Ósculos e amplexos
Para que complicar o que é simples?
Disclaimer: Tio Kururu tem muita criatividade e bom gosto ao desenhar tantos homens lindos num mesmo mangá, por isso mesmo os créditos devem ser dados a ele, não a mim, que sou apenas uma fã ardorosa dos rapazes.
Agora, quanto a sexualidade... nem o próprio Kurumada vai me contradizer quando eu afirmar que eles são gays, SIM.
Capítulo 9 – Sweet Dreams are made of Tears.
Parte I: So, let's try to laugh about
Depois da farra de Ano Novo, todos aqueles que passaram a virada na casa de Afrodite tiveram que se arrumar de qualquer jeito para dormir. Os mais espertos conseguiram o quarto de hóspedes – o qual um dia pertencera a Máscara da Morte – onde havia uma cama de casal e o melhor de tudo: uma porta, para se livrar de barulhos incômodos vindo da parte dos outros, além de um banheiro próprio.
Julian foi o primeiro a pedir para se recolher, alegando que estava trabalhando em um caso que demandava certa urgência e que usaria a tarde do Dia Primeiro para ler documentos e preparar algumas peças, sendo obviamente seguido por Kanon, tendo o quarto para eles próprios.
Saga também estava cansado – principalmente porque havia se soltado como um moleque adolescente e já contava seus quase quarenta anos. Assim, quando seu irmão fez menção em acompanhar o namorado, pediu para que este separasse a colcha grossa da cama para ele, dessa maneira ele poderia dobrá-la e se estabelecer no chão mesmo, por mais que Julian discordasse do combinado, oferecendo seu próprio espaço na cama.
Quando viu que três de seus convidados já haviam se recolhido Afrodite chamou os amantes para pegar lençóis, uns três travesseiros e uns colchões finos que Afrodite, Máscara e Shura tinham guardados para essas ocasiões, colocando tudo lá no quarto restante, o qual eles usavam como sala do computador e vídeo game. À medida que os convidados fossem sentindo necessidade de ir dormir, cada um pegaria o que achasse melhor para si mesmo e ia se deitando em qualquer lugar por ali.
Shaka e Mu ficaram com esse último quarto, assim como os outros irmãos: Aioros e Aioria. Milo, Hyoga e Kamus permaneceram na sala, pois assim conseguiram os sofás-cama. Pai e filho dormiram na cama de casal que se formara e o grego, na de solteiro.
A despeito do conforto, era o lugar mais exposto da casa e à medida que os outros fossem acordando, eles teriam dificuldades para continuar dormindo, principalmente os dois aquarianos, tanto que às oito horas da manhã, o francês estava totalmente desperto, apenas porque alguém usou o banheiro do corredor e voltou a dormir.
Kamus permaneceu na cama o quanto teve paciência, mas sem conseguir cochilar, porque a claridade advinda das portas de vidro o impedia. Resolveu ir ao banheiro fazer uma parte de sua higiene e ajudar os donos da casa, lavando pelo menos a louça suja, que se acumulava na mesa da cozinha e dentro da pia.
Já havia concluído metade de seu trabalho, quando ouviu a porta da cozinha se abrir. Virando-se para ver quem era, deparou-se com Shura, com a cara amassada e os cabelos mais arrepiados que o normal e andando lentamente.
— Buenos dias.
— Bon jour.
— Sabe, Kamus – começou o espanhol, vendo-o lavar a louça – é nessas horas que a educação manda a gente dizer: não precisava, mas não é isso que eu quero dizer de verdade. Valeu a ajuda, cara. — Agradeceu Shura, servindo-se de um copo de suco de laranja de caixinha, aparando a porta da geladeira com seu quadril.
— De nada. Não conseguia mais dormir mesmo, resolvi fazer alguma coisa.
— Então não é porque você é uma alma livre e abnegada, disposta apenas a se dedicar a ajudar os amigos?
— Claro que não. — Riu um pouco e depois continuou — Vai voltar a dormir? Não precisa fazer sala para mim.
— Eu estou morto de sono, mas se eu voltar a dormir com você acordado, Afrodite me mata, depois.
— Hahahaha. Entendo. Sabe, depois daqui estou pensando em visitar Padre Shion.
— Isso seria ótimo! Ele adoraria ver vocês, sente falta de todos.
— Eu também sinto saudades dele.
— Milo andou te ensinando português?
— É, aprendi isso e uma música folclórica irritante que ele canta desde que chegou de viagem.
— Nem me fale! Se eu cantar esta mesma música uma vez mais que seja, perto de um dos dois, já tenho minha sentença de morte decretada. Mas pelo menos eu posso escolher entre envenenamento ou decapitação.
— Eu não dei essa escolha a Milo.
— Acho que eu estou com sorte, então.
— Provável.
Enquanto o aquariano continuava lavando a louça, Shura olhava distraidamente para seu copo de suco, parecendo estar fascinado a admirar o quanto ele era amarelo.
— Shura, você ficou muito surpreso em me ver com Aioros, quando nós fomos te buscar no aeroporto?
— Na verdade não. Uma vez eu liguei para Afrodite e ele me contou; o que eu estranhei foi Milo não saber de nada.
— …
— Eu não estou fazendo mau juízo de você, Kamus. Já me relacionei com Aioros quando era mais novo e sei o quanto ele é envolvente.
— Ele comentou… eu não sabia disso.
— Foi por pouco tempo. Ele e Saga haviam terminado.
— Aham…
— Vocês não estão fazendo nada de mais. Se ele e Saga estão estremecidos, o problema é deles e não seu. Não fique se sentindo culpado porque Saga ficou com cara de bunda no sofá enquanto vocês ficaram aqui na cozinha.
O francês parou, lavou as mãos, sacudiu-as para enxugá-las, virando-se para o capricorniano.
— O problema, Shura, não é esse. Saga ainda gosta dele, eu também.
— Então se resolva com Saga, se você se sente mal com isso.
— É isso que eu vou fazer…
— Outro dia, deixe os ânimos se acalmarem.
Calado, Kamus olhou para o relógio de parede, que mostrava dez horas da manhã, já deveria ter mais alguém acordado. Assim, quando terminou a louça e empurrou a água para a pia com as mãos, sendo observado por Shura, que também se mantinha em silêncio, mais cochilando sobre a mesa do que acordado.
-o.O.o-
Pouco tempo depois daquilo, Kamus acordou tanto Milo quanto Hyoga para voltarem para casa. Estava exausto, bebera demais e os efeitos dessa estupidez se faziam notar – a dor de cabeça era o mínimo. O pior era o cheiro doce do álcool que impregnara sua pele, roupa e cabelos, deixando-lhe louco de vontade de tomar um banho.
Ao acordar o filho, recebeu alguns protestos do adolescente, o qual por sua vontade provavelmente continuaria dormindo até pelo menos três horas da tarde. Dessa forma, sacudiu-o sem muita delicadeza, ordenando categórico que o adolescente russo levantasse. Na vez de Milo, porém, percebeu que ele estava acordado, apenas de olhos fechados.
— Levanta, preguiçoso.
— Ai, Kamus! Me deixa descansar, tô morto.
— Vamos para casa. Estava pensando em visitar Padre Shion depois do almoço.
Inspirando fundo e sentando-se na cama de olhos fechados, esfregando a mão no rosto e jogando o cabelo para trás, o grego começou seu dia. Logo em seguida, olhou em volta à procura de seu cinto, seus sapatos, camisa, carteira e chaves do carro que largara ao lado da poltrona. Pegou-os todos e pôs-se a se vestir novamente.
— Já vão? — Indagou Máscara da Morte que estava vindo de seu quarto.
— Já, sim. — Respondeu o escorpiano, pondo-se de pé e lutando com o sofá cama para reorganizá-lo.
— Mas não vão nem tomar café?
— Não, obrigado, Máscara. — Disse o ruivo com um sorriso educado, mas resoluto.
— Então tudo bem. Foi ótimo tê-los aqui. — O italiano abraçou cada um exageradamente; até mesmo Hyoga, que havia voltado a dormir no sofá já montado por ele e pelo pai anteriormente.
— Vou deixar os CDs com as fotos aqui, quem quiser pega.
— Tudo bem, Kamus.
— Então até outra hora. Shura está beliscando algo na cozinha.
— Imaginei. Vamos, eu levo vocês até a porta.
— Obrigado.
Sendo conduzidos para fora, pai, filho e padrinho tomaram seu caminho de volta ao carro. Já lá dentro, o francês começou a digitar uma mensagem de texto no celular para Aioros, desculpando-se por ter saído sem avisar e que depois se falariam por telefone.
— Eu to a fim de passar em um lugar, antes de voltar para casa. — Comentou o grego, casualmente.
— Eu to com fome, Milo, quero ir pra casa. — Disse o loirinho mal-humorado.
— Puxa vida, eu pensei que a gente podia tomar café em um lugar perto da praia que eu conheço.
— Acho que está tudo fechado hoje, Milo, é feriado. Só devem abrir para almoço…
— Não custa passar por lá e confirmar, certo?
— Por mim tudo bem, o que você acha, Hyoga?
— Tá, tudo bem.
O escorpiano, dessa forma, guiou o carro para o local, demorando cerca de cinco minutos para chegar, pois a cidade estava deserta, vendo-se poucos carros e pessoas nas ruas.
Lá chegando, ele estacionou o junto ao calçadão que separava a avenida da areia da praia – um dos poucos lugares em Atenas em que a cidade era plana – a poucos passos de distância do lugar em que levara os outros dois para tomar café.
— É, está fechado… que pena… — Comentou o grego, que fizera questão de sair do carro para olhar o mar batendo contra a areia e receber a brisa forte que fazia seus cabelos voarem e tremer de frio.
— Vamos pra casa! — Reclamou mais uma vez o adolescente – que foi solenemente ignorado, pois Kamus também descera do carro, descalçando os sapatos e retirando as meias para assim poder andar tranqüilamente na areia em direção à água.
— Adoro esse cheiro de maresia. — Comentou o francês num tom baixo, mas como o escorpiano viera andando em sua direção, foi capaz de ouvi-lo.
— Eu sei. — Respondeu, sentando-se na areia, trazendo os joelhos para próximo de seu peito e apoiando os braços neles.
Kamus sentou-se também ao seu lado e lá permaneceram os dois num silêncio confortável até quando perceberam a aproximação de uma outra pessoa, a qual denotava uma aura agressiva.
— Fechei o carro. Quando vamos pra casa? — Pôs-se o russo do lado dos dois, jogando-se no chão como se aquilo não fosse machucá-lo e, de fato, não o machucava.
— Daqui a pouco. — Rebateu o pai do adolescente de forma evasiva.
— Que saco! — Exclamou o jovem aquariano.
— Estou com vontade de dar um mergulho…
— Você está doido, Milo? Deve estar uns seis graus (1)!
— Larga de ser chato, Kamus. É só um mergulho. — Sem esperar nenhuma aprovação, o escorpiano atirou sua carteira no colo do ruivo e disparou a correr para a água, jogando sapatos, casaco e camisa no caminho.
O adolescente apenas riu da impulsividade do padrinho, perguntando-se porque ele se dera o trabalho de se vestir quando acordara, se era para retirar tudo daquela maneira.
— MILO! VOCÊ VAI CONGELAR!!! — Berrou Kamus, levantando-se do seu lugar, recebendo apenas um aceno animado do amigo, o que fez Hyoga dobrar-se de tanto rir novamente.
O aquariano mais velho estava disposto a tirá-lo da água a todo custo. Onde já se viu cair no mar em pleno inverno? Só se fosse para ganhar de presente uma bela hipotermia por uma insensatez perigosa. Dessa forma, ganhou caminho até onde grego se lançara na água gelada, gritando reclamações para que ele deixasse de gracinhas e voltassem para casa.
Finalmente o loiro saiu de dentro do mar completamente encharcado, caminhando com dificuldade por causa das suas calças estarem pesadas de água e inflando como um balão de ar e os cabelos completamente lambidos.
