Antítese: figura de linguagem - por que eu ainda escrevo assim...? - que consiste na oposição de palavras opostas. Ex: Amo você, noite e dia.

Eu costumava discutir com Petúnia – quando,sabe, eu ainda não era uma filha revoltada e rebelde – sobre o nosso príncipe encantado. O dela viria em um cavalo branco e o meu em um roxo, e os dois chegariam juntos e nos mostrariam castelos gigantescos e milhares de serviçais para se curvarem e estenderem o tapete vermelho.

Toda criança tem seu senso de grandeza.

E, no nosso, nossos príncipes fariam tudo o que a gente queria, desde cortar espinhos – como o da Aurora, a princesa favorita da Petúnia – até a salvar uma garota ruiva – eu, dãã, como se fosse a Ariel – de uma vida presa no mar até comprar jóias preciosas e coroas incrustadas de ouro. Eles também fariam poesias e serenatas e declarações para quem quisesse ouvir, e nunca, nunca mesmo, discutiriam com a gente.

Claro, essa visão foi embora quando eu tive minha primeira desilusão amorosa, aos dez anos, e desapareceu de vez aos quinze, quando eu já sabia que príncipes encantados não existiam e que, mesmo que eu tivesse vindo para um mundo no qual esses viviam nos contos que eu conhecia, eu poderia esperar mais que a Bela Adormecida que não chegaria nem uma mosca.

Antes de começar a namorar James.

Ele não veio em nenhum cavalo roxo – graças a Merlin – e nem cortou espinhos – embora, uma vez, tenha se cortado ao pegar uma rosa para mim - para me salvar. Também não me comprou jóias e nem fez a menor menção de querer, ao menos, me coroar, e sua frase mais poética para mim foi uma comparação sobre o tom das folhas do outono e como meu cabelo ficaria quando eu fosse velha. E nós discutíamos – nossa primeira discussão foi no último final de semana do outono, quando discordamos sobre as estações e eu estava de TPM – mas sempre entrávamos num acordo e nos reconciliávamos com beijos, sussurros e carinho.

Ele era melhor que meu príncipe de quando criança. E, às vezes, eu queria dizer isso a ele; quase o fiz no nosso primeiro mês de namoro – muito gentilmente chamado de 'grude' por Sirius – mas descobri que quem falava tudo que tinha vontade ficava por parte dele na relação e calei minha boca, aceitando com um sorriso e olhos maravilhados o ursinho encantado que ele me dera.

E ele nem fizera menção por eu não ter dado um presente a ele simplesmente porque achei que ele não ligava para isso e porque não queria ficar com cara de boba e as bochechas vermelhas de vergonha quando ele olhasse com curiosidade e perguntasse 'Para quê isso?'

Me dei mal nessa, meu instinto não funcionou. Mas James parecia mesmo fazer isso comigo; às vezes, eu me perdia total do que achava ser e me via fazendo coisas completamente adversas, cujas palavras eram mais que contrárias no dicionário.

Meu príncipe de criança não fazia isso.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Esse inverno está quente".

Frase de papai no ano de 1968. Era um dia bonito, com o sol brilhante no céu azul sem nuvem alguma e com o ar se enchendo de canções natalícias.

Mas isso não foi o mais importante a ser descrito. Mais importante que os menininhos e as menininhas andando de trenó, mas importante que os cachorrinhos brincando na neve e que um monte de gente brincando de guerra de bola de neve e fazendo bonecos do mesmo material, era que o dia estava frio.

Frio.

"Papai" chamei eu, no auge da minha recaída da época do 'por quê?' "Você está errado".

É óbvio que a cara dele foi de 'Ahn?'

"O inverno é a estação fria, papai. Eu li isso no informe cultural do Profeta" eu devia estar insuportável depois que passei a ler algo mais consistente que 'Duendes Trapalhões' e 'Campeonatos de vassouras', minhas duas historinhas infantis preferidas. "Foi por isso que a tia Vanessa me deu suéteres de novo, não foi?"

Ele riu alto, eu lembro. Riu alto da minha infelicidade em receber a mesma droga de suéter toda vez que encontrava com a tia Vanessa, riu alto da minha sensação de frio e riu alto da minha curiosidade infantil.

"Não, meu filho. O que eu quis dizer foi que..."

E seguiu-se uma explicação chata e pesada sobre contexto, sobre idéias, sobre situações e sobre antíteses.

Eu entendi o que ele quis dizer. Juro que entendi – nos limites da compreensão, claro. É complicado entender algo que é contrário a todas as leis do universo e por aí vai – mas, na hora, posso apostar que fiz uma expressão cética e voltei a brincar, despreocupado, como se palavras opostas não tivessem lógica e nunca fossem usadas no cotidiano.

E, no meu, não era. Eu era claro, objetivo, e totalmente certo das minhas palavras, nenhuma encontrado outra com significado totalmente oposto.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

E James, por causa disso – de me fazer sentir coisas totalmente estranhas – era assunto constante de discussão entre minhas amigas; Marlene tinha uma opinião desinteressada, como tudo nela, e dizia algo do tipo 'Ah, eu li na revista dela' – e aponta o dedo acusadoramente para mim – 'Isso é paixão, passa'; Alice acreditava que era porque nossos destinos se cruzavam lá no céu e que, por ele ser o homem da minha vida, com o qual eu me casaria e teria filhos, eu deveria me sentir mesmo no melhor momento do mundo; e Mary, minha boa e velha Mary, dizia simplesmente que era porque nós dois éramos fofos juntos e que poderíamos estar assim.

