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Alice's point of view
Eu estava do lado de fora da casa. Observava as nuvens brancas no céu, que dali, pareciam tão fofas, tão gostosas. Às vezes eu gostaria de saber qual seria o seu sabor, e eu não imagino que seja ar, ou água. Talvez algo próximo do algodão doce, que dizem ser tão bom.
Ultimamente eu tenho andado mais distraída que o normal, minhas visões realmente demoram a aparecer, isso quando dão o ar da graça. E geralmente são visões erronias, como a ultima, a dois dias atrás, quando me vi caçando humanos. Você acredita nisso? Eu, caçando humanos. Jamais!
Ouvi passos lentos atrás de mim, mas não me dei o trabalho de levantar do chão e me virar para ver quem era. Eu podia sentir o seu cheiro inconfundível a quilômetros. Ele sempre me dava um arrepio na coluna e uma breve sensação de medo. Acho que foi aquela primeira visão.
— Tão concentrada. — ele riu ao se aproxima, sentando-se do meu lado.
— Bem que eu gostaria. — suspirei de olhos fechando, deixando que a brisa leve passasse pelo meu corpo.
— Não anda tão concentrada quanto gostaria, não é mesmo? — ele perguntou e eu não me dei ao trabalho de responder. Ele sabia a resposta. Todos sabiam a resposta.
— Porque está aqui fora, sozinha? — ele tornou a perguntar.
— Dando um tempo antes de caçar. Na verdade, dando um tempo a Jasper. Ele não admiti, mas eu sei que esta chateado. — dei de ombros enquanto falava. Não que eu não me importasse com o fato de Jasper estar chateado comigo, mas porque eu sabia que era algo bobo, simples.
— E por quê?
Eu tinha meu próprio psicólogo. Isso era algo inevitável de pensar quando ele sempre queria saber como eu estava, porque eu estava daquela maneira, como eu me sentia. É, só faltava ele usar aquela famosa frase "E como você se sente com isso?". Argh.
— Porque ele quer ir caçar animais mais fortes. Ursos, leões da montanha. Mas eu acho melhor ficarmos mais perto. Não me sinto bem indo longe sem minhas visões. — abri os olhos e pude ver o rosto de Esteban pensativo, me encarando. Tornei a fechar meus olhos, me concentrando na brisa mais uma vez.
— Mas há muitos animais fortes por aqui.
— Cervos? Gatos do mato? Animais fortes são raros. E acredite, as lutas por eles são hilárias. — falei me lembrando que a parte mais divertida de caçar ursos pardos era o fato de que eram os preferidos de Emmett, e as brigas pelos animais eram divertidíssima.
— Há humanos. — ele completou casionalmente, e eu abri os olhos rapidamente, o encarando assustada. Ele sorria sereno.
— Nós não caçamos humanos, você sabe disso. — me sentei o encarando. — Por que diz uma coisa dessas? Não somos monstros. Nós temos princípios. — falei alto, mesmo sabendo que poderia sussurrar que ele escutaria da mesma maneira.
— Você teve essa vida imposta a você Alice, nunca experimentou a vida que há além das paredes da casa de Carlisle. Não chame isso de princípios.
— Então não diga que o fato de não me alimentar de sangue humano me torna ignorante quanto ao mundo além dessa casa. — falei com raiva, me levantando e começando a andar na direção da casa. — Eu nunca provei sangue humano e pretendo nunca o fazer. — conclui áspera.
— Não é como se eu estivesse cortando um humano e lhe oferecendo! — ele falou também com raiva aparente, me encarando ardentemente. — Só estou dizendo que você teve uma vida imposta a você. Que você acha que essa vida é a certa. Mas você não sabe. Você nunca saberia. O certo é seguir instintos. O nosso instinto é outro do que o que é imposto a você.
— Eu não sou uma assassina! — berrei para ele, se pudesse, teria lágrimas eu meus olhos. A visão do dia anterior subiu a minha visão. — Eu sei que o certo é não matar inocentes, independente do que você ache que deveríamos ser! — retruquei correndo a passos humanos para dentro de casa. A raiva explodindo em mim.