Dando-se por satisfeito, o francês deu-lhe as costas para voltar seu caminho até o carro, quando ouviu o barulho de alguém correndo atrás de si e subitamente se sentiu envolvido pela cintura por dois braços fortes e gelados, os quais o puxavam para a beira.
— Me solta, idiota!
— Não solto, Kyu!!
Kamus remexeu-se o quanto pôde dentro daquele abraço, tentando meter o calcanhar contra as pernas do grego, ou dar pisões no pé dele. Com seus braços, tentava fazer com que Milo o soltasse, enquanto esse o trazia mais e mais para a margem, fazendo-os sentir a onda em seus tornozelos.
Tanto fez o ruivo que desequilibrou o escorpiano e acabaram os dois caindo por terra — ou melhor, no mar gelado.
O escorpiano não parava de rir, engolindo um pouco de água e engasgando-se. Todavia, assim que percebeu que o francês conseguira se erguer novamente, segurou-o fortemente pelo tornozelo, sendo arrastado pelo ruivo na sua tentativa de encontrar um lugar seco.
— Cacete, Milo! — O ruivo fez reverberar sua voz por quase toda a extensão da praia, enquanto observava o outro molhado e sujo de areia rindo de si, deitado no chão da praia.
— Foi divertido. Hahahahaha!!!
— Não foi! — Rebateu Kamus analisando o estrago feito: não estava tão molhado quanto o loiro, mas era o bastante para fazê-lo gelar até os ossos, como se costuma dizer.
— Hahahahaha!!!! Me desculpa, Kyu.
— Vá à merda, grego! — Retirou o celular do bolso, vendo que o aparelho pingava água e analisando o conteúdo de sua carteira. — Se essa porra não prestar mais, você está fudido!!! — E saiu pisando duro em direção ao carro, esperando impaciente que os outros o seguissem.
Ainda rindo, Milo foi recolhendo calmamente as coisas que deixara pelo caminho, correndo para tentar se aquecer naquele clima e circunstâncias hostis.
— Hyoguinhaaaaa, — Chamou o arquiteto com uma entonação cantarolada — você não quer dar um abraço no seu padrinho?
— Não, de jeito nenhum! — O adolescente saiu correndo na direção oposta gargalhando.
— Ahhhh, mas Patinho, você nunca nadou no mar? — Milo continuou correndo atrás do afilhado meio aos tropeções por estar pisando em areia fofa.
— Patinho, não! — Gritava o loirinho do outro lado, desviando do grego e indo sempre para longe da água.
— Mas você é o Patinho desde pequeno! Só uma nadadinha, vamos?
— Não, Milo, não! Hahahahahaha
— Chega de palhaçada! Eu estou com frio e quero ir para casa! — Kamus berrou ao lado do carro, de onde esperava os dois meninos acabarem de se matar.
Rindo, o rapaz e o escorpiano voltaram ao carro e tão logo Milo abriu a porta, o ruivo fez questão de espremer a camisa encharcada no banco do carona.
— Isso não vai secar, Kamus! — Exclamou ele numa súplica meio desesperada. Seu carro não era tão bom, nem muito menos tão novo, mas era seu carro e zelava por ele, ora essa!
— E daí? Foi divertido!
— Pai seus lábios tão roxos!!! — Hyoga arregalou os olhos ao ver o genitor, aproximando-se para confirmar seu diagnóstico.
— Eu sei! Culpa desse idiota!
— Calma, Kyu, a gente já está indo pra casa.
E assim, o escorpiano ligou o aquecedor e virou-o para o amigo, que já estava menos furioso… e até achando cômica a situação, tanto que já denotava um pequeno e discreto sorriso.
— Você não está mais com raivinha… — Cantarolou o grego olhando de rabeira para o lado.
Sem conseguir se manter sério e querendo manter a pose, Kamus virou o rosto para o outro lado, tencionando esconder sua falta de controle – em vão.
— Presta atenção no trânsito! — disparou.
No banco de trás, o adolescente a tudo observava, rindo silenciosamente ao observar os dois, o que estava se tornando um costume deveras aprazível.
-o.O.o-
Chegando ao estacionamento do prédio, dois dos integrantes do carro fizeram o máximo para poder chegar em casa o quanto antes. Correram até os degraus, pulando vários batentes de uma vez e atropelando-se para ver quem chegaria primeiro ao apartamento.
— Abre essa porta, Milo!
— To tentando, to tentando!
Assim que a fechadura foi destrancada, os dois homens entraram em casa aos esbarrões, retirando suas camisas e calças molhadas ainda no caminho do corredor até o banheiro para uma ducha quente, cada um para seu lado do apartamento – que na verdade eram dois apartamentos reformados, cuja parede da sala, que outrora separara ambos, fora derrubada, uma espécie de loft.
Kamus adentrou seu banheiro de uma forma desesperada, ajustando o chuveiro para a maior temperatura que o mesmo permitia e meteu-se debaixo da água fumegante – ainda usando a cueca e retirando-a segundos depois –, mal percebia se estaria a ponto que queimar a pele.
Um pouco mais recomposto do frio devido ao seu mergulho acidental, terminou por tomar um banho completo a fim de retirar o sal de seu corpo e cabelos. Ensaboava o próprio corpo numa mistura de raiva de Milo por tê-lo colocado naquela situação, vergonha por ter se deixado apanhar, auto-piedade pelas coisas que perdera durante a queda – seu celular provavelmente era uma delas – e vontade de gargalhar, pois aquilo tudo era ridículo.
"Da próxima vez vou deixá-lo morrer congelado." E ao pensar isso esfregou vigorosamente seu rosto, na tentativa de desfazer o sorriso que tentava insistentemente se formar em seus lábios. Devia manter-se sério: estava com raiva… mas não conseguia.
A impulsividade sem sentido do grego, sua preocupação de ter ido chamar por um pouco de bom senso da parte dele, sua distração, a briga corpo a corpo que se seguiu, tudo extremamente ridículo. Não conseguia fazer outra coisa a não ser rir de si mesmo.
— Ahhhh!!! — Resmungou alto, começando a lavar os fios ruivos, apressando-se em sair do banheiro, tencionando colocar uma roupa que lhe cobrisse por inteiro e se afogar em café pelando até sentir novamente que estava aquecido.
Enrolou a toalha na cintura e foi trancar a porta de seu quarto, a fim de poder colocar uma roupa, sossegado. Colocou uma calça jeans de uma malha grossa, meias de algodão e uma blusa de mangas compridas. Calçou uma sandália e foi até a cozinha, onde colocou água na jarrinha da cafeteira e esperou até que a bebida estivesse pronta.
Serviu-se de uma caneca tão cheia, que o líquido escuro caía pelas laterais da louça, sujando a mesa – fazendo pequenos círculos escuros.
Bebeu uma quantidade generosa e começou a ponderar a respeito de seu planejamento para o resto do dia: dormir um pouco depois de tomar café, visitar Shion à tarde e sair com Aioros lá pelas nove, para jantarem…
— Milooooo! — Chamou o francês de seu local na cozinha, arquitetando como se daria o que tinha em mente.
— Ele ainda tá tomando banho. — Respondeu Hyoga, com a roupa trocada e a pele fresca e revigorada. — A gente vai almoçar fora?
— Não, prefiro dormir. Coma qualquer coisa, que eu estou pensando em sair com você, mais tarde.
— Tá.
O adolescente não perdeu tempo: preparou sua vitamina e quatro sanduíches e foi para frente do computador.
— Hyoga, se Shun estiver on-line pergunte a ele a que horas ele vem no sábado.
— Certo!
O ruivo lavou a xícara rapidamente e limpou a mesa com um pedaço de toalha de papel, jogando-a no lixo em seguida. Não estava com fome; na verdade, preferia dormir o quanto antes. Seus olhos ardiam e bocejava incessantemente.
De volta ao seu quarto, atirou-se na cama, quando se lembrou que antes deveria ter pego seu celular para ajustá-lo para despertar dali a umas duas horas.
"Merda." Pensou ele, ao lembrar que seu telefone não estava funcionando e muito menos querendo levantar-se. Estava exausto. Resolveu, então, que ligaria mais tarde quando acordasse, mas ainda não resolvera se deixaria para visitar Shion apenas no final de semana, no momento só conseguia pensar no aconchego de sua cama e nada mais.
-o-
Um som estridente se fez tocar ao lado de sua cabeça e foram necessários alguns segundos para processar o que de fato estava acontecendo. Abriu os olhos muito levemente e pela brecha, constatou a luzinha vermelha que piscava na base do telefone sem fio de sua cabeceira. Pensou em ignorá-lo, ainda mais quando o aparelho calou-se; mas atendeu quando escutou alguém gritar do lado de fora de seu quarto: Kamus, é pra você!
— Alô. — Respondeu ele com a voz rouca e pesada de quem acabara de acordar.
— Desculpe, Kamus, não pensei que estivesse dormindo.
— Tudo bem, que horas são?
— Quatro horas.
—JÁ?
— Ao que me consta…
— Eu ia ligar pra você, mas terminei dormindo demais.
— Não se preocupe. Ainda quer jantar comigo hoje?
— Era isso que eu queria combinar. Por volta de nove está bom para você?
— Claro. Quer que eu te pegue?
— Não, eu pego um táxi, não se preocupe.
— Você deveria deixar de bobagem e ir dirigindo.
— Em que restaurante? — O ruivo cortou o outro, não queria qualquer sugestão quanto às suas habilidades como motorista.
— O da vez passada, perto do Cabo Sunion, está bom?
— Está.
— Te vejo às nove.
— Até.
O aquariano desligou o telefone, colocando-o de volta à base e espreguiçando-se para espantar qualquer resquício de sono, mas era quase impossível. Permaneceu ainda por mais meia hora com os olhos fechados num estado de semi-inconsciência, tentando relaxar ao máximo, querendo evitar uma dor de cabeça devido à falta de sono.
A ressaca nem incomodava tanto assim, afinal, as últimas horas da noite foram gastas em brincadeiras e danças, além de cantorias e conversas animadas, tendo, assim, o álcool sido metabolizado rapidamente.
Riu-se ao pensamento de que entrara na ciranda improvisada na sala da casa de Afrodite, onde todos eles espremiam-se no espaço em que não estavam os móveis, eventualmente esbarrando em alguma coisa e uns nos outros, ao som de I'm so excited.
Mesmo morrendo de preguiça, levantou-se de sua cama para contar a Milo seus planos para aquele dia, além de que, precisava que alguém ficasse com Hyoga (2). Andou até a sala procurando pelo amigo, encontrando-o esparramado no sofá, lendo a revista que pelo visto acabara de chegar e trazia a retrospectiva de todas as notícias mais importantes do ano passado.
Reparou também que o loiro só não estava mais agasalhado porque não havia como. Podiam ser percebidas camadas e mais camadas de roupas no corpo dele. Bem, aquela visão era uma espécie de pequena vingança.
Assim, com aqueles pensamentos ligeiramente sórdidos apenas para si mesmo, sentou-se na poltrona e começou a puxar conversa com ele, pois mais cedo ou mais tarde teria que fazê-lo.
— Milo, vamos visitar Shion agora à tarde?
Desviando o olhar do periódico, o grego respondeu.
— Tem que ser hoje mesmo? — Perguntou, exalando nitidamente a mais pura preguiça.
— Tem, final de semana que vem Shun vai estar aqui, esqueceu?
— Ah, é. Vamos, sim. — Marcou a página que estava lendo com o dedo e fechou a revista, procurando algo para lhe servir de marcador; como não achou nada, enfiou uma outra revista lá dentro e colocou-a de lado.
— E eu combinei com Aioros de sairmos agora à noite.
— Eu fico com Hyoga, não se preocupe. Acha que vai chegar cedo?
— Não sei, depende do andamento das coisas.
— Claro, divirta-se. — Disse com um sorrisinho malicioso e irônico nos lábios. Não conseguiu esconder parte de seu descontentamento ao ouvir a última frase de seu amigo. Não que se importasse em ficar com o afilhado durante a noite, ainda mais porque não tinha nada de melhor para fazer; o problema era que Kamus estaria com Aioros e não com ele próprio, valendo salientar que o queria ao seu lado, mesmo que fosse apenas de uma maneira casta.
