Novo Horizonte

Guilda dos Mercenários

O Guillotine Cross, como Ruan dissera, era um homem muito alto, meio calvo, com o cabelo negro todo penteado para trás e a barba por fazer. Seu rosto pareceu ter endurecido ao longo dos anos de sua vida, e havia muitas marcas de expressões, mas nenhuma cicatriz, Erik notara, em compensação ele tinha várias nos braços.

Ele não estava vestido como um mercenário ou um algoz, quando concordara em encontrar com Erik na guilda, veio vestindo uma simples calça e uma túnica, sem armas a vista e com um sorriso amigável no rosto. Isso Erik não esperava.

- Eu me lembro do seu rosto. – ele disse quando os dois ficaram à sós. – Seus olhos são iguais aos de seu irmão.

- Meu irmão? – Erik também não esperava por isso. – Você conheceu meu irmão?

- Sim eu conheci. – ele concordou. – Na época, eu já era um algoz, mas mesmo assim não tive a coragem que seu irmão e você, um garoto de dezoito anos e outro de quinze, tiveram para enfrentar a famosa Torre de Thanatos.

Erik nunca se sentira tão feliz na sua vida, aquele homem podia mesmo lhe dizer alguma coisa sobre o paradeiro de seu irmão, como foi boa a decisão de ter vindo logo para a guilda dos mercenários, se tivesse demorado alguns dias talvez não tivesse tido a sorte de encontrar com o homem.

- Então... Você sabe se um dos dois sobreviventes foi ele? – o homem o olhou como se estivesse tentando desvendar se havia algo em Erik além da aparência de irmão mais novo preocupado com o mais velho.

- Eu não tive coragem para ir a torre, mas eu fui o primeiro a entrar lá para fazer o resgate. – o coração de Erik dera um pulo. – Claro que isso aconteceu dias depois de você e os outros sobreviventes fugirem de lá, o grupo era composto por dez mercenários, onze contando comigo, nós tivemos de subir até o décimo segundo andar para achar os sobreviventes.

Erik engoliu em seco, mas não interrompeu o homem com mais perguntas.

- Os dois estavam num estado lastimável e só sobreviveram por que dividiram uma poção branca, quando chegamos lá eles estavam sem comer e beber nada há dois dias, suas vestimentas estavam irreconhecíveis e não conseguiam andar com tantos ferimentos. – ele olhou nos olhos de Erik. – Mas o pior de tudo rapaz, não foi o que aconteceu com os corpos deles, o que quer que a memória de Thanatos tenha mostrado para eles lá dentro, foi algo muito ruim.

Erik concordou, as memórias que ele tinha da Torre de Thanatos eram as mais nítidas e horríveis em sua mente, e ele sequer tinha estado na presença do famoso Thanatos.

- Nós os trouxemos e cuidamos deles, assim que eles ficaram melhores e nos relataram tudo, cada um saiu e seguiu o seu caminho. - o homem o olhou esperando as perguntas.

- Você se lembra para onde eles foram?

- Um deles disse que iria para Comodo. – respondeu. – Que iria para lá descansar até o fim de seus dias. – Comodo não parecia ser o tipo de cidade que o seu sério e orgulhoso irmão Yuri iria.

- E o outro?

- O outro... – o guillotine cross hesitou. – O outro simplesmente sumiu de nossas vistas. – disse. – Um dia o quarto dele amanheceu vazio e não havia nenhum rastro para onde ele fora...

Erik se calou por um tempo remoendo todas aquelas informações dentro de sua cabeça, procurando alguma coisa que pudesse clarear mais o caminho que supostamente o levaria de volta para o irmão.

- Você se lembra se algum deles era meu irmão? – ele perguntou depois de um tempo de silêncio.

- Eu não posso dizer isso com certeza rapaz... – Erik não entendeu.

- Por que não?! – ele quase gritou a pergunta.

- Os rostos deles estavam dilacerados quando os achamos...