Desde que Esteban chegara na casa havíamos nos dado muito bem. Era uma ligação forte que eu sentia por ele, e nunca senti nada além de um carinho e admiração muito forte por ele. Raiva nunca me ocorreu, muito menos na proporção que me apareceu agora a pouco. Acho que foi por causa daquela visão. Porque ele iria sugerir que eu deveria me alimentar de sangue humano? Porque ele faria uma coisa dessas? É ridículo. Ele sabe o que nós achamos disso, e mesmo ele dizendo que não é, é um principio nosso sim!
Esbarrei a porta dos fundos quando entrei. Acho que deve ter quebrado. Esme ficara brava, mas ela entendera os meus motivos. Jasper descia as escadas quando me viu passar pela sala, em direção a porta da frente, me seguiu.
— Preciso caçar. — falei nervosa.
— Vou com você. — ele anunciou, e eu fiquei, subitamente, calma. Eu simplesmente odiava quando ele usava os poderes comigo, mas naquela hora, tudo que eu queria era sentir calma. Nem que fosse uma calma forçada.
Começamos a correr e logo já havíamos adentrado a floresta. Quando encontramos um rebanho de cervos, Jasper já não precisou me acalmar mais. Se entregar ao instinto, nessas horas, era a melhor coisa a se fazer. Eu não pensava em nada, eu não sentia nada. Eu só via uma coisa. O sangue pulsando, e a garganta queimando. O rebanho conseguiu fugir, sem dois dos seus integrantes, e logo voltamos a nos entregar a caçada. Mas tudo parou quando eu senti aquele cheiro. Havíamos chegado perto de mais da trilha que cortava a montanha. Perto de mais.
O cheiro do sangue humano, forte, invadiu meus sentidos. Minha boca secou, meus músculos se enrijeceram, e a minha garganta ardeu. Senti o braço de Jasper no meu. Ele parecia tão controlado. Muito longe do Jasper que eu havia conhecido há anos atrás. Mas eu não podia o sentir muito bem. Meus olhos focavam o homem que passava lentamente pela trilha. Meu instinto dizia para atacar, mas todo o resto dizia para fugir. Inclusive Jasper.
— Precisamos ir, agora! — ele pronunciou entre dentes para mim. — Para de respirar.
Eu o ouvi, mas longe. Não senti minhas pernas se mexerem, nem mesmo percebi o que estava fazendo. Só percebi quando tudo acabou. Quando minha garganta não mais queimava. Quando eu parecia descansada.
Jasper's point of view
— Precisamos ir, agora! — falei entre dentes para Alice. — Para de respirar.
Tentei acalmar a euforia que ela sentia. Mas nada parecia realmente fazer sentido para ela. Seus olhos vagavam pelo homem que fazia trilha por ali. Estava difícil resistir. Alice foi mais rápida do que eu, e sem nem mesmo me responder, se lançou na direção do montanhista. O homem nem viu o que o atingiu. Ela foi certeira. Certeira até de mais para quem nunca havia caçado humanos. Ela parecia em transe. Não pude impedi-la de atacá-lo, e nem mesmo de fazê-la parar.
— Oh céus... — ouvi sua voz de sinos suspirar.
Alice nunca havia se sujado em uma caçada. Diferente dessa. Sua camiseta branca, seu casaco, suas mãos, seu rosto. Coberta de sangue. Eu conhecia aquilo. A euforia da primeira caçada. A única diferença era que Alice não se sentia satisfeita. Seus olhos, antes de topázio, agora vermelhos, me encararam. Um brilho desesperado.
— O que eu fiz? — ela voltou a sussurrar, levando a mão ensangüentada e tremula até a boca, cobrindo-a.
Corri até ela e puxei o corpo do homem para mais adiante, armando uma fogueira e acendendo em seguida. O primeiro passo seria esconder o corpo, e o segundo, conversar com Carlisle. Aquele ataque implicava em muito a nossa permanência em Forks. A fogueira queimava quando retornei a Alice.