Todavia, por mais que tivesse ciúmes de seu francês e do relacionamento que ele estava mantendo com o sagitariano, não podia negar que apreciava uma certa leveza que o amigo estava adquirindo, principalmente em relação a sexo. Certa vez, Kamus lhe confidenciara que apesar de estranhar no começo, poucas vezes tivera uma noite tão prazerosa.
Algumas vezes chegara a pensar, na verdade, que talvez fosse melhor deixar as coisas do jeito que estavam; não precisaria interferir naquele casal e impor sua presença que, sequer, havia sido requisitada. E ficar fugindo como ficara a vida inteira? De jeito nenhum, mas… talvez não o merecesse.
Desse modo e com essas coisas em mente, anuiu com a cabeça e fechando os olhos, esboçando um sorriso doce.
O ruivo agradeceu ao amigo com um sorriso sincero e retirou-se para avisar Hyoga – o qual reclamou desde o instante em que foi notificado, até chegarem à casa em que Shion morava.
Kamus achou por bem trocar logo de roupa e, nesse meio tempo, ficou refletindo a mudança radical de comportamento da parte do escorpiano, em comparação à noite anterior. O engraçado é que aexpressão dele estava bem mais carregada quando dissera que iria sair com Aioros, do que quando informara que poderia chegar tarde em casa.
Deixando aqueles pensamentos de lado, pôs-se a escolher que roupa vestir, mas antes resolveu, por uma questão de etiqueta, ligar para o padre e avisar que estavam chegando.
-o.O.o-
Chegaram a uma parte tranqüila de Atenas, onde casas relativamente modestas haviam sido erguidas umas ao lado das outras com suas construções tradicionais de tijolos, paredes caiadas e portas azuis por sobre as encostas, dando-se a vista um sem número de escadarias que ligavam as casas umas as outras. Uma construção ou outra fugia desse padrão, ousando cores mais chamativas como vermelho e o amarelo, mas a maioria delas se tratava de comércio e não de residências.
Milo, o motorista sem ordenado, foi o último a sair do carro, mas o primeiro a apertar a campainha a fim de chamar o antigo tutor que a essa altura os aguardava, pois Kamus apenas ficava olhando a paisagem em volta, distraído, e Hyoga não desgrudava do lado do pai por nenhuma promessa que você pudesse fazer a ele.
Não demorou muito tempo até que um homem que outrora deveria ter sido ainda mais bonito, pois até hoje – a despeito de marcas de expressão do alto dos seus –, ostentava uma beleza e um charme exóticos, típicos do povo que vivia nas altas montanhas entre a China e a Índia.
— Oh, há quanto tempo que não vejo vocês? Acho que desde a primeira comunhão de Hyoga. Já está na hora de fazer crisma, não, rapazinho? — Foi a primeira coisa que ouviram ao serem recebidos por Shion, aquele que cuidava do orfanato em que Milo crescera
Os três convidados seguiram sem cerimônia alguma para a casa do homem, a fim de instalarem-se num ambiente mais aconchegante do que o jardim, o qual não era imune ao vento gelado que cortava a cidade vindo diretamente da praia próxima e que ficava à vista, devido ao relevo altamente acidentado de Atenas.
— Acho que sim… — Respondeu Hyoga, sentando em seu lugar ao lado de seu pai, sem saber direito o que deveria responder, afinal, nunca fora ligado à Igreja e o seu plano de vida atual também não tinha espaço para ela.
— Ah, já sei, é igual ao pai: um ateu?
— Não exatamente…
— Isso não importa. Não precisa fazer nada que não queira.
— Onde está Dhoko? — Perguntou Kamus, que notara a ausência do chinês.
— Foi à padaria comprar alguma coisa… mas não voltou até agora, deve ter encontrado alguma daquelas carolas do pé roxo que não nos soltam por nada neste mundo… enfim… E vocês dois? Finalmente juntos? — Perguntou Shion sorrindo, brincalhão, apontando para o suposto casal que, apesar de um ao lado do outro, não estavam nem tão próximos assim — mas que reagiram de imediato, arregalando os olhos e remexendo-se em seus acentos.
— Errr… não, Padre Shion. — Respondeu Milo, envergonhado. Naquele instante arrependia-se de ter contado ao seu antigo mentor que se apaixonara por Kamus, um bom tempo depois do ex-padre ter casado os pais de seu afilhado.
— Eu não sou mais padre para vocês me chamarem assim. — Disse ele ainda em tom divertido; havia gostado de ter desconsertado ambos e divertia-se ainda mais com o rosto de Hyoga — típico de quem quer prender uma gargalhada.
— Nós sabemos, é só o costume. — Rebateu o aquariano mais velho, ainda não totalmente recomposto. Tudo bem, agora o ex-padre era a segunda pessoa que achava que ele e Milo deveriam estar juntos, mas Shion não sabia que a essa altura ele estava saindo com homens. Ou já sabia? É, quem sabe Mu, sobrinho dele, já não havia dito a "novidade".
— Oh, vamos: estão juntos, ou não?
— Não, Senhor Shion. — Acrescentou Milo, ainda cheio de tato.
— Só Shion. — Corrigiu ele.
— Tudo bem, Shion. Eu e Kamus não estamos juntos.
— Já perderam muito tempo, então. Não façam como eu e Dhoko, por obséquio.
— Pelo quê? — O adolescente cochichou ao ouvido de seu pai de maneira ultra discreta, já não entendera algumas palavras e expressões que o dono da casa estava usando, mas aquela fora a gota d'água.
— Obséquio é 'por favor', Hyoga.
— Ahhhh… — O loirinho contentou-se com a resposta e calou-se, pensando no que Shion e Dhoko haviam feito... (ou deixado de fazer, como era o que dava a entender pelas palavras do tibetano), já que nunca ninguém contava nada a ele!
Enquanto isso, o homem mais velho se desdobrava em conselhos àqueles dois jovens inconseqüentes que um dia estiveram em suas mãos para serem educados por ele também:
— Sabem, quando chegarem à minha idade, não vão se arrepender das coisas que vocês fizeram, mas daquelas que deixaram de fazer. Uma das que me arrependo foi ter insistido no sacerdócio, mesmo depois de ter admitido para mim mesmo que amava Dhoko. E isso pode parecer até coisa de gente velha, mas não é! Eu apenas tenho mais experiência que vocês. Ah, se eu tivesse a cabeça de hoje e apenas trinta anos…
— Eu estou namorando, Shion. — Respondeu o ruivo sem graça, ainda mais porque insistia em conclamar aos quatro ventos que não estava namorando, mas não achava que o tibetano iria entender aquela "forma moderna" de relacionamento.
— Hmmm… — Disse o ex-padre pensativo, ainda mais por constatar o rosto pesaroso de seu pupilo do orfanato. — Desculpe a indiscrição, mas um velho não precisa muito dessas formalidades. E quanto a você, rapazinho? Eles já te levaram como cicerone por Atenas? Há muito tempo que ele não vem por aqui, a cidade está cheia de novidades, principalmente para gente jovem.
— Pai... — Chamou o russo baixinho — Cice-… o quê?
— Guia.
— Tão mais fácil dizer guia!
Alheio ao diálogo entre pai e filho, o grego respondia calmamente à pergunta feita a Hyoga, mas indiretamente dirigida a ele e Kamus:
— Ele assistiu alguns dos jogos das Olimpíadas conosco, Shion. Aproveitamos para ver todas as novas construções, mas o que eu agradeço até agora à prefeitura é o controle do trânsito! Quem viu Atenas há cinco anos atrás não acredita como mudou.
— Então por que você ainda fica tão louco atrás do volante? — Indagou Kamus ironicamente.
— E por que você ainda não sai com aquela porcaria de carro? — Rebateu o escorpiano no mesmo tom ácido.
— Ah, não vão discutir, me contem as novidades! Já está ganhando mais dinheiro como pintor, Milo?
— Tenho vendido alguns quadros.
— Mentira, Shion: ele vendeu vários quadros e está sendo chamado para grandes exposições. — Interrompeu o ruivo, não escondendo o orgulho que sentia.
— Eu tentei ser modesto. — O escorpiano riu, sem se deixar abater por aquele pequeno ato de traição.
— Você nunca foi modesto, Milo, desde criança. Você era sempre aquele que aparecia mais entre todos.
— Ah, não, padre! Não era eu, era Aioria!
— Não me chame de padre! — Shion riu pela falta de costume dos seus meninos e continuou — Mas Aioria não estava debaixo do meu teto para eu observá-lo noite e dia… Você era um peralta, Milo! Daquele tipo de criança que cai da árvore, faz escândalo para todos acudi-lo, depois de cinco minutos já estar escalando o muro e ainda chama os outros para seguirem suas traquinagens!
— Não tenho culpa se os outros eram uns fracos e se deixavam levar pelo meu espírito de liderança.
— Era exatamente isso que você me respondia… só não com essas palavras.
— Pobre Shaka… — Comentou o psicólogo apenas para si, mas ainda assim chamou a atenção do loiro.
— O que foi que você disse, Kamus?
— Me lembrei que você geralmente arrastava Shaka na confusão.
— Não era eu, era Aioria!
— Não, Milo, era você! Aioria sempre foi seu bode expiatório. — O ex sacerdote o acusou.
Vendo-se acuado, o escorpião soltou seu golpe final:
— Aioria é um bobo-alegre que precisava de algumas lições da vida e Shaka pelo menos não é um frustrado, hoje em dia! Isso graças a mim.
— Devemos nos render, então, à bondade e misericórdia divinas que esse homem exala. — Recomendou Dhoko, que acabara de abrir a porta da frente, trazendo alguns pães que outrora estavam quentes, mas agora, nem tanto.
Dhoko era um homem chinês de traços duros – era um pouco atarracado e mais baixo que Shion –, mesmo assim, ainda formavam um belo par. Foi um escândalo entre todos aqueles que os conheciam – e mais uns outros que não conheciam – quando resolveram largar a batina e morarem juntos como um casal.
— Até você, Dhoko? — O grego reclamou, ao som das risadas abafadas de Kamus e seu afilhado, além do tibetano.
O chinês colocou o saco de pão sobre a mesa da sala, retirando seu casaco e jogando-o meio desajeitadamente nas costas da cadeira, indo sentar-se ao lado do amante, enlaçando-o pelo pescoço com seu braço direito.
— Até eu, claro! Temos que venerar uma alma tão pura.
— Ah, obrigado, não mereço tanto… — O grego armou uma expressão agraciada ao dizer as palavras a Dhoko.
— Disponha. — Rebateu o libriano, mas mudando de tom: — Shion, desculpe, mas os pães estão frios. Tem gente que ainda teima em me confidenciar alguns pecados; acho que uma vez padre, para sempre padre.
— Eu o mandei comprar porque sei que você gosta, Milo… afinal, você sempre roubava o pão de algum desavisado, não era?
— Eu que o diga! — Exclamou Kamus no mesmo instante, tendo algumas recordações.
— Só foram algumas vezes… — Rebateu o escorpiano cinicamente.
— E você, Kamus, conte as novidades também!
A conversa se estendeu pelo resto da tarde e um pedaço da noite. Colocaram todo o assunto em dia: sobre o que estavam fazendo agora e também sobre alguns fatos passados. Hyoga, inclusive, participou do falatório algumas vezes, pois estava curioso sobre o relacionamento daqueles dois homens, mas não indagaria nada diretamente, apenas fazia alguma pergunta aqui e acolá.
Foi por volta das oito e meia que o aquariano, alarmado pela hora, resolveu que deveriam voltar para casa. Quando fez menção em sair, no entanto, o loiro se adiantou:
— Eu poderia falar com você em particular, Shion, por favor?
— Claro, Milo. Venha comigo.
Não custava esperar, mesmo que isso atrapalhasse um pouco os seus planos, pensou Kamus. Ainda mais porque se Milo queria falar com Shion, deveria ser porque alguma coisa séria o incomodava; só não gostou muito de ficar sabendo daquela maneira que o amigo estava com algum problema. Contudo, foi discreto e manteve a conversa com Dhoko como se nada houvesse acontecido.
