Onmyou Oni
Twist 10 – Vazio
Música de entrada: Bonds Kizuna by Antic Café
O sol já exibia seus primeiros raios de luz, mas por toda base de OZ já se ouvia soar o alarme, enquanto as luzes vermelhas rodopiam em sinal de alerta geral. Uma situação de emergência, todos os membros de OZ correm de um lado para outro, a ordem é bem clara: Capturar Shinsei. "Atenção, alertamos para todos os agentes disponíveis para que capturem Shinsei Shimabukuro, o indivíduo é extremamente perigoso. Temos informações de que o presidente Wanizame foi gravemente ferido enquanto tentava proteger a agente Anako que estava em missão de captura do traidor. Repetimos para que todos os tenham muito cuidado e utilizem tudo todos os recursos que dispuserem para a captura do demônio que se infiltrara em nossa base, o alvo é Shinsei Shimabukuro".
- Puf... Puf... Droga! Droga, Anako! Não era para ser assim! Eu não podia... Eu não podia deixar você morrer, Droga... DROGA! – Diz um rapaz extremamente ferido e em prantos.
Mas o que será que aconteceu? Mal vimos a aprovação de nossos heróis e recebemos a notícia de que um deles é um traidor? Para descobrirmos o que aconteceu, vamos retornar algumas horas no tempo.
Já se passaram seis meses desde que Shinsei, Kyoshiro, Kojirou e Eiji foram aprovados no teste. Atualmente, são membros ativos de OZ e rapidamente fizeram fama, pois não só os quatro eram discípulos de lendas dentro da organização, mas também mostravam que o treinamento dado por essas lendas era realmente efetivo. Nenhum dos quatro falhou em uma missão sequer. Rapidamente conseguiram reconhecimento e logo as missões de nível acima de cinco já não eram desafio para eles.
- É isso ae, acho que vou pegar uma nível três hoje! – diz Shinsei.
- Três? Ontem você quase se ferrou numa nível oito!
- Bah! Quieto, Baka Pink! Aquilo foi só porque... Eu quase quebrei a barreira que deveria proteger.
- Também, perde o controle assim! Só porque o Oni comeu seu almoço.
- Hahaha! Mas eu sei porque ele ficou tão bravo, é porque... – Blue Moon interrompe a fala quando sente uma aura assassina vindo da pessoa de quem falava - ... É porque... Toda refeição é importante pra ele!
O trio conversava descontraído, quando Anako se aproxima, vindo na direção oposta. Ela carrega um embrulho de pano, mais ou menos do tamanho de um dicionário.
- Oi rapazes! Indo ver as missões de hoje? Eu já peguei a minha. Uma nível dois! Tenho certeza que eu consigo!
- Nível dois? – os três rapazes gritam espantados.
- Caramba Anako! Até há pouco tempo eu pegava uma missão de nível cinco e você já achava incrível. Hoje em dia eu tento uma nível três e você ri de mim. – diz Blue.
- Haha! É que desde o dia do teste do Shinsei, eu venho me esforçando para me tornar cada vez mais forte! Ah! Por falar nisso, eu fiquei sabendo do que aconteceu na sua missão ontem, Shin! Por isso eu fiz aqui um bentô duplo pra você hoje!
- Ah! O-obrigado, Anako! – diz Shinsei ficando mais vermelho que uma maçã.
A garota entrega o embrulho para Shinsei e se despede, pois tem uma missão a cumprir. Eiji e Blue Moon tiram sarro por pouco tempo, pois a aura assassina que Shinsei começa a emanar é suficiente para que os dois entendam o recado. Porém, apesar da gozação, o rapaz está realmente contente por ter recebido, por dois dias seguidos, um almoço feito por Anako. Não preciso nem dizer que o Baka Red aí é... Bem, vamos deixar o leitor deduzir, já que o personagem parece estar ouvindo o que a gente está falando e está com uma cara muito feia.
Para melhor entendimento sobre as missões dentro da OZ, vamos explicar como funciona o sistema. Os níveis das missões são dados de acordo com a dificuldade e a periculosidade de cada uma. Quanto maior o número, menor o risco para o agente e quanto mais próximo de zero, mais perigosa é a missão. O nível zero é destinado às missões que apenas os dez guerreiros mais poderosos de OZ seriam capazes de realizar com êxito.
O tipo de risco que as missões apresentam também é bastante variado, algumas missões são de alto risco, pois envolvem a aniquilação de grupos grandes de Onis, outras por envolverem Onis poderosos, ou mesmo por se tratarem de situações delicadas que não permitem descuidos, ou então pelo envolvimento com pessoas inocentes, como reféns ou pessoas que se aliam a demônios. Obviamente, o pagamento é maior conforme a missão é mais perigosa.
Os três param frente a um grande mural eletrônico, as missões são catalogadas pelo nível e pelo tipo. Os tipos de missão também são bastante variados, podem ser exorcismos, ou extermínio de demônios, transporte de relíquias, proteção de indivíduos ou áreas sagradas, entre outros mais específicos.
Shinsei se dirige rapidamente à seção de exorcismos e escolhe a missão de maior pagamento no nível dois, Blue Moon e Eiji protestam um pouco, afinal ele não deveria fazer algo tão insensato. Mas ele não ia voltar atrás, apenas se virou para os amigos e disse:
- It's time to gamble!
Após passar na divisão de informações para pegar os detalhes da missão, Shinsei deixa a base e se dirige para o local habitual, o 13th cat's café, um bar que Shinsei já freqüentava há tempos. O bar possui um ambiente agradável, com mesas decoradas, de diversos tamanhos, para casais, grupos pequenos e grandes. As cadeiras combinando com as mesas, um balcão simples, de madeira. A entrada, uma porta de madeira, com uma pequena janela, dividida em quatro partes por detalhes em madeira. O balcão se encontra à direita, logo na entrada e, atrás do balcão, é possível ver a estante contendo diversas bebidas alcoólicas.