X

A noite chegara e felizmente as respostas vieram junto. Ruan, em simpatia a sua busca pelo irmão, convidou Erik para passar a noite na guilda como convidado, como estava tarde demais, e como Erik não se sentia nem um pouco disposto a andar pelo deserto sozinho e a noite, ele aceitou. Os mercenários não conversam e nem interagem muito, mas pelo menos eles sabiam respeitar o espaço pessoal como ninguém, e Erik apreciou muito isso naquela noite. Mandaram servir o jantar em seu quarto e só vieram uma vez perguntar se ele estava bem.

E agora, as luzes estavam apagadas e um silêncio, um ainda maior do que o normal, dominava a guilda dos mercenários, Erik estava deitado em sua cama encarando o teto enquanto esperava o sono ter a boa vontade de vir até seu corpo.

Ele estava feliz e ansioso ao mesmo tempo, e a visita à guilda fora muito mais proveitosa do que esperava, queria ter escrito alguma carta a Rui avisando, mas confiava que seria melhor se manter em silêncio por enquanto. Também queria ter mais tempo para conversar com o guillotine cross, mas o homem avisara que iria partir em viagem amanhã, então eles não teriam mais tempo, e também queria encontrar logo Rui, traçar os planos de viagem, conseguir o dinheiro, preparar os novatos e cair logo na estrada, pois sentia que cada segundo que ele perdia parado, era um segundo a mais colocado entre ele e o seu irmão. Mais do que nunca, ele queria ver Maro, nada daquilo teria acontecido se não fosse por ela.

Erik pensou no que ela havia lhe dito no Coração do Deserto. E preferiu voltar seus pensamentos para outra coisa, o que tentou sem resultado nenhum, já que os últimos acontecimentos importantes de sua vida, os últimos dias, tudo estava de alguma forma marcado com a presença de Maro, mesmo que para ela ele não fosse muito mais importante do que a poeira em suas botas. Se não fosse por Maro, provavelmente ele, seu irmão, Rui, Anne e os outros estariam mortos em Glast Heim, se não fosse por Maro ele iria estar na direção de algum lugar como a caverna de Payon, andando numa estrada que não fazia muito sentido para ele.

O lorde se ateve a isso. Quando seu irmão morreu, Erik comeu, respirou e sangrou pela espada, pela profissão de cavaleiro, para adquirir mais força e mais poder. Desde que se tornara lorde Erik continuou em sua busca, indo para os lugares mais perigosos, enfrentando monstros horrendos e tudo isso sem dar a mínima se ele iria morrer ou não. Até que meses atrás, ele percebeu que poderia se jogar de qualquer forma numa batalha, que poderia enfrentar quantos monstros quisesse, mas já não via mais sentido em nada daquilo, perdendo ou ganhando, Erik não sentia mais que estava crescendo e se tornando mais forte. Ele sentiu que havia chegado ao topo, mas também sentiu que nada mais fazia sentido em sua vida.

Foi então que Ian se tornou espadachim e trouxe seus colegas junto com ele. Erik pensara que guiar um grupo de novatos lhe daria nova inspiração, e de certa forma era até bom acompanhá-los em seu desenvolvimento, mas Erik não sentia nenhuma motivação com isso. Nem em Glast Heim ele se sentiu inspirado, ele só sentira a pontada de ânimo fazer seu coração bater mais forte quando Maro lhe contara sobre os dois sobreviventes da Torre de Thanatos.

Erik fechou os olhos e puxou o ar para dentro de si.

- Eu estou ficando bom nisso. – ele disse para a escuridão.

- Em que? – ele teve como resposta.

- Em detectar sua presença. – Erik respondeu levantando o torso e se apoiando nos cotovelos. Maro acendeu um fósforo e em seguida uma vela, se revelando, e então se aproximou colocando a vela sobre o criado-mudo perto da cama. Ela não estava vestida como algoz, estava usando uma simples roupa de dormir, uma imensa blusa cumprida que ia até suas coxas.