-o-
— O que foi, meu filho? — Perguntou Shion de forma polida, apesar de ter uma idéia de que ele precisava era mesmo de consolo.
— Kamus… — foi a resposta.
— Vocês brigaram ou alguma coisa assim? Você só vem a mim quando está com problemas. — Disse, espetando o grego de certa forma com a ponta de uma agulha de ironia, mas era um de seus meninos, não iria se negar a ouvi-lo.
— Ele disse que estava namorando… e não tinha admitido isso, ainda…
— Você ainda gosta dele, menino? — Observou o loiro baixar os olhos para o chão — Eu te disse milhares de vezes que não seria boa idéia vocês morarem juntos! Muito bem: quem é a moça?
— Não é uma moça, é Aioros.
— Aioros! Como isso aconteceu?
— Um desafio idiota que nós propomos a ele.
— Oh, Milo… Não sei bem o que dizer… — Assim, Shion o abraçou como se ele fosse novamente um de seus pequenos órfãos que acabara de ralar os joelhos em suas brincadeiras desastradas.
-o.O.o-
Kamus resolveu que pegaria um táxi diretamente da casa de Shion e Dhoko. Percebera que simplesmente não havia maneira de voltar até seu apartamento, tomar um banho e trocar de roupas se quisesse encontrar-se com o grego na hora que haviam acordado.
Dessa forma, deixou seu filho aos cuidados do padrinho dele e partiu para o Cabo Sunion. Antes de adentrar o restaurante, porém, não se esqueceu de conferir se trazia algum dinheiro consigo e se seus cartões estavam presentes.
Com algum alívio viu que tinha uma quantia que lhe bastava para voltar para casa e que sua carteira estava guarnecida de pelo menos três tipos de cartões... e uma massa de papel disforme que outrora deveria ter sido seu talão de cheques.
Havia alguns segundos que descera de sua condução e agora se preparava para subir as escadas que o levariam ao restaurante, no alto de um paredão que possuía uma bela vista da praia e abrigava alguns restaurantes e bares, quando foi abordado por um rapaz de seus vinte e poucos anos, que não poderia chamar mais a atenção.
— Oi, gato, tá a fim de se dar bem hoje?
Kamus olhou impaciente para o moço que lhe dirigira a pergunta: sem sequer analisá-lo, sabia muito bem do que se tratava. Como quase a totalidade das cidades turísticas, Atenas tinha um sério caso de prostituição e ele acabara de ser abordado na rua por um dos rapazes que se travestiam e faziam sexo em troca de dinheiro.
— Desculpe, estou indo encontrar alguém. — Falou. Mesmo que não devesse satisfações a ninguém, sentia que não precisaria ser ríspido, afinal o rapaz estava tentando ganhar a vida, como qualquer um, mesmo que aquilo afrontasse um pouco sua própria dignidade.
— Hmmm, aceito programa a três. — Ofereceu-se ele mais uma vez, talvez tivesse simpatizado com o francês e resolvera tentar sua sorte.
— Com licença! — O ruivo desvencilhou-se rapidamente, tentando não perder a compostura, andando apressado até encontrar os degraus e subi-los de dois em dois, a fim de ganhar tempo e altura.
Dirigiu-se, por fim, a uma mesa que ficava ao lado da amurada que era formada por longas tábuas de madeira envernizadas de forma rústica, colocando-se despreocupadamente de frente para a vista do mar a bater violentamente na areia fina e clara da margem e repetir o processo infinitas vezes, que tinha a espuma refletida pelas luzes dos postes e dos restaurantes.
O vento soprava ainda mais forte e se seus cabelos não estivessem caprichosamente presos em um rabo de cavalo com um elástico preto, ele estaria sem a menor dúvida crispando para todos os lados, chicoteando seu rosto e causando-lhe uma imensa impaciência de ficar a segurá-lo. Riu-se ao pensamento que uma vez uma de suas alunas ensinara-o a prender os cabelos com uma caneta. A princípio estranhara como tal seria possível, mas quando a garota enrolou os cabelos e traspassou a caneta neles, lembrou-se de imediato que Natasha sempre fazia isso.
Engraçado… quando fora que deixara seu cabelo começar a crescer? Antes ou depois de Milo encontrar-se com os cachos caindo-lhe desordenadamente pelos ombros?
— Chegou cedo… — Aioros comentou quando puxou uma cadeira para sentar-se ao seu lado. Ele estava extremamente elegante, trajando uma bem cortada blusa cinza de gola alta de um tecido de lã de trama muito fechada e por cima dela estava com um sobretudo preto, levemente acinturado, que servia apenas para fazerem o contraste de seus ombros largos e seu quadril.
— Na verdade saímos de Shion um tanto tarde, não daria tempo de passar em casa. — O aquariano recepcionou-o com um sorriso, inclinando seu rosto para ele a fim de ganhar um selinho discreto, o qual foi prontamente oferecido, sem se importar se havia alguma pessoa a observá-los.
Todavia, sempre existiam por aqueles estabelecimentos à beira da praia vários turistas ricos acompanhados de rapazes que faziam programa, os quais não respeitavam o ambiente, muitas vezes trocando carícias ousadas na frente de todos sem se importar com a repercussão de seus atos. Aioros e Kamus, portavam-se com educação, porém.
— E eu pensando que você estava louco para me ver e não resistiu…
— Há. Há. — O aquariano sentiu-se altamente contagiado pelo humor do comentário.
— Está com fome? Quer pedir algo para comermos?
— Na verdade, não. Mas aceitaria uma taça de vinho tinto.
— Ah, não. Ontem você exagerou. Hoje não bebe.
— E quem é você agora para me controlar?
— Eu? Ninguém… — Sorriu irônico e em tom de deboche — Você é adulto
Sem nenhuma palavra a gastar a mais com aquele assunto ridículo, Kamus chamou por um garçom pedindo a carta de vinhos e o menu. Quando pegou o objeto em suas mãos, forçou a vista para conseguir ler o que estava escrito, colocando o cardápio para frente e para trás várias vezes, tentando ajustar o foco da leitura.
— O que foi? — Aioros perguntou, intrigado com a cena que se desenrolava à sua frente.
— Esqueci… PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!!!!!
— Hein! — Realmente o grego a essa altura já não estava entendendo mais nada.
— Oros, por favor, me empresta o seu celular?
— Mas... para quê? — Disse estendendo o aparelho.
— O meu caiu na água… — Calou-se e esperou que a ligação completasse.
— Alô.
— Milo, seu infeliz! Reze para que meus óculos estejam no meu quarto!
— Quê? O que você tá dizendo, Kamus?
— Eu quero saber onde estão meus óculos!
— Será que caíram no mar?
— Não sei!
— Depois desse tempo todo é que você nota? — Milo pensou em desligar, mas ponderou melhor e continuou. — Depois você procura, mande um abraço para Aioros. Tchau.
— Merde! — Exclamou por fim. Onde estariam os malditos óculos? Provavelmente escapulira de seu rosto com a queda, mas por que só agora viera perceber? Ah, precisava ser menos distraído! Aquilo estava começando a dar-lhe nos nervos.
— Perdeu os óculos. — Constatou o sagitariano com pouco caso. Não era motivo para tanto escândalo tê-lo esquecido em algum lugar.
— Perdi. Deve ter caído na queda.
Ao ser obviamente indagado sobre que queda fora aquela, o francês teve que suportar o sorriso de chacota que estava a receber e depois as gargalhadas vindas de seu acompanhante.
— Ele é louco.
— Não havia reparado. — Disse Kamus de modo terrivelmente sarcástico. Claro que Milo era louco!
— Kamus, eu não gostei do comportamento de Milo ontem em relação a você. Diga-me a verdade, nunca houve nenhuma demonstração de interesse da sua parte ou da dele?
— Eu já disse que não. Da minha parte, nunca.
— Então ele já te abordou?
— Não.
— E o que você quer dizer com isso? — O Sagitariano já estava ficando um pouco nervoso, parecia até que Kamus queria fazê-lo de bobo e isso era uma coisa que não admitia, ainda mais vindo de um menino que ele costumava atormentar quando mais novos.
— Milo já demonstrou interesse por mim. Como qualquer um dos nossos amigos quando estavam solteiros por qualquer motivo. O jogo de sedução é muito mais sutil que bater os olhos na pessoa e sair com uma cantada idiota. O corpo mostra se uma pessoa está receptiva a ou não alguém. E analisando algumas vezes a linguagem corporal de Milo e dos outros eu já os peguei interessados em mim, por isso não retribuía. Quantas vezes eu vou precisar dizer que você é o primeiro? Isso já está ficando cansativo!
— Na minha cabeça eu não consigo acreditar que vocês dois nunca trocaram nem um beijo! São íntimos demais, vocês não tem só amizade!
— Eu amo Milo, não tenha dúvidas, mas não quero me relacionar afetivamente com ele. Até agora a idéia me parece absurda, mesmo eu próprio já tendo aceitado que me interesso por homens! Agora, vai transformar nosso jantar em uma briga? Porque eu estou disposto a pegar um táxi agora mesmo.
— Tem razão… É que é difícil aceitar que vocês tenham uma relação casta, parece ilógico.
— …
— …
Kamus continuou a encarar Aioros de forma agressiva. Pensava no quanto o homem à sua frente parecia inseguro quanto a um relacionamento que de fato nem era firme. E ainda mais, se alguém tinha o direito de ter ciúmes, essa pessoa era o próprio aquariano, porque era óbvio que Saga ainda se interessava pelo moreno que fora seu amante por tantos anos.
— Quer dizer então… que o corpo fala. — Disse o grego desviando o olhar e assumindo uma posição mais pacífica em relação ao outro.
— Exatamente. Você acabou de assumir uma posição submissa em relação a mim.
— Obviamente você está equivocado. — Rebateu o sagitariano de forma brincalhona, mesmo que suas palavras soassem sérias,acreditava que não havia assumido uma relação subordinada em relação ao ruivo.
— Eu o encarei e você desviou o olhar, exatamente como um animal ou uma criança pequena, apenas porque eu te encarei. E também está demonstrando que está louco para sair daqui e me levar para a cama.
Dessa vez, Aioros não conteve o seu espanto e soltou sua exclamação.
— Eu não disse isso, Kamus!
— Não disse, mas respondeu à minha provocação.
— Explique-se!
O francês, que desde que seu vinho chegara estava alisando a haste do copo para cima e para baixo e levando algumas gotículas, que por ele escorriam, aos lábios para umedecê-los, repetiu todo o processo que iniciara alguns instantes antes, de forma calculada e proposital. Assim, observou a reação de Aioros sobre o que fazia, agora que tornara aqueles gestos conscientes.
— Mas o que isso quer dizer? — Indagou o moreno com curiosidade. — Você está acariciando um símbolo fálico?
— Exatamente, além de te chamar atenção para a minha boca. E você respondeu quando pegou as chaves do carro e começou a mexê-las em sua mão. É como se estivesse dizendo que quer colocar sua mão sobre a minha e se ajudar a ter prazer.
— Interrompo alguma coisa? — Os dois homens ouviram a voz de uma mulher, a qual colocara delicadamente a mão sobre o ombro esquerdo do ruivo e sorria-lhe abertamente.
— Marin? — Reconhecendo uma antiga colega de faculdade de imediato, Kamus levantou-se para cumprimentá-la e fazer as devidas apresentações. — Aioros, essa é uma amiga que estudou psicologia comigo e esse é Aioros, meu… namorado.
— Irmão de Aioria, se não me engano. — Falou ela ao apertar a mão do sagitariano. — Sempre achei uma pena ele não se interessar por mulheres, quem sabe o que teria acontecido…
Aioros riu do gracejo e respondeu:
— Seria uma honra ter uma cunhada tão bela.
— Outro galanteador? Kamus, esses seus amigos… que desperdício, Zeus, todos jogando no meu time! E o senhor também! O último reduto hétero da nossa turma e anos depois me vem com essa. Tantas mulheres se oferecendo de graça hoje em dia e você as deixando de lado!