Às vezes, eu me perguntava se os amigos de James faziam a mesma coisa. Eu tinha a impressão que não – Remus era calmo e respeitador demais para sair falando de mim por aí, e Sirius fazia com James o par de amigos do tipo 'Vamos parecer que não nos importamos muito e ficar só nas brincadeiras com entrelinhas que deixem nossa amizade em alto (não, eles não admitiam isso. Mas eu tenho certeza que estou certa) – mas, assim que pensava nisso, tinha certeza que não me importava muito.

Eu estava começando a gostar dos garotos, até mesmo de Sirius. E começava a acreditar que eles eram até mesmo divertidos e sinceros e espontâneos como James era.

Mas precisava perguntar.

Por isso, enquanto cortava as raízes de mandrágoras para fazer uma poção qualquer, endireitei meu corpo no banco para chegar um pouco mais para perto de James. Não olhei pra ele, mas senti que seu olhar se levantava divertidamente do livro para mim e que sua sobrancelha se arqueava em diversão e interesse.

"Aposto que não quer mais raízes"

Eu tive que soltar um risinho.

"Apostou certo" respondi, sorrindo, terminando de cortar. Nesse segundo, James murmurou duas palavrinhas a meio caminho de tirar a varinha das vestes, a água começando a ferver no caldeirão "É sobre... amigos"

"Amigos?" ele me perguntou, repetindo a palavra com um tom curioso. Pegava algumas das raízes e colocava na água fervendo, mas seus olhos se voltaram para mim enquanto elas ainda estavam no ar "Sirius, Remus, Peter, Frank, De..."

"Não necessariamente" eu interrompi, pegando o livro para mim agora. Conversávamos em sussurros, e nem alguém que estivesse na mesma mesa que a gente entenderia nossas palavras, mas eu estava com medo de qualquer pessoa entender que não falávamos da matéria "Sirius é seu melhor amigo, não é?"

Ele pendeu a cabeça.

"Eu tava me perguntando se ele gosta de mim"

"Pads?"

Eu ainda não conseguira entender o porquê desses apelidos, mas fiz que sim "É"

"Por quê?"

Eu dei de ombros "Mary me falou que gosta de você"

Ele sorriu.

"E, como você e ela são pessoas totalmente diferentes, e eu e Sirius também somos pessoas totalmente diferentes, eu me perguntei se isso é só uma questão de meninas que favorecem o namoro das amigas ou se todos os seres humanos são assim por natureza"

Dessa vez, James riu. Quase alto, o que fez com que Slughorn, que estava concentrado lendo uma nova teoria sobre uma poção que poderia prevenir as maiores dores da maldição Cruciatus, olhasse para a gente.

"Eu estava pensando, professor..." James começou, sempre com o raciocínio rápido "Como Lily não pára de reclamar que nós, homens, não prestamos para cortar mandrágoras e nem fazer essas coisinhas mais... como foi a palavra que você usou, ruiva?"

Eu não tinha um raciocínio tão rápido quanto o dele.

"Acho que foi 'artesanais'"

"Isso. Artesanais" ele concordou, voltando a olhar para Slughorn. O professor tinha uma expressão divertida e curiosa no rosto com se nós dois fôssemos um espetáculo de circo "Aí, ela fez um comentário sobre eu ter começado a fazer as poções com ela simplesmente porque ela sabe cortar mais direitinho as plantas e todo o resto"

Slughorn riu.

"Eu sinto muita falta de Marlene nessas horas, professor".

E riu mais um pouco.

"Por isso, eu tava pensando..." James continuou, parando a fervura da água quando a última raiz de desfez. Olhou para mim com um falso olhar de vitória que, de novo, fez o professor rir "Seria justo se fizéssemos o trabalho em grupos de quatro, com duas meninas e dois meninos. Podemos nos juntar a Sirius e Marlene?"

Eu esperava tudo, desde uma resposta criativa à Slughorn ou a uma saída meio esperta – o que ele preferia fazer agora, já que era monitor chefe, namorava a monitora chefe e, quase sempre, essa estava metida em algumas das suas traquinagens – mas não esperava que ele quisesse que Sirius e eu trabalhávamos juntos. Nada contra, na realidade – Sirius parecia mesmo ser um garoto legal apesar do problema em contar quantos corações ele conseguia despedaçar por dia – mas tudo a favor da surpresa por ele ser tão displicentemente interessado no que eu pensava.

Soltei um sorriso quase imperceptível quando Sirius soltou alguma ironia sobre feminismo antes de, magicamente, trazer a poção que ele fazia com Marlene para junto da nossa.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

"Ele é divertido"

Eu sorri para Lily, terminando de arrumar os ingredientes da poção – sim, nós quatro recebemos um 10 – enquanto ela terminava de arrumar as coisas dela na mochila.

"Marlene também"

Ela riu, enfiando a mão no pote com água gelada para tacá-la em meu rosto.

