BLOOD LUST
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Jéssica Belmont e Aidan Dracul são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
CAPITULO 10: A Verdade sobre os Gêmeos.
.I.
Olhou seguidas vezes para o espelho, tentando encontrar algo que se assemelhasse a si mesma, naquele reflexo, mas por mais que tentasse não conseguia. Naqueles últimos dias, fingindo-se de dama comportada e esposa perfeita, vivera uma experiência interessante e igualmente irritante algumas vezes.
Mas agora era diferente, iriam mergulhar dentro do olho do furacão. Respirou fundo, sentindo as palmas das mãos úmidas.
O vestido caia perfeitamente sobre seu corpo como uma segunda pele, tão vermelho quanto seus cabelos. Passou a mão pela cintura, encontrando facilmente a emenda entre corpete e saia, por sorte a saia era tão rodada e cheia de camadas de tule por baixo, que ninguém iria reparar na pequena protuberância que iria aparecer na altura das coxas, onde estavam presas duas adagas, uma de cada lado.
Segurou os cabelos, começando a juntar todos os fios que caiam preguiçosamente por seus ombros, iria prendê-los em um coque quando ouviu a porta do banheiro se abrir e suas mãos se detiveram no ar.
-o-o-o-o-o-
Abriu a porta do banheiro, enquanto terminava de fechar os últimos botões da camisa preta. Sabia que era insanidade entrar na toca do lobo desarmado, mas se não fizesse algo, aquela louca iria sozinha; ele pensou.
-Pronta? –Saga perguntou erguendo os olhos, mas parou no momento que a jovem se virou.
Os longos cabelos vermelhos estavam presos num coque alto e o corpo delgado estava revestido por um longe vestido vermelho com estampas de rosas, que começavam negras na barra e subiam até o colo com o corpete sem alças, vermelho sangue.
Viu-a dar um pesado suspiro e seus olhos traidores, não foram capazes de desviar e acompanharam cada um dos movimentos dela.
-Ainda não; Jéssica respondeu voltando-se para ele.
-Ahn! Prefere que eu saia então? –ele perguntou hesitante, enquanto para manter a mente ocupada, virou-se para fechar a porta atrás de si.
-Não é necessário; a amazona respondeu, terminando de prender os cabelos no alto da cabeça, em um coque com alguns fios soltos. Dois espetos dourados estavam cruzados entre o volume de fios vermelhos, prontos para serem tirados a qualquer momento e se tornarem uma arma bastante letal.
Assentiu distraído, enquanto a observava se mover com graciosidade pelo cômodo, mesmo com um vestido tão pesado quanto aquele. Instintivamente levou a mão até a mascara que estava usando. Era estranho que apenas por conta daquilo se sentisse uma pessoa totalmente diferente do que realmente era.
Não o cavaleiro de Gêmeos, tão pouco o estereotipo de marido perfeito que devia interpretar naquela missão, sentia-se diferente, como se o fato de ocultar parcialmente a face, lhe desse uma liberdade que normalmente jamais se permitira ter.
Não fazia nem ao menos seis horas desde que haviam recebido o convite da dona da estalagem para o baile de mascaras que aconteceria no castelo, não muito longe de onde estavam. O castelo de Aidan.
Pela tradição romena, os bailes eram sempre tradicionais, comidas e bebidas típicas e as vestimentas o mais próximo do medieval. Por isso todos que se encontravam na Trânsilvania eram convidados a participar das festividades.
Podia ser uma armadilha conveniente de Aidan, mas ninguém ali sabia quem eram, alem é claro, do próprio Aidan que fora estúpido o suficiente para acreditar que ele era o Van Helsing. Se Aidan ao menos soubesse do legado das amazonas, não subestimaria a ruiva de sangue quente a sua frente.
-O que esta procurando? –Saga perguntou curioso, quando viu-a começar a retirar algumas coisas de dentro da mala sobre a cama.
-Isso; Jéssica respondeu voltando-se para ele e mostrando-lhe uma corrente prateada em suas mãos, antes de caminhar até ele.