— Tudo vai ficar bem. — falei me abaixando a sua frente e segurando firme em seus ombros.
— Bem? — ela perguntou entre um soluço e outro, limpando as mãos na jaqueta e a tirando em seguida. — Não vai ficar bem. Eu matei um homem. Ele poderia ser pai, marido, filho, irmão, tio. Eu tirei a vida dele, eu estou arriscando a nossa família. O que eu fiz? Nada vai ficar bem. — ela soluçou soltando-se de minhas mãos e correndo para longe.
Ajuntei sua jaqueta e caminhei até a fogueira, atirando-a por lá. Eu não poderia ficar e esperar a fogueira acabar. Eu voltaria mais tarde. Me coloquei a correr na direção da casa branca, seguindo o rastro de Alice e do homem pela floresta. Segundos depois, e depois de me forçar ao máximo, pude avistar sua figura um pouco a minha frente. Forcei-me mais ainda.
Ela diminuiu a velocidade assim que chegou perto da casa. Esme abriu a porta e olhou boquiaberta para Alice, logo em seguida para mim, que ainda não havia parado de correr.
— O que...? — ela tentou começar. Diminui minha velocidade para entrar em casa, e como resposta acenei um não com a cabeça.
— Alice! — ouvi Rosalie a repreender.
— Feche os olhos. — Alice respondeu seca, e pude ver sua blusa voar pela escada. O cheiro de sangue fresco invadiu o lugar.
— Talvez devêssemos queimar isto. — Esme pegou a blusa com delicadeza, indo rapidamente em direção a cozinha.
—O que aconteceu? —Emmett perguntou assustado.
— Não sei explicar. Avançamos de mais para a trilha nas montanhas e acabamos cruzando com um montanhista. Foi mais forte. — falei.
— Você dois...? — ele tornou a perguntar.
— Alice. — corrigi, me dirigindo as escadas. — Acho que deveríamos conversar quando ela se acalmar e quando Carlisle chegar. Talvez estivéssemos muito perto da fronteira queluite.
Murmúrios no andar de baixo, foi tudo a que me dei o luxo de prestar atenção. Subi correndo os degraus em direção ao quarto. O barulho de água podia ser ouvido do corredor. As calças sujas de terra e com algumas manchas de sangue estavam no chão, assim como as suas roupas intimas. Entrei no banheiro e encontrei minha pequena enrolada em bola dentro da banheira, enquanto a água da ducha banhava o seu corpo, lavando o sangue.
— Allie...
— O que eu fiz, Jazz? — ela me olhou com os olhos vermelhos brilhando de tristeza e magoa. Com os soluços na voz.
Tirei meus sapatos e minha camiseta e entrei na banheira com ela. Alice me abraçou com força, e eu retribui. O corpo pequeno quase desapareceu em contraste com o meu. Pude ouvir os soluços vindo de sua boca, e a água quente caindo sobre nossos corpos, descendo vermelha pelo ralo.
— Eu sou um monstro. — ela murmurou contra a minha pele.
Senti meu peito apertar. Uma enorme vontade de protegê-la de tudo e de todos se apoderou de mim. Ela parecia tão frágil. Ela sempre fora tão frágil. Geralmente tão controlada. Simplesmente a abracei forte, e deixei que sentisse confiança e calma por si só. Eu não podia entender o que a havia levado aquilo. Como? O quão perturbadora havia sido aquela conversa com Esteban? Eu mataria ele se, de alguma maneira, ele tivesse colaborado para esse lapso de Alice.
