Capitulo 10: Corda Bamba


Toda a tristeza e nostalgia que estivera nos envolvendo até aquele momento pareciam ter se dissipado. Mas não tinham. Haviam sido encobertas por um falso ar de felicidade e risadas forçadas, e quantos mais drinques tomávamos, para fugir daquela realidade, menos tinhamos que forçar as risadas, apesar de que, do mesmo jeito, elas não deixaram de ser falsas.

Como o usual, Remus era o mais sóbrio dentre nós. Assumira a responsabilidade de voltar dirigindo e sabia que tentar esquecer os problemas podia ser uma solução boa para os amigos, mas não para ele.

-Vai, Remus, só um golinho... - pedia Sirius empurrando um gole para o amigo.

James concordava, acenando com a cabeça e encorajando-o a tomar. Eu observava a cena sem expressão nenhuma. Meus nervos, que estavam em frangalhos, já estavam tão relaxados com a quantidade de alcóol que eu havia ingerido que eu tinha uma certa dificuldade em pensar.

Remus sorriu, complacente.

-Vocês sabem que eu não posso, já que estou responsável por deixar cada um de vocês em casa.

Os dois baixaram os olhos, sabendo que o amigo tinha razão.

-Só queria que você deixasse suas preocupações de lado às vezes... - disse Sirius parecendo se sentir culpado. - Só isso. Deixa pra lá.

Remus sorriu novamente.

-Eu entendo. Mas fico satisfeito de vocês estarem fazendo isso. Vocês têm mais preocupações que eu.

Eu dei uma risada meio que abrupta e muito alta.

-Você não está me incluindo nessa, né, Remus? - eu perguntei, sarcástica.

Ele assentiu com a cabeça.

-Claro que estou.

Eu dei um sorrisinho com o canto do lábio.

-Sim, me diga uma grande preocupação minha. Fala sério... Eu só sei ficar me lamentando da minha vida em vez de fazer alguma coisa pra resolver meus 'problemas'. Comparadas as preocupações de vocês todos, as minhas não são nada. - eu disse. A bebida já tinha me afetado tanto que eu parecia ter esquecido que James estava bem ao meu lado e estava ouvindo tudo.

De repente eu percebi que estavam todos me olhando com um olhar que transmitia, de certa forma, pena. Ou talvez fosse só impressão minha.

-Por favor, me desculpem. Não quero que vocês sintam pena de mim. - as palavras escapuliram pela minha boca. Como eu estava sendo ridícula!

-A questão não é comparar seus problemas aos dos outros, Lily. - disse um James sóbrio até demais para o meu gosto. Tarde de mais eu percebi que era a única que tinha muito pouca resistência à bebida alcóolica, pois Sirius e James pareciam quase sóbrios, como se não tivessem tomado várias doses de variados drinques. - Cada um suporta o tanto que puder. E você está claramente insatisfeita com o modo que anda levando a sua vida...

Claramente insatisfeita com o modo que ando levando minha vida?

Eu o ODEIO, James Potter! Do fundo da minha alma!! Você é a fonte de grande parte dos meus problemas, então não sinta-se no direito de dizer uma coisa dessas!

Mas apesar de ter pensado coisas tão ofensivas, eu não disse nada. Apenas ouvi calada ao sermão dele e tentamos esquecer (pra variar) começando a falar de outras coisas e virando mais um copo de whisky para dentro de meu organismo.

Sentindo que já havia passado de meu limite há muito, eu tentei me levantar cambaleante. Vendo que eu corria risco de tombar, de tão tonta que estava, James se levantara para que eu pudesse me apoiar nele. Eu não tive tempo de protestar, pois ele havia me envolvido enlaçando um de seus braços em meus ombros.

-Acho que é hora de ir embora né? - disse James aos outros.

Remus e Sirius balançaram afirmativamente com a cabeça.

-Não precisa, podem ficar aqui. - falei com a voz meio engrolada. Até minha língua estava frouxa, de modo que minha voz estava saindo estranha. - Eu moro há algumas quadras daqui.

James riu.

-Você sabe que horas da noite são? E você já viu seu estado? Desse jeito você não vai nem conseguir atravessar a rua!

Sirius e Remus só observavam, mas concordaram com o amigo.

Eu suspirei.

-Me deixa vai. Eu quero tomar ar fresco. - me desvencilhei dele e fui a frente.