Shinsei se dirige a uma mesa vazia e se senta, pegando um pequeno livreto, contendo os detalhes da missão. Não parecia difícil, afinal era só acabar com cerca de dez Onis classe B. Shinsei já estava há algum tempo analisando os parâmetros da missão, quando ele vê uma xícara ser servida em sua mesa.
- Aqui está seu pedido, senhor.
- Espere! Eu não pedi nada.
- Eu sei, mas se você vai ficar aqui por aqui, é melhor pedir algo. É ruim para os negócios se você apenas ficar ocupando um lugar, lendo.
- Se você diz... Mas o que você me trouxe?
- Um capuccino. Eu sei que você não gosta de café ao leite, nem de café normal, mas gosta de capuccino.
- Obrigado, mas como você sabe disso?
- Eu apenas presto atenção nos clientes da casa.
- Só você mesmo, Tiffa.
Tiffany Springfield, conhecida como Tiffa uma garota de 16 anos era uma das garçonetes do bar. Ela trajava um top de estampa militar, com uma saia azul, por cima de um short preto. Seus cabelos longos e pretos reluziam mesmo sob a luz artificial do local. Quanto às feições, bem ela era bastante sensual, e era quase tão alta quanto Shinsei, o que não é muito, possuía um charme único, uma presença agradável e uma personalidade forte e determinada. Sempre que algum cliente causava algum tipo de confusão, era Tiffa quem apartava as coisas, em geral sua fama era o suficiente, mas quando não era, seus punhos falavam bem alto, mesmo contra os soldados da OZ.
Antes de retornar ao balcão, ela indaga qual era a missão do dia e Shinsei responde que desta vez ele pegara uma nível dois. Tiffa ri e lembra que Shinsei acabara de fazer um desastre em uma missão nível três. Porém, o rapaz acrescenta que desta vez a missão era de exorcismo, ou seja, tudo que ele tinha que fazer era se livrar de Onis, se preocupando, no máximo, com algum refém. Diferente da última vez que ele, além de se manter despercebido, tinha que proteger uma relíquia extremamente frágil.
Após uma breve conversa, Tiffa retorna ao trabalho e Shinsei volta a ler o livreto. Alguns minutos depois, Shinsei já não estava mais lendo. Assim que cansara de ler termos técnicos de OZ, ele pegara lápis e papel e estava agora a desenhar enquanto terminava o capuccino. Tiffa se aproxima para ver o que Shinsei desenhava e quando vê que era a própria, ela fica tão vermelha quanto o próprio cachecol, era quase possível ver fumaça saindo de suas orelhas. Sem jeito, ela dá um soco em Shinsei com força suficiente para jogá-lo longe. Afinal o que ele estava pensando? Porque estava desenhando logo ela?
Mais um tempo se passa, já era hora de fechar e de Shinsei partir para a missão. Após fecharem tudo, Shinsei ainda acompanha Tiffa até sua casa e lá se despedem. Então, o rapaz se dirige até a zona oeste da cidade, onde havia alguns galpões abandonados. Ele vaga por algum tempo até que encontra um em estado especialmente deplorável. O portão enferrujado já estava torto e um tanto retorcido. A tinta das paredes se confundia com a sujeira e o musgo. A estrutura não estava exatamente firme, mas não iria ruir tão facilmente também. Pelo portão seria impossível entrar, então Shinsei procura por uma janela, mas todas estavam quebradas e ainda possuíam cacos nos caixilhos. Shinsei resolve tentar entrar por cima. Então, ele concentra seu ki nas pernas e salta para cima do prédio. Lá em cima, ele encontra sua entrada, um enorme buraco. Antes de entrar, ele verifica a situação. Estava tudo escuro, mesmo com a luz do luar, as estruturas internas que ainda estavam lá eram o suficiente para criar sombras o suficiente para cobrir a maior parte do interior do galpão.
Sem muita escolha, Shinsei pula para dentro fazendo o mínimo de barulho possível. Com sua percepção ligada, ele se mantém nas sombras, à procura dos demônios que deveriam estar ali. Era improvável que eles tivessem saído dali, pois mesmo que vagamente, o rapaz conseguia sentir várias presenças nas sombras, mas por alguma razão, não era possível determinar a posição exata dos inimigos.
Já que não era possível dizer onde estavam os inimigos, Shinsei resolve que a melhor maneira para conseguir algo era fazer eles saírem de onde estavam, e sabia exatamente como fazê-lo. Se dirigiu até um ponto onde a luz da lua iluminava e deixou que sua presença fosse notada, mas contendo sua energia. Não demorou muito para que percebesse alguma movimentação, ele sabia que alguns Onis rodeavam-no, mas ainda estavam desconfiados, pois ainda não havia menção de que algum deles fosse atacá-lo. Se ele permanecesse muito tempo parado, provavelmente a desconfiança dos onis aumentaria e seria mais difícil ainda fazer com que saíssem de suas tocas. Então, passou a se movimentar como se estivesse procurando a saída. Aproximou-se do portão e fingiu examiná-lo, inclusive empurrando-o como se desejasse abri-lo. Após a frustrada tentativa de abrir o portão, começou a verificar as janelas, subindo e descendo escadas, até que voltou para onde estava e sentou-se, dando mostras de exaustão, encostou-se na parede e adormeceu.