-Você não disse que é só folclore essa história de vampiros terem problemas com cruzes? –Saga perguntou confuso, ao notar que na ponta da corrente havia um pingente em forma de cruz, a peça era pouco menor que a palma de sua mão, mas era bem pesada; ele pensou quando ela colocou o objeto na sua mão.
-Olhe; a amazona falou antes de pressionar uma delicada pedra vermelha na junção entre as duas barrar que formavam a cruz, segundos depois uma lamina saiu da barra maior do crucifixo, fazendo-o se sobressaltar ao ver que ele se tornara uma pequena adaga.
-Nossa; Saga murmurou, recuando instintivamente.
-Se necessário, use; Jéssica avisou, soltando a pressão que fazia sobre a pedra vermelha e a lamina automaticamente se recolheu. Pegou a corrente prateada e a passou pelo pescoço do cavaleiro.
-Cavaleiros de Athena não usam armas; Saga falou num sussurro.
Engoliu em seco sentindo a essência de dama da noite embriagar-lhe os sentidos e amaldiçoando os hormônios que resolveram dar sinal de vida justamente agora.
-Mas é melhor prevenir; Jéssica falou quando acidentalmente roçou os lábios sob a face do cavaleiro ao se afastar, após prender a corrente.
-Jéssica; Saga falou segurando-lhe os braços, antes que ela pudesse se afastar completamente.
-Uhn? - ela murmurou erguendo os orbes na direção dele.
Fitou-a demoradamente, havia tanta coisa que queria dizer, mas nesse momento as palavras pareciam ter sumido. Não queria agir como se o mundo fosse acabar dali a alguns segundos, mas simplesmente não conseguia evitar a sensação de pânico que essa possibilidade despertava.
-Você esta linda; ele falou num sussurro.
-Ahn! Obrigada; a amazona respondeu desviando o olhar, sentindo a face aquecer-se. –Eu acho que-...;
-Vou beijar você; o geminiano falou de repente.
Virou-se para o cavaleiro para ter certeza de que ouvira aquilo mesmo embora tivesse suas duvidas, mas no segundo seguinte sentiu os lábios dele cobrirem os seus, ofegou surpresa e isso foi o suficiente para os braços fortes do cavaleiro contornarem sua cintura, atraindo-a para o calor de seu corpo.
Serrou os orbes instintivamente, apoiando-se nos ombros dele, para manter os pés firmes no chão. Aquele beijo era diferente do primeiro, há algumas semanas atrás no navio. Era intenso e arrebatador, mas de uma forma menor agressiva. Era um beijo persuasivo e inquietante.
Estremeceu ao sentir os lábios dela renderem-se aos seus e os braços delicados contornarem seu pescoço. As unhas finas e vermelhas arranharam-lhe a nuca, causando um delicioso arrepio.
-Jéssie; ele sussurrou, entre seus lábios.
As respirações quentes chocavam-se umas nas outras, mas algumas batidas na porta fizeram com que se separassem rapidamente, com a face e chamas.
-Sim? –Saga falou, estreitando os braços em torno da jovem, impedindo-a de se esquivar.
-A carruagem está pronta senhor; o cocheiro avisou.
-Já vamos; ele respondeu.
-Temos que ir; ela sussurrou, sem conseguir encará-lo.
Sentia o coração bater desenfreado no peito e aquela proximidade não ajudava em nada, para que recuperasse seu auto-controle; a jovem pensou.
-Jéssica; Saga chamou, mas ela não voltou-se para ele. –Olhe pra mim; ele ordenou, segurando-lhe o queixo delicadamente, fazendo-a virar-se. –Se algo acontecer, volte para cá e contate o santuário;
-Eu posso muito bem me virar sozinha Saga; ela falou atrevidamente.
-Mas você não esta sozinha, por isso repito, se algo acontecer volte e avise o santuário;
-Como quiser, querido; Jéssica respondeu petulante, mas antes que conseguisse se afastar, sentiu os lábios dele sobre os seus, tão intensos que não conseguiu recuar, alias, nem mesmo sua razão sempre fiel parecia bloqueada pela presença do cavaleiro.