"Você a conhece desde sempre, bobo" disse, pegando o pote. Por um segundo, eu pensei que ela fosse tacar tudo em cima de mim, mas ela só a levou até a pia do canto para despejar a água "Eu lembro dela me falando, lá no quarto ano, que você era uma gracinha quando pequeno"

Eu ri, terminando com magia a limpeza do caldeirão. Lily sempre preferia fazer as coisas à lá trouxa, mas eu ainda era a favor da praticidade de 'uma palavra e tudo está limpo'.

"Ela costumava passar os Natais lá em casa, mas parou um pouco quando a guerra começou" respondi, mesmo tendo certeza que ela já sabia. Marlene, no quinto ano, quando nós dois saímos para Hogsmeade clandestinamente, me dissera que contara a Lily que não ia para lá esse ano por causa dos pais "Mas acho que minha mãe conseguiu convencer senhor e senhora MacKinnon a passarem lá em casa de novo. Exatamente o que me faz pensar..."

Ela se virou para mim, curiosa, pegando a bolsa e colocando-a no ombro sem desviar o olhar, esperando.

"Eu queria que você fosse lá para casa também"

Eu a vi piscar.

"No Natal?"

"Uhum"

"Do dia 25?"

"De preferência"

Ela fez biquinho ao meu tom divertido.

"Já que não temos outro" ela cedeu, com um movimento de ombro endireitando a mochila "Natal, quer dizer"

Eu sorri e fiz que sim, pegando sua mão para sairmos da sala. Éramos, como sempre, os últimos a sair da sala de Poções – mas, dessa vez, tínhamos uma obrigação com Mcgonagall que nos impedia de utilizá-la para fins mais libidinosos.

Era uma pena, porque eu adorava deixá-la acordada quando ela tinha essa carinha de sono.

"Eu gostaria que você fosse" disse, virando no corredor que nos levava à sala de Transfiguração, onde Mcgonagall esperava com sua turminha de doze anos "E que não pensasse que estou te convidando só porque Marlene deve ir"

Ela riu alto, beliscando meu braço em repreensão.

"Eu posso pensar no seu caso, bobo" respondeu, beliscando-me mais uma vez "Tenho que falar com papai e com mamãe, mas vou fazer um esforcinho para ouvir sua mãe me contando sobre suas vergonhas de infância"

Foi a minha vez de beliscar sua cintura em falsa repreensão.

"Você deveria ir porque passar duas semanas sem mim seria demais" disse, soltando sua mão e andando na frente dela. Lily levantou o olhar cansado para mim e o estreitou divertida e interessadamente, tocando minha cintura com as duas mãos para me guiar "E você odiaria ver Siara cansada de ter que entregar tantas cartas que escreveríamos um para o outro"

"E você odiaria não ver Snowie"

"Eu odiaria não ver a dona de Snowie"

Ela me mandou a língua, mas não retrucou. Virou meu corpo e bateu à porta que, magicamente, se abriu e revelou a sala cheia de criancinhas e com um gato – Mcgonagall, claro – em cima da mesa.

"Qual o relatório chato da semana?"

Lily apertou minha mão em represália, os alunos soltaram risinhos abafados e as meninas começaram a cochichar enquanto eu recebia o olhar mais severamente feio que um gato poderia destinar a um ser humano.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Todos os anos, eu reclamava de alguma coisa.

Aos cinco, de não poder ficar mais do lado de fora depois que anoitecesse. Aos onze, da proibição de andar livremente pelo castelo – descobriria seis anos depois que as regras não devem ser seguidas à risca – e, aos treze, de como os meninos pareciam mais preocupados em conseguir beijar uma garota para que a mão pudesse dar uma passeada básica pelos botões recém abertos do uniforme. No quinto ano daqui de Hogwarts eu comecei a reclamar do volume de dever que a gente recebia – e Marlene assinava embaixo. Quer dizer, se eu, a organizada, me embolava toda, imagina o resto da população? – mas, no começo desse, aprendi a não reclamar de nada.

Era fácil demais ser simplesmente uma estudante. Difícil era ser estudante, ser do último ano, da monitoria chefe e ter milhares de relatórios para fazer.

Mas eu não reclamava disso. E não porque minha experiência dizia isso, mas sim porque James me ajudava em tudo o que eu fazia e era um supernamorado e, além disso, um superamigo. Me tirava dos relatórios quando eu já estava cansada de escrever, sorria aos meus comentários neuróticos sobre tempo e me tirava da sala e me levava para um passeio nos jardins, em uma de suas passagens secretas, Hogsmeade ou uma sala vazia. Me falava que dever de casa não era a coisa mais importante do mundo e me mostrava milhares de outras coisinhas muito mais divertidas que os efeitos poderosos de surdez da mandrágora – como ensinar Snowie a dar saltinhos e chantageá-la com chocolate bruxo para animais – e me acordava com Siara às seis da manhã para voarmos, quando eu pretendia usar o tempo antes do café para terminar o que eu tinha que fazer.

Às vezes, escapulíamos algumas aulas e ficávamos conversando na ponte principal do jardim sul, ou então nos demorávamos nas aulas e soltávamos olhares safados um para o outro antes de qualquer um de nós se apoiar na parede e começar a beijar o outro. Ou, ainda, usávamos o tempinho antes do jantar para dar uma volta no lago, tempo para conversarmos sobre nada e sobre tudo ao mesmo tempo.

