RECOMEÇAR

CAPÍTULO 10

Kagome estava em sua mesa, tentando se concentrar nos documentos que tinha que digitar. Desde seu fatídico encontro com Kouga duas semanas atrás, ela não conseguia prestar atenção em muita coisa.

Estava muito preocupada, pois sabia que Kouga não iria deixar essa história toda passar em branco. E o que a deixava mais desesperada era que ele havia sumido completamente.

Isso era realmente preocupante, pois Kouga sempre foi muito vingativo e, com certeza, estava aprontando alguma coisa contra Kagome e Inu Yasha. Só restava a ela esperar para descobrir o que ele iria fazer. E essa espera a estava consumindo.

Kagome acabou desistindo da digitação por enquanto. Recostou-se em sua cadeira e coçou os olhos depois de espreguiçar-se, na tentativa de relaxar um pouco. Estava ainda de olhos fechados, e não percebeu quando Inu Yasha saiu de sua sala e ficou parado em frente a mesa de sua bela secretária, apenas observando-a.

Ele estava muito preocupado, mas não com Kouga e sim com Kagome. Ela estava muito distraída e não se concentrava direito em mais nada.

- Se me disser que está pensando no Kouga de novo, vou começar a ficar com ciúmes! – Inu Yasha brincou, sobressaltando-a.

- Inu Yasha! Que susto você me deu! – ela respondeu colocando a mão sobre o peito, enquanto se ajeitava na cadeira.

- Me desculpe, K-chan! – Inu Yasha deu a volta na mesa e se posicionou atrás da cadeira de Kagome, iniciando uma deliciosa massagem em seus ombros – Você está muito tensa ultimamente. Só queria te ajudar a relaxar um pouco.

- Inu Yasha, você não deveria fazer isso aqui! – Kagome o repreendeu – Alguém pode nos ver!

- E daí? – ele apenas deu de ombros – Todos na empresa já sabem que estamos namorando mesmo!

Kagome simplesmente corou enquanto continuava a receber o carinho do namorado. Realmente, não poderia negar que o relacionamento deles era o assunto preferido de toda a empresa.

"- Já não era sem tempo!" – alguns comentavam.

Outros maldiziam com frases do tipo:

"- Ela só quer dar o golpe do baú!"

Mas outros vinham em sua defesa:

"- Se ela estivesse atrás de dinheiro, teria ficado com o pai do filho dela que é riquíssimo!"

Mas o casal apenas ignorava esses comentários. O que realmente importava era que eles se amavam e estavam juntos.

- Obrigada Inu! Você tem sido tão compreensivo... Nem sei se mereço tanto.

- É claro que merece! Tudo o que eu tenho feito é tão pouco... Você merece tudo de bom, Kagome! TUDO! – ele disse com carinho, beijando-lhe a bochecha.

- Mais uma vez, obrigada Inu!

- Bom, e o que vamos fazer hoje à noite? – ele perguntou continuando a massagem – Agora que o Shippou já sabe que estamos namorando, eu bem que podia dormir no seu AP!

- Inu, você diz isso todos os dias! E dorme no meu AP quase todas as noites! – ela disse rindo.

- Quem não arrisca não petisca!

Kagome havia contado sobre o namoro deles para o Shippou na mesma noite em que Kouga os "flagrara". Não queria correr o risco de Shippou ficar sabendo que a mãe estava namorando por outra pessoa. Não seria justo com o garoto.

OoOoOoOoOoOoO Flash Back OoOoOoOoOoOoO

Depois do "encontro" com Kouga, Kagome e Inu Yasha foram direto para o apartamento dela. Lá, Kagome foi direto para o seu quarto, onde se secou e trocou de roupa. Já tinha parado de chorar, afinal, não queria que Shippou se preocupasse. Voltou para a sala, onde Inu Yasha tinha ficado, levando-lhe uma toalha.

- É melhor você se secar, ou vai acabar pegando um resfriado. – ela disse.

- Não se preocupe, eu vou ficar bem! – ele respondeu enquanto pegava a toalha que Kagome estendia.

- Me desculpe pelo Kouga, Inu Yasha! – ela disse após um suspiro – Eu devia ter contado quando tive a chance! Devia ter imaginado que algo assim ia acontecer! – ela estava novamente beirando as lágrimas.