Sorriu levemente ao senti-la estremecer, estreitou o braço em sua cintura, enquanto uma das mãos corria pelo meio das costas, alcançado os ombros. Poucos segundos depois os cabelos vermelhos estavam soltos do coque e caiam como uma farta cascata de fios sobre os ombros da jovem, indo entrelaçar-se entre os dedos do cavaleiro.
Aquilo não deveria estar acontecendo, mas deixara de pensar nisso a muito tempo; o cavaleiro pensou, acariciando-lhe os lábios com a ponta da língua, ouvindo um fraco gemido escapar de seus lábios.
-Senhor, vamos chegar atrasados! – o cocheiro avisou do outro lado.
Empurrou-o para longe de si e sentindo a face ferver, haviam esquecido completamente que o cocheiro ainda estava do outro lado.
-Já disse, estamos indo; Saga falou entre dentes.
-Tudo bem; o cocheiro respondeu.
Ouviram os passos do homem pelo corredor e em seguida pela escada, até desaparecerem completamente.
Sentia a mente turva e a respiração aos poucos voltava ao normal, afastou-se do cavaleiro e baixou seus olhos até o chão, onde encontrou os dois espetos. Respirou fundo, enquanto abaixava-se para pegá-los, ao mesmo tempo em que domava os fios revoltos e prendia-os novamente.
-Vamos; Saga falou num tom tão petulante quanto o dele, antes do beijo.
.II.
Observou todos no salão por trás da mascara que lhe cobria a face. Sentado naquele trono, lembrava um rei guerreiro, ou seus ancestrais bárbaros, quando estavam prestes a enfrentar a maior batalha de suas vidas.
-Aqueles são o casal Wilson, daqui mesmo; Stephen falou em pé a seu lado, indicando a entrada um casal que se aproximava para cumprimentar o anfitrião. –Aquele outro grupo é de turistas;
-E ela, não chegou ainda? –Aidan quis saber.
-Não, meu lorde; ele respondeu.
Assentiu silenciosamente, enquanto continuava a observar. Bianca havia sumido na noite anterior e nem Stephen sabia dela. Menos mal, não teria que perder tempo com isso mais.
Agora todas as suas energias estavam voltadas para a dama de melenas vermelhas que acabava de entrar no salão principal, infelizmente acompanhada da única pessoa que jamais desejaria encontrar novamente. Não, desejava sim, apenas para dar o golpe de misericórdia e presentear-lhe com uma morte sem dor, como amostra de sua benevolência.
-Ela chegou; Stephen avisou embora não fosse necessário, ele já havia sentido sua presença.
Todas as atenções do salão voltarem-se para a jovem de vermelho, de braços dados com o "marido", Jéssica se aproximou do trono que Aidan estava. Tentou controlar o tremor que sentiu ao deparar-se com os orbes dourados do vampiro e teria recuado, se não sentisse a presença forte de Saga a seu lado, por mais que tentasse negar, se estivesse sozinha ali não conseguiria ir tão longe sem perder a calma.
-Boa noite, sejam bem-vindos; Aidan falou levantando-se de forma que pudesse ter uma vantagem de altura sob o casal.
-Boa noite; Saga respondeu, a voz grave soou calma, embora com um leve tom de alerta ao trocar um olhar indecifrável com o vampiro. –Sou Saga Caridis e esta é minha esposa, Jéssica; ele falou, indicando a jovem.
-Muito prazer; a jovem falou voltando-se para ele com um olhar de desafio que não pode conter, diante do olhar avaliativo que recebera primeiro. Quem aquele idiota pensava que era, um pedaço de carne num balcão de exposição? Ah mais iria ter um imenso prazer em acabar com a raça daquele sangue-suga.
-O prazer é meu; ele falou segurando a mão da jovem entre as suas e pousando um beijo demorado nas costas enluvadas. Sem desviar o olhar dela. –Fiquem a vontade e divirtam-se. Se precisarem de algo, em cada canto do salão, um criado meu esta a postos para servi-los; Aidan falou antes de recuar um passo para que eles pudessem se afastar, embora a vontade fosse outra.