— Desculpe discordar de você, Marin, mas mulheres honestas sempre se ofereceram de graça; as mais espertas é que cobravam por seus favores.
— Sempre com tiradas rascantes, não, Kamus? Diga, Aioros, como consegue agüentar esse homem?
— Eu me esforço… mas não é fácil…
Os três riram e Marin sentiu que já estava na hora de ir, ainda mais porque notara em que momento havia interrompido.
— Bem vou indo, todas as quatorze áreas do meu cérebro estão me expulsando daqui (3). Tenham uma boa noite. — Disse ela brincando diretamente com o psicólogo, dando-lhe três beijos no rosto e apertando a mão de Aioros com firmeza. — Me ligue qualquer dia desses e colocaremos o assunto em dia. Bye-bye. — Por fim acenou para os dois e foi sentar-se de volta à sua mesa, onde uma moça parecida com ela tomava conta de um bebê no carrinho, que dormia com um dos dedinhos de uma mão próximos à boca.
— Como ela chegou, se foi, não? — Comentou Aioros casualmente, achando graça da forma abrupta que aquela mulher os abordou e fora-se embora. — Casada?
— Não sei. Marin era a minha melhor amiga na faculdade, mas perdemos o contato.
— Hmm… Kamus, vamos pedir a conta. — Falou Aioros tirando uma caneta de um dos bolsos de seu casaco e dedilhando-a de forma a parecer desinteressada, mas passando o polegar de forma pronunciada em seu bico.
O francês pôs a imitar os movimentos na caneta junto com o amante, estendendo a carícia à mão do outro.
-o.O.o-
Estavam ambos no carro do grego, conversaram um pouco sobre linguagem corporal e Kamus prometera emprestar-lhe um livro a respeito do assunto. Mas na verdade o ruivo estava ansioso. Dessa vez queria uma relação completa e estava certo de que Aioros também queria. Temia um pouco pelas palavras que Milo havia dito alguns dias atrás, de que o sagitariano estava sendo paciente demais e as coisas entre eles estavam indo de forma muito lenta.
Um pouco inseguro, Kamus adentrou o quarto do motel — não pelo fato em si, mas por estar mais uma vez com Aioros de uma forma que não tinha certeza de que seria a correta a se fazer. Mas por outro lado, "por que não, porra?" Pensou ele. Eram duas pessoas livres que queriam matar o tesão uma da outra e não havia nada de mal nisso Se ele próprio ficasse insatisfeito com seu desempenho, tinha certeza de que o grego não se incomodaria e tratariam, ambos, de remediar a situação de outra vez que viessem a sair juntos.
Pensando assim, começou a pisar com mais firmeza no chão. Ele até mesmo transparecia ser maior e mais alto do que realmente era, apenas pela aura de certeza e confiança que de uma hora para outra parecia ter resolvido adotar.
Alheio, o sagitariano apenas o puxou para si, num beijo forte, no qual se podia ouvir o som do ar sendo aspirado, enquanto tanto o ruivo quanto ele aproveitavam a chance para roçarem um no corpo do outro, principalmente em seus baixo-ventres, que se encontravam sob a roupa.
O sagitariano fez questão de se jogar de costas na cama, apenas para levar o outro consigo, fazendo Kamus cair por cima de si. Ele sorria em meio ao beijo, dificultando as coisas para si mesmo, tão afoito que não sabia ao certo o que fazer primeiro.
Apesar de Kamus achar que às vezes, Aioros mostrava-se infantil em algumas atitudes – como daquela vez que tentara erguê-lo do chão, ou agora que fora levado a cair sobre o grego, por ato do próprio – estas mesmas atitudes sempre traziam pequenas surpresas bem-vindas e fazia com que ele se sentisse bem a estar do lado de uma pessoa imprevisível.
Amante dessas pequenas demonstrações de criatividade, o aquariano, espalmou as mãos no colchão ao lado da cabeça do outro, invertendo a ordem de quem estava beijando quem naquela luta silenciosa que demandava energia de seus participantes e fazia-se mostrar pelos semblantes concentrados dos amantes, bem como pelas suas frontes úmidas.
Agora era Kamus quem beijava Aoiros, mas nem por isso o moreno se deu por vencido. Sem cuidado algum, o grego puxou os dois pedaços de tecido pendentes da camisa do francês, retirando os botões de suas casas e, por vezes, alguns se seguravam no tecido de uma forma teimosa, que era preciso brutalidade para fazê-los demover-se de seus lugares.
O grego continuou a puxar a blusa de Kamus para baixo, a fim de fazê-la descer pelos braços dele, o qual o ajudou, movendo os braços para trás das costas, retirando levemente os ombros do lugar, facilitando-lhe o trabalho.
Na intrépida tarefa de despi-lo, Aioros desabotoou a calça que o francês usava, descendo o zíper e metendo a mão sem pudor por dentro de sua cueca, apertando-lhe o membro e deslizando a mão desde a base até a ponta, num movimento rápido e firme, quase como se quisesse tirar o pênis de Kamus do lugar em que ele nascido.
Susto foi a primeira sensação que irrompeu na mente do ruivo, depois de ter seu membro agarrado daquela maneira. Aioros não havia se mostrado enérgico da outra vez e também não tinha cara de que gostava de sexo à sua maneira, mesmo que para ele parecesse algo ríspido. Nem ele próprio se masturbara alguma vez daquela forma.
Imediatamente lembrou-se de Milo, quando esse contara como havia sido sua primeira vez com um homem. Em seguida achou-se um tolo pela idéia. Ele era adulto e saberia se defender. Além do mais, Aioros era seu amigo, antes de ser seu namorado (poderia dizer assim?) e aqueles movimentos bruscos não pareciam perversidade ou alguma tara sado-masoquista camuflada, mas apenas o jeito auto-suficiente do outro.
Aquele puxão era firme e forte o suficiente para amedrontá-lo por um instante, pelo modo brusco que havia sido colocado, mas também sensual e lascivo para fazê-lo endurecer ante à manipulação que recebia. Inevitável mais uma vez lembrar-se do fato incontestável que o grego era um homem como ele próprio e saberia dizer exatamente o que o excitaria, fazendo-o sem cerimônias ou qualquer delicadeza ou tom meloso que a situação não pedia.
Inevitável foi colocar a mão por dentro de sua própria calça e agarrar-se ao seu membro com Aioros e masturbar-se juntamente com ele, repetindo aqueles movimentos vigorosos e pouco delicados; parando até mesmo o beijo para realizar tal tarefa.
Quando sentiu sua glande ser pressionada pelo indicador e polegar do sagitariano, como se esses fossem um alicate, deixou escapar uma espécie de grunhido e viu-se em meio uma vontade terrível de ter seu pênis aprisionado pelas paredes internas do corpo quente e musculoso abaixo do seu, de todas as formas mais selvagens e primitivas que sua mente ou a de qualquer outro poderia criar, ou lembrar-se, para o momento.
Queria arrebatar-se contra aquele corpo com força, sentir o outro querendo expulsá-lo e por isso mesmo empregar toda aquela energia que estava ainda acumulada, perceber como seria o deslizar do membro do outro em meio a seus abdomens, o estrangulamento intentado pelo músculo que rodeava a entrada na qual breve estaria alocado. Queria… e como queria!
Deixou de tocar-se, levando a mão ao bolso de trás da calça, pegando sua carteira a fim de pegar uma das camisinhas que havia comprado outro dia. E era a única coisa que sua mente conseguia focalizar no momento: vestir o preservativo e arremeter-se entre as pernas do grego.
Largando a carteira de lado, a qual caiu no chão e espalhou seu conteúdo, Kamus abriu o pacotinho e viu que o outro abaixara apenas parcialmente suas calças e cueca para ele, esperando que a pequena tarefa fosse realizada sem mais demora.
Devidamente protegido, Kamus agarrou as nádegas do grego, o qual estava parcialmente sentado, de cócoras na cama, ansioso para completarem o ato. Trouxe o sagitariano para si, apertando-lhe os glúteos com firmeza e vontade, separando um pouco as carnes dele sem que precisasse vencer mais aquele obstáculo para conseguir seu intento.
Procurou com os dedos a entrada dele e guiou seu membro até lá, adentrando devagar, mesmo sem preparação, pois era uma ação que não era cogitada em sua cabeça no momento. Nem na dele, nem na de Aioros – para o caso de alguém perguntar. A sorte do grego era a praticidade de seu parceiro dera as caras ao aparecer com uma camisinha lubrificada.
Com as calças abaixadas até a altura dos joelhos, o moreno desceu pelo pênis do outro de forma não muito lenta, bem como era ajudado por um aquariano impaciente, que tanto o empurrava para baixo, quanto se empurrava para cima.
Chegaram ao término da penetração com um pouco de dificuldade para romper a resistência do corpo do sagitariano, que parecia querer tirar Kamus do lugar em que estava entrando a todo e qualquer custo, tudo o que o francês estava ansiando.
Sentado na cama e com Aioros em seu colo, o francês começou as estocadas intrépidas que até o momento estava aguardando, sabe-se lá como. Estavam de frente um para o outro, agarrados um ao outro, com os braços em volta dos ombros e pescoços variando de lugar à medida que a necessidade de ambos pedia para variar.
Houve um momento em que Kamus agarrou-se com força às costas de Aioros, trazendo-o para junto, colando seus abdomens. Podia sentir os testículos do grego pressionados contra si, bem como seu membro, além do toque áspero e grosseiro das roupas que os dois ainda usavam, o que deixava as pernas do outro, ainda por cima, limitadamente abertas, dificultando a sua entrada.
Kamus parou de repente, puxou Aioros para cima, bem como ondulou os quadris para trás, a fim de sair dele o mais rápido possível. Dessa forma, jogou-o na cama e, ajoelhando-se, puxou desesperadamente as pernas das calças de Aioros num puxão, libertando-o das roupas e jogando-as para um lado qualquer.
Segurando as coxas do moreno, de modo que as nádegas dele estivessem distantes à uma boa altura do leito, Kamus manteve-se ajoelhado, separou-as sem muito cuidado e guiou seu pênis de volta ao lugar em que há pouco estivera. Alocando-se novamente, estocou-o em movimentos longos e rítmicos, com cada vez mais força.
Aioros soltou um silvo. Estava apoiado no colchão apenas por seus ombros e pescoço. Todo o peso de seu corpo estava colocado ali. Tentou, assim, com os cotovelos fincados na cama, aliviar a carga de sua sustentação. Fazia as coisas um tanto inconsciente, com os olhos fechados e a boca parcialmente entreaberta, devido às investidas de Kamus em si. Seu próprio membro, porém, estava desperto e despontando no ar, esquecido.
Começou a sentir toda aquela tensão acumular-se lá: precisava tocar-se. E, por mais que a posição o fizesse ficar com dores em suas costas e pescoço, não estava nem aí para isso, precisava masturbar-se. Deixou-se, portanto, apoiar no braço esquerdo apenas e começou a descer sua mão em si para cima e para baixo, enquanto recebia Kamus.
À visão do grego tentando obter mais prazer, o ruivo não pôde deixar de sentir o quão mais excitado ficou. Teve a impressão de por causa disso ficar ainda mais rígido, mas aquilo não poderia ser possível: as coisas estavam indo tão apressadas, que mal estivera ereto já estava dentro de Aioros, movimentando-se contra ele e agora estavam naquela briga insana de busca pelo prazer e ambos já estavam no máximo de rigidez que o ser poderia suportar.
Com a mente anuviada, onde apenas refletia a imagem do moreno se tocando com volúpia, Kamus fechou os olhos e concentrou-se apenas em si mesmo. Sentindo dali a pouco o anel da entrada de Aioros estrangulá-lo de forma impiedosa, da mesma forma que havia desejado anteriormente.
Estava quase no ponto em que se libertaria num orgasmo quando, todavia, não conseguiu mais sustentar o corpo amolecido do outro devido ao orgasmo, que parecia querer esparramar-se na cama da forma mais confortável o possível.