- Hei, hei! – Inu Yasha aproximou-se e a abraçou, tentando acalmá-la – Não se preocupe, K-chan! Você não tem culpa de nada. E não precisa se preocupar, eu já disse que vou sempre estar com você!

- Não tenho nenhuma roupa seca pra te emprestar. – ela disse, sentindo o carinho que vinha do abraço do namorado.

- Eu vou sobreviver. – ele respondeu.

Ficaram abraçados por mais algum tempo, enquanto Kagome tentava não voltar a chorar. Quando finalmente desfizeram o abraço, Inu Yasha segurou o rosto de Kagome entre suas mãos e olhou profundamente em seus olhos. Palavras não eram necessárias naquele momento. Podiam enxergar nos olhos um do outro tudo o que sentiam.

- Eu vou buscar o Shippou na casa da Sra. Kaede. – Kagome disse.

- Eu vou com você.

- Não. – ela discordou calmamente – É melhor você esperar aqui. Eu quero conversar com o Shippou... a sós.

- ... – depois de alguns segundos, Inu Yasha acabou concordando – Tudo bem, então.

Kagome se dirigiu à porta de seu apartamento com passos firmes e decididos. Passos que já não eram tão firmes e decididos à medida que se aproximava do apartamento da Sra. Kaede. Não sabia como Shippou iria reagir, mas não poderia adiar mais aquela conversa.

Ela tocou a campainha, e logo a porta foi aberta pela velha senhora.

- Oh! Kagome, querida, já está de volta?! – ela perguntou gentilmente.

- Sim, Sra. Kaede. Voltei mais cedo por que me preocupei com o Shippou. Ele tem medo de trovões.

- É verdade, logo que começou a chover ele ficou um pouco assustado, mas logo começou a brincar com o meu neto e o medo ficou em segundo plano.

- Que bom!

- Entre um pouco, Kagome. Vou chamá-lo pra você.

- Obrigada.

Depois de alguns minutos, o garoto apareceu correndo na sala em direção a Kagome, que o abraçou.

- Olá, meu amor! – ela disse, apertando-o entre seus braços – Ficou muito assustado, meu bem? – ela perguntou quando o soltou.

- Só um pouquinho, mamãe. Mas depois o medo passou, afinal, eu já sou um homem!

Kagome riu da afirmação do filho, e depois disse:

- Ótimo! Então, HOMEM, diga tchau para a Sra. Kaede e vamos para casa, ok!?

Depois que os dois se despediram da senhora, se puseram a caminho do elevador, que os levaria ao seu próprio apartamento. Quando entraram na caixa metálica, Kagome respirou fundo, tomando coragem para conversar com o "homem" ao seu lado.

- Querido, - ela agachou-se e o fitou nos olhos – a mamãe precisa ter uma conversa séria com você.

- O que foi que aconteceu, mamãe? – o garoto perguntou com uma cara desconfiada.

- Bom, - ela começou – você sabe que a mamãe é uma mulher adulta, e solteira, não é, querido?

- É claro que sim!

- E, você sabe que os adultos namoram, certo?

- Você tá querendo dizer que tem um namorado? – ele perguntou com uma expressão tão natural que fez Kagome se sentir uma idiota por tratar seu filho como um débil mental.

- É... É exatamente isso que eu quero dizer.- ela concordou – Você se importa?

- É o Inu Yasha, não é?

Ela assentiu. Estava tão na cara assim?

- Então eu não me importo! O Inu Yasha é legal. E você gosta dele, então por mim, tudo bem! – o garoto terminou com um sorriso sincero.

Kagome mais uma vez abraçou o filho, agradecendo aos céus pela criança maravilhosa que ele era.

- Shippou, - Kagome olhou no fundo dos olhos do filho – como você sabia que era o Inu Yasha?

- É simples. Eu sempre soube, desde aquele dia que ele veio assistir "Procurando Nemo". Se vocês não tivessem nada, ele não teria razão para agüentar um filme tão infantil!

Kagome estava espantada. Quer dizer que Shippou sabia de tudo, desde o início?