-"Para nos vigiar, isso sim"; Jéssica pensou, enquanto ouvia Saga responder alguma coisa antes de se afastarem.
-Então, o que achou meu lorde? –Stephen perguntou, quando eles sumiram no meio da multidão.
-De um jeito de se livrar dele, eu quero ela; Aidan avisou, enquanto os orbes dourados eram levemente tingidos de vermelho.
-Como quiser meu lorde, como quiser...;
-o-o-o-o-o-o-
Segurou a adaga nas mãos e o brilho dourado cintilou em seus olhos, se não pudesse tê-lo, ninguém mais teria; Bianca pensou, escondendo o punhal entre as camadas de tecido do vestido, enquanto entrava no salão.
Sabia que Aidan já deveria estar comemorando o fato de ter se livrado de si, mas iria provar a ele que isso não era tão fácil.
-Menina, deveria planejar melhor o que pretende fazer; uma voz estranha falou a suas costas.
Parou, voltando-se para trás e surpreendeu-se ao encontrar uma mulher de longos cabelos violeta a lhe fitar.
-Quem é você? –Bianca perguntou na defensiva.
-Sou uma velha amiga de Aidan, mas diferente dele, não gosto de saber que nosso clã será forcado a tolerar uma intrusa que não merece ser a consorte de nosso lorde; Sire falou, vendo os olhos de Bianca cintilarem de satisfação. –Não como você menina, que nasceu para ser uma rainha;
-É uma pena que Aidan não tenha notado isso; Bianca falou aborrecida, não estava disposta a contar a um estranho que também não admitia isso e que tinha seu próprio método para resolver o problema.
-Ótimo, porque eu e outros membros do clã, estamos do seu lado e vamos ajudá-la a conquistar seu lugar de direito; ela falou gesticulando casualmente.
-Como?
-Venha comigo criança, logo você vai saber; Sire respondeu passando a mão sobre os ombros da jovem antes de puxá-la consigo.
-Mas como você se chama? –Bianca indagou cautelosa.
-Sire, mas pode me chamar de Eris também; a discórdia falou com um sorriso malévolo nos lábios.
.III.
Depois de passar por tantas pessoas, conseguiram sair em um terraço menos movimentado, muitas pessoas ao longo do caminho se aproximaram, tentando entabular uma conversa, mas esquivaram-se.
A pior parte já passara, que fora encontrar com Aidan, agora vinha à parte complicada. Invadir aquele labirinto de forma sorrateira e pegar a armadura.
-Como você esta? –Saga perguntou, notando-a agitada e silenciosa.
-Uma pilha, parece que vou começar a dar choque a qualquer momento; Jéssica respondeu, soltando-se do braço dele, ao ver que ao apoiar-se no cavaleiro, estava quase prendendo-lhe a circulação do braço de tanto que o apertava.
-Menos mal, o pior seria se você partisse pra cima dele antes do segundo tempo; ele brincou, em tom de provocação.
-Ah! Ah! Ah; a amazona riu de maneira irônica. –Mas agora é melhor nos separarmos, quero encontrar a armadura e-...; ela falou tencionando se afastar, mas sentiu o braço do cavaleiro imediatamente envolver sua cintura e foi puxada de encontro a ele.
-Nem pense nisso; Saga sussurrou, com os lábios quase tocando os dela.
Não sabia se a tensão maior ali era pela reação do cavaleiro e a sua, ou se era por um cosmo um tanto quanto opressor que sentira se manifestar tão rapidamente, que num piscar de olhos sumira, mas aquela situação não contribuía em nada para que conseguisse manter-se concentrada.
-Estamos juntos nisso, você não vai ficar andando por esse castelo, desarmada e sozinha; ele falou roçando-lhe o colo com os lábios quentes, usando isso como desculpa, para poder falar mais próximo a seu ouvido, impedindo que qualquer pessoa ali por perto ouvisse a conversa.
-Saga, sei me cuidar sozinha e não estou desarmada; Jéssica falou entre dentes, tentando não reagir àquela cena digna de um Oscar, qualquer um de fora poderia imaginar que eram o casal perfeito, sem saber ao certo o que realmente eram e o quanto ela queria ficar "viúva" naquele exato momento.
