Faziam três meses desde que Jo fora baleada por minha causa. Três meses que passo neste hospital, ao lado de seu leito, esperando que ela desperte. Três meses de noites mal dormidas em que me desespero com a possibilidade de não poder ver novamente um de seus extremamente raros sorrisos, os quais eram repletos de beleza.

Todos os dias, os médicos tentavam me animar, me dizendo que ela estava se recuperando, que este era um processo lento.

Nesse meio tempo, recebi várias propostas de Sakura, para que voltasse a me encontrar com ela e até ir morar em sua casa. Obviamente recusei todas, e após algum tempo, quando pensava que ela havia desistido, recebo um telefonema de meu chefe me alertando sobre uma reclamação de meus serviços para com Sakura. Me foi dado um prazo de dois dias para procurá-la ou perderia meu emprego. Após isso me demiti. Ainda possuía uma pequena poupança, que não hesitária em usar para cuidar de Jo e, é claro, sobreviver enquanto não arrumasse outro emprego.

Os dias eram cansativos e pareciam ser intermináveis. Quando o cansaço ameaçava tomar conta de mim, me obrigada a descer até a cantina do hospital para tomar um pouco de café e conseguir me manter acordada para então retornar para o lado dela.

Era uma tarde de Terça-feira, quando não pude mais enganar o estômago e precisei novamente descer à cantina em busca de algo para comer. O fiz o mais rápido possível apesar dos avisos de uma das atendentes de que eu poderia passar mal, tudo o que me importava repousava num quarto deste mesmo lugar.

Assim que terminei um pequeno sanduíche, retornei ao quarto de Jo. Assim que abria porta, fiquei em choquei: Ela estava sentada na cama, o lençol sobre seus joelhos e ela olhava para a janela, pensativa.

Não pude mais me segurar, deixei que todas as lágrimas de dor, medo, tristeza, alegria e...amor rolassem por minha face. Havia esperado por ela por tanto tempo e ultimamente o medo de perdê-la corroía-me por dentro.

-Jo!- Foi tudo o que consegui dizer, ainda em meio a lágrimas, corri, como nunca, como se minha própria vida dependesse disso e a abracei, esperando nunca mais percisar me separar dela.

-Jo...tive tanto medo de te perder.- Escondi meu rosto em seu colo. Senti quando uma de suas mãos acariciou delicadamente meu cabelo.

-Meg...

Nessa hora, chega o médico de Jo, Levanto-me para que possa examiná-la.

-Muito bem senhorita, aparentemente não há nada de errado com você, ficará em observação esta noite e amanhã poderá partir.

-Muito obrigada doutor!- Disse.

Ele acenou com a cabeça. A caminho da saída do quarto, virou-se e disse:

-Caso queira saber, essa moça ficou ao seu lado esses três meses que esteve internada. Ela parece se importar muito com você.

Nada disse, apenas corei instantaneamente quando Jo desviou os olhos do médico quando este saiu e olhou para mim.

-Obrigada...

-Não tem por que agradecer...Se não tivesse ido me salvar, nada disso teria acontecido.- Meu tom de voz e minha cabeça estavam baixos. Acabara de me dar conta de que o motivo pelo qual a vida de Jo estiera em risco era eu.

-Meg, o que aconteceu foi por um descuido meu.

-NÃO!- Elevei meu tom de voz.- Não ve que por causa você poderia não estar mais aqui?- Agora eu havia voltado a chorar.

Ela nada disse, apenas tentou se levantar, o que foi interrompido por um aparenge gemido de dor.

-Ai...

-Jo! Não se levante!- Corri até ela ajudando-a a se deitar novamente.

-E você não diga bobagens...- Ela virou o rosto para não olhar nos meus olhos.

-Mas é verdade que...

-A verdade é que eram assim que as coisas deveriam ser. Minha vida eu arrisco todos os dias com o meu trabalho, a diferença, é que dessa vez houe um motivo para isso acontecer, houve um motivo para eu não ter desistido de mim mesma, um motivo para eu, toda noite ter a certeza de que sou humana, algo que faz com que o meu coração bata com tamanha intensidade que nenhum instinto de matar colocado em mim consiga superar, e esse motivo é você Meg. A verdade é que não me importaria de ter morrido com aquela bala, desde que isso garantisse seu bem estar.- Ela me interrompeu.

-Jo...- Eu não sabia o que dizer.- Jo...- Abracei-a forte, chorando novamente.- Eu...eu te amo tanto. Não é possível que eu fique bem longe de você.

Quando a olhie nos olhos, ela sorriu, um sorriso simples, repleto de alegria e ternura. Beijou-me na testa, bocejando em seguida.

-Bem, você precisa descansar, afinal tem que estar bem para poder voltar para casa.

-Boa noite Meg.- E adormeceu

-Boa noite Jo.- Falei, sorrindo, enquanto acariciava seu rosto.

Na manhã seguinte, o médico, após examinar rapidamente Jo, a liberou. Ajudei-a a arrumar suas coisas e fomos para sua casa.

Agora, as coisas pareciam seguir seu rumo correto, e uma nova fase de nossas vidas iniciava-se.