James não era tudo, mas era muito do que eu tinha em Hogwarts nesse sétimo ano. E foi pensando nisso que eu, ontem à noite, peguei Siara emprestada e mandei uma carta para os meus pais, pedindo permissão para passar o Natal na casa do namorado que eles acabavam que descobrir que eu tinha.

Eu estava quase uma pilha de nervos.

"Mas Londres fica..."

"Lily, eu já falei que deve chegar amanhã de manhã!"

Marlene estava naqueles dias. Ou, talvez, simplesmente irritada porque era a quinta vez no café que eu perguntava sobre a velocidade média de corujas do Alasca.

"Namorados não servem só para beijar na boca e tirar a roupa, mas também para encher o saco quando se está nervosa. Será que você pode procurar o James, por favor...?

"Ele está na enfermaria"

"Dor de cabeça?"

"Marlene!"

Ela soltou um sorrisinho.

"Desculpe, é para te irritar" disse, comendo uma torrada "Mas o que ele tem?"

"Uns arranhões nos braços" eu respondei, dando de ombros. Perguntara a James como ele tinha conseguido, mas ele só me respondera que fora pegar doces com Sirius e que os dois tropeçaram um no outro enquanto fugiam "Vou para lá daqui a pouco"

"Enche o saco dele com isso"

"Não posso!" será que ela não me entendia? "É para ser surpresa. Sur-pre-sa, dãã"

"E por que você pegou a coruja dele?"

Eu soltei um sorriso quase satisfeito ao escutar a fala de Marlene. Eu esperava por isso desde ontem, só para ter o meio prazer de me vangloriar por ser uma pessoa muito inteligente.

"Eu pedi a ele e disse que era para mandar uma carta para perguntar o que eles gostariam de ganhar" eu tenho a plena noção de que sim, meu tom estava meio infantil. Mas eu passara quase uma hora na cama tentando decidir como conseguir Siara – eu não aceitaria outra – sem despertar uma suspeita um pouco maior em James "Disse que ia pedir a eles quando estivessem lá, porque eles são do tipo 'Não me acostumo de jeito nenhum com jeitos bruxos'"

Não que eles fossem desse tipo, sabe. Eram até meio 'open-minded' para a idade deles, mas eu tinha que, além de conseguir passar o Natal com meu namorado, criar a imagem de uma sogra meio chata com limpezas nos sofás e um pai completamente atemorizante.

Mas, até agora, não vi James com medo de alguma coisa.

"Vou lá ver como está meu bebê" eu me levantei e sorri em despedida para Marlene, a saudade de James já batendo "Provavelmente, ele está bem – dando graças a Deus que não vai ter que olhar para a cara de Binns – mas não custa nada dar um pouco de atenção"

Ela fez uma careta à palavra bebê – ela era contra romantismos, e eu sabia de sua opinião sobre James ter 1,84 de altura e músculos completamente definidos pelos treinos físicos do Quadribol e não ter nada a ver com um 'bebê' – e um sinal de descaso antes de acabar com seu suco de abóbora.

Eu quase abri minha boca para dizer que ia levar alguns presentinhos para ele.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Eu tinha certeza sobre muitas coisas. Muitas coisas mesmo, desde gostar incansavelmente de sorvete de chocolate até estar apaixonado por Lily.

Mas nunca teria certeza sobre minha condição de amor ou ódio à palavra 'ódio'.

Acho que sou um cara de extremos, quer dizer. Daqueles que falam 'ou isto ou aquilo', que são adeptos do maniqueísmo e que não aceitam ficar em cima do muro quando tem uma opinião sobre um assunto.

Era de se esperar que eu pudesse – e utilizasse – a palavra ódio.

Mas, recuperando os pensamentos dos livros de mamãe e as opiniões de Lily sobre como ultimamente o mundo cientifico vem comprovando a incapacidade do ser humano de ter o cérebro formado antes dos vinte e um anos, eu relutava um pouco antes de usar essa palavra. Quer dizer, eu odiava os apanhadores antes de ser um, e odiava também as folhas do outono antes de compará-las com a cor dos fios de Lily no frio.

Mas uma coisa eu podia dizer sem culpa alguma. Abertamente, a quem quisesse ouvir repetidas vezes se preciso; eu odiava – odiava – ficar na enfermaria em companhia de um copo com um liquido verde e gasoso e quente e fedorento que cura cortes.

Mesmo.

Quer dizer, eu poderia estar lá fora, treinando. Poderia estar no meu quarto, enrolando enquanto fingia fazer o dever de casa. Ou poderia estar em qualquer lugar com Lily, brincando com ela, beijando-a, conversando, rindo ou qualquer coisa mais que homens apaixonados gostem de fazer. E Sirius, na cama ao meu lado, foi bem contundente: 'Se quiser fazer isso tudo depois, fique com dor. Aposto o que você quiser que ela nem chega perto da sua boca se tomar esse treco daí'.

Fui totalmente obrigado a concordar com ele e, consequentemente, confundir a nossa estimada enfermeira com um braço que mais dói do que serve para alguma. Não que tenha sido ruim – ela, até agora, está dando o resto do remédio para as plantas e nem percebe que as flores murcham por causa disso – mas eu conseguia prever a detenção dada por Dumbledore ou por Mcgonagall. E também o riso de zombaria de Sirius, o olhar interessado de Peter, o sorriso muito mal escondido de Remus e a revirada de olhos de Lily.

