Agradecimentos especiais: Cintia Ramos; Thatyanne; Lolitasss; Sofia-pt; FeePattinson; Naniinha; Bianquinha; Pam Andr ; Bruna. Pelos comentários lindos e estimulantes! Muito obrigado mesmo, são eles que me animam a escrever mais rápido!
Achei legal algumas dizerem que sempre desconfiaram do Jacob!
A música foi ideia da minha Beta Pamela, aliás as músicas dessa fic sempre são ideia dela...
Muitas novidades vindo para o próximo capitulo. Este capitulo de hoje eu escrevi correndo, pois estou sem tempo, então me desculpem por algumas falhas e também pela falta de detalhes, eu me esforcei muito para publicá-lo hoje!
Obrigado Pam pela betagem, sem vc essa fic não seria a mesma...
O0o0o0o0o0o0o0
Bella POV.
A regra para visitas à pacientes internados em unidade de terapia intensiva era que apenas duas pessoas poderiam entrar, para a minha sorte essas regras não se aplicavam a nós, que tínhamos o Jasper para nos encobrir. Desta forma, primeiro entrou a Esme e o Carlisle para visitar o Edward. Carlisle queria me dar a sua vez, disse que quinze minutos a mais ou a menos não faria diferença, mas eu achei justo que ele como pai entrasse primeiro e também tinha certeza que a Esme ia preferir o marido ao seu lado naquela hora.
Foram os quinze minutos mais longos da minha vida. Eu tentava não olhar para o relógio, mas o encarava a cada meio segundo. Eu dedilhava no apoio da cadeira em que estava sentada impaciente, até que a Alice voltou da cantina do hospital segurando um gigantesco copo de café.
- Desculpe-me, Bella, mas só tinha café adoçado. – Ela disse fazendo uma careta. Ela melhor do que ninguém sabia o quanto eu odiava café doce.
Estendi a mão para pegar o copo de café das mãos dela, talvez não estivesse tão doce assim! Minhas esperanças se dissiparam assim que minhas papilas gustativas entraram em contato com o liquido quente. O aroma era maravilhoso, mas o gosto doce misturado com o sabor do café torrado e moído me fez querer vomitar.
- Não desce! – Disse para a Alice enquanto forçava o liquido a descer pela minha garganta.
A Alice pegou o copo da minha mão e sentou-se ao meu lado, bebendo todo o café. A Alice era o contrário de mim, tudo que ela fosse beber tinha que ser extremamente doce. Ela adoçava o achocolatado em pó que já tinha açúcar em sua fórmula original! Quem nessa vida adoça o Toddy? Eu nem ao menos tomo achocolatados em pó!
-Olhe! – Escutei a Alice dizer ao meu lado. – Os Cullen.
Virei-me para a grande e tradicional porta branca de "vai e vem" e vi a Esme passando por ela agarrada ao Carlisle andando em nossa direção. Ela estava com o rosto afundado à lateral do corpo dele e ele tinha o seu braço ao redor dela, confortando-a. Meu coração perdeu uma batida. Atrás dos dois estava o Jasper com olhos tão vermelhos como duas bolas de fogo.
- Pode entrar agora se quiser, Bella. – Jasper me disse com a voz fraquinha. Como assim se eu quisesse? É óbvio que eu queria! Tudo o que eu mais queria naquele momento era ver o meu Edward.
- Vem comigo, Alice? – Eu pedi sabendo que precisaria de um apoio para sair da UTI caso a imagem fosse pior do que eu estava imaginado.
- Claro, Bella. – Ela me respondeu levantando-se. Vi quando ela jogou o copo descartável que segurava no lixo e então ela veio até mim e entrelaçou nossos braços.
Caminhamos por um longo e amplo corredor muito claro, com o Jasper nos guiando. As paredes e o chão eram extremamente brancos e as luzes mais pareciam faróis de xênon. O cheiro de éter no ar era nauseante.
Jasper parou em frente a uma porta idêntica a tantas outras que tinham naquele corredor, a diferença é que ela tinha um número único: 1225.
- Vocês não podem ir até o leito. – Jasper nos alertou. – Olhem apenas através do vidro. Vou tomar uma água e volto em quinze minutos. – Ele falou abatido antes de abrir a porta para nós e sair.
Respirei profundamente antes de dar o primeiro passo para dentro. Eu nunca havia entrado em uma UTI antes, nunca havia ao menos sido internada em um hospital. A Alice me ajudou a entrar, puxando o meu braço de leve e dando-me força. Quando eu finalmente entrei e olhei através do vidro eu tive que conter um grito alto e estridente de dor. Aquela cena foi direto para a terceira pior cena da minha vida, só perdia para o corpo inerte da minha mãe e do meu pai no caixão, e para o Edward caído em uma poça do seu próprio sangue.
Ele estava deitado inerte sobre uma maca levemente erguida. Acima da maca um aparelho marcava as batidas do seu coração. Havia tantos tubos saindo deste mesmo gigantesco aparelho que eu nem podia acreditar. Ele tinha tubos em suas narinas e um tubo incomodamente grosso na boca. Um furo havia sido feito em sua traqueia e ali havia outro tubo. Seu braço esquerdo estava descoberto e eu pude ver agulhas em sua mão, pulso e também na dobra do cotovelo. Eu tinha desaprendido como se fazia para respirar, meu pulmão ardia implorando por oxigênio, mas eu simplesmente não sabia mais como se fazia para puxar o ar para dentro deles. Sem pensar eu caminhei até a porta de vidro e levei a mão na maçaneta que abriu fácil.
- Bella, o Jasper disse para não entrar! – Ouvi a voz da Alice me alertando, mas eu não estava me importando, eu tinha que chegar mais perto.
Caminhei lentamente, sentindo o ardor nos meus pulmões se tornar insuportável a cada maldito passo. Quando eu finalmente cheguei até a cama eu fiz um movimento brusco com a cabeça para cima e então o ar entrou pelas minhas narinas como se fosse brasa, queimando-me por dentro.
De perto era ainda muito pior. O lençol que cobria o seu corpo estava levemente caído na altura do seu peito, ele estava sem camisa e eu pude ver os tubos mais largos que eu já pensei ser possível de se introduzir no corpo humano entrando pelas laterais da sua costela e intuitivamente eu deduzi que eles iam até os seus pulmões. Tremendo como nunca eu segurei na sua mão direita que estava pousada ao lado do seu corpo e a apertei levemente.
- Edward. – Eu sussurrei com a voz tremula. – Estou aqui, meu amor.