Cerca de meia hora se passou sem que nada acontecesse. Já era quase meia noite e finalmente, saem das sombras, três Onis. Possuíam uma silhueta quase humana, mas os chifres saindo de suas testas não deixavam duvidas. Suas vestes eram preto e branco e cada um deles portava uma espada japonesa. Se aproximaram cautelosamente e, quando estavam a cerca de um metro de Shinsei, prepararam suas armas, mas no instante em que atacaram, ele desapareceu. Um, dois, três, era menos do que Shinsei esperava, mas já era o suficiente para começar a caçada, rapidamente se deslocou para onde havia escondido sua arma, uma takemitsu, entalhada por Saruman, cujo nome era Koufuku no Tenjin ("a lâmina celestial do tigre à espreita"). Irritados por terem sido enganados, os demônios avançam para cima de Shinsei, mas com um fulgaz battoujutsu, os três demônios foram jogados no chão antes mesmo que pudessem iniciar o ataque.
- Feh. Parece que a missão vai ser entediante.
Enquanto isso, na base de OZ, Anako acabara de retornar de sua missão. Após apresentar o relatório, ela foi para o refeitório, onde encontrou Eiji e Blue Moon que estavam papeando enquanto jantavam.
- Hahaha! A missão de hoje foi engraçada demais! – ri Eiji.
- Engraçada? Só se for pra você! – diz Blue Moon.
- Lógico que foi para mim! Você que foi xavecado por aquele Oni traveco! Hahahah!
- Oni traveco? Que história é essa? – pergunta Anako que passava por ali neste momento.
- Ah! Você tinha que ter visto! Eu e o Blue aqui resolvemos ir para uma missão nível três de escolta. A recompensa era alta por causa da urgência, então ele resolveu pegar sem nem ler os detalhes antes. E no fim deu que a gente tinha que escoltar o Okama King!
- Ai, Credo! Coitados de vocês! Haha.
- Mas isso não foi tudo, durante a missão, nós fomos atacados por um Oni nível B!
- Nível B? Mas então a missão passaria para o nível 2!
- Sim! Só que em vez de atacar, quando o Oni viu o Blue aqui...
- CHEGA! Chega dessa história! A gente foi pago por uma missão nível 2, não tá bom não?
- Não, eu tenho que contar que o Oni nível B era um travecão que se apaixonou por você, desistindo de atacar o Okama King e que passou a perseguir você, pra fazer sabe-se lá o que!
- Que situação... Por falar em missão nível dois, o Shin já voltou?
- É mesmo! Ele tinha pegado uma missão de exorcismo nível dois! Mas eu acho que ele ainda não retornou.
- Puxa vida. Vou dar uma olhada, aquele idiota está sempre se excedendo!
- Deixa pra lá, o Baka red não vai morrer fácil assim! Não é mesmo, Baka blue?
- Ei! Eu não sou Baka! – responde Blue Moon.
- Que você é baka, você é, mas o Baka blue é ele ali ó! – responde Eiji, apontando para Saitou Mitev.
- É velho! Aquele cara é um maldito! Parece até o personagem imortal e chato daquele mangá antigo de cavaleiros! – responde Mitev. – Eu lembro do torneio interno de artes marciais, era pra eu ter vencido a luta, mas o maldito se levantava toda vez que eu derrubava!
- Ah, não reclama! Você perdeu! – intervém Hideki Maxwell que estava na mesma mesa de Mitev. – Além do mais, você também se levantou várias vezes, acho que ele foi o primeiro cara a te derrubar tanto.
- No fim virou uma competição de quem agüentava mais! Haha! – diz Eiji. – Vocês são tão cabeça-dura que nem a derrota convence vocês!
- Olha quem fala! O Baka pink imortal! Esse aí é tão resistente que se um nikuman gigante de aço caísse em cima, ele só quebrava a perna!
- Ah, gente, eu vou indo. – Diz Anako, deixando sua refeição pela metade.
- É velho! Aquele lá tá podendo mesmo hein? – diz Saitou.
- Eu até entendo a dela, aquele lá é do tipo que não vai parar de evoluir! – continua Blue Moon. – Com certeza ele tem de tudo para chegar a ser um dos cabeças da OZ.
- Um dos cabeças é? Eu vou levar em consideração, porque eu te considero, Blue, e como! Hihihihih!
Todos se surpreendem e se viram para a pessoa que acabara de falar. Era Ginnosuke Hiko, um nos nove líderes da organização, para ser mais exato, o segundo em comando.
- G-Ginnosuke? O que você faz aqui? – diz Blue Moon pálido.
- O presidente me pediu para vir chamar a Anako, mas ela foi embora no momento em que eu cheguei. Eu até pensei em ir atrás dela, mas a conversa de vocês estava em um ponto interessantíssimo! Quer dizer que a garota tem algum interesse no tal Shinsei?
- É, bem... Não exatamente! Quer dizer... – diz Blue Moon, não sabendo o que responder.
- Eu sei bem que o presidente Wanizame está de olho nela há anos, mas é melhor esquecer. Aquela lá está caidinha pelo Shinsei e para provar, eu posso afirmar que ela está se dirigindo agora mesmo para um certo galpão abandonado na zona Oeste da cidade. – diz Saitou.
- Pode crer! E eu sei que antes mesmo dela chegar, o Shinsei vai ter terminado a missão e vai voltar com ela numa boa!
- Numa boa é? Parece que vocês confiam bastante nesse tal de Shinsei! Muito bem, se a garota saiu da base, não há muito o que fazer, eu vou ter que ir contar para o Nikaidou-kun. Mas eu acho que ele vai querer saber como eu obtive essas informações. Então eu vou acabar tendo que falar tudo o que vocês me falaram aqui e eu acho que ele não vai gostar nadinha. – Diz Ginnosuke, saindo do refeitório.