Não que isso tudo importasse agora, porque era ela que eu via entrar pela porta da enfermaria. Estava linda com a roupa de inverno – mas não o inverno que acabara de dar o primeiro passo, mas o inverno que os siberianos tinham em janeiro – e com o rosto corado e o sorriso de excitação no rosto, a franja caindo por seus olhos brilhantes.

Como diria Marlene, é ridiculamente ridículo o modo como eu olho para ela.

"Nossa, James. Eu esperava te encontrar menos machucado" ela disse, inclinando-se para me dar um beijo no rosto. Lançara um olhar rápido para Sirius, que dormia, e falava baixo por causa disso "Caiu de quantos metros?"

Mas eu não respondi. Peguei meus óculos e, curioso, levantei o corpo e espichei o pescoço para ver o que ela tentava esconder com as mãos pequeninhas, piscando os olhos quando ela soltou um risinho e saiu parcialmente do meu alcance.

"Você não vai acreditar, James" ela disse, ainda com um quê meio risonho "E deve ficar orgulhoso de mim"

"Eu já me orgulho de você, ruiva"

Eu poderia jurar perante o cadafalso que aquilo dali em seu olhar era deleite puro.

"Por quê?"

"Por você ter o melhor namorado do mundo. Não é qualquer garota que consegue isso" brinquei, recebendo um beliscão de represália na cintura. Mas ela, de qualquer jeito, sorria, o olhar ainda brilhando mais que o normal "Acho que tenho um motivo mais que esse hoje"

Ela riu, ainda baixinho.

"Tem" concordou, a cabeça confirmando quase efusiva enquanto, finalmente, me mostrava parcialmente o embrulho "Dê parabéns para a minha primeira ida a Hogsmeade sem você"

Eu ri, alto, fazendo Sirius virar na cama. Não dei a mínima, entretanto; endireitei meu corpo até que pudesse lhe dar um selinho, voltando ao meu lugar para que ela pudesse me mostrar o que tinha comprado.

Eram os meus doces favoritos.

"E eu mereço, tipo assim, milhares de agradecimentos – e você pode me dar na forma de beijos que eu não me importo nem um pouco – por ter saído nesse frio só para comprar chocolates para o meu namorado" ela parou de falar por um instante, deixando os chocolates na beirada da cama para me apertar divertidamente as bochechas. Eu sorri para ela e, de novo, me inclinei em sua direção, abrindo o sorriso quando ela desviou da minha boca para continuar falando "Me senti uma menininha que rouba no pote do biscoito antes da janta enquanto usa uma capa mágica"

Eu lhe mandei a língua, abrindo o primeiro pacotinho. Coloquei um chocolate na boca e, depois, apoiei a mão no colchão e cheguei um pouco para o lado, sentindo o gosto doce, literalmente, explodir na minha boca para liberar a parte crocante.

"Deita aqui comigo, ruiva"

"Já estou delinqüente demais para as nove horas da manhã"

Eu arqueei a sobrancelha.

"E onde está madame Pomfrey para olhar de esguelha para você, te mandar 'parar de namoricos e tomar logo esse remédio, menino'?

Soltei um sorrisinho e, com a ponta do indicador, apontei para a outra ala da enfermaria. Confusa pelo feitiço, madame Pomfrey contava as continhas de um cordão e cantarolava uma musiquinha que, daqui de longe, parecia russa.

"Você me colocou para baixo agora" Lily piscou, a cabeça pendendo para o lado e o olhar curioso "Confundiu a enfermeira enquanto eu estava feliz pela minha primeira escapada matinal"

De novo, eu ri alto. E, dessa vez, consegui um travesseiro na minha direção e uma virada de corpo por parte de Sirius, uma olhadela alegre da velha cantante e um sinal de silêncio vindo de Lily.

"Eu te coloco para cima de novo" disse, voltando a bater no colchão. Dessa vez, ela nem parou para pensar; com o lábio inferior mordido, subiu pela escadinha e, quando eu achava que ela ia se deitar ao meu lado e apoiar inocentemente a cabeça em meu ombro, ela colocou uma perna de cada lado da minha cintura e apoiou as mãos na minha barriga.

Era óbvio que eu ia provocar.

"Hmm, não achei que fosse adepta do 'médico/paciente'"

Ela riu, alto como eu havia feito primeiro.

"Achou errado, James" ela disse, estreitando os olhos. Inclinou o corpo e baixou o rosto até tocar minha boca com a sua, os olhos entreabertos na direção dos meus enquanto tirava meus óculos "Adoro cuidar de algumas pessoas"

"Preferia que fosse no singular"

"Mas médicos são geralmente fornecedores de más notícias" ela discordou, sorrindo de leve enquanto, pouco a pouco, se afastava "se está tudo bem com a sua saúde, aposte que, para mantê-la assim, vai ter que tomar o pior dos remédios"

Eu olhei para ela, sem querer acreditar muito que ela tirava uma das mãos de mim e começava a levá-la em direção ao remédio que eu deveria ter tomado.

Droga.

"Achei que fosse adepta de teorias alternativas. Daquelas em que tudo se resolve com uma massagem nos ombros – depois de, claro, tirar a blusa do paciente porque o contato pele com pele é a melhor das curas – e beijos, que depois desencadeiam em retiradas das roupas restantes até que eu te veja numa lingerie branca e sexy e..."

