Roy acordou em sua cama, desejou que tudo aquilo não tivesse passado de um sonho

N/A: Eu sei que realmente mudei o rumo da história no capítulo anterior, já aviso para os corações frágeis que aquilo foi só uma pequena amostra do que está por vir... Mas não se preocupem, pelo menos os próximos dois capítulos vão ser da calmaria.

Calmaria

Roy acordou em sua cama, desejou que tudo aquilo não tivesse passado de um sonho. Olhou para os lados procurando por algum sinal que tudo aquilo fosse um grande pesadelo, mas para seu desespero encontrou jogada na cadeira ao lado, sua camisa com manchas de sangue. Tudo havia acontecido, Riza estava naquele estado.

Jasper entrou no quarto, Roy imediatamente se levantou e disse:

- O que aconteceu?

- Perae Primo, eu já volto.

Jasper saiu do quarto rapidamente, parecia que tinha ido telefonar para alguém. Quando voltou olhou diretamente para Roy e começou:

- Hoje é sábado Primo. Você ficou um dia inteiro nessa cama.

- Mas o que aconteceu COM ELA?!

Jasper baixou o olhar. Então começou:

- Bom, ela perdeu muito sangue, tá com muitos ferimentos bem fundos por causa das facas, mas o médico disse que ela vai melhorar. O Miguel também vai.

- Não quero saber do Miguel.

- Primo, não seja mula velha! Pra sua informação, ele salvou a vida dela. As... Como é mesmo o nome... Testemu...

- Testemunhas oculares?

- Isso! Elas contaram tudo, detalhe por detalhe. Ele quase morreu pra salvar ela.

- O que?

- É. A Riza começou a ser perseguida. O cara acertou as facas nela, ela tentou atirar, mas a dor devia estar insuportável, então ela desmaiou. Os caras tentaram matar ela, mas o Miguel apareceu, pegou as armas dela e conseguiu acertar no Alfa entre os bandidos e...

- E quem eram esses caras? QUEM FEZ ISSO COM ELA?

- Calma! Não quiseram me contar tudo... Disseram que era informação demais pra um civil. Aquele seu amigo de óculos... O Hughes... Ele falou que ia passar aqui quando você acordasse. Acabei de ligar pra ele.

- Ótimo. Obrigado Jasper.

Os minutos que passaram á seguir pareciam séculos para Roy, ele queria muuuuito saber quem tinha feito aquilo com ela, embora ele já tivesse uma idéia de quem. Seus pensamentos foram interrompidos por alguém batendo na porta, era Hughes.

Hughes entrou silenciosamente, não estava fardado. Roy que estava sentado rapidamente se levantou, mas o outro lhe lançou um olhar de censura, como se estivesse mandando que ele se sentasse novamente. Não houve cumprimentos, Hughes simplesmente adentrou a casa e sentou ao lado de Roy.

- Licença Jasper.

- Ah, sim!

Jasper rapidamente saiu da sala e fechou a porta. Só quando Hughes percebeu que Jasper já tinha arrumado algo pra fazer, começou a falar.

- Você deu um pouco de dor de cabeça pra gente lá... Quase achamos que você ia explodir tudo...

- Eu até quis... Estava tão... Tão...

- Desesperado.

- É. Mas, o Jasper...

- É, eu sei que ele já te contou algumas coisas. Mas o que você vai ouvir á seguir vem diretamente do serviço de informações, ninguém de lá sabe que eu estou te passando.

- Certo. O que as testemunhas oculares disseram?

- Bom, Jasper já deve ter te contado do ataque, Miguel se colocou no meio. Ele foi o herói do dia, acho que se não fosse ele... Bom, você sabe, não ia ter médico no mundo que pudesse fazê-la melhorar.

- Entendo... Mas... Ela...

- Ela levou alguns pontos pelo corpo, o cara realmente gastou um faqueiro inteiro nela.

- Tantas assim?

- Muitas. A Hawkeye foi muito forte, acho que eu não agüentaria nem dois minutos daquele jeito.

Roy sentiu orgulho de Riza por um momento, mas ao se lembrar que ele tinha sido o causador de tudo... Se não fosse ele... Ela não precisaria ter saído do quartel e..

- Mustang?

- Ah, Hughes... Continue, me conte como eles eram.

- Não vai fazer besteira?

- Eu só quero saber quem foi, quero ter certeza que eles não vão chegar mais perto de nós novamente, você sabe que o nós inclui você e sua família.

- Hunf... Eu sei, por isso estou te dando as informações. Não quero minhas rainhas correndo perigo... Mas eu acho que você já tem uma perspectiva de quem é, não é?