- Eu nem tentei me esconder. – ela falou se sentando perto dele.

- Claro. – que era mentira. – Ficou entediada de novo? – Maro sorriu, à luz das velas seus olhos pareciam ser ainda mais vermelhos.

- Por que as pessoas têm medo de algozes? – ela lhe perguntou, mas no tom de quem já sabia a resposta.

- Por que vocês matam.

- Lordes também, mas ninguém se prende a isso com eles. – a algoz retrucou.

- Lordes matam para proteger.

- Aí é que está. – Maro respondeu encarando a escuridão. – Algozes, assim como lordes, paladinos e todo o resto, matam por um equilíbrio que deve ser mantido, mas ainda assim as pessoas têm medo de algozes por quê? – Erik deu de ombros quando ela o olhou. – Por que algozes não são boas companhias, por isso.

- Você é uma algoz. – Erik respondeu.

- Então eu sei melhor do que ninguém que algozes não foram feitos para serem gentis ou... Normais, não somos boas companhias nem mesmo para outros algozes.

- E você diz isso por que...

- Existem quatro algozes no mundo. – ela explicou. – Um deles é uma vadia mandona, o outro é um psicopata estuprador e o ultimo está me vendendo para conseguir o cargo de guillotine cross. – Erik ergueu as sobrancelhas.

- E você está me dizendo isso por que...

- Por que você não tem interesse nenhum nisso. – Maro o olhou. – De que te importa se meus colegas de trabalho são estupradores, ambiciosos e traidores? Se você não se importa, você não vai se lembrar tempo o suficiente para contar isso para um deles.

Erik entendeu. Maro se deitou no espaço da cama que ele havia deixado, ele colocou seu corpo de lado e apoiou a cabeça com a mão, para poder observá-la.

- Eu vou para Comodo. – ele disse sem nenhum motivo em especial.

- Eu sei. – isso ele não esperava. – Me disseram que você conversou com o guillotine cross. – ela se virou para ele. – Você não deveria acreditar em nada do que aquele homem fala. – isso ele também não esperava.

- Por que diz isso?

- Por que é verdade.

- E o que eu deveria fazer?

- Esquecer todo esse lixo de situação e voltar para as suas crianças. – Maro respondeu. – Você pode acabar se metendo numa grande e nojenta merda.

Esquecer tudo e voltar para as crianças? Voltar para a vida tediosa e sem sentido?

- De maneira alguma. – Maro deu de ombros.

- Eu nunca vou entender os homens. – ela se aninhou na cama e puxou um lençol para cima de seu corpo.

- Que tal você me fazer entender o motivo pelo qual está deitada pronta para dormir na minha cama? – Erik indagou, não que ele estivesse realmente incomodado.

- Sabe o palhaço que está me vendendo?

- O que tem ele?

- Ele deve estar assassinando meus travesseiros agora. – ela disse. - Ele quer por as mãos em meu lindo corpo há muito tempo, mas é orgulhoso demais para admitir para si mesmo que eu poderia estar dando atenção para um lorde e não para ele. – Maro se espreguiçou e riu. – Ele não imagina que eu estou aqui com você agora.

Erik imaginou consigo mesmo uma coisa:

- Sua vida deve ser um inferno Maro.

Ela sorriu e deslizou até ele. Pousou a mão sobre a face do lorde e roçou de leve os lábios nos dele, Erik colocou a mão sobre as costas dela e a apertou mais contra seu corpo, e a beijou placidamente, como se já esperasse que ela fizesse isso. O beijo se prolongou muito mais do que ele pensava, e sem perceber, ele foi se inclinando, e se inclinando sobre Maro, até estar sobre a algoz com as coxas torneadas envolvendo seu quadril.

Maro passou a mão pelo seu peito nu, enquanto lambia os lábios dele de forma marota. Erik apalpou as coxas da algoz até achar a barra da roupa de dormir, e levantou o tecido até que a roupa tivesse passado e saído do caminho entre ele e o corpo feminino. Maro tinha a pele alva, e macia. Erik atacou o pescoço de Maro como se estivesse sedento, ele beijou e mordiscou até chegar ao colo dela, então com a ponta da língua alcançou o seio direito da algoz.