"... você pára qualquer ação porque sua cintura está arranhada e sua vértebra quebrada"

"Nunca duvide dos homens, ruiva"

Ela sorriu.

"Você sabe que deveria ter dito algo como 'Nunca duvide de mim quando se trata de você e eu numa possível cena de fantasia sexual', não sabe?" provocou, a sobrancelha arqueada e os lábios num sorriso mal contido "Vamos, um ou dois goles pela resposta mal dada"

Eu fiz uma careta, desviando do copo que ela aproximava da minha boca. Minha válvula de escape, entretanto, não era das melhores; o peso de Lily sobre meu corpo me impedia de mover muito, e qualquer movimento maior poderia colocar no chão nós dois.

E Lily era irredutível na maioria das coisas que fazia, então eu teria que partir para o lado emocional dela e contar um provável sentimento de pena e compaixão.

"Mas olha a aparência desse capo, ruiva" pedi, apontando para o copo "Você já viu uma coisa não feiamente verde? Parece até o vômito do Peter"

Ela tentou prender a risada.

"Por favor, ruiva'

"Quero que você fique melhor"

"Eu fico melhor comendo chocolate, ó" eu peguei mais um pouco dos doces, colocando um na boca. O gosto veio tão bom que eu sofri por antecipação por ter que substituí-lo por aquela gosma verde "Sinto os cortes fecharem"

"É?"

"É"

"Parece meu priminho de cinco anos, James"

"Você seria má com seu priminho?"

"Seria"

"Droga"

"Pois é"

"Ruiva..."

"Se eu tomar um gole, você toma outro?"

Eu soltei outra careta "Sou um namorado bonzinho demais para te sujeitar a isso"

"Sou uma namorada compreensiva demais para fazer isso por você"

Sorri.

"Se você, claro, me prometer que toma"

"Prometo"

Embora achasse que, se ela provasse um gole, não ia conseguir me deixar passar pelo mesmo martírio que ela.

"Deixa eu tampar seu nariz para te ajudar" eu disse, vendo pela sua expressão que ela achava que eu exagerava. Mas, mesmo assim, Lily me deixou segurar seu nariz entre o indicador e o dedo médio, ignorando minha careta enquanto levava, corajosamente, o copo à boca.

Ela, literalmente, cuspiu em cima de mim.

"Bom, agora realmente parece vômito, mas não o do Peter"

"Merlin, isso é horrível!"

"O que eu disse"

"Por que não me impediu de... desculpe" ela se interrompeu, soltando um sorrisinho quase envergonhado ao pegar a varinha e limpar meu braço "Deveria ter sido mais enfático"

Não respondi, embora tivesse milhares de respostas para isso – 'Mas eu sabia que você não ia mudar de opinião e estava a fim de poupar saliva' – e pudesse dizer todas com a certeza de que iria convencê-la. Ao invés disso, escolhi ficar calado e ajeitá-la em meu colo ao levar minhas mãos a sua cintura, endireitando a mim mesmo na cama para conseguir mover mais a parte de cima do corpo.

"Para você me desculpar, ruiva" murmurei, aproximando-me de sua boca. Ela até tentou sair do meu alcance – dizendo alguma coisa como 'Gosto horrível' – mas cedeu à pressão das minhas mãos e veio para o beijo.

Era impressionante o jeito como, da boca dela, qualquer gosto ruim ficava bom.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Sempre achei que fosse uma garota bastante independente, sabe? Daquelas que namorariam, mas que conseguiriam pensar em outra coisa sem ser o namorado e que fariam qualquer coisa sem precisar da presença deste para que fosse um momento feliz da vida – não que, sei lá, passar a tarde com as meninas fofocando fosse ruim, mas porque eu pensava muito nele enquanto fazia isso, e isso não tinha muito a ver com independência -, daqueles para entrar no diário que eu não tinha e ser contado futuramente para possíveis filhos.

Mas, bom, eu não era. Não exatamente, pelo menos, porque eu pensava em James em boa parte do que fazia. Em como seria bom dividir com ele aquele chocolate quente ou em como seria delicioso dormir ao lado dele enquanto ele me abraçava, quentinho, e tinha a respiração irregular perto do meu pescoço e da minha nuca. Em como seria ma-ra-vi-lho-so correr atrás dos baixinhos do primeiro ano na neve com ele e estender esse momento até o pôr-do-sol, quando entraríamos numa possível guerra e faríamos bonecos de neve que se casariam e teriam filhos.

Um desses devaneios sobre a neve – que ainda não caíra, mas que cairia em menos de três dias se meu nariz alérgico ao frio não estivesse enganado – me levou ao dia de Halloween, quando participamos daquela brincadeirinha de 'pegar-adivinhar-acertar-beijar'. Estava deitada na cama, naquele momento de transe entre o estar dormindo e estar acordada, quando pensei em como ele teria me beijado se resolvesse pegar o prêmio dele ali. E isso porque ele tinha vários beijos diferentes - um mais delicado e calmo, de cumprimento na frente dos outros (porque, sozinhos, a língua meio que entrava nessa); um divertido, com seu sorriso de canto, quando eu falava alguma coisa que o fazia querer sorrir; um para momentos fofos e especiais, mais lentinhos mas tão intensos quanto os de momentos não tão fofos, mas tão especiais quanto; e alguns surpresas, aqueles que eu achava que viria um e vinha outro completamente diferente.

