O beijo do sonserino

Já fazia uma semana que Ginny Weasley não via e nem ouvia notícias de Draco Malfoy. Após o episódio do choro no banheiro, o garoto havia desaparecido como pó, não aparecendo nem para cumprir sua detenção, deixando a ruiva agitada e preocupada. Ginny não havia pronunciado uma palavra sequer sobre o ocorrido, mas, em compensação, não conseguia parar de pensar no caso. Seus sentimentos em relação ao garoto começaram a se confundir dentro dela, apesar de tudo, após vê-lo tão desesperado, a ruiva percebeu que Draco Malfoy tinha um coração, e este não era de pedra.

O ponteiro do relógio marcava aproximadamente 19 horas, a garota encontrava-se em seu dormitório, tomara um banho quente e se arrumava para ir cumprir sua detenção, estava mais agitada do que o normal durante a última semana, mas, desta vez, era como se sentisse que algo iria acontecer. Vestiu uma calça jeans escura e uma camisa justa com listras pretas e brancas e com mangas compridas, escovou os cabelos e saiu.

Chegou à torre de astronomia, era o último lugar que faltava para terminar sua detenção, olhou ao redor na esperança de encontrar Malfoy, era incrível, mas a garota podia jurar que estava sentindo falta do garoto e seus comentários desnecessários e sarcásticos. Pegou uma flanela e um tubo de limpa vidros e começou a limpar uma vidraça quando ouviu um pigarro e virou-se repentinamente.

"É, Weasley, parece que você deu conta das vidraças sem mim. Você já está acostumada com esses deveres domésticos, não é, cabeça de cenoura?" – o garoto ria sarcasticamente, parecia que nada havia acontecido.

Ginny deu de ombros, mas, por dentro, sentia borboletas no estômago.

"Você é um idiota, Malfoy. Por onde andou essa semana toda? Essa detenção é tão minha quanto sua, por isso pode começar a limpar também."

"Eu não. Prefiro ver você fazendo isso. Afinal, eu não estou acostumado com esse tipo de trabalho, ao contrário de você, weasleyzinha."

Era o suficiente. Draco conseguira tirar Ginny do sério. A garota jogou a flanela no chão e, inconformada, gritou:

"MAS QUE DROGA, MALFOY. PORQUE VOCÊ FAZ ISSO? POR QUE VOCÊ IMPLICA COM MEUS AMIGOS E COM MINHA FAMÍLIA? POR QUE VOCÊ IMPLICA COMIGO?"

Seus olhos e seus olhares

Milhares de tentações

Meninas são tão mulheres

Seus truques e confusões

Se espalham pelos pêlos

Boca e cabelo

Peitos e poses e apelos

Me agarram pelas pernas

Certas mulheres como você

Me levam sempre onde querem

O loiro aproximou-se da garota lentamente, chegando bem próximo a ela, tanto que os dois conseguiam sentir suas respirações quentes e seus narizes estavam quase grudados. Ginny, com as pernas bambas e com os olhos mareados, perguntou baixinho, quase como um sussurro:

"Porque você implica comigo? Porque você me odeia, Malfoy?"

Draco aproximou-se mais um pouco, dessa vez sua testa encostou-se à da garota.

"Porque você não é como as garotas que eu conheço. Porque você não dá bola pra mim, porque você me despreza." – o garoto segurou o pescoço da ruiva com um das mãos, a outra estava apoiada contra a parede.

"Eu não te desprezo.. não mais..." – disse a ruiva com a voz fraca, quase inaudível.

Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos, como eu, sempre tão espertos

Perto de uma mulher

São só garotos

Draco não deixou Ginny terminar a frase, pois foi encostando seus lábios lentamente aos dela, depois, abrindo sua boca para dar passagem a sua língua. Os dois beijaram-se apaixonadamente e com desejo. Suas línguas se massageavam, se conhecendo, se explorando, como se estivessem fazendo amor. O loiro segurava a cintura da ruiva com uma de suas mãos, enquanto segurava seu pescoço com a outra, acariciando sua nuca; já a garota, enlaçara seus braços em volta do pescoço do garoto.

Seus dentes e seus sorrisos

Mastigam meu corpo e juízo

Devoram os meus sentidos

Eu já não me importo comigo

E então são mãos e braços

Beijos e abraços

Pele, barriga e seus laços

Os dois estavam totalmente compenetrados no beijo até que Ginny afastou-se bruscamente de Draco, os dois se olharam por alguns segundos, suas respirações ofegantes.

"E.. eu... a...acho melhor voltar pro meu dormitório. Minha cabeça parece que vai explodir." – disse e saiu correndo, deixando pra trás um loiro totalmente sem palavras, com uma de suas mãos encostada em seus lábios.

Caramba, que beijo.

São armadilhas e eu não sei o que faço

Aqui de palhaço, seguindo os seus passos