Ele também suspirou e foi atrás de mim. Assim, saímos do bar para o ar frio da noite.

-Lily, escute...

-Me deixa, vai... Eu dou conta de ir sozinha...

Passávamos agora por um parquinho. Havia balanços, gangorras e escorregadores, todos cheios de neve. E o chão, obviamente estava coberto, ao invés de areia, por neve. Os flocos de neve, brancos como leite, caíam nos meus cabelos, tão vermelhos que pareciam estar em chamas.

Eu estava andando a frente, cambaleante, mas, mesmo não vendo o rosto de James, pude perceber que estava sério apenas pelo tom de voz, grave e vacilante. Estava querendo dizer algo, aparentemente, importante.

-Não, espera. Eu tenho que te dizer algo.

-Lalala, não quero ouvir. Não quero ouvir.

Ouvi-o bufar.

-O que foi agora? Por que não quer ouvir? - perguntou ele, impaciente.

-Vai ficar irritadinho agora? - eu o provoquei.

Ele bufou novamente.

-O que você ganha me provocando desse jeito, Lily? Por favor, não somos mais crianças... - ele disse e pude imaginá-lo revirando os olhos, o que provavelmente ele estaria fazendo agora.

-Agora você vem dizer isso? Olha só, uma boa notícia, você finalmente cresceu James! - eu zombei, rindo sarcasticamente.

Ele ficou calado, e eu continuei a andar. Não era isso que meu corpo desejava. Ele queria apenas que desse meia volta e abanasse o rabinho para James, mas tentei me segurar, só olhando para trás.

Encontrei um James parado estático, apenas olhando para mim.

-Ouça, Lil...

-Por favor, não me chame de Lil... - eu reclamei, aborrecida.

Ele sorriu. É, o jogo ia começar novamente.

-Por que não, Lil? - ele provocou.

Eu revirei os olhos.

-Você não queria dizer algo importante há segundos atrás, Potter? - eu disse, ainda mais aborrecida do que antes. Estava bêbada, estava exausta, e tudo o que mais queria naquele momento era perdoá-lo e voltar com ele. Claro que ninguém sabia se ele queria voltar comigo, e coisa e tal, mas era o que eu queria. O que eu queria VÍRGULA, o que minha mente traidora queria!!

Ele estreitou os olhos e se aproximou, satisfeito.

-Agora você quer ouvir, Lil?

Eu também estreitei os olhos, mas foi irritada. Que DROGA, será que não dava para ele entender que eu queria ir embora?

-Fale logo, James, eu estou cansada, estou bêbada, estou tonta, e quero ir pra casa. - eu pedi, resignada. E eu não citei um outro fato, por que ele simplesmente se aproveitaria dele, que era: Eu não estava respondendo pelos meus atos.

Eu simplesmente não possuía mais ânimo nenhum para suportar uma briga, ou qualquer um daqueles joguinhos infantis que insistíamos em jogar. Afastei um pouco de neve com minhas mãos enluvadas da ponta de um escorregador e me sentei. Se era para esperar ele falar, esperaria sentada.

-Eu só queria saber se... Se você está chateada comigo por alguma coisa que eu fiz. - ele disse.

Tão desarmado, tão inocente e tão fofinho. Quase acreditei que ele estava arrependido. Eu suspirei, e percebi que mais um dos motivos para não brigar com ele era que seu pai estava entre a vida e a morte.

-Esquece. Já faz muito tempo. Tudo bem.

Tenho vivido em função dele todo esse tempo. Tive um ou dois namorados que me aturaram. Por que não consegui esquecê-lo simplesmente? Não fomos feitos para ficar juntos... Mas mesmo assim... Mesmo assim... Quero tanto estar ao lado dele...

Ele olhou para mim intensamente e se aproximou.

-Lily, eu queria pedir desculpas. Minhas sinceras desculpas. - ele se curvo-seu em frente a mim. - Não posso voltar atrás, nem recuperar o tempo perdido. Tudo o que me sinto na obrigação de fazer é pedir desculpas. Eu estava errado, você estava certo. Fiquei louco de ciúmes naquela época. Queria que você sentisse o mesmo... Que sentisse ciúmes. Era infantil e estúpido, e por isso fiz tudo aquilo. Reconheço que fui um imbecil.