- Tsc. Esse cara me dá nos nervos. – diz Hideki.
- Relaxa velho, mesmo que ele tente algo, o Shinsei resolve numa boa! – Responde Mitev. – Pode ter certeza.
De volta ao galpão, Shinsei levou cerca de quinze minutos procurando na escuridão, demorou, mas ele encontrou o que aqueles três demônios estavam protegendo. Eles não passavam de guardas de uma passagem para o subterrâneo. Um dos corredores do galpão dava para um elevador que, diferentemente de todo o prédio, estava como novo e ainda por cima funcionava. Ele não possuía botões para andares, apenas um com uma seta para cima e outro com a seta para baixo. Shinsei não via motivos para ir para cima, então apertou o botão com a seta para baixo e o elevador fechou as portas e começou a descer. A descida foi um tanto demorada, o que significava que ele estava se dirigindo para bem fundo no subterrâneo. Após cerca de cinco minutos de descida, a porta se abriu. Estranhamente aqueles corredores eram familiares, mas Shinsei não conseguia se lembrar de onde. Então ele seguiu o único caminho que tinha até chegar em uma porta eletrônica. Ele tentou abri-la, mas na possuía os códigos de acesso. Após três tentativas frustradas, ele resolveu a sua maneira. A porta voou longe, os seis Onis que estavam ali se viraram espantados, demoraram alguns segundos para raciocinar o que estava acontecendo, tempo suficiente para que Shinsei conseguisse acabar com os dois que estavam mais próximos da porta. Outros três tentaram atacá-lo, mas tiveram tanto sucesso quanto os que estavam no galpão. O último que sobrara escapara por uma porta do outro lado da sala. Só então, Shinsei pode notar que na verdade estava em uma espécie de laboratório. Ele vê vidrarias, garrafas com produtos químicos, aparelhos eletrônicos monitorando algo que ele não sabia dizer o que era. Ele resolve que é melhor decidir se destrói tudo ou não depois. E passa a perseguir o Oni que fugiu. Enquanto atravessa os corredores, Shinsei, cada vez mais, sente um ar familiar nas instalações. Porém não consegue mentalizar de onde vem essa sensação.
Ele finalmente sente que chegou em algum lugar quando o corredor termina em uma abertura. Assim que atravessa a abertura, Shinsei encontra com o oni que perseguia e o décimo que faltava.
Este estava sentado no chão, com as pernas cruzadas, olhos cerrados, parecia esperar a chegada de Shinsei. Ele era todo preto e branco, sua silhueta era quase humana, assim como seus companheiros, mas seu rosto parecia uma máscara. Possuía uma moeda de Yin Yang em sua testa, com cerca de 5 centímetros de diâmetro. Logo à sua frente, havia uma espada fincada no chão. Assim que Shinsei chega a sala, ele abre os olhos e sorri diabolicamente.
- Finalmente! Eu estava esperando por você, o homem que derrotou meus companheiros como se fossem vermes! – diz o demônio. – Calma! Eu não vou dizer que quero vingar meus companheiros caídos. O que eu desejo é lutar. O puro e simples duelo! A violência pela violência, esse é o meu propósito! O prazer de ver seu oponente caindo no chão, derrotado e rastejando! E obviamente, quanto mais forte o oponente, maior o prazer em vê-lo cair!
A sala em que Shinsei chegara não era como a anterior. Havia várias cabines preenchidas com um liquido estranho e denso, era impossível saber o que havia ali dentro. Vários tubos saíam dessas cabines, provavelmente para troca de fluídos. O espaço era grande, a sala devia ter cerca de cinqüenta metros de comprimento por trinta metros de largura e cinco de altura. Alguns computadores estavam dispostos próximos às cabines, havia uma proporção de um computador para cada grupo de dez dessas cabines. Mas não era hora de Shinsei investigar, pois seu inimigo estava à espera.
- Eu não sei que tipo de experimentos vocês estão realizando, mas certamente não é o tipo de ciência que visa o progresso da sociedade. Vindo de demônios como vocês, com certeza é algo destrutivo e eu estou aqui para impedir que vocês progridam com seus planos malignos!
- E quem são vocês para falarem de nós? Acha mesmo que nós demônios promovemos a guerra? A fome? A miséria? A segregação? Não diga besteiras! Tudo isso são valores humanos! Nós onis não vemos diferenças aqui. – diz o demônio enquanto faz movimentos circulares, apontando para si mesmo, fazendo menção a aparência. – mas aqui e aqui. – complementa apontando para a cabeça e o peito.
- Você está certo, quem promove todos os males, provavelmente, são as pessoas. Porém, quem semeia isso, se aproveitando das fraquezas e da escuridão que existe na alma dessas pessoas, são vocês demônios! E, da mesma maneira que as pessoas são capazes de destruir tudo ao seu redor, os mesmos seres humanos são capazes de construir e reparar!
- Bonitas palavras, moleque! Mas todo humano fraqueja em algum momento! E é tudo que nós precisamos para evidenciar toda a natureza destrutiva existente em vocês!
- É por isso mesmo que nós da OZ... Não, que eu, Shinsei Shimabukuro, luto para exterminar vocês demônios!
- Eu quero ver! Até onde você consegue chegar com essa falsa máscara de bondade!
- Bondade? Não diga besteiras. Bonzinho é o adjetivo dado a uma pessoa gentil, benevolente, pacifica. Em outras palavras, alguém que escolheu trazer justiça a este mundo deve estar preparado até mesmo para utilizar a natureza mais agressiva para fazer o que é certo. O problema é que a maioria das pessoas confunde o certo com o bom, a justiça com a bondade. Mas muitas vezes, ao sermos bonzinhos, estamos apenas sendo complacentes ou omissos. Lutar pela justiça e gostar da violência são coisas muito próximas e a probabilidade de se desvirtuar é muito grande. Porém quanto mais correto, mais difícil é se manter pelo caminho que escolhemos.