-Sei; o cavaleiro falou casualmente, deixando uma das mãos correr pela cintura curvilínea, indo deter-se sob uma das coxas, exatamente sob a adaga que ela prendera próxima a junção entre saia e corpete. –Mas duvido que seja afiada o bastante;
-É tanto quanto minha língua; a amazona rebateu mordaz.
-Mas para isso nós podemos-...;
-Champanhe senhor? –um garçom falou aproximando-se deles, interrompendo o que o cavaleiro pretendia falar.
Recuou imediatamente, enquanto voltava-se para o garçom com um olhar nada amigável.
-Não obrigado, minha esposa e eu preferimos algo sem álcool; Saga falou mantendo um braço possessivamente em torno da cintura da jovem quando com a mão livre, acariciou-lhe o ventre. –Afinal, temos que pensar no nosso garotinho daqui pra frente;
-Preferem que eu traga alguma outra bebida então? –o garçom indagou, um tanto quanto constrangido.
-Não, depois eu mesmo vou buscar, mas obrigado mesmo assim; Saga respondeu cordialmente, sentindo a jovem extremamente tensa junto de si.
Sabia que assim que o garçom virasse as costas, sua vida estaria em perigo, mas não ia deixar de tirar uma lasquinha dessa situação, afinal de contas era um cavaleiro de Athena, não um santo, tão pouco um cego.
-Então, com licença; o garçom falou se afastando rapidamente.
Um... Dois... Três.
-Que idéia é essa? –Jéssica vociferou voltando-se para ele, como se pronta para matá-lo.
-Calma amor, o médico disse que você não pode se exaltar; Saga falou calmamente, tentando não rir diante do olhar "pouco" assassino da jovem.
-Depois daqui é você que vai precisar de um médico, Saga; ela falou entre dentes.
-Não quando tenho uma esposa tão gentil e carinhosa pra cuidar de mim; ele falou com um sorriso que estava longe de ser inocente, quando aproximou seus lábios do da jovem e os orbes verdes cintilaram divertidos.
-Sério e onde esta ela? –Jéssica rebateu, virando o rosto no momento que ele abaixou a cabeça. Conteve um breve estremecimento ao sentir os lábios dele tocarem a curva de seu pescoço.
Nas últimas horas estava vendo um Saga diferente, bem, não tão diferente, pois aquele lado mais atrevido e espontâneo já havia conhecido, mas havia alguma coisa de diferente ali, do que nas vezes anteriores que se deparara com aquele lado mais atrevido.
Depois daquela conversa que tiveram na manhã do dia anterior, sobre os irmãos gêmeos, uma idéia vinha se formando em sua mente. Ainda não tivera como tirar a prova, mas a forma como Saga vinha agindo lhe confundia e desviava a rota de seus pensamentos.
-Aidan redobrou a vigilância em cima de nós; Saga sussurrou, enquanto a virava em seus braços de forma que a jovem encostasse no alpendre a sua frente e pudesse envolvê-la entre seus braços. –O garçom era um deles; ele falou apoiando o queixo no ombro dela.
-Por isso não quis pegar as taças? –ela indagou, só agora dando-se conta da possibilidade de haver alguma coisa nas bebidas.
Embora Aidan não parecesse o tipo de pessoa que fosse usar desse subterfúgio, existiam outros vampiros do clã, Aidan era apenas um peão, não deveria se esquecer disso nem subestimar seu inimigo.
Já ouvira falar uma vez que uma divindade da discórdia estivera por trás do primeiro Dracul, o que lhe conferiu os poderes imortais que lhe amaldiçoaram a alma, fazendo-o viver entre os dois mundos, como uma punição.
Talvez a mesma pessoa estivesse por trás de Aidan também, somente no dia anterior quando conversava com Saga sobre divindades gregas, foi que pensou nessa possibilidade. E também com aquela visão, aquele olhar triste e ferido não saia de sua cabeça. Já se passaram séculos e ele só estaria preso aquela vingança contra sua família, se alguém o estivesse incentivando a isso.