Sem se abalar, inclinou-se para frente, apoiando os braços nos ombros dele, escorregando seus joelhos no colchão, ficando deitado sobre o sagitariano.
Com mais algumas estocadas, teve enfim seu orgasmo, mordendo levemente seus lábios e inspirando o ar com dificuldade, quando se lembrava de puxá-lo para seus pulmões. Sem mais qualquer resquício de energia, deixou-se cair, então, sobre o corpo inerte do grego.
Deixou-se descansar sobre ele, cansado demais até mesmo para retirar seu membro de dentro do outro. Foi necessário que Aioros fizesse isso antes que ele adormecesse, retirando delicadamente a camisinha.
Mesmo exausto e inebriado pelo sono que estava mais presente que a realidade, Kamus ainda percebeu o outro virá-lo para o lado, retirando-lhe o cabelo do rosto, retirar-lhe a cueca e calça que ainda permaneciam semi-abaixadas.
Sorrindo debilmente naquele seu estado de letargia, Kamus agarrou um dos dedos de Aioros, movimentando-o levemente no primeiro carinho da noite. Foi a última coisa que ainda lembrou de fazer antes de só acordar no dia seguinte e recomeçarem a rotina de trabalho.
-o.O.o-
Os dias para Kamus, Milo e Hyoga pareceriam normais, salvo pelo fato de o adolescente andar mais entusiasmado do que de costume. O loirinho não deixava pai e padrinho esquecerem por mais de uma hora que Shun estaria chegando em solo ateniense naquele sábado e eles deveriam pegá-lo no aeroporto. Mais tarde naquele dia, o irmão mais velho do japonês iria até seu apartamento com o namorado e deveriam jantar, conversar e levar Shun para o lugar em que Ikki morava.
No dia marcado, em especial, Hyoga acordou muito cedo e certificou-se que os adultos estariam prontos para buscar o japonês. O acordo entre seu pai e seu sogro era de que Shun ficaria por volta de vinte dias, voltando para Rússia no dia seguinte ao aniversário do namorado, mas que quando chegasse deveria colocar as matérias da escola em dia.
O adolescente russo já havia começado na escola em que seu pai era o Orientador Educacional e não parecia estar se adaptando muito bem. Tanto porque àquela altura do ano letivo todos os adolescentes já estavam com seus pequenos grupos fechados, bem como por ele ser filho do professor, fato esse que não fazia questão de transmitir a ninguém, mas que os outros alunos já haviam descoberto.
Por esse e outros motivos estava tão impaciente e ansioso por uma companhia de sua idade, que não cabia em si quando finalmente chegou o dia de rever seu namorado. Estava tão alegre que falava pelos cotovelos, alugando os ouvidos de seu pai e de seu padrinho sobre qualquer assunto que lhe parecesse interessante, principalmente quando tecia um tratado sobre sua banda preferida e quanto o vocalista era um cara carismático.
— Pai, eu já te mostrei o vídeo em que David Growe está tocando Satarway to Heaven no programa do David Letterman? Ele disse em várias entrevistas que morre de medo de palco e tem que tomar um porre para começar a tocar. A pior vez de todas, foi no Brasil, uns anos atrás: ele achava que ninguém ia conseguir acompanhar as letras e tudo o mais. Então ele chegou lá, meio embriagado, errando os acordes, quando a multidão começou a cantar e ele decidiu acompanhar. Aliás, o Brasil é famoso no meio musical por causa dos Ramones, sabe? Os Ramones começaram um boato de que os brasileiros são o melhor público, os mais animados e sempre voltavam lá, antes de se separar. Bem que eu queria ter ido a algum show dos Ramones, acho que Milo gostaria de ir comigo, se você não deixasse eu ir sozinho. (4)
— Acho que sim. — Disse Kamus pacientemente, afinal lidava com gente naquela idade todos os dias; enquanto Milo dirigia de cara fechada e ouvidos já doendo, de tanto falatório.
— Ramones eram o poder! Pai, coloca CD deles, vai? Tem um monte de música escrota! E …
— Hyoga! Eu já disse que não quero você usando esse tipo de palavreado.
— Mas eu só falo de vez em quando…
— Evite esse seu de vez em quando. — o francês Repreendeu-o mais uma vez, tentando achar qualquer CD de Ramones entre aqueles que o grego dispunha em seu carro. Assim que achou um, colocou-o mais que depressa, pois seu filho ainda não fechara a boca e, mesmo ele, já estava um tanto quanto cansado e derrotado pela energia do adolescente.
Hyoga não teve dúvidas em passar as músicas vigorosamente até achar uma que ele gostava – mesmo que para isso tivesse que se esticar todo entre os bancos da frente e levar sermões do ruivo sobre aquele seu ato impensado. Quando finalmente achou uma, pôs-se a cantar a plenos pulmões junto com os alto-falantes e batucar em suas próprias pernas, nas laterais do carro e mesmo no vidro ou no teto, batendo o pé direito junto com tempo da canção.
— TWENTY-TWENTY-TWENTY FOUR HOURS TO GO, I WANNA BE SEDATED! NOTHIN' TO DO AND NO WHERE TO GO-O-OH. I WANNA BE SEDATED. JUST GET ME TO THE AIRPORT, PUT ME ON A PLANE. HURRY, HURRY, HURRY, BEFORE I GO INSANE .I CAN'T CONTROL MY FINGERS, I CAN'T CONTROL MY BRAIN. OH NO NO NO NO NO.
— Eu era assim, Milo? — Comentou o francês baixinho, tentando chamar a atenção do outro discretamente com gestos. Além disso, quem conseguia ouvir alguma coisa com o rapazote gritando no banco de trás?
— Só quando estava feliz. — Respondeu o escorpiano no mesmo tom conspiratório.
— Meio raro, então…
O grego riu de leve e respondeu no mesmo volume ameno que estavam mantendo.
— Pelo menos quando estava comigo, você ficava assim…
-o.O.o-
As Olimpíadas haviam feito muito bem à Atenas, como um todo. O Governo, para bem receber os visitantes investira muito na infra-estrutura da cidade, ampliando a rede metroviária (o que foi um pouco trabalhoso, pois sempre esbarravam em algum sítio arqueológico da época Clássica) e modernizando o aeroporto, chegando este a ser um dos mais bem equipados da Europa, atualmente.
E em meio a tantas pessoas que carregavam seus pertences para todos os lados — acompanhadas, desacompanhadas, apressadas ao falar ao celular, ou mesmo em despedidas chorosas, estavam Kamus, Milo e Hyoga. O pequeno russo batia o pé agoniado pela demora, há cerca de cinco minutos, olhando para todos os lados ao mesmo tempo e voltando a encarar o portão de desembarque.
— Acalme-se, rapaz… — Disse Kamus um tanto preocupado e zonzo de tanto que o adolescente estava irrequieto.
— Quando ele vai chegar?
— Em instantes, Hyoga!
— Menino, pára quieto! — Reclamou Milo, sem dar margem ao afilhado rebater qualquer coisa que a imaginação daquela cabeça loira pudesse criar. — O vôo está no horário, nós é que chegamos cedo. — Evitou acrescentar um: por sua causa, por causa de um olhar gélido que o amigo lhe lançou, daqueles que eram reservados apenas a locais públicos, quando o francês estava realmente furioso.
— Milo está certo. Chegamos cedo, só mais alguns minutos e ele chega. Ele não vai fugir do avião, Hyoga, pelos deuses. — Acrescentou a última frase sorrindo, fazendo o filho aliviar o cenho e esboçar um leve sorriso de canto.
O grego ficou calado, apenas observando pai e filho. Eles se entendiam muito bem, talvez até mesmo melhor do que ele próprio e Kamus. Às vezes sentia-se até mesmo um pouco intruso na relação dos dois… eles eram sangue do mesmo sangue, onde estaria o seu lugar? Em parte alguma…
O ruivo e o russo ficaram conversando por algum tempo – o que mais parecia mais um monólogo de Hyoga – a respeito de música, filmes, animes (que o loirinho aprendera a assistir com o namorado, defendendo veementemente de que não eram violentos, simplesmente porque as cenas mais pesadas eram demasiado irreais para serem levadas a sério).
Hyoga continuava avistando de vez em quando o local de desembarque, mas muito menos ansioso que anteriormente. Estava sentado numa das cadeiras que estavam dispostas pelo lugar, com Milo atrás de si e Kamus à sua frente – uma vez que tinha o lado direito grudado ao encosto do assento, apoiando suas costas no braço da mesma – de pernas cruzadas e gesticulando animadamente no meio de seu monólogo.
De distraído que estava, terminou sem se dar conta que mais uma leva de passageiros estava começando a percorrer o salão – apenas quando o padrinho pousou a mão em seu ombro é que se deu conta que poderia finalmente ser daquela vez.
O rapaz esquadrinhou ansioso pela multidão, dando um largo sorriso, levantando-se de uma só vez, fazendo gestos com a mão, a fim de chamar um rapaz de traços orientais e roupas escuras, que empurrava sua mala com tranqüilidade, com alguns fios saindo de seus ouvidos.
— Eu acho que ele não te viu…
Kamus não disse mais nada: seu filho saiu quase correndo, em direção ao outro rapaz, chamando a atenção dele para si, enfim. Postando-se à frente do recém-chegado, o jovem aquariano sorriu-lhe grandiosamente, porém sem exibir qualquer outra reação. De repente Hyoga pareceu que não sabia como agir.
A despeito de sua vontade inconsciente – que era abraçar Shun de um pulo, fazendo ambos ficarem tão grudados quanto possível, assim como dar-lhe um beijo de tirar-lhe o fôlego em meros segundos, deixando ambos ficarem excitados pelo contato dos dois corpos –, o loiro deu-se conta de que estavam em um local público, num mundo hétero... e que a relação dos dois não necessariamente seria bem-vinda.
O pequeno japonês estendeu-lhe o braço na intenção de dar um aperto de mão em seu "koi", sorrindo-lhe tranqüilamente. Cumprimentaram-se com um aperto vigoroso, sendo que Hyoga puxou-o pelo braço para um abraço rápido, mas o suficiente para reconhecerem um ao outro.
— Senti sua falta.
— Eu também. — Respondeu o aquariano, indicando com a cabeça que o outro devia acompanhá-lo. Assim, tomou o carrinho das mãos de Shun, empurrando-o ele mesmo, sendo seguido pelo outro que estranhava seu comportamento, mas nada dizia.
Ao chegarem ao local em que havia deixado pai e padrinho, Hyoga parou o carrinho com o pé, postando-se ao lado dele e assumindo uma verdadeira postura de anfitrião, apresentando seu convidado àqueles que não o conheciam.
— Batya, esse aqui é Shun Amamiya. — Falou, indicando Kamus com a mão espalmada, enquanto sogro e genro apertavam-se as mãos. — E esse é o Milo, meu padrinho.
— Prazer. — O japonês falava com um sotaque carregado, ainda não falava em grego perfeitamente bem, mas até nos últimos dias até que havia se esforçado em aprender mais alguma coisa, a fim de poder se comunicar sem depender exclusivamente de Hyoga como seu intérprete.
— O prazer é meu, Shun. — Milo cumprimentou-o, observando o jovem namorado de Hyoga, concordando intimamente que no quesito bom gosto seu afilhado havia aprendido alguma coisa consigo. O outro adolescente tinha faces delicadas e um tanto andrógenas, mas decididamente possuía um corpo de rapaz e jamais poderia ser confundido com uma menina apenas porque era magrinho, já que seus ombros contrastavam expressivamente com sua cintura e quadril.
Talvez fosse um pouco baixo, mas ainda era novo e poderia crescer bastante, mas nunca se sabe, devido à sua descendência oriental. Mas o que de fato chamou mais sua atenção foram os olhos verdes. Que japonês tinha olhos dessa cor? Pelo menos nenhum que tivesse conhecido.