Foi como se eu não tivesse dito nada. Ele continuou inerte, com os olhos fechados e a boca aberta pelo tubo introduzido ali. Um desespero demasiado tomou conta de mim naquele momento. Eu quis gritar e chorar ao mesmo tempo. Eu senti vontade de tirar todos aqueles tubos que possivelmente estavam o machucando. Eu queria simplesmente voltar no tempo e tê-lo saudável na minha cama fazendo de mim a mulher mais feliz do mundo enquanto eu fazia dele um homem mais completo. Meus joelhos já não suportavam mais o peso do meu corpo e eu cedi, caindo de joelhos ao lado da maca com um baque violento. Vi minha mão deslizar da dele e o chão extremamente branco ficar gradativamente mais perto do meu rosto. E então eu não vi mais nada.
AlicePOV.
Céus! Eu estava olhando fixamente para o rosto do Edward e me lembrando da primeira vez que eu o vi. Ele estava de joelhos aos pés da Bella. Tão clichê. Naquele momento eu soube que ele seria a tábua de salvação dela, não tinha a menor possibilidade dela resistir àquele homem. Mas então, o destino cruel e impiedoso estava colocando novamente o poder de superação dela a prova e eu odiava ter que assistir a tudo isso, sentindo-me impotente e incapaz de fazer cessar a dor do seu coração. Bella é a minha melhor amiga e eu a amo como uma irmã, a dor dela é a minha dor e não havia uma forma de eu explicar esse sentimento. Eu ainda estava pensando em como o destino podia ser cruel com algumas pessoas quando eu a vi cair de joelhos e então tombar no chão, desmaiada. Dei um grito estridente, muito típico da minha pessoa, e abri a porta de vidro contrariando as orientações do meu namorado. Eu precisava acudi-la. Corri até ela e, antes que eu pudesse me ajoelhar ao seu lado, meus olhos percorreram o corpo do Edward. Buracos com sangue pisado em volta. Tubos de alimentação. Sonda. Drenos. Me deu vontade de vomitar.
- Bella! Fale comigo, por favor, Bella. – Eu suplicava enquanto a colocava no meu colo.
Ela estava desfalecida, em sua testa gotas de suor deixavam evidente que a visão do Edward tão debilitado havia sido demais para ela. Eu estava considerando a ideia de levantá-la e arrastá-la para a emergência, ou deixa-la ali e correr atrás de ajuda quando – graças a Deus – O Jasper entrou na UTI.
- Droga, Alice! Pedi para vocês não entrarem. Já ouviu falar em infecção hospitalar? – Ele ralhou comigo antes de apertar um botão vermelho que estava pousado no travesseiro do Edward.
- Desculpe-me, mas a Bella quis entrar e depois desmaiou. – Eu disse fazendo um biquinho. Odiava quando ele aumentava a voz para mim – salvo quando estávamos entre quatro paredes!
Só naquele momento ele viu que a Bella havia desmaiado.
- Droga! – Ele praguejou novamente abaixando-se e pegando a Bella no colo. Juro que fiquei impressionada com a força física dele. A Bella era leve, mas levantá-la desacordada do chão não era uma tarefa fácil.
Três enfermeiras entraram correndo no quarto do Edward – Botão vermelho eficiente! - pensei.
- Esterilizem a UTI. – Jasper ordenou antes de sair com a Bella no colo. Ele a conduziu até um quarto da ala de recuperação do hospital e a deitou em uma maca, depois cuidadosamente segurou o seu pulso contando as suas batidas cardíacas.
- Ela vai ficar bem. – Ele me acalmou. Olhei atentamente meu homem trabalhar e sorri minimamente quando o vi pegando um tubo de 500ml de soro fisiológico, mangueiras e agulha. Depois de alguns minutos a Bella estava tomando soro nas veias e estava coberta.
- Vou avisar os outros. – Ele disse saindo da sala sem ao menos olhar-me nos olhos. Eu não estava chateada, sabia que ele estava sofrendo mais do que eu era capaz de compreender, já que o máximo de doente que o Emmett ficou foi resfriado.
Puxei uma cadeira e me sentei ao lado da minha pálida amiga, grata por seu cérebro ter se desligado automaticamente. Só assim mesmo para ela descansar.
O0o0o0o
Bella POV.
Acordei sentindo um gosto amargo na boca. Não amargo do tipo bom, como meu café. Mas amargo do tipo remédio amargo! Abri meus olhos e a claridade me cegou, por alguns instantes eu me senti completamente perdida. Eu não sabia onde eu estava e o porquê eu não estava deitada devidamente na minha cama macia. Porém, poucos segundos foram necessários para que a realidade invadisse minha mente sem piedade. O Jacob, os tiros, o Edward na UTI... Levei minha mão na cabeça que latejava nas têmporas. Não foi a merda de um pesadelo afinal.
- Bella, como está se sentindo? – Ouvi o ressoar da voz da Alice ao meu lado.
- Bem, na medida do possível! – respondi com sinceridade permitindo-me olhar para a minha amiga com atenção. Seu rosto estava abatido e havia olheiras marrons abaixo de seus olhos. Perguntei-me se ela já havia se olhado no espelho, justo ela que sempre que perdia uma noite de sono na balada dormia o outro dia inteiro apenas para que seu rosto não marcasse. – Que horas são? – perguntei olhando para a janela bem escondida atrás de uma persiana.
- Oito e quinze. – Ela me respondeu olhando para o seu pequeno relógio de pulso.
- Oito ou Vinte? – Perguntei confusa.
- Oito! – Ela enfatizou levantando a sobrancelha. Eu tinha passado a noite toda desacordada e ela possivelmente havia ficado ao meu lado, já que ela vestia a mesma roupa do dia anterior.
Sentei-me na maca na intenção de descer quando uma pontada incômoda fez minha cabeça girar para que eu pudesse olhar meu braço. Havia uma agulha enfiada na minha veia e um grande tubo de soro pingando mangueira abaixo.
- Isso era realmente necessário? – Disse com um rolar de olhos.
- Jasper. – Alice disse simplesmente.
Fiquei sentada ali até que uma enfermeira veio me trazer o café da manhã. Suco de laranja, um pedaço de mamão e algumas bolachas recheadas embaladas uma a uma. A visão de sucos e frutas no café da manhã me fez lembrar do Edward e da sua fixação para que eu me alimentasse melhor durante a manhã. Foi por ele que eu me obriguei a comer o mamão e beber o suco. Eu estava realmente sem a mínima fome.
