houve com nosso último espião.

- "Espião"? – Levy olha dela para o segundo andar e vice-versa – Então as asas...

- Era um amigo nosso. – responde o rapaz ao lado de Vitalina, que, embora sorria, está claramente gritando de angústia por dentro – E este é um aviso para vocês.

- Que tipo de aviso? – Gajeel questiona nervoso – E quem diabos é você?

- Calma gente, eu explico! – Vita levanta a mão direita em sinal de paciência e dá dois passos a frente – Este é meu parceiro e amigo de infância, Astêmio, fada artesão.

- Olá! É um prazer conhecer todos, finalmente! – ele acena, parecendo mais alegre – Embora as circunstâncias não sejam das melhores... Ouvi muitas coisas interessantes a respeito de vocês, coisas de todo o tipo realmente.

- É claro, o que não faltam são informações "interessantes" da gente, realmente. – Gray revira os olhos – Então, vocês sabem quem fez isso?

- Infelizmente, ou felizmente, sim. Nós estivemos observando vocês durante esse tempo todo. O ano que passou foi tempestuoso, é verdade, por isso queremos aproveitar para prestar nossas sinceras condolências aos Dragon Slayers por sua perda. – o artesão e sua amiga se curvam em sinal de respeito – Lamentamos a morte dos dragões.

- Muito! – ela completa melancolicamente, trazendo tristeza a Natsu e aos outros, mas com seu leve sorriso eles logo se revigoram e agradecem – Eu contei aos meus pais todas as informações que descobri lendo o diário da minha irmã Vivienne. Fui mostra-lo aos membros da Corte também. Gostaríamos até de ter conversado com Igneel para tirar algumas dúvidas antes que... Bem... – o Dragneel abaixa a cabeça com pesar, aceitando o amparo de Lucy ao entrelaçar suas mãos e recostar a testa em seu ombro – Enfim... O rei e a rainha do Reino das Fadas aceitaram com mais tranquilidade as notícias quando soubemos que os dragões conseguiram deter as suas dragonificações após tanto tempo desaparecidos. Isso nos deu mais segurança para confiar em sua força.

- E como souberam disso? Estavam presentes naquele dia? – Wendy indaga.

- Não. – Vitalina acena em negação – Na verdade, seus espíritos nos disseram isso antes de partir. – o público exclama surpreso ao saber – As fadas podem ouvir orações e confidências tão bem quanto qualquer entidade da luz, e justamente por isso eu garanto que, em seus momentos finais, eles estavam satisfeitos, pois seu único desejo era vê-los a salvo e felizes. – a confissão emociona o trio de Dragon Slayers.

- Eles disseram algo sobre a relação entre Igneel e Vivienne? – Erza pergunta.

- Não em palavras, mas eu não tenho dúvida de que Igneel era, de fato, o dragão amado da minha irmã. Ele ficou amargurado com Acnologia não somente pela dor que provocou aos humanos e dragões, como também às fadas. Natsu lhe trouxera de volta a força para amar alguém, a força que ele perdeu há muito tempo. E naquele instante eu... – ela toca o peito com a mão esquerda – Pensei tê-lo visto sorrir para mim, agradecendo todo o meu esforço também. Foi a primeira vez que senti orgulho de mim mesma, então não duvidem: toda essa dor tem um propósito! Ele só não foi revelado ainda.

- Sim, seria bom se fosse logo, mas, pulando essa parte, eu tenho uma pergunta. – Laxus faz um aceno com a mão pra chamar a atenção de todos – Por que vocês estavam preocupados com a Dragonificação? – o casal de fadas se entreolha e a loira tosse.

- Vejam bem... É porque, há muito tempo atrás, as fadas já tiveram que lidar com a mesma situação e... Foi um tanto desagradável.

- Desagradável por quê? – Mira faz uma careta preocupada e Aste toma a frente.

- Isso é uma coisa que nós dois não sabíamos, mas como a Vita ficou responsável por observar a nova geração da Fairy Tail e agora eu sou o seu ajudante, os membros da Corte das Fadas, composta pelo rei e a rainha, os conselheiros, que são os pais da Vita, e os Ministros das Estações, concordaram em revelar um segredo da realeza conhecido só por eles. O caso é que o nosso rei era um príncipe humano antes de se tornar uma fada.

- Não brinca! – Natsu fala empolgado e chocado – E como ele virou uma?

- Foi bem interessante... – ele prossegue, gesticulando – Quando o nosso rei era o príncipe dos homens, ele precisou lutar com o próprio pai para provar que tinha direito a coroa. Era uma tradição no seu reino... Mas ele não conseguiu, por isso foi banido.