- Querido, onde você aprende essas coisas? – ela perguntou.

- Na TV! – ele respondeu naturalmente. (N/A: gente, ñ pensem q é exagero da mina parte, minha cunhada tem apenas 7 anos, mas ela me põe em cada saia justa por causa do q ela aprende na TV! O.O° Teve até uma vez q ela disse q queria q eu casasse logo com o meu namorado, o irmão dela q é 14 anos mais velho, então ela disse q eu tinha q engravidar o mais rápido possível pra q isso pudesse acontecer. E detalhe, ela disse isso na frente da minha sogra! E esse foi o mico mais ameno q ela me fez passar! XD)

A partir desse dia, Inu Yasha passou a freqüentar diariamente a casa de Kagome, criando uma forte relação com Shippou.

OoOoOoOoOoOoO Fim do Flash Back OoOoOoOoOoOoO

- Então, já que decidimos o que vamos fazer à noite, - ele disse – que tal sairmos para almoçar, eu, você e o Shippou? Nós poderíamos ir ao McDonalds e nos empanturrar com sanduíches e batatas fritas!

Kagome sabia perfeitamente que tudo o que Inu Yasha queria era tentar alegrá-la um pouco. Afinal, ele fazia isso o tempo todo!

Porém, antes que ela pudesse responder à proposta do namorado, as portas do elevador se abriram, e de lá saiu um homem muito bem vestido que se dirigiu a Kagome, tentando não prestar atenção ao homem que estava atrás da cadeira dela.

- Com licença, Srta. Eu estou procurando por Kagome Higurashi.

- Sou eu mesma. – Kagome respondeu, um pouco surpresa.

- Srta. Higurashi, eu sou um oficial de justiça. Vim lhe entregar esta intimação e preciso que assine bem aqui. – ele apontou o local em que Kagome deveria assinar, em uma prancheta que ele carregava.

- Oficial... de justiça? – Kagome perguntou, levantando-se assustada de sua cadeira – Intimação? Intimação de que?

Continuou a questionar o homem a sua frente, que simplesmente respondeu:

- Assine aqui, e a Srta. poderá ler a intimação e saber do que se trata.

Ainda um pouco apreensiva, Kagome pegou a caneta que lhe era estendida e, nervosamente, assinou no local indicado. Imediatamente, o oficial de justiça estendeu-lhe a intimação, porém, ela hesitou antes de pegá-la, já suspeitando de seu conteúdo.

Percebendo a apreensão de Kagome, Inu Yasha adiantou-se e pegou o papel perfeitamente dobrado das mãos do oficial de justiça. Este, por sua vez, desejou-lhes um bom dia e se retirou, deixando-os a sós.

Inu Yasha ainda tinha o papel em suas mãos, e Kagome não fazia menção de pegá-lo, portanto perguntou-lhe:

- Você não vai abrir?

- ... – ela manteve-se calada, apenas olhou nos olhos de Inu Yasha e depois de alguns segundos, disse – Por favor,... abre você.

Ele imediatamente percebeu o medo nos olhos e na voz de sua amada. Segurou firmemente sua mão e, olhando em seus olhos, disse:

- Vamos até a minha sala. Lá teremos mais privacidade.

Os dois seguiram para dentro da sala da presidência. Inu Yasha sentou-se em um dos sofás de sua sala e, com um gesto, pediu para Kagome que se sentasse do seu lado.

Mais uma vez, ela olhou em seus olhos, temerosa pelo que estava por vir.

Ele abriu o papel e leu silenciosamente, respirando fundo a cada palavra. Ao fim da leitura, passou a mão pelos cabelos, em um gesto de nervosismo que só deixou Kagome mais nervosa do que já estava. Ao fim da leitura, passou nervosamente a mão pelos cabelos e abaixou o documento, respirando fundo mais uma vez.

- E... E então? – Kagome perguntou, não cabendo mais em si, tamanha era a angústia que sentia.

- ... – Inu Yasha permaneceu em silêncio, procurando as palavras corretas para dar aquela notícia – O Kouga... entrou na justiça pela... pela guarda do Shippou.

Kagome prendeu a respiração por um momento para logo em seguida, desatar em lágrimas. Inu Yasha logo a abraçou, tentando acalmá-la. Como aquele Fedido idiota ousava fazer isso?