Jasper parou na porta do meu quarto e colocou suas mãos nos grandes bolsos frontais do seu jaleco enquanto encostava-se a batente.
- Se um dia eu fosse até o instituto e você me dissesse para não fazer algo, eu a respeitaria. – Ele disse sem emoção.
Baixei minha cabeça envergonhada.
- Desculpe-me. – Eu disse sentindo o meu rosto corar.
- O que a fez pensar que aguentaria ver aquilo tão de perto? – Ele perguntou levantando a sobrancelha esquerda para mim.
- Bem. Eu trabalho com cadáveres. Já vi tudo quanto foi coisa repugnante. Cortes, perfurações, massa cefálica fora do crânio, barrigada para fora, membros decepados. Mas nada se compara! – Assumi tristemente.
- Eu vejo também e simplesmente não consigo chegar perto. – Ele disse fracassado. – Está melhor?
- Ficarei bem, quando essa intravenal sair daqui. – Disse olhando para a agulha enfiada em minha veia. Acho que eu vi o seu lábio se curvar minimamente em um sorriso.
Ele caminhou até mim e retirou o soro do meu braço fazendo-me sorrir aliviada.
- Hoje a noite, nada de passar pela porta de vidro!
- Eu juro. – Disse fazendo uma cruz com os dedos beijando-a de ambos os lados.
O0o0o0
Edward ficou na UTI por sete dias e eu tive a pior experiência da minha vida quando o assunto era viver, porque eu simplesmente não sabia como fazer isso sem o Edward. Amanhecia e nem por ele conseguia me alimentar. Eu tomava banho apenas por compaixão as pessoas que trabalhavam ao meu lado! No instituto evitavam passar serviço para mim e também para o Carlisle, às 18:00H em ponto eu estava na frente daquela maldita porta "vai e vem" esperando a minha vez de entrar para olhar para o Edward por quinze minutos. Então eu voltava para casa e sentava no sofá, sem ligar a televisão ou pegar um livro. Eu simplesmente ficava lá sentada, sem sentir um pingo de sono, até que amanhecia outra vez.
Na terceira noite eu deitei na minha cama, puxei meu edredom, apaguei a luz e fechei os olhos. Eu queria dormir, meu corpo precisava, mas eu simplesmente não tinha sono. Algo acontecia com a minha capacidade de dormir quando eu estava sobre um nível alto de stress. O Edward e o Jasper já haviam me falado que a insônia não era uma doença, era apenas o reflexo, o efeito colateral de alguma doença por si só, e eu sabia que a insistência do Edward para que eu fizesse terapia era para descobrir qual era essa doença exatamente. Eu queria dormir. Dormindo não haveria mais dor e talvez eu visse a minha mãe novamente... Talvez o Jasper me desse algum remédio para dormir.
- Por favor, Jasper!– Eu implorava para ele na sua sala no hospital na quinta noite do Edward na UTI. A quarta noite que eu passava em claro.
- Nem fo-den-do! – Ele me respondeu exasperado depois do meu décimo "por favor, Jasper". Não vou te dar outra porcaria daquelas Bella, já fui negligente o bastante lhe dando uma vez. Tente tomar menos café. – Ele disse olhando para o copo em minhas mãos. – Se alimente melhor com muitas frutas e verduras e, se quiser, posso te passar a receita de um chá de alface que é ótimo para insônia.
- Chá de alface? – Disse cética. – Enfia no teu...
Ele sorriu. Não uma risada tipicamente "Cullen", mas um mínimo sorriso que mostrou um pedacinho dos seus dentes.
- Olha a malcriação! – Ele brigou comigo como se eu tivesse três anos.
- Olha quem fala! – O respondi revirando os olhos, agindo realmente como uma criança.
- Assunto encerrado! – Ele disse levantando-se da sua cadeira. – Cinco para as 18:00H, você não vai ver o Edward?
Eu bufei vencida. Teria que passar mais uma noite em claro!
Naquela noite em especial eu vi os dedos da mão dele se mexendo e chorei como um bebê com o rosto colado no vidro. Ele não tinha mais o tubo em sua traqueia e nem o grosso tubo na boca. Sua melhora saltava aos olhos e me enchia de esperança e alegria.
No sexto dia após ele ter sido internado eu estava no Instituto, sentada na minha cadeira olhando para o monitor desligado do meu computador quando o meu celular tocou. Era o delegado de polícia da delegacia que o Edward trabalhava.
- Sra. Swa,n, te liguei para informar que não estamos medindo esforços para encontrar o Jacob Black e que não tardará até colocarmos as mãos nele. Sei que está sendo difícil, mas precisamos que nos dê o seu depoimento sobre aquele dia.
- Hoje? – Perguntei indiferente.
- Se puder vir, eu fico aqui te esperando. – Ele respondeu.
- Estarei ai em meia hora. – Respondi sem ânimo antes de desligar.
Eu realmente não estava pronta para depoimentos, mas eu queria muito que o Jacob fosse preso e pagasse pelo que ele fez. Filho da puta, maldito e inescrupuloso. Se o Edward nunca mais voltasse a andar... – eu tremi com essa possibilidade. – Eu mesma arrancaria as pernas daquele cachorro sarnento.
Parei em frente à delegacia e a nostalgia tomou conta de mim, apesar de ser apenas seis dias sem o Edward, fazer coisas que eu fazia para ele ou junto dele me causava dor. Encostei minha cabeça no volante e respirei fundo antes de sair. Quando eu passei em frente a recepção me intrigou o fato de ter uma senhora atrás do balcão. Onde estava a estagiária ninfomaníaca? Essa senhora me anunciou e em segundos o delegado veio me receber, ele me guiou até a sua sala e eu tive que passar em frente a sala do Edward. A porta estava trancada e não havia fresta de luz embaixo da porta.
Falei por mais de uma hora e o delegado apenas me olhou. Depois de me escutar e anotar muitas coisas em um caderno velho ele me encarou.
- Eu sinto muito, Sra. Swan. – Ele começou dizendo. – Enquanto não encontramos esse desgraçado eu te peço que ande sempre armada e que evite dormir sozinha.
- Como assim? – Perguntei confusa.
- O alvo do Jacob sempre foi você, Bella. Psicopatas não desistem assim tão facilmente. Não sei por que, mas tenho a impressão que ele está aqui, a espreita, aguardando a poeira abaixar para agir novamente.