- Infelizmente. Mas vai lá Hughes, características!

- Bom, um deles é alto, loiro e musculoso. O outro tinha cabelo preto, meio calvo, sobrancelha falhada por uma cicatriz... Bate exatamente com as características do Karkarov e do Ludo Portgram.

- Eu sabia! Aqueles desgraçados! – Roy deu um murro na parede.

- Ei, você disse que ia se controlar!

- Eu to calmo!!

- Aham, e eu sou a Lindsay Lohan. ¬¬

- Ok, Hughes. Eu vo tentar me controlar, mas eu quero todos os meus cadetes em missões de reconhecimento, quero saber onde eles estão, o que estão tramando, quais são os próximos alvos, TUDO! Até quantas vezes eles deixam de respirar...

- Hum, acho que você não pode dar essa ordem.

- Porque?!

- Bom, são bandidos de prioridade máxima, ninguém em sã consciência mandaria cadetes atrás deles. Se a Riza que é uma especialista e talvez uma das mulheres mais perigosas da Central sofreu esse tipo de ferimento, imagina um cadete.

- Você tem razão...

- E além disso, o quartel já se mobilizou, amanhã você vai ver fotos desses caras por toda a cidade, e no quartel temos até um mural com informações do caso.

- Tudo isso por causa da Riza?

- Também. Lembre-se que eles não são simples criminosos, são realmente perigosos, nós quase morremos pra acabar com eles... Lembra?

- É... Realmente...

Roy ficou parado, absorto em seus pensamentos. Hughes percebeu que não tinha mais nada pra fazer ali e resolveu ir embora.

- Tenho coisas á fazer, preciso comprar uma boneca pra Elysia...

- Ah sim...

- E Mustang...

- Ãnh?

- Nós nunca tivemos essa conversa...

- Que conversa?

- Também não me lembro.

Hughes sorriu e desceu o lance de escadas. Roy se levantou para trancar a porta.

- Jasper. Eu sei que você ta aí atrás... Pode sair.

Jasper saiu de trás da porta

- Descurpa Primo... É que é sobre a Riza...

- Eu sei... O Hughes também percebeu, mas ele sabe que eu vou te contar tudo, então resolvemos deixar você achar que estava realmente "invisível".

- Ah... – Jasper ficou vermelho, ele sabia que não deveria ouvir a conversa dos outros por trás das portas, mas não tinha escolha, ele também queria saber tudo sobre o atentado à Riza.

- Primo...

- Ãnh?

- Eu tenho uma reunião mais tarde, mas antes, se você quiser ir... Eu vou visitar a Riza e o Miguel no hospital.

- E porque não? Não sabia que já tinham liberado o horário de visitas...

- Só para amigos íntimos e família.

- Então como você?

- Você é superior dela, eu sei imitar a sua voz no telefone.

Jasper sorriu marotamente e foi pegar sua jaqueta, enquanto Roy colocou a primeira roupa casual que achou pelo chão.

Os dois saíram do prédio calmamente, entraram no carro militar e se dirigiram ao hospital.

Enquanto isso, longe dali, num dos prédios de um subúrbio bem suspeito, algumas pessoas tentavam entrar em acordo.

- Eu já disse! Devemos invadir e acabar com ela enquanto tá inconsciente!

- Mas aí não tem graça Oshad... Eu quero ver o rosto de dor dela...

- Shima, você não devia estar cuidando dos ferimentos do Karkarov?

- Ele tá dormindo que nem uma pedra... Mas também, ninguém mandou vocês acabarem com ela no meio do calçadão!

- PAREM, TODOS VOCÊS!

Um homem de cabelos negros e bem oleosos, com um tapa olho se levantou da escuridão. Todos os outros fizeram silêncio, então ele começou:

- Eu já disse o plano pra vocês, não vamos pegá-la inconsciente, não tem a mínima graça. E além disso, temos que dar algumas pistas para o Mustang, vamos fazer um joguinho com ele... Um joguinho que ele perde no final, é claro.

- Mas como vamos nos infiltrar no hospital? Aposto que a segurança ta reforçada...

- Assim você me ofende, Ludo. Esqueceu que eu sou especialista em infiltração? Consigo desarmar um alarme em segundos.

- Mas eu não to falando de alarmes, Shima. To falando de guardas.

- E desde quando eles são problema? É só esperar o Karkarov melhorar... Aquele idiota... O que deu em vocês pra atacarem ela no meio do calçadão?