Já Kamus, como tinha experiência em lidar com adolescentes, analisava os trajes a fim de classificá-lo em alguma tribo: calças mais cumpridas que suas próprias pernas, que já estavam rasgadas a altura dos tornozelos, de uma cor entre o creme e o cáqui, repleta de bolsos, uma camiseta preta que ficava levemente ajustada em seu corpo, algumas pulseiras de rebites e uma franja puxada para frente, tingida com tinta verde, ou seja, de fato ele era um emo. Mas um emo muito bonitinho e simpático, diga-se de passagem.
— Fez boa viagem, Shun? — Perguntou o ruivo, observando o jeito protetor que Hyoga havia assumido em relação ao namorado, estando um passo à sua frente, indicando-lhe o caminho e fazendo de um tudo para agradá-lo. Totalmente previsível.
Vendo aquela cena tão lindamente doce e açucarada, Milo não resistiu em esticar sua mão e agarrar o braço do afilhado da maneira que pôde, fazendo-o diminuir o ritmo de seus passos e disse:
— Ele tem uma bundinha linda, Hyoga… — O escorpiano exibia um de seus sorrisos mais maliciosos, propositalmente.
Por um instante o jovem aquariano parou de respirar, depois soltou-se das mãos do padrinho como se tivesse levado um choque, tratando de levar Shun para o extremo lado oposto em que estava o grego, bufando de raiva, fato que chamou a atenção de Kamus.
— O que você disse a ele? — O francês indagou curioso, ainda mais porque o amigo tinha uma expressão cinicamente divertida em seu rosto.
Milo não se fez de rogado e contou sua pequena travessura, ao que o aquariano mais velho ouviu e rebateu, em voz alta, propositalmente.
— Mas é verdade, Hyoga!
— — O loirinho praticamente gritou, mas ao receber um olhar desaprovador de seu pai, conteve-se no mesmo instante. Kamus era do tipo pai que não se acanhava em castigar os filhos, mesmo que esperasse até estarem em local reservado. Ele tinha plena certeza de que mesmo com Shun estando em Atenas, seria disciplinado caso fugisse com o respeito a qualquer um dos dois adultos.
— O que foi, Hyoga? — O japonês perguntou, aflito com o fato de estar sendo deixado um pouco de lado.
— Desculpe, Shun; eu só havia dito a Hyoga que você é bonito, mas ele não gostou. — O recém chegado pareceu não entender completamente o que lhe havia sido dito e deu um sorriso sem graça. Assim, o ruivo traduziu para ele, o que o fez ficar um pouco corado, mas ao ver a expressão contrariada de Hyoga, não resistiu:
— Milo-sama também é. — O loirinho olhou para namorado e padrinho com tanta frustração, que saiu arrastando o japonês pelo braço, a fim de chegarem o quanto antes no estacionamento.
-o-
Quando já estavam quase próximos ao carro, Hyoga finalmente permitiu-se agir com seus instintos: abraçou-se ao namorado, colocando a cabeça na curva do seu ombro, passando de leve o nariz no pescoço de pele alva de Shun. O aquariano sentiu uma mão guiar seu rosto para cima e recebeu um beijo calmo e profundo, cúmplice, e tinha os cabelos de sua nuca afagados pelo outro.
Kamus apertou seu novo celular dentro do bolso da calça ao presenciar a cena. Seu coração doeu um pouco ao lembrar que Hyoga havia sido escorraçado de casa apenas porque gostava de meninos, ainda mais porque aquele que ele havia escolhido parecia muito doce. Porém, como pai, devia aprender que não poderia protegê-lo de tudo, mesmo que quisesse.
Desviou os olhos para o lado e encontrou algum conforto na presença de Milo, chegando mais perto dele, de certa forma enlaçando-o pela cintura, sem se aperceber do que estava fazendo e sendo abraçado de volta. Os dois caminharam para ficarem um pouco mais afastados dos meninos e trocarem algumas impressões sobre ele.
Assim, eles demoraram algum tempo para entrar no veículo e tomar o caminho de volta, visto que os dois adultos conversavam em outro local, deixando os rapazes aos carinhos e afagos próximos ao carro. Todavia, no primeiro momento em que se viu sozinho com o loiro, Shun perguntou:
— Tem certeza de que eles não são amantes?
-o.O.o-
O resto da tarde foi gasta, principalmente, com a compra de alguns ingredientes os quais Kamus estava adquirindo para fazer o fondoe que havia planejado para receber as visitas em sua casa. Na realidade, essas eram as tarefas que apenas o aquariano e o grego estavam realizando.
O ruivo preferiu deixar que seu convidado descansasse e foi praticamente isso que o recém chegado virginiano havia feito. Ele estava um pouco zonzo e com dores de ouvido por causa da viagem de avião e suas inúmeras descidas e subidas que ocasionavam a terrível variação da pressão atmosférica naquele ambiente fechado.
Portanto, o japonês foi convidado a deitar-se no quarto de Hyoga e relaxar o máximo que conseguisse, até a hora em que seu irmão e o namorado viessem para a pequena confraternização. O coitado do loirinho é que não gostou muito de ter que ficar aguardando até o momento em que o namorado já estava mais recomposto.
Como qualquer adolescente que se preze, Hyoga estava com seus hormônios e curiosidade trabalhando em conjunto e, claro, não queria perder um segundo qualquer de tempo para poder matar a saudade do japonês com beijos e algumas carícias que eles já se permitiam trocar. Foi um pouco a contra gosto, portanto, que foi solicitado por seu pai a organizar algumas coisas na cozinha junto com ele, lavando os utensílios que estavam sendo descartados.
Foi por volta das sete horas que o irmão de Shun tocou à campainha do apartamento, acompanhado pelo namorado, trazendo uma garrafa de conhaque para presentear os donos da casa, tal como mandava a etiqueta japonesa que ensinava nunca chegar de mãos vazias na casa de outra pessoa.
Milo, que fora recepcioná-los, abriu um de seus maiores sorrisos e deparou-se com a maior diferença que já havia visto entre irmãos. Ao contrário de Shun, Ikki possuía traços decididamente masculinos, era alto e, de certa forma, tinha uma presença claramente dominante e decidida. Totalmente diferente da docilidade e gentileza do irmão mais novo.
Todavia, essa não foi a maior surpresa do grego, afinal, tanto ele quanto Kamus haviam feito questão de ver algumas fotos da família de Shun, portanto ele já conhecia o mais velho de alguma maneira. O que, de fato, lhe fez a adrenalina disparar em seu sangue como nunca acontecera antes, foi a visão do rapaz que acompanhava o cunhado do russo.
O tal moço possuía belos olhos avermelhados, uma silhueta esguia e andrógena, mas, diferentemente de Shun, ele lembrava mais uma mulher. E o detalhe mais desconcertante de todos: o cabelo ruivo alaranjado.
— Desculpem-me, mas eu não esperava encontrar o meu vizinho de janela nessas circunstâncias. — disse ele, um tanto nervoso e oferecendo um aperto de mão ao outro convidado, Mime, e aceitando o presente das mãos de Ikki com a outra. — Sou Milo, padrinho de Hyoga.
— Eu estava comentando com Ikki a coincidência! Nós realmente não esperávamos que Hyoga morasse no prédio ao lado do meu. — Disse o ruivo aceitando o cumprimento.
— Mundo pequeno. — Comentou o japonês mais velho. — Mas acho que mesmo que se conheçam de vista, ainda não foram apresentados. Esse é Mime. Estuda música no conservatório aqui de Atenas, assim como eu. Ah, eu sou Ikki, irmão de Shun.
— É um prazer. Venham entrando, está todo mundo lá na cozinha; Shun fez questão de ajudar e Hyoga, aquele preguiçoso, aceitou na hora. Sintam-se à vontade. Aceitam uma taça de vinho? — O grego ofereceu, enquanto trazia-os para a sala de estar.
— Só uma, talvez, vou voltar dirigindo. — Respondeu Ikki ao sentar-se no sofá.
— Eu aceito, obrigado.
Milo retirou-se em apenas alguns instantes. Entrou na cozinha de supetão, quase fazendo Kamus derrubar a Réchaud que ele estava levando nesse momento para a sala – sorte que ele tivera o bom senso de apenas acender o fogo quando estivessem todos reunidos na mesa.
— O que deu em você?! — Reclamou o francês aborrecido por aquele encontrão, ainda mais porque poderia ter resultado em algum acidente com a comida e ele não passara a tarde entre supermercados, casas de frios e vinhos e quitandas apenas para ter tudo espatifado no chão em questão de milésimos de segundo.
— Ikki chegou. Com Mime.
— Ikki e Mime já chegaram… hmmm… Hyoga, por favor, ofereça um pouco de vinho a eles e avise que já estamos chegando com a comida. Shun, poderia levar os molhos?
— Claro, Kamus-sensei.
O francês mal dera tempo de os rapazes saírem e começar a perguntar, impiedosamente, sua curiosidade horrivelmente atiçada:
— Mime? Aquele Mime o nosso vizinho? O Mime que você vive colocando em suas telas? Eu não acredito nisso! Como? Mas… mas, como?
— E eu é que sei, Kamus? Como é que eu vou chegar pro irmão de Shun e dizer: oh, cara, tu num sabe, mas eu vivo secando teu namorado pela janela aqui do meu apartamento!? Tem noção? Eu saí da sala totalmente zonzo! Porra de mundo minúsculo, cacete! O tal de Ikki tem uma cara de marrento, que Zeus me livre! Imagina se ele vê uma das minhas telas?
— E você ainda cogitou dizer alguma coisa para o irmão de Shun?
— Sei lá! — Milo estava atordoado pelas coincidências. Mas Mime era apenas um disfarce que ele arranjara para colocar seu verdadeiro objeto obsessivo em suas pinturas.
Por um segundo, porém, achou que estava fazendo um escândalo maior do que a situação pedia. Respirou fundo e começou a rir de si mesmo.
— Não está frustrado?
— Estou acostumado a ver o cara que eu quero com outra pessoa…
— Você vai arranjar alguém.
— Mas não vai ser quem eu quero.
-o-
O jantar até aquele instante prosseguia sem grandes surpresas. As duas famílias aproveitaram para conhecer melhor uma a outra. Assim, Kamus ficou sabendo que a mãe dos meninos era russa, tal como Natasha, mas de mãe japonesa, que voltara até a terra de seus ancestrais para tentar a vida trabalhando num ritmo semi-escravocrata a fim de conseguir dinheiro e voltar para casa com um bom pé-de-meia, mas que aparentemente os planos haviam mudado quando ela conhecera Shigure Amamyia.
— Talvez isso explique a cor dos olhos de vocês. — Sugeriu o aquariano mais velho.
— Esse é um dos mistérios de nossa família. Vai contra todas as leis de genética que se aprende ainda na escola. — Comentou Ikki, um pouco mais descontraído. Talvez a bebida o ajudasse a relaxar, ou quem sabe ele não fosse tão mal encarado assim.
— E vocês são músicos? — Indagou Milo, mergulhando seu garfinho no molho de queijo, pois já haviam servido previamente a carne.
— Para o desgosto do meu pai que queria que eu me formasse engenheiro, advogado, médico… serei a vergonha três gerações vindouras. — Interessante, ele havia até mesmo arriscado uma piada.
O grego até pensou em soltar uma tirada ele próprio, afirmando que ele Ikki não se preocupasse, afinal com dois filhos gays, a família Amamiya não teria gerações futuras, mas controlou-se. Não conhecia os japoneses e sua impressão era de que fossem extremamente sérios, melhor seria não arriscar em ser deselegante – pelo menos não nesse ponto.
— E você, Shun, já tem alguma idéia do que pretende seguir carreira? — O francês nem se animou muito em ouvir uma resposta afirmativa, afinal, era apenas um jovem de 14 anos, deveria ser muito imaturo ainda. Qual não foi sua surpresa quando ele respondeu:
— Designer Gráfico. Adoro computadores. E qualquer empresa possui sites na Internet e... quanto mais bonito e organizado mais... chama a atenção da pessoa que o visita. — Mesmo com dificuldade e, tentando não misturar os idiomas, o virginiano praticamente jogou as palavras de uma forma tão decidida que aparentava ter mais maturidade que Hyoga.