Senti meu estômago convulsionar e a bile subir até a minha garganta só com a possibilidade de encontrar com o Jacob novamente. E não era apenas isso, quando o delegado disse que eu era o alvo do Jacob eu me senti extremamente culpada pelo que aconteceu com o Edward. Se eu não tivesse entrado na vida dele o Jacob não teria um ataque de fúria e o Edward ainda estaria bem.
- Tudo bem. – eu respondi ao delegado apenas porque ele me olhava confuso esperando uma resposta.
- Posso deixar dois dos meus homens de guarda na porta da sua casa... – Ele sugeriu interpretando o meu semblante como sendo medo.
- Não é necessário, doutor, mas agradeço mesmo assim. – Disse levantando-me ligeiramente tonta.- Ah! O que houve com a Tânia? – Lembrei-me de perguntar antes de sair.
- Simplesmente pediu transferência para outra delegacia. Disse que já havia terminado seu trabalho por aqui e que não tinha mais nada a oferecer.
Vadia. Nada me tirou da cabeça que o Edward em uma cadeira de rodas não interessava mais a ela. Ela foi atrás de outro homem.
Naquela noite o Edward não se moveu. O Jasper me disse que não é que ele piorou, ele simplesmente estava dormindo naquele momento. Eu passei quinze minutos olhando para as suas pernas numa esperança vã que elas se mexessem. Ao chegar em casa eu não estava mais aguentando o peso do meu corpo. Olhei-me no espelho depois de dias e a imagem refletida realmente me assustou. Havia grandes bolsas inchadas em baixo dos meus olhos e elas estavam arroxeadas em toda a sua volta, meus lábios secos e rachados estavam pálidos, assim como minha face. Eu tomei um banho quente e relaxante e coloquei meu pijama de flanela antes de deslizar para debaixo do edredom. Fiquei de olhos abertos por um tempo indeterminado até que finalmente eu adormeci. Eu não dormi uma noite inteira, acho que dormi por umas quatro horas, mas agradeci internamente por isso.
Acordei com o meu celular tocando, o que me assustou num primeiro momento. Olhei no visor e constatei ser o Jasper. Meu coração ansioso perdeu uma batida.
- Oi, Jasper. – Atendi prontamente.
- Oi, Bella. Eu te acordei? – Ele perguntou com um sorriso na voz.
- Na verdade sim.
- Eu sabia que você ia dormir sem precisar se drogar! – Ele disse arrogante. – Liguei para te informar que o Edward acordou e que está sendo transferido para um quarto e poderá receber visitas a partir das 19:00H.
- Você já falou com ele? – Perguntei com a voz engasgada pela emoção.
- Já. – Ele disse feliz. – Ele saiu do coma induzido ontem à noite e já está conversando.
- Ele já sabe?
- Sim. Mas eu não quero falar sobre isso pelo telefone.
- Que Deus o ilumine.- Eu disse sem pensar.
- Certamente o fará.
Assim que eu desliguei eu bufei para o telefone. "Que Deus o ilumine". Que tipo de coisa para se falar! Minha relação com "Deus" era agora uma relação de amor e ódio, eu o culpava pela minha dor e tinha ele como o único que podia me livrar dela!
Edward POV.
Assim que abri meus olhos senti um torpor me dominar. Era como se meu cérebro estivesse mergulhado em uma grande gelatina. Eu quis chamar por alguém, mas meus lábios não se mexiam. Eu tentei me lembrar dos últimos acontecimentos, mas meu cérebro não respondia aos meus comandos, eu estava exausto!
Fiquei olhando para o teto apenas ouvindo um bip irritante que eu nem conseguia distinguir de onde vinha até que gradativamente os meus sentidos foram voltando. Primeiro eu consegui mexer os dedos das minhas mãos, depois movimentei o meu braço e senti uma puta dor, respirar também doía. Eu tentei levantar o meu corpo na cama, mas os sentidos da minha perna ainda não tinham voltado, então eu permaneci naquela posição desconfortável. Eu me situei e percebi que eu estava em um hospital. Lentamente eu fui me lembrando dos tiros e então o ar me faltou. Bella!
Eu me lembrei de ter caído baleado antes de sentir outro tiro me atingindo, depois disso eu fui dominado pela dor e não me recordava de mais nada. E se o Jacob tivesse acertado a minha Bella? E se ela não teve a mesma sorte do que eu? Quanto tempo eu estava preso naquele quarto? Eu comecei a ficar impaciente e os malditos bipes aumentaram de frequência absurdamente, em segundos o meu quarto estava cheio de médicos e enfermeiras.
- Calma, Edward. Está tudo bem. – Escutei uma voz conhecida emergir do meio de tantos rostos desconhecidos. Era o meu irmão!
Ele parou ao lado da maca me olhando com a respiração acelerada, seus olhos estavam marejados, mas ele tinha um sorriso enorme nos lábios.
- Bella... – Foi tudo que eu consegui pronunciar naquele momento.
- Ela está ótima, Edward. – Ele me respondeu e eu suspirei profundamente de alívio e então gritei alto de dor, meus olhos lacrimejaram e eu enrolei meus dedos no lençol embaixo de mim até as juntas embranquecerem. Foi de longe a maior dor da minha vida. Maior do que a dor dos tiros.
- São os drenos. Já vou tirá-los de você. – Jasper disse respondendo a minha pergunta muda enquanto eu olhava horrorizado para ele. Ele deitou toda a maca e meu corpo ficou reto.
- Que tipo de drogas você me deu? Eu não sinto as minhas pernas. – Eu disse evitando respirar forte.
- As mais fortes! – Ele me respondeu sorrindo nervosamente. – Isso vai doer pra caralho e não há outra forma de eu fazer isso. – Ele disse me encarando. – Seja homem!
Eu sorri sem vontade.
- Quando eu pedir você puxa todo o ar que conseguir e prende a respiração, eu vou contar até três e puxar a mangueira, está bem?
Eu apenas acenei positivamente com a cabeça.
- Ótimo. – Ele disse pegando uma toalha branca da mão de uma das enfermeiras, colocando-a embaixo do lado direito da minha costela. Ele pousou uma mão espalmada no meu peito e colocou a outra no dreno. – Puxe o ar. – Ele mandou. Puxei todo o ar que consegui ignorando a dor absurda ao fazê-lo e o prendi estufando o peito. Ele então começou a contar. Um... Dois... Ele não contou o três. Simplesmente puxou a mangueira com um estralo alto e então a minha visão ficou turva. Eu ouvi um grito alto e só depois percebi que era o som da minha voz em agonia. Meu tronco inteiro convulsionava de dor, mas as minhas pernas continuavam inertes. Aquilo não estava certo. Quando a dor começou a cessar eu o senti espalmando a mão no meu peito novamente, desta vez do meu lado esquerdo.