- No fim das contas, palavras são só palavras, não importa o que você diga, o que importa é o que você faz!
- Errado. Palavras são muito mais do que palavras. Elas são símbolos repletos de significado e sentimento. Uma palavra mal colocada leva a interpretações erradas, por não saberem o que falam é que muitas pessoas criam a discórdia. Mas é verdade que as atitudes são mais importantes do que as palavras, porém o próprio ato de falar é uma atitude!
- Feh. Até que você fala bonito, mas vamos ver se sua técnica é tão afiada quanto sua língua!
Rapidamente, o oni se levanta, empunha sua espada e avança para cima de Shinsei, que faz o mesmo. O choque de espadas no centro do salão faz o ar se deslocar com tal força que o outro oni é jogado para o chão. Logo no primeiro golpe, é possível ver a diferença de forças, Shinsei empurra seu oponente para trás enquanto cruzam espadas. Vendo que não irá conseguir vencer a disputa, o demônio salta para trás, abrindo espaço suficiente para que Shinsei utilize sua técnica Mikazuki Joushou (ascensão da lua crescente), um golpe ascendente em que Shinsei ataca o oponente no ar, com um movimento em forma de lua crescente. Ele empunha a espada com as duas mão, com a lâmina apontando na diagonal para trás e para baixo e golpeia com um movimento circular ascendente, visando o abdômen do adversário A força do golpe é suficiente para que o demônio seja jogado para o teto do sala. Após a queda, o demônio fica envolto pela poeira levantada no impacto com o chão. Shinsei permanece em guarda a espera de um possível ataque surpresa, mas o oni surge andando calmamente. Realmente, era impossível que ele vencesse no estado atual, por outro lado, era impressionante que ele conseguisse se levantar depois de receber um golpe daqueles em um de seus pontos vitais.
- Acho que foi muita falta de descortesia minha, não me apresentar, Shinsei Shimabukuro! Eu sou Shinken, um demônio nascido pela sede de sangue dos espadachins do mundo. Obviamente eu não sou o único. O Muttou aqui, também é um – diz Shinken se aproximando de seu companheiro demônio. – porém a diferença é que eu me fortaleci depois de ter sido criado. Me fortaleci em lutas como esta! Contra oponentes como você! E acima de tudo... Me alimentando da força de companheiros como ele! – Shinken diz isso, tomando a espada de Muttou e cortando-lhe em dois.
Shinsei não esboça reação, afinal tratava-se de demônios, esse tipo de atitude não é algo inusitado vindo de seres malignos. Porém, Shinken estava mais poderoso, não só possuía duas espadas, mas também incorporara a força de Muttou. Ele ataca novamente, porém, desta vez mais rápido e mais forte. O que havia ocorrido não era uma simples soma de forças, parecia que Shinken estivera treinando por anos. A diferença era muito grande para que fosse simplesmente a absorção da força de um oni. Então Shinsei nota que pelo buraco feito no teto, era possível ver algo que ele não conseguia definir o que era, mas aquilo emitia uma estranha luz. Eles estavam muitos metros no subsolo para ser a luz da lua. Com um golpe feroz, Shinken joga Shinsei para o alto e, então, ele consegue ver. A luz que vinha do teto atingia o chão que agora possuía um desenho do símbolo de yin yang. Como estava concentrado na luta, Shinsei não havia percebido, mas o símbolo na testa de seu oponente agora estava brilhando, diferente de antes. Foi fácil deduzir que ele teria que dar um jeito em uma das três coisas. Porém, destruir o chão todo parecia inviável e tentar subir para destruir a fonte da luz, ele precisaria subir um andar, mas seu inimigo não permitiria isso. Então ele decidiu que destruiria o medalhão na testa de Shinken, porém já não estava nada fácil atingi-lo, quanto mais em um ponto que provavelmente deveria ser o mais protegido dele? Shinsei tira de seu bolso, uma tonfa retrátil. Ele não gostava muito de usá-la, pois achava-a muito frágil, mas agora era necessária para seu golpe Juuji Seigi (Justiça em cruz). Um golpe combinando dois ataques cruzados da espada com ataques contundentes da tonfa, formando uma cruz com pontos em suas extremidades. O golpe foi apenas para atordoar Shinken tempo suficiente para que Shinsei conseguisse desferir um ataque decisivo contra o medalhão na testa de seu rival. O golpe pega em cheio, mas não é suficiente para destruir o medalhão. Foi uma estratégia muito inteligente, porém era necessário ter mais força para conseguir um sucesso. Neste momento, ambos sentem uma poderosa presença se aproximando. Shinsei permanece preparado para lutar. Sua surpresa é grande quando chega no salão, ninguém menos que Wanizame Nikaidou. Shinken sua frio perante a presença do presidente de OZ.
- S-sinto muito senhor! Eu sei que suas ordens foram para eliminá-lo, mas ele é mais forte do que o senhor me falou! Além do mais... – diz Shinken.
- Calado, idiota! Quando foi que eu lhe dei permissão para se dirigir a mim? – responde Wanizame.
Eles se conheciam? Como era possível? Aliás, como Wanizame conseguiu acesso a aquele local? Ainda mais pelo lado oposto. Shinsei estava confuso com a situação. Nikaidou ataca Shinken, jogando-o longe.