- Ele... Ele... Ele vai... Tirar... O meu... Filho de... Mim! – Kagome gritava, entre soluços.

- Não vai, não! Eu não vou deixar!

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

- Desculpe por incomodar vocês. Sei que acabaram de chegar da sua lua-de-mel, mas é uma emergência. – Inu Yasha falava enquanto entrava com Kagome na casa do irmão.

- Eu entendo que é uma emergência, Inu Yasha, mas eu sou criminalista! Não sei se vou ser de grande ajuda neste caso! – Sesshoumaru respondeu, ao mesmo tempo em que lhes indicava as poltronas que ficavam na espaçosa sala de visitas.

- Ora, Sesshoumaru! Você já colocou os piores bandidos deste país atrás das grades. Por que não conseguiria manter a guarda do menino com a Kagome? – Inu Yasha normalmente não admitiria que o irmão é tão bom, mas como ele mesmo disse, era uma emergência e só poderia recorrer a ele.

- Por favor, Sesshy! Será que não há nenhuma forma de ajudar a Kagome? – Rin, que até agora havia se mantido calada, perguntou, aproximando-se do marido.

Sesshoumaru permaneceu em silêncio por alguns minutos, para logo depois ceder mais uma vez aos pedidos de sua esposa.

- Vou fazer o que puder. – disse depois de um suspiro – Mas para isso, vou precisar que me conte tudo o que aconteceu durante o seu relacionamento com o Kouga.

- Tudo bem, mas... – Kagome secava o canto dos olhos com as mãos – eu não tive relacionamento nenhum com o Kouga.

- Como assim? – o advogado perguntou intrigado.

- Eu vou explicar.

Ela respirou fundo mais uma vez, dando início a sua narrativa.

OoOoOoOoOoOoO Flash Back (Narração da Kagome) OoOoOoOoOoOoO

Eu conheci o Kouga na faculdade. Sangô e eu éramos calouras e ele era um dos veteranos mais populares do campus, estava dois anos a nossa frente. Fazia parte do time de futebol e era líder de uma das maiores irmandades de lá... Em fim, era muito popular, principalmente com as garotas.

Nos conhecemos acidentalmente, quando esbarramos em um dos corredores da faculdade, e desde então ele ficou atrás de mim, com um tipo de fixação. Não sei bem o motivo disso, pois ele podia ter qualquer garota que quisesse, mas cismou comigo, que não queria nenhum tipo de relacionamento com ele, a não ser, é claro, amizade.

Por muitas vezes, fui obrigada a ser rude com ele, até mesmo em público, pois ele me perseguia em todos os lugares que eu costumava ir: nas festas, na biblioteca, até mesmo do lado de fora da sala de aula, quando o horário de saída se aproximava.

Eu já tinha até desistido de ir a festas por causa das situações constrangedoras que ele criava.Sempre que algum rapaz tentava me passar uma cantada, ou simplesmente me tirar pra dançar,ele aramava o maior barraco gritando pra Deus e o mundo que eu era "SUA MULHER"e que ninguém podia se aproximar de mim. Mas a Sangô sempre me arrastava pra alguma balada, dizendo que eu não poderia para de viver por causa dele.

Algumas vezes, ele chegava ao extremo de mandar dois amigos, ou melhor, dois capachos dele me seguirem, só pra ter certeza de que ninguém se aproximaria de mim. Depois disso, eu passei a ignorá-lo, na tentativa de fazer com que ele por fim percebesse que não haveria chance de um relacionamento entre nós.

Em fim, depois das finais do campeonato universitário de futebol daquele ano, todos fomos a uma boate para comemorar a vitória da nossa faculdade. Eu pensei em ficar em casa, pois estava um pouco resfriada e tive medo de piorar mas, mais uma vez, a Sangô me convenceu a ir, e é claro que o Kouga estava lá. Afinal, ele era o capitão do time!

A noite estava muito divertida. Sangô arrumou um par e eles ficaram na pista de dança durante a maior parte da noite, enquanto eu fiquei em uma das mesas, conversando com meus colegas.