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N/A: acho que vocês já nem acreditam mais nas minhas desculpas né? Então gente, eu sei que é um saco ficar sem fic por muito tempo, mas eu to caprichando o máximo nessa fic, eu quero ela maravilhosa, e isso toma tempo e muita paciência (quando eu to sem paciência, quase sempre, eu não consigo escrever) mas bem, podem apostar que, não vai ter post toda semana, mas que essa fic vai ter seu fim. Nem que eu leve 10 anos para terminá-la. Anyway, vamos as reviews mara que eu recebi *-*
Fah Cherri, hey guria, és do sul também? Que legal *-* então, sim sim, eu já li Amanhecer, e bem mesmo pelo fato de Edward e Bella terem tido sua historia contada, e finalizada, que eu não escrevo beward (além do medo tremendo de estragá-los, eu sinto que com os outros personagens eu tenho mais liberdade). Eu escrever uma alternativa para os personagens, ou assim eu penso. Eu tenho em mente alguns momentos beward talvez, não sei se os colocarei em pratica, preciso estudá-los, mas verei essa proposta. Espero que realmente esteja gostando da fic, e eu sei que a atualização demora, mas, com paciência, tudo se encaixa.
Grazy, vams lá, quando essa fic acabar terão outras vampirescas, prometo! Então, a respeito dos capítulos de Muro das Maravilhas terem nomes, é porque aquela fic é dividida por capítulos, essa já não. Ela é continua, sem a separação por capítulos. Os capítulos aqui são menores pela minha pressa em postar pra não deixar vocesuns três meses sem fic G_G e sim, eu to num tempo em que Muro das Maravilhas sai mais facilmente, eu tenho menos "medo" de escrever lá. Não sei. Acho que é porque é mais "normal" e mais parecida com o que eu to acostumada. Eu quero que Yellow saia perfeita, fofa e perversa :D então ela tem de ser bem estudada antes de ser postada, e eu tenho apenas umas duas horas de internet por dia pra mim fazer TUDO que eu tenho que fazer no pc. :~ ai dificulta, mas juro que estou comprometida aqui, e essa fic não vai ficar pela metade não, vai ter fim!
Jully, pode acreditar garota! Se a Alice der bobeira nós já estamos em cima do Jazz (literalmente \o/) AKJKASOKAOSKASOKASOKAS. Ah cara, o Jazz não vai magoar a Alice assim. Você sabe como ele ama ela, e como ele daria tudo por ela. Nunca magoaria a Alice, e mesmo ele querendo matar o esteban, ele não vai fazer. A menos que o Esteben represente um perigo real e imediato para a Alice, claro. O amor deles parece um imprinting cara *-*
Milena, minah intensão primordial é deixar curiosa, sempre *-* o desenrolar vem só lá nas duas ultimas partes mesmo, to planejando cada coisa *-* ai gente, to com muita idéia. Espero que goste desse capitulo.
Letícia, Leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh *pula em cima e morde* OKASOAKSOAKSOASK. Ah, você disse que viria, e veio *-* Ah, na é que ela não da atenção pra ele, mas ele tava acostumado a ter 100% da atenção da Allie, e agora não é mais assim. Os dois são tão lindo que eu poderia ficar falando deles até amanhã. Ou melhor, até mês que vem. Em fim, sim, acredite, se você ainda não odeia o Esteban, ira odiar. Amei ter você aqui também, orgulhinho (l'
Júh nikki hale cullen, ah, dependendo do tipo de fic que você quiser, posso indicar muitas (incluindo minhas). Só depende do ship (pq eu sou muito viciada em Blackwater, ou qualquer fic que tenha a Leah no meio) e algumas pessoas não gostam. Em fim, desculpa realmente a demora, mas é como eu disse, só quero essa fic perfeitinha do começo ao fim. Espero que goste.
Juba, uff, desculpa a demora. Espero que goste e continue a comentar ;D
Rodrigo, heyy, meu primeiro leitor (?) acho que sim. Ai que fofo *-* são raros os garotos que gostam de fic, geralmente acham que é coisa de menina boba e sonhadora de mais G_G anyway, que bom que gostou,e obrigada pelo elogio. Espero que continue comentando e gostando.
Então, obrigada meus amores. Vocês estão me dando muita força viu. Vamos lá, muitas reviews?
mordidinhas :F
Bea.
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