Capítulo Final
Parte II
Ana-Lucia congelou ao ouvir a voz de Jack do lado de fora da barraca de Sawyer. Ele sorriu, cínico e vestiu as calças.
- Aguenta aí, doutor!
Ana se sentou na cama e Sawyer disse:
- Não esquenta não, gatinha. Eu falo com ele.
Ele saiu de dentro da barraca e encontrou Jack parado lá na frente com os braços cruzados sobre o peito e o olhar curioso.
- Pois não, doutor?- indagou Sawyer.
Jack viu que ele tinha chupões no pescoço e pequenas marcas avermelhadas no peito que pareciam ter sido causadas por unhas, mas não comentou nada a respeito.
- Em que posso ser útil?- insistiu Sawyer ao ver que Jack estava calado.
- Bom... – ele disse parecendo escolher bem as palavras. – Algumas pessoas vieram reclamar comigo que você e a sua...
- Minha namorada!- ele disse com todas as letras, ainda sorrindo.
- Isso, a sua namorada...estão se divertindo um pouquinho muito alto...e
- Está com inveja da minha performance, Jack? Por que? Nunca conseguiu divertir uma mulher assim?
Ana-Lucia ouviu o que Sawyer disse para Jack e segurou o riso. O cowboy estava se divertindo às custas de Jack e por alguma razão ela adorou isso. Jack deu um risinho, balançando a cabeça negativamente.
- Olha, eu só vim pedir para vocês dois abaixarem um pouquinho o volume. Se divirtam à vontade, mas não se esqueçam de que essa não é uma ilha deserta. Boa noite.
Ele se despediu e caminhou para longe da barraca de Sawyer.
- Até mais, doutor.- Sawyer disse dando um tchauzinho para ele e voltando para dentro da barraca.
- Mas o que você foi dizer para ele, homem?- indagou Ana-Lucia, rindo baixinho.
- Eu disse pra ele o que merecia ouvir. O cara tá com inveja porque eu sou melhor de cama do que ele.
- Bem, depende... – ela disse.
- O que?- Sawyer retrucou, ciumento. – Você e o Jack já treparam? Eu bem que desconfiava, mas...
- Ei, cowboy! Fica calmo!- ela disse envolvendo os braços ao redor do pescoço dele. – Eu nunca transei com o Jack!
- E por que você...?
- Pra ver a sua cara de ciúmes, bebê.- ela respondeu acariciando o peito dele.
- Ora...- ele começou a dizer mas Ana o calou com um beijo.
- Exclusividade, cowboy. Você é meu, eu sou sua! Simples assim.
- Eu gosto das coisas simples.- ele disse acariciando as curvas do corpo dela.
Ana-Lucia sorriu e subiu no corpo dele.
- Acho que as coisas vão dar muito certo entre nós, cowboy.
xxxxxxxxxxxxxxx
Dia 24 de dezembro. Véspera de natal. As crianças mal podiam conter a animação diante de seu primeiro natal na ilha. Naquela noite, Hurley seria o Papai Noel e Rose lhe preparara uma fantasia com muito capricho, feita de pedaços de tecidos encontrados nas malas abandonadas. Não era exatamente o uniforme de Papai Noel tradicional, mas isso não importava. A intenção de fazer as pessoas felizes diante da árdua situação em que se encontravam fazia com que pequenos detalhes como esse fossem ignorados.
Claire estava muito alegre porque a decoração que idealizara para o natal tropical estava pronta. O seu coral natalino não estava cem porcento sincronizado, mas ainda assim ela ficou feliz que as pessoas tenham se disponibilizado a participar. Todos estavam muito ocupados naquela manhã, terminando seus presentes de amigo secreto e cozinhando o jantar especial da noite. Locke tinha caçado e havia fartura de carne de porco para todos.
Sawyer despertou cedo naquela manhã, mas não se levantou. Ficou deitado na cama com Ana-Lucia observando-a dormir tranquilamente. Ela estava enroscada em seu corpo, nua debaixo dos lençóis até que ela se mexeu devagar na cama, se espreguiçando.
- Hummm...- ela fez ainda de olhos fechados. Sawyer achou aquilo adorável.
- Bom dia, vossa alteza.- ele disse com um lindo sorriso no rosto.
- Bom dia.- ela respondeu com voz de sono.
- Dormiu bem?
- Aham.- ela respondeu abrindo os olhos e esticando o braço para tocar o rosto dele. – Eu adoro o seu sorriso...