- Tsc. Eu esperava que este verme acabasse com você, mas assim que eu percebi que ele iria falhar miseravelmente, eu resolvi cuidar pessoalmente, afinal, se você o derrotasse, provavelmente iria acabar descobrindo onde está e o que está sendo pesquisado aqui.
De um jeito ou de outro ele teria que acabar com Shinsei, pois, na verdade, eles estavam na base de OZ, no setor de pesquisas sobrenaturais. Obviamente poucas pessoas tinham acesso àquela seção, pois ali se pesquisava a criação do híbrido perfeito entre humanos e onis. Mas esta era uma pesquisa secreta e apenas aqueles envolvidos diretamente possuíam conhecimento. A missão que Shinsei pegara era mantida para que agentes chegassem ao laboratório e servissem de material para a pesquisa, obviamente muitos já tentaram, porém todos foram eliminados ao descobrirem a verdade. A maioria era pega pelos guardas no galpão mesmo, outros morriam enfrentando demônios de nível A, como Shinken. Mas ele era o primeiro a quase estragar tudo e fazer o próprio Wanizame ter que ir até lá.
- Sinta-se honrado, após eliminá-lo, eu cuidarei para que você seja condecorado como um herói de OZ! – diz Wanizame, sacando a espada. – Prepare-se para morrer, Shinsei!
Ele ataca Shinsei que ainda estava incerto sobre o que estava acontecendo. Porém, quando Shinsei percebe, Anako estava entre ele e Wanizame, defendendo-o do ataque com sua Sasori no Mikazuki. Wanizame fica aborrecido por ela ter descoberto tudo, pois agora teria que matá-la também. O fato de ele falar em matar pessoas como se não fosse nada, estava deixando Shinsei nervoso. Porém não era a mesma coisa que ele fazia com onis? A única diferença era o alvo, mas para os onis era a mesma coisa. Tudo bem, talvez não fosse exatamente a mesma coisa, mas matar é matar, não importa se você mata uma formiga ou um planeta. Nem Shinsei nem Anako eram páreo para Wanizame, mesmo lutando juntos, a diferença era grande. Não vendo outra saída, Anako pediu que Shinsei fugisse, ela tinha mais chances de persuadir o inimigo. Shinsei se recusa terminantemente e a batalha segue da mesma forma.
Shinsei é lançado para trás e atinge uma das cabines, quebrando-a. Ele se levanta e procura se limpar, quando estava se preparando para voltar para a batalha, ele ouve um barulho vindo dos destroços da cabine destruída. Então ele descobre o que elas continham, dos escombros se levanta um demônio humanóide. Ele parece incomodado com a luz, mas logo se acostuma e, assim que passa a enxergar, ele ataca a primeira coisa que vê, ou seja, Shinsei. Obviamente, o demônio não consegue nem tocar nele, sendo chutado para longe. Porém, isto deu uma idéia para Shinsei. Ele chama por Anako e diz para que ela venha para junto dele. Ela usa sua técnica, Sasori no Muchi, um chute vindo de baixo para cima, a partir da posição básica do estilo de Anako em que ela se apóia em uma perna, levantando a outra para trás e inclinando-se para frente e postando seus braços para frente empunhando as duas partes da Sasori no Mikazuki, ficando, desta forma, como um escorpião. Ao mesmo tempo em que atinge o oponente, a técnica permite que Anako dê uma cambalhota para trás e se aproxime de Shinsei que joga sua espada, de forma que ela atinja o maior número de cabines possível e puxa sua amiga pelo braço, correndo em direção à saída mais próxima, a que leva para a base de OZ.
Wanizame se recupera logo do golpe dado, mas antes que pudesse ir atrás de suas presas, vários demônios se levantavam e atacam-no. Eles não eram poderosos, mas a grande quantidade impedia que Wanizame conseguisse avançar.
Shinsei sobe as escadarias o mais rápido que pode, puxando Anako consigo. Ele pode sentir Wanizame se aproximando. Shinsei poderia esconder sua presença e desaparecer em algum andar, porém, Anako não possuía tal habilidade a ponto de enganar Wanizame, então a única opção era continuar subindo. Eles finalmente chegam ao andar térreo, mas ainda havia o problema de encontrar a saída. Shinsei acha melhor não parar para pensar e segue derrubando as paredes, mesmo que isso mostrasse o caminho que tomaram, isso não faria diferença, pois seu perseguidor podia localizá-lo. Após atravessar cinco paredes, Shinsei consegue reconhecer o local, o que significava que eles finalmente haviam saído da sessão de pesquisas. Ainda segurando Anako, Shinsei prepara-se para dar continuidade a sua fuga, quando sente seu braço esquerdo pesar. Ele se vira a tempo de impedir que Anako atinja o chão com tudo. A garota sangrava, estava ferida em sua perna direita e Wanizame já estava muito próximo. Porém não fora ele quem havia causado a ferida, Shinsei levanta o rosto e vê Ginnosuke de pé, segurando apenas uma empunhadura de espada.
- Ora, ora, mas que coisa feia. Fugindo assim? Não seria mais bonito você se mostrar para sua namoradinha? – diz Ginnosuke, mantendo seu sorriso habitual.
- Tsc. Eu não tenho tempo para perder com você, Gin!
- Que cruel! Assim você me deixa assustado, sabia? – diz apontando a empunhadura para Shinsei. – Eu não gosto de pessoas cruéis!
- Shin!
