Já sei, vocês devem estar agoniados com o meu típico jeito lento de contar uma história. Mas prometo: vai ter sangue, beijos, luta, Apocalipse, traição, dor, e surpresas, muitas surpresas. Um pouco de OCC, afinal é um AU.

Obrigada pelas reviews, meninas.


10

Tempo atual

Sam foi pegar seu canudo, enfim, sentindo as bochechas ficarem vermelhas ao ouvir seu nome sendo chamado ao microfone. Seu verdadeiro nome, diga-se de passagem. Olhou de relance para o lugar onde o pai estava sentado, e para sua surpresa, Dean estava ao lado de John, seus indefectíveis óculos escuros ocultando seus olhos, mas não seu sorriso. Então foi Sam quem não conseguiu conter seu sorriso. Dean conseguira vir. Isso era tão bom que Sam apenas sentia uma euforia estranha e um calor por todo o peito. Aquilo tinha valido o dia.

Assim que pode, foi abraçá-los. O contato com o irmão revelou duas coisas: Dean tinha acabado de chegar da estrada e os óculos de sol tinham o intuito de esconder os hematomas e cortes.

_Meu Deus, cara, você tá cheirando a remédio!_Como se isso importasse. Dean tinha corrido, tinha vindo direto. Isso importava.

_Ouch, já que sabe disso não me aperte tanto, cara!

Riram, o pai com eles.

_E agora, Sammy, o que vai fazer com seu SAT?_Dean perguntou.

Referiam-se, claro, ao teste que abriria as portas de qualquer faculdade para Sam. Inclusive com bolsa integral. Sam tinha alcançado um escore bom. Na verdade, até mesmo melhor que o de Dean, que tinha sido ótimo. O mais velho dos irmãos tinha se esforçado e sido um ótimo aluno nos seus anos regulares antes de abandonarem a casa e a vida padrão que tinham; depois disso, sua natureza voltada para auto-superação o tinha levado a completar o colegial e a ingressar na faculdade, mesmo durante a vida de caçadas. Foi difícil conciliar as duas coisas, na verdade. Dean abandonou seu sonho de se tornar um advogado. Não dava para fazer as duas coisas ao mesmo tempo e ele simplesmente escolheu o que era mais importante. E o que, descobrira, lhe dava mais prazer. Sam titubeou ali. Sabia que decepcionaria ambos e ensaiara muito como diria a eles que na verdade, não pretendia ir para a faculdade.
Talvez ali fosse um bom momento para começar.

_Não sei. Acho que não... Acho que faculdade não fará diferença para mim. Eu sei o que quero ser. Um caçador, como vocês.

Apesar de Sam perceber o amor nos olhos do pai, também sentiu a preocupação. John Winchester passou o braço em torno dos ombros do filho mais alto. _É muito tocante, Sam. Sei que está preparado, mas... Como pode ter certeza de que não vai se arrepender depois?

_Devia pelo menos experimentar._ouviu a voz grave do irmão atrás de si. Dean ajeitava os óculos.

_Eu devia ir a campo mais vezes._Sam abriu seu melhor sorriso, aquele que, sabia muito bem, era capaz de conseguir amaciar o coração dos outros Winchesters.

O pai bateu a mão na própria perna, rindo._Ahn, veja, Dean, ele já tinha um plano.

_Estou vendo. Escuta, será então que podemos aproveitar um pouco desta formatura, já que não teremos outra para ir?_o mais velho dos irmãos falou, dirigindo-se sem cerimônia para a mesa do coquetel, montada sob um toldo no gramado._Vai ter baile?

_Vai, mas eu não pretendo ir. Não sei dançar._Sam falou embaraçado.

_Vai decepcionar as gatinhas?

Sam deu de ombros, embora sentisse um arrepio de preocupação inexplicável. Olhava para seus parentes mais próximos com um sentimento tão grande de gratidão que mal conseguia falar. Fazia mais de cinco meses que o trio não se reunia. Ocasionalmente Sam via um ou outro. Pois ele normalmente ficava na "base", onde podia estudar e pesquisar o que fosse preciso e possível, passando as informações para eles. Apesar de ser treinado para isso, como Dean, por ser o mais novo não tivera muitas oportunidades de participar de caçadas reais. Aquelas caçadas realmente arriscadas. Já, Dean, ao contrário, até mesmo caçava sozinho, em alguns casos, ou em companhia de outros caçadores. Nestas ocasiões, o pai costumava levar Sam consigo. Não admira que Sam se sentisse um tanto hiper protegido. E não era sempre que isso o incomodava, mas sentia-se um homem crescido, não um garotinho. Era hora de provar isso.