Ele beijou a mão dela quando ela tocou-lhe os lábios com os dedos.
- Eu preciso ir.- ela disse. – Eu quero tomar um banho, trocar de roupa...
Sawyer se afastou, dando espaço para que ela se levantasse. Ana-Lucia procurou suas roupas e as vestiu devagar na frente dele. Ele ficou admirando-a. Mal podia acreditar que estava dormindo com ela.
- Eu me diverti muito ontem, cowboy.- ela disse terminando de colocar o vestido e arrumando os cabelos cacheados com os dedos.
Ele sorriu.
- Ai, esse sorriso lindo!- ela disse se abaixando para dar um beijinho nele. – Vejo você depois, cowboy!
Ela jogou um beijo no ar e saiu da barraca dele à luz do dia sem se importar que as pessoas estivessem olhando. O povo cochichava entre si quando ela passava, Ana sabia que estavam falando dela e também sabia que, pela primeira vez que o assunto da moda agora não era mais a morte de Shannon, mas seu envolvimento com o bad boy da comunidade.
- A tampa e a panela.- Bernard comentou enquanto descascava algumas batatas. Ele acompanhava Ana-Lucia com os olhos, andando pela praia em direção à barraca dela.
- Ora, Bernard, não seja maldoso.- reclamou Rose. – Ao invés de estar fazendo fofoca, você já deveria ter terminado com essas batatas. Eu ainda tenho cenouras que precisam ser descascadas.
Bernard resmungou alguma coisa ininteligível e continuou sua tarefa. Pouco tempo depois que Ana-Lucia foi embora, Sawyer se levantou, correu para o riacho, tomou banho, colocou roupas limpas e foi procurar algo para o café da manhã na cozinha ao ar livre da praia.
Estava picando algumas frutas para misturar com cereal e leite Dharma em uma cumbuca, feita com casca de coco quando Kate apareceu.
- Bom dia, garanhão.- ela disse, brincando com ele. – A praia inteira está comentando sobre Bonnie e Clyde na ilha misteriosa.
Sawyer riu e balançou a cabeça.
- Não tô nem aí, sardenta. O povo pode falar o que quiser!
- Então vocês estão firmes mesmo?
Ele assentiu antes de dizer: - Ao contrário de você e do doutor que ficam escondendo o jogo.
- Eu ficou feliz por você. -ela disse bagunçando os cabelos dele.
- Ei!- ele disse em um tom de voz preocupado. – Não me toca assim mais não.
- E por que não?- ela retrucou sem entender.
- Porque eu prometi exclusividade pra Ana-Lucia.
- Como assim?
- Exclusividade, sardenta. Prometi que não vou ficar de brincadeirinha com você ou nenhuma das outras garotas dessa ilha.
- Sawyer, isso é rídiculo!- Kate queixou-se.
- Kate, a Ana-Lucia é muito ciumenta. Você estava certa ontem à noite quando me disse que ela estava com ciúmes de nós dois, portanto vamos manter a nossa amizade a nível profissional.
- Nível profissional? Mas que besteira é essa, Sawyer?
- Formal, sei lá! Kate, não vou mais poder ficar sassaricando com você pra cima e pra baixo como antes. Eu agora sou um homem comprometido.
- Sei!- disse Kate em tom seco. – Vai mandar tatuar o seu pinto com o nome dela também?
- Eu disse a ela que havia essa possibilidade.- ele disse, cínico.
- Pois eu acho isso uma grande besteira, e eu não vou deixar de te tocar, ou de te abraçar, nada disso e sabe por que? Porque a Ana-Lucia não é a sua dona.
Nesse momento, Sawyer viu Ana-Lucia vindo para a cozinha. Ela também tinha tomado banho e trocado de roupa, tinha colocado seu jeans e o top preto de alcinhas. Kate também viu que ela estava chegando, por isso se aproveitou para provocá-la e puxou Sawyer pela nuca, beijando-o suavemente nos lábios. Sawyer não a beijou de volta, ele ficou lá parado em pânico sem saber o que fazer.
Ana-Lucia fez cara de pouco caso e continuou seu caminho até a cozinha como se nada tivesse acontecido.
- Ana-Lucia?- Sawyer a chamou, incerto do que dizer.
- Hey!- ela disse enquanto dava uma olhada nas opções de café da manhã Dharma.
- Ana, foi a Kate quem me beijou... – ele tentou se explicar. Kate ficou impressionada com o desespero dele.