- O Karkarov falou que era melhor, porque aí ela num ia ter muita certeza de onde atirar... Ele tava certo, depois que ele acertou umas facas, aposto que ela tava com tanta dor que não via um palmo e ficou com medo de atirar e acertar em algum inocente... Se não fosse aquele moleque, ela tava amarrada ali no fundo agora...

- Ah, sim... O moleque... Por acaso era o mesmo que ela tinha se despedido mais cedo, não é? – Shima parecia interessada.

- É sim... – Ludo ia recomeçar a falar, mas foi interrompido por Lance.

- Mais tarde a gente cuida dele... Por enquanto vamos nos fixar na invasão do hospital... Em quanto tempo o Karkarov melhora?

- Ah, ele já sofreu coisa pior... É que ele ta fora de forma... Mas acho que em uma semana ele já ta com a gente.

- Hum, uma semana?

- Talvez menos... Depende dele, mas eu falo uma semana pra assegurar, o moleque não acertou em cheio, o tiro só pegou o Karkarov desprevenido. Um tirinho de nada, pegou no braço.

- Ótimo, Oshad... Já fez todo o mapeamento Shima?

- Sim... Foi tão fácil... Eles não perceberam nada, deu pra mapear tudo passando pelos túneis de ar... São bem espaçosos...

- Isso é bom... Karkarov consegue passar...

- Mas o Ludo não.

- E quem disse que o Ludo vai nessa missão?

- Porque eu não posso? Eu queria tanto...

- Você não se controla, além disso, pelos meus cálculos, o dia cai numa lua cheia, você costuma ficar anormal nesses dias... Talvez eu vá...

- Você, Lance!? Nossa! Logo você que nunca sai em campo...

- Pois é, Shima... Eu não quero falhas dessa vez, e como já dizem, se você quer algo bem feito, faça você mesmo.

- E quem vai ser o outro?

- O Oshad.

- Eu?!

- Óbvio, você consegue falsificar uma porção de coisas. E eu já repeti esse plano um milhão de vezes...

- Nossa, tá tão calor... Espero que tenha ar condicionado nesse hospital...

- Tem sim, vou deixar ligado pra vocês no dia...

- Valeu... Mas ta muito calor hem... Como que é mesmo que chamam aquele troço que faz aquecer tudo?

- Aquecimento Global, idiota.

- Dizem que os peidos das vacas estão acabando com a gente.

- Vacas? Eu to falando de calor, Ludo!

- Eu li no jornal...

- Você lê?!

- Leio.

- Uau, que progresso. Mas continua, essa eu quero ouvir. Noticiário Portgram 24 horas.

Ludo olhou Oshad com aquela cara "Vai pra aquele lugar" e continuou:

- Dizem que andamos consumindo mais carne, isso dá em mais gado, ou seja, mais vacas, mais peido de vaca... Menos camada de ozônio.

Shima estava quieta, então ela se levantou e disse:

- Hãm... Isso até pode ser verdade, mas eu prefiro morrer por causa duma bisteca do que passar o resto da vida comendo brócolis integral.

- Apoiada! – Todos os outros disseram em uníssono.

Roy e Jasper chegaram no hospital alguns minutos depois do horário de visitas ter começado. Chegando lá esperaram pela chamada da recepcionista. Vinte minutos de pura agonia e ela falou que eles podiam entrar.

Os primos caminharam corredores adentro, o quarto de Riza ficava no último andar. Tomaram coragem e entraram, tinham alguns presentes e flores em cima do criado mudo, alguém já tinha ido visitá-la.

Roy se aproximou da cama, ela ainda estava branca, mas não tanto como naquela tarde. Parecia estar dormindo, mas segundo a enfermeira ela estava sedada para não sentir dor.

Após ficar uns minutos ao lado dela, Roy deu espaço para Jasper, o primo deixou um embrulho junto aos outros presentes no criado mudo e se aproximou de Riza.

Jasper sussurrou no ouvido dela:

- Ei, trouxe mais um gift pra ocê, acorda logo pra ver o que é.

E dizendo isso ele saiu de perto dela e foi saindo do quarto. Ele não queria admitir, mas ficava chocado todas as vezes que via alguém naquele estado.

- Onde você ta indo? – Roy parecia surpreso.

- Ver o Miguel ué.

- Eu não quero ver o Miguel.

- Primo... Num vai me dá complicação né. Lembra que ele ajudo a salvar a Riza. Até o Hughes disse que se não fosse ele... Ela num taria aqui.

Roy pensou em alguns instantes na possibilidade da morte de Riza, se sentiu terrível, com vontade de correr até ela e abraça-la bem forte, de voltar no tempo e nunca ter bebido daquele jeito... Também percebeu o quão infantil estava sendo, se aproximou de Riza e lhe deu um beijo na testa, sussurrou algo como "Fique bem logo" e acompanhou o primo.