Esse que ele me dava agora era um desses.

Quando eu achava que viria um beijo mais calmo, James me surpreendeu e pareceu esquecer que estávamos na enfermaria, com uma enfermeira ligeiramente perdida atrás de nós e um Sirius sonhando ao nosso lado. E eu também me surpreendi comigo mesma, que segurava a gola de seu pijama e apertava sua cintura entre as pernas enquanto ele alternava os toques de suas mãos entre minhas costas e minha nuca.

Eu não estava ligando muito para o lugar quase público. Não ligava quase nada, se levasse em consideração que me apoiei sobre meus joelhos e o deixei um pouco mais deitado, meu cabelo tocando seu pescoço e seus dedos alcançando minha cintura por debaixo da blusa.

"Você poderia ter tentado esse jeito antes, ruiva"

"Funcionaria?"

"E você pergunta?"

Eu sorri quando ele mordiscou meu lóbulo antes de escorregar os lábios para o meu pescoço e dali para o meu ombro. Fechei novamente os olhos quando ele abriu dois botões da minha blusa e mais nada – sei lá se era infelizmente ou não – e afastou a alça do meu soutien com os dentes antes de beijar a pele nua de meu ombro.

É claro que eu não contive um suspiro. E é claro que ele sorriu com isso e levantou o rosto para o meu, o olhar maroto nos olhos ao beijar meu queixo e, depois, minha boca, sem se separar muito dela.

"Provocante, ruiva" ele disse num murmúrio, os olhos se alternando entre os meus e a minha boca. o sorriso em seu rosto era aquele de canto, tão maroto quanto seu olhar, e o toque de suas mãos era firme em minha cintura "Demais"

Eu não respondi de imediato, mas cheguei a abrir a boca para fazê-lo até ser impedida por uma travesseirada na cara.

"... Tô tentando dormir, vocês dois"

Eu pisquei os olhos , descendo os ombros mas rindo contra sua boca quando ele xingou Sirius.

"Eu realmente devia ter te ouvido lá no quinto ano, quando me disse que ele era má companhia".

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Eu não dei nenhum dos meus chocolates de presente para Sirius.

Quer dizer, eu não teria dado antes. Nunca dividiria um presente da minha namorada – ainda mais se for chocolate, um vício conjunto nosso – nem com Dumbledore sob ameaça de expulsão, mas digamos que a travesseiro na cara tenha contribuído para minha decisão de deixá-lo com água na boca e resmungando como eu, na realidade, deveria estar infeliz por ela só ter aceitado ficar comigo agora.

Eu só respondi que, se eu perdi dois anos de chocolate, ele perdeu dois anos e um dia, porque continuava sem a menor chance de adquirir uma caixa inteira.

"Egoísta"

"Você não vai conseguir um chocolate assim"

"Altruísta"

"Você não vai conseguir um chocolate de jeito nenhum"

Ele bufou, o cenho emburrado por eu ter colocado um feitiço contra-conjuração na caixa para impedi-lo de usar a varinha.

"Eu sabia. O namoro acaba com as pessoas" ele resmungou, puxando a cortina 'para não olhar na cara do filho da puta namorador' e, tenho certeza, deitando e afundando o rosto no travesseiro para ter pesadelos com a falta de chocolate no corpo.

Eu diria que ele era extremamente hiperbólico não fosse eu achar o máximo ter uma namorada divertida e linda que me trazia chocolate por – claro, ela não sabia – burlar as leis do ministério, virar um bicho chifrudo e prevenir um lobisomem de atacar pessoinhas inocentes. Mais; era o máximo eu ter uma namorada que, além de me trazer chocolate, traz chocolate contrabandeado quando, antes, ela era tão contra quebra de leis e tudo o mais. E era o máximo também que...

Escuto bicadinhas na janela?

"Siara?" peguei minha varinha e abri a janela, estendendo o braço para que ela pousasse. Tinha, amarrado – e de um jeito de quem não sabe o que está fazendo – uma carta, e preso nas patas um embrulho rosinha que parecia meio frágil "Já de volta, garota?"

Ela pende a cabeça para o lado, deixando o presente cair no colchão, e se apoiou em uma das patas para que eu pegasse a outra. Eu não reconheci a letra, e até achei estranho que ela viesse grossa demais para uma pena, mas, mesmo assim, abri.

Curiosidade alta demais, você sabe. E essa curiosidade só aumentou quando eu vi o lugar para o remetente.

'Mamãe'

E como, definitivamente, a mão não era minha, eu abri um sorriso no escuro. Tirei o cobertor de cima de mim, peguei um pedaço de chocolate e coloquei em seu bico, deixei um crocante na mesa de Sirius e vesti minhas roupas, pegando a capa da invisibilidade e o mapa para sair pelo castelo em direção ao pontinho que era Lily.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoO

'Mulher não sente frio nem calor'.

Esse era o mantra de Petúnia em dezembro e julho, respectivamente, quando eu dizia que ela estava ridícula com aquele decote quando tinha um metro de neve do lado de fora. Não costumava falar muito sobre o uso de casacos porque ela era adepta do estilo 'quanto menos, melhor' – o que era alvo de piadinhas entre minhas amigas e eu quando especulávamos sobre o tamanho do Dursley –; por isso, acho que só colocava o calor ali para que a fala ficasse coerente.