Eu ri pelo nariz, e vi o ar quente misturar-se com o frio fazendo uma pequena névoa, que logo desapareceu.

-Pare, James. Não vai adiantar de nada isso.

-Mas eu precisava te dizer!

-Para limpar sua conscienciazinha agora?! AGORA? Só por que de repente se sentiu culpadinho? Coitado de você! Você se importou comigo? Você mal quis saber sobre o que passei nos últimos anos! Deve ter se esquecido completamente de mim enquanto ficava se divertindo com outras! Sim, verdade, não tínhamos mais nada, então você nunca me traiu! Então me deixe em paz, James! Eu quero seguir em frente, quero superar tudo isso e esquecê-lo de vez!

Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso.

-Então você ainda não me esqueceu?

Droga. Acabara de perceber a estupidez que havia dito.

-Como assim? Do que você está falando? Já se passaram 5 anos, até parece, Potter! - eu retruquei, mas ele deve ter percebido que estava tremendo. A minha sensação era de que meu coração tentava sair pela garganta.

-Você está mentindo! - exclamou James, sorrindo.

-Do que você está rindo?! - eu perguntei, entredentes.

Droga! Como eu era burra!

James colocou as mãos nas bordas do escorregador e se aproximou ainda mais. Eu, por minha vez, me encolhi contra o escorregador.

-Você ainda gosta de mim.

-Faça-me rir, James! Até parece que você tem esse charme todo! - eu zombei dele - Eu preferiria sair com uma lula-gigante a sair com você novamente!

-Não me provoque, Lily. - Agora ele não estava apenas sorrindo, como rindo, gargalhando com arrogância.

-Que medo de você! O que você vai fazer? - eu provoquei ainda mais, temendo a reação dele, mas, ao mesmo tempo, desejando-a.

Ele abriu um sorriso maroto de orelha a orelha.

-Você vai ver.

A seguir se curvou sobre meu corpo e prensou-o contra o alumínio do escorregador. Eu o encarei intensamente, com medo do que poderia acontecer. Todas minhas veias pulsavam furiosamente e meu estômago dava cambalhotas.

Tive de me segurar com muita força para não envolvê-lo com meus braços. Pressionei os lábios, de modo a impedí-lo de me beijar, e virei a cara. Mesmo assim, isso não mudava o fato de que ele estava em cima de mim. Ignorando minha atitude, James começou a beijar meu pescoço.

-Pare, por favor... - Eu pedi com a voz fraquinha.

Meu corpo pareceu não gostar do pedido. Estava bem acomodado ali. Se sentia relaxado e aquecido, mas eu ainda possuía meu orgulho.

-Se realmente quiser que eu pare, então me empurre. Não vi nenhuma manifestação sua a respeito. Admita, você quer.

E a cena se repetia, me lembrando de quando eu ainda estava no colégio e ele me perseguia, dizendo que eu o queria e todas aquelas baboseiras. Naquela época, ele estava certo. Mas agora... Bem, agora... Ele estava errado, claro! Eu não podia ficar com James!

-Eu te empurraria, mas parece que você não se lembra quanto você pesa!

Ele apenas riu.

-Não vi você tentando.

Eu bufei e coloquei as mãos nos ombros dele e tentei empurrá-lo. Não com toda minha força, pois meus braços se recusavam a me obedecer.

-Assim está melhor... - ele disse.

Eu bufei novamente.

-James, me larga!

Ele revirou os olhos.

-Cala a boca. - disse, sorrindo.

Então ele me beijou. E eu não fiz nada para evitar. Tampouco correspondi.

Eu apertei minhas mãos contra os ombros dele. Tinha duas opções, ou empurrava, ou cedia.

Abri os olhos e olhei em volta. Não havia ninguém. Estava tudo praticamente deserto. Fechei os olhos novamente. James insistia e aprofundava o beijo. Suspirei, envolvi seu pescoço com meus braços e, finalmente, correspondi.


N/A: Sem tempo pra escrever mais nada nesse espaço. Se tiverem erros no capitulo, me avisem, e me desculpem, não tive tempo de revisar. O começo ficou um lixo, mas acho que esse final dá pro gasto né? xDD

No próximo fim de semana não vai ter atualização por que eu vou estar viaja-ado-o xDD dancinha

haeuhaue..

Só isso, acho. Beijos, até a próxima,

Vic.