Então, o Kouga apareceu, e pediu para conversar comigo em particular. Eu só aceitei por que ele disse que não faria nenhum escândalo. Fomos, então, para uma outra mesa, um pouco mais afastada do barulho, para podermos conversar em paz. Ele olhou no fundo dos meus olhos e, com uma expressão totalmente arrependida, me pediu desculpas.

- Eu sei que fui um tolo, Kagome. – ele falava, evitando olhar nos meus olhos nesse momento – Me comportei como um troglodita. Mas eu quero que você saiba que tudo o que fiz, foi por causa do que sinto por você. – completou, passando a me encarar.

- Kouga,eu só gostaria que você entendesse que não pode haver algo entre nós.- eu não gostava de tocar no assunto, mais me via obrigada a colocar um ponto final naquela situação – Me desculpe, mas o sentimento não é recíproco!

- Sim, eu... – ele hesitou um pouco antes de continuar – Eu já entendi. Por mais que me doa admitir, sei que você não gosta de mim.

Ele tinha uma expressão de profunda tristeza, mas logo colocou um sorriso em seu rosto. Um sorriso que me pareceu bastante sincero.

- Mas, - Kouga continuou – será que, apesar de eu ser um completo imbecil, nós ainda poderíamos ser amigos?

Ele estendeu a mão por cima da mesa, e eu a aceitei, pois apesar de todos os transtornos que ele me causou, eu sabia que o Kouga era uma pessoa boa.

- Claro que sim! – respondi com um sorriso.

- Com licença. – um dos garçons da boate se aproximou com uma bandeja em mãos – Seu pedido, Kouga.

- Obrigado, Narak. – Kouga se dirigiu a ele – Kagome, acho que você já conhece o Narak, não é? Ele é estudante de Direito na nossa faculdade e está trabalhando aqui.

- Claro que sim. – respondi – Como vai?

- Muito bem, Srta.

- Espero que não se incomode, - Kouga continuou – mas pedi que ele nos trouxesse um dirnk, pra comemorarmos a nossa "reconciliação". Como amigos, é claro.

- Não sei se devo aceitar. – eu tentei recusar – Eu não gosto muito de álcool.

- Eu sei disso. – Kouga sorriu – Foi exatamente por esse motivo que pedi para o meu amigo Narak preparar um delicioso coquetel de frutas pra você. – ele completou, estendendo-me o copo.

- É que, além disso, acabei de tomar um remédio contra o meu resfriado. Acho que não vai fazer muito bem!.

- Não tem com o que se preocupar. – Narak disse – Está bem fraquinha. Quase não se sente o álcool.

Resolvi então, aceitar a bebida e acabar com aquilo o mais rápido possível. Narak se retirou, e Kouga propôs:

- Que tal um brinde? Ao começo de uma nova amizade!

- Tin tin! – eu respondi enquanto tocávamos os nossos copos.

Estava muito feliz, afinal, tudo indicava que meus problemas estavam acabando por ali.

Pura ilusão... Eles só estavam começando!

Permaneci por mais algum tempo ao lado de Kouga. Estávamos conversando sobre diversas coisas: o jogo daquela noite, as matérias do curso, planos para o futuro... De repente, comecei a me sentir tonta. Realmente eu não deveria ter saído de casa com aquele resfriado!

Estava me sentindo cada vez mais fraca, como se estivesse perdendo os sentidos. Depois daquilo eu apaguei.

A única coisa da qual eu me lembro é de estar ... transando com o Kouga, mas é uma lembrança muito vaga... como se eu estivesse delirando.

Quando acordei no dia seguinte, estava deitada na cama do Kouga, totalmente despida. Ele estava deitado ao meu lado, ainda dormindo.Fiquei totalmente estupefada com o que eu vi. Eu não era virgem, mas não gostava de dormir com o primeiro que aparecesse na minha frente, principalmente com o cara que tinha me infernizado por tanto tempo!

Peguei minhas roupas que estavam no chão, e as vesti rapidamente, com cuidado para não acordá-lo. Eu não fazia a mínima idéia de onde estava, mas queria sair dali o mais rápido possível.

Quando consegui sair do apartamento em que estávamos, descobri que era o local onde ele morava, mas não fazia idéia de como eu havia chegado ali.