Entretanto, não puderam aproveitar por muito tempo o coquetel, um professor puxou assunto e assim outras pessoas chegaram e antes que se tornassem conhecidos demais, tiveram que abandonar o evento; o que Dean lamentou, já que estava com fome.

Acabaram indo jantar em um lugar especial. Fazia tanto tempo que não dedicavam um momento para eles próprios que, quando assunto foi trazido a baila, Sam viu os olhos do pai brilharem, um pouco emocionado. Aliás, o pai estava irreconhecível hoje. Muito próximo do pai que tinha aos dez anos e que ele tinha perdido pouco tempo depois. Aquele pai tinha desaparecido e em seu lugar um outro John Winchester emergira: prático, menos emotivo, e com bem menos escrúpulos também. Por isso foi uma surpresa quando ele ergueu sua caneca de cerveja propondo um brinde, e depois disso, falou:

_Ok, Winchesters. Por que então não tiramos um final de semana de folga para lembrarmos que somos uma família?

Sam exultou, Dean hesitou em contrapartida, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Sam jogou seu corpo sobre os ombros do irmão, num grande abraço, tirando um gemido de dor:

_Sério, cara. Até caçadores precisam de um tempo de descanso. Estamos comemorando minha formatura, ok?

_Vamos acampar e relaxar na beira do rio. Sem nenhum tipo de intromissão. E sinceramente, meu filho, tá na cara que você precisa de um descanso._ John serviu mais bebida no copo de Dean, que realmente parecia abatido e exausto. Ele apenas balançou a cabeça, admitindo sua derrota:

_Desde quando vocês se juntaram contra mim? Eu tenho uma pista quente e...

_Sh! Você vai e pronto.

Assim decidido, voltaram para a casa que alugaram por ali para Sam terminar os estudos, e juntaram as coisas para um fim de semana na floresta. Sam pensou que, desta vez, não haveria desculpas para não conseguir ir em sua primeira caçada somente com Dean. Afinal eram irmãos e seria muito diferente do que era quando saía com o pai. Que basicamente não deixava Sam fazer nada além de carregar as coisas e, de quando em quando, conseguir alguma informação com pessoas que não abririam seus corações para John, mas para um jovem simpático, contariam qualquer coisa.

Dean também estava mudado. Era um folgado, malandro, abusado que com certeza faria questão de dividir o serviço exatamente ao meio, se não quisesse que ele fizesse sua parte também. Sam estava acostumado ao jeito falastrão e aventureiro do irmão mais velho, e apesar de tantas diferenças entre eles, tinha certeza que sabiam trabalhar juntos.

A estrada e as caçadas tinham transformado seu pai e seu irmão. Mas Sam viu tudo acontecer diante de seus olhos. Não se ressentia. No fundo, eles continuavam fieis ao que eram. E eles eram essencialmente bons e dignos.

Embora Dean estivesse meio quebrado por causa de sua última caçada, que ele contou por alto no meio das incontáveis cervejas e da desculpa de pescaria que os três fizeram do fim de semana, ele concordou que então Sam iria com ele em sua próxima caçada. Claro, ele estava sendo ostensivamente condescendente, na tentativa de irritar Sam, mas o mais novo não cairia nessa.

O fim de semana acabou rápido e o pai tinha seus planos para ajudar Bob num lance grande, então se despediram dele e voltaram para casa. Ao entrarem de novo numa área com serviço de celular, o telefone de Dean deu aviso de mensagens. Dean puxou o telefone do bolso e verificou. Sam olhava com curiosidade para ele:

_É o Céu Vermelho. Eu tinha combinado de fazer uma caçada com ele.

O coração de Sam disparou. Lembrou-se da última e vergonhosa vez em que tinha se encontrado com o caçador. Dean deixou para ler as mensagens assim que parasse o carro, esfregando as têmporas como se tivesse uma repentina dor de cabeça. Riu para o irmão, no meio de sua careta de dor:

_Parece que desta vez o cara tem uma pista bem grande. Quem sabe desta vez a trilha dele também não é a nossa? Se ao menos o Pai suportasse o Céu...

Jordan "Céu Vermelho" McKeenan tinha sido o primeiro caçador que conheceram. E bem, Céu Vermelho tinha sido a primeira pessoa por quem Sam se apaixonara.


CONTINUA