- Será que eu como cereal ou torrada?- Ana indagou a si mesma, ignorando-o.
- Ana!- Sawyer chamou.
Kate ficou com pena dele e colocou-se bem na frente de Ana-Lucia, bloqueando-lhe a visão da despensa.
- Você não ouviu o que ele disse? Eu o beijei, não foi culpa dele. Então para de ignorar o pobrezinho!
Ana-Lucia olhou muito séria para Kate e disse:
- Eu vi muito bem, e se você fizer de novo, eu vou te sentar a mão na cara.
Kate abriu a boca chocada.
- Como é que é?
- Isso o que você ouviu!- Ana-Lucia repetiu. – Eu conheço bem o seu tipo.
Kate deu um sorriso malvado.
- Não, você não conhece!
- Sai da minha frente!- pediu Ana-Lucia, o tom de voz baixo mas firme.
- Eu saio, se você me disser que não vai magoar o Sawyer.
- Sai da minha frente, sua...
- Hey, meninas!- Sawyer chamou. – Melhor pararem com isso agora mesmo. Ana, vamos conversar?
Ela nem sequer olhou para ele, continuou encarando Kate.
- Olha aqui, melhor você não procurar briga comigo não, tô te avisando!- disse Kate.
Ana-Lucia deu um sorriso de desafio em resposta e falou:
- Eu adoro uma briga!
- Vixe!- disse Charlie quando viu as duas discutindo na cozinha.
Ele correu para chamar Hurley.
- Ei, Hurley! Hurley!- ele gritou.
Hurley estava espremendo uma camisa que tinha acabado de tirar de um balde de água com sabão.
- O que foi, dude?
- A Kate e a Ana-Lucia estão a ponto de se pegar na cozinha.
- E por que?
- Sei lá, alguma coisa a ver com o Sawyer. Anda vem!
Hurley largou a camisa no balde e seguiu com Charlie para a cozinha. As duas ainda continuavam discutindo quando ele chegaram lá.
- Vamos acabar com isso!- insistiu Sawyer tentando ficar no meio das duas.
- Cala a boca, Sawyer!- as duas disseram em uníssono.
- Eu acho que você não liga pro Sawyer de verdade!- bradou Kate para Ana-Lucia. – Se você gostasse mesmo dele como ele gosta de você...
- De que diabos está falando?- perguntou Ana-Lucia, nervosa. – Você não sabe de nada!
- Você é quem não sabe. O Sawyer e eu somos amigos desde que caímos nesta ilha e você que acha que tem o direito de dizer pra ele se afastar de mim?
- Você é uma piriguete egoísta! Acha que todos os homens dessa ilha estão a seus pés! O Sawyer é o meu homem agora!
- O Sawyer não é nada seu!- Kate gritou de volta.
- Ah quer dizer então que o Jack tá sobrando?- provocou Ana. – Você não sabe mas o Jack ficou muito a fim de mim no aeroporto!
- Sua piranha!- Kate gritou enraivecida e foi pra cima de Ana-Lucia que se esquivou com maestria dela.
- Meninas!- Sawyer gritou tentando interferir, mas não adiantou nada.
- Aposto três mangas e dois mamãos na Kate.- disse Charlie para Paulo que havia acabado de chegar.
- Pois eu aposto seis mangas na Ana-Lucia.- disse ele, empolgado com a briga das duas.
Kate empurrou Ana-Lucia na areia e lhe deu uma cabeçada, Ana-Lucia ficou tonta por alguns segundos mas logo se recuperou. Ela escorregou na areia e deu uma chave de coxa em Kate, tentanto imobilizá-la. Mas Kate puxou-lhe os cabelos longos, obrigando-a a soltá-la.
Ana-Lucia arranhou os braços de Kate que revidou dando um tapa no rosto dela, o que deixou Ana ainda mais furiosa.
- Mas o que está acontecendo aqui?- Claire gritou ao ver a cena. – Hoje é véspera de natal, vocês duas não tem vergonha, não?
Continua...
Nota: Meninas, espero que tenham gostado. A próxima parte será a final. Um abraço para todas e obrigada pelos feedbacks.
No parte final:
- Por que estamos aqui?- Ana-Lucia indagou a Sawyer sem entender porque ele a tinha levado para o terreno aonde estavam construindo a igreja.
- Porque eu quero me casar com você.- ele respondeu, se ajoelhando em frente a ela. Era exatamente meia noite do dia 25 de dezembro.