Erik saboreou os seios de Maro como se fossem frutas deliciosas, e fez o possível para dar a mesma atenção para os dois antes que sua calça explodisse. Maro não ajudava, ela parecia querer apressá-lo de uma vez pressionando seu quadril contra o dele como se implorasse para que eles chegassem ao ato em si.

Ele voltou a beijá-la e sentiu as mãos ágeis se desfazendo do laço que prendia sua calça. Erik levou suas mãos até os seios da algoz, e controlou sua libido para não apertá-los com toda a força que tinha, Maro o recompensou com um gemido razoavelmente alto.

A paciência de Erik estava se esgotando, por isso deslizou com a mão até a roupa intima de Maro, a única coisa que ela ainda vestia, e rasgou aquele pedaço insignificante de pano, Maro mordeu os lábios e sorriu para ele entreabrindo as pernas. Erik a surpreendeu quando a tocou com os dedos, e não com outra parte de seu corpo, naquele ponto tão sensível, Maro soltou uma exclamação leve e fechou os olhos aproveitando o prazer. O lorde se debruçou sobre ela e exigiu outro beijo. Maro o arranhou de leve nas costas largas, e Erik sentiu um arrepio com aquilo, ela passou a língua pelos seus lábios e o encarou com o olhar semicerrado.

- Vem... – ela gemeu contra os lábios dele. – Eu estou perdendo a minha paciência...

Erik não pôde deixar de sorrir, ele se levantou e se livrou da calça, e teve a impressão de que Maro sorriu satisfeita com o que vira. Então se deitou novamente sobre o corpo dela e a invadiu com delicadeza, não por que acreditava que Maro era uma virgem inocente ou coisa parecida, mas por que, por algum motivo, queria tomá-la lentamente.

Maro gemeu em seu ouvido de forma doce quando ele começou a se movimentar. Erik arrancou outro beijo dela, enquanto a algoz arranhava levemente sua nuca e suspirava toda vez que ele forçava o quadril contra ela. Erik se apoiou nos cotovelos e continuou se movendo dentro dela, sentindo um prazer a mais em observar, como se estivesse sob o efeito de um feitiço, a expressão de deleite da algoz. O ritmo plácido continuou, mas por pouco tempo, toda vez que a penetrava um calor ardente crescia dentro de Erik e o fazia querer ir mais forte, mais rápido, e ele sentia aquele calor dentro de Maro também, no modo em como ela prendia os gemidos na garganta, mas afundava as unhas em seus ombros, como ela o encarava de forma suplicante, como se estivesse implorando algo para ele.

A algoz se pendurou no pescoço e invadiu sua boca como se precisasse dela para sobreviver. Erik a beijou e investiu dentro dela uma ultima vez. Os dois gemeram e apertaram os olhos com a sensação queimando dentro deles. Erik se deixou desabar sobre Maro e pôde sentir o coração dela batendo de forma acelerada, assim como o seu próprio, e pensou que eles poderiam ficar assim por um momento.

Momentos depois, quando ele se deitou ao lado dela, Maro ainda olhava para o teto como se estivesse sendo levada numa onda quente e prazerosa. As mulheres têm tanta sorte, o lorde pensou sentindo um orgulho estranho.

- Talvez Thanatos tenha ressuscitado naquela torre maldita. – ele disse como que hipnotizado, também olhando para o teto. – Maro riu e se aninhou ao peito dele. Se você soubesse, ela pensou, sentindo algo estranho agitando seu coração.

X

Nome: Maro ?

Idade: 23 anos.

Profissão: Algoz (Assassin Cross)

Nível: 99

Traço Marcante: É uma completa sociopata.

Especialidade: Velocidade.

Não Gosta: De crianças, de pessoas em geral e de arruaceiros.