— Graças aos Deuses, ou eu estaria desempregado! — Interveio Milo — Shun, não quer organizar comigo o site de meu escritório? Acho que meus sócios iam gostar da idéia.
— Não o deixe se aproveitar da sua boa vontade, Shun. — O psicólogo retirou o pão molhado no queijo derretido e levou-o à boca. Muito interessante: um rapaz naquela idade geralmente não tinha uma idéia tão clara do que fazer no futuro; geralmente os jovens vinham até ele em dúvida em pelo menos cinco opções diferentes para uma carreira. — Então, Ikki, você é músico. Estudou aonde?
— No Conservatório de Atenas. Fiz aulas de piano, mas enquanto estava por lá, arriscava até um pouco de sax.
— Um amigo nosso é professor lá! Devem conhecer Shaka, não? — Ambos os músicos iluminaram o rosto em reconhecimento ao nome do professor.
— Todo mundo teve aulas com Shaka, ele é professor de percepção. Tem uma paciência que me espanta, principalmente porque ensinar a solfejar não é nada agradável. — Disse Mime, logo após bebericar o seu copo de vinho.
— Então não estamos falando do mesmo Shaka! O que eu conheço não é paciente. — Rebateu o escorpiano.
— Ele apenas não agüenta suas brincadeiras, Milo. Ele também mora nesse prédio, com o companheiro. — Emendou Kamus, na tentativa de conter a língua ácida do escorpiano.
— Hoje é o dia das coincidências, então! Eu desconfiava que ele era gay, mas sempre existe uma certa disputa entre os alunos para saber quem descobre a sexualidade do professor. Bem, Shaka é muito sério, ninguém ousava chegar perto… mas isso não o impedia de receber milhares de cantadas das mulheres. — Mime comentou de maneira casual, na intenção de manter o clima da conversa ameno.
— Eu sabia, mas não espalhava. — Continuou o japonês mais velho, com seu braço envolvendo os ombros do amante, fazendo-lhe um leve carinho no ombro escondido pela camisa de mangas compridas.
— Todo professor é muito assediado. Eu mesmo já perdi a conta de quantas vezes escutei algum comentário na sala dos professores, ou mesmo que fui abordado. — Falou o francês. — É perfeitamente normal.
— Hmm… — Milo chamou atenção para si, esperando apenas terminar de mastigar e engolir para falar algo. — Quando eu e Kamus estávamos na escola, acontecia o contrário: um professor que assediava as alunas. Mas ele passou pouco tempo, foi despedido em poucos meses.
— Isso também acontece muito. — Concordou o músico ruivo.
— Nosso pai comentava que esse é um dos maiores tabus da cultura japonesa, né, Shun? Os professores são, praticamente, uma outra figura paterna, e relacionamentos assim seriam quase uma outra forma de incesto. Besteira, na minha opinião. Tudo bem quando se é da idade dos meninos, mas professores de adultos? Tenha santa paciência!
Um breve silêncio se instalou entre eles, até o momento em que Kamus achou por bem trazer logo a sobremesa, uma vez que em algum momento entre a conversa, o conteúdo de queijo havia acabado:
— Hyoga, você pode trazer une casserole com o chocolate e as frutas? — Deu uma pausa, pensativo, e continuou — Acho que vou dispensar o vinho, já estou misturando francês com grego… — Riu de leve, afastando o cálice de perto de si.
-o-
A conversa prosseguiu sem maiores alvoroços. Os adolescentes se afastaram dos adultos assim que o jantar acabou, indo até o quarto de Hyoga para, enfim, poderem conversar e namorar um pouco mais à vontade.
O russo deitou-se de qualquer jeito em sua cama, pulando um pouco por causa das molas do colchão. Espreguiçou-se o quanto conseguiu e sentiu uma gostosa sensação de letargia. Bocejou com vontade, fazendo todo o barulho que conseguia e, finalmente, deitou a cabeça sobre os braços.
Shun não disse nada, apenas deitou-se com ele, aninhando o loiro em si; não imaginava que quando chegasse à Grécia, Hyoga pareceria tão carente. Todavia, não podia esquecer a forma que ele saíra de casa, ainda mais que ele havia comentado consigo mais cedo que estava odiando a escola.
— Seu pai é um pouco sério…
— Um pouco. Mas ele é legal, cabeça aberta.
— Isso eu percebi. E o Milo? Parece ser bem divertido.
— Milo é gente boa. Mas não é tão divertido assim. Ele pode ser muito mais sério que meu pai. Desde que eu cheguei, estou o achando cada vez mais distante.
Shun ouviu calado o que o aquariano estava contando, mas achou que deveria apenas ser impressão dele. Como poderia um homem que estava sempre sorrindo, ou fazendo algum comentário engraçado, ser taciturno como ele estava dizendo? Não parecia fazer sentido para si. Dessa forma, o japonês aconchegou mais o outro ao seu corpo, fazendo-o ficar de lado no leito.
— Shun, tem gente em casa… — Hyoga se referiu ao fato de que o virginiano colocara uma das pernas entre a dele.
— A gente não vai fazer nada. — Rebateu ele, sem dar chances ao outro responder qualquer coisa, pousando os lábios contra os dele, mordiscando levemente o inferior.
O loiro entreabriu os lábios, convidando o outro a avançar mais um estágio no tocante àquele beijo. As línguas de ambos acariciavam-se preguiçosamente e Shun aproveitava para trazer o tórax do outro mais contra si mesmo, passeando os dedos pelas costas do namorado.
— Shun… pára…
Mesmo que ele não estivesse fazendo nada para provocá-lo, apenas sentir as coxas de seu namorado roçarem sem querer contra o zíper de sua calça, estava a colocar Hyoga completamente desconsertado. Foi, portanto, com um início de ereção, que ele desvencilhou-se de seu japonês, levantando num repente da cama, andando pelos cantos do quarto e respirando fundo a fim de se recompor.
— Mas já? — Alfinetou Shun, de maneira a fazer gozação com o estado do namorado.
— O quarto do meu pai é aqui do lado. E se ele passar por aqui?
— Está resistindo pouco… — Um sorriso de pura provocação dançou nos lábios do virginiano, estava engraçado demais tirar Hyoga do sério desde que chegara e nem fazia tanto tempo assim.
— Mas claro, eu sou humano! E se meu pai visse?
— Não precisa ficar nervoso, koi. — Observando a face rubra do outro, prosseguiu — Não precisa ter vergonha. Ficar duro acontece.
— Certo, certo. Eu sei. Só que não… não é a primeira vez.
— Nem comigo, né, Oga? Tá bom, desculpe. Mas me beije, estava sentindo sua falta.
Mal começaram novamente a se beijar, com Shun deitado de lado na cama e o outro sentado no chão, apoiando os braços cruzados sobre o colchão, ouviram leves toques à porta e a claridade do corredor adentrou o quarto.
— Seu irmão está querendo ir embora, Shun. — Milo veio avisá-los e controlou-se para não atiçar Hyoga pelo flagrante: deixaria isso para mais tarde, quando não houvesse mais ninguém em casa.
Chegando à sala, os rapazes se despediram com mais um beijo rápido e foram os seis até o térreo, os anfitriões a acompanhar as visitas até a portaria. Despediram-se entre apertos de mãos e grandes sorrisos e gargalhadas, entre promessas de repetirem a dose outro dia, bem como elogios à comida e ao presente que os convidados haviam trazido.
Quando eles de fato já haviam ido embora, Hyoga disparou em ir correndo para o apartamento.
— Pra que a pressa? — Indagou o ruivo, praticamente adivinhando a resposta.
— Nada!!! - O jovem entrou correndo em casa, trancando-se dentro do banheiro que ficava ao lado de seu quarto.
-o-
Os dois homens sentaram-se no sofá e esticaram as pernas no centro, empurrando os pratos e copos sujos com os pés para o meio da pequena mesa. Kamus desabotoou a calça, enquanto Milo já tirava o cinto, jogando-o de lado.
— Estou cansado… — Disse Milo, se espreguiçando, dando uma pequena volta e estirando as pernas no sofá, colocando-as propositalmente por cima das coxas do francês.
— Folgado! — Reclamou o outro de brincadeira.
— Ah, Kamus, eu to morto, deixa eu descansar, vai?
O aquariano não disse nada, apenas pegou uma almofada e acomodou as pernas de seu amigo nela, apertando levemente os tornozelos dele sobre a calça.
— Hmmm… massagem… assim eu vou acabar dormindo. — Falou e virou-se um pouco de lado, acomodando-se melhor no sofá.
— Você dirigiu muito, hoje.
O grego já estava quase começando a cochilar, quando sentiu o outro massagear-lhe as pernas, as mãos subindo por sob a calça, continuando a massagem.
— Isso faz cócegas. — Referiu-se o escorpiano ao fato de Kamus arranhá-lo com as unhas compridas.
— Mi... o que você vai fazer agora, já que você tem certeza que seu ruivo está comprometido?
— Eu já vinha me perguntando isso.
— E então?
— Eu pensei que posso comprar uma luneta e observar os dois transando no quarto de Mime.
— Eu estou falando sério! — Deu um pequeno beliscão na panturrilha do outro, o qual se encolheu levemente.
— Bem, num primeiro instante eu tive medo, depois quis lutar por ele, mas agora eu vejo que ele está muito bem sem mim. Ele tem a própria vida e eu, o que tenho a oferecer?
— Muita coisa, sua besta. Você é inteligente, tem um futuro promissor e é bonito, Milo.
— Sei. E o que mais? Hmmm... Massagem nos pés eno meu ego. — Comentou, mas sem encarar o outro. Tentava arranjar uma maneira de fugir do assunto, mas aquele carinho e cuidado que o francês sempre dispensava a si eram viciantes.
— Mime é nosso vizinho, você poderia muito bem a qualquer dia ter se encontrado "casualmente" e terem começado a conversar. Poderia ao menos saber o que teria acontecido entre vocês dois.
— …
— Milo, fale para mim, agora, nesse instante, o que você gostaria de fazer.
— …
— Eu posso esperar a noite inteira.
— …
— Diga: eu sou seu amigo, quero te ajudar.
— …
— Você vai lutar por ele?
— …
— Vai tentar ficar com outra pessoa?
— …
— Milo?
— Não me enche, porra! — Nesse meio tempo, o grego levantara-se irado, sumindo das vistas de Kamus.
Continua…
(1) Vi num site que essa é a temperatura média do inverno grego. No verão, o clima pode chegar aos 30 graus, nem é tão quente assim XD (Particularmente eu quero distância de qualquer lugar que a temperatura chegue a menos de 20 graus o.o').
(2) Só a título de curiosidade, pois a lei inglesa proíbe que crianças de até quatorze anos fiquem sozinhas em casa, acarretando algumas sanções aos pais caso seja desobedecida. Mas aí na Grécia não vai ter esse nível de exigência não XD
(3) De fato, as mulheres têm mais áreas no cérebro aptas a captar as coisas "implícitas". Há uma série de explicações, mas eu não vou encher o saco de vocês com isso…
(4) Eu tenho uma irmã adolescente. Precisa dizer mais alguma coisa? -.-
Notas da Autora:
Primeiramente: olá ! \o/
Como estão vocês? Da minha parte estava morrendo de saudades! E estou quase tendo um ataque de felicidade em poder postar um novo capítulo!
Vou ser bem breve nesses comentários, agradecendo às minhas duas betas que se esforçaram para revisar a história. Per e Illy, muito obrigada! Ainda mais porque eu sei que dessa vez dei trabalho às duas e do jeito que eu estou cansada é capaz de ter passado por cima de alguma das revisões que vocês fizeram TToTT
Ah, sim, essa é apenas a primeira parte do capítulo. u.u Graças a Chibi, ou culpa dela, por uma idéia que ela me deu e aos comentários que eu vim recebendo ao longo dos meses, tive gás para escrever mesmo com meu PC dando pau a cada cinco minutos e o Word com problema e adivinhem só: a fic aumentou XD (vão ter que me agüentar por mais algum tempo hohohohoho)
Beijos!
Ilía # mortalmente exausta na vida real #
PS: Quem quer me matar por causa do lemon? XD