- Não tem como largar essa porra dentro de mim? – perguntei agoniado.
Acho que eu ouvi o Jasper sorrir.
- Puxe o ar. – Ele ordenou e eu fiz tudo novamente. Só que desta vez ele puxou sem ao menos contar. Eu grunhi de dor e mordi meus lábios até sentir o gosto do sangue. Depois daquilo eu mudei completamente o meu padrão para dor. Ele também retirou a sonda do meu nariz, o que me deu um grande alivio. O observei retirar as agulhas do meu braço e sorri pensando que eu nunca havia o visto realmente trabalhando.
- Você é bom nesse negócio de ser médico! – Eu disse e me assustei com a minha própria voz rouca.
- Acho que sou mesmo! – Ele respondeu sorrindo minimamente.
- Há quanto tempo estou aqui? – Eu o questionei.
- Sete dias. – Ele disse enfático.
- Prenderam o Jacob?
- Ainda não.
- E a Bella está sozinha? – Eu disse sentindo o pânico me dominar novamente. Eu tentei levantar, mas eu estava deitado com o corpo reto e minhas pernas não respondiam ao meu comando.
- Ela sabe se cuidar, relaxe. – Ele me respondeu sereno enquanto começava a fazer curativos nos orifícios onde antes estavam as mangueiras que drenavam possivelmente água dos meus pulmões.
De repente uma ideia passou pela minha cabeça. E se eu não estivesse sentindo a minha perna não por causa dos remédios e sim por causa do tiro? Eu levei um tiro na coluna, o tiro poderia facilmente ter afetado a minha medula. Ah, Não! Aquilo não estava acontecendo comigo. Não. Não. Não.
- Jasper. Minhas pernas. Porque eu não as sinto?
A expressão de horror que o seu rosto assumiu assim que eu lhe fiz aquela pergunta me respondeu sem ele precisar colocar em palavras. Eu não sei ao certo o que eu pensei naquele instante, eu só sei que uma dor se alastrou no meu peito. Era a dor da perda. A dor de perder algo ou alguém que você ama muito. Eu não podia ficar paraplégico. Não na minha idade, eu nem tive a chance de pedir a Bella em casamento, eu nem tive a chance de ter uma filha com grandes olhos castanhos... Senti grossas e quentes lágrimas escorrerem pela minha face e em segundos eu estava chorando copiosamente. O Jasper sentou na maca ao meu lado e deitou seu corpo no meu peito abraçando-me, chorando tanto quanto eu.
- Não se desespere. – Ele pediu em meio ao choro. – Não é um quadro definitivo. Você vai fazer fisioterapia e irá voltar a andar.
Eu empurrei o seu corpo para olhar em seus olhos.
- Cem por cento de chance? – Eu o questionei esperançoso, mas então o seu olhar vacilou.
- Infelizmente não posso dizer. Como médico, não posso... Mas como seu irmão...
- Eu quero ficar sozinho. – Eu pedi.
Ele assentiu prontamente.
- Quer que eu levante a maca ou te sente? – Ele perguntou e eu me senti um completo incapaz. Aquilo doeu mais do que os drenos.
- Estou bem assim. – Menti fechando meus olhos.
Ouvi ele deixar a sala e senti quentes lágrimas escorrerem pelo lado da minha face. Eu queria sumir dali, ir me esconder nos braços da mulher que eu tanto amava, mas até isso soava ridículo para mim. Eu tinha cinquenta por cento de chance de nunca mais sentir o corpo dela colidindo forte contra o meu quando ela me via entrando na sua casa e corria para os meus braços se jogando com a certeza que eu a seguraria. Sorri lembrando-me que era sempre necessário que eu desse uns dois ou três passos para trás para que nós não caíssemos no chão. Talvez eu nunca mais desse passos.
Bella POV.
Eu sabia que o tempo estava passando como todos os dias. Segundos, minutos e horas. Mas a impressão que eu tinha era que o tempo estava tentando testar minha paciência, arrastando-se lentamente. Às 10:00H eu pensei na possibilidade de simplesmente ir para o hospital e ficar sentada lá até as 18:00H. Eu precisava abraçar o Edward e olhar nos seus olhos, sentir o perfume que emana unicamente da sua pele, eu necessitava da sensação que o seu toque me proporcionava.
Oito copos de café e cento e oitenta páginas de um livro sobre ossos cranianos depois, as 17:00H finalmente chegaram. Tranquei minha sala tentando fazer tudo no seu ritmo natural, mas a minha vontade era de sair correndo pelos corredores do instituto. Minha ansiedade estava a milhão.
O percurso até o hospital não ajudou em nada para conter a minha ansiedade, um acidente conseguiu congestionar ainda mais o trânsito já caótico de São Paulo. Cheguei ao hospital faltando cinco minutos para as 18:00H. Assim que eu cheguei à sala de espera do hospital eu visualizei o Carlisle e a Esme.
- Bella! – Esme exclamou como se estivesse me aguardando. – Hoje podemos entrar todos juntos, não há limite de pessoas para ficar no quarto. – Ele disse feliz.
- Se não se importa, eu prefiro ver ele sozinha. – Disse timidamente.
A compreensão iluminou o seu rosto quando ela deduziu que teríamos muito que conversar.
- Claro, querida, como achar melhor. – Ela disse movendo-se para a porta enquanto eu caminhava em direção aos bancos de espera.
Aquele banco nunca foi tão desconfortável. Baixei minha cabeça entre os meus joelhos e tentei fazer o meu coração voltar a bater compassado, minhas mãos suavam levemente e eu estava à beira de um ataque de pânico. Eu não sei quanto tempo eu tive que esperar até que senti um toque delicado em meus ombros, levantei minha cabeça e encontrei a Esme me olhando com um sorriso tímido nos lábios. Seu rosto estava lavado por lágrimas e seus olhos estavam ligeiramente inchados.
- Pode ir agora. – Ela disse sentando ao meu lado enquanto colocava em minhas mãos o cartão de visitas.