Fui direto pra minha casa, e quando cheguei, encontrei-me com a Sangô, que estava muito preocupada, sem saber o que havia acontecido comigo. Ela disse que me procurou a noite toda, e que quando perguntava para os nossos colegas se eles haviam me visto, eles só diziam que o Kouga tinha conseguido o que queria.

Eu contei pra ela o que havia acontecido, ou pelo menos, o que eu me lembrava. E chorei... muito.

Kouga passou o dia inteiro ligando pra mim, mas sempre deixava a secretária eletrônica atender. Não queria falar com ele, pelo menos por enquanto.

Mas eu não pude escapar por muito tempo. Na segunda feira seguinte, nós tivemos aulas e eu tive que encarar o Kouga. Ele me abordou com um semblante preocupado.

- Você está bem, Kagome? – perguntou.

- Sim. Só um pouco... confusa.

- Você... lembra do que aconteceu, não lembra?

- ... – eu o encarei por alguns segundos, mas findei por responder – Sinceramente, não me lembro de nada. Você poderia me explicar o que aconteceu?

Ele suspirou pesadamente, e me encarou. Depois me guiou em direção a um banquinho que havia próximo a nós. Nos sentamos, e ele começou:

- É que, é meio... estranho falar sobre isso já que você não se lembra. Mas, você deve se lembrar pelo menos do drink que tomamos juntos, não é?

- É, lembro.

- Bom, não sei o que aconteceu com você, mas depois desse drink, você começou a agir de forma estranha. Começou a dançar de forma... provocante. Você começou a se insinuar pra mim na pista de dança e, quando eu me dei conta, já estávamos nos beijando lá mesmo.

Eu não podia acreditar no que ouvia. Nunca havia me comportado dessa forma. Estava morrendo de vergonha.

- Nunca foi segredo pra ninguém que eu tenho um "tombo" por você e, eu não consegui resistir. Correspondi aos beijos e as carícias na hora. E, a coisa foi esquentando e, eu já não agüentava mais, então eu te levei para o meu apartamento e... bom, você deve imaginar. – ele terminou com um riso amargurado.

E eu continuei em silêncio. A única coisa que eu queria naquele momento era que um buraco enorme aparecesse e me engolisse pra nunca mais ter que mostrar a minha cara na rua de novo.

- É quase uma piada. – Kouga continuou – Eu finalmente tive a melhor noite da minha vida, com a mulher que eu amo, e ela não lembra de nada.

- Kouga... – eu tentei argumentar, mas ele me interrompeu.

- Não, Kagome, não precisa dizer nada. Eu sei que se você pudesse voltar no tempo, não teria permitido que isso acontecesse. – ele passou a me encarar - E no fundo, eu sei que não devia ter deixado as coisas irem tão longe, mas... você não faz idéia do quanto eu te amo!

- Me desculpe, Kouga. – foi só o que eu consegui dizer.

Saí dali quase correndo. Minha cabeça estava muito confusa e eu decidi não assistir as aulas daquele dia e fui para o meu apartamento. Chorei tanto que acabei adormecendo.

Depois de pensar muito, decidi que já que não havia como mudar o passado era melhor me conformar e tocar a vida.

Conversei com o Kouga novamente e decidimos que seria melhor tentar esquecer o que havia acontecido e seguir em frente. Ele me pareceu muito triste, mas por fim, acabou concordando.

Porém, durante as semanas que se seguiram, eu passei a me sentir constantemente enjoada e minha menstruação estava atrasada. Assustei-me com a possibilidade de ter engravidado então, resolvi procurar o meu ginecologista. E ele me deu a notícia que eu mais temia: eu estava grávida.

Por um momento, cheguei a me desesperar. Não tinha a mínima idéia do que fazer. Eu trabalhava meio período como secretária de uma pequena empresa para poder bancar a faculdade, mas com certeza não seria o suficiente para sustentar a mim e ao meu filho. Além disso, eu não teria como dar continuidade ao meu curso depois que o bebê nascesse.

Sangô me disse que eu poderia contar com ela pra encarar essa situação, mas não achei justo que ela tivesse que pagar pelos meus erros.