O quarto de Miguel estava com mais presentes que o de Riza, cartões dos companheiros de trabalho, chocolates dos amigos, entre outros.

Ele estava acordado e ao ver Roy e Jasper se remexeu um pouco.

- E aí Miguel? Ta melhor?

- Sim, Jasper. Me deram uns sedativos, vou ficar inchado por um tempo, mas acho que vou melhorar logo. Me disseram que quebrei duas costelas.

- Uia, até que ocê agüento bem, né? Disseram q o cara era um brutamontes e...

- Era mesmo, ele era loiro, tinha uns dois metros e tanto. Mas to feliz sabendo que a Riza vai ficar bem. Já visitaram ela?

- Já. – Respondeu Roy secamente.

- Já, ai resolvemo passar aqui pra te dar um alô. – Jasper sorria.

- Que ótimo! Eu tava sedado até agora pouco, mas aí minha irmã vai vir me visitar e resolveram me deixar lúcido por um tempo.

- Você tem irmã? – Roy parecia surpreso.

- Tenho... – Miguel sorriu de lado.

- MIGUEL!

- Ai está ela. Oi Anita. – Miguel olhou para porta, Roy e Jasper acompanharam o olhar dele e se depararam com uma moça muuuito bonita, ela era loira e tinha os olhos verdes, até que lembrava bastante o irmão.

- Seu idiota! Quase me matei de susto quando me contaram o que tinha acontecido com você!

Ela se aproximou do irmão deitado na cama e lhe deu um abraço.

- Eu sou forte Anita.

- NUNCA mais faça isso, ok?

- Certo... Cadê o Jarbas?

- Aquele imbecil? Qualquer lugar bem longe daqui!

- O que aconteceu? Vocês brigaram?

- Nós terminamos, ok?

- Mas vocês eram noivos!

- E daí? Eu não agüentava mais sabe, ele só se importava com trabalho, nunca ficava comigo, sempre distante. Eu achei batom no terno dele!

- Ai...

- É! Fui perguntar pra ele o que significava aquilo e SABE O QUE ELE DISSE? Que era SÓ batom!

- Senhorita, faça silêncio, por favor.

Uma enfermeira tinha entrado no quarto para verificar os gritos, mas já tinha ido. Anita olhou na direção da porta e baixou a voz.

- Bom, agora pelo menos eu to livre. –Ela olhou para o lado e viu Roy e Jasper, ela parecia ter petrificado.

- Você é... É... Roy Mustang?

- Eu mesmo. Prazer em conhecê-la.

Roy deu um beijo na mão de Anita.

- E você é? – Ela percebeu que Jasper se parecia muito com Roy.

- Sou primo dele. Jasper Mustang.

Por dentro Anita estava quase tendo chilique. "Meu deus, tem dois! Tem dois Mustang na cidade! Aiii, lindos, lindos!" Mas por fora tentava se mostrar o mais natural possível.

- Hum, nunca tinha ouvido falar de você, mora aqui na Central, Jasper?

- Não. Eu sou do interior, tenho negócios á tratar aqui. – Ele tentou parecer o mais importante possível.

- Ahh, entendo. – Ela sorriu amigavelmente para Jasper, jurava que o achava mais bonito que Roy, então ela se aproximou de Miguel e disse quase num sussurro nervoso.

- Miguel, você nem me conta que é amigo deles?

- Não faz muito tempo que nos conhecemos. – Ele forçou um sorriso.

- Hum, então... Eu te trouxe chocolate. Papai e mamãe me pediram para avisar sobre o seu estado. Mesmo eu dizendo que não era nada grave, eles disseram que vem te ver logo.

- Não tenho muita certeza se digo que bom ou... Péssima idéia.

- Acho que péssima idéia se encaixa melhor... Eu ainda não contei que terminei com o Jarbas, nem quero imaginar a reação deles, da mamãe principalmente, ela adora ele... E onde a gente vai deixar os dois? Vou voltar a dividir o apartamento com você e...

- O que?!

- Esquece, a gente vê isso depois... Eu tenho que ir trabalhar, meu chefe odeia atrasos. Ele é pior que aqueles ditadores, mas enfim, tenho que ir, volto mais tarde... Tchau Guel.

A loira se aproximou do irmão e lhe deu um beijo no rosto, repetiu o ato para se despedir de Roy e Jasper. Depois saiu do quarto rapidamente.