Peguei o cartão com as mãos tremulas, porém eu respirei fundo e me forcei a levantar e caminhar. Um segurança me parou na porta e olhou o meu cartão, depois disse: "Quarto 1902. Primeiro você vira a esquerda e depois a direita" Segui a sua orientação e parei a três metros da porta do quarto do Edward. A luz estava acessa e a televisão estava ligada. Céus, quantas batidas cardíacas por segundo são necessárias para levar um ser humano a ter um enfarto? Minhas pernas não respondiam ao meu comando e eu engoli em seco lutando para me libertar da ansiedade. Depois de respirar profundamente por três vezes e engolir a bile que subiu até a minha garganta eu consegui fazer as minhas pernas se moverem. Caminhei lentamente e parei de frente a porta aberta quando meus olhos o encontraram. Ele estava sentado de perfil para a porta, seus braços fortes ao lado do corpo e a cabeça abaixada. Ele não prestava atenção na televisão, tinha algo passando em sua mente, talvez por isso não tivesse percebido a minha presença.
Durante sete dias eu imaginei esse momento e eu sempre me repetia a mesma ladainha. "Nada de olhar de compaixão. Nada de choro. Nada de escândalos". Mas meus olhos marejaram assim que eu o visualizei e meu peito ardeu de vontade de correr e me atirar em cima dele. Ainda parada no meio da porta eu funguei alto fazendo com que ele levantasse a sua cabeça e se virasse na minha direção. O que eu vi acabou de me desmontar. Seus olhos estavam extremamente inchados e vermelhos e havia uma linha triste em seus lábios, porém, ao me ver, ele esboçou um sorriso que aqueceu o meu coração. O meu olhar marejado encontrou o dele e havia tanta intensidade ali que eu me senti presa, completamente hipnotizada e então toda a ansiedade havia sumido. Não havia mais mãos suando e tremendo. Meu coração havia assumido um novo ritmo, que apesar de não ser leve estava longe de me causar um mal estar.
Caminhei sustentando o seu olhar até chegar na cama que ele estava deitado, eu sorri ao verificar que não havia mais tubos em seu corpo e então levei minha mão até os seus cabelos bagunçados e lhe afaguei com ternura fazendo-o fechar os olhos ao meu toque.
- Como está se sentindo? – Perguntei receosa.
- Muito melhor agora. – Ele me respondeu enquanto eu sentava na beiradinha da cama, ao seu lado.
Eu inclinei meu corpo para frente e passei meus braços em torno do seu pescoço, abraçando-o delicadamente. Ele espalmou suas mãos nas minhas costas apertando-me ainda mais contra o seu corpo. A proximidade de nossos corpos foi como uma válvula de escape fazendo com que tudo que eu tinha sentido e guardado durante esses dias escorresse em lágrimas pelo meu rosto. Eu afundei meu rosto no seu pescoço e chorei de soluçar. Não era para eu fazer aquilo, ELE estava com problemas e eu, tecnicamente, seria a pessoa que o ajudaria e não a menininha que precisava ser consolada.
- Calma, meu amor. Já passou! – Ele disse baixinho enquanto acariciava as minhas costas.
Eu respirei profundamente e desencostei o meu corpo do dele apenas o suficiente para que meu rosto ficasse a centímetros do seu. Ele tirou a mão direita das minhas costas e limpou as lágrimas do meu rosto. Mordi a parte inferior dos lábios com o seu gesto e senti minhas bochechas corarem.
- Porque está envergonhada? – Ele me questionou confuso.
- Era para eu te consolar, não o contrário. – Assumi tímida.
- É bom saber que ainda há algo que eu posso fazer por você, Bella. – Ele disse triste e o som do meu coração se espatifando foi quase audível.
- Você é a razão da minha vida, Edward! Você simplesmente faz a porcaria da minha vida ter sentido. – Eu o respondi inclinado a minha cabeça ainda mais na sua direção. Eu não sabia se um beijo seria bem vindo ou se ele estava no clima, mas eu precisava desesperadamente de um beijo dele. Por isso, quando ele se inclinou na minha direção e levou sua mão para os meus cabelos desgrenhados eu não pude deixar de sorrir, e quando seus lábios tocaram os meus eu senti que estava completa novamente. Os lábios dele se pressionaram nos meus com urgência, tão logo se tocaram já se abriram em uma sincronia única. Senti a sua língua me invadir em busca da minha e quando elas se tocaram eu gemi baixinho de satisfação enquanto meu coração era esmagado dentro do peito. Rápido demais ele se afastou e me deixou no vácuo, piscando atônita.
- Senti a sua falta. – Assumi encostando minha testa na dele.
- Eu também, apesar de que para mim, parece que foi ontem que te vi pela última vez. – Ele me respondeu fazendo uma careta.
Naquele momento eu escutei alguém tossindo muito alto e de forma proposital. Juntos eu e o Edward olhamos para a porta e encontramos a Alice e o Emmett parados. Alice deu um tapa no ombro do Emmett e o olhou irritada.
- Eu disse para sairmos de fininho. – Ela disse para o irmão que apenas balançou os ombros como se não se importasse.
- Imagina, Alice. Entrem. – Edward disse educadamente.
O Emmett estendeu a mão para o Edward e depois me abraçou quase me sufocando. Ele era realmente grande. Alice se abaixou para beijar o rosto do Edward e depois me encarou.
- Você não me esperou! – Ela me acusou e só então eu percebi que havia saído apressada do Instituto. – E você, Edward? Como se sente?
- Como se tivesse levado dois tiros e tivesse ficado paraplégico. – Ele disse com voz de escárnio, mas ninguém riu. Nem mesmo o Emmett que adorava piadas de humor negro.
E então eu vi o que ele estava tentando fazer, ele estava amenizando a sua dor apenas para amortizar a dor das pessoas que ele amava.
- O que me leva a crer que você está péssimo, haja vista que ninguém em perfeito estado mental estaria feliz nessa situação. – Eu joguei na sua cara, porque ao fazer piada da sua condição ele estava fazendo piada da minha dor.
- Pega leve, Bella. – Emmett me disse sorrindo, depois voltou a sua atenção para o Edward. – Eu fiquei sabendo que há grandes chances de você reverter essa situação. Eu acabei de me formar e estava desejando uma oportunidade de mostrar aquilo que aprendi... Se você permitisse eu gostaria de ajudar. Sei que não sou nenhum fisioterapeuta renomado e que o Dr. Carlisle Cullen vai contratar os melhores profissionais do país para você, mas no que eu puder ajudar...
- Se for para eu voltar a andar será com um renomado ou com um recém formado, e eu lhe garanto que se eu decidir fazer fisioterapia você será a primeira pessoa que eu vou chamar. – Ele respondeu sorrindo.