Decidi então falar com o Kouga. Ele era o pai da criança que eu estava esperando. Tinha, portanto, o direito de saber que iria ser pai. No entanto, eu estava um pouco temerosa pela reação que ele teria ao saber.

Porém, a reação dele foi surpreendente! No mesmo instante ele começou a pular de felicidade, dizendo que aquele era um sinal de que o nosso destino era sermos felizes juntos. Disse que nos casaríamos o mais rápido possível, e que eu iria morar no apartamento.

Ele também começou a dizer que eu deveria largar o meu emprego. Já que ele iria me sustentar, eu não precisaria mais do trabalho como secretária. Ele continuou fazendo todo tipo de plano para o 'nosso' futuro. E o mais interessante, era que ele nem havia me perguntado o que eu achava.

- KOUGA, PÁRA DE FANTASIAR! – até que eu o interrompi.

- Como assim, K-chan? É do nosso futuro que estamos falando. – ele argumentou.

- Não. É sobre um futuro que nunca vai acontecer que você está fazendo um monólogo! – eu rebati – Kouga... Em nenhum momento eu disse que iria me casar com você! – eu disse tentando me acalmar.

- Mas Kagome, você está grávida! – ele estava começando a se alterar - Vai ter um filho meu!

- Mas isso não quer dizer que o que eu sinto por você tenha mudado! Eu vim te procurar por que você é o pai da criança, não pra conseguir um casamento!

Ele já havia perdido o semblante de euforia que demonstrava no início da nossa conversa e agora tinha uma expressão de puro ódio. Seu tom de voz estava alterado e seus movimentos bruscos e ríspidos.

Era a primeira vez que eu o via tão irritado. A primeira de muitas vezes...

- SERÁ QUE NEM ASSIM VOCÊ VAI ME QUERER? – ele gritava – SERÁ QUE EU NUNCA VOU SER O SUFICIENTE PRA VOCÊ, KAGOME HIGURASHI?

Ele agarrou o meu braço com muita força, me machucando de verdade. Fiquei muito assustada naquele momento. Tinha medo do que ele faria a seguir.

- KOUGA, VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO! – gritei enquanto tentava me soltar.

- UM DIA, KAGOME. UM DIA VOCÊ VAI SER MINHA! VAI RASTEJAR AOS MEUS PÉS. E SABE O QUE EU VOU FAZER? – ele segurou meu outro braço, e agora me chacoalhava - EU VOU ESTAR ESPERANDO DE BRAÇOS ABERTOS.

Então ele me soltou e saiu pisando duro. Quando estava a uma certa distância, ele se voltou para mim novamente e gritou;

- NEM PENSE QUE VOCÊ VAI FICAR COM OUTRO CARA, KAGOME! VOCÊ É MINHA E DE MAIS NINGUÉM!

E se foi.

Eu fiquei em frangalhos. Não sabia o que pensar nem o que fazer, mas tinha certeza de uma coisa: não era uma idéia muito boa contrariar o Kouga naquele momento.

Alguns dias depois, ele estava um pouco mais calmo e foi até o meu apartamento. Dessa vez, Sangô estava por perto, para garantir que nada de mal aconteceria.

Depois de longas horas de conversa e algumas discussões, decidimos que não nos casaríamos, que eu não largaria o trabalho, que eu não me mudaria, e que o bebê ficaria sob meus cuidados.

O Kouga ainda insistiu algumas vezes na história do casamento, mas eu sempre dava uma negativa muito enfática, até que ele iniciou uma nova abordagem.

- Bom, já que você não quer nada comigo, não vai se importar se eu sair com outras garotas, não é? – ele perguntou com um olhar inquiridor, prestando atenção a cada detalhe dos movimentos de Kagome, na tentativa de perceber algo que denunciasse ciúmes.

- Por que está me perguntando isso? É claro que eu não me importo. Afinal, somos livres e desimpedidos! – eu respondi normalmente, o que o deixou decepcionado.

Percebi que ele saia com outras garotas na tentativa de me deixar enciumada, tentativa essa totalmente frustrada! Com o passar do tempo, essas saídas se tornaram uma espécie de compensação. Ele não podia me ter, então teria qualquer uma que passasse na sua frente, até que eu decidisse que era a hora de ficar com ele.