Anako pula para o lado, levando Shinsei consigo. O rapaz não entende, mas assim que olha para a direção que Ginnosuke apontava com sua empunhadura, ele entende. A parede possuía um buraco, provavelmente, apesar de parecer uma empunhadura, aquilo que Gin segurava devia ser algum tipo de disparador de ki. Anako havia sido atingida de raspão pelo ataque, o que fez com que a raiva de Shinsei para com Ginnosuke atingisse seu ápice. O rapaz se posta em posição de ataque, enquanto seu sorridente inimigo aponta-lhe novamente a arma. Wanizame se aproximava, então se eles quisessem resolver as diferenças, eles não tinham tempo a perder. Gin dispara uma rajada abrangente, retirando qualquer chance de esquiva, porém Shinsei não pretendia esquivar-se. Atacou de frente concentrando toda energia em um ponto e fazendo-a explodir quando atingiu o oponente. Gin é jogado para longe. Kabuto e Alita que observavam a luta, escondidos, se assustam quando Ginnosuke passa voando por eles. Shinsei fita-os e os dois começam a suar frio. Não só por terem sido percebidos, mas mais porque Wanizame havia acabado de chegar. A situação não era nada boa, além da desvantagem numérica, Shinsei havia usado todas as energias que tinha para derrotar Ginnosuke e Anako estava ferida. Wanizame estava com a Koufuku no Tenjin em mãos e observou que seu vice havia sido derrotado por um guerreiro já ferido. Mas isso não era preocupante, afinal bastava que ele fosse o mais forte para que as coisas corressem direito. Ele joga a takemitsu para Shinsei, afirmando que não precisava daquele lixo. Mas o rapaz não possuía forças nem mesmo para se mover, então, Anako, aproveitando-se que Wanizame estava de costas ataca-o com sua mais poderosa técnica, Mangetsu no Mae, uma seqüência de golpes utilizando a Sasori no Mikazuki em sua forma única. Os movimentos de Anako fluem como uma dança ao luar. Mesmo Wanizame tem dificuldades para prever os ataques da garota e acaba sendo ferido diversas vezes, até que é encurralado. Porém, quando vai desferir o golpe final, Anako pára. Ele recua alguns passos e gotas de sangue vão caindo no chão. Ela põe a mão em seu peito, de onde o sangue flui e cai de joelhos. Wanizame e Shinsei arregalam os olhos, um olha para o outro, mesmo Kabuto e Alita parecem confusos. Então, Wanizame nota, ao lado de seu rosto, a parede estava toda esburacada. A única pessoa ali presente, capaz de fazer isso, era Ginnosuke. Todos olham para trás e lá estava ele, com sua arma levantada, sorrindo em meio aos escombros.
- É isso que você recebe! Achou mesmo que iria se safar depois de ferir o Nikaidou-kun? Sua cachorra! Quem você pensa que é?
No entanto, antes que Ginnosuke pudesse continuar a berrar, em um instante, Shinsei havia pulado e desferido um último golpe, jogando-o para fora do prédio. Wanizame, já recomposto acha uma pena, mas já que ela ia morrer, ele mesmo iria acabar com a vida dela. Anako já respirava com dificuldade e cuspia muito sangue, além do que escorria entre sues dedos. Porém, ela não ia desistir. Essa foi a lição mais valiosa que Shinsei lhe ensinara, seis meses atrás, quando ela presenciara o teste dele. A garota se levanta, para a surpresa das quatro pessoas presentes, cambaleante, sangue escorrendo de seu peito, a cada gota que caia, ela ficava mais fraca e a morte se aproximava, mas ela não ia desistir. A arma estava muito pesada para ela empunhá-la do jeito que estava, então ela divide-a e segura apenas uma metade com a mão livre. Shinsei gritava algo, mas ela já não conseguia nem ver nem ouvir nitidamente. O gosto de ferro em sua boca era horrível e sua cabeça rodava. Mas, ainda assim, ela fechou os olhos e se postou em posição de ataque. Se esse seria seu último momento, ela queria que fosse em prol de algo que valesse a pena. Wanizame não esboça reação alguma, apenas solta um suspiro e diz algo que Anako não entende, para dizer a verdade, pouco importava, antes do ataque, ela dá uma última olhada para trás e sorri. Sua visão estava turva, mas ela consegue ver nitidamente Shinsei, com uma expressão de desespero, sendo atrapalhado por dois vultos que deviam ser Alita e Kabuto.
Novamente ela fecha os olhos e se concentra no inimigo a sua frente. Segurando a metade da Sasori no Mikazuki, apontando para seu oponente, ela desfere seu melhor golpe. Um Doku Sasori Tsuki Tateru, um golpe de perfuração que aproveita a explosão do impulso, com a força dos quadris e do braço, para perfurar e atravessar o alvo. Wanizame, por sua vez, revida com um contra-golpe. Um battoujutsu em que o espadachim fica de lado para o oponente, segurando a espada do contrário e a retira da bainha na parte de trás da cintura, aumentando o poder de explosão, dando um passo para frente e o golpe vem de baixo para cima.
Alita, Kabuto e Shinsei apenas notam o que aconteceu quando ouvem o choque dos golpes. Diferente dos outros dois, Shinsei não para e aproveita a brecha para nocauteá-los e parte para onde Anako e Wanizame estavam lutando. Antes mesmo que Shinsei conseguisse alcançá-los, Anako cai no chão, ferida pelo golpe de Wanizame. Shinsei passa reto pelo algoz de sua querida amiga, sem nem mesmo reparar que Anako havia conseguido feri-lo próximo a jugular, e se dirige a ela. Ele ajoelha ao seu lado e põe a mão em sua cabeça, afastando os cabelos de seu rosto.
- Você... Está chorando, Shinsei? – pergunta Anako.
- Não...
- Que bom. E Wanizame? Eu consegui derrotá-lo?
- Sim...