E então o meu coração parou. Como assim, "Se eu decidir"? Aquilo já estava mais do que decidido.
- Há alguma dúvida quanto à fisioterapia? – Eu o questionei intrigada.
- Agora não, Bella, por favor. – Ele me pediu e somente porque ele já devia ter passado por muitas emoções naquele dia eu deixei passar.
A hora de visita passou muito rápido e eu quase me escondi debaixo da cama dele quando a enfermeira veio solicitar que nós deixássemos o quarto. A Alice saiu primeiro puxando o Emmett pelo braço, deixando eu e o Edward a sós.
- Não me sinto bem com o Jacob solto e você dormindo sozinha em sua casa. – Ele disse franzindo a sobrancelha.
- Eu quase não durmo. – O respondi honestamente.
- Você me entendeu. - Disse rolando os olhos em frustação.
- Não se preocupe comigo, eu sei me cuidar!
- Você tem se alimentado?
- Sim. – menti descaradamente.
- O tiro não tirou a minha capacidade de detectar a mentira estampada na sua testa.
- Desculpe. Mas não quero te preocupar com coisas triviais. – respondi de mal grado enquanto ele levantava uma sobrancelha para a minha resposta.
- Te vejo amanhã. – Ele disse apoiando o peso do seu corpo nos braços para conseguir arquear o seu corpo o suficiente para selar meus lábios. – E pode ter certeza que eu vou perguntar se você se alimentou!
Eu sorri.
- Te amo! – Eu sussurrei fitando o seu olhar.
Ele sustentou o meu olhar por um minuto inteiro e então suspirou profundamente.
- Eu te amo. – Ele disse antes de soltar os braços e jogar o seu tronco contra a cabeceira da cama, encostando-se ali de uma forma que me pareceu desconfortável.
Eu quase lhe ofereci ajuda para se ajeitar antes de sair, mas achei melhor não dizer nada.
Edward POV.
Segui a Bella com o olhar até que ela deixasse o meu quarto, quando ela estava seguramente distante eu permiti que algumas lágrimas banhassem o meu rosto. Naquele dia eu havia chorado mais do que a minha vida inteira. Eu esperei sinceramente que não houvesse mais visitas. Depois de ver a Bella, eu não sei se conseguiria compor a máscara de "estou bem" novamente.
Eu não tinha o direito de fraquejar na frente deles, eu não queria causar ainda mais sofrimento para os meus pais, principalmente para a minha mãe, e muito menos para a Bella. Porque ter sido baleado não foi uma opção minha, então quanto a essa dor eu não podia fazer nada. Mas se eu tornasse o meu sofrimento visível eu prolongaria a dor deles e seria por opção, e isso eu não me permitiria fazer.
Desta forma eu engoli o choro quando, mais cedo, eu vi a minha mãe entrando no meu quarto de braço dado com o meu pai, completamente apreensiva com o meu estado. Eu vi em seu rosto a imagem do desespero. Seus olhos profundos indicavam que ela havia dormido pouco nessa última semana e algumas linhas finas de expressão indicavam compaixão. Essas mesmas linhas estavam estampadas no rosto do meu pai. Eu teria que me acostumar com toda essa merda. Eu poderia um desnaturado e pedir para eles, por favor, parem de me olhar com pena, porque aquilo estava me fazendo mal. Porém, eu coloquei um sorriso no rosto e conversei como se tivesse acabado de fazer uma cirurgia de unha encravada. Isso fez as linhas no rosto da minha mãe se suavizar e mesmo ela tendo chorado muito antes de sair do meu quarto, eu sabia que ela dormiria bem melhor naquela noite.
Antes de sair, minha mãe me avisou que a próxima a entrar seria a Bella. Baixei minha cabeça e mantive toda a minha concentração na minha máscara de aceitação, e então quando meus olhos encontraram os dela eu me senti realmente bem, até encontrar as malditas marcas da compaixão no rosto dela. De todos os sentimentos que eu sempre sonhei em despertar na Bella, esse com certeza nunca foi incluído.
Ela parou ao meu lado e acariciou o meu cabelo. O toque das suas mãos quentes e macias no meu cabelo me trouxe conforto, por um segundo eu fechei meus olhos e desejei que aquilo não estivesse realmente acontecendo conosco, mas eu não podia entrar por esse caminho ou me desesperaria. Ela sentou ao meu lado e me abraçou, numa reação instintiva eu a abracei de volta e colei o seu corpo ao meu fazendo meu coração bater freneticamente quando a soma do corpo da Bella mais o perfume de morango me atingiram. Foi nesse momento que ela começou a chorar copiosamente. Foi um choro de alívio e eu me perguntei, o que ela estava guardando por todo esse período que a fez ficar tão sufocada a ponto de explodir com um abraço?
Sem querer entrar em detalhes naquele momento eu simplesmente a consolei e em resposta ela disse que eu era a pessoa que dava sentido a sua vida. Era para ter sido uma linda declaração de amor, mas eu estava amargo por dentro e não pude deixar de pensar "A minha própria vida perdeu o sentido, como eu posso ser o sentido de outra vida?" E então, ela buscou o meu beijo, e não há no mundo uma situação que fará eu negar um beijo meu para ela. Quando nossos lábios se encontraram todos os meus problemas sumiram e eu me senti bem, porém, a nossa proximidade quase me fez ter uma ereção o que eu acredito que seria bastante dolorosa com uma sonda enfiada no meu pênis. Eu me afastei e quando encontrei o seu semblante confuso por eu ter me afastado eu me senti um bosta. Nem beijar a minha namorada eu podia. O que eu tinha para oferecer a ela afinal?
Quando a Alice e o Emmett chegaram eu me senti aliviado por não ter que entrar em certos detalhes com ela. Foi muito legal da parte do Emmett ter me oferecido ajuda, mas primeiro eu veria os laudos e os exames e, se achasse que realmente tinha chances, eu faria a fisioterapia. Mas se eles estivessem mentindo para mim e minhas chances forem ínfimas, eu não faria.
Como psicólogo eu sempre abominei tratamentos que passavam esperança sendo que o fracasso era certo. A esperança pode ser completamente destrutiva em alguns casos, onde os pacientes se recusam a aceitar a sua verdadeira condição e a trabalhar focado em se adaptar e vivem em um mundo de esperança. Esperando tomar uma atitude quando melhorar... Acabam assim deixando de viver.