Então Saga tinha razão, era melhor tomarem cuidado até mesmo com o que bebessem ali.
-Aidan esta esperando um deslize nosso; o geminiano falou, enquanto seus olhos perdiam-se no balanço das árvores do bosque abaixo do terraço.
-Ele não é o maior perigo que iremos enfrentar aqui; a amazona respondeu, passando os braços pela cintura dele e acomodando-se melhor ali, dando por perdida a batalha que a mandava se afastar.
-o-o-o-o-o-o-
Os orbes verdes foram tingidos por uma sombra avermelhada, quando afastou-se dos pilares do terraço, estava numa ala pouco iluminava. Sentiu o sangue ferver em suas veias e por um milésimo de segundo, quase avançou contra seu irmão.
Mais uma vez Saga lhe passava a frente, já não bastava ter ficado com a armadura e se tornado o cavaleiro de Gêmeos, agora queria a garota também? –ele pensou exasperado. Ah! Mais não ia deixar barato, não mesmo.
.IV.
Segurou a taça de vinho tão forte entre os dedos que quase a quebrou. Trincou os dentes quando o garçom se afastou após lhe contar sobre o que andara descobrindo.
Teria de cuidar disso com suas próprias mãos, nem que tivesse de acabar com Van Helsing rapidamente, iria fazê-lo, somente assim conseguiria chegar até ela; Aidan pensou.
-o-o-o-o-o-
Descansou a cabeça sobre o ombro dele, enquanto sentia a mão do cavaleiro segurar fortemente a sua, enquanto rodopiavam pelo salão, uma orquestra ao fundo, tocava uma melodia tranqüila, que convidada os visitantes a dançarem.
-Existe uma sala onde esta a armadura; Jéssica falou.
-Tem idéia de como chegar lá? –Saga perguntou, enquanto discretamente olhava para os lados.
-Existe uma porta atrás das cortinas perto do trono de Aidan; ela explicou. –Pelo que me lembro é só seguir reto, o corredor é estreito, mas no fim há uma curva que leva até a sala;
-Mais alguém tem acesso a ela?
-Stephen é o braço direito de Aidan e tem acesso à sala e também, uma tal de Bianca, provavelmente a prostituta de luxo do Aidan; Jéssica respondeu, lembrando-se que não vira a garota em parte alguma.
-Vou dar uma olhada, fique no terraço onde haja bastante luz se alguém se aproximar, volte ao salão;
-Mas...;
-Tome cuidado, temos inimigos demais e nenhum aliado, alem de nós mesmos; Saga falou em tom serio. –Sei que você é mais experiente em missões do que eu, mas não seja auto-confiante demais, isso pode mais nos prejudicar do que ajudar; ele completou voltando-se para ela.
-Tome cuidado também e não se esqueça; ela sussurrou, tocando o crucifixo no peito dele, com a ponta dos dedos.
-...; Saga assentiu e antes que a soltasse, pousou um rápido beijo sob seus lábios. –Nos vemos depois; ele sussurrou.
Afastou-se rumo ao terraço ainda um pouco atordoada com tudo que estava acontecendo, apoiou-se no beiral de pedra, sentindo a brisa noturna tocar sua face.
-o-o-o-o-o-
Viu-a de costas para a entrada do terraço, debruçada no alpendre, os cabelos vermelhos antes cacheados estavam presos em um coque liso, apenas com alguns fios soltos a cair sobre os ombros.
Tão jovem e tão perigosa; ele pensou com um sorriso nada inocente nos lábios, enquanto os orbes verdes cintilaram ocultos pela mascara negra que cobria-lheparcialmente a face.
Afrouxou lentamente a gola da camisa, deixando os dois primeiros botões abertos, detestava festas formais, principalmente aquelas que lhe faziam parecer um pingüim, mas decidira que iria naquela apenas para vê-la mais de perto, mas depois do que vira quando pretendia se aproximar, causara uma pequena mudança de planos.
-Linda noite, não? –ouviu um sussurro rouco chegar até si e virou-se rapidamente para trás.