Jasper ficou paralisado. Parecia que estava flutuando, nunca tinha sentido nada parecido antes. Minutos atrás ele só presentia que a visita á Miguel ia ser uma boa, mas agora ele podia confirmar que tinha sido uma ótima idéia.

Enquanto isso Roy tentava vasculhar alguma desculpa decente sem se humilhar demais. Á partir do momento que ele viu Miguel todo acabado na cama do hospital e depois de toda aquela informação do Full Bomb e da tentativa de assassinato de Riza, ele realmente sentia que tinha sido um idiota.

"Se eu não tivesse de ressaca, poderia ter ido ao trabalho, ninguém teria sido detido, ela não ia me visitar e estaria bem segura no quartel ao invés de estar andando sozinha por aí."

Só então ele percebeu que novamente só estavam os três na sala, Jasper parecia estar fora do ar e Miguel o observava com aquela cara: "Porque você ta aqui?"

- Hoje ta um dia bonito... Bem... Calor. – Sim, Roy estava falando sobre o tempo.

- Pois é, seria bom estar lá fora. – Miguel tinha um olhar distante nas pessoas minúsculas andando na rua á alguns metros abaixo deles.

Agora até algum comentário sobre o tempo tinha se tornado embaraçoso, por mais bonito que o dia estivesse, Miguel não poderia sair daquela cama para apreciá-lo, e jogar isso na cara dele, dizendo que o dia estava lindo era bem cruel. Roy se sentiu pior ainda.

Jasper percebeu que as coisas não estavam muito boas e resolveu encerrar logo a visita, á partir do momento que ele e Roy entraram no quarto, ele ficou meio apreensivo, afinal também não conhecia Miguel muito bem, e não sabia o que conversar com ele. A visita só não foi uma catástrofe total porque Anita apareceu, depois disso, ele sabia que já estava na hora de ir.

- Bom, temos que ir indo, né primo?

- Ãnh? Com certeza, Jasper!

- Miguel, muita força! Ocê vai melhorar rápido, ocê é forte e ajudou a Riza... Um dia ocê ainda vai ser recompensado por isso.

- É, eu espero que sim. Boa tarde.

- Prucê também...

Jasper saiu do quarto, Roy foi acompanhar o primo, mas acidentalmente tropeçou no criado mudo e alguns pacotes que estavam empilhados caíram, ele se abaixou e começou a reuni-los, agora só restava no quarto ele e Miguel.

O clima não era dos melhores, obviamente Roy sabia que Miguel não ia com a cara dele.

"E com razão, eu também não seria meu melhor amigo depois de tudo isso."

E ele tinha que admitir que não era o maior fã de Miguel, embora tivesse menos motivos para não gostar dele.

Então ele percebeu que era a hora, se fosse para se desculpar, o momento era agora. Estava sozinho com Miguel, e se tivesse sorte ele ia ser sedado á um grau tão alto que ia esquecer boa parte das palavras de desculpa.

Mas Roy não teve coragem de encará-lo depois de tudo, foi andando em direção a porta, mas segundos antes de sair, a vozinha apareceu:

"Ele salvou a vida dela! Ele corrigiu uma burrada sua! E agora você nem vai pedir desculpas? Seu frangote! Cadê a sua honra?"

Roy parou, isso chamou a atenção de Miguel. Roy virou-se e fitou o corpo todo acabado do outro na cama. Então ele disse:

- Miguel. Eu sei que não é a melhor hora, mas... Obrigado. E desculpe.

Dizendo isso ele saiu do quarto em questão de milésimos, parecia que tinha liberado um peso gigantesco dos ombros. Miguel por sua vez ainda estava tentando processar as palavras de Roy. Talvez ele realmente não fosse tão idiota como ele pensava.

- E aí, primo?

- O que, Jasper?

- Tomou coragem e pediu desculpas né... Parabéns...

- Não é isso... Eu disse obrigada.

- Dá na mesma. Não se preocupa não, Roy. Segredo.

- Como nos velhos tempos?

- Certeza...

Os dois já estavam na portaria do prédio quando Jasper parou e disse:

- Primo, ocê num que fica?

- Porque?

- Acho que ocê sabe.

Jasper deu um sorriso e chamou um táxi, ele tinha reunião o resto do dia.

Roy ficou parado por uns minutos, "Como assim, você sabe?".

N/A: Rélou Pipou! Bom, demorou um pouco, mas eu já aviso que temos mais um capítulo pronto, é a segunda parte deste aqui. Espero que tenham gostado desse... Eu tava meio sem inspiração, mas consegui escrever algo decente. Pra não perder o hábito: DEIXEM REVIEWS!!