Depois que acabou o horário de visitas eu fiquei pensando no que faria da minha vida se esse estado se tornasse permanente. Talvez fizesse um consultório em casa e atendesse como psicólogo, porque investigador de policia em uma cadeira de rodas não era possível. Eu fiquei me perguntando se já haviam arrumado um substituto para mim na delegacia, o novo parceiro da Bella – pensei franzindo o cenho – perder esse cargo era realmente doloroso.
Fiquei internado por mais seis dias, e em todos eu compunha a minha máscara de conformismo para que ninguém mais além de mim sofresse, porém eu acabei percebendo que essa técnica é falha, porque quando você guarda um sentimento demasiadamente forte ele tende a crescer dentro de você, e como tudo que entra uma hora sai...
Era um domingo quando eu recebi alta. O Jasper entrou no meu quarto sorrindo e me deu a noticia que eu finalmente voltaria para a casa depois de 13 dias no hospital. Ele era o único que via o meu estado real.
- Pronto para ir para a casa? – Ele me perguntou feliz.
- Pronto para alguém me levar para a casa, você quer dizer. – Eu o corrigi de forma grosseira.
Ele rolou os olhos.
Ouvi um barulho diferente e me virei para a porta. Meu coração ficou pequeno dentro do peito quando eu vi um enfermeiro empurrando uma cadeira de rodas para dentro do quarto.
- Não é uma motorizada, porque você não vai precisar dela por muito tempo! – Ele se justificou, como se o meu semblante de horror fosse porque a cadeira era simples.
- Vamos tomar um banho descente? – Ele me perguntou e eu apenas acenei que sim com a cabeça.
O enfermeiro veio até o meu lado na cama e se apresentou cordialmente. – Douglas era o seu nome e ele era bem forte, quase como o Emmett. Ele colocou o meu braço direito em torno do seu pescoço e me virou na cama, colocando minhas pernas para fora. O Jasper veio do meu lado esquerdo e colocou o meu braço em torno do seu, ambos se olharam e numa contagem muda levantaram o meu corpo juntos. O Douglas segurava a minha sonda peniana e aquela foi a situação mais vexatória que eu já passei na vida. O Jasper me deu banho enquanto o Douglas me mantinha em pé, foi desta forma ainda que o Jasper secou o meu corpo e me vestiu, antes de me sentar na cadeira.
A falta de sensação nas pernas era muito incômoda. Meu cérebro não parava de mandar comandos para ela, que nem sequer formigava. Ver minhas pernas balançando inertes embaixo do meu tronco durante o banho só fez o meu estado piorar e, quando eu sentei na cadeira de rodas, foi como se a realidade tivesse me assolado... A minha triste realidade!
Meu pai veio me buscar e, para majorar tudo para mim, os seus olhos marejaram ao me ver sentado na cadeira de rodas. Ele mentiu dizendo que eram lágrimas de alegria porque eu finalmente tinha recebido alta. Mentiu justo para quem. Ele teve um trabalho árduo para me tirar da cadeira e colocar dentro do carro, ele tinha dispensado a ajuda do Jasper e descobriu ao me colocar no banco que eu, possivelmente, era mais pesado do que ele imaginava. A sensação de impotência estava me sufocando, me deixando louco!
Quando eu cheguei em casa meu pai entrou primeiro e saiu de lá de dentro com o Emmett para o ajudar. Achei estranho o Emmett estar em casa, mas fiquei agradecido porque ele me tirou do banco com um único movimento e me sentou na cadeira da forma menos vexatória possível. Quando meu pai abriu a porta para que eu entrasse eu tomei um susto. Havia uma grande faixa escrita "Bem vindo ao lar" e bexigas, olhei para o lado e vi que havia uma mesa repleta de alimentos e refrigerante e minha casa estava lotada. O que era aquilo? Uma festa? Onde todos estavam em pé e pulando enquanto eu estava sentado inerte? Não era para eu ter reagido daquela forma, mas aqui voltamos para aquele fato de guardar os sentimentos. Eu estava me sentindo um lixo e todas aquelas pessoas me olhando pioraram o meu estado. Eu olhei no rosto de cada uma delas e vi compaixão, tristeza e até curiosidade, muita curiosidade. Meus olhos pararam nos olhos da Bella e ela estava com dó de mim, visivelmente compadecida, então eu explodi.
- Sinto não pode ficar para a festinha, aonde alguns de vocês vieram para ver se era verdade que o pobre Edward Cullen havia ficado paraplégico, outros de vocês vieram prestar solidariedade, visando uma vaga no céu e outros vieram simplesmente para comer. Mas eu não estou no clima e olhar para a porra da cara de dó que vocês estão fazendo piora a minha situação e me faz querer vomitar. – eu disse de forma agressiva enquanto empurrava desajeitado as rodas da cadeira para que ela me levasse até o meu quarto.
Quando eu entrei no meu quarto eu tive vontade de gritar. Ele havia sido todo adaptado com barras para deficiente nas paredes e ao lado da cama. Parei minha cadeira no meio do meu quarto e desejei pela primeira vez que aquela bala tivesse me matado.
Ouvi a porta do meu quarto se abrir e ouvi a única voz que eu não queria ouvir naquele momento.
- Edward... – Ouvi a Bella sussurrar o meu nome antes de fechar a porta.
- Agora não, Bella, por favor. – eu praticamente supliquei, mas ela insistiu.
- Desculpe-me, Edward. Eu e sua mãe achamos que seria uma boa ideia...
- Mas não foi!
- Você parecia bem e contente...
- Mas não estou! Vai embora, Bella! Agora não é uma boa hora. – eu disse novamente suplicando para ficar sozinho. Eu estava com raiva e ás vezes tendia a ser cruel nessas horas, não queria descontar as minhas frustações nela.
- Não vou sair. – Ela disse teimosa, sentando na minha cama.
- Me dá um tempo, Bella! – Eu explodi. – Eu preciso ficar sozinho, o seu esforço para sufocar o seu sofrimento e tentar me fazer ficar melhor só pioram o meu estado, o seu semblante de compaixão me faz querer sumir do planeta! Vai cuidar de você primeiro e quando conseguir me olhar sem culpa ou compaixão, então você volta.
Vi a postura dela ficar rígida na minha cama. Ela se levantou e respirou fundo.
- Você está sendo cruel. – Ela disse com a voz baixa.
- Eu te mandei ir embora. – Eu disse quase sucumbindo às lágrimas, porque eu realmente tinha pedido para ela sair antes que eu dissesse algo estúpido.
- Sinto muito, que a minha presença te incomoda. – Ela disse antes de sair do meu quarto.