- Eu acho que você está mentindo, mas eu fico feliz mesmo assim. Porque você se preocupou comigo. Eu desejo do fundo de meu coração que você consiga escapar, de alguma forma. – Ela espera alguns instantes, mas Shinsei não fala nada. – Chegue mais perto, eu quero dar-lhe algo que eu devia ter dado há muito tempo.
Wanizame estava de costas, mas não vira, ele sabia bem que Shinsei havia ganhado algo que ele almejava, mas jamais teria por conseqüência de suas próprias ações. Durou apenas alguns instantes. Como ultimo suspiro, Anako sussurrou algo que apenas Shinsei pode ouvir, mas que Wanizame podia sentir e isto apenas fazia com que sua fúria, sua inveja crescessem. Após estas últimas palavras, a mão de Anako caiu no chão. O último suspiro de vida se esvaiu de seu corpo, mas ela ainda sorria. Shinsei e Wanizame estavam um de costas pro outro. Este fervia em raiva, ódio, inveja. Sua energia era tão forte que até mesmo os dois que estavam desacordados, levantaram, assustados. Por outro lado, Shinsei não emitia nenhum tipo de energia. Era algo muito mais sinistro e assustador. Wanizame, Alita, Kabuto e Ginnosuke que acabava de voltar, todos conseguiam sentir, um enorme vazio, era tão forte que até mesmo a energia que Wanizame emanava foi engolida e, pela primeira vez, ele sentia um frio na espinha. Shinsei, então, levantou seu rosto e fitou os quatro ali. Bastou um olhar e Alita e Kabuto caíram desacordados novamente. Ginnosuke ficou paralisado e Wanizame sentia o suor frio escorrendo por seu rosto. Como podia ele, o homem mais sangue-frio da face da terra suar frio? Estaria ele com medo? Patético, Shinsei havia esgotado suas energias e deveria estar abalado emocionalmente, não só sua amada havia morrido na sua frente, mas também, havia descoberto a verdade sobre a OZ e sido perseguido implacavelmente após ser completamente dominado em termos de força.
Talvez como demonstração de bravura, talvez por desespero, Wanizame empunhou sua espada com as duas mãos e partiu para cima de Shinsei. Ele era veloz, até mesmo Ginnosuke que conhecia bem o poder de Wanizame se surpreendera, essa era a força que ele adquirira com o rancor de ter sido obrigado a matar a mulher que desejava para não ter que vê-la com outro. Porém, quem cai no chão, ferido, é Wanizame. Nem Ginnosuke nem o próprio Wanizame entendem. Como era possível? Shinsei não era páreo para ele, além do mais ele estava esgotado e ferido! Wanizame se levanta e investe de novo, desta vez ele estava de costas, não tinha como ele revidar. Novamente, é Wanizame é quem é ferido. Ele se vira para seu oponente e sente a presença do vazio, ainda mais forte e assustadora. Desesperado, ele ataca novamente. Desta vez, ele sente uma dor aguda e ouve sua espada cair longe. Ginnosuke não consegue falar nada, mas balbucia algo.
- B-b-b-b-bra... Bra.. ç-ço...
Só então Wanizame entende de onde vinha a dor, seu braço. Não era apenas sua espada que havia voado, de alguma maneira, Shinsei havia cortado seu braço. Ele não consegue mais se mover. Ginnosuke aproveita um momento de distração de Shinsei e sai correndo. Traidor! É o que passa na cabeça do presidente da OZ, mas ele não tinha tempo para se preocupar com outras pessoas, no momento ele tinha um oponente terrível a sua frente. Então ele se lembrou que certa vez, Ichirou, o pai de Shinsei, havia demonstrado o mesmo poder. Foi no dia em que o avô paterno de Shinsei falecera em missão. Ichirou chegara tarde naquele dia e encontrou seu pai, morto, nas mãos dos onis. Eram todos da classe O, os demônios que apenas os lendários de OZ conseguiam enfrentar. Porém, nesse dia, Ichirou conseguiu derrotar dez deles sozinho. Tudo porque eles haviam matado seu pai. Os relatos dizem que foi uma cena terrível, até mesmo os onis ficaram paralisados perante Ichirou Agora, Wanizame presenciava a mesma coisa que os onis daquele dia. Ele sentia o vazio, a morte se aproximando. Sentia também um enorme apego pela vida. Ele nunca temera a morte antes, mas nunca ela lhe pareceu tão terrível. Num momento de desespero, porém, quando Shinsei parecia que iria fazer algo, o alarme soou e a voz de Ginnosuke saía por todos os lados.
- Atenção, alertamos para todos os agentes disponíveis para que capturem Shinsei Shimabukuro, o indivíduo é extremamente perigoso. Temos informações de que o presidente Wanizame foi gravemente ferido enquanto tentava proteger a agente Anako que estava em missão de captura do traidor. Repetimos para que todos os tenham muito cuidado e utilizem tudo todos os recursos que dispuserem para a captura do demônio que se infiltrara em nossa base, o alvo é Shinsei Shimabukuro.
- Hehehehe! E então? O que você vai fazer agora? Ficar e lutar com seus amigos? Seus ex-companheiros? – diz Wanizame.
Shinsei não responde nada, apenas desfere um último golpe em Wanizame e sai correndo pelo buraco que fez quando jogou Ginnosuke longe.
- Puf... Puf... Droga! Droga, Anako! Não era para ser assim! Eu não podia... Você não pode morrer desse jeito. Droga... DROGA! – Diz Shinsei, ferido e em finalmente prantos.
E agora? Mal começamos as nossas aventura e um de nossos protagonistas se tornou um procurado. O que ele fará daqui para frente? O que seus amigos irão pensar? Tudo isso você confere nos próximos capítulos!
Música de encerramento: Black Jack by Janne da Arc.