- Que horror! – Alzack faz uma careta – Que tipo de pai faz uma coisa dessas?

- O pior de todos, com certeza! A questão é que ele acabou indo se refugiar dentro do território dos dragões. Na época a maioria deles vivia dentro da Floresta Mística, nas margens da Lagoa Espiritual, um lugar onde a aura de tudo que tem vida pode ser vista.

- Se importaria de explicar melhor para os leigos aqui? – Wakaba solicita.

- Talvez eu não tenha explicado isso para Lucy e os outros... – Vita reflete – Bem, eu posso falar agora. A alma de uma pessoa é a essência do corpo, aquilo que o move, e seu espírito é a parte que determina o julgamento da sua alma quando o corpo morre. Na forma mais simples de se dizer, se você for uma boa pessoa o seu espírito é puro, mas se não for ele é impuro, então a alma fica corrompida. Não sei se ainda existem humanos que creem em reencarnação, nem me importa, contudo o fato é: você não reencarna se a sua alma estiver corrompida. Enquanto seu espírito não for purificado, você sofrerá uma condenação para pagar pelos pecados de quando estava vivo. Como isso depende muito do tipo de pessoa que você escolhe ser, nem todo demônio, por exemplo, é mau.

- E a aura é a emissão da energia que seu espírito possui. – Astêmio complementa – A Floresta Mística está em um lugar muito distante da humanidade, onde vivem todos os tipos de seres místicos, como as fadas. Antes era possível viver em harmonia com os humanos, porém, até os dragões notaram que seria mais fácil ficarem escondidos e só se revelarem para quem merecesse estar na sua presença. – muitos dos presentes encaram o trio de Dragon Slayers neste instante – Os dragões gostavam da Lagoa Espiritual porque naquela clareira onde se encontra, cercada por lírios, tudo parece ter mais vida. Além do mais, quando dragões conseguem uma companhia, adquirem marcas nos corpos capazes de emitir aura da mesma forma, porque elas são a representação dos seus espíritos. – ao fim da explicação, o jovem olha para o pescoço de Lucy e cutuca o braço da parceira.

- Ah... – o sorriso da fada aumenta – Lucy, que linda marca você tem no pescoço! – toda a plateia se volta para a moça, que tenta desesperadamente subir a gola da blusa – Pelo visto, os Dragon Slayers mais velhos já andaram marcando as suas companheiras, e não só aqui! Nós sabemos bem que andaram se juntando muitos casais em guildas aí!

- Neste caso, por que não vão fazer graça com a Yukino e a Kagura?

- Que coisa feia Lucy, não fique dedurando suas amigas! – Aste tapa a boca com a mão para segurar a gargalhada – Incrível... Como a marca da Fairy Tail, vocês sempre divertem a todos, mesmo em situações aborrecedoras. Mas chega de falar de marcas! De onde paramos... O rei das fadas, quando era príncipe dos homens, decidiu desistir do seu mundo e roubou um saquinho com pó de fada que ele sabia existir no cofre real. Talvez o pai dele já tivesse roubado de alguma fada, vá saber...! Depois disso, ele abriu o portal para o nosso mundo e foi parar no território dos dragões. Eles viram o seu valor e deram um voto de confiança, acolhendo-o na horda. Então, um dia, ele conheceu nossa rainha.

- Na época ela era a princesa. – o artesão corrige – Os antigos governantes, pais da princesa, tinham lhe arranjado um casamento pensando que isso sossegaria seu coração rebelde, e por isso ela fugiu naquele dia para a Lagoa Espiritual. Como nunca tinha ido tão longe pela floresta, ela ficou com medo quando percebeu que estava cercada por um grupo de dragões, pois também não tinha afinidade com eles. Antes que atacasse para se defender, o príncipe a deteve mostrou a bondade deles. Os dois se enamoraram na hora.

- E eu fiz uma pintura disso! – a loira ao seu lado se gaba orgulhosa.

Girando a mão esquerda, ela faz aparecer um quadro onde uma fada está dentro de um lago cercado por lírios, junto de um humano e um dragão verde. Os longos cachos dela são dourados, como os curtos e lisos fios do homem de armadura negra com capa vermelha, que segura seu pulso direito. Seus olhos também possuem tom de ouro, já ao contrário dos azuis dele. O cenário é coberto por luzes que parecem vaga-lumes.

Continua...


Bom gente, a fic ficou maior do que eu esperava e, de novo, por minhas expectativas de tamanho serem superadas, estou acrescentando mais um capítulo fora o especial. Desta vez é pra valer: este é o penúltimo capítulo!