Não que ficasse, porque ela tremia antes de chegar a cinco metros da porta e pegava um resfriado que a fazia ficar de cama e, consequentemente, jogar todas as tarefas de casa para cima de mim.

Ou poderia, simplesmente, ser uma forma de me fazer trabalhar enquanto ela recebia chocolate quente.

"Como você não pensou nisso antes, Lily...?" chutei um pouquinho de grama enquanto voltava ao castelo, o corpo abraçado de frio por causa de duas crianças estúpidas que resolveram brincar de 'vamos fazer uma iniciação no garoto imbecil?' e, no meio, tacarem a monitora boazinha que só queria ajudá-los no lago "Droga, ela sempre..."

"Não sabia que hipotermia gerava crises de autismo"

Eu quase pulei com o susto, mas sorri ao me virar e ver James atrás de mim. Ele terminava de tirar a capa e murmurava as palavras finais do mapa, os olhos esverdeados por detrás dos óculos só se desviando dos meus para tirar o casaco.

Meu namorado tinha um corpo e tanto.

"Acabei de descobrir os planos malévolos da minha irmã" respondi, minha cabeça pendendo para o lado "Mas eu quero saber o que você está fazendo aqui"

"Fazendo com que a minha namorada não morra de frio"

"Para isso, você poderia simplesmente me lembrar aquele feitiço do quarto ano e não se sacrificar em prol da minha vida e tudo o mais"

Ele riu.

"Não está tão frio, ruiva" disse, tirando a varinha das vestes. Murmurou duas palavras e, no final da segunda, minhas roupas voltaram ao peso normal e eu senti que o frio não estava abaixo dos cinqüenta graus negativos "Aceite o casaco, de qualquer jeito"

Eu não respondi, prendendo um sorriso e contando que o escuro não permitisse que ele visse qualquer sombra dele em mim. Fiz o que ele disse e, depois, passei os dedos rápido pelo meu cabelo, tentando ajeitá-los antes que ele completasse o caminho até mim.

O beijo dele veio delicioso, quente na noite fria. Em conjunto com o toque de suas mãos, o carinho de seus dedos e a presença de seu corpo contra o meu, me esquentou por completo, me fazendo esquecer totalmente sobre Petúnia e sobre o monitor que eu designaria para tomar conta dos corvinais.

"Sua mãe..." ele disse antes que a gente pudesse continuar, sorrindo antes de me dar dois beijinhos na boca "... te respondeu"

Eu, por um segundo, não entendi o que ele falava. Foi só depois de ligar seus sorriso maroto com o brilho divertido no olhar e com o movimento de mão que ia em direção ao bolso que eu entendi.

Ele sabia o tempo todo.

"E eu achando que meu plano era perfeito"

"Não nasci ontem"

"Era para ser surpresa"

"Agradável, pelo visto"

Eu arqueei a sobrancelha.

"Eu ia tentar de enganar e dizer que eu não abri nada, mas não resisti"

Eu baixei os olhos dele para a carta. Não tinha nenhum defeito nela, como se realmente não tivesse sido aberta, e vinha acompanhada de um embrulho rosinha que parecia um presente.

"É para você. Da sua mãe"

"Você abriu?"

"Não. Fiquei com medo de ser uma armadilha do seu pai – ele não parecia exatamente feliz segundo as palavras da caríssima Sra. Evans – e ser alguma coisa do tipo bomba de bosta ou..."

"James" eu interrompi, quase rindo "Meus pais são trouxas"

"Os do Farraday também, e mesmo assim ele recebeu um berrador semana passada"

"Eu também mandaria um berrador para o meu filho se ele tivesse dado de presente para Flitwick um par de pernas de pau"

"Mas essa idéia nem ao menos foi original"

"Não me conte como você sabe disso, por favor"

O sorriso dele foi displicente. O beijo leve nem tanto.

"E ela me convidou para passar o ano novo lá" ele disse, voltando a me abraçar. Eu deixei; coloquei a cabeça em seu ombro e beijei seu pescoço, minhas mãos apoiadas em suas costas "Minha namorada me convida?"

Eu sorri, deliciada, e beijei a linha de sua mandíbula "Meu namorado diz que sim?"

"Milhares de vezes"

Eu ri dessa vez, levantando o rosto para poder beijá-lo. Assim que senti sua boca na minha e senti seu beijo, puxei-o pela blusa até que pudesse apoiá-lo na parede de pedra do castelo e tê-lo apenas um pouco mais alto que eu.

O inverno estava incrivelmente quente.

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Bom, para quem leu Drinks antes de ver essa daqui, eu continuo matando aula, e a de Bilogia se aproxima e essa eu não posso perder. Então, vou ser ainda mais breve - perdão, perdão, perdão, mas o dever me chama ;D - e pedir para me perdoarem por erros ocasionais e possíveis faltas de separação de cenas.

Nathália - a Dani? Dani é uma amiga minha que encontrei por aqui *-*

Samantha - Obrigada *-*

Nathália - Está...? Que bom que gostou ;D

b.a - obrigada, more *-*

Meu único tempo restante vai ser usado para pedir por reviews XD Please?