O terno preto tinha um ótimo caimento sobre ele, às melenas azuis caiam sobre os ombros levemente úmidas e onduladas. O sorriso cafajeste bailava em seus lábios, destacando ainda mais as presas salientes que marcavam o personagem interpretado por ele, bastante propício para aquela noite de lua vermelha.
-Quem sabe; respondeu num tom frio e calculado, seu teste iria começar agora; ela pensou.
-Parece preocupada, ou é minha presença que lhe perturba? –ele perguntou aproximando-se com um olhar felino, porém foi com frustração que não a viu recuar.
-Talvez um pouco dos dois, pois não estou aqui para me divertir, muito menos bancar de babá para você; a jovem rebateu seca.
Era como imaginava, aquele não era o Saga que estivera consigo tão pouco uma segunda personalidade cafajeste do mesmo cavaleiro, prova disso era o fato de que ele não usava o crucifixo que lhe dera. Já que antes de se separarem no salão de baile, certificara-se que Saga ainda o estivesse usando.
-Não era disso que eu me referia; Kanon falou apoiando ambas as mãos, uma de cada lado da jovem, impedindo-a de se afastar, tendo como única alternativa, encostar-se no alpendre para se esquivar dele. –E você sabe disso; completou num sussurro enrouquecido em seu ouvido, para em seguida pousar um beijo suave sobre a curva do pescoço da jovem.
-Não se atreva; ela avisou, tentando empurrá-lo.
-Me detenha? –ele provocou com o sorriso em seus lábios alargando-se.
-Pensei que você havia ido atrás de Aidan; Jéssica falou casualmente, sentindo-o se retesar.
-Ahn! Eu fui, mas ele ainda estava no salão; Kanon falou, desconversando e no mesmo momento se afastando.
Tinha visto os dois dançarem e conversarem, mas não sabia que havia sido isso o combinado quando eles se separaram.
-Então não podemos agir enquanto ele não sair de perto da entrada para a sala da armadura; Jéssica falou, recostando-se no beiral e gesticulando de maneira casual.
Estava irritada, não furiosa. Se não existisse algo pior. Desde o começo sabia que existia alguma coisa estranha, mas imaginou que fosse coisa da sua imaginação, fora muito burra por não pensar na possibilidade do Cavaleiro de Gêmeos ter um irmão gêmeo, mas depois da conversa que haviam tido, as peças começaram a se encaixar.
-Bem, enquanto esperamos, porque não pega alguma bebida para nos? –a jovem indagou, cruzando os braços na altura dos seios, tentando manter a respiração controlada e os nervos mais ainda, para não tentar matar aquele atrevido.
-O que você prefere? –Kanon perguntou, voltando-se para a jovem.
-Vinho branco... Ah! Não... Temos que pensar no junior, não é? Então, pode ser um suco; ela falou, vendo as íris esverdeadas dilatarem-se e ele serrar os punhos.
-Como quiser, amor; ele falou entre dentes, antes de se afastar.
-"Esse jogo é pra dois, Kanon e você não sabe com quem esta brincando"; a amazona pensou vendo-o passar pelas portas-balcão do terraço e desencostou-se do beiral.
Respirou fundo, tentando controlar a descarga de adrenalina que corria por seu corpo, nesse momento não podia se preocupar com os gêmeos, não podia confiar em nenhum dos dois, então... Iria agir sozinha agora.
Havia avisado a Shion que não ia ficar servido de baba para o cavaleiro de ouro e isso incluía os dois, Aidan estava com sua armadura e iria recuperá-la, nem que tivesse de matar um por um dos vampiros daquele castelo.
Encaminhou-se para a outra extremidade do terraço, onde havia uma outra porta, mas uma voz atrás de si lhe deteve.
-Você não vai tirar ele de mim;
Virou-se para trás, mas não teve tempo de reagir quando uma lamina afiada trespassou seu abdômen. Viu a sua frente uma garota de melenas douradas, Bianca se não se enganava, mas foi a mulher atrás dela que lhe chamou a atenção. Então estava certa!
-Éris; a amazona sussurrou, antes de tudo escurecer.
Continua...