Depois do nascimento do Shippou ele até tentou ser um pai modelo. Ia a minha casa todos os dias para nos visitar, levava inúmeros presentes... Mas essas visitas sempre acabavam em briga, então ele passou a nos visitar cada vez menos.

Porém, apesar do número de visitas ter sido reduzida, parece que as investidas dele se tornaram mais constantes. Ele continuou com aquela história de que eu era sua mulher e que não poderia ficar com ninguém mais. Parece que ele contratou alguém para me seguir, pois sempre que havia alguém de olho em mim ele dava um jeito de atrapalhar. Parecia que eu tinha voltado aos tempos de faculdade.

O Shippou sempre fica muito triste pela ausência do pai, mas às vezes eu acho que é melhor assim. O Kouga não é o melhor exemplo que o meu filho pode ter. Além disso, não quero que o Shippou pense que todas as nossas brigas são por causa dele.

OoOoOoOoOoOoO Fim do Flash Back OoOoOoOoOoOoO

- E dessa vez, - Kagome continuava a falar – ele cumpriu a ameaça de tirar o Shippou de mim.

- Kagome, você não tem com o que se preocupar. – Sesshoumaru tentou acalmá-la – Se tudo isso que você me disse é verdade, não vamos ter problema nenhum! Nenhum juiz em sã consciência daria a guarda de uma criança a um homem como o Kouga.

- Mas é exatamente isso que me preocupa! O Kouga não teria tentado algo do tipo se não tivesse certeza absoluta de que seria vitorioso. Ele não vai jogar limpo se isso significa perder.

Todos permaneceram em silêncio por alguns minutos, até que Sesshumaru decidiu agir.

- Se é assim, então temos que nos preparar para vencermos qualquer obstáculo que ele tente colocar à nossa frente. Quero que me dê o nome do advogado dele para que eu possa tentar um acordo. – Sesshoumaru disse, levantando-se.

- Acho você que não vai gostar muito de saber quem é o advogado dele. - Inu Yasha disse.

- Por que não? – Sesshoumaru perguntou, arqueando uma sobrancelha (N/A: daquele jeito bem sexy que só ele sabe fazer!!! .)

- Por que ele é Narak Onigumo. – o próprio Inu Yasha respondeu.

Sesshoumaru permaneceu em silêncio por alguns minutos antes de afundar novamente no sofá e dizer:

- Bom, isso significa que vamos ter problemas.

CONTINUA...

Oiê, galera!!!

Calma, calma. Não precisa jogar tomate nem ovo podre. Eu sei que estou muito atrasada com este capítulo, mas pra tudo existe uma explicação: eu to sem tempo pra escrever, com um pequeno bloqueio, e muito cansada!

Sabe como é, fim de graduação, tem muito trabalho pra fazer, fora o TCC! A cobrança ta muito grande e eu to levando metade dos trabalhos em grupo nas costas. Tadinha de mim!!! T.T

Mas, antes tarde do que nunca! Aí está o capítulo 10! Sei que não foi grande coisa, mas era pra explicar alguns detalhes da fic. Prestem atenção, pois essa parte da fic vai ser muito importante no futuro.

V6 gostaram do capítulo? Eu fiz questão de deixar algumas dúvidas no ar. Quem será o Narak? Por que ele vai ser um problema? O que o Kouga vai aprontar? Será que ele vai mesmo conseguir a guarda do Shippou? Todas essas perguntas serão respondidas nos próximos capítulos de RECOMEÇAR, portanto, por mais que possa demorar para eu postar, não deixem de acompanhar!

Gostaria de agradecer imensamente a:

Lilica-chan, Agome chan, naninhachan, manu higurashi, Luna, Srta. Lenita, Nicki-chan e Cris.

Muito obrigada pelo carinho e incentivo de v6!

E o que v6 acharam do capítulo? Ta legal? Ta uma droga? Você ta morrendo de vontade de me matar? Então, deixe uma review!

Mais uma vez, desculpem a demora, e até a próxima!

Pyta-chan .

P.S.: quem quiser pode dar uma passadinha na minha nova fic de Inu Yasha. O título é STAR LIGHT. Espero que gostem!